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terça-feira, 6 de novembro de 2018

CVIII - S Clemente de Roma - Carta aos coríntios











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Klemandros, Klimet ou Clemente é identificado por Orígenes com o Clemente citado por Paulo em Fil 4,3 - Onde um certo Clemente é citado como colaborador seu - o que é corroborado por Eusébio.

S Irineu assevera que Clemente de Roma havia sido ouvinte dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Tertuliano na Praescr XXXII opina que Clemente fora sagrado Bispo de Roma por S Pedro e S Epifânio esclarece que Clemente, abriu mão da liderança em favor de Lino. 

Segundo se crê era parente dos Imperadores Vespasiano, Tito e Domiciano e membro da família Flavia. Dión Casio 'Hist Rom' LXVII,14 Batizado por S Pedro foi acusado de iniciar-se na religião dos judeus, o que produziu escândalo na Sociedade de seu tempo.

Foi ele que, graças a seu prestígio, unificou as comunidades rivais, petrina e paulina da cidade de Roma. Pois Pedro constituira por sucessor a Lino de Volterra e Paulo a Anakletos, os quais, segundo S Epifânio e S Rufino foram simultaneamente Bispos dos romanos.

Além disto Clemente teria convertido os nobres Sisino e Teodora, e cerca de quatrocentos cidadãos romanos. Foi o quanto bastou para Trajano bani-lo para as minas de cobre de Galipoli na Crimeia. No entanto como continuasse a exercer proselitismo e a converter os mineiros, a ponto de criar uma Igreja subterrânea. Diante disto o procônsul mandou atira-lo ao Mar Negro com uma âncora ou pedra de moinho atada ao pescoço. Isto deve ter ocorrido por volta do ano 100.

Clemente de Alexandria e Orígenes atribuem-lhe explicitamente a carta aos Coríntios. A qual tendo sido escrita por volta do ano 96 constitui o mais antigo testemunho escrito a respeito da fé Cristã escrito após as obras canônicas e a Didaké, se bem que esta fosse obra anônima e conjunta. A primeira carta de Clemente aos Coríntios é a primeira obra assinada e unitária composta após os escritos que formam o corpo do Novo Testamento. Curiosamente a Revelação e quiçá a forma definitiva do quarto Evangelho são posteriores a obra de Clemente, a qual seria contemporânea aos Escritos inspirados, o que lhe confere um valor excepcional.

Em torno da figura de Clemente romano foi elaborada imensa massa de material, em grande parte fabuloso, chamada 'literatura clementina' - assim os 'Reconhecimentos' (recognitiones) e as Homilias. São ambas recensões de uma obra bem maior cujo núcleo corresponde talvez ao 'Kerygmata Petrou' e se foi avolumando e sendo reelaborado até o começo do século IV. O original deve ter sido elaborado na Palestina ou na Síria por volta da secunda parte do século II. Os ebionitas achavam-se em posse de uma versão pelos idos do século IV segundo foi constatado por Epifânio, Jerônimo e outros. A versão que possuímos foi elaborada por um ariano pelos idos do século IV. Outros supõem que houve um original ortodoxo sucessivamente interpolado pelos heréticos.

Reconhecimentos é uma espécie de novela mexicana em que pai, mãe e filhos; separados desde que estes eram crianças tornam a encontrar-se devido a mediação de S Pedro. São Pedro, a seu tempo, é apresentado como antagonista de Simão, o Mago; o qual passa a seguir de cidade em cidade, de Jerusalém a Antioquia. Muito provavelmente o curso da obra fazia Pedro seguir Simão até Roma, terminando com a famosa cena em que é elevado aos céus por obra de magia e derrubado, diante de Nero, pelas orações de Pedro e dos cristãos...

As Homílias concentram-se na exposição da doutrina.

Não é possível dizer se há ou o que há de autêntico nessa massa de literatura, embora nos pareça exagerado classifica-la como fictícia por inteiro. A única coisa de certa é que sob a forma atual não pode ter sido elaborada por Clemente romano.

Feitas as devidas apreciações bio bibliográficas passo a resenha da obra:



  • I,02 - Obras: "Vossa fé era firme e cheia de todas as virtudes... Vocês procediam sem fazer acepção de pessoas, conforme as ordenações divinas... II,01: "Vocês guardavam zelosamente as palavras dele em vossos corações e os sofrimentos dele estavam sempre diante de vossos olhos... II,03 Repletos de santa resolução e ânimo para todo bem."...II,07 "Jamais vos arrependestes de ter feito o bem 08 ...os preceitos e estatutos do Senhor estavam gravados em vossos corações." XIII,03 "Firme-mo-nos em tais mandamentos e preceitos; e com humildade nos submetamos a suas palavras."
    XXI,01 - XXI,08 - XXXII,01 - XXXIV,01 - XXXVII,02
  • Amor - "Quem diz ter o amor de Cristo observe os mandamentos de Cristo." XLIX,01 "Sem amor nada pode agradar a Deus." 05 "O amor é coisa divina e divina e seu valor transcende as nossas palavras." L,01
  • Justificados para as obras: "Assim os que pela fé justificados foram sejam adornados com boas obras a exemplo do Senhor." XXXIII,07
  • Virtudes - Benevolência, mansidão e humildade. XXX,08 Justiça, verdade, paciência, concórdia e paz. LXII,02
  • Solidariedade: "Sejamos bons uns para com os outros conforme a piedade e a ternura daquele que nos fez." XIV,03 "O que possui algo assista o pobre e o pobre a Deus agradeça por este se servir de alguém para aliviar suas necessidades." XXXVIII,01 "Associe-mo-nos aos santos porquanto os que deles se aproximam tornam-se santos." XLVI,02
  • A Perfeição: "Aproxime-mo-nos dele pela santidade da alma e lhe estendamos as mãos puras e sem mancha." XXIX,01
  • Fideísmo: "... A vossa fé se obscureceu. Porque não anda mais segundo as diretrizes de seus preceitos, SEM SE COMPORTAR DE MANEIRA DIGNA." III,04
  • I,03 - Hierarquia: "Submissos aos líderes e prestando aos presbíteros que estavam convosco as honras devidas." "Os grandes não existem sem os pequenos nem os pequenos sem os grandes, em tudo há uma mistura, e isto procede da necessidade. Tomemos o nosso corpo - A cabeça não se pode locomover sem os pés e os menores membros são necessários a saúde do corpo inteiro. Todos convivem em mútua submissão para consolidar a saúde de todo corpo." XXXVII,04 e sg "Coisa horrenda e indigna da conduta Cristã saber que a sólida e veneranda Igreja de Corinto por causa de um ou dois elementos ousou levantar-se contra seus presbíteros. Tais rumores não chegaram apenas até nós mas até mesmo aos contrários e assim graças a vossa tolice é injuriado o nome do Senhor com grande perigo para vós!" XLVII,06 "Vós que lançastes os fundamentos da rebelião, submetei-vos aos presbíteros e deixai-vos corrigir com o arrependimento dobrando vossos corações." LVII,01
  • II,06 - Cismas e divisões: "Toda briga e divisão eram abomináveis para vós." "Brigas, ódios, disputas, divisões e intrigas, nada disto é necessário." XLVI,02 "Assim por que rasgamos e esquartejamos o corpo de Cristo. Por que nos rebelamos contra o corpo de que fazemos parte? oh loucura! Esquecemos que somos membros uns dos outros e olvidamos as palavras de Jesus! A divisão perverte a muitos. Enfraquece uns, escandaliza outros, levando-os a dúvida e entristece a todos." XLVI 07-09
  • Tradição: "Abandonemos as preocupações inúteis e vãs para seguir a norma imaculada da nossa tradição." VII,02
  • Livre arbítrio: "O Senhor concedeu a faculdade da conversão aos que desejarem se converter a ele." VII,05 "Na sua vontade soberana ele decidiu que todos os amados se possam arrepender." VIII,05 "Lutemos para sermos contados no número dos que herdarão as santas promessas." XXXV,04
  • Cânon do Antigo Testamento - Em XVI,16 parece citar o livro da Sabedoria: Esperou no Senhor... que o liberte e o salve se o ama. Menciona Judite juntamente com Ester. LV,04
  • Estabilidade de Deus (Deus não se encoleriza): "Na paciência de sua vontade coloquemos os nossos olhares e consideremos como permanece isento de cólera para com os seres criados." XIX,01
  • Ressurreição dos corpos: "Que haverá de fantástico ou de extraordinário em que o Senhor do universo ressuscite aqueles que o serviram santamente na esperança e sinceridade da fé?" XXVI,01
  • Justificação universal: "Pela fé Deus justificou TODOS os homens desde o princípio." XXXII,04
  • Pecado: "Quem são os inimigos do Senhor: Aqueles que se opõem a sua vontade." XXXVI,06
  • Ritual/calendário: "Devemos fazer tudo quanto o Senhor mando fazer no determinado tempo. Ele mesmo determinou que as ofertas e funções litúrgicas fossem oficiadas não ao acaso ou aleatoriamente mas em circunstâncias e mesmo horas determinadas. E por sua soberana vontade designou onde e por quem deseja que tais cerimônias sejam oficiadas, a fim de que cada coisa seja feita santamente e deleitosa seja a sua vontade." XL,01-03
  • Sucessão apostólica: "Os apóstolos receberam do próprio Senhor Jesus Cristo o Evangelho que nos comunicaram. Jesus foi enviado pelo Pai. Cristo procede do Pai e os apóstolos de Cristo. As duas coisas, na mesma ordem, procedem do Pai. Eles receberam instruções infalíveis, segundo a evidência da ressurreição e foram brindados com a graça do Espírito Santoe assim comunicaram o Reino. Nos campos e nas cidades anunciaram a boa nova e assentaram as primícias, e pelo poder do Espírito Santo constituíram Bispos e diáconos para os futuros crentes." XLII,01-04 "Julgais inusitado que os pregoeiros de Jesus Cristo tenha estabelecido tais ministros? Já Moisés tendo limitada ciência, não teria tomado todas as providências para que não houvesse desordem no antigo Israel?" XLIII,01 e 06 "O Senhor mesmo informará aos apóstolos a respeito das disputas que ocorreriam por causa da liderança. Destarte, tendo em vista o futuro, eles estabeleceram os ofícios de que falamos e quando estes morreram, outros homens qualificados os sucederam. Os que estabelecidos foram por eles ou por outros homens, sempre com a vênia da Igreja, tem servido o rebanho de Jesus Cristo dignamente e são estimados por todos. Por isto julgamos que não seja lícito dedigna-los. Para nós não seria justo exonerar aqueles que exercem o episcopado de modo santo e irrepreensível." XLIV,01-04
  • Inspiração da Escritura: "Vos curvastes sobre as santas Escrituras, essas verdadeiras Escrituras doadas pelo Espírito Santo. Sabei que nada de injusto ou falso nelas esta escrito." XLV,02
  • Trindade Excelsa: "Temos um só Pai, um só Cristo e um só Espírito de graça, que sobre nós foi derramado." XLVI,06 "Pela vida do Pai, pela vida do Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo que são a fé e a esperança dos bem aventurados." LVIII,02
  • Imortalidade da alma: "Aqueles que pela graça do Senhor se tornaram perfeitos no amor FORAM RECEBIDOS NOS LUGARES DOS PIEDOSOS." L,03
  • Igreja: "Melhor é para vós ser mantidos no rebanho de Jesus Cristo inda que sendo pequeninos do que grande ser e estar fora deste rebanho." LVII,02

segunda-feira, 18 de março de 2013

LXVII - O Testamento de Jesus.






Evangelho de S Mateus capítulo XXV -

"Naquele grande dia dirá o Mestre aos que estão à sua direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,
35. porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes;
36. nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.
37. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
38. Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
39. Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?
40. Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.
41. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
42. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
43. era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes.
44. Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?
45. E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer."




Curiosa esta presença de Cristo no faminto, no sedento, no sem teto, no desnudado, no enfermo e no prisioneiro.


Curiosa mas não misteriosa, senão perfeitamente compreensível.

Pois ao fazer-se homem, e homem humilde, não conheceu o Senhor a fome, a sede, o relento, a nudez, a enfermidade e a prisão???

Identifica-se Nosso Mestre com cada um dos que passam por tais vicissitudes por ter ele mesmo, em determinadas circunstâncias, feito contado com elas.

E como se o contato do Salvador com a fome, a sede, o desabrigo, a nudez, a doença e a prisão; santificasse cada um destes flagelos...

Os quais desde então tornam-se como que veículos de sua presença.

Assim habita Jesus de algum modo, no faminto, no sedento, no desabrigado, no desnudado, no enfermo e no prisioneiro...

De modo que ao aliviar os sofrimentos de cada um deles prestamos um serviço ao próprio Jesus.

Pelo mistério da Encarnação identificasse o filho de Maria com cada miserável, com cada excluído, com cada sofredor...

Homem das dores ele sabe compadecer-se da dor alheia.

Humilde, trabalhador e pobre ele bem compreende a situação de nossos irmãos mais pequeninos.

Tendo sofrido até o paroxismo do abandono da cruz esta ele perfeitamente apto para confortar.

Mas tu dizes: Ele jamais foi preso!

E eu te digo: preso foi nos ergástulos de Anas, Caifas e Pilatos.

Tu dizes: O Mestre jamais experimentou em si qualquer doença.

E eu te digo: Na verdade ele conheceu a dor de perto; por meio das chicotadas, bordoadas, dos espinhos e dos pregos.

Tu dizes: Ele jamais esteve nu?

E eu te digo: Nu foi deitado sobre o madeiro e pregado.

Tu perguntas: Quando que foi peregrino?

E te respondo: Quando com seus pais foi conduzido as pressas a terra do Egito.

Tu afirmas: Ele sempre foi bem acolhido

Eu contesto: Não tinha sequer uma pedra sobre a qual pousar a fronte cansada.

Tu exclamas: Sua mãe jamais deve ter permitido que passasse fome ou sede!

E eu afirmo: Quando esteve por quarenta dias no deserto jejuando conheceu a fome e a sede!

Cada uma destas situações ele conheceu e vivenciou.

E por isto decretou que seus adoradores e servos dessem combate a elas.

Asseverando que os insensíveis e indiferentes face a dor alheia seriam rigorosamente punidos e afastados de sua presença por eras de eras.

Erram pois aqueles insensatos que concebem o juízo divino como uma prova e teologia ortodoxa.

A verdade é certamente dom e dádiva de grande valor; a qual merece ser prezada por aqueles que aspiram a perfeição.

O bem no entanto esta infinitamente acima da verdade; como a caridade esta muito acima da fé.

Então é necessário saber que o homem será levado a juízo tendo em vista suas obras ou seja o bem ou o mal que fez em vida; e que este será o alvo ou fóco principal do último dia.

Acrescentemos pois uma boa doze de ortopraxia a nossa ortodoxia; para que seja uma ortodoxia viva, útil, proveitosa e meritória. Assim não seremos desamparados; mas sustentados de pé no dia da manifestação gloriosa e segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.






LXV - Salvou-se o bom ladrão pela fé somente???




Ensina a mãe Igreja desde os tempos imemoriais que para operar a salvação, deve o homem executar penitência e praticar boas obras.

Assim o arrependimento, a reparação dos crimes e a submissão a lei divina do amor.

Para que a fé encaminhe o homem a Deus deve ser viva e operante, ou seja, vivificada pela esperança e a caridade; que é o dom superno.

A fé meramente teorética, apartada da caridade e da esperança; sendo morta e inoperante a ninguém pode salvar.

E o homem restaurado, dignificado, santificado e aperfeiçoado pela fé com a esperança e a caridade e não pela fé somente.

Eis porque aquele que declara: Senhor, Senhor mas não cumpre a vontade de Deus em sua vida; não será recebido em paz por Cristo Jesus; antes dele ouvira palavras muito duras: Afastai-vos de mim vós que puzestes em prática a maldade.

Veio Lutero no entanto e fundamentado apenas em alguns capítulos da epístola aos romanos (cf Dale Owen 'Região em litigio' cap I) pessimamente traduzidos; enunciou uma nova e exótica doutrina segundo a qual o homem não precisa colaborar com Deus para obter sua salvação. Alias o homem não precisa nem deve fazer coisa alguma: Deus faz tudo sem ele; Deus o salva...

Ao homem convém apenas crer somente.

Pecado algum pode separa-lo de Cristo; exceto a perca da fé ou a heresia.

Ainda que cometa milhares de assassinatos, roubos, adultérios e mentiras; nada disto pode separar o verdadeiro crente de Jesus Cristo, ensina o despadrado alemão.

Deus não pede que faças coisa alguma; apenas estende o manto escarlate do sangue sobre ti, e pronto, salvo estas; continua a lingua petulante da Wittemberga.

E a Ph Melanchton escreve: "Peca fortemente, mas em seguida cre fortemente..."

Afinal, escreve a outro, caso não pecasses como poderias vir a ser redimido, assim nosso oficio é pecar e o de Cristo perdoar.

Assim deveis lançar o Decalogo para longe de vós; e se alguém te apresenta Cristo como Legislador, saiba que é um falso Cristo.

O verdadeiro Cristo não te pede nada só te dá, a salvação.

A esta doutrina abominavelmente monstruosa chamam os protestantes de 'sola fides' ou fé somente; isenta de amor, obras ou colaboração.

Nós dizemos doutrina da salvação no pecado e da soberania do pecado sobre a graça.

Porque a Igreja de Cristo ensina que o homem é salvo DE seus pecados e jamais em seus pecados.

"Seu nome será Jesus. Porque salvará as gentes DE seus pecados."

E salvo do pecado pode, caso esteja sempre disposto a colaborar com Cristo, deixar de pecar e cumprir todos os preceitos da lei moral; quais sejam as bem aventuranças ou o Decalogo; passando a viver como legitimo filho de Deus.

Segundo ele mesmo dá a entender: "Se me amais cumprireis os meus preceitos."

Pois para aquele que nasceu de Deus 'Os mandamentos não são custosos." I Jo 5,3

Assim "Se diz pertencer a ele que ande como ele mesmo andou." I Jo 2,6

Tal a doutrina da graça interna, eficaz e soberana; que confere ao homem a capacidade de obedecer a lei divina e de viver santa e piedosamente; segundo a vontade de Jesus Cristo.

Pois "O que permanece nele este não peca mais; já aquele que vive pecando ignora quem seja ele." I Jo 3,6

Assim se o homem não é redimido ou justificado pela lei moral; é restaurado e reconciliado PARA a lei moral e não para uma vida pecaminosa, em tudo semelhante a dos filhos das trevas.

No entanto "Deus e luz e nele não há treva alguma, portanto se afirmamos ter sociedade com ele e caminhamos nas trevas SOMOS MENTIROSOS." I Jo 1,6

Eis porque diz o Senhor: "Brilhe vossa luz diante de todos para que vendo vossas boas obras rendam graças aos céus."

Afinal 'A árvore boa não pode produzir maus frutos...'

Cristo no entanto é a videira original.

Eis porque, conectados a ele, muito podemos e devemos fazer.

Segundo esta escrito: "Assim sabemos que o conhecemos de fato, SE OBSERVAMOS SEUS MANDAMENTOS, aquele que diz conhece-lo e viola os mandamentos é um mentiroso e a veracidade não esta nele. Mas se observa o ensinamento nele é perfeito o amor de Deus..."

Daí exclamar o apóstolo: "Tudo posso naquele que me sustenta."

Inclusive executar o decreto divino: "Sede perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito."

De certa forma assente na própria lei dos judeus: "Sede santos como o Senhor vosso Deus é santo."

E verdade que aqueles que no tempo da ignorância viviam apartados dele não podem afirmar: 'Jamais cometemos pecado.' sem mentir.

No instante em que passaram a ele no entanto "Tornaram-se novas criaturas." não a imagem do Adão vivente; mas a imagem do  'Homem Jesus Cristo'.

Assim as coisas velhas 'Já passaram'.

Porquanto "Aquele que o Filho libertar é verdadeiramente livre."

Servos da 'Verdade que liberta.'

Assim tendo pecado já não pecam mais.

E que peca após ter aderido a ele?

"Aquele que peca é gerado pelo Demônio... pois quem nasceu de Deus já não conhece o pecado." I Jo 3,9

Assim é perfeitamente possível distinguir os de Cristo os do maligno.

"Se não ama não é filho de Deus." I Jo 3,10

Aqueles cujas obras são más pertencem a irmandade de Caim. I Jo 3,12

Todo aquele que tem ódio em seu coração é homicida e homicida algum herdará a vida. I Jo 3,15

"Amemos pois não com a palavra e a lingua; mas com obras na verdade." I Jo 3,18

"Assim se observamos os mandamentos Deus vive em nós e nós nele." I Jo 3,24"

"Assim como Deus nos amou devemos nos amar uns aos outros... se nos amamos uns aos outros Deus permanece em nós e nós nele."

"Aquele que não ama não conhece a Deus porque DEUS É AMOR. Todo aquele que ama procede de Deus, nasce de Deus e conhece a Deus."

"Assim se declara: amo a Deus e odeia o próximo é um mentiroso; pois se não ama ao próximo que vê como será capaz de amar aquele que não vê?"

Temos um bom mandamento: Se amar a Deus ame também a seu irmão.

Assim o amor de Deus esta provado: que executamos seus mandamentos. I Jo 5,3

Destarte o amor 'Evita uma multidão de pecados."

E faz com que o homem viva verdadeiramente de Jesus Cristo, imitando-o.

Tal a doutrina da Igreja de Cristo, Ortodoxa e Católica sobre a salvação.

Em tudo oposta a 'salvação fácil' do Dr Lutero.

Nós anunciamos que cada qual deva tomar sua cruz e adentrar pelo caminho estreito das perseguições.

Não nos admiramos todavia de que multidões imensas tenham abraçado ao novo Evangelho do comodismo.

Pois é do ego detestar todo tipo de compromisso mais sério. E proceder quase sempre com leviandade.

De fato os homens estimam tudo quanto seja supérfluo e costumam detestar tudo quanto exija empenho, dedicação e sacrifício.

Assim Maomé faz da poligamia um dogma e lá vão centos de Cristãos no encalço dele...

Assim Lutero enuncia uma salvação sem esforço ou compromisso e outros tantos milhões vão a seu encontro.

E começam já a emitir argumentos e a proclamar que serão salvos sem qualquer obra ou penitência; tal e qual Dimas, o bom ladrão.

E de suas alcovas exclamam: Dimas nada fez e Jesus o salvou; pela graça e pela misericórdia o salvou; graciosamente e sem nada pedir em troca!

Tudo muito belo e tudo muito falso; pois o fim disto é anunciar uma salvação comoda e fácil sem penitência, sem reparação, sem amor, sem colaboração, sem obras, sem esforço, sem caminho estreito e sem cruz...

Agora ouça bem meu querido protestante.

Como poderia Dimas, estando preso a uma cruz e prestes a morrer fazer qualquer tipo de coisa ou executar obras e penitência???

Podia ele remover os pregos e saltar do instrumento de suplício; para solicitar o Batismo???

E no entanto dissera Jesus: "Aquele que não nascer da água e do Espírito não entrará no Reino dos céus."

E também "Ide e batizai a toda criatura; quem crer e for batizado salvo será."

Razão pela qual quase todas as seitas dos protestantes batizam pessoas.

Apliquem então a lógica de Dimas e cessem de batizar; pois ele salvou-se sem batismo...

Mas vces sabem que ele não repudiou o Batismo, e que em seu coração desejou executar tudo quanto fosse necessário para reverenciar a Jesus Cristo. E que aspirou viver a vontade de Jesus Cristo em sua vida caso lhe fosse dado voltar atrás ou viver de novo...

Não se salvou Dimas pela fé somente...

Lá estava o arrependimento dos pecados e a vontade de mudar, de não mais pecar, de romper com o padrão do mal.

Ou creem os protestantes que pela fé desejou Dimas, já salvo, continuar sendo larápio e violando descaradamente os mandamentos???

Portanto se Dimas em seu coração, juntamente coma fé abrigou o arrependimento; deve também ter abrigado no mesmo coração a submissão ou seja o desejo de ser batizado. E desejando se-lo de fato o foi, não só pela fé mas pelo sangue que verteu na unidade de Jesus Cristo.

Tendo desejado executar tudo quanto Jesus Cristo exigisse de seus adoradores e servos, mesmo sem saber ao certo o que fosse; desejou ele batizar-se, fazer penitência e reparação como Zaqueu, deixar de pecar como Madalena e abundar em santas e boas obras como os apóstolos.

Nem é possível crer que fizesse qualquer tipo de restrição a vontade daquele que conhecia o interior do homem e que pode conhecer a sinceridade de suas palavras.

Os protestantes repudiam formalmente a penitência e as obras; alegando que já estão salvos e que ressuscitarão sem elas. Dimas nada repudiou formalmente e jamais proclamou com a lingua ou a boca as parvoices de Lutero.

E se não pode executar as obras que executamos e que são exigidas pela nova lei do Evangelho; nem por isto deixa de fazer algo e de obter méritos.

Mas que fez Dimas pregado a cruz, atalha nosso protestante.

Após ter professado a fé e acolhido a esperança e a caridade em seu coração; passa Dimas a comunhão, amizade ou unidade de Jesus Cristo.

Cristo passa a habitar nele e ele em Cristo.

Por outro lado preso a cruz e prestes a morrer ele deve ter suportado dores cruciantes.

No entanto iluminado pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao invés de revoltar-se de blasfemar como antes, ele reconhece a justeza da pena recebida e aceita serenamente o fim que lhe esta reservado.

Ao suportar pacientemente e na unidade de Jesus Cristo, os sofrimentos porque passava Dimas cumpre sua penitência. Cada gota de sangue que ele verte arrependido em sua cruz, misturadas com o sangue do cordeiro divino, são verdadeiros atos de reparação.

Então nós podeis afirmar e demonstrar que ele não cumpriu penitência ou reparação alguma. Pois as horas de vida que lhe restaram e o gênero de morte que sofreu correspondem a tudo isto: obras, penitência e reparação.







sábado, 18 de abril de 2009

Os delírios da mitologia

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Faz parte do discurso atual ridicularizar ao máximo a 'mitologia' Cristã ou Católica enquanto se 'passa ao largo' da mitologia hebraica (Assumida pelos judaizantes alias) e mais ainda da mitologia grega. Quanto a esta última por sinal há inclusive quem chegue as vias da Apologia... Como na série Percy Jackson.

Longe de nós negar ou mesmo menosprezar a Filosofia grega não apenas enquanto monumento literário, mas enquanto construto social, repositório de figuras simbólicas, fonte de temas psicológicos, etc Nós mesmos somos professores de Mitologia Clássica e admiradores confessos seus enquanto expressão literária, social e psicológica.

Coisa completamente diversa é encara-la sob o prisma religioso ou como entidade real. A exemplo dos neo pagãos.

Curiosa a atitude da neo modernidade face ao 'problema', o Cristianismo é ferozmente atacado e reduzido ao absurdo por apresentar Um só Deus feito homem e nascido miraculosamente duma Virgem, enquanto todos os devaneios da mitologia grega são poupados!!!

A questão até pode parecer irrelevante mas não é.

Afinal quem haveria de levar a Mitologia grega a sério?

Aqueles que sem terem abraçado a fé ateística ou materialista, desencantaram-se com a Mitologia hebraica, levianamente associada a fé Cristã.

Especialmente as crianças, os jovens e as pessoas mais imaginativas.

Eu mesmo, enquanto educador e conferencista, após ter abordado determinada narrativa mitológica, tal como a Medusa, o Pegassus, a origem de Afrodite, os repastos do croniana, a origem de Ops, etc, tenho ouvido regularmente a seguinte pergunta: Mas professor, isto aconteceu mesmo? Ou ainda: Mas isto é real professor?

E eu havia acabado de descrever como após a castração de Urano por seu filho Cronos - cujas partes foram lançadas ao mar - de seu esperma mais a espuma do mar, brotou uma deusa, Afrodite. Alias a narrativa não seria menos absurda caso disséssemos que das partes de Cromos mais a espuma do mar saíra uma mulher comum??? Desde quando de sangue ou esperma mais espuma sai uma criatura viva em estado de maturidade??? Quanto mais um ser racional????

E no entanto após haver relatado exatamente isto, ou como um deus engoliu seus próprios filhos ao cabo de anos a fio para num determinado dia, ao ser golpeado no estomago, vomita-los todos vivos, um após o outro. Seguindo-se a aterradora pergunta: Mas aconteceu mesmo? Foi real? Cronos existe? Pégassus existe? Cila existe? A Hidra existe? A quimera existiu? Existiu a Medusa???

É o que costumeiramente ouvimos da parte dos mais jovens. Inclusive quando aludimos a passagens das mitologias nórdica, maia, indiana, japonesa... as quais são ainda mais absurdas com seus homens/milho, deuses cegos, deuses esquartejados, deuses saídos do mar, das montanhas ou do Sol, etc Após cada narrativa segue-se a invariável pergunta: Mas é real? Formulada não por crianças pequenas ou por adultos a guiza de pilhéria, mas seriamente, tanto por jovens quanto por gente madura!

Admitamos que a Mitologia hebraica - A qual nada tem a ver com os mistérios do Cristianismo - tenha servido de introdução as demais mitologias (Pelo simples fato dos pastores e de alguns padres desmiolados terem ensinado os fiéis a acreditarem em mais narrativas). Em que ficam sendo menos ridículas ou absurdas? E por que não podemos viver sem elas, digo sem mitologias? (Apenas enquanto forma religiosa ou 'real').

Admitamos que a Mitologia hebraica seja absurda.

Em que isto torna as demais narrativas mitológicas excelentes ou dignas de crédito.

Mas o Cristianismo!

Pera lá, partamos do princípio, onde é que o Cristianismo nos ensina a crer em deuses, em deuses com vontades diferenciadas, em deuses que não apenas conflitam, mas que positivamente chegam as vias de fato, brigando, combatendo e lutando entre si???

Como poderiam ser 'infinitos' uma ver que a infinitude supõem exclusividade? E como sendo limitados e finitos podem ser propriamente divinos? Deuses é coisa que não pode existir, um conteria o outro, e nenhum deles seria Deus...

Por outro lado se é Deus, por meio das leis naturais que estabeleceu, Conservador do kosmos (I é da ordem que regula o universo 'relações constantes entre causa e efeito') como o triunfo de outro 'deus' e outra sucessão, e a introdução de outra mente e de outra vontade, poderia deixar de introduzir mudança nas leis naturais tornando-se o universo completamente caótico??? Não seria justa admitir que o triunfo de um novo deus acarretasse a substituição de um modelo de universo por outro e assim sua destruição???

Suponhamos ainda que o organizador e conservador deste universo seja um dentre vários e que tenha seu poder ameaçado. Neste caso, sendo atacado por outro ou por outros e tendo de despender tanta força em sua própria defesa como conseguiria manter este nosso universo inalterado e fixo? Enfim como essa luta ou disputa entre deuses beligerantes poderia deixar de acarretar a destruição do nosso mundo introduzindo sucessivas catástrofes???

E no entanto há bilhões de anos temos um Kósmos e mesmo um processo evolutivo que avança em determinada direção. Temos estabilidade e constância, temos regularidade, ritmo e sincronia, temos ordem; o que não nos parece indicar uma disputa pelo poder nos termos da Mitologia, a qual como já dissemos acarretaria a confusão geral e a dissolução dos elementos.

O Cristianismo a principio já se mostra superior a Mitologia - no terreno religioso - por postular o monoteísmo ou a existência de um só Deus, embora não sob a forma da transcendência absoluta, pois como os deuses do paganismo antigo, o Deus dos Cristãos é Deus presente e em contato com a imanência. É Deus envolvido com suas criaturas e não uma entidade totalmente separada e localizável.

Mas o Deus Cristo se Encarna ou se faz homem, dirás tu! Neste caso que diferença há entre Cristianismo e Mitologia?

A diferença já a apontamos - O Cristianismo como a Filosofia grega, não admite princípios paralelos ou conflitantes, não trabalha com o falso conceito (Absurdo) de deuses, não é politeísta, mas monoteísta.

Logo o que afirmamos é a encarnação de Deus e não a manifestação, a encarnação ou a reencarnação de diferentes deuses.

No entanto, replicarás, vocês Cristãos adotam o princípio Mitológico da Encarnação, o qual não se achava presente no judaísmo.

Coisa curiosa. Você censura o Cristianismo por adotar um elemento ou aspecto do paganismo e você mesmo adota-o 'in totum', admitindo inclusive deuses que não possuem existência real.

E no entanto você, admite, segundo a mitologia, que seus deuses ou celícolas assumam formas bem menos refinadas!

Assim o pai Zeus é sátiro, é pavão, é águia, é touro, é ganso, é cisne e é serpente, além de chuva de ouro e raio. Hera, sua esposa converte-se numa velha desgrenhada com o objetivo de enganar a rival Semele, Rea ou Cibele numa árvore, Atena em coruja, Leto em codorniz, Heracles num dragão, as irmãs de Faetonte em choupos, Ino numa vaca (depois virou deusa!), Aretousa em fonte, Narciso em flor, Alcione em golfinho, etc

Neste caso se você considera a Mitologia, com todos os seus absurdos clamorosos, como digna de crédito, por que raios censura os Cristãos por terem tomado um único princípio seu por verdadeiro?

Agora por que tomam o princípio da Encarnação por verdadeiro?

Poderia o amigo demonstrar que, admitida a existência de um Deus Bom e Todo Poderoso, fica sendo sua encarnação, impossível ou irracional???

Eis algo que os esforçados judeus e maometanos, adeptos da transcendência absoluta, ainda não conseguiram demonstrar sem cair na mais absurda e monstruosa das contradições.

Pois fazendo ostentação em torno da onipotência divina, asseveram que deus 'NÃO PODE' se fazer homem ou encarnar-se. Veja bem - DEUS NÃO PODE...

Agora para que Deus não possa fazer alguma coisa temos de provar que esta coisa ou ação seja ou pecaminosa. Pois quanto a isto estamos de acordo, não pode Deus fazer o mal (embora o deus dos judeus e maometanos possa pecar e fazer o mal!!!).

Todavia por que e em que assumir a matéria organizada por ele mesmo e na qual já esta presente seria mal ou pecaminoso???

É a matéria pecaminosa ou indigna? Neste caso por que teria o Deus sábio e perfeito produzido algo mal ou indigno?

Por outro lado, se enquanto obra divina é a matéria digna e boa, por que não poderia o Deus todos poderoso assumi-la?

Reflita, com isenção de preconceitos, e concluíra que nada, absolutamente nada de irracional existe no conceito de Encarnação.

Em certo sentido podemos dizer que o Catolicismo é genial justamente por ter reunido em si mesmo os dois aspectos mais nobres e elevados do judaísmo antigo (Bem como da Filosofia antiga) e do paganismo antigo - O monoteísmo e a Encarnação. Síntese brilhante por meio da qual o monoteísmo desprendendo-se do veneno da transcendência absoluta vincula-se mais ainda a Imanência, conciliando-se com ela. 

Abandonou assim o grande erro do paganismo que era o politeísmo, bem como o grande erro dos hebreus, muçulmanos (semitas em geral) e neo platônicos, a saber, a transcendência absoluta, a qual como vimos implica, necessariamente, separação e localização.

Portanto não fica sendo absurdo ou estúpido o Cristianismo por afirmar que o Uno se fez carne, assumindo a condição dos mortais com o nobre objetivo de beneficia-los?

Particularmente quando formulada por um neo pagão a acusação tem sabor de incoerência.

Na medida em que extasia-se com a ideia de deuses assumindo formas humanas (Assim Zeus tomando a forma de Anfiction com o objetivo de seduzir Alcmena , Atena assumindo a fora de Deífobos, Apolo manifestando-se como o pastor Adureto - 'Eis que descendo a terra apascentei os bois de meu hospedeiro e salvei sua casa da destruição.') e baixando a este mundo com o objetivo bem menos nobre de flertar... Por que sorris diante do Cristo, mas não diante de Apolo ou Hermes??? Que há de ridículo em Jesus que não fique ridículo, ou antes, que fique bonito neles??? E no entanto eles se manifestam como homens para namorar enquanto o Deus Único e verdadeiro manifestou-se entre os homens para mostra-se solidário e mostrar seu amor para com eles!

Assim tanto amou Deus o mundo que dignou-se vir a seu encontro para educa-lo, cura-lo e beneficia-lo espiritual, ética e socialmente.

E no entanto você continua a rir-se quando alegamos que pelo poder Supremo uma Virgem pode conceber e dar luz a seu Criador, de modo a fornecer aos mortais um sinal segundo de sua presença.

Considere porém que a Mitologia assim apresenta a concepção de Áries: A despeito de Zeus ter gerado por si mesmo uma filha, a saber a Virgem Atenas, pensamento seu; a senhora Hera desejando também conceber um filho sem a participação do esposo, engalanou-se e foi consultar o oráculo - Observem que a deusa vem a terra, pedir conselho a um oráculo! - o qual orienta-a do seguinte modo: Após teres adentrado no bosque encontrarás uma linda flor, dourada e desabrochada, assim que a encontrares, sem perda de tempo, senta sobre ela. Tendo feito tudo quanto o oráculo determinará, assim que Hera pôs-se de pé, deu com o menino - Áries - vagindo sobre a flor.

Acreditais além disto ou ao menos não considerais estranho, que Dionísio tenha sido gerado por três meses na panturrilha ou batata da perna de Zeus, seu pai; a qual por isso mesmo passou a chamar-se 'barriga' da perna.

Eis outra narrativa bastante esquisita, não a do Evangelho, afinal nosso Jesus não foi gerado numa panturrilha...

Pois caso Deus existe e seja Onipotente, que desatino há em fazer com que uma Virgem conceba e dê a luz a si mesmo??? Do contrário, não sendo Onipotente, não é Deus.

Tornemos no entanto a esses deuses, os imortais do Olimpo, aos quais inclina-se parte da humanidade atual. E perguntemos aos neo pagãos e simpatizantes como podem ser eternos e ter corpos materiais iguais aos nossos uma vez que nossos corpos materiais são resultados de um lento processo evolutivo peculiar a este planeta??? Teriam todos eles se encarnado??? Não é o que diz a mitologia? Então o que? Teriam corpos materiais e humanos desde toda eternidade??? Veja só ao absurdo que chegamos!

Absurdo dos absurdos pois sequer podemos afirmar que fossem dotados de corpos perfeitos uma vez que Deméter é descrita como sendo provida de quatro olhos, dois no lugar ordinário e mais outros dois acima deles, junto a fronte, além de dois chifres. E narra a mesma mitografia que Rea, sua mãe, assustou-se de tal modo que não queria amamenta-la. Já Árion, filho incestuoso de Deméter e Poseidon não passava de um cavalo, isto mesmo de um cavalo - Assim homens ao menos geram homens, mas os deuses pagãos geravam cavalos! Enfim o neto de Deméter, Zagreus; também é dado a luz em posse de um par de chifres.

Agora contemplem este Hefaistos, filho de Zeus e Hera o qual teria nascido coxo e com os olhos saltados, a ponto de ser lançado por sua própria genitora, Olimpo abaixo - Aos gritos de: Eis um monstro! - vindo a quebrar as costelas e ficar corcunda! Um deus coxo, corcunda e com os olhos saltados; mas onde esta a beleza disto???

Ousaras dizer-me que este ser disforme ao menos era dotado de uma alma - Se é que deuses tenham alma... - nobre, excelente, impassível e perfeita? Mas que! Vede como lamenta-se o 'deus': Por ser coxo, Afrodite, filha de Zeus, sempre me despreza e ama o horroroso Áries. 

Diante de tais narrativas quem não percebe que Evemeros estava coberto de razão quando declarou que os celícolas do paganismo antigo não passavam de homens e mulheres, reis e rainhas, príncipes e princesas deificados após suas mortes??? Os quais por isso mesmo eram dotados de corpos como os nossos, e não seres de natureza espirituais como os gênios e anjos imaginados pelos persas e semitas...

Acaso nosso Clemente não foi capaz de indicar onde se encontravam as zoanas ou sepulturas dos principais deuses? Indicando que não haviam passado de mortais poderosos?

Não se encarnaram no tempo e no espaço a semelhança de nosso Jesus, e tinham corpos materiais! Ou eram corpos... Acaso tinham alma ou espírito vivo como nós? Ainda aqui a mitologia não nos esclarece. Além de múltiplos limitados pela condição física ou material e portanto mais limitados ainda! Tais os deuses do paganismo antigo! Os quais com pouca habilidade podiam atuar fora do corpo, pelo simples fato de aparentemente não possuírem uma dimensão espiritual ou uma simples alma???

Eis porque, mesmo sendo 'deuses' temeram a investida dos Titãs! Tiveram medo porque tinham corpos que podiam ser torturados! Mas eram imortais, e sempre jovens, e sempre saudáveis, e poderosos não??? Então por que raios temiam a seus tios e primos os deuses antigos, os ctonianos? Porque sabiam - e é a mitologia mesma quem o diz - que o patriarca Uranos após ter sido deposto por seu filho Cronos havia sido castrado e supliciado por ele... Porque sabiam que o próprio Cronos antes de ter sido destronado e enviado a Itália - segundo S Aristides de Atenas teria sido remetido ao Tártaro ou inferno dos gregos - por seu filho mais jovem, Zeus; havia recebido uns bons golpes e levado uma boa sova da parte dele!

Observai a guerra de Troia e vede os magníficos deuses - assim Atenas, a Virgem; assim Afrodite, assim Hera, assim Apolo, assim Áries; o deus da guerra! - no campo de batalha sendo golpeados e atingidos pelos heróis! Pelo simples fato de terem corpos vulneráveis, do que resulta o temor!

Acaso não exclamou a deusa do amor: "Eis-me ferida pelo filho de Tideu, Diomedes; o soberbo!"??? E o senhor da guerra: "Eis-me a pele marcada por Diomedes... pois lá ia eu, o furioso, quando Diomedes ergueu sua lança... e fica o destruidor dos mortais tingido de rubro sangue..." Enquanto Apolo teme Aquiles e dele foge...

Agora dizei-me e respondei-me como pode um temer se é todo poderoso e perfeito??? Não, não eram ou não são TODO poderosos - porque existem outros tantos rivais poderosos! - e perfeitos... Neste caso como podem ser divinos??? Acaso não deve ser a divindade excelsa Toda poderosa e absolutamente perfeita???

Em tudo não passam de homens, apenas de homens que em tese - controversa! - não adoecem, envelhecem ou morrem; além de possuírem certos poderes. E controversa porque Asclépios o deus salutífero é dado como tendo sido morto, alias fulminado, pelo próprio avô, Zeus; isto por ter ousado desobedece-lo e curado um de seus desafetos, a saber o filho de Tíndaro.

"O Pai dos deuses e homens SE IRRITOU, e acertando-o do Olimpo com o raio fuliginoso, matou o letoida."

"Assim tendo sucumbido a avareza foi pilhado pelo filho de Cronos, o qual disparando com as mãos suas, arrebatou-lhe do peio o alento e com o ardente raio feriu o insensato."

E este avarento e insensato fulminado pelo próprio avô, é deus!

Temos além disto Apolo 'seu pai, exercendo o ofício de adivinho - Mas como precisava adivinhas se sendo Deus deveria saber todas as coisas? - e Dionísio, o bêbado; sendo obrigado a refugiar-se nos confins das Índias...

O próprio Dionísio por sinal, teria sido morto e devorado pelos Titãs após ter assumido a forma de um touro e buscado fugir. Pois antes de ter sido Dionísio fora Zagreus.

Hermes busca ajudar o espião Dólon evidenciando que não era onisciente e que nada sabia a respeito do próprio presente ou do que se passava entre os troianos.  

Diante de tais narrativas como deixar de exclamar - Quanta miséria!

Digo-o porque além de apresentarem os habitantes do Olimpo como temerosos face aos titãs e heróis, mortais, abjetos e limitados, os mitógrafos no-los apresentam como sujeitos ao destino, tendo suas próprias ações traçadas por ele. Do que resulta ser o destino um poder superior aos deuses e os deuses inferiores ao destino, e o destino ser o verdadeiro deus dos antigos...

Assim o pobre Zeus tem de contentar-se com transformar este desgraçado em estrela, aquela em fonte, este em golfinho e assim por diante por não ser capaz de interferir e mudar-lhes o trágico destino!

Claro que nosso Bom Deus também não interfere. Não porém porque lhe falte poder para tanto e sim porque declinou de interferir por ter submetido este universo ao rígido controle das leis que ele mesmo concebeu. Nosso Deus é 'escravo' da perfeição que contém em si enquanto norma e regra de si mesmo e não submisso a um poder externo e superior a si!

Zeus no entanto assim se expressa após a morte de Sarpedon: "Ai de mim! Pois quanto a Sarpedon, o mais querido dos homens, foi decretado PELO DESTINO que seja ferido por Pátroclo, filho de Menéceu." E o poeta: Eis que perece Sarpedon, filho do grande Zeus e nem mesmo este é capaz de socorre-lo - Limitando-se a homenagea-lo com uma chuva de sangue!

Afinal que onipotência é esta meus senhores? Se aquele que brande o raio e fulmina não é senhor de si! Tendo sua existência traçada por instância superior - O destino! Quanta miséria!

Eis um simulacro de divindade subordinado a um processo impessoal de caráter fatalista!

Que dizer então sobre a Afordite a qual face a sorte de Heitor limitou-se a murmurar: "Quanta dor. Eis que com meus olhos contemplo meu querido correndo em torno das sagradas muralhas de Ílion e meu coração se enche de angústia."???

Outra que andava como louca, chorando e vagando pelos campos em busca da filha Perséfone (Logo ignorando supinamente onde a mesma se encontrava!) era Demeter. Quanto a Persefone, mesmo sendo deusa não fora capaz de defender a si mesma, sendo raptada pelo primo Hades, com quem a contragosto teve de se casar.

Já o 'divino' Febo Apolo lamenta ter servido a mesa de Admeto - Oh palácios de Admeto, em que tive de aceitar e suportar o ofício de copeiro sendo deus!

Tais os deuses da Mitologia.

São dignos de existência?

São verdadeiramente divinos?

Nem infinitos, nem ilimitados, nem incorpóreos (ao menos em parte), nem eternos, nem onipotentes, nem sábios, nem absolutamente perfeitos, etc

Tudo literariamente majestoso mas indigno de Deus.

Tudo muito limitado, finito, material, temporal, imperfeito; logo humano demasiado humano.

Que acontece agora caso arrastemos os mesmos olímpicos ao tribunal da Ética!

Possuem os deuses gregos perfeição moral???

Ainda aqui são primos de javé e alla, podendo fazer o mal, pecar e cometer quaisquer crimes.

São entidades que enganam, dissimulam, prestam falso juramento, cometem injustiça, traem, roubam, assassinam, praticam crueldade - até o sadismo! - fazem-se caprichosas e despóticas, corrompem e são corrompidas, etc

Tais os deuses magníficos e não há dispositivo da lei da consciência que eles não violem descaradamente!

Santidade e pureza é coisa que não há nesta família!

Vemos assim que Afrodite, Áries e Zeus adulteram, que Zeus além de ter cometido incesto com Hera também cometeu incesto com Deméter, que Hefaistos exerce pedofilia ou digamos o ofício 'sedução', que Poseidon tornou-se incestuoso com a tia Afrodite e com a irmã Deméter, que Apolo mente, que Hermes e Áries roubam - o primeiro tornou-se padroeiro dos ladrões - que Hera 'Cuja cólera enchia o peito' vinga-se, que Atena encoleriza-se e irrita-se contra Zeus seu pai e assassina empregando o sangue da Gorgona. 

Alias só as amantes do 'pai e rei' dos deuses foram um cortejo: Ino, Europa, Danae, Alcmena, Maia, Semele, Leda, Leto, Lâmia, Dione, Antíope, Pasifae, Ganimedes, etc gerando uma hoste de bastardos - Perseu, Heracles, Hermes, Dionísio, Helena, Clientemnestra, Zeto, Anfion, Apolo, Artemis, Castor, Minos, Radamante, Sarpedon...
O mais assombroso no entanto é que Zeus - o pai dos deuses e homens - tenha estuprado sua própria filha Persefone, isto ainda quanto as relações entre pais e filhos constituiam tabu inviolável em praticamente todas as culturas!!! O que não deixa de ser surpreendente!

Dar crédito a mitologia e a 'bela' religião pagã é o universo regido por um incestuoso que violentou a própria filha! Precisa dizer mais alguma coisa?

Não querendo ficar atrás do irmão caçula também Poseidon entregou-se ao desfrute, seduzindo: Ascras, Iphimedeia, Medusa, Chione, Pelope...

Já o harém do valente Áries era composto por: Aglaura, Cirene, Herpina, Otreras, Pirene, Astioque, Betonis e Erétria... Dentre outras.

Mesmo o abjeto Hefaistos não teve menos do que sete companheiras: Aglaia, Etna, Cabiro, Gaia, Anticléia e Cinia.

Afrodite além de ter flertado com Áries e Poseidon ainda teve por amante a Hermes - de quem gerou Hermafrodito - e a Anquises do qual gerou Enéas amante da bela Dido e fundador de Alba, a grande. 

Artemis ou Diana, após ter sido flagrada ao tomar banho, transformou o pobre Actéion num veado mesmo sabendo que haveria de ser devorado por seus próprios cães. Mesmo sendo deuses e imortal ela não soube compadecer-se do pobre homem mostrando-se sádica e cruel.

Mas o que esperar duma 'deusa' que enviou um javali contra Adonis para mata-lo pelo simples fato de Afrodite - outra divindade não menos cruel - ter matado seu querido Hipolito? E como matou-o? Fazendo com que Fedra ardesse em amores por ele, tirasse a própria vida e incriminasse o justo! Impetrando seu pai, Teseu, ao senhor do Mar, que provocasse um sinistro capaz de mata-lo! Assim assustados por um monstro correm seus cavalos, conduzindo o belo carro, em direção dos penhascos e adeus Hipólito! Tudo porque recusar-se a massagear o ego da deusa do amor.

Assim Afrodite faz perecer o nobre Hipólito e para vingar-se Artemis aniquila Adonis!

Calisto parece ter tido um pouco mais de sorte e ser transformado um urso, após ter emprenhado a celicola enquanto dormia. O fim de tudo foi quase um parricídio por parte do neto divino, Arcas. Zeus no entanto interferiu como pode colocando o pobre urso no céu.  

Chione, amada por Poseidon, Hermes Apolo ocorreu a infeliz ideia de que era mais bela do que Artemis posto que cobiçada por diversos habitantes do Olimpo. Foi o quanto bastou para ter a lingua arrancada e ser morta a flechada pela filha de Leto.

Outra não foi a sorte de Níobe, esposa de Anfião; a qual gabou-se de ser superior a Leto por ter gerado sete filhos e sete filhas. Os quais foram exterminados a frechadas pelos divinos gêmeos... E Níobe convertida em fonte pelo 'poderoso' Zeus...

Apolo com o intuito de preservar a virgindade da irmã, envia um escorpião para acabar com o infeliz Orion. 

Quanto a já citada Afrodite não narram os mitógrafos ter levado Hipômenes e Atalanta a copularem no templo de Cibele? Com o objetivo de indispor a deusa contra ambos e castiga-los???

Donde se infere que nem mesmo respeito os deuses tinham pelos templos uns dos outros!

Áries teve por filho a Cícino matador de viajantes, o qual fica sendo neto de 'deus'. Mais infeliz do que este foi seu tio, Poseidon o qual teve de enterrar vivos (!!!) os filhos que havia tido de Halia os quais porfiavam  superar uns aos outros em malignidade. Isto para não falarmos em Polifemo, Crisaor, Oto e Efialtes igualmente filhos do senhor dos mares, e problemáticos!

Dionísios faz Licurgo ficar louco e assassinar a família a machadadas e as filhas de Penteu trucidarem o próprio pai.

Segundo Ésquilo é Hermes que por meio de truques e estratagemas auxilia Orestes a matar Clientemnestra e consumar o matricídio. É até aqui o que temos de mais ameno...

Contemplemos agora a respeitável matrona Hera, senhora do lar, prestes a assassinar uma criança em seu próprio berço e esta criança é o futuro Herácles. Eis uma 'deusa' infanticida, estranguladora de bebês!

Colérica e vingativa não transformou ela a infeliz Lâmia, rainha da Líbianum monstro espantoso e incapaz de fechar os olhos após ter dado cabo de seus filhos?

Tais os dotes da matrona 'celestial' pintada pela mitologia!

Tomemos agora a Virgem Palas ou Atenas. Será ela distinta de seus familiares, e, consequentemente mesmo vingativa e cruel?

Pudera! Pois também ela transforma a Medusa num monstro apenas por ter alegado ser mais bela do que ela. Mérope é transformada em coruja por ter ridicularizado os olhos glaucos da 'mente de Xeus'.
Ilus é feito cego por ter ousado contemplar o Paládio. E o infeliz Laocoonte mais seus dois filhos estrangulados por suas gigantescas serpentes enviadas por ela... Isto sem falarmos na primeira aranha Aracne, punida por sua ingratidão. Ainda aqui não temos nada semelhante ao mortal que proferiu esta memoráveis palavras: Perdoai setenta vezes sete vezes. 

O próprio Zeus, e é vexatório dize-lo, vez por outra, espancava a mulher Hera. Temos assim um deus machista e espancador de mulheres, simplesmente infame. Já o nosso Jesus desafia as leis de seu povo tratando as mulheres com amabilidade e delicadeza assim a Marta, a Maria, a mulher da fonte, a Joana, e a tantas outras. Considerável diferença!

Hefaistos arrenegou a própria mãe - Pagando-lhe mal com mal, enquanto nosso Jesus disse aos homens para pagarem o mal com o bem - e prendeu-a num trono dourado. E somente após ter sido embriagado por Dionísio é que concordou em liberta-la.

Hermes foi quem concedeu a Pandora o dom da mentira e do fingimento.

Eis a sagrada família do politeísmo: Insensíveis, caprichosos, coléricos, vingativos, agressivos, assassinos, cruéis, adúlteros, incestuosos, mentirosos, intemperantes; enfim repositórios de todos os vícios e defeitos que toram os homens desagradáveis.

Neste caso como admitir que tais narrativas sejam dignas de crédito ou que tais seres existam de fato?

Acaso não bastariam tais entidades para converter nossos sonhos em pesadelos?

Logo, em que sua inexistência prejudica a realidade?

E eu sequer mencionei os monstros - os filhos de Forco - em última análise descendentes de Gaia, a terra, logo divinos! Assim a Hidra, a Quimera, o Cérbero, a Cila... Mas que deuses são estes notáveis pela feiura de alma e de corpo e absolutamente asquerosos???

Encerro esta exposição considerando que nem mesmo como criaturas tais entidades mereceriam existir. Quanto mais como 'deuses' em lugar do verdadeiro Deus, magnânimo, filantropo, benfeitor, generoso, amigo e amante dos homens.

Se isto é tudo quanto o neo paganismo tem a opôr ao Cristianismo tudo quanto tenho a dizer a tais pessoas é que tornem a Xenófanes, Parmenides, Anaxágoras, Apolônio, Sócrates, Platão, Aristóteles, Crisipo, Cleantes, etc considerando tudo quanto estes homens excelentes disseram a respeito da mitologia considerada como religião ou realidade.

Certamente há muita coisa de bela e edificante, de tocante e elevado, de majestoso e de divino na mitologia grega. Assim a narrativa de Castor e Pólux, a de Alcione, a de Antiope... Como há muita coisa poética no mais alto grau, assim o ciclo edipiano, o ciclo orestiano, etc Percebam no entanto que quase tudo quanto torna a mitologia fascinante provém dos mortais oprimidos pelos deuses olímpicos e não dos deuses, e que a parte menos nobre da mitologia grega diz respeito a justamente a 'teologia'. Reflitam sobre isto e considerem se substituir as fábulas imbecis dos antigos judeus pela teologia pagã não equivale a trocar seis por meia dúzia...