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A consciência histórica do Cristianismo

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sábado, 9 de março de 2013

XXXI - Se é possivel encontrar algum tipo de explicação natural para os milagres de Jesus.





Desde os tempos de Paulus, aqueles que não teem coragem suficiente para repudiar a narrativa evangélica, mesmo no que concerne aos milagres e de classifica-los como pura e simples ficção teem tentado de todas as maneiras encontrar uma explicação natural para os mesmos.

Desde então algumas explicações bastante curiosas - para não dizermos esquisitas - teem sido propostas.

Quanto a conversão da água em vinho em Caná da Galiléia, teem os críticos sustentado que as talhas de pedra porosa utilizadas para armazenar o vinho durante séculos a fio estavam de certo modo impregnadas com seu sabor, que quando a água foi entornada neles tomou o gosto do vinho fazendo com que os comensaís já bebados imaginassem estar bebendo o precioso fruto da vide.

Não sei ao certo se tais criticos deram-se ao trabalho da ir a atual Caná para examinar as talhas e verificar se eram feitas mesmo com pedra porosa. Ignoro do mesmo modo donde tiraram a informação segundo a qual as ditas talhas eram empregadas há muitos séculos pelo povo da Vila. Parece no entanto que o mordomo não estivesse bebado como os demais, e que mesmo assim tenha elogiado a qualidade do vinho. No entanto, como especialista em vinhos ele deveria saber distinguir perfeitamente água com gosto de vinho de vinho forte...

Quanto a multiplicação dos pães e peixes alegam os mesmos críticos, dizendo que na verdade muitas pessoas haviam levado pão e peixe em seus farnéis, enquanto outras estavam a passar fome. Quando Jesus e os apóstolos ofereceram o pão e o peixe que possuiam a todos; aqueles que também haviam trazido sentiram-se tocados no coração e partilharam com os vizinhos, de modo que acabaram sendo saciados.

No caso os apóstolos, como perfeitos idiotas, é que deixaram de perceber o fato, atribuindo todo suprimento excedente a ação miraculosa de Jesus.

Quanto a Jesus estar caminhando sobre as águas do mar de Kinereth. Outra percepção confusa captada pelas mentes infantis e aterrorizadas dos apóstolos. Pois na verdade estava Jesus caminhando sobre a faixa de areia apenas coberta pelas águas ou sobre algumas pedras igualmente cobertas...

Como no entanto um barco possa pescar junto as margens arenosas sem encalhar ou junto as pedras sem ser partido por elas é justamente o que não podem os críticos explicar.

Trata-se sem duvida de explicações engenhosas, mas nem por isto artificiais e, via de regra, opostas aos detalhes fornecidos pela narrativa.

Seja como for elas são de todo ineficazes tendo em vista explicar as diversas curas físicas e mentais operadas pelo nazareno.

Aqui atalham alguns, como já assinalamos, julgando que nosso Senhor estivesse muito bem informado a respeito da natureza psicosomática de certas enfermidades e de como se deve fazer para sana-las.

Que sua personalidade fosse excepcionalmente forte ou mesmo que ele praticasse hipnose ou outras técnicas de controle mental postas em prática por Mesmer, pelo abade de Faria e em nossos dias por certo número de padres, médiuns e especialmente pastores charlatães.

De fato todos estamos bem a par de que paralisias e cegueiras produzidas por certos estados mentais desenvolvidos a partir de choques ou traumas; podem ser eliminadas quando o estado mental que as provocou é alterado. Geralmente por meio do transe ou do extase, estado de espírito que exacerba as emoções... Assim eles empregam a hipnose, o transe e o emocionalismo tendo em vista obter a seçassão do estado mental que produz a 'doença' ou melhor o sintoma.

Daí as falsas curas físicas, que não passam de curas mentais naturalmente executadas e apenas falsamente atribuidas ao sobrenatural ou seja a Deus.

Então eles supõe que parte das curas operadas por Nosso Senhor enquandram-se neste tipod e classificação.

Advirto no entanto que o surgimento de semelhantes estados mentais não é obtido facilmente ou sem certa dificuldade. Exigindo algum tipo de técnica.

Eis porque Mesmer jogava com as cores das roupas e cortinas, com as luzes, com a música, etc tendo em vista induzir o público ao transe. Assim todos os mediuns, padres e pastores charlatães atuam a portas fechadas, cercados por auxiliares, e modulando o tom da voz e das músicas; para que as pessoas fiquem excitadas e fora de si mesmas, i é, em transe.

Daí a justa acusação feita pelos adversários da existência do milagre no tempo presente, os quais alegam que as ressurreições e curas divinas só são realizadas a portas fechadas, diante de meia dúzia de 'santos', no meio da noite em alguma vilazinha obscura da África...

Fossem de tal gênero os milagres de Jesus e ele não seria Jesus; mas um prestidigitador qualquer.

Acontece que os milagres realizados por Jesus, realizados foram a luz do dia; sem qualquer preparação prévia; expontaneamente, em praças ou ruas lotadas, diante de seus inimigos e sem o emprego de quaisquer 'ritos'... Não havia nem exortações empoladas, nem música de fundo, nem meias luzes, nem uniformes, etc

Nada que se assemelha-se a magia. Nada que se assemelha-se a un tipo de sessão religiosa ou mesmo a qualquer tipo de terapia psicológica.

Para complicar ainda mais as coisas, os hagiografos costumam registrar que o cego era 'cego de nascença' ou que o paralitico, paralizado estava a trinta e oito anos (ou seja, desde quando Jesus nascera ); que Lídia, a hemorroisa, padecia já há doze anos; que a mulher aleijada sofria há cerca de dezoito anos... Ora períodos tão longos de sofrimento são típicos de enfermidades físicas ou reais e não de enfermidade psicosomáticas ou artificiais.

Sabemos no entanto, que em tais casos, a hipnose é de todo improficua... verdadeiras paralisias e verdadeira falta de visão; bem como a lepra são irredutiveis a sugestão e por assim dizer incuráveis e irreverssiveis.

Eis porque diante de tais narrativas, recorrem alguns de nossos adversários a teoria de que, a semelhança das pessoas que classificamos como medius ou sensitivos, possuia Jesus no mais alto gráu certos poderes de natureza mental. Teria pois Jesus curado os leprosos, os cegos e os paralíticos com o extraordinário poder de sua mente.

Esta explicação ainda que possível é precária; pois todos os experimentos no campo da metapsiquica ou da parapsicologia tem demonstrado que a ação do poder mental também esta na dependência de certo estado de espirito ao menos por parte do agente, quando não por parte do paciente. Ou ao menos na dependência de certos meios - como a imposição das mãos - mais ou menos prolongados.

Queremos dizer que o poder mental, por maior que seja, jamais atua sem que o agente esteja em transe ou sem que sua ação sobre o paciente seja regular e prolongada por alguns minutos no mínimo.

Jesus porém executa suas curações sem jamais entrar em transe e se na maioria das vezes toca o paciente, as curas são instantaneas sem necessidade de prolongadas e repetidas sessões de energização com as mãos. Ainda aqui o procedimento de Jesus foge a regra estudada pelos parapsicologos.

Pois Jesus cura apenas com uma palavra ou com um toque, imediatamente. Então não parece provavel que tenha tirado algum poder natural de sua própria mente como as mediuns Pipper e Paladino; as quais executavam suas curas e fenômenos com grande esforço e sacrificio.

Teriam os possessos/alienados mentais sido curados por processo puramente natural de simulação??? Ou Lídia, a hemorroiza; sido curada por algum tipo de poder retirado da mente do Salvador?? Não serei dogmático aqui, mas direi apenas que tais processos são inuteis face a outros tipos de enfermidades e curações...

Há na cidade vizinhas a minha uma sra que em estado de transe ou excitação, tornando-se insensivel (anulação da estesia ou da sensação de dor), caminha sobre um imenso tapete de brasas vivas a cada sexta feira santa do ano; sem que com isto sofra qualquer dano. Além dos estudiosos pessoas da minha família, que moram no mesmo bairro que ela tem testemunhado o fato ano após ano...


Tantos quantos assistiram o espetáculo em questão salientam que antes de executa-lo a senhora em questão prepara-se e concentra-se, exigindo para isto certo esforço. É a auto sugestão!

Quando Jesus caminhava sobre as águas do Kinereth no entanto nada indicava que estivesse em transe ou concentrado... ou que tal demandasse grande esforço da parte dele.

Seja como for tais expedientes - naturais ou paranormais - não se aplicam de forma alguma as ressurreições obradas por Nosso Senhor.

Pois medium, charlatão, psicologo ou homem algum logrou reproduzir semelhante mistério.

Tampouco se ouviu dizer algum dia que homem qualquer tenha feito serenar uma tempestade, fosse sensitivo, charlatão, pastor ou psicologo.

Jamais se ouviu falar em peronagem que tenha dito as nuvens: Recuai e ao qual os elementos tenham imediatamente obedecido.

De fato reza uma sifra dos judeus:

"Quando o rei Massih chegar três coisas realizara: Ele abrirá o seio da mulher estéril, ele abrirá; ele governara os elementos a sua vontade fazendo chover e estiar e ele retirará os mortos de dentro da sepultura. Assim fará o rei Massih e homem algum poderá explicar o que ele realizou."

Parece-me que esta sifra dos infiéis é absolutamente perfeita.

Pois abriu o Senhor e Mestre não o seio duma mulher esteril; mas o seio duma Virgem intacta. O que é humanamente impossivel a qualquer título.

E ninguém pode explicar este mistério do ponto de vista natural.

Ele tambem fez serenar os ventos e sustar a tempestade; coisa que faculdade alguma pode explicar do ponto de vista da natureza.

Enfim ele fez ressurgir três dormentes além de si próprio. O que tampouco pode ser explicado por meio da sugestão ou de qualquer tipo de poder paranormal.

Permanecendo sua origem, seu domínio sobre os elementos, e seu 'fim' para além de qualquer tipo de explicação que desconsidere a atuação divina e sobrenatural.





XXX - Dos milagres realizados por Nosso Senhor Jesus Cristo





Principiando pela conversão de água em vinho em Caná da Galiléia, executou Nosso Senhor os seguintes milagres:  


CURAS

2 - Os dois cegos de Jericó, sendo um deles Bartimeus
3 - O cego de nascença
4 - A sogra do apóstolo pedro, Hannah
5 - Lídia, a mulher hemorroisa.
6 - O filho de oficial
7 - Um hidrópico
8 - O paralitico junto a fote do Gion
9 - Um leproso
10 - Os dez leprosos
11 - O marceneiro cuja mão estava atrofiada
11 - A restauração da orelha de Malco
12 - O paralitico que fora descido pelo teto
13 - O amigo do centurião
14 - A filha da mulher Siro fenicia
15 - O surdo mudo
17 - A mulher encurvada
18 - O jovem surdo e mudo
19 - Outro mudo
20 - Possesso (louco)
21 - Louco de Gadara

OUTROS TIPOS


22 - Tempestade acalmada
23 - Cinco mil homens alimentados
24 - Pesca milagrosa
25 - Figueira secada
26 - A moeda do tributo
27 - Jesus caminha sobre as águas
28 - Salvamento de Pedro
29 - Escapa a seus persseguidores passando por meio deles.




RESSURREIÇÕES


30 - A filha de Jairo
31 - O filho da víúva de Naim
32 - Lazaro


Temos aqui o total de meia centena de milagres expressamente citados.

Supondo que Jesus tenha executado muitos outros, podemos supor que realizou no máximo cerca de 200 ou 300 atos de natureza extraordinária.



XXIX - Qual teria sido o primeiro milagre realizado pelo divino Mestre?




Refere o quarto Evangelho que o primeiro milagre do Salvador bendito teria sido feito a pedido de sua Santa Mãe em Caná da Galiléia, quando nas bodas converteu água em vinho.

Os apócrifos no entanto asseveram que muito antes disto já havia ele realizado inumeros sinais e prodigios.

Como inclinado as tamareiras do Egito para que sua mãe pudesse saciar a fome ou feito tombar as estátuas dos deuses...

Outros relatos descrevem como a água em que Maria SSma havia banhado seu divino filho lançada sobre os leprosos purificava-os.

Tendo certa vez faltado água para os trabalhos domésticos teria o Senhor enchido os jarros miraculosamente.

Alguns doutores supõe que a Virgem ousou solicitar o milagre de Caná, justamente por ter testemunhado a realização de tais prodigios...

E explicam que o milagre de Caná foi classificado como o 'primeiro' não por ter sido o primeiro milagre realizado pelo Senhor em termos absolutos; mas por ter sido o 'primeiro' milagre realizado no que concerne a sua vida pública ou durante seu ministério.

Com esta sutil diferenciação abrem os teólogos as portas da instituição Cristã para todos os supostos milagres contidos nos apócrifos da infância.

O que nos leva a questionar se tais milagres possuem alguma credibilidade.

Encontrar uma resposta para o problema não parece muito díficil.

Pois caso o menino Jesus tivesse de fato executado tantos e tão soberbos prodigios ainda no berço ou durante a infância, teria se tornado bastante conhecido ou mesmo famoso desde então e atraido precocemente a atenção de seus adversários os escribas e fariseus aos quais o significado de tais milagres não teria passado desapercebidamente.

Ficando destarte comprometido o ministério de Nosso Salvador.

Eis porque descartamos em bloco todas as narrativas de milagres contidas nos apócrifos, crendo que até o inicio de seu ministério publico levou o Senhor um tipo de vida pacato e discreto e que a transformação da água em vinho em Caná da Galiléia corresponde a seu primeiro milagre em sentido absoluto. Não tendo realizado qualquer outro antes.

Embora depois do inicio de seu ministério possa ter realizado muitos outros milagres, os quais jamais foram registrados ou foram consignados nos livros apócrifos; mormente no Evangelho dos Hebreus.

Isto esta de pleno acordo com as palavras de S João: Ele realizou muitas outras coisas que não foram registradas aqui e que nem mesmo todos os livros do mundo seriam capazes de conter caso devessem ser registradas.








Uma narrativa apócrifa> Jesus e a origem das andorinhas





Estava Jesus filho de Maria a brincar junto ao caminho que conduzia a sinagoga local.
Formava ele pequenos passarinhos com barro e punha-os a secar.

Como fosse sábado passou um fariseu em demanda do local de culto. E tendo observado que o garoto exercia trabalhos, advertiu-o:
-- Ignoras tu oh menino que não é permitido modelar no sábado do sétimo dia?

Jesus no entanto continuou a brincar despreocupadamente.

Eis porque o rígido seguidor da lei mosaica, cheio de azedume, levantou seu rústico bordão e poz-se a destruir o que Jesus havia modelado com tanto amor e carinho

O Nazareno limitou-se a exclamar: Voai! Naquele mesmo instante as peças de barro adquiriram vida e cor, levantaram leve e apressado vôo e perderam-se no azul do firmamento.

Evangelho dos Hebreus.

sexta-feira, 8 de março de 2013

XXVII - Da finalidade dos milagres executados por N S Jesus Cristo





Aos ateus, materialistas, incrédulos, deistas e hesitantes pode parecer bastante estranho, que nós, mesmo repudiando a continuidade dos milagres até o tempo presente; admitamos no entanto a veracidade dos milagres atribuidos a Jesus Cristo e aos apóstolos no Novo Testamento e a alguns extremistas, adeptos do tudo ou nada, nossa postura até deve parecer arbitrária e incoerente.

E no entanto nossos raciocinios primam pela mais rigorosa linha de coerência.

Pois teem seu ponto de partida em nossa convicção a respeito da Encarnação ou seja da divindade de Jesus.

Nós cremos que Jesus seja verdadeiro Deus, o Todo poderoso Criador deste e de todos os incontáveis mundos.

Que o milagre seja possivel decorre da existência mesma de Deus.

Existindo o Deus todo poderoso não há como repudiar, a priori, a possibilidade do milagre, embora se possa questionar sua conveniência.

O homem sempre poderá posicionar-se contra a conveniência do milagre, mas de modo algum contra sua possibilidade. A menos que seja ateu...

Os deistas negam justamente a conveniência do milagre, nos termos em que aludimos no artigo anterior. E pelo menos até este ponto estamos de acordo com eles.

Nós não cremos que o mundo material ou a natureza seja má ou que precise ser consertada.

Os deistas no entanto levam seus argumentos mais além... sustentando que nada justifica a ocorrência de milagres.

E que eles são absolutamente inconvenientes.

Voltemos porém um tanto atrás.

Caso admitamos que Jesus seja Deus não há como negar que ele pudesse executar os sinais e prodigios que lhe são atribuidos pelo Evangelho.

Então a questão aqui limita-se a conveniência ou não do fenômeno. Não dizendo respeito a sua possibilidade...

Evidentemente que a questão da conveniência nos conduz a questão da finalidade.

Qual a finalidade das obras extraordinárias operadas por Jesus Cristo???

Corrigir algum defeito presente no mundo físico ou natural???
A quem pense assim. Nós no entanto julgamos que não.

Nós não acreditamos que o propósito do Senhor tenha sido atuar apenas no mundo material com o propósito de corrigi-lo. Neste sentido os milagres seriam dispensáveis...

O propósito do Salvador era doutra lavra e de categoria muito mais elevada.

Operou ele contra as leis que regulam a matéria tendo em vista interferir no mundo espiritual ou moral.

Foram os objetivos de Jesus Cristo de natureza ética ou moral.

Sua meta foi educar o gênero humano e reintegra-lo ao meio divino.

No entanto para atrair a atenção dos seres que desejou beneficiar, precisou ele satisfazer as espectativas de suas mentes carnais, impregnadas de fetichismo.

No caso os milagres foram uma concessão feita as exigências da mentalidade primitiva e grosseira.

Para chamar a atenção das pessoas procedeu ou Salvador exatamente da maneira como elas esperavam que Deus procedesse: Manifestando toda sua força e poder.

Pois no tempo de Jesus os homens conheciam apenas a linguagem da força e do poder. Eles não faziam a mínima idéia quanto ao cárater da lei natural e só podiam imaginar Deus ou deuses como interventores.

Destarte caso alguém revindicasse para si a divindade, deveria corroborar sua revindicação por meio de milagres.

Portanto teve Jesus que ser complascente para poder atrair as massas incultas e bárbaras.

Pois elas jamais se deixariam atrair, persuadir e educar por meio de belos discursos.

O deus que elas imaginavam e desejavam era o Deus Todo poderoso. Jesus teve de assumir sua forma para convence-las.

Os apóstolos também precisavam deste adjutório tendo em vista implantar a Igreja Católica entre as diversas nações da terra e garantir sua sobrevivência e crescimento.

Eis porque lhes foi concedido e facultado o mesmo poder. De fato as primeiras gerações de Cristãos foram atraidas e convencidas por obra e graça do sobrenatural.

Sem o concurso do miraculoso os apóstolos teriam atraido um número bastante restrito de almas.

Correspondem os milagres executados pelos apóstolos e discípulos as estacas ou apoios que costumamos colocar junto as plantinhas pequenas para que se firmem e cresçam.

A Igreja é esta plantinha. Daí nos primórdios ter sido implantada e conservada a custa de sinais e prodigios.

Quando a igreja cresceu e teve sua existência definitivamente assegurada, as estacas ou apoios foram retirados; porque já haviam cumprido sua finalidade e não eram mais necessários.

Cessou desde então a economia dos milagres cedendo lugar as leis inflexiveis da natureza.

Garantida a sobrevivência da instituição Cristã, da revelação divina e da boa doutrina não havia mais precisão de tais recursos, sobrenaturais. Assim sendo foram suspensos.

E passou e tem passado a Igreja muito bem sem eles.

Resta-nos responder a seguinte pergunta: Teria Jesus Cristo obtido algum resultado ou sucesso caso tivesse optado por não realizar milagres.

Certamente que teria obtido algum resultado mas não na mesma proporção e medida.

Corresponde portanto o milagre a melhor saida ou solução possivel tendo em vista os efeitos planejados e desejados por Deus; especialmente quanto a duração de tempo envolvida no processo.

Sem os milagres tudo teria ocorrido em ritmo mais lento, tomando a História outros rumos e caminhos.

Então compreendemos que o milagre correspondeu ao propósito divino e a uma redenção disposta para os mundos espiritual e moral e não para o mundo físico ou natural.

Eis porque, quando chegou o momento propício, foi cancelado.

O que ja havia sido indicado pelo Apóstolo quando escreveu: as profecias acabarão, as linguas cessarão, etc De fato tais fenômenos acabarão e cessarão após a era apostólica.






Considerações racionais em torno do milagre 1

Não creio na ocorrência de milagres no tempo presente.

Como Cristão, Católico e Ortodoxo creio apenas e tão somente nos milagres citados no registro do Novo Testamento. O que me é facultado pela mãe Igreja e a todos os crentes.

Apenas os sinais e prodigios efetuados pelo Divino Mestre e por seus apóstolos pertencem ao depósito da fé imaculada.

Portanto sou livre para crer que o tempo ou o periodo dos milagres cessou.

E porque?

Porque os milagres correspondiam a um determinado objetivo.

Atingido tal objetivo eles perderam sua razão de ser.

Esta distinção é capital.

Pois aquele que creem na continuidade e perenidade do milagre, inda que inconscientemente a creditam que o propósito de tais fenômenos consiste em solucionar problemas relacionados com a estrutura do próprio mundo.

Intervem o divino para corrigir os defeitos presentes no mundo material ou natural.

Então eles creem que o propósito divino é interferir no plano material, como que redimindo-o de alguma imperfeição. Enquanto que nós cremos que o próposito divino executado por meio dos sinais e prodigios consiste em interfirir no plano ético ou moral

Então nós não acreditamos que o escopo da ação divina seja consertar ou recauchutar a natureza.

Pelo simples fato de ter sido a natureza concebida e produzida por Deus, pelo Deus perfeito.

Admitir que Deus precise intervir ou inteferir constantemente implica que não soube planejar.

A correção ou o intervenção implicam numa ação a posteriori, que só faz sentido em se tratando de seres temporais que ignorando o futuro atuam por meio de erros e acertos ou seja por meio de testes. Verificando os resultados para em seguida aprimora-los.

Ora este tipo de procedimento é incompátivel com a idéia de um ser plenisciente, i é, que tudo sabe e conhece.

Este não precisa esperar os resultados da ação para executar uma ação melhor, ou seja, não precisa consertar o que fez ou interferir.

Deus só pode agir a priori ou seja planejando com máxima qualidade e perfeição e evitando os erros e problemas antes que ocorram.

Eis porque não poderia ele construir um relógio imperfeito, cuja corda precisasse ser dada de tempos em tempos para funcionar.

Pode o perfeito produzir algo que seja inferior a si.

Mas não pode produzir, sendo perfeito, algo que seja imperfeito em seu gênero.

Assim produziu Deus o homem como inferior a si, mas como perfeito em seu tipo que é o humano.

Todas as coisas que procedem de Deus são boas e perfeitas em si mesmas.

Eis porque o mundo físico ou natural deve ser bom e suas leis absolutamente perfeitas. Excluindo qualquer necessidade de intervenção, e assim sendo, a continuidade do elemento miraculoso.

É o universo como um relógio ou melhor dizendo como uma máquina automática ou auto regulavel pelas leis baixadas pelo Supremo Legislador.

Grande parte dos Cristãos não tem compreendido isto, mas apresentado deus como um ser limitado e imperfeito; o que a nosso ver é bem pouco reverente.

Eles creem num deus interventor ou melhor querem um deus interventor, porque compreendem muito precariamente as leis naturais, porque julgam equivocadamente a natureza a partir do ponto de vista da moralidade e enfim porque encaram a natureza como má.

Crendo alguns deles que ela chegou a ser afetada ou atingida pelo pecado ou seja por um ato de volição humana. O que comporta voluntarismo...

Tais os resíduos do maniqueismo presentes na instituição Cristã.

Nós no entanto já declaramos que não cremos que o pecado tenha poder suficiente para transtornar a obra boa do Deus bom ou para subverter o mundo físico ou natural.

Mormente quando o mal ou o pecado não é, isto é, não subsiste em si mesmo mas apenas e tão somente na condição do homem pecador.

Nós não podemos admitir que qualquer entidade inferior, e logo subordinada ao Criador, possa corromper por completo as criaturas que ele produziu e declarou boas. Nós cremos que apesar do homem, da vontade e do pecado tal gênero de coisas - materiais - pemanece sendo bom.

Então não percebemos a necessidade de que Deus deva operar na matéria contra as leis mesmas que ele sancionou. Se tais leis foram promulgadas por ele devem funcionar e não serem canceladas...

Não compreendo que seja bom suspender a lei boa decretada pelo Deus bom, exceto se tal suspensão corresponda a uma esfera de bens diversa e de natureza mais elevada.

Portanto a ninguém é lícito acusar-nos de fetichismo por admitirmos os milagres executados por Cristo e seus apóstolos sem antes ouvir ou ler nossa justificação.

Nem atribuir a nossas pessoas as crenças correntes entre o vulgo a respeito da continuidade dos milagres e do objetivo deles no plano da natureza material. Nós não compactuamos com tais teorias e não admitimos que milagres sejam executados no tempo presente.

Tal e qual os ateus, materialistas, incrédulos e religiosos mais esclarecidos nós cremos que o tempo presente é regulado apenas e tão somente pela lei natural, sem qualquer possibilidade de alguma intervenção sobrenatural ou extraordinária.