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sábado, 20 de abril de 2013

CIII - O conceito de Salvação nos escritos dos Santos Apóstolos 03





Resta-nos agora desfazer a suprema confusão implementada pelos apóstolos do pecado, ou seja, por tantos quantos postulam graça frágil e salvação fácil; sem mudança, penitência ou conversão do coração.

Hoje há anglicanos, romanos e mesmo ortodoxos; um número assombroso de Cristãos, alistados debaixo da bandeira da falsa salvação...

Eles vivem uma vida comum ou medíocre e creem que mesmo assim cumprem em suas almas e corpos o propósito de Jesus Cristo.

Acometem toda sorte de maldades a seus semelhantes e creem ser dignos da eterna salvação apenas porque vivem com o Santo nome em seus lábios ou porque muito rezam.

Creem que lhes basta a correção escrupulosa da fé ou que a frequência aos santos sacramentos seja suficiente para que mereçamos uma boa sorte no além túmulo.

Iludidos por falsos mestres e doutores; por sacerdotes ignorantes e pastores sem vocação eles julgam que um tipo de arrependimento meramente superficial ou teórico satisfaça a justiça de Jesus Cristo obtendo-lhes uma ressurreição de vida.

No entanto é necessário que as verdades amargas sejam ditas do alto dos telhados, quer agrade ou desagrade a quem quer que seja.

Pois caso um cego conduza outro cego irão ambos ao abismo; a menos que alguém os advirta.

Indício de crueldade em nossas almas seria contemplar nossos irmãos amados dirigirem-se ao abismo e nada fazer por eles.

Necessário é declarar: Cristandade esta senda larga e cômoda porque tens te embrenhado a cinco séculos não é aquela senda estreita e íngreme apontada pelo divino Mestre...

Ou como diria Kierkegaard não é senda do compromisso... Por que enquanto Cristo veio para tornar as coisas ainda mais difíceis para os escribas e fariseus; na medida em que tornava as exigências e condições mais duras, Lutero parece que veio - em nome de Paulo - para tornar as coisas mais fáceis e agradáveis.

Cristo apontando para a cruz do calvário esforça por deitar xarope amargo a boca do homem velho e carnal. Lutero deita-lhe logo a boca um gostoso torrão de assucar e lhe diz:

"Se Cristo aproximasse de ti exigindo ou solicitando alguma coisa sabe que é um diabo. Cristo nada exige de ti e nada te pede além da fé. Ele nada, nada te pede, te dá ou te oferta a salvação graciosa. E nada precisas fazer além de tomar posse dela..."

Evidentemente que uma 'novidade' destas... segundo a qual o homem nada precisa fazer. Deveria atrair as simpatias da turba multa, das massas e de toda gente inseta de heroísmo e abnegação.

Uma a uma as exigências do Evangelho são derrogadas por ele... até que não restam nem mesmo os fundamentos.

De fato em sua sabedoria o Verbo dispôs de perdão e indulgência a tantos quantos exercendo reparação e penitência pelas maldades de outrora; aspirassem por um novo começo e por uma nova vida; isenta de pecados e maldades e em tudo conforme a Santa vontade de Deus.

A esta obra divina chamamos regeneração.

Por meio dela é oferecida ao homem, que antes de seu encontro com Cristo viva segundo a lei de iniquidade, uma nova chance ou oportunidade. Com a condição de que produza frutos dignos de penitência...

Aqui o estímulo do indulto foi disposto para a correção.

Recebe o pecador convertido - após certo período de penitência destinado a reparação dos males que causou - o perdão divino para que não torne a cometer pecados.

Trata-se pois não dum sistema de perdão incondicional ou irresponsável que estimula o homem a pecar novamente; mas dum sistema de correção altamente eficiente.

No qual o indulto é oferecido em troca de compromisso.

Não é porta que se abre para que o homem possa pecar tanto mais facilmente e ser aliciado com falsas promessas de salvação. Não é brecha que se abre para criminosos obstinados e impenitentes...

Não é e jamais poderia ser uma proposta de perdão fácil e contínuo para estroinas sem consciência.

Não é festival em que o indulto é oferecido fácil e repetidamente...

Embora a Cristandade do tempo presente, seduzida por falsas promessas e propostas esteja convencida de que é assim mesmo.

Eis porque foi subvertida a instituição Cristão, de fábrica de santos e mártires como era nos primeiros séculos em fábrica de canalhas...

Que é este Cristianismo da salvação incondicional senão uma fábrica de psicopatas como Adolph Hitler.

Pois enquanto uns alegam que não há perdão possível para ele e que Hitler era uma espécie de 'prova viva' a respeito da necessidade de penas eternas; outros afirmam que o mesmo Hitler seria perdoado num instante, de todos os seus pecados, por uma ato de fé somente: sem qualquer necessidade de reparação ou penitência...

Aqui os extremos do protestantismo se tocam.

Pois se uns ignoram que seja a ilimitação da misericórdia divina outros ignoram que seja a virtude divina da justiça. Os infernistas desconsideram o primeiro fator supondo que as capacidades divinas conheçam qualquer tipo de limite; já os solifideistas ignoram que o Deus encarnado Jesus Cristo identifica-se com nossos irmãos mais pequeninos; membros de seu corpo. Membros nos quais sofreu e pelos quais exerce rigorosa justiça exigindo reparação.

Antes atraia o Cristianismo as almas mais fortes que aspiravam alijar a carga da iniquidade e tomar sobre si mesmos o jugo divino do bem e da virtude... Hoje atrai apenas degenerados cuja pretensão é justificar a continuidade dos pecados...

E tendo em vista justificar tipo de vida tão infame vem logo a baila com a fraqueza da vontade; pondo de lado, sem maiores cerimônias, a tão decantada soberania da graça. Afinal se a graça é assim tão soberana a ponto de quebrar ou de violar a vontade humana porque não seria forte e soberana a ponto de capacitar o homem a prática do bem e da virtude???

Como Lutero já dizia É O MISTÉRIO DE SUA MAJESTADE ou melhor: o mistério do protestantismo e de sua incapacidade moral.

Pois se não há capacidade moral não há qualquer evidência externa a respeito da posse da graça... pelo que podemos supor que não há graça alguma mas apenas discurso...

Acaso não declara o apóstolo: Deveis ser santos em todas as vossas ações, segundo esta escrito 'Sêde santos como eu sou santo'? I Pe 1,16

Como crer ou professar então uma santidade meramente externa ou aparente???

Acaso não declara o mesmo Pedro - I Pe 1,17 -  pouco mais abaixo: 'PELAS VOSSAS OBRAS SEREIS VÓS JULGADOS'???

Então como se diz que o homem se salva sem obras ou que se salva pecando???

Muito pelo contrário a cada página deste novo e perpétuo Testamento nos deparamos com censuras e advertências, e exortações no que concerne ao pecado.

'Vai e não peques mais!'

É ordem dada pelo Mestre amado a pecadora.

Agora respondei-me como poderia ela manter-se fiel ao Mestre amado e corresponder a sua vontade caso fosse impossível ao Cristão cessar de pecar???


Teria Jesus zombado da mulher e exigido o consecução duma meta impossível???

Que Cristo mentiroso nos apresentam os homens!

No entanto seja a verdade dada por verídica mesmo que Lutero tenha de ser proclamado mentiroso.

Pois se este diz que o homem se salva em seus pecados, em sua condição ordinária ou no exercício e prática da iniquidade; Jesus diz a pecadora perdoada que lhe é necessário deixar de pecar...

Eis porque aludindo ao Nome de Jesus, o primeiro Evangelista declara:

"PORQUE ELE VEM RESGATAR O POVO DE SEUS PECADOS."  Mt 1,21

E sabemos que esta preposição não é ociosa.

Eis porque diz Aquila: 'Assim se voluntariamente pecamos APÓS TERMOS OBTIDO O CONHECIMENTO DA VERDADE, NÃO HÁ REPARAÇÃO POSSÍVEL E APENAS ESPERANÇA DE JUÍZO TERRÍVEL A SEMELHANÇA DO FOGO ABRASADOR." Hb 10,26

E acrescenta que se deve resistir ao pecado 'até o sangue' 12,4; querendo dizer com isto que é mais vantajoso abandonar a vida presente do que causar qualquer tipo de dano ou prejuízo ao semelhante.

Pedro a seu tempo assevera que: "O amor isenta de muitos pecados."

Querendo dizer com isto que aquele que ama verdadeiramente evita pecar.

João no entanto, é dentre todos o mais terminante:




  • Aquele que nele permanece não peca - I Jo 3,6
  • Se o peca não o viu nem o conhece. - Id
  • Quem comete pecado é do Diabo - I Jo 3,8
  • Todo aquele que nasceu de Deus não prática pecados - I Jo 3,9
  • Não PODE PECAR porque é nascido de Deus - Id
  • Nisto podereis saber quem é filho de Deus e quem é filho do Diabo, porque cada qual procede segundo a vontade de seu Pai.
  • Aquele que nasceu de Deus não peca. - I Jo 5,18
  • A geração divina o protege e o maligno não pode atingi-lo. - Id


E apesar disto o mesmo João fez questão de declarar:

"Quem diz não ter pecado é mentiroso."

Teria entrado ele em franca contradição???

Se aqui diz ser mentiroso quem alega estar isento de pecado enquanto mais além, e em diversos declara que o bom Cristão não peca.

Como solucionar esta aparente oposição?

Por incrível que possa parecer a solução parece-me bastante simples:

Quando diz que nenhum de nós pode alegar estar completamente isento de pecados, alude João, muito provavelmente aos pecados cometidos nos tempos da ignorância - ou da juventude - i é, antes do encontro com Cristo Jesus. E não a situação dos Cristãos após a conversão ou no tempo presente; esta incompatível com a prática do mal.

Apesar disto os contrários costumam que tanto os escritos dos apóstolos - Tg 5,16 - quanto a própria tradição litúrgica da igreja supõe a possibilidade do Cristão pecar na medida em que aludem a necessidade de confessar os pecados e de rezar impetrando o perdão divino.

Donde se infere que de algum modo continue o homem a pecar mesmo após sua conversão; e a hipótese de que se salva em seus pecados ou cometendo o mal.

Efetivamente a questão mostra-se insolúvel caso adotemos a perspectiva protestante e seus preconceitos.

Referi-mo-nos aqui a doutrina segundo a qual todos os pecados pertencem a mesma categoria sendo por assim dizer graves ou mortais. Doutrina partilhada igualmente pelos antigos estoicos para os quais não havia muita diferença entre assassinar a própria mãe e quebrar o pescoço duma galinha.

Caso admitamos que todos os pecados são absolutamente iguais só nos resta consentir que de fato o homem afasta-se de Deus a cada dia e torna  a ele novamente pelo remorso ou dor de consciência no instante seguinte... num perpétuo unir e desunir...

Eis porque se faz mister recorrer a mesma fonte a pouco citada ou seja a primeira carta de S João capítulo quinto (Vs 16)

"Caso teu irmão cometa um pecado que NÃO É PARA A MORTE; rogue por ele e ele obterá a vida. PORQUE ESTE PECADO SEU NÃO É PARA A MORTE."

Eis porque toda Igreja Católica do Oriente ao Ocidente em sua Eutáxia faz suplicar para os fiéis o perdão dos pecados.

Tendo em vista os pecados leves ou veniais que de fato podemos cometer durante o curso da vida terrestre e mortal; mesmo após termos recebido o Santo Batismo e a regeneração celestial.

Porque este tipo de pecado, que diz respeito apenas a própria conduta e não ao semelhante, é impotente para romper o vínculo da graça e por assim dizer apartar o fiel de Jesus Cristo. Eis porque se diz que não extermina ou aniquila o princípio da vida divina e espiritual que esta em nós...

Quanto ao outro tipo, categoria ou gênero de pecados vejamos no entanto o que diz o teólogo:

"SE NO ENTANTO SEU PECADO É PARA A MORTE NÃO RECOMENDO QUE ROGUE POR ELE." 

Porque a vida espiritual, uma vez aniquilada pelo pecado mortal, não pode ser recuperada por meio de intercessões ou súplicas.

Porque estes pecados são os que dizem respeito a nossa atitude face ao semelhante.

Neste caso resta apenas 'o segundo Batismo' ou a 'segunda tabua de salvação' que é o sacramento da Exomologese ou Penitência; cujo objetivo é levar o pecador arrependido a reparar as consequências daquilo que fez.

Nos tempos gloriosos dos apóstolos, mártires e padres este recurso além de ser limitado - a uma ou três vezes - era dum rigor extraordinário; tendo em vista conduzir o pecador a uma compreensão tanto mais realista a respeito dos efeitos do pecado e leva-lo a odiar verdadeiramente este princípio.

Assim a disciplina severa mantinha vivo o amor e a fraternidade mútua; impedido os santos de causarem qualquer tipo de danos uns aos outros.

Quando a penitência canônica foi convertida em simples declaração ou confissão de pecados ou em simples orações e fórmulas a serem recitadas; eclipsou-se a disciplina e esfriou o amor dando lugar a este triste e calamitoso estado de coisas; a ponto dos Cristãos praticarem o mal e o pecado sem qualquer tipo de constrangimento ou como se se tratasse de algo comum, desculpável e compreensível.

Para a mentalidade da Igreja antiga ou primitiva no entanto não era.

E sequer se imaginava a simples possibilidade da graça coabitar com o princípio do pecado.

Portanto quando nos escritos dos antigos depara-mo-nos com tais alusões ao pecado como algo presente na vida do Cristão devemos compreender que se trata ou dos 'pecados da juventude' cometidos antes da adesão a Jesus Cristo ou de pecados que 'não são para a morte' ou seja de pecados que não comprometem a união da natureza racional com seu Senhor. E não em sucessivos e contínuos pecados graves ou mortais...

Outro não era o parecer do apóstolo predileto de Lutero. O qual assim se exprime em termos bastante claros:

"Onde superabundou o pecado, super abundou a graça."

E com a graça do Deus Bom e perfeito tudo quanto é bom: a virtude, a santidade, a perfeição, as obras, etc

Veio de fato Jesus para salvar os pecadores mas não dum diabo ou apenas do castigo espiritual; veio de fato salva-los da situação de pecado. Como médico das almas veio comunicar-lhes o remédio necessário para torna-las sãs e eliminar a enfermidade... Como pedagogo divino veio comunicar-lhes a verdade que imuniza e o antidoto do amor... Como pastor espiritual veio conduzir os fiéis ao aprisco da lei eterna.









CII - O conceito de Salvação nos escritos dos Santos Apóstolos 02





Para nós ortodoxos Deus certamente fez sua parte, tomando a iniciativa e estendendo sua mão amorosa a humanidade fragilizada...

Convém que cada pessoa, que cada criatura racional, que cada ser humano estenda-lhe sua mão e faça contato com ele.

Posto em contato ou comunhão com seu Senhor o homem encontrará a força necessária para viver virtuosamente. E desta parceria da graça com a liberdade resultará a santidade ou perfeição...

Isto significa no entanto que o homem merecerá algo na medida em que propõe-se a colaborar livremente com a graça divina.

Não são pois os ortodoxos, os romanos ou os anglicanos que excluem a graça, a unidade ou a comunhão divina. Todos reconhecemos os benefícios e vantagens da união dos ser racional com seu Senhor...

Todos reconhecemos a graça ou a união com o sagrado como raiz, fonte e princípio de todo bem e de toda virtude.

São os fanáticos que excluem deliberadamente a liberdade ou a cooperação humana; tudo atribuindo a graça; até chegarem a abominável doutrina da soberania absoluta e da predestinação.

A razão dos protestantes procederem desta maneira é porque eles não podem compreender ou admitir o mérito; mesmo quando as obras são executadas após o primeiro contato com a graça (ou a justificação) eles continuam dizendo que a graça esta sendo comprada... Eles não podem aceitar ou cogitar que a salvação seja um processo decorrente da justificação e que comporte qualquer tipo de colaboração por parte da vontade livre...

Neste caso há barganha insinuam eles e a graça já não é graça...

A salvação deve ser gratuita continuam e como tal obra exclusiva de deus sem participação ou colaboração do homem.

Eis porque eles costumam a descrever o amor de Deus como incondicional e a salvação como gratuita...

Para Lutero Cristo não legisla e já não há qualquer tipo de lei divina, de exigência, de compromisso...

Não existem condições, normas, regulamentos, preceitos, leis, princípios ou valores... apenas graça obtida por uma fé que se reduz a confiança.

O 'sola gratia' exclui a livre vontade ou a colaboração humana e o 'sola fides' exclui o resultado desta colaboração ou seja as boas obras.

Em suma o homem se salva como é ou melhor como sempre foi... salva-se sendo totalmente depravado, salva-se em seus pecados, salva-se cometendo os piores crimes e atrocidades.

Porque os merecimentos de Jesus Cristo acobertam-nos... porque na mesma medida em que peca, crendo estar salvo, o sangue de Jesus responde por ele, e satisfaz a inflexível justiça divina.

Jesus sofreu as penalidades todas dos pecados para que os pecadores nada possam sofrer...

Bem se vê que neste esquema de salvação não há qualquer espaço para a ética.

E que estamos diante duma teologia imoral... cuja confecção foi atribuída ao apóstolo Paulo, logo a Jesus...

De fato Paulo ao expor os mistérios de Jesus Cristo teve de inovar e de criar por assim dizer todo um vocabulário teológico... No mais das vezes ele pode tirar algum proveito das figuras do AT ou dos Midrashes; noutras porém teve de partir do nada ou da estaca zero...

Eis porque seu aparato teológico foi classificado por Pedro como difícil, a ponto de 'SER MANIPULADO PELOS ÍMPIOS PARA A VERGONHA DELES...'

Quem queria Pedro dizer com isto senão que na idade apostólica os ensinamentos de S Paulo já sofriam abusos? Recebendo muito provavelmente uma interpretação solifideista ou Luterana??? Que Pedro encara como sendo errônea.

Fortemente impressionados face a severidade com que Paulo increpa a Lei cerimonial dos antigos judeus; acreditaram tais pessoas que Paulo estivesse increpando a lei moral e anunciando uma salvação imoral, fácil, oportunista ou seja no pecado.

Paulo no entanto precisava salientar a natureza da graça ou da comunhão divina posta em segundo plano ou ignorada por seus antigos mestre e guias... a importância da fé ou da divina Relevação.

E o fez de tal modo e com tal ênfase que houve quem acreditasse ter ele anunciado uma salvação sem obras nos termos de Lutero. Foi com o objetivo de orientar tais pessoas que S Tiago achou por bem registrar, no segundo capítulo de sua carta, que a 'Fé sem obras é morta em si mesma.' ...

Não é que Paulo tivesse ministrado tais ensinamentos. Foi no entanto mal compreendido por uns e falseado por outros tendo em vista a complexidade de seu vocabulário.

Por Pedro e Tiago somos informados de que tal não era o sentido original de suas palavras... mas interpretação falaciosa de alguns...

Como no entanto podemos ter assim tanta certeza a respeito disto???

Simples: Basta-nos ler os quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João; para percebermos de modo cabal que a versão luterana de Paulo é um autêntico fiasco; como já haviam advertido Pedro e Tiago.

Afinal no Evangelho tudo é condição ou exigência...

Basta ler as Bem aventuranças...

Dirá algum pastor que ao lermos as Bem aventuranças estamos aludindo a opções???

Opções que você poder cumprir ou não sem que isto toque a sua salvação???

Será que posso optar por ser belicoso ao invés de pacífico, de ter o coração sujo ao invés de limpo, de amar a injustiça ao invés da justiça??? E salvar-me do mesmo modo ou maneira???

Será que as bem aventuranças estão ali de enfeite ou como adorno???

Então dê razão a Lutero rasgando-as...

Temos ainda o derradeiro pronunciamento do Senhor no primeiro Evangelho, pertinente ao último dia e ao julgamento.

Estive com fome e me destes de comer, com sêde e me destes de beber, nu e me cobristes...

Será que ainda aqui estamos diante de opções neutras face a salvação???

E que posso salvar-me mesmo que tenha fechado o coração para o semelhante e o deixe morrer de fome, sede ou frio???

Então risquem também esta passagem do Evangelho de vocês.

E vão eliminando as condições e exigências que encontram a cada passo...

Só assim darão com a salvação totalmente gratuita ou incondicional  e fácil porque cobiçam.

Do contrário terão de engolir estas palavras divinas: Com paciência salvareis as vossas almas... E NÃO SOMENTE COM FÉ...

Ou será que a paciência também é opção???

Eis porque disse o divino Mestre: "Quem me ama executa OS MEUS MANDAMENTOS."

Serão opcionais estes mandamentos???

Mas se posso tanto cumpri-los como não cumpri-los por que receberam este belo nome???

Será que não é preciso fazer nada???

Ouçamos o que diz Jesus: "Aquele que escuta a minha orientação e não põe em prática é como aquele que construiu sua casa sobre solo arenoso, veio a chuva, destruiu os alicerces e a casa caiu..."

Será que posso me salvar como sou e estou? Em meus pecados???

Demos novamente a palavra a nosso Mestre amado:

"Então eles se aproximarão dele e dirão: profetizamos em teu nome e em teu nome realizamos prodígios E ELE LHES DIRÁ: APARTAI-VOS DE MIM PRATICANTES DA MALDADE..."

A cada página dos Evangelhos nos deparamos com testemunhos que evidenciam esta verdade: o Paulo de Lutero não esta de acordo com Jesus...

Nem com os demais apóstolos...

Pois Pedro declara: "Ele julga a cada qual segundo suas obras." I Pedro 1,17

& João "Se amamos a Deus cumprimos seus mandamentos." I Jo 5,2

& Aquila: "Deus jamais esquecerá o memorial das vossas obras." Hb 6,10

& o livro da Revelação: "Abençoados os que adormecem no Senhor repousam de seus trabalhos E SUAS OBRAS OS ACOMPANHAM."

Por fim o Paulo de Lutero não esta de acordo nem consigo mesmo...

Segundo podemos inferir da leitura de sua carta a Igreja de Corinto: "Por hora restam três virtudes: a fé, a esperança e a caridade NO ENTANTO A VIRTUDE SUPREMA É A CARIDADE."

E não a fé...

Pois 'Deus é amor' e não fé...

E disse 'Nisto vos terão por meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.' e não pelo simples fato de crerem...

E noutra parte o 'abortivo' explicita a que tipo de fé se refere: "Salvos sois pela fé QUE OPERA PELA CARIDADE." Gl 5,6

E sentencia: "Sejam estimulados em toda BOA OBRA..." II Tess 2,17

E noutro passo: "Que assim se apliquem as boas obras." Tt 3,8

Pois aquele que vive pecando (refere na mesma carta): "Professa com a boca... MAS NEGA-O COM AS OBRAS." 1,16

Assim convém ao Cristão: "Repudiar todas as obras das trevas..." Rm  13,12

E estar cônscio de que "Aqueles que de Cristo vivem CRUCIFICARAM A PRÓPRIA CARNE E TODA INIQUIDADE, VÍCIOS E CONCUPISCÊNCIAS... e assim não vivem segundo as obras manifestas da carne... MAS PRODUZEM FRUTOS NO ESPÍRITO." Gl  5,19 sgs

Segundo a semente tenha da graça tenha caído na terra fértil da boa vontade.

Assim, em comunhão com ela: "Produzirá frutos cem por um, sessenta por um e trinta por um."

Assim, declara o mesmo Paulo, não há liberdade para praticar a maldade ou contra o mandamento do amor, que resume em si toda lei divina. Gal 5, 14

Contra este mandamento sagrado e Cristão não há apelo possível a liberdade.

Percebamos então que o ensino de Paulo a respeito da ética, da virtude, das boas obras, da santidade, da perfeição, etc ESTA DE PLENO ACORDO COM O ENSINO DOS DEMAIS APÓSTOLOS E DE JESUS CRISTO.

Toma possa o homem da graça de Deus e é elevado por ela COM O OBJETIVO DE FRUTIFICAR EM BOAS OBRAS.

Portanto SE 'não é justificado por obras'; mas apenas pelo encontro com o Verbo Jesus; é justificado para as obras: PARA O BEM, PARA A VIRTUDE, PARA A SANTIDADE...

De modo que a união com Cristo, sendo fecunda, capacita-o a cumprir plenamente a vontade de Deus em sua vida.

E como a justificação é apenas o primeiro passo dado no processo de salvação através do qual a graça interage com a vontade humana; segue-se que a salvação ou seja a conservação/manutenção e ampliação da graça divina; concretiza-se pelo cumprimento da vontade de Deus, pela observância da lei de Nosso Senhor Jesus Cristo e pela execução de Santas e boas obras.

Assim já sabemos porque aquele que enterra o bom 'talento' que lhe foi entregue por Cristo, AO INVÉS DE FAZE-LO MULTIPLICA-LO E RENDER POR MEIO DAS OBRAS; perde-lo-a. Porque a graça não foi comunicada para ampliar o domínio do mal e do pecado mas para capacitar o 'homem novo' refeito a imagem do Verbo; a triunfar da maldade e vencer o pecado.

Não se trata de elemento moralmente neutro ou passivo; mas de elemento ativo, dinâmico e capaz de auxiliar o homem na verdadeira obra de reforma que é a reforma da vida.

Eis porque deve o Cristão conformar-se a imagem de Cristo, assimilar sua conduta, imitar seus exemplos e toma-lo como modelo de perfeição; segundo ele mesmo decretou: "Sêde perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito."

Ora Deus não exerce pecado.

Assim: "O que vive de Deus não deve pecar!"

Mas viver de Deus pela obediência, pela submissão e pela reverência.

Pois a árvore boa produz bons frutos e a árvore má maus frutos; cada uma conforme sua condição.

E não pode a árvore boa deitar maus frutos ou a árvore má deitar bons frutos; segundo a palavra do Senhor.

Assim os Filhos de Deus vivem segundo a vida de Deus executando obras de luz.

Conforme suplicam na Grande Oração eles se tornam aptos a santificar o nome de Deus, o Pai, em suas vidas, dando bom testemunho da graça.

Já os filhos da maldade; membros da geração ímpia procedem segundo as já aludidas obras das carne; mesmo quando declaram-se salvos ou predestinados.

Pois suas obras más manifestam que não estão em Cristo e que são mentirosos.

E se dizem que não podem cair; devemos saber que é porque já caíram e jamais estiveram em Cristo. Estavam - nominalmente - entre nós mas não era dos nossos. E por que???

Porque suas obras eram iniquas e indignas da 'Verdade que liberta'. Porque a vontade deles permanece escravizada e preza ao padrão do mau exemplo, legado pelas antigas gerações e prevalecente neste nosso mundo.

O apóstolo no entanto disse: "Aquele que de Deus nasce vence o mundo."

'E nem os mandamentos são penosos para ele.'

Porque ama verdadeiramente o Pai do céu que o resgatou e deseja vive segundo a vontade deste bom Pai.

Então nós não compramos a salvação nem barganhamos com Deus.

Mas merece-mo-la certamente porque executamos a sua santa vontade e tomamos como padrão de moralidade.

E merece-mo-la porque ele, decretando exigências e condições, dispôs que cumpríssemos livremente com tais exigências e condições.

Quisesse Deus que a graça por ser assim tão gratuita fosse estéril, incondicional, desbragadamente livre e compatível com o exercício do pecado... teríamos um Evangelho fácil sem cruz, senda estreita, límites, normas, regulamentos, leis, etc Tal evangelho no entanto não existe!!!

Pois seu fundamento mais remoto é uma determinação: Amai-vos uns aos outros e não uma opção.

Efetivamente os protestantes tem a louca pretensão de acertar entre eles e Cristo a questão da salvação; excluindo por conta e risco todas as condições e exigências...

Lamentavelmente, como não disponibilizaram a graça... não lhes compete ou a quem quer que seja, determinar como deva ser sua fruição.

Tendo Nosso Senhor assumido a humana natureza e condição com o intuito de manifestar sua divina graça é certamente a ele que cabe o direito de determinar como devemos proceder para fazer juz a ela ou obte-la; bem como o uso que dela devamos fazer. Ele tomou a iniciativa ele dispõe... e nós, como contemplados que somos, acatamos.

A simples leitura do Evangelho - tão alardeada pelos protestantes - basta a criatura racional para que compreenda que a graça da união com Deus não é fim último que se esgota em si mesmo; mas meio ou instrumental disposto para que o homem viva conforme a vontade de Deus. Assim se a fé foi disposta para a graça, a graça foi disposta para a caridade ou a virtude recebendo dela sua forma e vida.

Como o combustível dispõe o automóvel ao movimento, a graça dispõe a criatura racional a execução da virtude e a uma vida verdadeiramente santa; segundo o eterno propósito e vontade do Deus Santo e Bom.

Então vemos que a graça de Cristo não é graça frágil e aparente disposta para a derrota; mas graça hábil e prestimosa para tudo quanto seja nobre, louvável e bom.

Não é graça fiducial, externa e vicária; mas graça real que atua na alma do homem como a energia elétrica nos aparelhos... capacitando-os a realizarem suas vocações.










sexta-feira, 19 de abril de 2013

CI - O conceito de Salvação nos escritos dos Santos Apóstolos 01






Há muito foi o Cristianismo definido como uma religião de salvação.

É necessário todavia saber com exatidão de que Jesus salvar-nos veio.

Porque os homens mortais tem apresentado diversas teorias de salvação.

Uns uma salvação exagerada de entidades, seres e castigos que na realidade não existem e outros apenas uma meia salvação, que de forma alguma corresponde ao propósito de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Alguns tem crido e professado que Jesus nos veio salvar dos problemas e vicissitudes da vida presente e de fato grande número de romanos e ortodoxos para não falarmos nos nossos protestantes acreditam que o principal ofício de Nosso Senhor é interferir no plano físico ou material, quebrar as leis da natureza e realizar inesgotáveis sinais e prodígios em nosso favor como seja tirar as bicheiras do gado, curar frieiras, localizar objetos perdidos, etc

Trata-se dum padrão religioso bastante comum em nossos dias. E muito bom cristão pensa que é assim mesmo e que o fim de nossas religiosidade esta aqui mesmo na terra.

Fosse assim em que seriamos superiores aos hotetontes, bosquímanos, sioux, etc enfim aos povos primitivos? Comungando do mesmo fetichismo e partilhando da mesma ingenuidade em que se destacaria da deles a espiritualidade por nós cultivada???

A religião popular, mantida pelas massas incultas é mesmo assim: folclórica; e doutro modo não poderia ser.

Temo no entanto que não corresponda a sublimidade do nosso Evangelho palavra sempre viva de Jesus.

Temo que o padrão religioso do Evangelho seja bem outro e que sua meta esteja noutro 'lugar'.

Pois aqueles que lhe pediam sinais, prodígios, milagres, pão e peixe disse ele: 'Ainda não pedistes o essencial: o Espírito Santo.'

Parece que foi justamente para isto que o Verbo se manifestou: para que pudéssemos adquirir plena comunhão com o sagrado ou como se diz vida em plenitude, vida em abundância, vida espiritual...

Naturalmente que a vida do corpo precisa de pão e que o homem deve lutar por ele; não no entanto com orações e preces, mas com os meios ordinários que lhe foram dispostos pela natureza.

Daí dizer o apóstolo: 'De nada adianta dizer aqueles que carecem de comida e vestimenta: irei e rezarei por vós...'

Eis porque outros, um pouco mais esclarecidos postulam outro tipo de salvação, tanto mais espiritualizada, postulando que o Senhor veio salvar o homem do pecado.

A nós nos parece que estes leem muito bem o Evangelho.

Pois o Salvador assim se exprimiu; logo depois de ter aludido ao jugo do pecado: 'Se o Filho vos libertar sois verdadeiramente libertos.'

A maioria destas pessoas no entanto, estando mal orientada, acredita que os pecados são cometidos por sugestão duma entidade maléfica a que chamam diabo, demônio ou Satanás e asseguram que Jesus vindo salvar o homem do pecado, veio preserva-lo da influência de Satanás ou salva-lo dele.

E como aquele que peca e pertence ao Diabo esta disposto a uma situação de punição espiritual - que muitos asseveram ser perpétua -  após a morte, a maior parte das pessoas também acredita que Jesus veio salva-las da punição ou do inferno.

Temos pois diante de nós três espécies ou tipos de salvações, a princípio concomitantes: do pecado, do diabo e do inferno.

Afortunadamente a mentalidade Ortodoxa sempre se manteve fixa no primeiro item, anunciando a salvação do pecado.

Os latinos no entanto oscilaram.

Os romanos por exemplo; contaminados pela superstição do diabolismo, multiplicaram os exorcismos e apresentaram nosso Cristianismo como uma salvação do Diabo... tradição que tem sido mantida atualmente pelos pentecostais...

Para os quais a 'salvação' da-se comumente sob a forma de um exorcismo...

Também a salvação das 'penas eternas' foi salientada com demasiada insistência pelos pregadores latinos. De acordo com esta perspectiva não menos supersticiosa e funesta Jesus teria se manifestado com o intuito de anular as penalidades espirituais e apagar as 'chamas' do tal inferno... acolhendo tantos quantos apelassem a seu sangue, suas chagas, etc

Assim percebemos já que tudo tinha mesmo de dar onde deu e que os latinos mais cedo ou mais tarde perderiam completamente de vista o cárater integral e sobretudo ético da salvação enquanto salvação do mal e do pecado ou salvação para a virtude.

E embora Lutero tenha sido o primeiro a arvorar esta 'meia salvação' ou 'salvação incompleta' como dogma de fé; veremos que se trata dum perigo que acompanha a Cristandade desde a Idade apostólica.

Para quem não esta suficientemente bem informado Lutero aboliu o primeiro item da lista, sustentando muito seriamente que o homem jamais poderia ser salvo do pecado.

Era pois o homem salvo do Diabo e do Inferno EM SEUS PECADOS.

Por mais que a teologia papista estivesse já podre e carcomida a pregação de Lutero não pode deixar de produzir um arrepio de horror nas almas piedosas e de produzir um verdadeiro 'choque'. Choque que calou profundamente no fundo da consciência Cristã provocando um tumulto tão estrondoso que estende-se até nossos dias...

Basta dizer que até seus dias poucos haviam se atrevido a postular uma salvação no pecado. O máximo que ousavam dizer - sempre influenciados por Agostinho - é que a restauração divina não excluía a permanência de certa debilidade ou fraqueza nos santos, a qual possibilitava eventuais 'quedas' ou reincidências por parte dos restaurados... Disto porém não se passava.

Então podemos dizer que a primeira brecha no Evangelho foi aberta pelo santo Bispo de Hipona ao declarar que a restauração ou a cura operada pelo verbo era frágil e não efetiva. Esta brecha foi alargada mil anos depois pelo reformador saxão ao declarar que a restauração era meramente vicária, superficial ou aparente; jamais atingindo o interior do homem enquanto vida.

Primeiramente as exigência do Evangelho foram amenizadas e o mistério sagrado da Penitência corrompido; posteriormente as exigências do Evangelho foram explicitamente negadas, a lei de Jesus Cristo repudiada e até mesmo o nome da penitência riscado e apago... Sendo tudo tudo creditado na conta da fé.

Ora nós devemos, a luz dos Evangelhos e do novo Testamento, buscar compreender como tais transformações foram acontecendo e como o mistério da restauração foi sendo paulatinamente descaracterizado pelos homens mortais.




B - Lutero, Paulo e Paulinismo


Para começo de conversa vamos já informando o amigo leitor que a nova espécie de Salvação esta relacionada com uma super valorização dos escritos do Apóstolo Paulo - a que denominamos 'paulinismo' - e a uma má compreensão ou incompreensão no que diz respeito ao significado dos mesmos.

O que não devemos atribuir a iniciativa de Lutero.

Então fique bem claro que por Paulinismo não compreendemos qualquer tipo de contradição - doutrinal ou dogmática - entre o pensamento de Paulo e o de Jesus (existem diversas contradições sim; mas apenas no plano da ética ou da moral e não no âmbito credal) ou entre o ensino de Paulo e dos demais apóstolos. Por 'paulinismo' compreendemos como já foi dito a concessão duma certa primazia doutrinal - por parte dos Cristãos mal orientados - aos escritos de Paulo e um entendimento inexato a respeito do que Paulo costumava ensinar.

E embora saibamos que erros tão lamentáveis tenham sido apresentados como fundamentos doutrinários por iniciativa de Martinho Lutero; convém sabermos que não foram concebidos unicamente por ele e que tampouco foi ele o primeiro a acalenta-los.

Antes de tudo gostaríamos de deixar bem claro a nossos antagonistas, os sectários; sejam luteranos, calvinistas, paulinistas, etc que somos Cristãos, e que sendo Cristãos temos por referencial a figura de Jesus Cristo e suas palavras registradas nos quatro Evangelhos e que para nós esta distinção entre a palavra do Verbo Jesus e do apóstolo e servo Paulo é crucial.

Nosso principio coordenador, que dá significado e interpretação a todas as passagens da Escritura não são a Epístolas paulinas mas os quatro Evangelhos.

Nossa base ou fundamento não é o 'corpus paulinum' mas o Evangelho.

Nosso Senhor, legislador e Mestre não é Paulo; mas Cristo.

Portanto nós não cremos que o anúncio de Jesus precise ser esclarecido por qualquer outro anúncio; antes julgamos que a pena apostólica deva ser julgada pela pena evangélica.

Nosso padrão de ortodoxia é Jesus Cristo e nosso supremo e último critério suas palavras. 

Então nós não situamos os escritos do Verbo Encarnado e os escritos de seu apóstolo no mesmo plano supondo que gozem do mesmo grau de nitidez ou clareza. Nós não acreditamos que Jesus e Paulo tenham se exprimido com o mesmo nível de exatidão.

Embora os ensinamentos sejam idênticos a reverência nos obriga a reconhecer que o modo de se expressar do Salvador seja mais claro ou superior.

A doutrina é a mesma; mas o modo como é exposta não. E nós cremos que aqui Jesus leva vantagem.

Não admitimos pois que Paulo explique, esclareça ou elucide a palavra de Jesus Cristo; pois isto nos obrigaria a admitir que Paulo é tanto mais excelente ou que seja o Mestre do Mestre...

Eis porque julgamos que Lutero e seus protestantes coloquem o carro diante dos bois... e que tenham invertido e subvertido a economia dos testemunhos.

Nós vamos de Paulo ao Evangelho para que suas palavras e ensinamentos sejam provados e não do Evangelho a Paulo...

A este erro que é tão grave os protestantes associam um outro que consiste em ignorar qual seja o cárater dos escritos paulinos e a forma ou modo porque devem ser analisados.

Quanto ao cárater dos escritos paulinos julgam os protestantes, como fazem alias com todas Escritura - até mesmo com os registros do testamento velho e abolido - que seja de fácil compreensão até mesmo para aqueles que mal sabem soletrar as palavras... Esta é a opinião humana e falível dos protestantes a qual vivem a repetir como se fosse uma ladainha.

Vejamos no entanto o que declara a 'tão estimada' palavra pura de Deus:

"COMO NOSSO IRMÃO PAULO VOS ESCREVEU, conforme o entendimento que lhe foi comunicado, como EM TODAS AS SUAS CARTAS NAS QUAIS HÁ COISAS DIFÍCEIS DE SE COMPREENDER." II Pedro  3,15 sgs

Seja pois Deus verdadeiro e os pastores protestantes mentirosos.

Pois o que declaram ser tão fácil a ponto de ser compreendido por um analfabeto ou por uma criança; um dos apóstolos de Jesus declara ser de difícil compreensão.

A simples leitura desta passagem deveria ter acautelado Lutero e outros para que evitassem edificar sistemas  fundamentados unicamente nas palavras do apóstolo Paulo. Eles no entanto não levaram tal oráculo em consideração...

Basta dizer que jamais houve qualquer esforço da parte deles para que as palavras de Paulo fossem examinadas face as palavras dos demais apóstolos; digo de Pedro, Tiago, João e Judas cujas epístolas também fazem parte do Novo Testamento e expõe os mistérios divinos. Grosso modo os protestantes abastecem seu arsenal nas epístolas de S Paulo e ignoram supinamente o testemunho de Tiago, de Pedro, de João, de Judas...  

É como se existisse um apóstolo apenas: Paulo... e suas epístolas.

Há no entanto vício ainda pior em termos de exegese protestante.

Aludimos aqui ao escandaloso recorte feito por Lutero no epistolário paulino.

Pois Paulo não escreveu menos do que treze cartas. (Hebreus não foi escrita por ele mas pelo alexandrino Aquila)

Era de se supor que Lutero tivesse queimado suas pestanas durante longos anos examinando detalhadamente o conjunto do 'corpus paulinum' de modo a absorver ou assimilar o conceito paulino de salvação. Ao menos tivesse ele, Lutero, assegurado que assim procedeu, e ao menos poderíamos conceder-lhe o privilégio da boa vontade...

Queremos dizer com isto que para obtermos uma ideia mais ou menos exata do pensamento paulino a respeito de qualquer ponto doutrinário deveríamos analisar cada uma de suas cartas e comparar umas com as outras... ao invés de nos concentrarmos unicamente nesta ou naquela carta, nesta ou naquela passagem, neste ou naquele verso. Sob pena de compreendermos parcial e distorcidamente o pensamento do santo homem.

Foi exatamente isto o que Lutero fez; pois como registra Dale Owen na 'Região em litígio...':  'Lutero só tinha olhos para alguns capítulos da carta de Paulo aos romanos e todo seu sistema foi elaborado com base na leitura desta epístola sem considerar os demais escritos do apóstolos, dos demais apóstolos ou do próprio Jesus. Para Lutero ali estava a medula ou quintessencia do Evangelho em meia dúzia de passagens desta carta...'

O próprio Lutero registrou em diversas ocasiões que 'deu com a verdade' ignorada por todos ao ler um determinado verso desta epístola. E sobre este e mais outro verso elaborou seus sistema...

Não é possível imaginar fundamento mais frágil...

Pois sendo o NT constituído por mais de duas dúzias de registros e tendo Paulo escrito uma dúzia deles; Lutero e seus filhos concentraram-se apenas em algumas passagens duma única carta, a saber romanos, o 'evangelho' deles. Importa perguntar: e as duas cartas aos Corintios, e a carta aos Gálatas e as três pastorais dirigidas a Timóteo e a Tito que é feito delas???

Aqui os protestantes limitam-se a catar alguns fragmentos e a garimpar algo tendo em vista 'confirmar' aquilo que julgaram encontrar no 'novo evangelho' ou seja em romanos. Jamais vão além ou exercem estudo mais aprofundado; pois Gálatas sobretudo, bem como as pastorais, contem testemunhos suficientes com que minar e sacudir pela base o edifício que creem ser divino.


Concluímos este estudo inferindo duas coisas:

  1. A teologia protestante peca por estribar-se prioritariamente no testemunho de Paulo e não no de Jesus
  2. A teologia protestante peca por não considerar os escritos do Novo Testamento ou mesmo os Escritos de Paulo em seu conjunto.
E partindo destes pressupostos anuncia um tipo de salvação totalmente diverso daquele que foi proposto aos homens por Nosso Senhor Jesus Cristo e seus abençoados apóstolos.






quinta-feira, 14 de março de 2013

XLVI - Saboreando o sermão da montanha - Seu significado




Quase todas as teofanias da antiguidade tiveram lugar no alto de alguma montanha.

Foi entre as montanhas do maciço central da Pérsia que o mitico Zarates ou Zaratustra encontrou-se com Ahura Mazda, no alto de uma das sete colinas de Roma Numa recebeu as 'tradições'... referem-se as mais vetustas inscrições sumerianas a 'montanha dos deuses' e sobre o 'Olimpo ampliselvoso' habitavam os imortais da antiga Hélade.

Onde não haviam montanhas de verdade erguiam os mortais Zigurates, piramides, estupas, piramides escalonadas, etc em memória da morada dos deuses.

Eis porque o legislador dos hebreus sobe ao Sinai para conferenciar com o rude javé e dele receber as tabuas da lei.

Também Eliha, o grande profeta; sai em demanda da presença divina e ruma para as montanhas onde javé se lhe manifesta.

O próprio templo de Jerusalem, como todos os santuários israeliticos, fora construido sobre um lugar alto, ou seja, o pico do monte de Moriah; ao qual a tradição vinculava o sacrificio de Isaac, filho de Abraão.

Estar na montanha significa estar mais próximo do transcendente e do divino. Estar na montanha significa estar face ao sagrado e ao numinoso.

Sobe o corpo ao cume da montanha enquanto a alma assoma presença divina, diz com propriedade Origenes.

O éco duma tradição vetusta punha na boca do mítico Moisés estas palavras: O Senhor suscitara futuramente Legislador parecido comigo, deveis dar ouvidos a ele e quem não der será cortado do povo.

Destarte, qual novo Moisés, qual novo Mestre e legislador, qual novo vidente e profeta, cônscio de seu dever, sobe Jesus a montanha e do alto duma elevação ministra seus ensinamentos, a saber, a nova e eterna lei, o novo e perpétuo decalogo, a boa nova da salvação.

O decalogo fora de fato construção precária.

Na medida em que comporta normas, decretos e regulamentos.

Mas o novo Decalogo é construção sólida e perfeita, e inabalavel.

Porque comporta principios e valores; cuja natureza é imperecivel.

O decalogo busca punir a manifestação ou resultado. Após a ação ter sido cometida.

O sermão da montanha vai até a fonte ou raiz do problema, tendo em vista impedir que a ação seja cometida.

Ali se castiga; aqui se evita. A ação do decalogo se faz a posteriori, a do Sermão da montanha a priori...

O decalogo tem em fóco o delito ou o crime; o sermão da Montanha somente atinge a condição humana.

A lei dos judeus é obra de homens sábios e tributária doutros códigos elaborados por outras culturas.

A lei de Jesus Cristo é obra do Verbo, de Emanuel, do Deus encarnado e procedente do céu.




Diante disto não há como deixar de pasmar quando tomamos a consciência de que a Instituição Cristã permaneceu agrilhoada ao decalogo, i é, a lei de Moisés, fazendo muito pouco caso e prestando muito pouca atenção as sublimas palavras e ensinamentos ministrados por Jesus Cristo sobre o monte.

Como Cristãos de fato somos muito mosaicos... e como gentios bastante judeus ainda...

Agora veja só com que gula citam os 'estudantes da Bíblia' mesmo ortodoxos e romanos; as frioleiras do antigo testamento, o livro do apocalipse, a carta aos romanos, etc, etc, etc até mesmo outras palavras de Jesus... enquanto o sermão da montanha fica obscurecido, menosprezado, ignorado pelo público em geral.

Quão pouco teem os 'cristãos' lido, estudado e cogitado a respeito do 'coração do Evangelho'...

E no entanto: da 'Bíblia' o Novo Testamento; do Novo Testamento o Evangelho e do Evangelho o Sermão da montanha... não há como fugir a esta lógica segundo a qual o filé das escritura, sua parte mais nobre, elevada e importante é o sermão da montanha.

Diante do caviar permanece o homem comendo bolotas e diante da água pura, cristalina e viva; abrindo poços de água salobra...

Diante do tutano ou da medula optam os cristãos por canja e perante o vinho novo generosamente oferecido por Deus preferem água de flor de laranjeira...

Diante da luz vivificante escolhem a sombra, a realidade preferem a figura, a coisa em si preferem o simbolo, ao cumprimento opõe o vaticinio!!! Como amam os homens as dificuldades e obscuridades...

Mas fogem e recuam esbaforidos diante das palavras divinamente claras do Redentor.

No frigir dos ovos Jesus continua sendo o que sempre foi: persona nom grata' ao menos para grande parte dos cristãos nominais; embora estes tenham-no elevado a categoria de 'deus'; talvez para desencargo de confiança.

Triste é constatar que alguns tenham feito barganha e optado por adorar aquele que de modo desejam obdecer ou imitar. No entanto apesar de ser mesmo Deus verdadeiro pelos séculos, Jesus prefere certamente que obedeçam-no e imitem-no ao invés de buscar lizongea-lo com louvores dos quais ele não precisa nem sente falta. Assim a má consciência de uma Cristandade farisaica encontra certo alivio prestando culto de adoração aquele que sistematicamente trai e apunhala pelas costas.

Agora veja só os homens malvados prostram-se diante dele e erguem-se com o coração repleto de ódio para com seus semelhantes!!!

A maioria de nós não esta preparada para dar com o Salvador face a face no sermão da montanha.. dai os continuos recursos a Moises, David, Salomão, Paulo, etc Homens cujo ideal vulgar esta bem mais próximo do nosso. O ideal apontado por Jesus no entanto...

Por isto evitamos ler, estudar e compreender o sermão da Montanha. Melhor ler as ameaças do Apocalipse... que afagam nosso instinto de destruição e de vingança.

A leitura do Sermão da montanha não. Produz desconforto, constrangimento, humilhação; na medida em que denuncia nosso comodismo e a superficialidade de nossa vida religiosa.

Afinal quantas de quantas bem aventuranças somos dignos???
Apesar disto tens no Sermão da montanha e não no decalogo, no apocalipse ou na carta aos romanos, a tua carta magna.

O código divino que deveria regular toda tua existência.

Então compreenda muito bem amigo leitor, leitor amado; que o Cristianismo só florescera novamente e só recuperara sua dignidade quando este sermão for lido, conhecido, posto em prática e vivido! E que disto depende a salvação da República Cristã.

Não há outra solução ou caminho: ou o sermão da montanha ou a morte.

Ele é o sopro de vida capaz de vivificar e de ressuscitar as Cristandades históricas e apostólicas.

Desejais a paz e o bem estar da Igreja, sua prosperidade e avanço? Principiai cumprindo o sermão da montanha e demonstrando que sois Cristãos de fato, conscientes, militantes... e não cristãos de mera fachada, acomodados...

Lamento que não haja solução de compromisso entre o presente sistema de coisas e o Belo Sermão. Algo deverá acomodar-se e não julgo que Deus deva faze-lo. Então se algo deve ceder é a estrutura falaciosa deste nosso mundo.

O Sermão da montanha. Ele é o antidoto, o soro, o contra veneno e o remédio de que a consciência Cristã precisa neste momento para reconciliar-se com seu Senhor.