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A consciência histórica do Cristianismo

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A tentação de Cristo exige um Diabo?

Motivo de grande contenda entre os sectários diz respeito a narrativa da tentação de Cristo, pois enquanto uns concluem vitoriosamente a respeito da existência de um Diabo, nos termos convencionais de 'anjo caido'; outros, repudiando a existência de um agente externo são constrangidos a admitir que as tentações descritas tiveram seu ponto de partida no interior da personalidade de Nosso abençoado Mestre ou seja dentro mesmo de sua consciência... quando não são forçados a admitir que a narrativa foi 'inventada' pelo hagiografo.

Aqueles que acenam com a primeira tése dão logo com a necessidade ou a viabilidade do exorcismo, com todas as consequências decorrentes nos meios conservadores. Ora nós não estamos com eles...

Aqueles que aderem a segunda tése admitem que Jesus possuiam elementos ou imagens de pecado em sua mente, logo que ele esteve sob domínio do pecado ancestral, tal e qual foi descrito pelos padres mais antigos como um inconsciente pecaminoso. E assim não podemos estar com eles...

Já aqueles que alegam ter sido a narrativa pura e simplesmente inventada, abrem precedentes para que todo nossos sistema seja atacado. Pensamos que esta porta deva permanecer fechada...

No caso como explicar os fatos???

Ora nós já mencionamos a crença dos antigos hebreus em Dibuks ou espíritos obcessores de origem humana, bem como a crença dos apóstolos em fantasmas, que são entidades de origem puramente humana correspondendo a nossas almas penadas.

E por termos acompanhado durante mais de quinze anos inumeros estudos e pesquisas no campo da metapsiquica humana ou da parapsicologia; não podemos negar que ao menos alguns casos - raros mas reais - deem margem a possibilidade de que os espíritos dos mortos manifestem-se aos vivos e exerçam algum tipo de influência sobre eles.

Esta hipótese parece mais aceitável inclusive face a teoria naturalista do pan psiquismo e as 'façanhas' do inconsciente autonomo. Aqui a navalha de ockhan parece ser manejada pelos espíritos... basta admitir que a alma sobreviva, o que por sinal é dogma do Cristianismo, para admitir que interfira excepcionalmente no plano material.

Então sou levado a crer que Jesus Cristo foi assediado por um espírito humano de baixa categoria e que Satanás foi posto ali pelo hagiografo apenas por questão de honra, enquanto oponente 'digno' de deus... seja como for enquanto o propósito de tal entidade opunha-se aos propósitos de designos divinos, cabia-lhe perfeitamente o título ou nome de opositor, que é o significado de Satanás e que também foi aplicado a Pedro, sem que Pedro se torna-se possesso ou precisa-se ser exorcismado...

Também quanto a Judas, quando se diz que Satanás entrou nele, podemos compreender que naquele mesmo momento Judas cessou de lutar contra o princípío ou a idéia má de trair Nosso Senhor, determinando-se a faze-lo...

Portanto se o fato da tentação exige um agente operatório externo a Nosso abençoado Mestre nem por isso exige a existência de um diabo nos termos da teologia rabínica.

Satanás, Lucifer, Belzebub, etc

Já vimos que nos domínios sagrados do Evangelho, ao contrário do que se sucede nos cangêres do pentecostalismo, Satanás, Lucifer, Belzebub, etc são entidades que jamais possuem corpos humanos...

No Evangelho apenas os espíritos imundos ou malignos, também designados por Daemon; são apresentados como 'obcessores'.

Ora no grego daqueles tempos 'daemon' significava apenas 'espírito' podendo muito bem corresponder a espírito humano desencardado, ou seja ao hebraico Dibuk.

De modo que se há mesmo algo de real por trás das possessões; algo que não se esgote no terreno da medicina mental, este algo a mais não são 'anjos caidos' retirados da mitologia rabínica; mas dibuks ou espíritos obcessores que origem puramente humana.

Resta-nos esclarecer o significado dos nomes Satanás, Lucifer, Belzebub, etc

Porque alguns de nós enchergam apenas nomes que possuem um significado genérico, enquanto que outros encaram tais nomes como designativos pessoais.

Dizem e declaram eles que se Jesus mencionou tais nomes é porque tais nomes correspondem a entidades reais.

E Disto decorre, para eles, a doutrina da existência pessoal ou real do Diabo, a qual consideram como parte efeitiva do credo Cristão.

Tais pessoas chegam a dizer que se 'Deus existe deve existir um Diabo." ou que "Se existe o bem, há de existir o mal."...

Nada direi a respeito de tais 'raciocínios' dualistas...

Direi apenas que de minha parte, Deus apenas tenho como necessário e o mais como contingente...

Não conheceço segundo ou terceiro Ser necessário; mas apenas Deus o Uno.

Por outro lado minha religiosidade encontra plena satisfação na pessoa de Jesus Cristo, ou seja, em seu amor, sua graça, sua posse, etc Naturalmente que eu reconheço a existência do ódio, da desgraça, da separação, do castigo, etc mas não como 'realidades' eternas e portanto subsistentes em Deus para todo sempre e de algum modo divinas. Não creio em ódios, iniquidades, punições, etc como fenômenos divinos sob qualquer forma ou aspecto, mas como fenômenos puramente humanos, contingentes e transitórios.

Assim sendo eu não sinto falta de um anti Deus ou de um deus do mal; nem vejo que deus precise lacaios defeituosos para servi-lo ou do 'coxo que abre a porta da carrugem'...

Um deus que a maneira de um rei possua um côrte ou um tribunal parece humano, demasiado humano para ser considerado... já a existência de um deus do mal parece-me assaz primitiva...

Acaso o amigo não vê a existência do mal no mundo???

Não só vejo, como ouço e até sinto.

Então como rejeita de modo tão obstinado a existência do capeta? Acaso suas obras não o manifestam???

Acontece que eu aplico aqui a navalha de Okchan

Navalha de que???

A navalha de Okchan...

O sr quer dizer gilete???

Não quero dizer Okchan mesmo, William Okchan...

???

Implica a navalha de Okchan em optar sempre pela explicação ou solução mais próxima ao invés de buscar soluções inuteis ou adicionais.

Observo a existência de seres livres de carne e osso e concluo que tais seres são a causa do mal que há no mundo sem qualquer necessidade de recorrer a um Diabo.

O amigo não admite que o Diabo impulsiona o homem para que ele faça o mal???

Porque deveria crer que um Diabo impulsiona o homem se o homem é perfeitamente capaz de mover a si mesmo???

Por outro lado caso o homem precise dum Diabo para ser movido porque o tal Diabo não precisaria também ele de outro Diabo para ser movido e assim sucessiva e infinitamente???

Porque o Diabo é perfeitamente capaz de mover a si mesmo, dirá voce.

Exatamente, porque o ser humano é perfeitamente capaz de mover a si mesmo, de conceber e de praticar o mal sem qualquer necessidade de um Diabo.
Então porque tantas pessoas alegam que cometeram este ou aquele crime movidas pelo Diabo???

Se ninguém acreditasse na influência de um Diabo elas não recorreriam a semelhante estratagema.

Quando alguém alega que cometeu est ou aquele crime é apenas e tão somente porque não tem coragem suficiente para assumir toda culpa, esperando inclusive obter certo relachamento por parte da justiça na medida em que atribui parte da responsabilidade que lhe cabe a um ser imaginário.

É conveniente atribuir parte da culpa ou da responsabilidade a um ser invisivel, especialmente quando há alguma chance de sensibilizar a opinião publica e obter algum benefício concreto em termos de diminuição da pena ou do castigo; puro e simples oportunismo.

Seria de se esperar que tais pessoas ao menos tivessem a dignidade de assumir a totalidade da culpa pelo que fizeram; aqui porém o homem torna-se verdadeiro Diabo de si mesmo...

Acontece, replica nosso contendor, que Jesus dirige-se a Satanás ou a Belzebub, como a uma pessoa real...

Jesus dirige-se a Satanás ou a Bebzebub como pessoas reais correspondendo as espectativas de seus ouvintes, para os quais um e outro eram pessoas reais...

A menos que Jesus desejasse ser acusado de heresia e executado antes de seu tempo, estava fadado a dialogar com a cultura em que nasceu e vivia; a qual era de um tipo atrasado, primitivo e fetichista.

Portanto não havia a mínima oportunidade de que Jesus apresentasse o verdadeiro significado de 'Satanás' ou Belzebub para aquele povo bárbaro... tentar explicar-lhes que Satanás, Bezebub, Lucifer, etc nada mais são do que a presença ou a existência do mal no mundo redundaria no mais miserável fracasso porque a mentalidade deles não estava a altura de semelhante concepção...

Para eles cada tempestade ou cada epidêmia era resultado concreto da intervenção de milhares de Diabos, os quais também eram responsáveis pela seca, pelos terremotos, etc como antes deus ou os deuses eram responsáveis por tudo isto... pois eles nada sabiam a respeito do ciclo da água, das bactérias e virus, das placas tectônicas, etc

Então para eles tudo eram diretamente movido por deuses e/ou diabos... a admissão de outros tipos de explicações era simplesmente impossivel.

Eis porque o Verbo divino envolvido com aquele povo teve que compor um discurso infantil, fazendo uso das figuras mitológicas que eles encaravam como reais e que possuiam certo significado para eles. Portanto quando Nosso Senhor queria designar a presença ou a ação do mal no mundo falava em 'Lucifer' ou 'Satanás' e era facilmente compreendido.

Portanto para nós a presença de tais nomes no livro sagrado será sempre compreendida como a presença e a ação do mal no mundo, mas produzido por nós mesmos seres humanos e destinado a 'destruição' pela correção da vontade auxiliada pela divina graça.

Quanto aqueles que admitem a fábulas dos anjos caidos ou dos anjos que se apaixonaram por mulheres humanas devem estar muito bem preparados para responder aqueles que solicitarem as razões de suas esperanças e que perguntarem porque o poder de sedução das mulheres mortais logrou ser mais forte do que a contemplação do Ser divino ou porque sabendo deus - pois é onisciente - que a maioria de seus anjos e dos próprios seres humanos haveria de apostatar, optou por cria-los dispondo-os a castigos e sofrimentos 'perpétuos'???

Nós não precisamos responder a tais perguntas pois afirmamos que a existência do gênerou humano como um todo foi concebida por Deus tendo como fim último a posse de sua Natureza i é a felicidade eterna. Somente nesta perspectiva a existência converte-se em verdadeiro bem face a inexistência.

Pois para os deserdados ou réprobos do sistema infernista a inexistência é certamente um bem muito superior ao tipo de existência que fruem.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Espíritos malignos, demônios, diabos, etc Um esclarecimento sobre a origem de tais expressões.

Desde que Lutero veio ao mundo ensinar que qualquer tabaréu tinha o direito de examinar as Escrituras Sagradas a confusão instalou-se definitivamente no Reino de Cristo trazendo amplo benefício aos charlatães.

Efetivamente os incautos lendo nas versões modernas e traduções capengas as palavras: espírito maligno, espírito imundo, diabo, demonio, Satanaz, Lucifer, Belzebub, etc ACREDITAM PIAMENTE SER TUDO SINONIMIA OU SEJA TUDO A MESMA COISA...

Toda teologia infernista e demonista foi construida desta forma durante a Idade Média enquanto produto consumado da ignorância em matéria de lingua grega. O inacreditavel é que cinco séculos após o Renascimento as velhas mentiras permanecem de pé como dogmas sacrossantos, a ponto de mancharem o belo nome de Jesus Cristo.

Assim passa o divino Mestre por exorcista e curandeiro ordinário, o Cristianismo como um ritual de pajelança, nossa idéia de Deus ou de mundo como um dualismo grosseiro, nossa idéia de justiça como abominavelmente iniqua, etc e a instituição Cristã como algo asqueroso e desprezivel. As seitas de fato são tudo isto, mas não o Cristianismo sob as formas Católica/Ortodoxa mais esclarecidas.

Para arrematar o que foi dito acima, servem-se os padres e pastores levianos duma fábula rabínica muito mal elaborada que apresenta os tais demonios como anjos caidos (então por aqui já entram os tais anjos complicando ainda mais a questão). A este conto judaico eles aplicam o nome de 'teologia' e depois vão as escrituras judaicas recolher textos fora do contexto para tentar esconder a nudez da argumentação. Antes fossem buscar folhas de parreira ou de figueira como Adão e sua consorte...

Efetivamente mencionam os profetas a queda deste ou daquele soberano seja ele o Faraó, o rei de Tyr ou o rei de Sidon, salientando o orgulho do potentado face a glória de javé e vão desenvolvendo o tema da chegada de tais nabados ao Sheol com toda sorte de alegorias; disto se servem desonestamente os comentaristas para introduzir o tal 'anjo' caido; porque na lingua dos infiéis as palavras rei e anjo (MLK) são similares.

Também não paira duvida alguma sobre o fato de que atualmente, e para sermos precisos a quase mil e quinhentos anos, a palavra Demônio significa anjo caido, sendo equilavente a Diabo, Lucifer, Belzebub ou Satanaz, seus lideres, chefes ou personalidades mais destacadas. O único problema aqui é que nossas escrituras canônias foram compostas no século I desta era ou seja a cerca de 1900 anos, bem como a literatura patristica em sua fase aurea, que corresponde ao século IV ou seja a 1600 anos... QUANDO A PALAVRA DEMÔNIO CONHECIA OUTRA ACEPÇÃO BASTANTE DISTINTA DA ATUAL, CONSTRUIDA NA IDADE MÉDIA.

Logo não é certo nem exato que os Evangelhos, a pena apostólica, os padres apostólicos, os padres apologéticos e os padres em geral; compreendessem as coisas nos mesmos termos que os sectários de hoje e sua demonologia oficial.

Então devemos investigar o sentido original em que o termo era empregado naquele tempo.

A palavra Daemon em sua acepção original significa espírito ou gênio, o qual poderia ser mau (Kakodaemon) ou bom (Eudaemon) como o demônio de Sócrates que era uma espécie de 'eu interior' ou de voz interna procedente do próprio filosofo.

Então já sabemos que os escritores de origem judaica devem ter escolhido esta palavra com o intuito de representar Dibuk, ou espírito de uma pessoa morta que incorpora numa pessoa viva.

A outra expressão equivalente é 'espirito mau' ou 'espírito imundo' a qual tampouco denota qualquer relação entrinseca com supostos anjos caidos.

Há ainda no Evangelho a ocorrência do termo fantasma - por parte dos apóstolos - cuja acepção é clássica e significa sempre 'alma penada' e jamais qualquer outro tipo de manifestações.

Ora quando se trata de possessões e de entidades possuidoras o Evangelho aplica exclusivamente os termos Daemon e espírito maligno/imundo, jamais o termo Diabo ou os nomes Satanaz, Lucifer, Belzebub, etc

EXATAMENTE AO CONTRÁRIO DO QUE SE SUCEDE NAS FARSAS DA IURD E DEMAIS SEITAS PENTECOSTAIS, EM QUE SATANAZ, LUCIFER, BELZEBUB, ETC SÃO APRESENTADOS POSSUINDO AS PESSOAS JUNTAMENTE COM ENTIDADES MITOLÓGICAS PERTENCENTES A UMBANDA E QUIMBANDA (preto velho, cobra coral, maria padilha, pomba gira, tranca rua, etc) NO SANTO EVANGELHO TAIS PERSONAGENS JAMAIS SÃO MOSTRADOS POSSUINDO QUALQUER PESSOA.

Quem possui ali não é diabo, Satanaz, Lucifer ou Belzebub; mas daemon e espíritos malignos, que parecem corresponder ao hebraico Dibuk e a crença do tempo.

Eis porque tais 'espiritos' costumavam levar suas prezas aos cemitérios; porque eram seres ou entidades de origem humana ainda ligados aos corpos materiais que jaziam sepultados em tais lugares.

Admitida esta explicação só nos resta concluir que elas tomavam posse de 'novos' corpos com o intuito de fruir novamente do prazer sensivel da comida, da bebida, das relações sexuais, etc

Destarte se existia ou se existe algo de real por trás de tais relatos de exorcismos e possessões (não em todos os relatos mas em algum excepcionalmente) TRATAM-SE DE ESPIRITOS DE PESSOAS MORTAS E NÃO DE ANJOS CAIDOS CHAMADOS DIABOS.

Nossa explanação esta de pleno acordo com as crenças da época segundo o Talmud e tambem deacorco com a fé dos mais antigos padres da Igreja como Justino, Tertuliano e Clemente de Alexandria, para os quais os Daemons do Novo Testamento eram efetivamente espíritos de pessoas falecidas sem comunhão com o Verbo Encarnado Jesus Cristo.

Parece que o primeiro elder Cristão a receber a doutrina judaica daemons como diabos ou anjos caidos, foi S João Crisóstomo, o qual faleceu em 404. Nós no entanto preferimos ficar com o testemunho comum dos padres mais antigos que floresceram nos primeiros séculos e que foram ouvintes dos apóstolos.



Era Jesus um exorcista no sentido convencional? Qual o significado do Exorcismo no contexto evangélico???

A raiz da palavra exorcismo parace ser tirar algo para fora, no caso em questão um espírito maligno de uma personalidade viva.

Segundo a mentalidade dos povos primitivos a quase que totalidade das doenças seria causada pela intervenção de entidades sobrenaturais como deuses, anjos, genios ou espíritos...

Eis porque não confiavam apenas e tão somente nos procedimentos destinados a atingir o corpo físico, como fossem chás, xaropes, emplastros, etc associando a tais tratamentos a preces, invocações, rituais, sacrifícios, etc elementos que faziam parte da terapia.

Pois como já dissemos o fundo ou a raiz de toda e qualquer enfermidade achava-se centrado na alma ou espírito do enfermo possuido por alguma entidade invisivel.

Mesmo quando tais povos recorriam a procedimentos arrojados como a trepanação craniana não era com o intuito de detectar e extrair tumores ou excrescências, mas com o intuito de extrair os 'espíritos' presos dentro do crânio.

Então se alguém desenvolvia alguma enfermidade ou anômalia era certamente porque havia violado algum tabu e ofendido alguma divindade, gênio ou espírito ancestral, o qual destarte precisava já ser aplacado ou expulso. O sacrifício pacífico buscava aplacar a entidade amigavelmente; o exorcismo buscava obriga-la a sair de seu hospedeiro.

Fórmulas de exorcismo foram encontradas no antigo Egito, na antiga China, na antiga Índia e na antiga Suméria, donde, através da Assíria e da Babilônia chegaram aos antigos israelitas, muito provavelmente durante o exílio. Desde então tornaram-se os judeus peritos em tais cerimônias...

Cerca da Era Cristã corria em Roma o boato de que os judeus eram excelentes curandeiros e exorcistas; mestres e peritos nas artes ocultas... destarte os Cristãos herdaram tal estigma, a respeito do qual fazem gala um Justino, um Irineu e tanto mais especialmente um Origenes e um Tertuliano; destarte Cristão passou a ser sinônimo de exorcista e curandeiro...

Em que pese os desbragados elogios tecidos por Origenes a 'Civilização judaica', que parece por acima da Grega, sabido é que os antigos israelitas não contribuiram em nada para o surgimento e desenvolvimento da medicina.

Despontou de fato a medicina, ao menos sob sua primitiva forma, no Egito, donde passou a Hélade, convertendo-se numa ciência médica, com métodos e fins especificos.

Deve-se este avanço a figura de Hipócrates, o 'Pai da medicina', um grego, nascido na Ilha de Cós. Hipócrates desde moço poz-se a observar os cadaveres dos soldados mortos nas batalhas e a fazer experimentos a partir dos quais concluiu a favor duma origem puramente natural para a maior parte das enfermidades que atingem o ser humano, repudiando consequentemente os ensinamentos dos lideres religiosos a respeito dos castigos divinos, possessões, etc

Nem é preciso dizer o quanto este grande benfeitor da humanidade teve de sofrer por parte dos sedutores, charlatães e fanáticos... correndo risco de morte.

Seja como for logrou ele criar ou primeiro hospital ou centro de curadores, junto ao templo de Asklépios, na já citada ilha. Ali foram formados os primeiros médicos, catalogados os primeiros remédios, desenvolvidos os primeiros tratamentos, delineadas das primeiras dietas, compostos os primeiros almanaques de matéria médica, etc dos quais resultaram grande alivio para os sofrimentos físicos e paulatino aumento da longevidade humana; nem é preciso dizer que o 'exorcismo' não fazia parte desta rotina e que ele jamais fez falta..

Somente as enfermidades psiquicas ou mentais é que permaneceram até certo ponto fora de controle e sob o influxo da religião com seu 'método' sobrenatural. Mesmo porque as pesquisas frenológicas parecem ser apanagio da idade contemporânea...

Os confins da judéia no entanto permaneceram a margem de todo este fluxo evolutivo... como que parados no tempo e estagnados...

Ali Hospital ou médico algum... apenas multidões de rebotalhos humanos oprimidos pela dor e pelo sofrimento.

Nem é para admirar-nos que em semelhante ambiente, economicamente explorado e miserável, cientificamente inascessivel, religiosamente exacerbado... proliferassem no mais alto gráu as enfermidades de talhe psiquico ou mental... sob a forma de supostas infestações 'espirituais' ou possessões.

Destarte pelas areias, montanhas e cemitérios vagavam 'legiões' de possessos, cobertos de andrajos que imitavam as vozes ou mesmo o andar e o proceder dos animais selvagens, com grande espanto por parte do populacho que em tudo isto via a manifestação dos espiritos.

Tal o estado de coisas na Judéia quando manifestou-se nosso grande Salvador Jesus Cristo

Então devemos compreender que o ritual de exorcismo, independentemente da sua eficácia, fazia parte daquela cultura.

Que os próprios videntes deviam ter exercido este ofício e após eles os líderes farisaícos; visando com isto revindicar publicamente o favor divino.

Logo para as massas incultas, o Messias deveria vir não só como Mestre e doutor mas também como exorcista poderoso.

A figura do Messias como curandeiro e grande exorcista fazia parte do inconsciente coletivo e dominava o imaginário do judaismo imediatamente ante Cristão.

Quanto a isto não deve pairar dúvida alguma.

A questão em fóco é a seguinte.

Deveria Jesus adapatar-se a tais concepçõese exercer tal ofício?

Partindo do ponto de vista adotado por nós e segundo o qual o exorcismo não possui existência real mas apenas imaginária, julgamos que boa parte dos Cristãos responderiam que não, sustentando que Jesus não poderia ter prestado apoio a uma prática errônea ou falaciosa; e rebatem alegando que se Jesus oficiou exorcismos é porque este tipo de prática possui validade real, e arrematam asseverando que possessões e Diabos existem... Tais os fundamentos do diabolismo 'Cristão' que até hoje garante os rendimentos dos pastores pentecostais...

No entanto qual é o embalsamento deles? O que os leva a dizer e certificar que Jesus não poderia ter prestado apoio a uma prática errônea ou falaciosa??

É necessário prestar bastante atenção trecho da argumentação porque é capital.

Da mesma maneria que os protestantes creem, porque querem crer e assim lhes agrada, que a 'Bíblia' contem TODO TIPO DE VERDADES, diretamente reveladas pelo próprio deus, e NÃO APENAS VERDADES DE NATUREZA RELIGIOSA, TRANSCENDENTE OU SOBRENATURAL; sustentam do mesmo modo que como Mestre da Verdade - título cujo valor não discutimos - Jesus veio revelar TODA VERDADE e não só a verdade divina, sagrada e religiosa; como cremos nós.

Ora esta é a raiz da divergência entre o Catolicismo esclarecido e o fundamentalismo protestante...

O credo dos Católicos é muito mais reduzido - limita-se aos mistérios constituitivos da fé Cristã: Trindade, divindade de Cristo, Encarnação, Restauração, Sacramentos, Novíssimos, etc - e limitado a verdades de natureza invisivel, religiosa, sobrenatural e divina, enquanto o Credo protestante é a Bíblia TODA, de capa a capa, incidindo sobre áreas como biologia, medicina, física, quimica, direito, etc Daí o criacioburrismo, sabatismo, teocracia, exorcismo, diabos, milagres, etc

No frigir dos ovos a diferença significa que o Cristianismo Católico admite que os limites de seu Credo são espirituais ou religiosos, enquanto que o protestantismo, supõe que a Revelação divina incorpore todo tipo de conhecimento ou de verdades existentes: física, quimica, biologia, psicologia, sociologia, etc

Admitida a premissa protestante, deveriamos censurar Jesus Cristo por não ter ensinado aquele povo a mais básica de todas as verdades: o alfabeto ou seja ler e escrever; porque a maioria deles era analfabeta e analfabeta permaneceu.

Sendo Jesus Mestre e professor de absolutamente tudo, deveria ter começado fundando Escolas para instruir aquele povo!!!

No entanto isto não correspondia a sua função, PORQUE ELE NÃO ERA MESTRE E PROFESSOR DE TUDO MAS APENAS E TÃO SOMENTE DAS COISAS DIVINAS, DAS QUAIS NÃO FAZEM PARTE AS DOENÇAS MENTAIS!!!

Para os Católicos o problema do exorcismo resolve-se nos seguintes termos:

Uma vez que Jesus manifestou-se entre nós com o objetivo de promover exclusivamente o conhecimento de Natureza religiosa ou a Verdade divina, era-lhe defeso no que diz respeito as demais verdades de categoria imanente - fisica, quimica, biologia, sociologia, etc - adequar-se a opinião das massas ou do vulgo profano, ao invés de polemizar a respeito de tais questões atraindo infalivelmente o ódio das mesmas e afastando-as de si.

Pois em todos os lugares e culturas as massas são apegadas a tradição ancestral...

Imagine que voce é médico ou biólogo e que vai a uma aldeia do centro da África implantar um programa de proteção a mulher, ao idoso ou a criança numa perspectiva ética ou axiológica; e lá chegando acaba recebendo alguns doentes ou políticos locais que creem em bruxaria... a qual é crença corrente e disseminada entre todos. Mas voce esta lá e precisa contar com a simpatia e a colaboração deles para implantar o programa em questão...

Voce pode cura-los com suas drogas - independente da opinião deles - acenar com a cabeça, sorrir, silenciar, etc Ou tentar ministrar lições de psicologia, biologia, medicina, etc com o risco concreto de atrair a inimizade deles e de por a perder sua missão...

Então, em situações como estas tem de ter muita sabedoria, flexibilidade e jogo de cintura quanto aquilo que não é essencial e que não depende apenas de voce, mas de investimentos sociais na área da educação, por exemplo...

Foi por isto que dissemos: Caso Jesus fosse mestre de TODA VERDADE em sentido absoluto, começou muito mal, pois deveria ter principiado fundando escolas e alfabetizando o povo.

Mas Jesus veio como Mestre da Verdade divina e da vida ètica, e não das verdades imanentes ou profanas cuja aquisição se dá por via exclusivamente natural.

Eis porque ele não considerou ultrajante para si adaptar-se as preconceitos predominantes entre aquelas gentes; entre crianças o supremo educador assumiu o linguajar de crianças com o intuito de educa-las e eleva-las a partir das coisas santas e divinas.

Ele não mentiu ou ensinou mentiras a respeito do exorcismo porque este não foi o objetivo da sua vinda. Ele apenas foi condescendente, evitando polemizar inutilmente com aquela gente simples e despertar rancores inuteis...

Ele sabia que aquelas pessoas acreditavam piamente que os doentes mentais eram possuidos por espíritos malignos. Sabia igualmente que eles acreditavam que o poder de Deus sendo superior ao poder de tais espíritos era capaz de libertar os possessos...

Uma vez que Jesus revindicava para si não só o poder mas a natureza da própria divindade 'Fazendo-se igual a Deus.' seria para se estranhar, do ponto de vista das massas, que ele se recusa-se a libertar os possessos e a humilhar os espíritos...

Recusar-se a exorcizar seria apresentar-se as massas como embusteiro, pois elas concluiriam que ele, Jesus, não possuia poder algum, pois estava com medo dos tais espíritos.

Jesus não tinha outra alternativa a não ser encarar os tais exorcismos e curar tais pessoas, o que alias, correspondia a sua vontade.

Por outro lado já foi constatado pela ciência que em certos casos irredutiveis de alienação mental - da categoria possessão ou encosto - a prática do ritual de exorcismo, acaba por conduzir o doente efetivamente a cura que se dá pelo processo de simulação e interiorização.

Explico: como o enfermo é uma pessoa simples e crédula; que acredita estar infestado por entidades sobrenaturais, nutre duvida quanto aos tratamentos de carater puramente natural, mas acredita que ao ser exorcizado sera de fato liberto ficando curado... o que muitas vezes - mas nem sempre - de fato ocorre ficando ele curado após um exorcismo ou mesmo a simulação do mesmo...

Eis porque Jesus interagia com os 'enfermos' através das fórmulas convencionais, fazendo com que acreditassem estar sendo exorcizados e devolvendo-lhes a sanidade mental. Não é que houvessem verdadeiros espíritos, o que havia ali era a crença na existência de tais espíritos por parte dos enfermos. Assim sendo, quando Jesus lhes fazia crer que estava expulsando tais espíritos eles ficavam automaticamente curados... Portanto da cura não se pode deduzir a existência real dos espíritos, os quais só existiam nas mentes dos enfermos...

Importa que Jesus obtinha os resultados necessários, trazia alivio aquelas pessoas e adequava-se ao tipo de profeta ou vidente (curandeiro) existente no imaginário das massas incultas; o que era vital para o bom sucesso de seu ministério e para a divulgação da boa nova.

Portanto ao acenar com tais exorcismos, declara Th Hobbes com propriedade, Jesus cumpriu com o papel que lhe era atribuido e esperado na qualidade de Messias e correspondeu as espectativas do povo em geral. O que de modo algum sucederia caso ele se puzesse a dar lições de física, biologia ou psicologia aos campônios da Galiléia revelando-lhes os entrincados processos por meio dos quais consumasse o pensamento humano, os quais só agora começam a ser deslindados.

Conclusão: da prática de tais cerimônias por Jesus Cristo não é lícito a quem quer que seja inferir a existência real de espíritos malignos ou dibuks (a qual de todo não negamos), quanto mais a de supostos diabos ou demônios.