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A consciência histórica do Cristianismo

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terça-feira, 6 de novembro de 2018

CVII - Primórdios da literatura Cristã: O didaqué

  Didache kyriou dia ton dodeka apostolon ethesin ou 'Ensino do Senhor ministrado pelos doze apóstolos as nações' é seu título.

Conforme Rodorf, segundo alguns estudiosos a Didaké seria uma coleção de escritos anteriores a destruição do tempo de Jerusalém e portanto registrada entre os anos 60 e 70. J A T Robinson situa-a entre 70 e 80 e alguns outros entre 80 e 90. Assim de modo geral sua data de sua composição dicaria situada entre 60 e 90 desta Era, correspondendo o termo médio a 75. A imensa maioria dos autores concordam que pertence ao século I, ficando excluída a datação tardia, situada para além do ano 100 ou seja no século II.

Segundo a maior parte dos críticos ele teria sido composto pelos Cristãos estabelecidos no Norte da Síria ou da Judeia. Além disto teria sido composto por mais de uma pessoa. Embora não se possa demonstrar que tenha sido elaborado por qualquer apóstolo é certo que as tradições nele contidas remontam ao tempo dos apóstolos, tendo sido preservadas pelos comunidades.

S Eusébio - que menciona-o expressamente na 'História eclesiástica' associa-o ao Apocalipse de João, ao Apocalipse de Pedro, ao Pastor de Hermas e a Epistola de Barnabé que são obras legadas pela mais remota antiguidade e compostas entre os anos 90 e 130 desta Era. S João Damasceno afirma sua canonicidade.

A igreja no entanto recebendo a opinião de S Atanásio e de Rufino de Aquileia - que o declararam pseudo epigráfico -  julgou por bem não incorpora-lo as Escrituras. Recomendava no entanto sua leitura, a exemplo de Damasceno.
No entanto após ter sido referenciado por Niceforo Calixto 'Xanthopoulos' (1320) o mais remoto testemunho da literatura Cristã acabou 'desaparecendo'.

E por meio milênio foi seu conteúdo ignorado, até que em 1873 foi redescoberto por Philotheos Bryennios, metropolita de Nicomédia, no Codex Hierosolymitanus (1056).
Cerca de trinta anos depois parte da versão latina foi localizada por J Schlecht.

Hitchcock e Brown traduziram-no para o Inglês em 1884. No mesmo ano foi produzida a versão alemã por Adolph Harnack e no ano seguinte Sabatier publicou a versão francesa.

Desde então passou a fazer parte da coleção conhecida sob a alcunha de 'padres apostólicos'; porque segundo se crê, e já dissemos, seus redatores teriam sido ouvintes ou discípulos dos Santos Apóstolos.

Quanto aos primeiros capítulos parece uma reelaboração de escritos judaicos e ensinamentos rabínicos de teor moralizante.

Tudo segundo o esquema bastante conhecido dos dois caminhos.

Esquema comum a tradição judaica testemunhada pelos essênios (manuscrito zadoquita ou de Damasco) e a tradição evangélica, adotado igualmente por Hermas e pelo redator da Carta de Barnabé. 

Os demais capítulos dizem respeito a vida sacramental da Igreja.

Segue a súmula do livro enfatizando os elementos credais ou os artigos de nossa imaculada fé:


  • A primazia do amor: "Antes de tudo cabe amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos." I, 2. O amor não nos deve impedir de corrigir quando necessário for. II,7
  • Condena o assassinato, o adultério, o roubo, a inveja, a mentira, a hipocrisia, o ciúme, a cólera, a agressão, a avareza e a busca pela vingança. Caps II e III. "Não seja ávido pelo dinheiro oh filho meu." III,5 "Nem seja como aquele que estende a mão na hora de receber e retira na hora de doar." IV,5, "Não repudie o necessitado. DIVIDA TUDO COM SEU SEMELHANTE E JAMAIS DIGA QUE AS COISAS LHE PERTENCEM. Se vocês estão unidos nas coisas que jamais morrem, quanto mais nas perecíveis. IV.8 Acusa severamente os 'Que defendem os ricos.' V,2
  • Recomenda cultivar: A mansidão, a paciência, a misericórdia, a serenidade (Cap III) e sobretudo a justiça: "Julgue sempre de modo justo." IV,3 SEM FAZER ACEPÇÃO DE PESSOAS. Id, V,2
  • 'Não se deve sequer planejar o mal contra o próximo.' II, 6 ou ainda 'Odiar a quem quer que seja.' II,7
  • A necessidade das obras: "Dá a quem te pede e jamais peça para devolver..." I,5 "Que sua palavra não seja falsa ou vazia mas comprovada pela prática." II,5
  • A doutrina da graça capacitante: "Não te deixes levar pelos teus impulsos." I, 4 ; "Evite até mesmo a aparência do mal." III,1 e por fim: "Assim deveis ser encontrados perfeitos..."
  • A necessidade de observar a Lei moral: "Não matar, não roubar, não trair, não mentir, etc...".  II,2 Cumpre observar a condenação do aborto: "Não matarás a criança no ventre de sua mãe." "Jamais viole os mandamentos do Senhor." IV,13 "SE PUDER CARREGAR TODO JUGO DO SENHOR VOCÊ SERÁ PERFEITO. Se não for possível, faça o que puder." VI,2
  • A condenação ao acumulo excessivo de bens: "Não sejas soberbo ou insolente, não te associes aos poderosos mas aos pobres que são justos." III,9
  • Inculca respeito para com os ministros da palavra: "Recorda noite e dia o predicante da palavra e honra-o como se fosse aquele Senhor que o enviou; pois onde a boa nova é ensinada ali esta o Senhor." IV,1
  • Condena o sectários e enfatiza a Unidade: "Que ninguém ouse provocar divisões mas que se promova a concórdia." IV,3
  • Salienta o vínculo social ou comunitário existente entre os Cristãos: Busque estar diariamente na companhia dos irmãos para encontrar apoio nas palavras deles. IV,2
  • Reconhece a Penitência: "Aquilo que ganhas com o suor do teu rosto FAZ OFERENDA DE REPARAÇÃO PELOS PECADOS." IV,6
  • Refere ao Batismo em nome da Santa Trindade: "Batizai em água corrente em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." VII,1
  • Atribui personalidade ao 'Espírito' declarando que ele prepara os santos. IV,10
  • Mas admite o Batismo por efusão quando não houver água suficiente para mergulhar: "Se não houver água corrente seja a água derramada três vezes sobre a cabeça do neófito." VII,3
  • Da testemunho da Penitência Batismal especificando que antes do Batismo Batizador e Batizando devem exercer jejum.
  • Aprova as orações repetidas recomendando que o Pai Nosso seja recitado três vezes ao dia, ou seja, pela manhã, pela tarde e pela noite. Prática que remonta ao livro de Daniel.
  • Testifica que a congregação Cristã exercia jejuns pela quarta e pela sexta feira em memória dos sofrimentos de Nosso amado Mestre.
  • Descreve a Eucaristia como 'Comida e bebida espirituais.' e adverte que apenas os batizados deveriam recebe-la.
  • Afirma a Ortodoxia da Igreja: "Se alguém anunciar tudo o que foi anunciado antes podeis recebe-lo.". "Assim nada acrescente e nada retire." IV,13
  • Ensina que o supremo critério de Ortodoxia é a vida (Ortopraxia): "Aquele que diz ser predicante e profeta QUE VIVA COMO O SENHOR. Assim sabereis discernir..." e "Todo o que declara estar na verdade mas não põe em prática é sedutor e falso profeta." XI,8
  • Alerta contra o simonismo ou teologia da prosperidade: "SE PEDIR DINHEIRO É FALSO PROFETA." XI,6  e completa "Se quiser viver convosco que exerça algum trabalho digno."
  • Testifica que os Santos congregavam no 'Dia do Senhor' ou seja no Domingo da ressurreição. XIV,1
  • Refere-se a confissão pública dos pecados como veículo de purificação. Id
  • Refere-se ao ofício Cristão como a um sacrifício. Id
  • Refere-se aos predicantes como nossos 'Sacerdotes'. XIII,3
  • Especifica que os predicantes e profetas são os Bispos e diáconos. XV,1 e especifica que 'Não devem ser apegados ao dinheiro.'
  • Testifica quanto a ressurreição dos mortos, o derradeiro julgamento e uma espécie de purificação pelo fogo.

Tais os elementos da fé com que nos deparamos neste escrito antiquíssimo que parte dos antigos não exitou atribuir aos S Apóstolos do Senhor e que com toda certeza foi composto por aqueles que tiveram o privilégio de escutar a instrução de seus abençoados lábios.

Instrução pura, imaculada, correta e isenta de erros.










segunda-feira, 18 de março de 2013

LXV - Salvou-se o bom ladrão pela fé somente???




Ensina a mãe Igreja desde os tempos imemoriais que para operar a salvação, deve o homem executar penitência e praticar boas obras.

Assim o arrependimento, a reparação dos crimes e a submissão a lei divina do amor.

Para que a fé encaminhe o homem a Deus deve ser viva e operante, ou seja, vivificada pela esperança e a caridade; que é o dom superno.

A fé meramente teorética, apartada da caridade e da esperança; sendo morta e inoperante a ninguém pode salvar.

E o homem restaurado, dignificado, santificado e aperfeiçoado pela fé com a esperança e a caridade e não pela fé somente.

Eis porque aquele que declara: Senhor, Senhor mas não cumpre a vontade de Deus em sua vida; não será recebido em paz por Cristo Jesus; antes dele ouvira palavras muito duras: Afastai-vos de mim vós que puzestes em prática a maldade.

Veio Lutero no entanto e fundamentado apenas em alguns capítulos da epístola aos romanos (cf Dale Owen 'Região em litigio' cap I) pessimamente traduzidos; enunciou uma nova e exótica doutrina segundo a qual o homem não precisa colaborar com Deus para obter sua salvação. Alias o homem não precisa nem deve fazer coisa alguma: Deus faz tudo sem ele; Deus o salva...

Ao homem convém apenas crer somente.

Pecado algum pode separa-lo de Cristo; exceto a perca da fé ou a heresia.

Ainda que cometa milhares de assassinatos, roubos, adultérios e mentiras; nada disto pode separar o verdadeiro crente de Jesus Cristo, ensina o despadrado alemão.

Deus não pede que faças coisa alguma; apenas estende o manto escarlate do sangue sobre ti, e pronto, salvo estas; continua a lingua petulante da Wittemberga.

E a Ph Melanchton escreve: "Peca fortemente, mas em seguida cre fortemente..."

Afinal, escreve a outro, caso não pecasses como poderias vir a ser redimido, assim nosso oficio é pecar e o de Cristo perdoar.

Assim deveis lançar o Decalogo para longe de vós; e se alguém te apresenta Cristo como Legislador, saiba que é um falso Cristo.

O verdadeiro Cristo não te pede nada só te dá, a salvação.

A esta doutrina abominavelmente monstruosa chamam os protestantes de 'sola fides' ou fé somente; isenta de amor, obras ou colaboração.

Nós dizemos doutrina da salvação no pecado e da soberania do pecado sobre a graça.

Porque a Igreja de Cristo ensina que o homem é salvo DE seus pecados e jamais em seus pecados.

"Seu nome será Jesus. Porque salvará as gentes DE seus pecados."

E salvo do pecado pode, caso esteja sempre disposto a colaborar com Cristo, deixar de pecar e cumprir todos os preceitos da lei moral; quais sejam as bem aventuranças ou o Decalogo; passando a viver como legitimo filho de Deus.

Segundo ele mesmo dá a entender: "Se me amais cumprireis os meus preceitos."

Pois para aquele que nasceu de Deus 'Os mandamentos não são custosos." I Jo 5,3

Assim "Se diz pertencer a ele que ande como ele mesmo andou." I Jo 2,6

Tal a doutrina da graça interna, eficaz e soberana; que confere ao homem a capacidade de obedecer a lei divina e de viver santa e piedosamente; segundo a vontade de Jesus Cristo.

Pois "O que permanece nele este não peca mais; já aquele que vive pecando ignora quem seja ele." I Jo 3,6

Assim se o homem não é redimido ou justificado pela lei moral; é restaurado e reconciliado PARA a lei moral e não para uma vida pecaminosa, em tudo semelhante a dos filhos das trevas.

No entanto "Deus e luz e nele não há treva alguma, portanto se afirmamos ter sociedade com ele e caminhamos nas trevas SOMOS MENTIROSOS." I Jo 1,6

Eis porque diz o Senhor: "Brilhe vossa luz diante de todos para que vendo vossas boas obras rendam graças aos céus."

Afinal 'A árvore boa não pode produzir maus frutos...'

Cristo no entanto é a videira original.

Eis porque, conectados a ele, muito podemos e devemos fazer.

Segundo esta escrito: "Assim sabemos que o conhecemos de fato, SE OBSERVAMOS SEUS MANDAMENTOS, aquele que diz conhece-lo e viola os mandamentos é um mentiroso e a veracidade não esta nele. Mas se observa o ensinamento nele é perfeito o amor de Deus..."

Daí exclamar o apóstolo: "Tudo posso naquele que me sustenta."

Inclusive executar o decreto divino: "Sede perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito."

De certa forma assente na própria lei dos judeus: "Sede santos como o Senhor vosso Deus é santo."

E verdade que aqueles que no tempo da ignorância viviam apartados dele não podem afirmar: 'Jamais cometemos pecado.' sem mentir.

No instante em que passaram a ele no entanto "Tornaram-se novas criaturas." não a imagem do Adão vivente; mas a imagem do  'Homem Jesus Cristo'.

Assim as coisas velhas 'Já passaram'.

Porquanto "Aquele que o Filho libertar é verdadeiramente livre."

Servos da 'Verdade que liberta.'

Assim tendo pecado já não pecam mais.

E que peca após ter aderido a ele?

"Aquele que peca é gerado pelo Demônio... pois quem nasceu de Deus já não conhece o pecado." I Jo 3,9

Assim é perfeitamente possível distinguir os de Cristo os do maligno.

"Se não ama não é filho de Deus." I Jo 3,10

Aqueles cujas obras são más pertencem a irmandade de Caim. I Jo 3,12

Todo aquele que tem ódio em seu coração é homicida e homicida algum herdará a vida. I Jo 3,15

"Amemos pois não com a palavra e a lingua; mas com obras na verdade." I Jo 3,18

"Assim se observamos os mandamentos Deus vive em nós e nós nele." I Jo 3,24"

"Assim como Deus nos amou devemos nos amar uns aos outros... se nos amamos uns aos outros Deus permanece em nós e nós nele."

"Aquele que não ama não conhece a Deus porque DEUS É AMOR. Todo aquele que ama procede de Deus, nasce de Deus e conhece a Deus."

"Assim se declara: amo a Deus e odeia o próximo é um mentiroso; pois se não ama ao próximo que vê como será capaz de amar aquele que não vê?"

Temos um bom mandamento: Se amar a Deus ame também a seu irmão.

Assim o amor de Deus esta provado: que executamos seus mandamentos. I Jo 5,3

Destarte o amor 'Evita uma multidão de pecados."

E faz com que o homem viva verdadeiramente de Jesus Cristo, imitando-o.

Tal a doutrina da Igreja de Cristo, Ortodoxa e Católica sobre a salvação.

Em tudo oposta a 'salvação fácil' do Dr Lutero.

Nós anunciamos que cada qual deva tomar sua cruz e adentrar pelo caminho estreito das perseguições.

Não nos admiramos todavia de que multidões imensas tenham abraçado ao novo Evangelho do comodismo.

Pois é do ego detestar todo tipo de compromisso mais sério. E proceder quase sempre com leviandade.

De fato os homens estimam tudo quanto seja supérfluo e costumam detestar tudo quanto exija empenho, dedicação e sacrifício.

Assim Maomé faz da poligamia um dogma e lá vão centos de Cristãos no encalço dele...

Assim Lutero enuncia uma salvação sem esforço ou compromisso e outros tantos milhões vão a seu encontro.

E começam já a emitir argumentos e a proclamar que serão salvos sem qualquer obra ou penitência; tal e qual Dimas, o bom ladrão.

E de suas alcovas exclamam: Dimas nada fez e Jesus o salvou; pela graça e pela misericórdia o salvou; graciosamente e sem nada pedir em troca!

Tudo muito belo e tudo muito falso; pois o fim disto é anunciar uma salvação comoda e fácil sem penitência, sem reparação, sem amor, sem colaboração, sem obras, sem esforço, sem caminho estreito e sem cruz...

Agora ouça bem meu querido protestante.

Como poderia Dimas, estando preso a uma cruz e prestes a morrer fazer qualquer tipo de coisa ou executar obras e penitência???

Podia ele remover os pregos e saltar do instrumento de suplício; para solicitar o Batismo???

E no entanto dissera Jesus: "Aquele que não nascer da água e do Espírito não entrará no Reino dos céus."

E também "Ide e batizai a toda criatura; quem crer e for batizado salvo será."

Razão pela qual quase todas as seitas dos protestantes batizam pessoas.

Apliquem então a lógica de Dimas e cessem de batizar; pois ele salvou-se sem batismo...

Mas vces sabem que ele não repudiou o Batismo, e que em seu coração desejou executar tudo quanto fosse necessário para reverenciar a Jesus Cristo. E que aspirou viver a vontade de Jesus Cristo em sua vida caso lhe fosse dado voltar atrás ou viver de novo...

Não se salvou Dimas pela fé somente...

Lá estava o arrependimento dos pecados e a vontade de mudar, de não mais pecar, de romper com o padrão do mal.

Ou creem os protestantes que pela fé desejou Dimas, já salvo, continuar sendo larápio e violando descaradamente os mandamentos???

Portanto se Dimas em seu coração, juntamente coma fé abrigou o arrependimento; deve também ter abrigado no mesmo coração a submissão ou seja o desejo de ser batizado. E desejando se-lo de fato o foi, não só pela fé mas pelo sangue que verteu na unidade de Jesus Cristo.

Tendo desejado executar tudo quanto Jesus Cristo exigisse de seus adoradores e servos, mesmo sem saber ao certo o que fosse; desejou ele batizar-se, fazer penitência e reparação como Zaqueu, deixar de pecar como Madalena e abundar em santas e boas obras como os apóstolos.

Nem é possível crer que fizesse qualquer tipo de restrição a vontade daquele que conhecia o interior do homem e que pode conhecer a sinceridade de suas palavras.

Os protestantes repudiam formalmente a penitência e as obras; alegando que já estão salvos e que ressuscitarão sem elas. Dimas nada repudiou formalmente e jamais proclamou com a lingua ou a boca as parvoices de Lutero.

E se não pode executar as obras que executamos e que são exigidas pela nova lei do Evangelho; nem por isto deixa de fazer algo e de obter méritos.

Mas que fez Dimas pregado a cruz, atalha nosso protestante.

Após ter professado a fé e acolhido a esperança e a caridade em seu coração; passa Dimas a comunhão, amizade ou unidade de Jesus Cristo.

Cristo passa a habitar nele e ele em Cristo.

Por outro lado preso a cruz e prestes a morrer ele deve ter suportado dores cruciantes.

No entanto iluminado pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao invés de revoltar-se de blasfemar como antes, ele reconhece a justeza da pena recebida e aceita serenamente o fim que lhe esta reservado.

Ao suportar pacientemente e na unidade de Jesus Cristo, os sofrimentos porque passava Dimas cumpre sua penitência. Cada gota de sangue que ele verte arrependido em sua cruz, misturadas com o sangue do cordeiro divino, são verdadeiros atos de reparação.

Então nós podeis afirmar e demonstrar que ele não cumpriu penitência ou reparação alguma. Pois as horas de vida que lhe restaram e o gênero de morte que sofreu correspondem a tudo isto: obras, penitência e reparação.







sábado, 18 de abril de 2009

Pai





"Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome." Mt 6,9



Não a maior revolução no que diz respeito a natureza divina não foi a afirmação e triunfo do monoteísmo, como acredita a maior parte dos homens, mas certamente a afirmação da Paternidade de Deus feita por Jesus de Nazaré há cerca de mil novecentos e poucos anos.

Ali menos uma mutação em termos de quantidade, o que é relativamente importante.

Importante é reconhecer que Deus seja um só, uma vez que esteja perfeitamente cônscio a respeito do caráter do Uno.

Afinal de bem pouca valia seria ficar com um Assur, com um Javé, com um Zeus ou com um Quetzalcoatle. E teríamos ai um Uno muito, mas muito desagradável.

Logo mais importante do que apresentar a divindade como Unidade é apresenta-la como correspondendo ao Sumo Bem.

Um deus malvado será sempre uma diabo ou demônio, jamais Deus.

Um deus rancoroso, colérico, vingativo, repressor, policial, etc jamais passará de imagem equivocada construída pelos homens, será sempre ficção, não Deus.

Ademais, se há algo que os homens adoram, a atribuir a divindade seus mais baixos instintos - Como o desejo de vingar-se - e de projetar nela os crimes que aspiram cometer. Concebendo assim deuses assassinos, impudicos, mentirosos, etc Claro que não há Deus algum em tudo isto.

Percebei agora como o altivo senhor javé devia ser suplantado ou morto para que o Deus verdadeiro triunfasse!

E o coveiro de javé outro não senão o Senhor Jesus Cristo.

E já declarei em diversas ocasiões que o mero 'homem' Jesus - Dado que não fosse igualmente divino - é certamente muito mais elevado que javé e ala em termos de moralidade ou ética.

Que pensar sobre um deus rancoroso que jamais perdoa ou limita sua misericórdia e sobre um Homem que manda-nos perdoar setenta vezes sete vezes???

Percebem como o dogma da paternidade de Deus comporta um elemento totalmente novo e revolucionário???

Busquemos então explora-la e compreende-la o quanto seja possível.

Antes de tudo devemos considerar que o vínculo entre Pai e Filho é vínculo natural concretizado por meio da geração. Por meio da geração o Pai comunica ao Filho sua própria essência. Eis porque a caninidade é transmitida somente por um cão e a felinidade comunicada apenas por um gato. Gatos não geram cães, cães não produzem gatos e ratos não engendram leões! Pois o laço existente entre pais e filhos é a comunicação da essência. Gerar é fazer existir dentro duma condição dada.

Assim a divindade excelsa só poderia gerar algo divino e não algo humano. Afinal somos criaturas e não entidades divinas!

Neste caso que geração há em Deus e de que modo somos ou nos tornamos filhos seus?

Calma lá, vamos por partes para ver se compreendemos.

Claro que Deus sendo Pai deve ter um Filho divino, eternamente gerado por si e da mesma essencial sua o co existencial. Agora quem será este tal Deus Filho que não o conhecemos por meio da razão?

Homem houve, uma apenas, que ousou apresentar-se como Filho Único de Deus o Pai, viver como um Deus sobre a terra e morrer segundo viveu. Tal Jesus de Nazaré para o Dr Binet Sanglé um doido varrido para bilhões de seres humanos exatamente aquilo que afirmava ou dizia ser. O Deus encarnado, a pessoa do Filho eternamente gerado.

Eis o candidato.

Examinem-no, pois não teme ser examinado.

Apontai seus crimes, pecados, maldades...

Direi apenas que os divinos Sócrates e Aristóteles com as mais excelentes doutrinas que amente humana jamais conceberá e após terem envidado um esforço colossal não puderam salvar o mundo antigo da catástrofe e da destruição.

O Cristianismo antigo é que retomou os ideais afirmados por estes dois grandes homens e levou-os adiante realizando-lhe ao menos em parte o plano traçado por eles. Tal a República bizantina dos séculos IV a X com uma plêiade de instituições destinadas a promover e resgatar a dignidade da pessoa humana em todos os sentidos: Orfanatos, Jardins de infância, Escolas, Universidade, Dispensários, Ambulatórios, Hospitais, Hospedarias, Asilos, Museus, Bibliotecas, etc Magnífica esta civilização bizantina em sua época de ouro ou desabrochar (século IV) e não penso que ficasse a dever qualquer coisa a Atenas, exceto quanto a forma ou estrutura democrática.

Além disto indicou ele como fundamentos da nova cidade ou da nova república, o amor ao próximo e a capacidade de identificar-se com o outro.

Entre o desequilibrado e o divino, aposto no último conceito.

Localizamos o Filho do Pai, eternamente por ele gerado.

Deus de Deus, pessoa ou Realidade divina com seu Pai e o Espírito Santo.

Eis o Filho Natural do Pai. Eis seu Filho único.

Neste caso por que teria ele o Cristo ensinado os Cristãos a evocar deste Deus como Pai?

Sendo Filho natural, partilha seu dote com os mortais e pela fé, esperança e caridade nos faz participar de sua natureza. Pelo Santo Sacramento do Batismo, aqueles que acreditam no Legislador e Mestre Jesus Cristo tornam-se filhos adotivos assumidos pelo Pai. Tornam-se filhos nele e por ele Jesus Cristo enquanto membros seus, cuja natureza e condição quis assumir ao Encarnar-se!

Somos filhos adotivos do Pai e por ele assumidos por intermédio do único Filho natural. Tal a dignidade dos Cristãos batizados!

Que implica isto?

Não somos meros homens apenas mas participantes doutra geração e duma geração ou princípio superior e incorruptível. Somos filhos do céu e não apenas da terra.

Por natureza filhos dos homens, dos ancestrais, dos antigos; designados simbolicamente pelo termo 'Adão'  fomos misticamente reformados por outro princípio comunicado por Jesus Cristo, por sua amizade, por sua comunhão, por sua unidade. Aproximou-se Jesus Cristo tal modo de nós ao fazer-se homem a ponto de poder viver naqueles que creem nele e de implanta-los com ainda mais intensidade em si mesmo.

Aparelhos que éramos, desligados da tomada e incapazes de trabalhar, podemos agora, após termos sido religados, trabalhar inalteradamente, pois ele Jesus, é nossa fonte inesgotável de energia.

Se antes, sem ele, como ramos separados da videira, nada podíamos fazer, como ele tudo podemos fazer e assim viver como ele viveu na observância da Lei moral.

Pela adoção filiar fomos como que reativados para o bem e para a virtude, podendo florescer em santidade e perfeição. Tal e qual deveria ser um filho de deus!

Refeitos, restaurados, recriados, reformados e revitalizados internamente pelo Cristo nos tornamos outros tantos Cristos cópias suas. Dai o nome Cristão, o qual para nós latinos sabe a aumentativo...

Doravante, enquanto filhos não somos servos porque são categorias diferentes. O servo teme seu senhor. O Pai ama o Filho e o Filho ama o Pai, é outra relação, totalmente distinta. Por isso o apóstolo proclama: O amor lança fora o temor.

A quem no entanto devemos temer por ser capaz de remeter o homem ao juízo e a punição? Ao pecado e a maldade, isto é o que Jesus Cristo nos ensina a temer em verdade.

E quanto a Deus, que diz ele?

"Que pai humano ao ouvir o filho pedindo um ovo lhe dará uma pedra? Ou que ouvindo-o pedir um peixe lhe dará uma serpente? Que direis então do Pai e Deus celestial?"
Eis o que diz Jesus Cristo, querendo significar que de Deus procedem apenas as coisas boas e excelentes. Daí ser cognominado Pai das luzes.

Do homem é que procedem os males e pecados pelos quais a morte da mente entrou no mundo já dizia o livro greco judaico da Sabedoria.
Diante disto temer o que?

Certamente só nos resta pagar com amor aquele que nos ama e obedecer-lhe, e observar-lhe os mandamentos, os quais 'não são pesados'. 
E para poder observa-los regularmente e honorificar nossa condição adotiva, enquanto filhos de Deus, clamemos cheios de fé e esperança:

"PAI, PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS, SANTIFICADO SEJA O VOSSO EXCELSO NOME."