O verbo se fez carne...

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A mãe do Verbo Encarnado

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A consciência histórica do Cristianismo

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sexta-feira, 29 de março de 2013

XCVI - Menandro, Cerinto e Nicolau.





Segundo se diz Menandro, samaritano de Carapatéia, tendo ouvido as lições de Simão ou lido seu livro, cultivou as artes da magia e conseguiu estabelecer uma pequena comunidade em Antioquia (Antakia). Justino I Apologia XXVI

Parece que seu seguidores eram batizados em seu próprio nome e que, a exemplo dele, acreditavam adquirir a juventude eterna e a imortalidade. Irineu Ad Haeres I, 25, 5 

Coisa difícil de se acreditar caso não estivéssemos informados a respeito duma mulher, que há bem pouco tempo dissipou todos os seus bens por acreditar que certo 'líder espiritual' seria capaz de ressuscitar-lhe a progenitora, morta e enterrada há meses!!!

Daí os sábios ensinarem que duas coisas são infinitas: A paciência do Santo Deus e a ignorância humana; nem pode Deus perder sua paciência e entregar-se a ataques de cólera, nem pode o homem com facilidade emancipar-se desta triste condição.

Cerinto, procedente talvez do Egito, estabeleceu-se na Ásia menor enquanto o apóstolo João ainda vivia.

Policarpo contava a seus discípulos uma história segundo a qual tendo S João entrado nas termas e sido informado de que Cerinto ali se encontrava, saiu as pressas, quase nu, por temer que o edifício viesse abaixo. (Irineu)

Desde então principiou a redigir o quarto Evangelho.

Ele ensinava, dentre outras coisas, que o 'homem Jesus' haveria de ressuscitar no último dia juntamente com todos os seres humanos. Hipolyth 'Philosophumena' VII, 22

Ele também ensinava o surgimento de um Reino milenar antes da ressurreição e do juízo.

Também manteve a observância da lei judaica.

Representando uma espécie de convergência entre o gnosticismo e o ebionismo.

Do pouco que sabemos a respeito deste personagem conjecturamos ter florescido cerca de 75/80 desta Era, pertencendo a segunda geração de heréticos com Tebutis, Menandro e Nicolau.


A respeito de Nicolau, fundador da seita dos Nicolaítas, Irineu declara ser o mesmo diácono abençoado pelos apóstolos.

S Clemente de Alexandria no entanto, refere que Nicolau fora mal compreendido pelos catecúmenos, os quais tomaram seu nome com o intuito de justificar o consumo das carnes imoladas aos deuses, a fornicação e outros pecados. Vict Poet 'Comm in Apocalip' Eles, ensinavam, muito provavelmente, algum tipo de teoria fideista que pondo a fé acima das obras acenava com uma salvação 'no' pecado.

João, o presbítero, no livro do 'Apocalipse' declara que o erro dos nicolaítas deve ser odiado.

Eles devem ter florescido cerca de 70/80.










quinta-feira, 28 de março de 2013

XCIV - O caminho das seitas - O gnosticismo







Tal o ecleticismo helenista no campo da Filosofia, tal o sincretismo religioso ou gnosticismo.

Fruto da inter relação ocorrida entre o pensamento platônico e os mistérios a um lado e as grandes religiões orientais, como zoroastrismo, hinduísmo e budismo, a outro.

No gnosticismo ou sincretismo pagão tudo se identificava e completava-se por assim dizer.

Nele havia lugar para o deus supremo e incognoscível... e para os deuses tradicionais ora convertidos em anjos, arcontes ou eões...

Para a transmigração...

Para o maniqueísmo...

Para a teurgia...

Para o ascetismo...

Para o catastrofismo...

Destarte não demorou para que toca-se ao judaísmo, atingindo primeiramente os judeus helenistas e certamente, antes de todos, os de Alexandria.

Pois se, para Filon, Moisés estava de mãos dadas com Platão, para muitos Platão estava de mãos dadas com Orfeu, Zarates, Buda, etc

Ademais a alegoria tudo permitia e tudo conciliava.

Não demorou pois para que o gnosticismo principiasse a flertar com o Cristianismo.

Afinal se Moisés além de recorrer a alegoria, ministrara alguns ensinamentos secretos a um seleto grupinho de iniciados, por que Jesus não teria procedido do mesmo modo e maneria.

Assim, como os judeus cabalistas davam com toneladas de 'ensinamentos ocultos' debaixo de cada letra da Taurat; os 'cristãos' gnósticos forcejavam por encontrar os mesmos ensinamentos em cada 'entrelinha' do Evangelho...

Do mesmo modo e maneria, os 'cristãos' gnósticos acreditavam que um tipo de Cristianismo mais refinado havia sido revelado, ou pelo Senhor a alguns dos apóstolos - como Pedro, Paulo, Tiago maior, João e Tomé - ou pelos apóstolos a alguns de seus ouvintes quais fossem: Marsanos, Cleóbio, Silvano, Glaucias, etc

A respeito de tais figuras nada sabemos ao certo, embora algumas fontes pareçam corroborar-lhes a existência.

Os gnósticos no entanto afirmavam terem sido eles os prediletos dos apóstolos e os instrutores de seus mestres Menandro, Saturnino, Marcos, Valentino, Carpócrates, Heráclio, Ptolomeu, Bardesaian, etc

Assim, de terceira mão ou oitiva, no segundo século, eles passaram a codificar certas tradições supostamente apostólicas e a compor Evangelhos e Atos e nome de Pedro, Paulo, Tiago, João, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, etc

Duvidoso é antes de tudo o alegado vínculo existente entre seus Mestres e as citadas personagens que teriam se assentado aos pés dos apóstolos.

Embora seja certo que nenhum desses Evangelhos ou Atos seja anterior ao ano 100 ou mesmo a 120.

O que todavia indica a anterioridade do movimento ou da corrente. Que bem pode ter infectado os elementos da Igreja a partir de 70 ou mesmo de 60, independentemente da ação de Simão, o mago.

Destarte já sabemos porque Paulo, nas pastorais (escritas em 65/66) alude já, a tais elementos - Alexandre, Himineu, Filetos, Cleobio (na III Cor) - mas não como discípulos prediletos senão como opositores e apóstatas. O mesmo declara; joão, o discípulo (ou presbítero) a respeito de Diotefres.

Portanto se Marsano, Silvano e Glaúcias; dentre outros existiram de fato; ou tiveram seus nomes tomados de empréstimo; ou apostataram e mereceram o anátema dos apóstolos, a exemplo de Simão, o mago e Cleóbio.

Como já foi dito por nós os gnósticos acreditavam que do Deus Supremo (Abyssus ou Theos agnostos) procediam uma série de emanações ou entidades, uma mais imperfeita do que a outra - Sofia, Sofia Filha, Teletos, etc - até que a mais imperfeita e por assim dizer maligna produziu este nosso mundo material.

Diziam ainda que as entidades mais elevadas e puras por terem cometido algum delito foram precipitadas nos corpos dos homens mortais.

Que o demiurgo mau apresentou-se como 'deus' aos homens deste mundo com o objetivo de mante-los escravizados pela ignorância. Outros no entanto alegavam que ele dividiu este mundo com seus irmãos, ou seja, com as demais entidades malignas, de modo que cada qual tomou para si um povo ou uma nação; recebendo o nome de governador ou arconte. Tal a origem dos diferentes deuses...

Cada deus ou arconte oprimia seu 'rebanho' exigindo oferendas e sacrifícios.

Assim os homens, sob a tirania dos eões, anjos ou arcontes, permaneciam completamente ignorantes a respeito da origem divina de suas almas. E iludidos permaneciam neste plano e tomavam posse de novos corpos materiais perpetuando seus sofrimentos...

Compadeceu-se no entanto o Pai incognoscível e determinou 'redimir' tais homens comunicando-lhes o verdadeiro conhecimento sobre a origem da alma.

Eis porque enviou sua emanação primordial: o Logos, Filho ou Cristo cósmico, a este mundo material, com o intuito de instruir um grupo de iniciados. O Cristo cósmico apossou-se - durante o Batismo - do corpo do homem Jesus, filho natural de José e Maria, o qual veio a abandonar quando estava prestes a ser supliciado... Outros ensinavam que sendo o corpo de Cristo de matéria sutil ou aparente, desprendeu-se da cruz ou evaporou-se... ou declaravam ainda que Judas, ou Barrabás, ou Cirineu; havia sido pregado em seu lugar.

Quanto aos homens estavam divididos em três grupos:


  1. Os Pneumáticos ou espirituais: que procediam das entidades mais elevadas sem mistura com a matéria má. Alguns diziam que ele haviam sido criados pelo Logos ou por Sofia; sem que conhecimento do Demiurgo; tais os gnósticos que se salvam pelo conhecimento da verdade apenas
  2. Os psíquicos ou racionais: Neles há mistura entre o elemento procedente das entidades mais elevadas e a matéria má. Por isso eles precisam duma redenção pela fé e pelos sacramentos; até que a matéria má seja eliminada por completo. Tais os Ortodoxos, que purificados poderiam renascer como pneumáticos.
  3. Os hílicos, animais ou carnais (alogos): Neles não há elemento material, mas apenas matéria má procedente deste nosso mundo; são os filhos gerados pelo Demiurgo e devem desaparecer com este sistema. Tais os pagãos.


Segundo dizem eles quando o Demiurgo cessar de produzir entidades materiais Sofia filha retomará seu lugar no Pleroma, correspondendo esta redenção ao plano arquitetado pelos demais eões. E com ela irão os pneumáticos.

O próprio Demiurgo será integrado ao Kenoma com os psíquicos que restarem ao tempo.

Quanto aos carnais perecerão juntamente com a matéria má que compõem este nosso mundo.

Para eles Cristo, Nous, Espírito Santo, Salvador, etc constituiam diferentes eões ou anjos.

Eis porque nos deparamos em seus escritos com os mesmos nomes. O significado no entanto é totalmente diverso; porque enquanto nós acreditamos numa Trindade indivisível eles acreditavam em Trinta ou sessenta emanações ou entidades com vontades diferentes e operações opostas. Pois seu Pleroma é formado por trinta deuses partindo da Ogdoada e o Kenoma da mesma forma.

Naturalmente que cada mestre ímpio apresentava o sistema a sua maneria; assim sendo Sofia, Nous, Cristo, Salvador, Espírito Santo, Demiurgo, etc desempenham papéis diferentes, segundo a imaginação de cada um... E havia tantos 'pleromas' quanto cabeças...






terça-feira, 26 de março de 2013

XCI - Ebion e seu significado





Esta seita como já fizemos questão de observar foi criada por Tebutis, o 'ebion' ou pobre, logo após Simão ter conduzido o povo a Pela, na Peréia; segundo Epifânio, a mudança de local e de Bispo (porque S Tiago fora executado em 65) favoreceu a criação do grupo.

O mesmo escritos informa que Tebutis era procedente da aldeia de Cocabe, cerca da Batanéia.

Segundo Jerônimo haviam diversos tipos de Ebionitas ou melhor diversas seitas que partilhavam deste nome.

O elemento comum porque estavam unidas era a fidelidade irrestrita ao mandamento da limitação de riquezas ou como diziam em seu idioma a 'pobreza'.

Uma vez que parte deles se extinguiu e parte se desviu da sã doutrina a respeito de Jesus; e que nossa Santa Igreja veio a ser demasiado tolerante para com a posse e acumulo das riquezas condenadas por Cristo; muitos de nossos mestres e doutores tem se esforçado por calunia-los.

E alegam que eles ensinavam que a salvação é comunicada apenas aos que permanecem materialmente pobres e que o homem é salvo pela pobreza, e que rico algum poderia ser salvo.

O fato deles terem proibido o acumulo material de bens não significa que desconsideravam a pobreza da alma ou o desapego; mas que acreditavam que a 'pobreza espiritual' tinha certamente uma expressão material; e que proibindo o acumulo criavam circunstâncias favoráveis ao desapego.

Ele apenas exerceram a prudência recomendada pelo Salvador; enquanto que a Igreja, lamentavelmente relaxou... e introduziu os ricos parasitas no Reino dos céus; em franca contradição com a palavra do Senhor.

Neste ponto, relativo a pobreza, não há o que censurar aos ebionitas por sua insistência; antes cumpre louva-los, porque ao menos aqui foram os únicos a permanecer rigorosamente fiéis e a honrar o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Alias a origem de todas as seitas é justamente a falta de empenho em algum ponto da doutrina ou mesmo da prática por parte da Igreja. No caso dos ebionitas aproveitaram-se eles dos novos 'compromissos' surgidos entre os servos de Cristo e o Reino de Mamon...

Quanto a heresia deles dizia respeito a observância da Lei de Moisés.

Pelo que insistiam a respeito dos animais puros e impuros, da circuncisão, da guarda do sábado, etc

Fácil é perceber que eles tiveram sua origem nos fariseus convertidos que formaram o 'partido da circuncisão'; e que resistiram a orientação do Espírito Santo até formarem uma seita, e que detestavam particularmente os ensinamentos anti legalistas do apóstolo Paulo. O qual era por eles frequentemente apontado como o 'homem mau' que lançou a cizânia no campo de Cristo.

Diziam ainda, que ele, Paulo, era de origem grega; mas que, tendo ido com alguns amigos judeus ao templo veio a arder pela filha de um sacerdote a ponto de circuncidar-se para poder desposa-la. No entanto como não pudera obter a mão da moça, encheu-se de ódio e pos-se logo a escrever contra a circuncisão, a dieta e o sábado.

Viviam pois como judeus, filhos de Abraão e discípulos de Moisés.

E por isso não viram com bons olhos a entrada dos gentios na Igreja e a ruptura da Igreja com a sinagoga.

Eis porque não dava a seus lugares de culto o nome de igreja mas de 'sinagoga de Cristo' (!!!)

E de fato ficaram entre a Igreja e a sinagoga; atraindo simultaneamente a ira dos Cristãos e dos judeus.

Os cristãos odiavam-nos - declara Renan - porque observavam rigorosamente a Lei de Moisés; enquanto os judeus odiavam-nos porque apresentavam Jesus como o verdadeiro Messias.

Segundo o já citado Jerônimo haviam ebionitas que guardavam em tudo a fé da Igreja; insistindo apenas a respeito da 'Lei'...

Enquanto outro grupo ensinava ter sido Jesus filho natural de José e Maria e que o Espírito de Cristo nele penetrou sob forma de pomba no momento do Batismo.

Diziam ainda ser o Espírito de Cristo um dos primeiros espíritos criados; juntamente com seu irmão gêmeo: Satanás; a Cristo teria sido entregue a posse do mundo futuro, enquanto que a posse deste nosso mundo havia sido confiada a Satanás; correspondendo tal atribuição a um decreto divino.

Outros aplicavam a Cristo e a Satanás a parábola dos dois irmãos. Cristo seria aquele que disse 'Não vou' mas que acabou por entrar no corpo do homem Jesus e proclamar a boa nova; enquanto Satanás seria aquele que disse 'Vou'; mas recusou-se a vir; sendo por isso mesmo precipitado dos céus...

Por via do Evangelho dos Hebreus, um original de S Mateus que eles em parte completaram e em parte corromperam, acabaram tais narrativas encontrando eco até mesmo nos Escritos de Taciano e Lactâncio.

Destarte para eles Jesus era um simples homem naturalmente gerado e o Cristo uma espécie de 'deus' constituído (E não verdadeiro por via de geração.) ou de líder dos anjos e arcanjos.

Outros dispensavam quaisquer atavios e ensinavam muito francamente que Jesus, o Cristo; não passava, a princípio de um 'homem ordinário' - isento de preexistência - ou do último e supremo profeta; o qual por sua santidade e íntima comunhão com Deus mereceu o título de Filho.

Cerca do ano 101, um de seus membros Elxai ou Elkasai apresentou-se como profeta. Segundo dizia fora enviado pelo verbo, um anjo gigantesco, do tamanho duma montanha; e por sua 'mãe' o espírito santo, outro anjo de proporções assombrosas... tal a vertente dos elkassaitas.

Ele anunciou o fim do mundo para 119, isto é para o terceiro ano após a guerra dos partos... apesar disto seu sucessor Alcebíades de Apaméia traduziu suas profecias para o grego e conquistou certo número de seguidores, dentre os quais Mani. Em 220, sob Calisto, uma versão latina apareceu em Roma...

Assim entre eles e entre suas seitas haviam grande divergência de opiniões, da 'Ortodoxia' ao 'arianismo' passando pelo gnosticismo... todos no entanto porfiavam em cumprir a Lei de Moisés e em viver sobriamente conforme a determinação de Nosso Senhor.

Ao tempo de Jerônimo e Epifânio eles ainda proliferavam na Péreia e na Batanéia e já haviam traduzido para o hebraico ou o aramaico o Evangelho de João e os Atos dos apóstolos...

De fato eles subsistiram até a chegada do Islã no século VII; quando suas 'sinagogas de Cristo' foram finalmente varridas da face da terra... juntamente com as seitas dos marcionitas, montanistas, docetas, arianos, etc

Reapareceu esta heresia nos tempos modernos sob a alcunha de 'judeus messiânicos' ou de 'judeus para Jesus' e reproduzindo os mesmo erros pestilenciosos.










XC - Ministério da iniquidade - a multiplicação das seitas





Entre os primeiros movimentos heréticos de alguma forma vinculados ao Cristianismo nascente Hegesipo menciona explicitamente os Docetas; esclarecendo que esta vertente havia sido fundada por um certo 'Dociteo'; outros escritores antigos alegam da mesma maneira que a seita dos Ebionitas fora fundada por um certo Ebion.

Tais acepções estão erradas, pois o termo 'doceta' é derivado do termo primitivo 'Dokeo' que significa aparência. Não é nome de homem, mas designativo da tendência prevalecente no grupo; assim Ebion significa simplesmente pobre, designando uma outra tendência. Nós no entanto, conjecturamos que a seita dos ebionitas tenha sido formada pelo 'Tebutis' mencionado nas já citadas 'Memórias' de Hegesipo.

Quanto ao grupo dos docetas não temos acesso ao nome de seu fundador.

Sabemos no entanto, que durante os anos subsequentes a 70, passou a formar uma verdadeira seita com ampla disseminação. Tanto que vieram a constituir grave preocupação para João, o presbítero e para Inácio Mártir; os quais não cessam de anatematiza-lo em suas epístolas.

Legítimos herdeiros do ódio tributado pelos platônicos e gregos em geral; a matéria e ao corpo, sustentavam ele a impossibilidade da Encarnação.

Sendo a matéria má e o corpo igualmente mau; não podia Deus ter assumido semelhante complemento sem contaminar-se.

Destarte o mistério central de nossa fé não passava duma farsa ou duma espécie de possessão transitória.

E como não havia acordo entre eles uns ensinavam que o corpo de Jesus era aparente ou feito de matéria fluídica; outros que não passava duma imagem ou ilusão e outros enfim que o Cristo cósmico se havia apoderado do corpo do homem Jesus, filho de Maria e feito uso dele até ser pregado na cruz; momento em que veio a abandona-lo a sua própria sorte.

Aqueles que pertenciam ao primeiro grupo advertiam que quando Jesus era apresentado comendo ou bebendo; tratava-se apenas de atos aparentes ou imaginários... a semelhança do corpo físico... Eis porque quando o 'fantasma' desapareceu no calvário ou ascendeu aos céus, o Cirineu foi crucificado e morto em seu lugar.

Segundo o Evangelho de Barnabé Judas, o traidor, é que "Pelo Deus grandioso foi mudado na figura e fala de Jesus e supliciado."

Enquanto o Evangelho de Pedro sustenta que ele esvaneceu-se diante deles assim que a cruz fora suspensa. (Os maometanos sustentam até hoje este erro.)

De qualquer modo Jesus jamais experimentara a dor ou morrera verdadeiramente. O mesmo Evangelho petrino assevera que ele permaneceu 'calado' - e impassível - até sem recolhido.

Sendo sua paixão; como sua Encarnação e nascimento pura ilusão...

E sua ressurreição outro erro ou equívoco grotesco. Afinal como poderia recobrar a vida do corpo aquele que jamais viera a assumi-la em verdade.

Eis porque a ressurreição da carne não fazia qualquer sentido. E os sinais sensíveis dos mistérios, e o culto das ícones, e a comunhão dos santos, e a própria igreja visível e hierárquica. A tudo estes heréticos repudiavam em nome da transcendência absoluta e do maniqueísmo.

Ao contrário dos nossos protestantes que repudiam as consequências ou efeitos: A igreja visível, os sinais sensíveis dos sacramentos,  a iconofilia, a comunhão dos Santos, etc & mantem as premissas: ou seja a veracidade da Encarnação do Verbo.

Os docetas eram mais coerentes pois demoliam tudo e buscavam aniquilar formalmente o mistério da Encarnação.

Toda a vida e obra de Jesus fôra uma questão de aparências e engano, uma encenação ou farsa enfim. A grande e antiga Igreja por sua vez não passava dum lamentável equívoco, provocado pela ignorância de alguns apóstolos demasiado 'carnais'.

Esta teoria foi retomada parcialmente pelo ímpio Juliano de Halicarnaso e seus asseclas aftardocetas nos séculos VI e VII.




sábado, 23 de março de 2013

LXVIII - O simonianismo





A respeito de Simão, o mago; preferimos dar a palavra a mestres mais autorizados como Lucas, Justino e Irineu:

Simão era um samaritano procedente da aldeia de Gita. Justino I apolog 26

Segundo dizem ele teria raptado e sacrificado um menino com o intuito de adquirir poderes sobrenaturais. Hipólito. Philos

Ele exercia o ofício de feiticeiro e era bastante considerado entre os samaritanos. Atos 8,9

A ponto de apresentar-se a eles como "Dedo de Deus, que se chama grandioso." Atos sg

No entanto chegou a localidade o diácono Filipe, fazendo com que inúmeras mulheres o abandonassem e solicitassem o Batismo. At 8,12

E vendo as obras que Filipe realizada ficou pasmado. At 8,13

"E assim fingiu abraçar esta fé; por cogitar que os apóstolos recorressem a magia e esperar que partilhassem seus segredos com ele." Irineu. Haeres I, 23; 01

Assim, após ser batizado associou-se a Filipe. At 8,12

"E imaginando que os apóstolos realizassem truques ofereceu-lhes determinada soma com o objetivo de 'receber o Espírito Santo'

"Assim solicitou que o Espírito Santo lhe fosse comunicado pela imposição das mãos em troca de dinheiro." At 8,18

Merecendo ouvir estas palavras da boca de S Pedro: "Pereça tu juntamente com teu ouro e a prata tua; pois teu coração não é reto nem temente, a ponto de creres que Deus se comunica por dinheiro; assim parte não terás neste santo ministério. Antes faze penitência da tua maldade, e roga ao Pai para que se possível te perdoe o pecado da blasfêmia e do sacrilégio. Assim já te vejo eu mergulhado no fel da amargura e preso aos laços da iniquidade que Deus reservou aos prevaricadores!"

A princípio disse Simão: Roga pois a Deus para que tais vaticínios não sejam cumpridos e executados.

Todavia pouco depois afastou-se do caminho.

"E acreditando menos ainda no Senhor pos-se a declarar-se publicamente igual aos apóstolos." (Como nossos fundadores de seitas!!!) Irineu Id

E entregou-se mais uma vez ao ensino da magia.

E no tempo de Claudio dirigiu-se a Roma; passando antes por diversas cidades e fazendo discípulos. Prax Petrou

Sempre seguido pelo apóstolo Pedro e sendo publicamente arrostado por ele. Id, ibd

Té que chegou a Roma e principiou a angariar adeptos mesmo entre a gente graúda e os senadores. Justino Id

E sob Nero pretendeu levitar diante de todo povo recorrendo a artes de magia.

Diante disto Pedro decretou preces e jejuns durante dois dias.

E quando Simão estava já elevado a vários metros em pleno circo, diante da casa Imperial, traço Pedro o sinal da Cruz.

E perdendo Simão o controle, veio a precipitar-se ao chão e ferir-se gravemente.

E sabendo que estava prestes a morrer, embebeu um de seus dedos no próprio sangue e escreveu no pavimento: "Eis que daqui a três dias ressuscito dos mortos."; após o que entregou o espírito.

"Seus seguidores esperavam que ressuscitasse de fato; mas não ressuscitou porque não era o Cristo." observa Hipólito na 'Philosophumena'.

Ele parece ter morrido cerca de 63/64.

Tendo passado por Tiro, adquiriu como escrava uma ex prostituta de nome Helena.

E ensinava que se o Filho veio aos judeus na Palestina, o Pai veio aos samaritanos; constituindo a potência mais elevada.

Helena era o primeiro pensamento (Enóia) do Pai, Espírito Santo, origem de todas as coisas invisíveis, mãe dos anjos e dos espíritos. Esta Enóia separou-se do Pai e caindo na ignorância, desceu as regiões mais baixass, engendrando os Demônios e eons; os quais por sua vez conceberam e produziram a matéria.

E por inveja eles lançaram a própria mãe (Enóia) no mundo material e encarceraram-na.

Pois desconheciam a existência do Pai verdadeiro.

Quanto a Enóia, retida neste mundo material, passou a sofrer toda sorte de ofensas.

E enquanto aqui permanecia teve de transmigrar sucessivamente para diversos corpos femininos; até que renasceu ultimamente no corpo de Helena.

Entrementes soube o Pai verdadeiro a respeito de suas condições e aspirou resgata-la e revelar aos mortais o conhecimento de sua existência e o caminho da salvação.

Primeiramente ele enviou o Filho ou demiurgo a judéia, na aparência da carne para saber como reagiriam os anjos dominadores e eons. O qual sofreu aparentemente todo tipo de afrontas até ser crucificado.

Então, conhecedor do segredo dos eons, veio o próprio Pai da verdade a este mundo como Simão; localizando e redimindo a Enóia e prometendo libertar os homens que nele cressem da tirania dos anjos dominadores.

Ele parece ter composto um livro intitulado 'A grade revelação' que não chegou até nós.

Menandro, também samaritano, de Carapatéia foi seu sucessor; conquistando um bom número de adeptos na cidade de Antakia.








sexta-feira, 22 de março de 2013

LXVII - Explanação sobre Hegesipo e a origem das primeiras seitas.







"Depois que Tiago, o Justo; sofreu o martírio; seu primo Simeão,  filho de Cleófas, foi constituído bispo. Todos o haviam proposto, por ser também ele primo do Senhor. 

Assim era a Igreja chamada Virgem; pois ainda não havia se corrompido com vãs tradições.


Mas foi Tebutis, por não ter sido nomeado bispo, que começou a corrompê-la, tomando por modelo as sete seitas que haviam sido adotadas pela gente do povo; ele aderiu ao padrão delas. 

De Simão, os simonianos; de Cleobio, os cleobianos; de Dositeo, os dositeanos; de Gorteo, os gorteanos; de Masboteu os masboteanos. Destes procederam os menandristas, os marcionistas, os carpocratianos, os valentinianos, os basilidianos e os saturnilianos. Cada um destes introduziu sua própria opinião por caminhos próprios e diferentes.


Deles saíram pseudo cristos, pseudo profetas e pseudo apóstolos, que despedaçaram a unidade da Igreja com suas doutrinas corruptoras a respeito de Deus e de seu Cristo."


Este interessantíssimo fragmento da Ypoumenata (Memórias) de Hegesipo, foi preservado na H E de Eusébio.

Tantas vezes mal compreendido, tantas vezes mal julgado...

Antes de tudo convém assinalar que ou a cópia utilizada por Eusébio estava corrompida ou este omitiu involuntariamente os nomes de duas seitas - pois das sete enunciadas fornece apenas cinco - os quais ficaram perdidos para nós.

Quanto ao citado Tebutis podemos especular que tenha sido patriarca dos ebionitas ou fundador da seita; por sinal formada logo após a morte de Tiago, muito provavelmente em Pela.

Como compreender no entanto que Tebutis tenha fundado a seita dos ebionitas, cerca do ano 68/70, antes que Simão tenha fundado a dos simonianos; e que até então a igreja não tinha conhecido cisões ou partidos??? Quando sabemos - por outras fontes - que Simão floresceu cerca de 50  e  faleceu por volta de 63/64??? Isto é antes que Tebutis consumasse a ruptura.

Constituindo o simonismo a primeira seita saída do Cristianismo.

Daí ser a narrativa de Hegesipo apontada como superficial pelos críticos.

Parece-me todavia que a crítica não é justa.

De minha parte julgo que este escritor distinguia as seitas procedentes do Cristianismo, das seitas propriamente surgidas na Igreja.

Pois sabemos que Simão não constituiu partido na Igreja; mas que tendo tido formação Cristã e no estado de leigo dela foi expulso.

Vindo a organizar uma seita 'externa', com elementos de origem Cristã; mas destinada a rivalizar com o Cristianismo e não a ser uma outra forma ou versão do mesmo; i é, uma igreja paralela nos moldes da Católica.

A respeito de Cleóbio sabemos apenas ter sido ouvinte do apóstolo Pedro... mas não que ocupasse qualquer posto ou dignidade no corpo da Igreja nascente, ou que arrastasse consigo consideráveis parcelas da igreja.

É bastante possível que os demais elementos citados por Hegesipo tenham procedido do mesmo modo, saindo do sistema Cristão e fundado sistemas alternativos; sem qualquer pretensão de serem classificados como Cristãos ou sem forma eclesiástica.

Apenas no caso dos docetas podemos duvidar desta interpretação, então talvez aqui, tenha Hegesipo cometido um lapso.

Seja como for Tebutis parece ter sido o primeiro oficial da igreja, muito provavelmente Diácono de S Tiago; a separar-se arrastando consigo parte da congregação, e de certa maneira, cindido pela primeira vez a igreja. Enquanto os demais haviam sido ouvintes e a influenciado uma minoria inexpressiva.

Tebutis como clérigo causou certo estrago. Pois a seita dos ebionitas levou consigo uma parte considerável da Igreja de Jerusalem; caracterizando o primeiro cisma ou a primeira igreja rival de que temos notícia. 







terça-feira, 19 de março de 2013

LXX - Padrão apostólico





"Assim como tu e os demais apóstolos ensinarem haveremos de crer." Daphnus, Eubulus, Theóphilo e Xenon; da Igreja de Corinto, ao apóstolo Paulo

"O que a vós entreguei recebí dos apóstolos que me precederam e  que sempre caminharam ao lado do Senhor." III Cor 






Henri Cristus, apresenta-se como Cristo...

Estevan Hernandez, Rodovalho, Macedo, etc apresentam-se como apóstolos ou Bispos.

Alguma diferença???

Nenhuma.

Pois se Cristo é um só, Jesus, o filho da Virgem Maria; os apóstolos eram apenas doze...

Doze foram aqueles que o Verbo elegeu, chamou, instruiu, dignificou, abençoou, santificou, comissionou e enviou em seu nome: Pedro, André, Tiago, João, Mateus, Tomé, Filipe, Bartolomeu, Tadeu, Simão, o outro Tiago e o traidor infame.

E em seguida um 'abortivo'; Paulo, a quem se manifestou no caminho de Damasco.

Setenta os discípulos, dentre os quais Natanael, Cleofas, Ananias, Addai, João, Aristion, Justo (Barsabás), Silas, Barnabé, Hierotheus, Abdias etc

Nenhum Martinho, Ulrico, Calvino, etc

Os quais não merecem ser contados entre as 'Testemunhas oculares da palavra.'

Lobos salteadores que não entraram 'pela porta do aprisco' tendo pulado o muro; usurparam estes ímpios o título divino conferido aqueles que Cristo comissionou e a seus legítimos sucessores.

"Falsos profetas, ímpios e sedutores." porque não tiveram qualquer contato real ou proximidade com Nosso amado Mestre.

Assim constituiram-se e nomearam-se a si mesmos; falando em seus próprios nomes, como pregoeiros da mentira e missionários da perdição.

Eles não receberam o título magnífico mas deram tal titulo a si mesmos.

Não foram proclamados pela voz divina mas tomaram um epíteto que não lhes pertencia.

Assim não foram enviados pelo Verbo mas pela louca pretensão.

Não foram escolhidos: escolheram-se.

Tal o cárater destes que surgiram ontem ou hoje e que ousam apresentar-se como arautos de Nosso Senhor.

Comendadores da mentira são eles e não servem nem para bispos de jogo de xadrez.

De fato não significa a palavra 'apóstolos' qualquer coisa.

Apóstolos foram aqueles doze que Jesus escolheu para acompanharem-no durante seu ministério de modo que fossem testemunhas autorizadas de tudo quanto ele realizava.

Portanto ser apóstolo não depende do desejar, do querer ou do pretender.

Pois o apóstolo é uma testemunha histórica de Cristo, uma parceiro, um associado; alguém que foi escolhido por ele.

Os apóstolos viram o Salvador face a face, comeram, beberam e conversaram com ele.




Somente eles receberam o sopro divino de sua boca e ouviram as palavras sagradas: "Ide a ensinai as nações e fazeis discípulos em meu nome."

Palavras que não foram ditas aleatoriamente ou dirigidas a Edir, Rodovalho, Feliciano, Malafaia, etc

Os quais jamais ouviram sua voz ou viram sua face.

Então eles não são nem apóstolos nem verdadeiros Bispos mas adversários do ensinamento apostólico e da legítima sucessão.

Porque tampouco foram escolhidos por algum apóstolo errante ou por qualquer Bispo legítimo, sucessor dos apóstolos. Então eles não possuem qualquer vínculo real e histórico com os apóstolos e comendadores de Jesus Cristo.

E tudo quanto anunciam e dizem, dizem de si mesmos; não de Jesus Cristo, porque este não os conheceu nem autorizou-os para que pregassem em seu nome.

Aos apóstolos legítimos dirigiu o Mestre estas palavras:

"QUEM VOS ESCUTA A MIM ESCUTA; QUEM VOS DESPREZA A MIM DESPREZA."

Evidenciando que são mediadores seus.

E que sem a mediação dos apóstolos não temos acesso a sua graça.

Todavia ao escutarmos os apóstolos e seus sucessores ouvimos sua voz.

As ovelhas conhecem a voz do pastor e o acompanham.

No entanto a respeito dos apóstolos de araque declara: "Nos últimos tempos surgirão falsos profetas, os quais dirão: Cristo esta aqui, esta acolá! Não lhes deis ouvidos."

Uns dizem: esta na Universal; outros: esta na Batista; outros ainda: esta na presbiteriana...

Quando na verdade o santuário do Verbo é a Igreja apostólica; cujos fundamentos são os doze apóstolos.

Assim seus nomes estão gravados nos fundamentos da Nova Jerusalem.

Mas eles afirmam que são apóstolos???

Como Henri Cristus e outros afirmaram ser o Cristo e Nietzsche disse ser Deus...

E como os loucos no hospício alegam ser Napoleão...

De fato é o homem livre para dizer aquilo que quiser.

Eis porque devemos exigir uma demonstração.

Onde os nomes destes apóstolos estão registrados? Em que parte da Escritura? Onde e por quem foram escolhidos???

Talvez eles vos respondam: Os nossos apóstolos realizam milagres e ressuscitam um morta a cada esquina!

E mereçam ouvir estas palavras: "Então eles declararão realizamos milagres e prodígios em teu nome; e eu vos direi: não vos conheço, para longe de mim vós que exercestes a iniquidade!"

Talvez insistam: Os apóstolos não indicaram nem deixaram sucessores.

E devam ouvir esta instrução: Tendo a igreja sido edificada sobre este fundamento apostólico e devendo substituir até a consumação dos tempos é necessário que o fundamento posto subsista e a acompanhe.

Eis porque os apóstolos escolheram autênticos sucessores para que, quando fossem recolhidos, a igreja passasse a ser administrada e regida imaculadamente.

Pois não pode uma casa subsistir sem seus fundamentos. Permanecendo a casa devem permanecer com ela os fundamentos.














segunda-feira, 18 de março de 2013

LXIX - Fundou Jesus uma Igreja?




Ultimamente alguns protestantes tem negado obstinadamente que Jesus tenha fundado qualquer tipo de Igreja ou mesmo algum tipo de padrão espiritual ou de religião.

Eu mesmo conheço algumas pessoas que partilham do mesmo ponto de vista. Estas no entanto, inda que se apresentem como Cristãs, não frequentam qualquer tipo de igreja seja ortodoxa, romana ou protestante, tecendo críticas a qualquer tipo de institucionalização. Elas me parecem bastante honestas...

Nossos protestantes no entanto, objetam que Jesus tenha fundado uma igreja e, mesmo assim, (!!!) não só frequentam uma igreja, como porfiam em granjear mais membros para ela, mormente entre os romanos ou ortodoxos desavisados, que embarcam nessa de que Jesus 'não fundou igreja alguma' apenas para mudarem de igreja e adotarem um padrão espúrio ou seja não episcopal.

Quanto a Jesus não ter estabelecido padrão espiritual distinto ou religião; os protestantes podem dar a ideologia cristão o nome que pretenderem: culinária, filosofia, física, química, etc que isto não mudará absolutamente nada. Os nomes ainda não mudam as coisas...

Então se o discurso de Jesus implicava Deus, alma, fé, etc evidentemente que pertence a esfera do espiritual ou do religioso. Aqui procuram os sectários jogar magicamente com os nomes... e isto não presta para nada.

Quanto a questão da igreja, diz respeito a própria teologia protestante, tão coxa quanto uma mula velha.

Desde muito cedo recomendou a prudência aos protestantes não insistir em demasia a respeito duma igreja posta para a salvação dos fiéis.

Porque estavam separados em inúmeras seitas beligerantes, cada qual disputando o título de verdadeira igreja de Cristo e aluindo a fé dos mais inteligentes.

Por a limpo a questão da verdadeira igreja em meio a tantas seitas parecia obra titânica em meio as quais perdiam os protestantes a esperança e a fé.

Destarte foi necessário apresentar a igreja não como uma congregação que conduzia os mortais a salvação e sim como uma congregação de pessoas já redimidas e salvas por Jesus Cristo.

Durante séculos insistiram os protestantes na patacoada duma igreja fundada por Cristo que não salva ninguém.

Nem é preciso dizer que entrementes, muitos dos salvos, crendo-se salvos, dispensaram a igreja que não salva... passando a viver sem igreja alguma. Até que perderam a fé e reverteram a incredulidade...

Aos poucos a ideia duma igreja inútil, foi produzindo tanta incredulidade quanto as disputas surgidas entre as seitas.

Ultimamente alguns sectários optaram por remover a quinquilharia inútil e por afirmar em alto e bom som que Jesus Cristo jamais concebera ou fundara qualquer tipo de organização semelhante a uma Igreja.

Embora, como já dissemos, os partidários desta tese continuem frequentando igrejas... as quais nem salvam, nem foram fundadas por Jesus (!!!)

Comumente alegam eles que o 'cristão' pode salvar-se em qualquer comunidade, independente do nome.

Estranho é que eles se deem ao trabalho de aliciar os ortodoxos, romanos e anglicanos para suas seitas...

Porque quando dizem, muito afetadamente, que o nome da igreja não faz diferença alguma; estão querendo dizer que vce pode fazer parte de qualquer seita protestante...

Se o nome da Igreja for Ortodoxa, romana ou anglicana; se implicar qualquer tipo de apostolicidade ou sucessão apostólica; se for episcopal ou hierárquica; então o nome faz muita diferença.

O que eles querem é que vce abandone o padrão divino e episcopal, trocando-o por qualquer seita obscura, não importa o nome.

Importa aqui é fazer-se protestante e sentar nos bancos de Lutero, Zwinglio e Calvino.

Até aqui a igreja importa.... depois; como é impossível saber qual seita protestante seja verdadeira, qualquer  uma serve.

Pois todas combatem o padrão episcopal, a hierarquia, a forma do culto, os mistérios e a comunhão dos santos. E isto é o que importa.

Importa aqui combater o conjunto da doutrina apostólica; mesmo quando o protestantismo é incapaz de oferecer a seus neófitos sequer uma pálida sombra de unidade doutrinária.

Daí a cantilena: Igreja não salva. E enfeite... ou, Jesus não fundou igreja alguma...

Diante disto é necessário afirmar em alto e bom som os fundamentos sagrados de nossa fé e bendita esperança.

Primeiramente devemos afirmar que, prescindindo o assunto da salvação, nós ortodoxos acreditamos que pertencer a verdadeira igreja de Cristo corresponda a um elevado benefício ou condição espiritual.

Por meio da qual temos acesso garantido a verdade plena e a integralidade da divina Revelação.

Assim sendo nos acreditamos que pertencer a ela seja uma vantagem.

Eis porque Nosso Senhor, tendo em vista os diversos conflitos que permeiam nossa existência neste mundo, instruiu seus discipulos e disse: "IDE A IGREJA E QUEM NÃO RECEBER A SENTENÇA DA IGREJA SEJA CONSIDERADO COMO PAGÃO OU PUBLICANO."

Eis porque recebemos autoridade da Igreja, por amor as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, independentemente da salvação ou da reprovação.

Nós nos contentamos em saber que a verdadeira Igreja faculta a seus filhos a posse duma comunhão mais intensa e plena com seu fundador.

Teria no entanto Jesus fundando uma Igreja???

Se de fato creem os protestantes na inspiração e sacralidade dos Evangelhos não poderão fugir a esta conclusão.

Pois registra o décimo sexto capitulo do primeiro Evangelho as seguintes palavras de Jesus:

"Sobre esta pedra EDIFICO MINHA IGREJA e as portas do inferno jamais triunfarão sobre ela."

Logo existe a entidade igreja.

No caso fundada/edificada pelo próprio Jesus Cristo.

O que nos autoriza a falar numa igreja histórica fundada por Jesus Cristo.

A qual por sua vez é una ou única.

Pois empregou a palavra igreja e o pronome possessivo que a antecede no singular, declarando:

'MINHA IGREJA', e não minhas igrejas, como se fossem entidades doutrinariamente separadas ou com ensinamentos diferentes e contraditórios.

O protestantismo esta cindido em inúmeras seitas com pregações diferentes justamente porque não corresponde a única Igreja Histórica fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

O conceito ou entidade 'igreja(S)' não existe para Jesus.

Ignora pois ele este amontoado de seitas beligerantes fundadas por homens pretensiosos que jamais foram escolhidos, instruídos, dignificados, abençoados, santificados, comissionados e enviados por ele.

Eis porque os protestantes sentem-se tão constrangidos diante da simples ideia duma Igreja Una fundada por Jesus com o intuito de edificar todos os homens no amor.

Porque não possuem qualquer vestígio ou fragmento de unidade doutrinária ou credal; porque nenhuma de suas comunidades remonta historicamente a antiguidade ou a Jesus Cristo; mas aos homicidas Lutero, Zwinglio e Calvino, e porque ao invés de terem edificado os homens conduziram-nos a incredulidade, ao desespero e a apostasia justamente em função de sucessivas querelas e polêmicas doutrinárias.

Em termos de igreja o protestantismo não te pode oferecer qualquer dom verdadeiramente divino que tenha sido prometido pelo Verbo:


  • Jesus dirigindo-se ao Pai suplicou: "Que eles sejam um como eu e tu oh Pai somos um."


Só nos EUA no entanto são mais de 11.000 seitas com 11.000 interpretações ou versões diferentes.

Basta mencionar Luteranos, Calvinistas, Zwinglianos, metodistas, batistas, adventistas, jeovistas, etc para sermos breves...

O protestantismo não realizou o dom da Unidade.

Caso corresponda ele a Igreja de Cristo deveriamos concluir que a prece do Salvador não ultrapassou o telhado do cenáculo ou seja que não foi atendida...



  • Disse o mesmo Jesus: "Santifica-os em teu nome e faz deles povo santo."
Implica isto em anunciar a lei do amor e a doutrina santa das obras e da piedade.

O fundador do protestantismo no entanto lançou fundamentos a um Cristianismo anti ético ou como dizem imoral; postulando a salvação no vicio, no crime e no pecado. O que ainda hoje é ensinado e crido por parte de seus seguidores.


  • Disse enfim o Mestre: "Eu sou a videira original, todo sarmento deve estar ligado a mim para produzir frutos."
O protestantismo no entanto remonta a Lutero e se queres suas raízes mais profundas e remotas chegam a Aério e a Agostinho, que viveram no século IV.

Eis porque não há qualquer ligação real com a videira original.

Eles dizem que estão ligados a ela pela fé invisível...

Todavia como Deus quis entrar no mundo não pela fé, invisivelmente, mas pelo mistério material da Encarnação; é licito crer e sustentar que nossa ligação com Emanuel deve comportar uma dimensão material e histórica que faça juz ao citado mistério.

A respeito desta ligação Histórica, pela qual estamos materialmente unidos a Jesus Cristo na perspectiva da Encarnação, falaremos nos próximos capítulos destinados a apostolicidade ou a doutrina da sucessão apostólica, que é o fundamento e alicerce posto por Cristo a sua Igreja.



Por fim asseverou e disse aquele que não pode nem enganar-se nem nos enganar que 'As portas do inferno.' jamais poderiam prevalecer ou triunfar desta Santa congregação.

Disposta para a conservação da verdade deveria ser a Igreja imunizada contra o erro. E foi.

Estabelecida com a objetivo de manter a pureza da divina Revelação não conviria que fosse falível em matéria de fé.

Fundada tendo em vista a disseminação da boa nova e da mensagem divina, não poderia a Igreja esquecer-se desta boa nova... e ignorar a mensagem divina.

Devendo cumprir fielmente sua missão, de Cristo recebeu tudo quando era necessário obter o sucesso.

Posta no lugar na natureza visível de Jesus Cristo não convinha que a igreja fundada por ele maculasse seu nome.

Poderia Cristo ter fundado uma igreja incorruptível; convinha que fundasse uma igreja incorruptível; logo, fundou ele uma Igreja incorruptível; dando cumprimento a sua promessa e velando sob sua palavra.

Afinal é tanto mais digno daquele que é Perfeito, produzir entidades perfeitas em sua categoria ou para aquilo que foram destinadas...

Caso a igreja apostatasse e abrisse mão do depósito sagrado que lhe foi confiado por seu fundador, estaria demonstrando ser imperfeita em sua categoria e inepta para o que foi disposta.

Neste caso a quem caberia a culpa por sua apostasia senão daquele que a estabeleceu???

Sendo a igreja imperfeita; a pecha de imperfeição recairia justamente sobre Jesus Cristo, seu fundador.

Não é compatível com a perfeição e o poder de Deus a produção de entidades imperfeitas, ineptas, corruptas e sujeitas a continuas reformas ou consertos.

O homem conserva e reforma suas tralhas e objetos porque é imperfeito; procedendo amiúde, por acerto e erro; ou seja a posteriori.

Deus no entanto prevê, calcula e decreta com pleno e absoluto conhecimento de causa.

Ele não precisa consertar ou recauchutar o que é imperfeito; pois é apto para produzir coisas perfeitas, estáveis e irreformáveis.

Assim sendo descrever a igreja como corruptível e reformável não esta de acordo com a piedade.