
Nada constando no Evangelho ou em qualquer outra parte do Novo, perpétuo e divino testamento sobre graça previniente, graça interna, predestinação para a fé, regeição, etc
resta-nos concluir que a única base possivel para o calvinismo se encontra nos oráculos e sentenças proferidos pelo vaso de eleição e apóstolo das gentes.
Resta-nos pois examinar as duas passagens alegadas por Calvino a favor de seu decreto horrendo.
São as duas únicas tabúas de salvação que possuem por hora nossos adversários, nossos não de Cristo, de seu amor, benignidade, clemência, generosidade, filantropia, etc
Cristo porém, amando a todos e desejando ser amigo de todos não é inimigo de ninguém, nem mesmo do calvinista que peleja contra ele e obscurece seu divino cárater.
Ef 1,4 - 5
Começemos examinando o texto da carta dos Efésios conforme a ordem seguida por Calvino, ao qual também nós seguiremos.
"Para que mais seja completa a prova paga a pena destacar uma a uma as partes dessa passagem que, correlacionadas em um todo, nada de dúvida deixam (Ef 1,4-5)
Por chama-los eleitos nenhuma dúvida há de que sejam fiéis (aqui Calvino diz o obvio), assim como a seguir declara pelo que de extremamente detestavel ficção corropem esse termo os que o confinem a época em que foi anunciado o Evangelho. Dizendo que os eleitos haviam sido fiéis antes de criado o mundo, remove Paulo toda consideração de dignidade própria. Pois que distinção poderia haver entre os que não existiam e que, ao depois, haveriam de ser iguais em Adão? Agora se eleitos em Cristo, segue-se que não só o é cada um a parte de sí próprio, mas ainda separados uns dos outros, quando vemos que não todos são membros de Cristo.
O que se aduz: haverem sido eleitos para ser santos, refuta abertamente o erro que deduz a eleição da presciência, uma vez que Paulo protesta que tudo quanto de virtude nos homens aparece é efeito da eleição. Agora se causa superior se busca responde Paulo que Deus havia assim predestinado "segundo o beneplacito de sua vontade."... desta fonte única emanarem que Deus elegeu aqueles aos quais quiz, mas antes que nascidos fossem, reservada lhes poz, individualmente, a graça de que os queria dignar."
É isto o que diz Calvino sobre o referido texto no inciso segundo, do capitulo vigésimo segundo, do livro terceiro de suas afamadas Institutas, as quais os protestantes consideram como a mêdula da teologia reformada e monumento imperecivel.
Assim são ingualmente os sepulcros caiados de branco e os tumulos memorias que os homens edificam aos mortos: por fora graciosos e belos, mas por dentro cheio de prodridão e ruina.
É como diziam nossos pais: por fora casca lustrosa> por dentro é bolorento...
Que eleitos sejam eleitos é pura tautologia ou obviedade, quem o nega?
Se foram eleitos são eleitos, estamos de acordo...
Evidente que fomos eleitos ou escolhidos antes dos séculos ja la no ab eterno, pois Deus nem muda, nem faz as coisas de improviso.
Estamos bem informados de que sua natureza é imutavel e sem sombra de variação.
Se desejou e quiz humanar-se desde sempre porque desde sempre conheceu o estado futuro dos habitantes deste mundo, e porque desde sempre desejou socorre-los, e porque desde sempre planejou congregar os santos e restaurados no seio da mãe Igreja, por isso Hermas afirma no 'Poimen' que a Igreja procede da eternidade.
Apenas se manisfestou no tempo o que desde sempre fora conhecido e querido por Deus.
Até mesmo o mal e o pecado foram queridos em vista da restauração futura, por isso que S Ambrósio fez cantar no 'Exultet': bendito pecado que nos mereceu, a graça de um tão grande Redentor.
Pois se não houvesse pecado não haveria a Encarnação.
Entretanto para isto o Verbo se fez carne: para destruir as obras do Demônio, ou seja para destruir o mal e o pecado.
Disto tudo ja sabemos sem que fosse necessário a Calvino advertir-nos.
Que nos predestinou a adoção em seu Filho também lho sabemos.
Pois seremos participantes da natureza divina e o que seremos na verdade sequer foi manifestado.
Pois é algo que olho não viu, ouvido não ouviu, paladar não sentiu e mãos não puderam jamais palpar.
Isto reservou ele aos que gemem e clamam: meu Pai.
Pois no Filho único por natureza, através da encarnação, tornou-se Pai adotivo duma multidão de filhos, a saber aqueles que foram reconciliados pelo único e que se tornaram já irmãos seus, ja irmãos uns dos outros, pois todos dele recebemos em medida graça sobre graça. Ele porém foi ungido mais que seus irmãos, pois nele a graça não é dada por medida, mas possuida por natureza e comunicada a nós outros os mortais.
Que foram eleitos para a santidade quem o ignora?
Acaso os Deus santo predisporia seus eleitos e filhos ao pecado e a iniquidade como supoz Lutero?
Acaso lhes concedeu uma graça fraca, ilusória e incapaz, que não triunfe da tentação e do pecado?
Isto dizem os simbolos de fé calvinistas segundo os quais a chaga humana não foi completamente cicatrizada, nossa enfermidade não foi de todo curada e nossa natureza permanece fraca e passivel de queda mesmo após a restauração pela fé.
Verdadeiramente blasfemo é atribuir tudo a Cristo para depois alegar que Cristo não realizou uma obra plena e perfeita capacitando os seus a impecabilidade...
Afirmam que os papistas deixam de atribuir isto e aquilo a Deus para atribui-lo aos homens para no fim das contas afirmar que Deus não concedeu aos homens uma graça que os capacite a viver santamente em obediência a lei de Cristo.
Que no fim das contas o Deus Santo, permite de sua parte que o homem continue a pecar mesmo sob o jugo da graça e na posse da mesma.
Isto dizem os Luteranos e calvinistas desmiolados.
Nós afirmamos o contrário: que aquele que quer e deseja Deus concede o poder e a graça de viver sem pecar e de caminhar na santidade plena diante de suas vidas como ele mesmo convocou: sede santos como eu sou santo e perfeitos como eu sou perfeito.
Acaso Deus peca?
Não.
Logo aos que foram nimbados pela graça divina e nele vivem, na sua comunhão e unidade é possivel viver sem pecar e sem praticar delito de morte.
Como disse Hermas: assim deveis fazer e se lhos fazeis vivereis em Deus.
Aquele que não vive na lei de Deus segundo o exemplo de Deus não esta em Deus, mas morto para ele e morto no pecado.
Predispostos pelo beneplacito de sua vontade.
Claro que a redenção foi obra da boa vontade de Deus...
Quem lho negará?
Não disse entretanto que nos fez santos e irrepreenssiveis ele mesmo.
Mas que nos escolheu para correspondermos a um môdelo de santidade e perfeição.
E se nos escolheu para sermos santos é porque conheceu antes nossa capacidade para sermos santos.
Porque se não tivesse visto e sabido antes a nossa capacidade para sermos santos e perfeitos como haveria de nos escolher para tanto?
Por isso antes de escolher os homens conheceu que os homens eram capazes de cooperar consigo, de corresponder a seu chamado de a suas dádivas e de florescer e frutificar em santidade.
Para nos eleger tendo em vista sermos santos e perfeitos teve de saber que colaborando tomariamos parte em seus planos ao invés de frustra-los pela dureza de nossos corações.
Decidiu resgatar-nos porque soube desde a eternidade que eramos resgataveis.
Antes fazendo-nos enquanto imagens e semelhanças suas ja nos fez resgataveis.
Pois somos obras de suas mãos.
Pois uma coisa é eleger o homem para a santidade, outra sabe-lo capaz de ser santo e outra totalmente diversa faze-lo santo e acabado sem cooperação de sua parte.
Isto sim é predestinação: FAZER O HOMEM SANTO DESDE TODA A ETERNIDADE INDEPENDENTE DE SUA VONTADE e disto não há sinal ou traço no texto.
Entretanto se Paulo diz que a Igreja de seu tempo corresponde de modo particular a eleição divina, EM PARTE ALGUMA NEGA QUE TODOS OS HOMENS ESTIVESSEM IGUALMENTE DESTINADOS A INGRESSAR NA IGREJA.
Pois uma coisa é afirmar a eleição e a predestinação da Igreja e outra totalmente distinta negar que todos os homens serão restaurados na igreja.
Não negamos a eleição ou a predestinação de modo algum, Calvino é que calcula, conta e restringe o número dos eleitos, supondo haver igualmente deseleitos ou regeitados da parte de Deus.
Nós afirmamos a verdadeira eleição e predestinação, decreto bom e misericordioso para todos os seres humanos, porque afirmamos uma eleição geral e universal.
E ouso dizer que Paulo, ao invés de postular uma regeição com que não nos deparamos em lugar algum afirma essa restauração de todos os homens em Cristo e na santa Igreja.
Como nos tempos de Paulo existem dois grupos: os propriamente eleitos ou plenamente eleitos, os filhos da Igreja, servos de Cristo, adoradores em espírito, Santos e observantes que correspodem a eleição e chamado exercendo a fé, fruindo da graça e obedecendo a lei de Cristo que é o amor e os outros eleitos que ainda não corresponderam a eleição divina, perseverando no mal e no pecado.
Porém o fato de não corresponder hoje não significa que não haverão de corresponder amanhã.
Aqui os calvinistas como todos os Ocidentais transviados alegam que muitos tem morrido mo mal e no pecado.
Donde concluem que tais pessoas estejam perdidas e condenadas não fazendo juz ou correspondendo a eleição de que falamos. E explicam que se trata dos que foram reprovados de antemão.
Todavia toda esta doutrina é falsa da cabeça aos pés e nada há nela de são.
Pois esta escrito que o Senhor Cristo durante a morte foi em espírito humano pregar aos homens que viveram antes dele no mundo espiritual.
E também esta escrito que o rico Finéias estando morto e tendo a consciência em chamas clamou ao Pai Abraão em favor dos seus que ainda estavam neste mundo, o que demonstra que ele conheceu progresso e melhora no mundo espiritual.
Não é a toa que a Igreja de Deus suplica pelos mortos no sagrado altar lendo o Evangelho em memória dos que partiram, crendo que lhes advem algum beneficio desta prática.
Afinal porque o mestre de Genebra não levou sua citação mais adiante parando na metade?
Calvino sempre cita os textos sagrados truncados, porque chegando a um certo ponto não correspondem mais a seu propósito e intenção.
Caso fosse mais além o grande teologo reformado poderia ser dementido pelas santas palavras.
Logo melhor é para ele e sua teoria ímpia parar no verso quinto enquanto o capítulo continua por mais vinte e três versiculos...
Versiculos que conteem lições nada agradaveis para nosso insigne reformador.
Pois no verso décimo Paulo parece indicar ao leitor quem são os eleitos ou qual seja seu número.
Já vimos que Cristo (Jo 17,2) e Joel (2,28 e At 2,17) estendem a remissão a toda carne ou seja a todos os homens e não apenas a um grupo especial de privilegiados.
Porquanto esta escrito que "Deus não faz acepção de pessoas."
Não faz e jamais fez porque sua essência é imutavel e sem sombra de variação.
Tivesse Deus separado os homens (feito acepção de pessoas) desde toda eternidade, continuaria certamente a faze-lo até os dias de hoje...
Por isso Paulo afirma que o fim da eleição foi:
"CONGREGAR EM CRISTO TODAS AS COISAS." verso décimo.
Mas congregar o que?
O disperso obviamente, pois o que não esta disperso, mas congregado não pode ser congregado.
Portanto tal convocação deve ter em vista os dispersos?
Conhece Calvino outros mundos ou seres que tenham sido dispersos e aos quais tenha sido prometida redenção?
Eu não conheço.
Sei apenas de homens que se separaram de seu Senhor e que perdendo a direção do amor se converteram em coisas.
POR ISSO DIZ O APÓSTOLO QUE TODAS AS COISAS SERIAM REUNIDAS QUERENDO SIGNIFICAR COM ISTO TODOS OS HOMENS QUE DELE ESTAVAM SEPARADOS PELO OFICIO DO MAL.
E diz ainda quando tal ajuntamento será efetivado: na plenitude dos tempos.
Na plenitude dos tempos celestiais, quando o mal for erradicado da terra e a terra for desposada pelo Senhor e dominador que a ela virá com a multidão dos seus santos para instalar seu tabernaculo e escrinio perpétuo.
Pois a plenitude dos tempos terrenos, esta foi marcada pela encarnação do Verbo divino.
Estamos pois entre duas plenitudes: a da nossa econômia que caminha para a perfeição e o consumação em Cristo e a da econômia divina, por isto se diz que estamos em dores de parto, porque o fruto serão novos céus e nova terra habitados pelos eleitos restaurados.
Por isto declara o verso vigésimo segundo: E sujeitou todas as coisas a seus pés e sobre todas as coisas o constituiu cabeça da Igreja que é seu corpo.
Segundo havia sido profetizado: Assenta-te a minha direita até que todos os teus inimigos estejam postos debaixo de teus pés.
Porque o mensageiro da paz pisou com pés mortais esta terra que representa a habitação daqueles que haverão de estar debaixo de seus pés ou seja em comunhão com ele pela submissão livre da vontade.
Pois o Reino de Cristo não vem por força ou violência mas por persuasão.
Sujeitou todas as coisas ou melhor todos os seres humanos justamente porque a todos predestinou e elegeu para o serviço dele e assim será.
E refere a Igreja como seu corpo do qual ele é a cabeça e coroa porque todos os homens se sujeitarão a ele na Igreja dele.
Assim ele já não terá inimigos mas todos serão seus amigos pela submissão voluntária.
Isto esta escrito não de alguns ou de particulares.
Pois o Pai não conhece individuos ou particulares e sua aliança é com a humanidade.
Conforme seu filho desposou-a nas bodas de sua Sagrada Encarnação.
Tornando sacramento salvifico para todos os eleitos.
Vejamos pois o que o apóstolo diz na epistola endereçada aos Colossenses para ver se aprendemos um pouco mais sobre o mistério da verdadeira predestinação.
Predestinação Santa e gloriosa que o infernista Calvino profanou como um javali solto num jardim florido.
"TODAS AS COISAS FORAM CRIADAS POR ELE E PARA ELE." Ef 1,16
Como se diz pois que algumas coisas foram predestinadas para o mal desde toda a eternidade?
Se para ele foram planejadas, predestinadas e feitas?
"PORQUE FOI DO AGRADO DO PAI... QUE RECONCILIASSE CONSIGO MESMO TODAS AS COISAS TANTO AS TERRESTRES COMO AS CELESTES." Ef 1,20
O que foi separado de Deus neste plano senão o homem?
Acaso dirá Calvino que os animais também pecam ou que o pecado ancestral de Agostinho também lhes foi imputado?
Entretanto a única coisa ou o unico ser que precisa ser reabilitado na terra é o homem enquanto praticante do mal e escravo da iniquidade.
Diz o apóstolo todavia que todas estas coisas - e não algumas ou parte delas - serão restauradas.
Porque todas foram escolhidas e eleitas tendo em vista a restauração no amor e nenhuma delas repudiada.
Por fim no verso 23 afirma que a perseverança na eleição é condicional e a apostasia possivel:
"SE, todavia permanecerdes firmados e fortes na fé e não vos MOVERDES da esperança do Evangelho que ouvistes."
O que não condiz nenhum pouco com a teoria da predesticação absoluta ou com sua filha a má doutrina da segurança do crente.
Pois a única segurança do crente é conservar a boa vontade e obedecer aos mandamentos divinos.
Mudando de vontade e violando dos madamentos torna-se apóstata e infiel predisposto ao castigo enquanto membro morto e separado de Cristo.
Conclusão: o referido texto de Paulo postula de fato uma eleição e chamamento procedentes da eternidade e dos quais os Santos Filhos de Deus e da Igreja são correspondentes.
Não nega porém que toda humanidade seja objeto deste chamamento divino e santa eleição e que possa vir a corresponde-lo sendo congregada pelo Verbo, Luz que ilumina a TODO HOMEM QUE VEM A ESTE MUNDO. Jo 1,9
Todo homem diz o apóstolo que pousou sua fronte no regaço do Senhor e não alguns homens ou parte dos homens.
Assim nos certificamos de que dois dos três textos fornecidos por Calvino em sua Institutas não correspondem ao propósito porque foram citados.
O primeiro porque sequer trata de fé ou salvação e este porque refere a uma eleição que pode ser geral e não particular.
Pois o fato dos demais não terem correspondido a eleição ou não lha terem aceito não significa que não tenham sido queridos e eleitos.
Imaginemos que um cavalheiro de alma nobre e elevada organiza uma festa para todos os pobres de sua cidade, e marcada a data da festa envia convite a todos sem excessão. No dia da festa porém faltam alguns, inda que poucos...
Acaso sua ausência significa que tenham sido previamente repudiados ou postos de lado?
De modo algum, significa apenas que não aceitaram ao convite.
Assim se dá com a eleição divina: todos os homens foram eleitos, chamados, convocados e predestinados, entretanto alguns resistiram ou seja não corresponderam a oferta feita.
E o Deus que lhos fez livres respeita e acata suas liberdades.
Nós porém esperamos e cremos que todos os homens refletirão e aceitarão a oferta divina.
Inclusive os blasfemadores e sacrilegos que descaracterizam e maldizem a Natureza.

Nenhum comentário:
Postar um comentário