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A mãe do Verbo Encarnado

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A consciência histórica do Cristianismo

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terça-feira, 19 de março de 2013

LXXI - As outras encarnações de Jesus





Primeiramente encarnou-se Jesus no seio da Virgem Maria e assumiu uma natureza em tudo semelhante a nossa, exceto no pecado.

Desejando todavia potencializar o mistério, encarnou-se outras tantas vezes:


  1. Nos sofredores 
  2. Na Eucaristia &
  3. Na Igreja

Assim podemos e devemos discerni-lo:

  • Naqueles que passam por algum tipo de problema ou dificuldade qual seja a fome, a sede, o frio, o desamparo, a solidão...
  • No pão e no vinho santificados e consagrados pelo sacerdote.
  • No ensino incorruptível da Igreja

Ao aflito devemos servir
A Eucaristia devemos receber &
a Igreja devemos ouvir, crendo em tudo quanto ensina.

Caso procedamos assim sempre nos depararemos frequentemente com o Senhor: pelas ruas, sobre o altar e no púlpito.

E identificando sua presença teremos certeza de que executou sua promessa: "Eis que permaneço convosco até a consumação dos séculos."

Mas como permanece se sua natureza humana e visível; subindo aos céus, ocultou-se a nossas vistas???

Permanece como irmão no pobre e no excluido
Como pão na Hierúrgia &
Como verdade na doutrina revelada.

Até parece que ele se afasta fisicamente de nós para ficar ainda mais presente e mais próximo.

Pois antes se antes só estava na carne que dá Virgem recebera.

Hoje esta no outro, no alimento e em sua esposa a Igreja nossa Mãe.

Oxalá possamos discernir com exatidão as extensões de sua natureza humana; para nos tornarmos cada vez mais íntimos da natureza divina.




segunda-feira, 18 de março de 2013

LXVII - O Testamento de Jesus.






Evangelho de S Mateus capítulo XXV -

"Naquele grande dia dirá o Mestre aos que estão à sua direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,
35. porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes;
36. nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.
37. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
38. Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
39. Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?
40. Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.
41. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
42. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
43. era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes.
44. Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?
45. E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer."




Curiosa esta presença de Cristo no faminto, no sedento, no sem teto, no desnudado, no enfermo e no prisioneiro.


Curiosa mas não misteriosa, senão perfeitamente compreensível.

Pois ao fazer-se homem, e homem humilde, não conheceu o Senhor a fome, a sede, o relento, a nudez, a enfermidade e a prisão???

Identifica-se Nosso Mestre com cada um dos que passam por tais vicissitudes por ter ele mesmo, em determinadas circunstâncias, feito contado com elas.

E como se o contato do Salvador com a fome, a sede, o desabrigo, a nudez, a doença e a prisão; santificasse cada um destes flagelos...

Os quais desde então tornam-se como que veículos de sua presença.

Assim habita Jesus de algum modo, no faminto, no sedento, no desabrigado, no desnudado, no enfermo e no prisioneiro...

De modo que ao aliviar os sofrimentos de cada um deles prestamos um serviço ao próprio Jesus.

Pelo mistério da Encarnação identificasse o filho de Maria com cada miserável, com cada excluído, com cada sofredor...

Homem das dores ele sabe compadecer-se da dor alheia.

Humilde, trabalhador e pobre ele bem compreende a situação de nossos irmãos mais pequeninos.

Tendo sofrido até o paroxismo do abandono da cruz esta ele perfeitamente apto para confortar.

Mas tu dizes: Ele jamais foi preso!

E eu te digo: preso foi nos ergástulos de Anas, Caifas e Pilatos.

Tu dizes: O Mestre jamais experimentou em si qualquer doença.

E eu te digo: Na verdade ele conheceu a dor de perto; por meio das chicotadas, bordoadas, dos espinhos e dos pregos.

Tu dizes: Ele jamais esteve nu?

E eu te digo: Nu foi deitado sobre o madeiro e pregado.

Tu perguntas: Quando que foi peregrino?

E te respondo: Quando com seus pais foi conduzido as pressas a terra do Egito.

Tu afirmas: Ele sempre foi bem acolhido

Eu contesto: Não tinha sequer uma pedra sobre a qual pousar a fronte cansada.

Tu exclamas: Sua mãe jamais deve ter permitido que passasse fome ou sede!

E eu afirmo: Quando esteve por quarenta dias no deserto jejuando conheceu a fome e a sede!

Cada uma destas situações ele conheceu e vivenciou.

E por isto decretou que seus adoradores e servos dessem combate a elas.

Asseverando que os insensíveis e indiferentes face a dor alheia seriam rigorosamente punidos e afastados de sua presença por eras de eras.

Erram pois aqueles insensatos que concebem o juízo divino como uma prova e teologia ortodoxa.

A verdade é certamente dom e dádiva de grande valor; a qual merece ser prezada por aqueles que aspiram a perfeição.

O bem no entanto esta infinitamente acima da verdade; como a caridade esta muito acima da fé.

Então é necessário saber que o homem será levado a juízo tendo em vista suas obras ou seja o bem ou o mal que fez em vida; e que este será o alvo ou fóco principal do último dia.

Acrescentemos pois uma boa doze de ortopraxia a nossa ortodoxia; para que seja uma ortodoxia viva, útil, proveitosa e meritória. Assim não seremos desamparados; mas sustentados de pé no dia da manifestação gloriosa e segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.






sexta-feira, 15 de março de 2013

L - Aos misericordiosos misericórdia...





Corresponde esta bem aventurança a Lei da reciprocidade:

"Da mesma forma como julgares sereis julgados."

Importa saber que Deus mesmo não é atingido pelos atos humanos.

Deus não se ofende, nem se irrita, nem se encoleriza...

Impassível em sua beatitude ele não é afetado por absolutamente nada.

No entanto sua justiça leva em consideração os agravos que fazemos a nossos semelhantes.

Como se fez homem, Deus tomou para si as injúrias com que acometemos nossos irmãos.

Assim para entrarmos em comunhão com ele e fruirmos de sua unidade divina é necessário que estejamos sempre dispostos ao perdão e que sejamos acessíveis ao próximo.

A atitude de Deus para conosco esta na dependência de nossa atitude para com o outro.

Assim sendo generosos e clementes seremos recebidos em generosidade e clemência pelo Senhor e Mestre de todos.

Sendo misericordiosos e compassivos, obteremos misericórdia e compaixão.

Sendo tolerantes e benevolentes, adquiriremos benevolência e tolerância da parte de Deus nosso Criador.

Tal e qual procedermos para com a imagem e semelhança assumida pelo Verbo Jesus Cristo, assim procederá o Verbo Jesus Cristo para conosco.

Se cultivarmos a paz com todos em paz seremos acolhidos!

Caso semeemos a fraternidade, fraternidade colheremos em abundância.

Praticando o bem sem olhar a quem, o bem granjearemos...

Perdoando as dívidas alheias encontramos o perdão das nossas próprias dividas.

Sendo pacientes para com aqueles que caminham conosco na penosa estrada da existência, com paciência seremos tratados...

Amando seremos encontrados, buscados e redimidos pelo amor.

terça-feira, 5 de março de 2013

XIV O sentido da Encarnação

No esquema da transcendência absoluta é deus espectador que assiste do alto do seu trono glórioso os combates, vicissitudes, sofrimentos, aflições, lutas, dores, suspiros e lágrimas porque passam suas criaturas mortais.

Ele até pode se compadecer vivamente delas mas não passa disso... o deus transcendente sente pena ou dó mas não vai além disto...

Ele não desce a arena da vida, não vem até nós, não compartilha de nossos problemas, não sente conosco... não participa de modo algum.

Então somos tentados a pensar que se desejou criar-nos mesmo sabendo que haveriamos de passar por tantos tipos e formar de sofrimento... e para tudo contemplar discretamente; que não passa dum sádico.

Outra é a perspectiva da Encarnação, pela qual Deus mostra-se solidário na medida em que se faz homem entre homens experimentando os mesmos dissabores e contrariedades que suas miseráveis criaturas.

Só aqui Deus deixa de ser observador para ser participante. Só aqui ele sai da platéia e desce a arena da vida para fraternizar-se conosco.

E como percebemos que ele nos acompanha, que sofre conosco, que conosco vive e morre; que leva a sério tudo isto, e que não é sádico e insensivel mas verdadeiramente beneficente, generoso, clemente, compassivo 'amante e amigo do gênero humano'.

Conforta-nos saber que o próprio Deus quiz suar, padecer, suspirar e chorar conosco ao assumir forma humana.

Este contemplar o Deus conosco na angústia, na tristeza, a amargura, na aflição, etc é que nos enche de esperança e que dá sentido a aflição. Pois na medida em que Deus passa pela dor o fenômeno da dor torna-se divino e instrumento de divinização.

Bom é ter Deus lado a lado e percebe-lo não como um assistente demasiado distante, mas como amigo e companheiro fiel; que comunga de nossa mesma condição.

Aqui não temos mais um deus arbitrário que exige paciência aos mortais; mas Deus bendito que dá exemplo de paciência ao gênero humano.

Deus que se fez homem para ensinar os homens a viverem divinamente, como ensina Inácio Mártir.

Deus que se adianta e se faz modelo. Deus que antes de perdir-nos executa...

Deus que mostra até onde chega seu amor.

E que demonstra ser seu amor infinito até a estalagem e a cruz.

Deus que declara e diz: tomai a vossa cruz; somente após ter carregado a dele.