O verbo se fez carne...

O verbo se fez carne...

A mãe do Verbo Encarnado

A mãe do Verbo Encarnado

A consciência histórica do Cristianismo

A consciência histórica do Cristianismo
Mostrando postagens com marcador pecado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pecado. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de novembro de 2018

CX - S Policarpo de Esmirna e S Pápias de Hierapolis

Policarpo é nome de origem grega que significa 'muitos frutos'.

Segundo Irineu, na carta a Florino, citada por Eusébio, ele - Irineu - jamais havia esquecido as narrativas a respeito de como Policarpo se assentara aos pés de João, o teólogo e fora nomeado pelos apóstolos Bispo de Esmirna ( Tertuliano Praescr XXXII assevera ter sido ele sagrado por S João) Sendo portanto o 'anjo' daquela Igreja, citado no livro da Revelação, muito provavelmente composto por este João, não o apóstolo, mas o ancião, ou presbítero. Teria portanto sido companheiro de Pápias...

Já no livro 'Contra as heresias' assim se expressa Irineu: "Posso recordar eu, Policarpo, o qual foi ouvinte dos apóstolos e conviveu familiarmente com muitos dos que tinham visto o Senhor, o qual foi estabelecido Bispo da Ásia, na Igreja de Esmirna, pelos próprios apóstolos. Nos o conhecemos em nossa infância porque teve uma vida longa e era já muito idoso quando obteve a palma do martírio. Ora ele sempre ensinou o que aprendido tinha com os apóstolos." Adv Haeres III 02-04. Considerando que este Irineu faleceu cerca de 200/210, deve ter convivido com Policarpo entre 140/150.

Já pelos idos de 107 Inácio, outro ouvinte dos apóstolos, enviara-lhe uma elogiosa carta de despedida.

Sabemos ainda, diretamente por Irineu e Indiretamente por Hegesipo, que Policarpo veio a Roma pelos idos de 155, apaziguar os ânimos, devido a questão da data da Páscoa, que os asiáticos, com Polícrates, oficiavam ao 14 de Nisan, fosse qual fosse o dia da semana. E que sendo recebido pelo primaz Aniceto. Consta que nenhuma das partes cedeu em seu costume, mas que por deferência Aniceto entregou a presidência da Eucaristia ao 'Doutor da Ásia e Pai dos Cristãos'. É o que conta Eusébio na História.

Consta ter perecido pelo fogo, no estádio de Esmirna, em meados de 156, com pouco mais de cem anos - Admitido que servia a Cristo por 86 anos e se convertera aos 15 ou 16. Tendo nascido em 56 bem pode ter conhecido o apóstolo João - falecido pouco depois de 70 ou entre 70 e 80 - e certo número de discípulos do Senhor, como o já citado João, o antigo, provável autor do livro da Revelação.

Segundo Irineu Policarpo havia escrito certo número de cartas a diversas congregações e líderes, mas apenas uma chegou até nós, a que fora dirigida aos Filipenses. Segundo P N Harrison temos na verdade duas cartas fundidas numa só. (Primeira carta = Últimos caps e segunda carta = Cap Doze primeiros caps mas pode ser até IX 02 esta última suposição é minha!)

Assim, no que tange a carta maior (aos nove ou doze primeiros caps) a datação corresponderia ao ano 130, o que é absolutamente plausível.

Segue a resenha doutrinal do documento -

A Encarnação do Senhor: "Quem não confessa que Jesus Cristo veio na carne é o anti Cristo." VII,01
O pecado - "Somos todos devedores do pecado."  VI,02
A graça - "Sabeis já que pela graça justificados fostes, não por obras, mas pela graça de Deus comunicada por Jesus Cristo." III
Necessidade do Cristão fazer boas obras - "Caso nossa conduta seja digna dele, com ele reinaremos por mercê da fé." V,02 "Até pelos pagãos deveis ser aplaudidos por vossa conduta irrepreensível e obras santas, para que o nome do Senhor não fique exposto a zombarias." XI,02
A esmola - "Quando façais o bem não o deixeis para depois uma vez que: 'A esmola preserva da morte'" XI,01
Acesso a perfeição ou impecabilidade - "Aquele que tem o amor dentro de si está distante do pecado." III,03
A vivificante cruz - "Quem não aceita o testemunho da cruz é do maligno." VII,01
Ortodoxia - " Guardando a fé imutável."
XI,01

Imortalidade consciente - "E o beato Paulo, pois nenhum deles correu em vão, mas conduzidos pela fé e pela justiça tomaram posse do lugar que lhes estava reservado junto do Senhor porque padeceram." IX,01
Ressurreição da carne - "O que afirma que os mortos não ressuscitam esse é o primogênito do maligno." VII,01

Imitar Jesus - "Fiquei feliz por vós, porque recebestes os imitadores do Amor verdadeiro." I,01
Amor ao próximo - "Ela, a fé, é a mãe de todos nós, seguida pela esperança e precedida pelo amor a Deus, a Jesus Cristo e ao próximo." III,03
Avareza - "É a avareza um tipo de idolatria."
XI,01
Evitar o pecado - "Vos exorto para que eviteis a avareza... e vos guardeis de todo mal."
XI,01





Da Carta sobre o martírio de Policarpo, enviada pela Igreja de Esmirna a Igreja de Filomélio em 156:


Trindade excelsa - "Pelo eterno e celestial sacerdote Jesus Cristo, teu amado Filho, pelo qual glória seja dada a ti, com ele e o Espírito Santo, agora, sempre e pelos séculos dos séculos, amém."
XIV,03Igreja Católica - "Ele lembrou-se da S Igreja Católica espalhada por toda terra." VIII,01
Imortalidade consciente - "Com eles
(os mártires) possa eu ser admitido HOJE na tua presença, como um sacrifício deleitoso." XIV,02
Reverência aos Santos - "Mesmo durante o tempo de sua vida era já reverenciado devido a santidade de sua vida." XIII,02
As relíquias dos Santos - "Mais tarde pudemos nós recolher seus ossos, mais preciosos do que pedrarias e mais valiosos do que ouro, para coloca-los em conveniente lugar e quando possível ali nos reunir jubilosos para comemorar a data de seu martírio."
XVIII,02
Adoração dominical - "Era o dia do Sábado maior."
VIII,01


 

II - S Pápias de Hierapolis


Segundo G Bardy é S Pápias 'Uma das figuras mais misteriosas da antiguidade Cristã... e as poucas notícias que temos sobre ele, tem dado lugar, por parte dos pesquisadores, a intermináveis controvérsias.' in D T C XI sec part, 1944/47.


A respeito dele testifica Irineu ter sido ouvinte de S João e amigo de Policarpo Adv Haeres V,33,04. Eusébio, corrigindo, declara que fora discípulo, não do Apóstolo João, mas de João, o antigo ou ancião, ou ainda Presbítero. Floresceu entre 70 e 140 e é dado por mártir.

Interessante, misterioso e controverso é Pápias avaliado por Eusébio como sendo uma mentalidade medíocre, talvez porque ouvinte, não ao apóstolo, mas de um discípulo chamado João, muito provavelmente autor do livro da Revelação, admirador da literatura apocalíptica judaica, assim judaizante. Teria este discípulo longevo do Senhor, amiúde confundido com o apóstolo homônimo, se instalado - tal e qual o apóstolo - na Ásia menor e conquistado um bom número de adeptos. Como derradeiro ouvinte do Mestre deve ter atraído a sua localidade certo número de peregrinos e idoso pode ter confundido as coisas e atribuído ao Senhor o quanto lerá nos tais apocalipses dando origem a corrente milenarista ou quiliasta, de que Pápias se fez porta voz e que tanto exasperou os padres gregos...

Penso num ancião esclerosado, que ao fim da vida, agregando resíduos judaicos a fé - como apostasia, milênio, conflagração universal, anti Cristo, Besta, demonismo, inferno, etc - prestou um imenso deserviço a igreja, obscurecendo a simplicidade da autêntica escatologia Cristã e lançando as sementes de futuras dissenções intermináveis, e o fim de tudo isto é uma seita chamada 'apocalíptica' presente em todos os setores da Cristandade, particularmente nas seitas bíblicas ou carismáticas onde a leitura do livro da Revelação ultrapassou a leitura dos Santos e divinos Evangelhos. Tudo isto é a um tempo trágico e patético...

Bem Pápias pertence a esta corrente, assim Irineu, Tertuliano e os elderes que o seguiram devido a antiguidade de seu testemunho, adiciona Eusébio. Podemos dizer assim que Pápias fez, e faz escola e compreender ao mesmo tempo a exasperação de Eusébio.

Como não sabia discernir muito bem entre as fontes autenticamente Cristãs e as fontes hebraicas e fosse filho da cultura, inserido numa cultura de oralidade, compilou ele uma espécie de 'Puranas' do Cristianismo nascente, adicionando narrativas apócrifas já escritas, visões, etc inclinando-se para o miraculoso até o fantástico. Tinha porém boa vontade, pelo que convém ouvi-lo:

"Para ti não hesitarei, adicionar as minhas explicações, o que outrora ouvi eu dos antigos, e cuja lembrança bem guardei, estando seguro de sua veracidade. De fato eu não me comprazia, como a maioria das pessoas, no muito dizer, porém buscava a verdade, não me satisfazia com boatos, mas com aqueles que narravam os mandamentos do Senhor, frutos da verdade. E se sucedia, conhecer eu algum dos que tinham ouvido os antigos, eu me informava a respeito do quanto haviam dito eles, o que havia anunciado André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus ou qualquer outro dos discípulos do Senhor, assim Aristion e João, o antigo, discípulos do Senhor. Eu não julgava que as coisas conhecidas através do relato escrito, não fossem tão úteis quanto as que ouvimos, por meio da palavra viva e permanente." Eusébio H E III, 39, 1-4Caso prestemos máxima atenção a estas palavras constataremos que há nelas certo vigor e solenidade. Pápias era apenas crente, não tolo e se foi enganado, enganado foi pelo velho presbítero judaizante. Ousarei dizer que apesar de sua crença tosca no milenarismo, era este Pápias homem genial por ocorrer-lhe por a tradição oral no acesso de todos, dando-lhe forma escrita, o que a seu tempo deveria ser um tabu! O fruto de suas pesquisas foi uma obra composta de cinco tomos intitulada 'Exegese ou explicação das palavras do Senhor', pelo fato de acompanhar Mateus e Marcos quanto a opção preferencial por Logias, assim o dito Evangelho de Tomé que temos por apócrifo.

Salvo falta de memória minha foi Pápias repetidamente citado por diversos autores, assim Cláudio Apolinário, Ecumênio, Victor de Cápua, André de Cesaréria e aproveitado por outros tantos - inclusive por Eusébio - até o século XVI, quando cessando de ser copiada, provavelmente devido aos defeitos citados por Eusébio, desapareceu, e com grave dano para a consciência Cristã.

Não vou reproduzir aqui o testemunho favorável a crença
milenarista, pois ainda que não constitua uma Heresia, choca-se com a piedade. O milênio consiste numa intuição a respeito do futuro ou da Era Cristã, mal compreendida ou assimilada pelos hebreus. A Igreja, Reino de Cristo ou cidade de Deus é que concretizará esta era ou período no mundo presente na medida em que nele encarnar-se inspirando uma vida - alias social e política - pautada na Lei de Jesus Cristo ou no Evangelho. Este triunfo, ao menos ético, senão credal, da Instituição Cristã é que corresponde ao milênio, correspondendo os mil anos a uma cifra simbólica que não deve ser matematicamente considerada i é ao pé da letra. Será o derradeiro estádio da História humana, iluminado pela graça de Cristo.

Portanto não devemos esperar nenhum tipo de cataclismo, de evento cósmico ou de mudança radical, mas a expansão paulatina de Pentecostes ou do cenáculo por meio dos Santos Sacramentos fixados por Jesus Cristo.

Tampouco mencionarei ipsa verba os estranhos relatos sobre a morte de Judas, o traidor. Tomou ainda alguns relatos as filhas de Filipe, virgens e profetizas que se haviam instalado em Hierapolis e ali morrido. Segundo tais relatos, Justo Bársabas, teria ingerido veneno mortal e permanecido incólume por antes ter invocado o nome do Senhor. Também a mãe de Manaim teria sido trazida novamente a vida.

Importa conhecer o que ele disse sobre a Escritura canônica, particularmente a respeito de nossos Evangelhos.

A respeito de S Mateus, registrou:

"Ele reuniu ordenadamente, na lingua hebraica, as palavras de Jesus e cada qual interpretou-as conforme sua capacidade." apud Eusébio H EPor hebraico devemos compreender o aramaico, assim o original de S Mateus. A expressão 'logoi' ou palavras parece excluir a parte narrativa deste Evangelho, que muitos, como Jerônimo de Stridon, julgam derivar do Evangelho dos Hebreus. Interpretar aqui, suporta traduzir, indicando que já circulavam versões gregas deste Evangelho.

Já sobre Marcos, declara:

"Marcos, tendo sido amanuense de S Pedro escreveu fiel, porém desordenadamente, tudo quanto recordava das palavras e ações do Senhor. Ele não tinha ouvido o Senhor nem o seguido, mas tomou as lições de Pedro, o qual costumava relata-las conforme a necessidade, não segundo a ordem exata. Assim Marcos não se equivocou, mas registrou segundo havia ouvido e recordava, e sua preocupação era apenas uma - Não omitir nada nem inventar coisa alguma." Junta Eusébio que ele também se referiu a Primeira Carta de S João e a uma das Cartas de Pedro e que conhecia a narrativa da Pecadora perdoada (João VIII), cuja fonte seria o Evangelho dos Hebreus.


Resta explicar porque ele não testemunhou a respeito do quarto Evangelho. Uma vez que parte dos racionalistas como Baur, foram levados a situa-lo na segunda metade do século II, justamente, devido a esta omissão. Uma vez que alguns insistiam indevidamente que S João e João, o antigo eram a mesma pessoa. A prova de que não eram é que Pápias - apud Irineu - conheceu o livro da Revelação. Agora a respeito de que tenha conhecido o Evangelho de João, não temos evidência alguma. Como podia ter conhecimento de uma obra e não da outra, dado que tenham saído da mesma pena? A hipótese mais plausível, como já dissemos, é que ele não conheceu o Apóstolo autor do núcleo daquele Evangelho - morto entre 70 e 80 - mas um discípulo de nome João, autor do Apocalipse. O que confirma do mesmo modo a Tradição, segundo a qual a I Carta de S João, fora escrita antes do quarto Evangelho e para servir-lhe de prólogo, o que explica que sua circulação fosse anterior e mais ampla já que a redação definitiva do quarto Evangelho foi elaborada pela comunidade joanina cerca do ano 90 desta Era.

Aos que quiserem saber mais sobre esta grande controvérsia, em torno da autoria e valor do Livro da Revelação, recomendamos nossa obra - "Foi o livro da Revelação escrito por S João, o apóstolo?"

Eis tudo quanto temos a dizer sobre Pápias de Hierapólis e sua obra.

sábado, 20 de abril de 2013

CIII - O conceito de Salvação nos escritos dos Santos Apóstolos 03





Resta-nos agora desfazer a suprema confusão implementada pelos apóstolos do pecado, ou seja, por tantos quantos postulam graça frágil e salvação fácil; sem mudança, penitência ou conversão do coração.

Hoje há anglicanos, romanos e mesmo ortodoxos; um número assombroso de Cristãos, alistados debaixo da bandeira da falsa salvação...

Eles vivem uma vida comum ou medíocre e creem que mesmo assim cumprem em suas almas e corpos o propósito de Jesus Cristo.

Acometem toda sorte de maldades a seus semelhantes e creem ser dignos da eterna salvação apenas porque vivem com o Santo nome em seus lábios ou porque muito rezam.

Creem que lhes basta a correção escrupulosa da fé ou que a frequência aos santos sacramentos seja suficiente para que mereçamos uma boa sorte no além túmulo.

Iludidos por falsos mestres e doutores; por sacerdotes ignorantes e pastores sem vocação eles julgam que um tipo de arrependimento meramente superficial ou teórico satisfaça a justiça de Jesus Cristo obtendo-lhes uma ressurreição de vida.

No entanto é necessário que as verdades amargas sejam ditas do alto dos telhados, quer agrade ou desagrade a quem quer que seja.

Pois caso um cego conduza outro cego irão ambos ao abismo; a menos que alguém os advirta.

Indício de crueldade em nossas almas seria contemplar nossos irmãos amados dirigirem-se ao abismo e nada fazer por eles.

Necessário é declarar: Cristandade esta senda larga e cômoda porque tens te embrenhado a cinco séculos não é aquela senda estreita e íngreme apontada pelo divino Mestre...

Ou como diria Kierkegaard não é senda do compromisso... Por que enquanto Cristo veio para tornar as coisas ainda mais difíceis para os escribas e fariseus; na medida em que tornava as exigências e condições mais duras, Lutero parece que veio - em nome de Paulo - para tornar as coisas mais fáceis e agradáveis.

Cristo apontando para a cruz do calvário esforça por deitar xarope amargo a boca do homem velho e carnal. Lutero deita-lhe logo a boca um gostoso torrão de assucar e lhe diz:

"Se Cristo aproximasse de ti exigindo ou solicitando alguma coisa sabe que é um diabo. Cristo nada exige de ti e nada te pede além da fé. Ele nada, nada te pede, te dá ou te oferta a salvação graciosa. E nada precisas fazer além de tomar posse dela..."

Evidentemente que uma 'novidade' destas... segundo a qual o homem nada precisa fazer. Deveria atrair as simpatias da turba multa, das massas e de toda gente inseta de heroísmo e abnegação.

Uma a uma as exigências do Evangelho são derrogadas por ele... até que não restam nem mesmo os fundamentos.

De fato em sua sabedoria o Verbo dispôs de perdão e indulgência a tantos quantos exercendo reparação e penitência pelas maldades de outrora; aspirassem por um novo começo e por uma nova vida; isenta de pecados e maldades e em tudo conforme a Santa vontade de Deus.

A esta obra divina chamamos regeneração.

Por meio dela é oferecida ao homem, que antes de seu encontro com Cristo viva segundo a lei de iniquidade, uma nova chance ou oportunidade. Com a condição de que produza frutos dignos de penitência...

Aqui o estímulo do indulto foi disposto para a correção.

Recebe o pecador convertido - após certo período de penitência destinado a reparação dos males que causou - o perdão divino para que não torne a cometer pecados.

Trata-se pois não dum sistema de perdão incondicional ou irresponsável que estimula o homem a pecar novamente; mas dum sistema de correção altamente eficiente.

No qual o indulto é oferecido em troca de compromisso.

Não é porta que se abre para que o homem possa pecar tanto mais facilmente e ser aliciado com falsas promessas de salvação. Não é brecha que se abre para criminosos obstinados e impenitentes...

Não é e jamais poderia ser uma proposta de perdão fácil e contínuo para estroinas sem consciência.

Não é festival em que o indulto é oferecido fácil e repetidamente...

Embora a Cristandade do tempo presente, seduzida por falsas promessas e propostas esteja convencida de que é assim mesmo.

Eis porque foi subvertida a instituição Cristão, de fábrica de santos e mártires como era nos primeiros séculos em fábrica de canalhas...

Que é este Cristianismo da salvação incondicional senão uma fábrica de psicopatas como Adolph Hitler.

Pois enquanto uns alegam que não há perdão possível para ele e que Hitler era uma espécie de 'prova viva' a respeito da necessidade de penas eternas; outros afirmam que o mesmo Hitler seria perdoado num instante, de todos os seus pecados, por uma ato de fé somente: sem qualquer necessidade de reparação ou penitência...

Aqui os extremos do protestantismo se tocam.

Pois se uns ignoram que seja a ilimitação da misericórdia divina outros ignoram que seja a virtude divina da justiça. Os infernistas desconsideram o primeiro fator supondo que as capacidades divinas conheçam qualquer tipo de limite; já os solifideistas ignoram que o Deus encarnado Jesus Cristo identifica-se com nossos irmãos mais pequeninos; membros de seu corpo. Membros nos quais sofreu e pelos quais exerce rigorosa justiça exigindo reparação.

Antes atraia o Cristianismo as almas mais fortes que aspiravam alijar a carga da iniquidade e tomar sobre si mesmos o jugo divino do bem e da virtude... Hoje atrai apenas degenerados cuja pretensão é justificar a continuidade dos pecados...

E tendo em vista justificar tipo de vida tão infame vem logo a baila com a fraqueza da vontade; pondo de lado, sem maiores cerimônias, a tão decantada soberania da graça. Afinal se a graça é assim tão soberana a ponto de quebrar ou de violar a vontade humana porque não seria forte e soberana a ponto de capacitar o homem a prática do bem e da virtude???

Como Lutero já dizia É O MISTÉRIO DE SUA MAJESTADE ou melhor: o mistério do protestantismo e de sua incapacidade moral.

Pois se não há capacidade moral não há qualquer evidência externa a respeito da posse da graça... pelo que podemos supor que não há graça alguma mas apenas discurso...

Acaso não declara o apóstolo: Deveis ser santos em todas as vossas ações, segundo esta escrito 'Sêde santos como eu sou santo'? I Pe 1,16

Como crer ou professar então uma santidade meramente externa ou aparente???

Acaso não declara o mesmo Pedro - I Pe 1,17 -  pouco mais abaixo: 'PELAS VOSSAS OBRAS SEREIS VÓS JULGADOS'???

Então como se diz que o homem se salva sem obras ou que se salva pecando???

Muito pelo contrário a cada página deste novo e perpétuo Testamento nos deparamos com censuras e advertências, e exortações no que concerne ao pecado.

'Vai e não peques mais!'

É ordem dada pelo Mestre amado a pecadora.

Agora respondei-me como poderia ela manter-se fiel ao Mestre amado e corresponder a sua vontade caso fosse impossível ao Cristão cessar de pecar???


Teria Jesus zombado da mulher e exigido o consecução duma meta impossível???

Que Cristo mentiroso nos apresentam os homens!

No entanto seja a verdade dada por verídica mesmo que Lutero tenha de ser proclamado mentiroso.

Pois se este diz que o homem se salva em seus pecados, em sua condição ordinária ou no exercício e prática da iniquidade; Jesus diz a pecadora perdoada que lhe é necessário deixar de pecar...

Eis porque aludindo ao Nome de Jesus, o primeiro Evangelista declara:

"PORQUE ELE VEM RESGATAR O POVO DE SEUS PECADOS."  Mt 1,21

E sabemos que esta preposição não é ociosa.

Eis porque diz Aquila: 'Assim se voluntariamente pecamos APÓS TERMOS OBTIDO O CONHECIMENTO DA VERDADE, NÃO HÁ REPARAÇÃO POSSÍVEL E APENAS ESPERANÇA DE JUÍZO TERRÍVEL A SEMELHANÇA DO FOGO ABRASADOR." Hb 10,26

E acrescenta que se deve resistir ao pecado 'até o sangue' 12,4; querendo dizer com isto que é mais vantajoso abandonar a vida presente do que causar qualquer tipo de dano ou prejuízo ao semelhante.

Pedro a seu tempo assevera que: "O amor isenta de muitos pecados."

Querendo dizer com isto que aquele que ama verdadeiramente evita pecar.

João no entanto, é dentre todos o mais terminante:




  • Aquele que nele permanece não peca - I Jo 3,6
  • Se o peca não o viu nem o conhece. - Id
  • Quem comete pecado é do Diabo - I Jo 3,8
  • Todo aquele que nasceu de Deus não prática pecados - I Jo 3,9
  • Não PODE PECAR porque é nascido de Deus - Id
  • Nisto podereis saber quem é filho de Deus e quem é filho do Diabo, porque cada qual procede segundo a vontade de seu Pai.
  • Aquele que nasceu de Deus não peca. - I Jo 5,18
  • A geração divina o protege e o maligno não pode atingi-lo. - Id


E apesar disto o mesmo João fez questão de declarar:

"Quem diz não ter pecado é mentiroso."

Teria entrado ele em franca contradição???

Se aqui diz ser mentiroso quem alega estar isento de pecado enquanto mais além, e em diversos declara que o bom Cristão não peca.

Como solucionar esta aparente oposição?

Por incrível que possa parecer a solução parece-me bastante simples:

Quando diz que nenhum de nós pode alegar estar completamente isento de pecados, alude João, muito provavelmente aos pecados cometidos nos tempos da ignorância - ou da juventude - i é, antes do encontro com Cristo Jesus. E não a situação dos Cristãos após a conversão ou no tempo presente; esta incompatível com a prática do mal.

Apesar disto os contrários costumam que tanto os escritos dos apóstolos - Tg 5,16 - quanto a própria tradição litúrgica da igreja supõe a possibilidade do Cristão pecar na medida em que aludem a necessidade de confessar os pecados e de rezar impetrando o perdão divino.

Donde se infere que de algum modo continue o homem a pecar mesmo após sua conversão; e a hipótese de que se salva em seus pecados ou cometendo o mal.

Efetivamente a questão mostra-se insolúvel caso adotemos a perspectiva protestante e seus preconceitos.

Referi-mo-nos aqui a doutrina segundo a qual todos os pecados pertencem a mesma categoria sendo por assim dizer graves ou mortais. Doutrina partilhada igualmente pelos antigos estoicos para os quais não havia muita diferença entre assassinar a própria mãe e quebrar o pescoço duma galinha.

Caso admitamos que todos os pecados são absolutamente iguais só nos resta consentir que de fato o homem afasta-se de Deus a cada dia e torna  a ele novamente pelo remorso ou dor de consciência no instante seguinte... num perpétuo unir e desunir...

Eis porque se faz mister recorrer a mesma fonte a pouco citada ou seja a primeira carta de S João capítulo quinto (Vs 16)

"Caso teu irmão cometa um pecado que NÃO É PARA A MORTE; rogue por ele e ele obterá a vida. PORQUE ESTE PECADO SEU NÃO É PARA A MORTE."

Eis porque toda Igreja Católica do Oriente ao Ocidente em sua Eutáxia faz suplicar para os fiéis o perdão dos pecados.

Tendo em vista os pecados leves ou veniais que de fato podemos cometer durante o curso da vida terrestre e mortal; mesmo após termos recebido o Santo Batismo e a regeneração celestial.

Porque este tipo de pecado, que diz respeito apenas a própria conduta e não ao semelhante, é impotente para romper o vínculo da graça e por assim dizer apartar o fiel de Jesus Cristo. Eis porque se diz que não extermina ou aniquila o princípio da vida divina e espiritual que esta em nós...

Quanto ao outro tipo, categoria ou gênero de pecados vejamos no entanto o que diz o teólogo:

"SE NO ENTANTO SEU PECADO É PARA A MORTE NÃO RECOMENDO QUE ROGUE POR ELE." 

Porque a vida espiritual, uma vez aniquilada pelo pecado mortal, não pode ser recuperada por meio de intercessões ou súplicas.

Porque estes pecados são os que dizem respeito a nossa atitude face ao semelhante.

Neste caso resta apenas 'o segundo Batismo' ou a 'segunda tabua de salvação' que é o sacramento da Exomologese ou Penitência; cujo objetivo é levar o pecador arrependido a reparar as consequências daquilo que fez.

Nos tempos gloriosos dos apóstolos, mártires e padres este recurso além de ser limitado - a uma ou três vezes - era dum rigor extraordinário; tendo em vista conduzir o pecador a uma compreensão tanto mais realista a respeito dos efeitos do pecado e leva-lo a odiar verdadeiramente este princípio.

Assim a disciplina severa mantinha vivo o amor e a fraternidade mútua; impedido os santos de causarem qualquer tipo de danos uns aos outros.

Quando a penitência canônica foi convertida em simples declaração ou confissão de pecados ou em simples orações e fórmulas a serem recitadas; eclipsou-se a disciplina e esfriou o amor dando lugar a este triste e calamitoso estado de coisas; a ponto dos Cristãos praticarem o mal e o pecado sem qualquer tipo de constrangimento ou como se se tratasse de algo comum, desculpável e compreensível.

Para a mentalidade da Igreja antiga ou primitiva no entanto não era.

E sequer se imaginava a simples possibilidade da graça coabitar com o princípio do pecado.

Portanto quando nos escritos dos antigos depara-mo-nos com tais alusões ao pecado como algo presente na vida do Cristão devemos compreender que se trata ou dos 'pecados da juventude' cometidos antes da adesão a Jesus Cristo ou de pecados que 'não são para a morte' ou seja de pecados que não comprometem a união da natureza racional com seu Senhor. E não em sucessivos e contínuos pecados graves ou mortais...

Outro não era o parecer do apóstolo predileto de Lutero. O qual assim se exprime em termos bastante claros:

"Onde superabundou o pecado, super abundou a graça."

E com a graça do Deus Bom e perfeito tudo quanto é bom: a virtude, a santidade, a perfeição, as obras, etc

Veio de fato Jesus para salvar os pecadores mas não dum diabo ou apenas do castigo espiritual; veio de fato salva-los da situação de pecado. Como médico das almas veio comunicar-lhes o remédio necessário para torna-las sãs e eliminar a enfermidade... Como pedagogo divino veio comunicar-lhes a verdade que imuniza e o antidoto do amor... Como pastor espiritual veio conduzir os fiéis ao aprisco da lei eterna.









CII - O conceito de Salvação nos escritos dos Santos Apóstolos 02





Para nós ortodoxos Deus certamente fez sua parte, tomando a iniciativa e estendendo sua mão amorosa a humanidade fragilizada...

Convém que cada pessoa, que cada criatura racional, que cada ser humano estenda-lhe sua mão e faça contato com ele.

Posto em contato ou comunhão com seu Senhor o homem encontrará a força necessária para viver virtuosamente. E desta parceria da graça com a liberdade resultará a santidade ou perfeição...

Isto significa no entanto que o homem merecerá algo na medida em que propõe-se a colaborar livremente com a graça divina.

Não são pois os ortodoxos, os romanos ou os anglicanos que excluem a graça, a unidade ou a comunhão divina. Todos reconhecemos os benefícios e vantagens da união dos ser racional com seu Senhor...

Todos reconhecemos a graça ou a união com o sagrado como raiz, fonte e princípio de todo bem e de toda virtude.

São os fanáticos que excluem deliberadamente a liberdade ou a cooperação humana; tudo atribuindo a graça; até chegarem a abominável doutrina da soberania absoluta e da predestinação.

A razão dos protestantes procederem desta maneira é porque eles não podem compreender ou admitir o mérito; mesmo quando as obras são executadas após o primeiro contato com a graça (ou a justificação) eles continuam dizendo que a graça esta sendo comprada... Eles não podem aceitar ou cogitar que a salvação seja um processo decorrente da justificação e que comporte qualquer tipo de colaboração por parte da vontade livre...

Neste caso há barganha insinuam eles e a graça já não é graça...

A salvação deve ser gratuita continuam e como tal obra exclusiva de deus sem participação ou colaboração do homem.

Eis porque eles costumam a descrever o amor de Deus como incondicional e a salvação como gratuita...

Para Lutero Cristo não legisla e já não há qualquer tipo de lei divina, de exigência, de compromisso...

Não existem condições, normas, regulamentos, preceitos, leis, princípios ou valores... apenas graça obtida por uma fé que se reduz a confiança.

O 'sola gratia' exclui a livre vontade ou a colaboração humana e o 'sola fides' exclui o resultado desta colaboração ou seja as boas obras.

Em suma o homem se salva como é ou melhor como sempre foi... salva-se sendo totalmente depravado, salva-se em seus pecados, salva-se cometendo os piores crimes e atrocidades.

Porque os merecimentos de Jesus Cristo acobertam-nos... porque na mesma medida em que peca, crendo estar salvo, o sangue de Jesus responde por ele, e satisfaz a inflexível justiça divina.

Jesus sofreu as penalidades todas dos pecados para que os pecadores nada possam sofrer...

Bem se vê que neste esquema de salvação não há qualquer espaço para a ética.

E que estamos diante duma teologia imoral... cuja confecção foi atribuída ao apóstolo Paulo, logo a Jesus...

De fato Paulo ao expor os mistérios de Jesus Cristo teve de inovar e de criar por assim dizer todo um vocabulário teológico... No mais das vezes ele pode tirar algum proveito das figuras do AT ou dos Midrashes; noutras porém teve de partir do nada ou da estaca zero...

Eis porque seu aparato teológico foi classificado por Pedro como difícil, a ponto de 'SER MANIPULADO PELOS ÍMPIOS PARA A VERGONHA DELES...'

Quem queria Pedro dizer com isto senão que na idade apostólica os ensinamentos de S Paulo já sofriam abusos? Recebendo muito provavelmente uma interpretação solifideista ou Luterana??? Que Pedro encara como sendo errônea.

Fortemente impressionados face a severidade com que Paulo increpa a Lei cerimonial dos antigos judeus; acreditaram tais pessoas que Paulo estivesse increpando a lei moral e anunciando uma salvação imoral, fácil, oportunista ou seja no pecado.

Paulo no entanto precisava salientar a natureza da graça ou da comunhão divina posta em segundo plano ou ignorada por seus antigos mestre e guias... a importância da fé ou da divina Relevação.

E o fez de tal modo e com tal ênfase que houve quem acreditasse ter ele anunciado uma salvação sem obras nos termos de Lutero. Foi com o objetivo de orientar tais pessoas que S Tiago achou por bem registrar, no segundo capítulo de sua carta, que a 'Fé sem obras é morta em si mesma.' ...

Não é que Paulo tivesse ministrado tais ensinamentos. Foi no entanto mal compreendido por uns e falseado por outros tendo em vista a complexidade de seu vocabulário.

Por Pedro e Tiago somos informados de que tal não era o sentido original de suas palavras... mas interpretação falaciosa de alguns...

Como no entanto podemos ter assim tanta certeza a respeito disto???

Simples: Basta-nos ler os quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João; para percebermos de modo cabal que a versão luterana de Paulo é um autêntico fiasco; como já haviam advertido Pedro e Tiago.

Afinal no Evangelho tudo é condição ou exigência...

Basta ler as Bem aventuranças...

Dirá algum pastor que ao lermos as Bem aventuranças estamos aludindo a opções???

Opções que você poder cumprir ou não sem que isto toque a sua salvação???

Será que posso optar por ser belicoso ao invés de pacífico, de ter o coração sujo ao invés de limpo, de amar a injustiça ao invés da justiça??? E salvar-me do mesmo modo ou maneira???

Será que as bem aventuranças estão ali de enfeite ou como adorno???

Então dê razão a Lutero rasgando-as...

Temos ainda o derradeiro pronunciamento do Senhor no primeiro Evangelho, pertinente ao último dia e ao julgamento.

Estive com fome e me destes de comer, com sêde e me destes de beber, nu e me cobristes...

Será que ainda aqui estamos diante de opções neutras face a salvação???

E que posso salvar-me mesmo que tenha fechado o coração para o semelhante e o deixe morrer de fome, sede ou frio???

Então risquem também esta passagem do Evangelho de vocês.

E vão eliminando as condições e exigências que encontram a cada passo...

Só assim darão com a salvação totalmente gratuita ou incondicional  e fácil porque cobiçam.

Do contrário terão de engolir estas palavras divinas: Com paciência salvareis as vossas almas... E NÃO SOMENTE COM FÉ...

Ou será que a paciência também é opção???

Eis porque disse o divino Mestre: "Quem me ama executa OS MEUS MANDAMENTOS."

Serão opcionais estes mandamentos???

Mas se posso tanto cumpri-los como não cumpri-los por que receberam este belo nome???

Será que não é preciso fazer nada???

Ouçamos o que diz Jesus: "Aquele que escuta a minha orientação e não põe em prática é como aquele que construiu sua casa sobre solo arenoso, veio a chuva, destruiu os alicerces e a casa caiu..."

Será que posso me salvar como sou e estou? Em meus pecados???

Demos novamente a palavra a nosso Mestre amado:

"Então eles se aproximarão dele e dirão: profetizamos em teu nome e em teu nome realizamos prodígios E ELE LHES DIRÁ: APARTAI-VOS DE MIM PRATICANTES DA MALDADE..."

A cada página dos Evangelhos nos deparamos com testemunhos que evidenciam esta verdade: o Paulo de Lutero não esta de acordo com Jesus...

Nem com os demais apóstolos...

Pois Pedro declara: "Ele julga a cada qual segundo suas obras." I Pedro 1,17

& João "Se amamos a Deus cumprimos seus mandamentos." I Jo 5,2

& Aquila: "Deus jamais esquecerá o memorial das vossas obras." Hb 6,10

& o livro da Revelação: "Abençoados os que adormecem no Senhor repousam de seus trabalhos E SUAS OBRAS OS ACOMPANHAM."

Por fim o Paulo de Lutero não esta de acordo nem consigo mesmo...

Segundo podemos inferir da leitura de sua carta a Igreja de Corinto: "Por hora restam três virtudes: a fé, a esperança e a caridade NO ENTANTO A VIRTUDE SUPREMA É A CARIDADE."

E não a fé...

Pois 'Deus é amor' e não fé...

E disse 'Nisto vos terão por meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.' e não pelo simples fato de crerem...

E noutra parte o 'abortivo' explicita a que tipo de fé se refere: "Salvos sois pela fé QUE OPERA PELA CARIDADE." Gl 5,6

E sentencia: "Sejam estimulados em toda BOA OBRA..." II Tess 2,17

E noutro passo: "Que assim se apliquem as boas obras." Tt 3,8

Pois aquele que vive pecando (refere na mesma carta): "Professa com a boca... MAS NEGA-O COM AS OBRAS." 1,16

Assim convém ao Cristão: "Repudiar todas as obras das trevas..." Rm  13,12

E estar cônscio de que "Aqueles que de Cristo vivem CRUCIFICARAM A PRÓPRIA CARNE E TODA INIQUIDADE, VÍCIOS E CONCUPISCÊNCIAS... e assim não vivem segundo as obras manifestas da carne... MAS PRODUZEM FRUTOS NO ESPÍRITO." Gl  5,19 sgs

Segundo a semente tenha da graça tenha caído na terra fértil da boa vontade.

Assim, em comunhão com ela: "Produzirá frutos cem por um, sessenta por um e trinta por um."

Assim, declara o mesmo Paulo, não há liberdade para praticar a maldade ou contra o mandamento do amor, que resume em si toda lei divina. Gal 5, 14

Contra este mandamento sagrado e Cristão não há apelo possível a liberdade.

Percebamos então que o ensino de Paulo a respeito da ética, da virtude, das boas obras, da santidade, da perfeição, etc ESTA DE PLENO ACORDO COM O ENSINO DOS DEMAIS APÓSTOLOS E DE JESUS CRISTO.

Toma possa o homem da graça de Deus e é elevado por ela COM O OBJETIVO DE FRUTIFICAR EM BOAS OBRAS.

Portanto SE 'não é justificado por obras'; mas apenas pelo encontro com o Verbo Jesus; é justificado para as obras: PARA O BEM, PARA A VIRTUDE, PARA A SANTIDADE...

De modo que a união com Cristo, sendo fecunda, capacita-o a cumprir plenamente a vontade de Deus em sua vida.

E como a justificação é apenas o primeiro passo dado no processo de salvação através do qual a graça interage com a vontade humana; segue-se que a salvação ou seja a conservação/manutenção e ampliação da graça divina; concretiza-se pelo cumprimento da vontade de Deus, pela observância da lei de Nosso Senhor Jesus Cristo e pela execução de Santas e boas obras.

Assim já sabemos porque aquele que enterra o bom 'talento' que lhe foi entregue por Cristo, AO INVÉS DE FAZE-LO MULTIPLICA-LO E RENDER POR MEIO DAS OBRAS; perde-lo-a. Porque a graça não foi comunicada para ampliar o domínio do mal e do pecado mas para capacitar o 'homem novo' refeito a imagem do Verbo; a triunfar da maldade e vencer o pecado.

Não se trata de elemento moralmente neutro ou passivo; mas de elemento ativo, dinâmico e capaz de auxiliar o homem na verdadeira obra de reforma que é a reforma da vida.

Eis porque deve o Cristão conformar-se a imagem de Cristo, assimilar sua conduta, imitar seus exemplos e toma-lo como modelo de perfeição; segundo ele mesmo decretou: "Sêde perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito."

Ora Deus não exerce pecado.

Assim: "O que vive de Deus não deve pecar!"

Mas viver de Deus pela obediência, pela submissão e pela reverência.

Pois a árvore boa produz bons frutos e a árvore má maus frutos; cada uma conforme sua condição.

E não pode a árvore boa deitar maus frutos ou a árvore má deitar bons frutos; segundo a palavra do Senhor.

Assim os Filhos de Deus vivem segundo a vida de Deus executando obras de luz.

Conforme suplicam na Grande Oração eles se tornam aptos a santificar o nome de Deus, o Pai, em suas vidas, dando bom testemunho da graça.

Já os filhos da maldade; membros da geração ímpia procedem segundo as já aludidas obras das carne; mesmo quando declaram-se salvos ou predestinados.

Pois suas obras más manifestam que não estão em Cristo e que são mentirosos.

E se dizem que não podem cair; devemos saber que é porque já caíram e jamais estiveram em Cristo. Estavam - nominalmente - entre nós mas não era dos nossos. E por que???

Porque suas obras eram iniquas e indignas da 'Verdade que liberta'. Porque a vontade deles permanece escravizada e preza ao padrão do mau exemplo, legado pelas antigas gerações e prevalecente neste nosso mundo.

O apóstolo no entanto disse: "Aquele que de Deus nasce vence o mundo."

'E nem os mandamentos são penosos para ele.'

Porque ama verdadeiramente o Pai do céu que o resgatou e deseja vive segundo a vontade deste bom Pai.

Então nós não compramos a salvação nem barganhamos com Deus.

Mas merece-mo-la certamente porque executamos a sua santa vontade e tomamos como padrão de moralidade.

E merece-mo-la porque ele, decretando exigências e condições, dispôs que cumpríssemos livremente com tais exigências e condições.

Quisesse Deus que a graça por ser assim tão gratuita fosse estéril, incondicional, desbragadamente livre e compatível com o exercício do pecado... teríamos um Evangelho fácil sem cruz, senda estreita, límites, normas, regulamentos, leis, etc Tal evangelho no entanto não existe!!!

Pois seu fundamento mais remoto é uma determinação: Amai-vos uns aos outros e não uma opção.

Efetivamente os protestantes tem a louca pretensão de acertar entre eles e Cristo a questão da salvação; excluindo por conta e risco todas as condições e exigências...

Lamentavelmente, como não disponibilizaram a graça... não lhes compete ou a quem quer que seja, determinar como deva ser sua fruição.

Tendo Nosso Senhor assumido a humana natureza e condição com o intuito de manifestar sua divina graça é certamente a ele que cabe o direito de determinar como devemos proceder para fazer juz a ela ou obte-la; bem como o uso que dela devamos fazer. Ele tomou a iniciativa ele dispõe... e nós, como contemplados que somos, acatamos.

A simples leitura do Evangelho - tão alardeada pelos protestantes - basta a criatura racional para que compreenda que a graça da união com Deus não é fim último que se esgota em si mesmo; mas meio ou instrumental disposto para que o homem viva conforme a vontade de Deus. Assim se a fé foi disposta para a graça, a graça foi disposta para a caridade ou a virtude recebendo dela sua forma e vida.

Como o combustível dispõe o automóvel ao movimento, a graça dispõe a criatura racional a execução da virtude e a uma vida verdadeiramente santa; segundo o eterno propósito e vontade do Deus Santo e Bom.

Então vemos que a graça de Cristo não é graça frágil e aparente disposta para a derrota; mas graça hábil e prestimosa para tudo quanto seja nobre, louvável e bom.

Não é graça fiducial, externa e vicária; mas graça real que atua na alma do homem como a energia elétrica nos aparelhos... capacitando-os a realizarem suas vocações.










sexta-feira, 19 de abril de 2013

CI - O conceito de Salvação nos escritos dos Santos Apóstolos 01






Há muito foi o Cristianismo definido como uma religião de salvação.

É necessário todavia saber com exatidão de que Jesus salvar-nos veio.

Porque os homens mortais tem apresentado diversas teorias de salvação.

Uns uma salvação exagerada de entidades, seres e castigos que na realidade não existem e outros apenas uma meia salvação, que de forma alguma corresponde ao propósito de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Alguns tem crido e professado que Jesus nos veio salvar dos problemas e vicissitudes da vida presente e de fato grande número de romanos e ortodoxos para não falarmos nos nossos protestantes acreditam que o principal ofício de Nosso Senhor é interferir no plano físico ou material, quebrar as leis da natureza e realizar inesgotáveis sinais e prodígios em nosso favor como seja tirar as bicheiras do gado, curar frieiras, localizar objetos perdidos, etc

Trata-se dum padrão religioso bastante comum em nossos dias. E muito bom cristão pensa que é assim mesmo e que o fim de nossas religiosidade esta aqui mesmo na terra.

Fosse assim em que seriamos superiores aos hotetontes, bosquímanos, sioux, etc enfim aos povos primitivos? Comungando do mesmo fetichismo e partilhando da mesma ingenuidade em que se destacaria da deles a espiritualidade por nós cultivada???

A religião popular, mantida pelas massas incultas é mesmo assim: folclórica; e doutro modo não poderia ser.

Temo no entanto que não corresponda a sublimidade do nosso Evangelho palavra sempre viva de Jesus.

Temo que o padrão religioso do Evangelho seja bem outro e que sua meta esteja noutro 'lugar'.

Pois aqueles que lhe pediam sinais, prodígios, milagres, pão e peixe disse ele: 'Ainda não pedistes o essencial: o Espírito Santo.'

Parece que foi justamente para isto que o Verbo se manifestou: para que pudéssemos adquirir plena comunhão com o sagrado ou como se diz vida em plenitude, vida em abundância, vida espiritual...

Naturalmente que a vida do corpo precisa de pão e que o homem deve lutar por ele; não no entanto com orações e preces, mas com os meios ordinários que lhe foram dispostos pela natureza.

Daí dizer o apóstolo: 'De nada adianta dizer aqueles que carecem de comida e vestimenta: irei e rezarei por vós...'

Eis porque outros, um pouco mais esclarecidos postulam outro tipo de salvação, tanto mais espiritualizada, postulando que o Senhor veio salvar o homem do pecado.

A nós nos parece que estes leem muito bem o Evangelho.

Pois o Salvador assim se exprimiu; logo depois de ter aludido ao jugo do pecado: 'Se o Filho vos libertar sois verdadeiramente libertos.'

A maioria destas pessoas no entanto, estando mal orientada, acredita que os pecados são cometidos por sugestão duma entidade maléfica a que chamam diabo, demônio ou Satanás e asseguram que Jesus vindo salvar o homem do pecado, veio preserva-lo da influência de Satanás ou salva-lo dele.

E como aquele que peca e pertence ao Diabo esta disposto a uma situação de punição espiritual - que muitos asseveram ser perpétua -  após a morte, a maior parte das pessoas também acredita que Jesus veio salva-las da punição ou do inferno.

Temos pois diante de nós três espécies ou tipos de salvações, a princípio concomitantes: do pecado, do diabo e do inferno.

Afortunadamente a mentalidade Ortodoxa sempre se manteve fixa no primeiro item, anunciando a salvação do pecado.

Os latinos no entanto oscilaram.

Os romanos por exemplo; contaminados pela superstição do diabolismo, multiplicaram os exorcismos e apresentaram nosso Cristianismo como uma salvação do Diabo... tradição que tem sido mantida atualmente pelos pentecostais...

Para os quais a 'salvação' da-se comumente sob a forma de um exorcismo...

Também a salvação das 'penas eternas' foi salientada com demasiada insistência pelos pregadores latinos. De acordo com esta perspectiva não menos supersticiosa e funesta Jesus teria se manifestado com o intuito de anular as penalidades espirituais e apagar as 'chamas' do tal inferno... acolhendo tantos quantos apelassem a seu sangue, suas chagas, etc

Assim percebemos já que tudo tinha mesmo de dar onde deu e que os latinos mais cedo ou mais tarde perderiam completamente de vista o cárater integral e sobretudo ético da salvação enquanto salvação do mal e do pecado ou salvação para a virtude.

E embora Lutero tenha sido o primeiro a arvorar esta 'meia salvação' ou 'salvação incompleta' como dogma de fé; veremos que se trata dum perigo que acompanha a Cristandade desde a Idade apostólica.

Para quem não esta suficientemente bem informado Lutero aboliu o primeiro item da lista, sustentando muito seriamente que o homem jamais poderia ser salvo do pecado.

Era pois o homem salvo do Diabo e do Inferno EM SEUS PECADOS.

Por mais que a teologia papista estivesse já podre e carcomida a pregação de Lutero não pode deixar de produzir um arrepio de horror nas almas piedosas e de produzir um verdadeiro 'choque'. Choque que calou profundamente no fundo da consciência Cristã provocando um tumulto tão estrondoso que estende-se até nossos dias...

Basta dizer que até seus dias poucos haviam se atrevido a postular uma salvação no pecado. O máximo que ousavam dizer - sempre influenciados por Agostinho - é que a restauração divina não excluía a permanência de certa debilidade ou fraqueza nos santos, a qual possibilitava eventuais 'quedas' ou reincidências por parte dos restaurados... Disto porém não se passava.

Então podemos dizer que a primeira brecha no Evangelho foi aberta pelo santo Bispo de Hipona ao declarar que a restauração ou a cura operada pelo verbo era frágil e não efetiva. Esta brecha foi alargada mil anos depois pelo reformador saxão ao declarar que a restauração era meramente vicária, superficial ou aparente; jamais atingindo o interior do homem enquanto vida.

Primeiramente as exigência do Evangelho foram amenizadas e o mistério sagrado da Penitência corrompido; posteriormente as exigências do Evangelho foram explicitamente negadas, a lei de Jesus Cristo repudiada e até mesmo o nome da penitência riscado e apago... Sendo tudo tudo creditado na conta da fé.

Ora nós devemos, a luz dos Evangelhos e do novo Testamento, buscar compreender como tais transformações foram acontecendo e como o mistério da restauração foi sendo paulatinamente descaracterizado pelos homens mortais.




B - Lutero, Paulo e Paulinismo


Para começo de conversa vamos já informando o amigo leitor que a nova espécie de Salvação esta relacionada com uma super valorização dos escritos do Apóstolo Paulo - a que denominamos 'paulinismo' - e a uma má compreensão ou incompreensão no que diz respeito ao significado dos mesmos.

O que não devemos atribuir a iniciativa de Lutero.

Então fique bem claro que por Paulinismo não compreendemos qualquer tipo de contradição - doutrinal ou dogmática - entre o pensamento de Paulo e o de Jesus (existem diversas contradições sim; mas apenas no plano da ética ou da moral e não no âmbito credal) ou entre o ensino de Paulo e dos demais apóstolos. Por 'paulinismo' compreendemos como já foi dito a concessão duma certa primazia doutrinal - por parte dos Cristãos mal orientados - aos escritos de Paulo e um entendimento inexato a respeito do que Paulo costumava ensinar.

E embora saibamos que erros tão lamentáveis tenham sido apresentados como fundamentos doutrinários por iniciativa de Martinho Lutero; convém sabermos que não foram concebidos unicamente por ele e que tampouco foi ele o primeiro a acalenta-los.

Antes de tudo gostaríamos de deixar bem claro a nossos antagonistas, os sectários; sejam luteranos, calvinistas, paulinistas, etc que somos Cristãos, e que sendo Cristãos temos por referencial a figura de Jesus Cristo e suas palavras registradas nos quatro Evangelhos e que para nós esta distinção entre a palavra do Verbo Jesus e do apóstolo e servo Paulo é crucial.

Nosso principio coordenador, que dá significado e interpretação a todas as passagens da Escritura não são a Epístolas paulinas mas os quatro Evangelhos.

Nossa base ou fundamento não é o 'corpus paulinum' mas o Evangelho.

Nosso Senhor, legislador e Mestre não é Paulo; mas Cristo.

Portanto nós não cremos que o anúncio de Jesus precise ser esclarecido por qualquer outro anúncio; antes julgamos que a pena apostólica deva ser julgada pela pena evangélica.

Nosso padrão de ortodoxia é Jesus Cristo e nosso supremo e último critério suas palavras. 

Então nós não situamos os escritos do Verbo Encarnado e os escritos de seu apóstolo no mesmo plano supondo que gozem do mesmo grau de nitidez ou clareza. Nós não acreditamos que Jesus e Paulo tenham se exprimido com o mesmo nível de exatidão.

Embora os ensinamentos sejam idênticos a reverência nos obriga a reconhecer que o modo de se expressar do Salvador seja mais claro ou superior.

A doutrina é a mesma; mas o modo como é exposta não. E nós cremos que aqui Jesus leva vantagem.

Não admitimos pois que Paulo explique, esclareça ou elucide a palavra de Jesus Cristo; pois isto nos obrigaria a admitir que Paulo é tanto mais excelente ou que seja o Mestre do Mestre...

Eis porque julgamos que Lutero e seus protestantes coloquem o carro diante dos bois... e que tenham invertido e subvertido a economia dos testemunhos.

Nós vamos de Paulo ao Evangelho para que suas palavras e ensinamentos sejam provados e não do Evangelho a Paulo...

A este erro que é tão grave os protestantes associam um outro que consiste em ignorar qual seja o cárater dos escritos paulinos e a forma ou modo porque devem ser analisados.

Quanto ao cárater dos escritos paulinos julgam os protestantes, como fazem alias com todas Escritura - até mesmo com os registros do testamento velho e abolido - que seja de fácil compreensão até mesmo para aqueles que mal sabem soletrar as palavras... Esta é a opinião humana e falível dos protestantes a qual vivem a repetir como se fosse uma ladainha.

Vejamos no entanto o que declara a 'tão estimada' palavra pura de Deus:

"COMO NOSSO IRMÃO PAULO VOS ESCREVEU, conforme o entendimento que lhe foi comunicado, como EM TODAS AS SUAS CARTAS NAS QUAIS HÁ COISAS DIFÍCEIS DE SE COMPREENDER." II Pedro  3,15 sgs

Seja pois Deus verdadeiro e os pastores protestantes mentirosos.

Pois o que declaram ser tão fácil a ponto de ser compreendido por um analfabeto ou por uma criança; um dos apóstolos de Jesus declara ser de difícil compreensão.

A simples leitura desta passagem deveria ter acautelado Lutero e outros para que evitassem edificar sistemas  fundamentados unicamente nas palavras do apóstolo Paulo. Eles no entanto não levaram tal oráculo em consideração...

Basta dizer que jamais houve qualquer esforço da parte deles para que as palavras de Paulo fossem examinadas face as palavras dos demais apóstolos; digo de Pedro, Tiago, João e Judas cujas epístolas também fazem parte do Novo Testamento e expõe os mistérios divinos. Grosso modo os protestantes abastecem seu arsenal nas epístolas de S Paulo e ignoram supinamente o testemunho de Tiago, de Pedro, de João, de Judas...  

É como se existisse um apóstolo apenas: Paulo... e suas epístolas.

Há no entanto vício ainda pior em termos de exegese protestante.

Aludimos aqui ao escandaloso recorte feito por Lutero no epistolário paulino.

Pois Paulo não escreveu menos do que treze cartas. (Hebreus não foi escrita por ele mas pelo alexandrino Aquila)

Era de se supor que Lutero tivesse queimado suas pestanas durante longos anos examinando detalhadamente o conjunto do 'corpus paulinum' de modo a absorver ou assimilar o conceito paulino de salvação. Ao menos tivesse ele, Lutero, assegurado que assim procedeu, e ao menos poderíamos conceder-lhe o privilégio da boa vontade...

Queremos dizer com isto que para obtermos uma ideia mais ou menos exata do pensamento paulino a respeito de qualquer ponto doutrinário deveríamos analisar cada uma de suas cartas e comparar umas com as outras... ao invés de nos concentrarmos unicamente nesta ou naquela carta, nesta ou naquela passagem, neste ou naquele verso. Sob pena de compreendermos parcial e distorcidamente o pensamento do santo homem.

Foi exatamente isto o que Lutero fez; pois como registra Dale Owen na 'Região em litígio...':  'Lutero só tinha olhos para alguns capítulos da carta de Paulo aos romanos e todo seu sistema foi elaborado com base na leitura desta epístola sem considerar os demais escritos do apóstolos, dos demais apóstolos ou do próprio Jesus. Para Lutero ali estava a medula ou quintessencia do Evangelho em meia dúzia de passagens desta carta...'

O próprio Lutero registrou em diversas ocasiões que 'deu com a verdade' ignorada por todos ao ler um determinado verso desta epístola. E sobre este e mais outro verso elaborou seus sistema...

Não é possível imaginar fundamento mais frágil...

Pois sendo o NT constituído por mais de duas dúzias de registros e tendo Paulo escrito uma dúzia deles; Lutero e seus filhos concentraram-se apenas em algumas passagens duma única carta, a saber romanos, o 'evangelho' deles. Importa perguntar: e as duas cartas aos Corintios, e a carta aos Gálatas e as três pastorais dirigidas a Timóteo e a Tito que é feito delas???

Aqui os protestantes limitam-se a catar alguns fragmentos e a garimpar algo tendo em vista 'confirmar' aquilo que julgaram encontrar no 'novo evangelho' ou seja em romanos. Jamais vão além ou exercem estudo mais aprofundado; pois Gálatas sobretudo, bem como as pastorais, contem testemunhos suficientes com que minar e sacudir pela base o edifício que creem ser divino.


Concluímos este estudo inferindo duas coisas:

  1. A teologia protestante peca por estribar-se prioritariamente no testemunho de Paulo e não no de Jesus
  2. A teologia protestante peca por não considerar os escritos do Novo Testamento ou mesmo os Escritos de Paulo em seu conjunto.
E partindo destes pressupostos anuncia um tipo de salvação totalmente diverso daquele que foi proposto aos homens por Nosso Senhor Jesus Cristo e seus abençoados apóstolos.






sexta-feira, 15 de março de 2013

LIII - Pondo o dedo na ferida





Dissera Jesus que jamais haveria de abolir o Decalogo e que este haveria de subsistir para sempre.

E no entanto pouco mais adiante declara: "Foi dito aos antigos 'Não mataras' e quem matar será réu de assassinato. EU PORÉM VOS DIGO - Quem odeia seu irmão será réu de juízo.'

Suprimira Jesus aquilo que pouco antes dissera não desejar suprimir?

Se por abolir, cancelar ou suprimir; consideramos o ato negativo de destruir não percebemos que Jesus tenha abolido qualquer coisa.

Altera sim, mas não abole, não suprime, nem cancela.

Imaginemos uma construção bastante antiga, a qual em função do tempo tem seus pisos e fundamentos enterrados e ocultos; novo proprietário a adquire e desenterra o piso original trazendo a luz dos fundamentos, podemos dizer que ele a demoliu???

É exatamente o que faz Jesus; ele não anula nem suaviza o teor dos mandamentos; antes amplia e aprofunda visando atingir o principio mesmo do pecado que é a natureza, a consciência ou como já foi dito a intencionalidade humana.

E assim identifica e condena ele não só o efeito ou a manifestação que é o pecado enunciado por Moisés; mas o sentimento do ódio que é a fonte e raiz do assassinato.

Eliminando a causa que é o sentimento do ódio arraigado no coração do homem, pretende Jesus eliminar o efeito que é o homicidio.




Dissera Moisés: Não adulteraras!

Jesus no entanto diz: "Aquele que imagina adulterar já adulterou..."

Porque o principio de todo pecado é a imaginação.

Assim se consentes em adulterar na tua mente porque não haverias de adulterar também na prática?

Por outro lado aquele que aborrece o adultério até mesmo no interior da mente, como haveria de comete-lo materialmente?

Se com toda naturalidade encaras a situação hipotética de adultério, a que título deixaras de executa-lo?

Pois o adultério consumado é simples manifestação do adultério concebido e acalentado.

Eis porque deve o homem virtuoso policiar a mente, a fantasia e a imaginação.

Pondo freio a imaginação jamais chegará ao ato.

Fantasiando desbragadamente ensaia já o primeiro passo para o delito...

Assim Jesus aludindo a contemplação interior atinge a fonte e raiz do adultério e da infidelidade.




Dissera Moisés: "Não darás falso testemunho e em falso não juraras... eu porém vos digo de modo algum deveis jurar; mas declarar a verdade com simplicidade."

Aqui a sabedoria chega as culminâncias da sublimidade.

É necessário evitar a todo custo a prática do juramento e limitar-se a declarar sim ou não.

Tomando por testemunho a própria consciência e não Deus.

Pois antes de tudo deve o homem ser fiel a si mesmo.

E como tal declarar a verdade.

Quando o homem que jura recorre ao testemunho externo de Deus procede de modo inadequado manchando sua consciência.

Pois implica dizer: indigno sou de crédito, desonesto e mentiroso quando falo por mim mesmo sem aludir a divindade.

No entanto o que este homem deve temer não é Deus ou seus imaginários castigos e punições, mas a mentira e suas consequências.

Aquele que não teme manchar a consciência e profanar a verdade, acaso hesitara em afrontar a divindade?

Não respeitando a imagem de Deus como haverá de respeitar o protótipo?

Como saberá honrar a Deus aquele que é incapaz de honrar a si mesmo?

Agora se sabe honrar a si mesmo porque precisa recorrer a fórmulas mágicas de juramentos???

Não deve o homem tomar a Deus por testemunho de suas ações mas seu cárater e sua consciência apenas.

Não deve recorrer a qualquer entidade exterior, nem mesmo a Deus, tendo em vista o exercício da honestidade.

Não deve alimentar o temor supersticioso da plebe, mas declarar com simplicidade tudo quanto sabe ou silenciar.

O que passa disto - ou seja o ato de jurar - procede do maligno.

Pois quando alguém percebe que os demais acreditam em suas mentiras graças ao nome de Cristo, habitua-se a mentir e enganar em nome do mesmo Cristo e Cristo torna-se fiador da mentira por meio do juramento.

E converte-se a prática dos juramentos em estimulo a mentira.




Nós três casos acima citados poz o Salvador o dedo na ferida indo ao fundo da chaga como que para extrair a matéria purulenta e restabelecer a plena sanidade.








sábado, 18 de abril de 2009

Tratado I - Exposição ao Símbolo - Pelo Profo Dr Domingos Pardal Braz, lente de filosofia.





Exposição ao Símbolo de Fé - Pelo Profo Domingos Pardal Braz, Lente de Filosofia, História e Sociologia.

Parte I - Introdução: Que é crer?



Como instituição divina que é, a Igreja Ortodoxa, Santa e Católica revindica para si mesma não apenas o direito, mas o dever de expor a sua clientela qual seja a autêntica fé comunicada 'Uma única vez aos Santos pelo Verbo encarnado Jesus Cristo.'
Ao contrário das seitas produzidas pela ação do homem ela não estimula seus fiéis a catar as verdades que sejam capazes de encontrar num livro ou a buscar migalhas. Por meio do raciocínio ou da técnica exegética o homem jamais conseguiria 'extrair' por assim dizer, a Revelação divina. Por meio da especulação ou da hermenêutica não lograriam obter qualquer luz sobrenatural. Por via natural não teriam como substituir a auto comunicação de Deus. Enfim, jamais ultrapassariam 'interpretação' individual, subjetiva e contraditória.
 
Daí Tertuliano assim exprimir-se: "Jesus não diz: Teu conhecimento bíblico ou tua perícia escriturística te salvou, mas TUA FÉ TE SALVOU." 

Tampouco ela, a Igreja, procura, busca ou investiga qualquer coisa, mas oferece aquilo que recebeu do Verbo. Pois o Verbo que tudo ouviu no seio do Pai tudo comunicou a Igreja, e por isso disse: Ide e ensinai a toda criatura... Tal a autoridade da Igreja que aquele que recusar-se a ouvi-la, deve ser tido em conta de pagão ou publicado. "A fé vem pelo ouvir." declara S Paulo.
Pelo ouvir a mensagem transmitida pela Igreja: Quem vos ouve a mim ouve e quem vos despreza a mim despreza, diz o Senhor! Não pelo examinar ou ler.
Comissionada pelo Verbo divino a igreja comunica a seus filhos tudo quanto lhe foi entregue por ele e instrue-os em toda verdade. Fiel a seu ofício, antes de batizar os povos, em nome da Excelsa Trindade, a mãe igreja ensina-os a respeito do quanto devemos crer e nos faz conhecer os elementos da fé.


E foi justamente para que melhor pudéssemos conhecer tais elementos que acabou dispondo-os sob a forma de artigos sequenciados num AMANA ou símbolo, o qual principiou a ser redigido pelos Mestres e Doutores congregados no primeiro Concílio Geral. Reunido em Niceia no ano 325 desta Era.

Sua forma no entanto só foi completada no segundo Concílio Geral, congregado em Constantinopla, sob Teodósio em 381. Ocasião em que os Santos padres exclamaram: 'Tal a fé de Teodoro, tal nossa fé.' referindo-se ao redator da fórmula definitiva: S Teodoro de Mopsuéstia, o expositor por excelência.
Este segundo Concílio fora presidido por Gregório, o teólogo; Melécio, Timóteo, Emanuel e Nectários tendo por objeto a condenação de Macedônio e de tantos quantos negavam a personalidade e divindade do Espírito Santo, professando o diteísmo.

O primeiro Concílio, presidido por Mar Eusébio, Skander e Oséias de Córdoba, sob Constantino César, teve por objeto a condenação do presbítero alexandrino Ario e de tantos quantos negavam a divindade de Jesus, professando o unitarismo ou arianismo, como passou a ser chamado.


A propósito, é sempre bom insistir que Constantino, apresentando-se como ignorante em matéria de fé, nada propôs ou decretou, protestou respeitar a autonomia dos Bispos e solicitou que eles expusessem clara e publicamente qual era a fé sempre professada pela Igreja, desde os tempos apostólicos.

O concílio não produziu um novo dogma ou tomou posse de uma nova verdade até então ignorada. Sua função foi externa, exprimir publicamente qual fosse a fé Cristã e Católica face ao Império, e expressa-la de modo claro e inquívoco uma vez que os arianos usavam-se da imprecisão ou da variedade linguística e cultural com que a fé era expressa para sabota-la. Diante disto os Padres, de 325 a 787 i é do primeiro ao sexto Concílio geral, debruçam-se sobre a Filosofia Grega com o objetivo de produzir um vocabulário técnico ou teológico capaz de conferir a profissão da fé uma exatidão o quanto possível absoluta,eliminando as controvérsias.

Conjuntamente foi esta fórmula ou Credo aprovado por quatrocentos e sessenta e oito padres; os trezentos e dezoito de Nicéia mais os cento e cinquenta de Constantinopla.
CREIO


Crer implica admitir a existência de algo que não se conhece por experiência, que não se toca, que não se ouve, que não se vê, que não pode ser apreendido ou captado pelos sentidos e tampouco ser deduzido por via racional.

Logo de algo que esta para além de nossa percepção e do próprio raciocínio, não por ser irracional ou formalmente contraditório mas simplesmente por não ser acessível. Jamais poderíamos saber que há uma Trindade caso sua existência não nos fosse revelada. Neste sentido cada elemento do Credo Cristão é, ao menos em, parte supra racional.

Podemos assim especular sobre a necessidade da ressurreição dos corpos, mas de modo algum assegurar sua necessidade absoluta do ponto de vista da natureza. Segundo alguns - Aristóteles inclusive - mesmo a doutrina da imortalidade da alma, demanda ser imposta por uma autoridade divina e transcendente para ser tida em conta de absolutamente certa. Já Platão acredita ser possível demonstra-la ou deduzi-la a partir da natureza e nós nos inclinamos por Platão. Seja como for a Revelação tende a lança uma luz mais profunda sobre ela e sobre seu fim último.

Com efeito, a certeza absoluta a respeito da realidade dos elementos da fé não procede da razão, embora esta possa propô-los e discuti-los a seu modo, mas da fé ou de Deus Revelador. É um tipo de saber comunicado pela autoridade externa e divina.

Assim embora não as conheçamos com certeza absoluta por parte da natureza, professamos tais verdades enquanto comunicadas por aquele que não pode enganar-se nem enganar-nos: O verbo encarnado Jesus Cristo. Tal a fonte de nossa fé.

Descrita pelo grande catequista alexandrino (Apolo) nos seguintes termos: "Certeza a respeito daquilo que não se vê." Hb 11,1 Do que não se vê por ser invisível. Do que não se vê por ter acontecido. Do que não se vê por ainda não se ter sucedido.

Crer é de alguma forma apostar na existência de algo que não podemos conhecer ou saber por via natural.

Não se trata de opinar ou de assentir parcialmente como quem duvida. Pois a fé não admite hesitação ou reserva. Cremos ou não cremos e não há meia fé.

Cremos porque existem evidências de justificam nossa adesão, mas não podemos demonstra-lo em termos empírico racionais. Pois essa evidências são de caráter histórico/profético e não de caráter metafísico.

Embora não seja demonstrável a fé não deixa de ser uma certeza. Certeza a que chegamos primeiramente por via da História, da profecia e subsequentemente da autoridade.

Podemos portanto defini-la como uma resposta dada pelo homem ao chamado do Deus que se revela. Aquele crê assente ou crê dá uma resposta positiva e aquele que não vê motivos para crer dá uma resposta negativa.

E como a matéria desta comunicação é formada por afirmações concernentes a Deus, do passado e do mundo futuro não podemos deixar de defini-la fé como um assentimento intelectual.

Na medida em que implica juízos formulados pelo intelecto. Seja quanto os fundamentos histórico/proféticos da fé ou quanto ao conteúdo da própria fé, pelo simples fato da fé corresponder a uma demanda pelo conhecimento ou por um tipo de conhecimento, que se exprime sempre de modo racional e inteligível.

Assim a credibilidade do Revelador Jesus Cristo.

Não é o conteúdo da fé Católica que examinamos e julgamos mas a autoridade de seu 'fiador' Jesus Cristo.

Crer é admitir ou acolher aquilo que Deus, o Deus Encarnado, certifica a respeito de si mesmo, da destinação final dos seres humanos e da vida espiritual. Crer é recebe o testemunho que Deus nos dá a respeito de si mesmo, de nossa condição mortal e do além túmulo.

Assim aquele que crê não crê porque crê, mas porque julga ter motivos plausíveis para faze-lo.

Aceita a fé da Igreja porque chegou a conclusão de que a personalidade de Jesus Cristo é real, relevante e enigmática. Crê compelido pela figura de Jesus Cristo, por ter concluído que ele é bem mais que um mero homem. Por admitir que quando Jesus Cristo fala sobre Deus fala com propriedade ou por experiência. Por ser compelido por vaticínios, profecias ou oráculos inexplicáveis do ponto de vista da natureza, mesmo em termos parapsicológicos.

Agora qual é o objeto desta fé?

Aquilo que não se vê. 

Assim o que é oculto, invisível, imaterial, espiritual e não o que é terreno, físico, material, visível, manifesto, natural, PRESENTE...

Assim Física, Química, Biologia, História, Geografia, Psicologia, Sociologia, Filosofia e tudo quanto possa ser apreendido pela natureza em termos de percepção ou demonstração racional não faz parte do conteúdo da fé. A fé Ortodoxa não diretamente totalitária e sufocante como o fundamentalismo, seja ele Bíblico ou corânico; assume seus limites e não invade os terrenos da Ciência e da Filosofia.
Assim a existência de Deus, sendo racionalmente demonstrável ou dedutível pertence a Filosofia e não a religião Cristã. A metafísica e não a fé. A teodicéia e não a teologia.

Eis porque é absolutamente impossível que a fé Cristã - ao contrário da fé judaica - conflite com a ciência. DIGO E REPITO ISTO PORQUE DEVEMOS FIXA-LO MUITO BEM, sob pena de sermos enganados pelos sectários e pelos falsos profetas.

Agora por que a nossa fé Ortodoxa não conflita com a Ciência???


Não pode com ela conflitar porque seu terreno não é o da natureza física e porque não diz respeito a criação do mundo, a forma da terra, a origem dos seres humanos, a organização social, etc Os fariseus, escribas e rabinos dogmatizaram a respeito de tudo isto, fundamentando-se em mitos e fábulas tomados aos pagãos antigos pagãos; não o Cristo, o qual jamais apresentou-se como professor de Filosofia, Sociologia, Psicologia, Física, Química, Biologia, etc e que jamais abordou tais temas e sua pregação, tendo concentrando seus discursos em torno das coisas que não podiam nem podem ser vistas ou apreendidas pelos sentidos.

Assim sendo não pode o Criacionismo fazer parte de nossa fé Santa e Católica. Após o surgimento do padrão científico de pensamento não se justifica que qualquer religião pretenda explicar como a terra veio a existir. É algo inútil, excusado... Fiquem com ele os sectários e judaizantes. Satisfaçam-se os filhos da Igreja com as lições do Evangelho e assim com os mistérios legitimamente Cristãos e invisíveis da Trindade, das Naturezas do Cristo, dos Sacramentos, da Eucarística, da Ressurreição dos mortos, da vida eterna...

Afinal apenas o que não pode ser conhecido ou o que não é acessível pode ser propriamente revelado, suprindo a divina Revelação nossa ignorância invencível.

Revelar ou tornar manifesto aquilo que esta no acesso dos sentidos ou da razão seria trabalho ocioso da parte de Deus.

Resta-nos insistir sobre a aquisição da certeza a respeito do quanto não vemos ou do quanto não pode ser naturalmente demonstrável, no sentido de não dever ser compreendida em termos de irracionalidade. Inacesecibilidade sim, até que nos submetamos a autoridade de Jesus Cristo. Contradição de termos não.

De modo que cada um dos artigos de fé ou dogmas divinamente relevados faz sentido, podendo ser racionalmente compreendido e em certo sentido esgotado. A única ressalva a ser feita diz respeito ao Mistério inefável da Santíssima e Excelsa Trindade quanto a seu aspecto dinâmico/operatório. Não sabemos como três pessoas possam fruir da mesma essência sem que seja por critério de partição, isto porque a existência divina é tanto mais complexa que a nossa e não temos condições para abarcar um tal tipo de conhecimento. Caso pudéssemos esgotar a compreensão da Trindade seríamos divinos, na medida em que isto implica ilimitação e somos limitados.

Devemos no entanto compreender este Mistério como uma exceção a regra e não como regra geral. Embora outros adicionem o Mistério da Encarnação e o mistério da Trindade como os três grandes mistérios do Cristianismo. Claro que nenhum deles implica contradição ou impossibilidade embora levantem sérios questionamentos no plano da dinâmica/operatória. Como pode Deus concentrar-se num homem situado num local? Como pode a divindade concentrar-se nos elementos do pão e do vinho situados sobre o altar???

Certamente não sabemos como viabilizar ou executar tais mistérios porque não somos deuses ou divinos. Apenas Deus e Deus somente sabe como são exequíveis. O que não significa que haja qualquer contradição interna na formulação do conceito.

Quanto aos demais dogmas podemos e devemos afirmar que podem ser esgotados pela reflexão teológica e explicados a luz da razão.

Do contrário o apóstolo não teria declarado: "FORNECEI AQUELES QUE O SOLICITAREM AS RAZÕES DA VOSSA BOA ESPERANÇA."

Assim a fé que professamos ou exercemos, já por estar fundamentada em evidências, como as profecias, já por poder ser racionalmente explicitada, não é cega como as outras 'fés' mas acessível a exposição racional até a mais completa sistematização em termos de organicidade. Um dos aspectos mais refinados da fé Católica Ortodoxa consiste em que seus elementos ou dogmas estão ligados uns aos outros a ponto de formarem uma estrutura orgânica, em que um termo parte do outro, e se não completando. Essa concordância ou coerência interna é certamente uma das evidências mais fortes apresentadas pela instituição Cristã.

Caso alguém ousasse questionar nossa opção poderíamos responder-lhe de cabeça erguida e sem constrangimento algum alegando que os mistérios da vida do Senhor foram antecipadamente descritos com riqueza de detalhes pela pena profética: "QUEM PODERIA CRER NISTO QUE OUVIMOS, A QUEM FOI REVELADO O BRAÇO DO SENHOR, ETC, ETC, ETC" Is 53,1 sg

Bem como pela pena poética: "a grande série de séculos recomeça.
Já também retorna a Virgem, voltam os reinos de Saturno;
do alto céu já é enviada uma nova geração.
Tu somente, casta Lucina, favorece ao menino que nasce,
sob o qual primeiramente desaparecerá a raça de ferro
e surgirá no mundo inteiro a raça de ouro,"


Vive o justo desta fé ou melhor dizendo esta fé porque abraçando a doutrina da Encarnação do Verbo, não pode deixar de querer viver ele mesmo como viveu o Verbo Jesus Cristo,  e assim de adotar o mesmo regime de vida que seu Mestre adotou, de imitar sua conduta, de assimilar seus exemplos, de reproduzir seu comportamento até converter-se numa cópia sua ou num outro Jesus.

Acaso não decretou ele: "Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito."???

Portanto criatura alguma ouse declarar que tal meta é impossível, pois equivaleria apresentar Jesus Cristo como mentiroso ou embusteiro.
Será o Cristão uma extensão viva de seu Mestre e Senhor Jesus Cristo - seu proto tipo e modelo - ou não será! Não será Cristão! Viverá como Filho de Deus ou será filho da maldade, e não Cristão. Distinguir-se-a pelos frutos ou pelas obras; ou não será Cristão. Será Cristão por seus atos e por sua vivência, ou não o será. Pois o Cristianismo não é uma simples teoria que se professa com os lábios... enquanto o coração vai por outros caminhos e as obras permanecem sendo as mesmas.

Metanoia ou conversão significa mudança ou ruptura; assim a adoção de um novo padrão de vida.

E onde está nosso padrão de vida ou nosso critério ético???
 
No Evangelho, no Sermão do monte, no código das bem aventuranças, no vigésimo quinto capítulo de S Mateus. Tudo isto constitui uma Lei a ser escrupulosamente observada. E não um chiste ou uma brincadeira. O Evangelho é compromisso ou nada é...
Ser Cristão em termos Ortodoxos é ser antes de tudo um outro cristo, o qual na Unidade de seu Mestre é capacitado para vencer o mal e triunfar do pecado. É um modo de vida divino, pois o Cristo na Unidade do Pai e do Espírito Santo vem viver em nós - Viremos até ele e nele faremos morada. Ora o Deus Santo não pode habitar no homem e promover obras más e pecados, por isso que sua amizade, sua graça e seu dom é capacitante i é apto para manter-nos santos e para tornar-nos vitoriosos e triunfantes face ao pecado e a tentação.

Em todas as coisas é o Cristão, pela graça divina, um ser interiormente reformado, plenamente redimido, verdadeiramente bem sucedido e consolidado na virtude. Tendo em vista viver conforme o plano divino, observando a lei eterna da consciência e frutificando em boas obras.

SEDE SANTOS COMO EU MESMO SOU SANTO  é seu mandamento supremo. Como eu venci o mundo vós assim vencereis... assim para aquele que crê seus mandamentos não são difíceis...

Já quanto aqueles que ignoram a divina revelação esta disposto: "... Creia primeiro que ele - Deus - existe e que recompensa aqueles que o procuram." Hb 11,6 Professando o teísmo e a imortalidade da alma.

O tolo: Diz em seu coração: Não há Deus. Sl 13,1 embora com a boca possa mencionar repetidamente seu nome e afetar religiosidade. Assim, o verdadeiro ateísmo não é o ateísmo externo, teórico ou expresso por meio de fórmulas e palavras mas o ateísmo de interno, prático, de coração e afirmado por meio de obras más!!! Quantos e quantos ateus não se utilizam de um disfarce religioso com o objetivo de massacrar e oprimir a criatura viva???

Por isso esta escrito: "Esse povo vem a mim com palavras apenas e me honra somente com os lábios, enquanto seu coração está distante de mim." Is 29,13

Assim autêntico ateísmo - do coração - e a legítima incredulidade encontram-se amiúde associados a hipocrisia, ao farisaísmo, a falsa religião, ao sectarismo e ao fanatismo, arrogância, a desumanidade... Usa e abusa da religião ou de sua aparência. Porque certamente faz muito pouco caso dela. E dela faz meio com que intimidar, atemorizar e dominar o outro...

Tanto mais o místico exaltado fala em Deus e tanto menos vive de Deus ou como Deus ordenou, exercendo a fraternidade. Tanto mais discursa pomposamente sobre Deus e tanto menos ama concretamente as criaturas ou os filhos de Deus. Tanto mais alega estar unido a Deus de modo mais intenso, e tanto mais se mostra insensível face a injustiça, a miséria, a maldade e os grandes pecados que assolam a pobre humanidade...

Daí ter o evangelista observado: "Como pode aquele que não ama ao irmão a que vê, amar ao Deus que não vê?"

Não, não pode - É tudo aparência, ilusão e vaidade.

Logo seu tão decantado amor a Deus não passa de puro fingimento.

Tal a religião puramente teórica, das aparências, fruto da incredulidade e do ateísmo associado ao interesse.

Outros porém não vivem citando repetidamente o Nome a propósito de qualquer coisa, passando inclusive - Em especial diante das das massas - por ateus, materialistas e incrédulos. Cumprem entretanto seus deveres, não acometem a quem quer que seja, sacrificam-se por um ideal de justiça e até imolam-se pelo bem estar da humanidade. Estes são representados por aquele filho que disse ao Pai: Não eu não vou, e foi. Por meio do discurso negou, mas, por meio das ações ou das obras afirmou a existência de Deus. Acaso não disse o Salvador: SOIS SEGUIDORES MEUS DE FAZEIS O QUE EU DOS MANDO E O QUE EU VOS MANDO É QUE DOS AMEIS UNS AOS OUTROS???
Por este critério concreto, externo, prático, ético... conhecemos o homem verdadeiramente religioso, devoto e ligado espiritualmente a Jesus Cristo por vínculos espirituais e indissolúveis. PELOS FRUTOS OS CONHECEREIS - POIS A ÁRVORE BOA NÃO PODE PRODUZIR MAUS FRUTOS E TAMPOUCO A ÁRVORE MÁ BONS FRUTOS, PELOS FRUTOS OS CONHECEREIS.


Logo se promovem o bem e a virtude é porque há neles um sentido de Deus, ainda que oculto nos recônditos do coração, nos recessos mais profundos a alma ou nos meandros do subconsciente. Se amam o bem e buscam po-lo em prática é porque Deus esta neles, pois adiantou-se Deus aos mortais pelo mistério da Encarnação, assumindo todos os homens de boa vontade. Quando for erguido sobre o madeiro atrairei todos a mim, disse aquele que jamais se engana, o Infalível, o Clarividente!

Nem é necessário que a Deus conheçam para que sejam conhecidos por ele, pois maior é Deus e mais ampla sua graça! Ampla a ponto de ultrapassar as fronteiras de nossa santa mãe a Igreja e de precipitar-se sobre todos os mortais qual fosse um novo dilúvio, um dilúvio de amor e bondade!

Assim se não estão na posse da fé, da verdade e do conhecimento teórico foram incorporados previamente pela graça divina cujas riquezas são infinitas, amplas e profundas, a ponto de mortal algum ser capaz de aquilata-las! Mesmo que não exerçam externamente, como nós, a virtude da religião ou que não vivam discursando teoricamente sobre Deus não deixam de ser servos deste Deus munificente e pleno de misericórdia.


De fato CRER SOMENTE - al Murjya - não serve para nada, segundo a palavra do próprio Redentor: "NÃO É QUEM DIZ SENHOR, SENHOR QUE ENTRARÁ NO REINO DOS CÉUS, MAS QUEM PÕE EM PRÁTICA A VONTADE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS." Mt 7,21

Aquele que afirma crer e não vive conforme a crença que professa lançou fundamentos na areia e seu fundamento será arruinado. Mt 7,27

Concluímos que: "A FÉ SEM OBRAS É MORTA EM SÍ MESMA, TAL E QUAL UM CORPO SEM ALMA." Tg 2,26 e que a ninguém beneficia.

É fé de corpo sem alma, fé cadavérica e de cadáver posto para a corrupção...

Posto que até mesmo os demônios creem e tremem. Tg 2,19. Sem que por isso sejam reconciliados.

Acaso o Beatíssimo Paulo não escreveu: "TRÊS SÃO AS VIRTUDES, PORÉM A MAIOR É A CARIDADE."??? I Cor 13,13 Assim nossa fé é vivificada pela Caridade e sustentada pela Esperança e sem elas, separada ou isolada, não se mantém.

Tal a "Que opera pela caridade."

E porfia frutificar em boas obras. Para que ao contrário da árvore má, que não produz fruto algum, não seja lançada a fornalha ardente.

Mesmo porque o Cristão não recebeu o talento da graça divina para mante-lo enterrado no chão, sem rendimento algum, estéril.  Mas para faze-lo render e multiplica-lo através da boa vontade. Convertendo tais talentos em boas obras ou em atos de virtude. Do contrário o talento lhe será retirado e dado ao que fez a quantia render mais...

Jesus é de fato um Salvador, mas apenas daqueles que o honram e obedecem pois estes são salvos da maldade e dos pecados. Não é nossos Jesus, Salvado de rebeldes, sediciosos, desobedientes e obstinados que permanecem em seus pecados e pecam sucessivamente, pois - TODO AQUELE QUE PECA PERTENCE AO MALIGNO. Manifestou-se o Senhor, como declara S Mateus, para salvar os homens DE seus pecados, tornando-os santos e impecáveis, e não para salva-los EM seus pecados, crimes e maldades. ASSIM MANIFESTOU-SE ELE PARA DESTRUIR AS OBRAS DO MALIGNO não para compactuar com elas.

A redenção Cristã só pode ser concebida em termos éticos enquanto remoção do pecado e extinção do mal pela correção da vontade. 


Pois a fé sincera, o amor filial e o temor reverente exprimem-se necessariamente pela obediência, daí o apóstolo: Quem ama observe seus mandamentos.

Portanto ter fé não basta, não é suficiente...

Portanto ter fé somente e apenas fé não nos fará agradar a Deus.

Portanto crer somente não te salvará nem te beneficiara, oh homem Cristão!!!

E não pela profissão de fé apenas que ganhamos o Cristo e atingimos sua unidade mas pela prática.

É necessário aceitar o Mestre Jesus com o coração ou o fundo da alma, com a integralidade do ser para que sejamos salvos com toda nossa casa. É necessário aceita-lo totalmente e não apenas parcialmente i é, como Salvador. É necessário da mesma forma, ter Jesus Cristo por MESTRE que revela a verdade e acima de tudo como LEGISLADOR que disciplina o comportamento e a vontade.

Mas minha fé é exata, pura, imaculada, Ortodoxa...

Continua sendo apenas uma fé e mera se não há obras, se não há vida, se não há prática. Aqui a fé Católica e Santa não se distingue da Luterana ou da Calvinista, exceto se há vivência!

Aqui qualquer distinção entre heresia e ortodoxia não faz a mínima diferença se faltam as obras. Alias tanto pior para o Ortodoxo de fancaria uma vez que a necessidade das obras é apresentada como dogma de fé pela igreja Ortodoxa. SOMOS SINERGISTAS já dizia São Clemente de Alexandria no século II. Logo, se ele sabe o que deve fazer e não faz, sua condição pior do que a dos heréticos!

Daí a necessidade, categórica ou imperativa de completarmos nossa ORTODOXIA pela ORTOPRAXIA. É isto completar na carne o que falta a paixão do Senhor. Sendo extensão sua e receptáculo seu pela imitação.

Ortodoxia é coisa a ser vivida e não somente professada com a boca.

Assim se sabes o Credo, se sabes a fé, se conheces a doutrina; saiba também e acima de tudo, viver e regular a vida pelo Santo Evangelho.

Imagina teu destino espiritual sob a forma de um barco. Para que qualquer barco possa mover-se são necessários sempre dois remos: O remo da doutrina ou da fé, o remo da caridade ou da virtude, o remo da graça e o remo da boa vontade. Caso falte um destes remos não poderá teu barco sair do lugar.

Do mesmo modo como nosso Deus é Deus Encarnado no mundo material nossa fé deve ser fé encarnada nas obras e presente neste mundo material. Deve fazer a diferença e transforma-lo e algo melhor.

É esta fé viva apenas que aproxima o homem do Senhor Cristo e torna-os amigos um do outro.

Pela caridade torna-se o homem amigo do Deus Todo poderoso.

Pelo amor passa a viver em Deus e Deus nele, adquirindo a vida eterna!

O Símbolo cantado em grego na sínaxe:
http://www.youtube.com/watch?v=jbOJNHrhPbE


SABER NO QUE CRER!!!



Como no entanto saber em que crer?

Como ter acesso a plenitude da verdade?

Como conhecer o conteúdo da fé?


Como estar em posse da exatidão doutrinal?

Como ser um dos bem orientados?


Primeiramente depositando nossa fé sobre aquele que sendo Deus verdadeiro tornou-se verdadeiro homem, tal a pedra angular de nossa doutrina.

SÓ UM DESCEU DOS CÉUS, O FILHO DO HOMEM QUE ESTA NOS CÉUS!!!

O quanto ouviu de seu Pai isto ele no-lo revelou.

Assim a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. 


É por Deus mesmo, sem intermediários ou atravessadores, que devemos ser informados a respeito de Deus. Claro que 'a posteriori' podem existir atravessadores ou representantes de Deus, o princípio ou a iniciativa no entanto deve partir de Deus.

Os judeus tem Moisés o qual não passava de um homem, e assim de um intermediário falível. Os maometanos tem Maomé outro homem não menos falível. Era Moisés servo da casa, Jesus posto acima da casa, arquiteto da casa e Deus. Heb 3,3sg É Deus que fala sobre Deus através de sua humanidade.


Por ele - Moisés - foi dada a Lei, o Decálogo. Não a graça e tampouco a verdade...

Nós Católicos e atanasianos ou nicenos temos a Jesus Cristo o qual além de homem verdadeiro é Deus Perfeito e nosso Criador.

Portanto não recebemos nossa doutrina de um mero homem, de um simples mortal, de uma criatura ordinária, mas de Deus mesmo, o qual auto comunicou-se a nós pelo Mistério da Encarnação.

No entanto, sabendo que este mesmo Jesus regressou corporalmente ao mundo espiritual donde veio - Tomando assento a mão direita do Pai e tornando a ser envolvido pela glória de que havia abdicado - como haveremos de ter acesso a ele?

Lendo seu Evangelho, o Evangelho escrito?

De fato coisa excelente é ler os Santos Evangelhos. Que pensar no entanto a respeito daqueles que desde sua manifestação até estes nossos dias não haviam aprendido a ler ou que não tinham dinheiro para comprar um manuscrito? Que pensar sobre as culturas pré letradas? Deveríamos adotar o gradualismo/etapismo dos marxistas ortodoxos e antes de evangelizar as nações alfabetiza-las??? De fato os sectários protestantes chegaram a conceber semelhante monstruosidade... Não a Igreja antiga.

Dificultaria Jesus de tal modo a salvação deles? Acaso o Evangelho não foi feito para todos???

Certamente. Pois a vontade de Deus É que todos os homens sejam salvos pelo conhecimento da verdade plena.

Neste caso que veículo adotou ou adotaria com o objetivo de facilitar o conhecimento da boa doutrina?

É coisa que por sinal podemos achar - lendo ou ouvindo - no próprio Evangelho.

QUEM RECEBE UM LEGATÁRIO DE DEUS É COMO SE A DEUS TIVESSE RECEBIDO e noutro passo Quem vos escuta a mim escuta, quem vos despreza a mim despreza!

E ainda: Não fostes vós que me elegestes eu vos elegi. 

E por fim: IDE E ENSINAI OS POVOS A CREREM EM TUDO QUANTO EU VOS ENSINEI!!!

Percebeis como optou não por um livro ou por qualquer leitura mas por um elemento vivo, no caso a pregação ou o anúncio oral? Enfim por seres humanos aos quais comissionou e aos quais concedeu autoridade?

Daí ser a igreja cognominada antes de tudo APOSTÓLICA, não bíblica ou literária, ou livresca, mas apostólica.

Segundo lemos no santo Evangelho achegamo-nos do Verbo Encarnado Jesus Cristo aproximando-nos dos apóstolos, ou seja, dos vigários, dos emissários, dos arautos, dos comendadores que ele mesmo escolheu, instruiu, santificou, abençoou e enviou em seu nome. NADA MAIS CRISTÃO, NADA MAIS EVANGÉLICO!!!
Estarás tu certo disto?

Tão certo quando cônscio de que o primeiro Evangelho, o de S Marcos, só veio a ser escrito por volta do ano 45 desta Era, i é, mais de uma década após a fundação da Igreja, a qual passou dez anos sem que houvesse Evangelho ou Novo Testamento escrito. Agora se a existência de um Novo testamento escrito é absolutamente necessária, como dizem os protestantes, e se tudo é Bíblia e apenas Bíblia, como pode ter existido igreja por dez anos sem que houvesse Evangelho Escrito ou Igreja antes do Novo Testamento?

Aqui, meu querido Ortodoxo, nosso amigo protestante cai no ridículo, por observar que já havia antigo testamento escrito... Grande! Grande! Afinal desde quando o antigo testamento é manual ou livro de Doutrina Cristã que dispensa a Revelação e a Manifestação de Jesus Cristo??? Desde quando contém ele todos os elementos da Revelação Cristã??? Desde quando contém todos os nossos Dogmas como a Trindade Excelsa ou a Comunicação de bens??? Onde topamos com a Eucaristia ou o Batismo no antigo testamento??? Onde damos com o Pai Nosso no antigo testamento??? Onde encontramos o Sermão do Monte ou ao menos as Bem aventuranças em suas páginas???

Dirá 'meu' pastor que tudo isto é acessório ou supérfluo... Neste caso não estamos de acordo sobre o que seja Cristianismo...

Claro que a Instituição Cristã em termos de algo Escrito demanda por uma Escritura Cristã, ou pelo Evangelho, pelas palavras de Cristo! E que por dez anos, a falta delas, houve um anúncio oral deste Evangelho, o qual era suficiente, como ainda o é. Mesmo que Diocleciano tivesse logrado queimar e destruir todos os exemplares do Novo Testamento a Igreja ou o Cristianismo não deixariam de existir. Seria um duro golpe, uma desgraça, mas a igreja sobreviveria pela sucessão apostólica e pela pregação. Porque a instituição divina foi firmada sobre ela...
Ide e ensinai as nações...


Eis o caminho - Eis o caminho fixado. O padrão apostólico!

Mas eu não aceito o padrão apostólico, não admito intermediários entre mim e Jesus, quero aproximar-me de Jesus sozinho, quero tomar outro caminho... prefiro examinar as escrituras e extrair 'meus' dogmas ou o que creio ser a verdade.

Caso você esteja mesmo disposto a discutir, a debater ou a altercar com Jesus Cristo não sou eu quem irá impedi-lo. Caso deseje resistir e obstinar-se face a autoridade do Mestre não sou eu quem irá proibi-lo.
Julgo porém que aqueles que teem este Jesus em conta de divino devam conformar-se com o que ele determinou, ensinou, decretou, escolheu; tomando o caminho indicado por ele. Afinal não podemos honorifica-lo discordando dele ou supondo que estivesse equivocado. É nosso dever supor que Jesus sempre procedeu da melhor maneira possível e que tomou decisões absolutamente perfeitas, as quais nos devemos submeter com toda reverência.


É como se nosso Pai ou nossa Mãe recomendassem que tomássemos uma tal direção e tomássemos a oposta. Estaríamos neste caso exercendo a obediência? Claro que não... Assim obedecemos e honramos a Jesus quando nos conformamos de fato com os instrumentais ou veículos que ele escolheu com o objetivo de comunicar a sua santa doutrina e este veiculo,. no caso, é a pregação apostólica ou o anúncio oral (Não escrito) feio pelos apóstolos em seu nome.

Penso que não seríamos corteses ou educados ao repudiar aqueles que ele enviou e demandar por um registro escrito subordinado a nossa apreciação individual e subjetiva. Creio que nada disto é muito reverente... Temos de ser honestos, conformar-se com a simplicidade do Evangelho implica excluir o Biblismo ou o livre exame... Pois durante dez longos anos não houve mensagem Cristã escrita e o Novo Testamento só se completou meio século depois, cerca do ano 85 d C, quando foram feitos os esboços do quarto Evangelho. Por mais de sessenta anos não houve uma Bíblia Cristã completa e tampouco um Cânon Cristão de registros inspirados, imperando relativa confusão.


Acontece, dirás tu, que os apóstolos, sendo mortais, também foram recolhidos e já não se acham mais entre nós!

Todavia, orientados pelo Supremo Ajudador, os apóstolos não deixaram de escolher sucessores para si mesmos e determinaram que fossem reconhecidos como Bispos por cada congregação, após terem sido cuidadosamente instruídos.

Eis porque Simeão, Lúcio e Manaém após terem jejuado e rezado impuseram as mãos sobre Paulo e Barnabé antes de envia-los. É possível que algum insensato questione sobre o porque de Paulo não ter sido ordenado por um grande apóstolo como João ou Tiago ou ainda Pedro. Acaso ele não havia sido enviado a Ananias para ser curado, ao invés de ter sido enviado a um super apóstolo?

Alias o próprio Paulo refere a respeito de Timóteo:

"Não descuides do dom e da graça que em ti existem e que te foram concedidos... pela imposição das mãos do presbítero." I Tm 4,14 


Tais os presbíteros, apresentados por Paulo como guardiães suscitados pelo Espírito Santo. Atos 20,17 e 28.

A seu tempo cada Bispo ao morrer teve outro homem sábio e perito na tradição posto em seu lugar, sucessivamente, até os dias de hoje... Geração após geração perpetuou-se o mistério da fé e foi mantida a santa doutrina, como que por elos de uma mesma cadeia. Que nos leva e conduz até Jesus Cristo Encarnado, Sacramento de nossa reconciliação.

"O que de mim ouvistes diante das testemunhas comunica-o a homens fiéis e idôneos de modo que possam instruir a outros." II Tm 2,2

Fixem o pensamento nisto - Paulo não determinou a seus colaboradores que distribuíssem Bíblias ou folhetos para que fossem lidos, examinados ou interpretados pelos fiéis; mas que fossem constituídos HOMENS idôneos e empossados com o intuito de instruir a todos conforme a pregação oral (o que tinham ouvido) ou a tradição. TAL O MÉTODO FIXADO PELO DIVINO MESTRE!
Afinal o ofício de ensinar as nações e batizar as criaturas não devia prolongar-se por séculos a fio???

Assim o ofício dos mestres e batizadores, ou seja, dos apóstolos; os quais deveriam, necessariamente, constituir sucessores para si, lançando fundamentos ao episcopado.

Destarte é Cristo mesmo que fala por intermédio dos legítimos sucessores dos apóstolos e que continua ensinando as nações e povos da terra, como se aqui estivesse, visivelmente até a consumação dos séculos e sem interrupção. É Cristo mesmo que continua vivo no corpo da Igreja que fundou e que se prolonga através dela, a ponto de apresenta-la como esposa imaculada e sem ruga! Esteio e coluna da verdade. dirá S Paulo a respeito dela.

Dos Bispos aos apóstolos, dos apóstolos ao Cristo e do Cristo ao Pai. Porque os Bispos são sucessores dos apóstolos, os apóstolos legatários do Cristo e o Cristo manifestação do Pai neste mundo. É o que diz Clemente romano.

Quando todos os Bispos Ortodoxos estão de acordo (idjima) a respeito de determinado ponto de doutrina - Como a presença real do Senhor no Sacramento, a Virgindade perpétua de Maria ou a comunhão dos Santos - devemos receber este ponto de doutrina como se procedesse dos lábios do próprio Mestre e aprecia-lo com ternura filial. Quanto ao mais, tome-se a regra de Agostinho: Unidade quanto ao que é essencial, liberdade quanto ao que não é essencial e caridade em todas as coisas. 

Para tornar ainda mais claro este acordo e salientar esta unidade face ao mundo os Santos Bispos, Mestres e doutores, desde o segundo século desta Era, congregaram-se em sínodos regionais e depois em concílios gerais ou ecumênicos onde elaboraram listas ou elencos (AMANAs) contendo parte das doutrinas uniformemente recebidas por todos em todos os lugares (Cf S Vicente de Lerins 'Commonitorium'). Essas listas constituem um dos 'lugares comuns' ou testemunhos a respeito da fé Ortodoxa e Católica que todos os Cristãos devem professar, como penhor daquela unidade solicitada e conquistada pelo Redentor - Que eles sejam um, como eu e tu, oh Pai, somos um... Conserva-os na unidade e torna-os perfeitos nela. Nem poderia o Reino de Cristo ser um Reino dividido em inúmeros reinos e perecível.

Assim as teologumenas ou conclusões teológicas a respeito da fé, por mais antigas e veneráveis que sejam não pertencem ao depósito imutável da fé.

Grande parte dos Ortodoxos aceita a doutrina da assunção da Virgem aos céus ou da dormição. Nem por isso constitui a assunção elemento da fé. Havendo quem ainda hoje a opine com Usuardo que o corpo da Mãe de Deus se ache incorrupto, mas sepultado (Ortodoxo algum admite que o Corpo da Mãe de Deus se tenha corrompido ou convertido em pasto de vermes) e esta opinião é autorizada, e Cristão algum pode ser molestado por professa-la. Assim o uso de ázimos pelos latinos é um costume deles, o qual devemos nós respeitar, tomando por norma e regra a sentença de Ambrósio: Cada um se subordine aos costumes peculiares a igreja em que se encontre. Um costume legítimo também deve remeter a antiguidade, do contrário será tido em conta de novidade profana, como o corte da barba pelos latinos i é pelos clérigos e monges. Mas ainda aqui, com caridade, devemos levar em conta a força da cultura.

Importa saber ainda que - Ao contrário do que dizem os protestantes e os neo católicos - os Concílios Ecumênicos, de modo geral, não produzem ou criam qualquer doutrina. Já o dissemos e agora como bom professor, repeti-mo-lo.

Antes limitam-se a reconhecer solene e publicamente aquilo que sempre foi crido por todos em todos os lugares. É profissão externa e pública de fé, não uma invenção ou alteração. Por isso a Igreja bem pode passar sem Concílios - e sem patriarcas. São úteis, mas não necessários.

O primeiro concílio ecumênico congregou 318 Bispos no ano 325 desta Era e explicitou formalmente - Face as exigências do Império Bizantino - a doutrina da Divindade de Cristo, contestada pelos judaizantes, canonizando o termo Consubstancial ou da mesma substância com o intuído de expressar da melhor maneira possível o estado de igualdade existente entre as pessoas da Trindade Santíssima.

Em 381 cerca de 150 Bispos, congregados em Constantinopla, explicitaram formalmente a fé da Igreja na divindade do Espírito Santo, infirmada pelo patriarca Macedônio.

Cerca de cinquenta anos depois Cirilo congregou cerca de 250 bispos na grande Metrópole de Éfeso, contra alguns inovadores que repudiavam a comunicação de bens entre as categorias. Ele fez prevalecer a doutrina antiga; mas recorrendo a artimanhas e sacrificando a caridade. Seja como for a Ortodoxia não pode negar comunhão de bens como parte essencial da divina Revelação.

Vinte anos depois, sob Marciano César; Anatolio, Juliano e Sabino lideraram o grande Concílio de Calcedônia, cujo objetivo foi condenar publicamente as blasfêmias do monge louco Eutiques (E por extensão do petulante Juliano de Halicarnasso, chefe dos aftardocetas). Este sínodo congregou cerca de 630 doutores os quais confessaram a perfeita humanidade do Senhor Jesus Cristo e a distinção entre as categorias.

Em 681, 174 Bispos presididos por Girgis congregaram-se em Constantinopla para afirmar solenemente, contra os monotelitas, a doutrina das duas vontades de Cristo.

Por fim em 787 Tarasios, o grande, congregou 350 doutores e Mestres uma segunda vez em Niceia que é a Edirna dos turcos. Este Concílio geral explicitou formalmente a fé da Igreja Cristã nos Iquna ou Icones, que são as representações do Senhor Jesus Cristo, de sua mãe e dos apóstolos e que patenteiam a doutrina da Encarnação do Verbo. Esta decisão foi tão importante para a Cristandade antiga que sua data passou a ser comemorada como a festa da Ortodoxia. Todavia os Cristãos já empregavam representações, mosaicos e pinturas nas Catacumbas desde o século I e com toda naturalidade.

Sobre o valor ou merecimento de cada um deles, os participantes poderiam ter empregado as palavras dos próprios apóstolos: "A NÓS NO ESPIRITO SANTO APROUVE DECRETAR." 

De nossa parte empregados as do teóforo Ambrósio: Nem o exílio nem a espada poderão apartar-me do Concílio niceno.
E de nenhum dos supracitados concílios.





Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, Augusta, Excelsa e Santíssima Trindade!