Policarpo é nome de origem grega que significa 'muitos frutos'.
Segundo
Irineu, na carta a Florino, citada por Eusébio, ele - Irineu - jamais
havia esquecido as narrativas a respeito de como Policarpo se assentara
aos pés de João, o teólogo e fora nomeado pelos apóstolos Bispo de
Esmirna ( Tertuliano Praescr XXXII assevera ter sido ele sagrado por S
João) Sendo portanto o 'anjo' daquela Igreja, citado no livro da
Revelação, muito provavelmente composto por este João, não o apóstolo,
mas o ancião, ou presbítero. Teria portanto sido companheiro de
Pápias...
Já no livro 'Contra as heresias' assim se
expressa Irineu: "Posso recordar eu, Policarpo, o qual foi ouvinte dos
apóstolos e conviveu familiarmente com muitos dos que tinham visto o
Senhor, o qual foi estabelecido Bispo da Ásia, na Igreja de Esmirna,
pelos próprios apóstolos. Nos o conhecemos em nossa infância porque teve
uma vida longa e era já muito idoso quando obteve a palma do martírio.
Ora ele sempre ensinou o que aprendido tinha com os apóstolos." Adv
Haeres III 02-04. Considerando que este Irineu faleceu cerca de 200/210,
deve ter convivido com Policarpo entre 140/150.
Já pelos idos de 107 Inácio, outro ouvinte dos apóstolos, enviara-lhe uma elogiosa carta de despedida.
Sabemos
ainda, diretamente por Irineu e Indiretamente por Hegesipo, que
Policarpo veio a Roma pelos idos de 155, apaziguar os ânimos, devido a
questão da data da Páscoa, que os asiáticos, com Polícrates, oficiavam
ao 14 de Nisan, fosse qual fosse o dia da semana. E que sendo recebido
pelo primaz Aniceto. Consta que nenhuma das partes cedeu em seu costume,
mas que por deferência Aniceto entregou a presidência da Eucaristia ao
'Doutor da Ásia e Pai dos Cristãos'. É o que conta Eusébio na História.
Consta
ter perecido pelo fogo, no estádio de Esmirna, em meados de 156, com
pouco mais de cem anos - Admitido que servia a Cristo por 86 anos e se
convertera aos 15 ou 16. Tendo nascido em 56 bem pode ter conhecido o
apóstolo João - falecido pouco depois de 70 ou entre 70 e 80 - e certo
número de discípulos do Senhor, como o já citado João, o antigo,
provável autor do livro da Revelação.
Segundo Irineu
Policarpo havia escrito certo número de cartas a diversas congregações e
líderes, mas apenas uma chegou até nós, a que fora dirigida aos
Filipenses. Segundo P N Harrison temos na verdade duas cartas fundidas
numa só. (Primeira carta = Últimos caps e segunda carta = Cap Doze
primeiros caps mas pode ser até IX 02 esta última suposição é minha!)
Assim,
no que tange a carta maior (aos nove ou doze primeiros caps) a datação
corresponderia ao ano 130, o que é absolutamente plausível.
Segue a resenha doutrinal do documento -
A Encarnação do Senhor: "Quem não confessa que Jesus Cristo veio na carne é o anti Cristo." VII,01
O pecado - "Somos todos devedores do pecado." VI,02
A graça - "Sabeis já que pela graça justificados fostes, não por obras, mas pela graça de Deus comunicada por Jesus Cristo." III
Necessidade do Cristão fazer boas obras - "Caso nossa conduta seja digna dele, com ele reinaremos por mercê da fé." V,02 "Até
pelos pagãos deveis ser aplaudidos por vossa conduta irrepreensível e
obras santas, para que o nome do Senhor não fique exposto a zombarias." XI,02
A esmola - "Quando façais o bem não o deixeis para depois uma vez que: 'A esmola preserva da morte'" XI,01
Acesso a perfeição ou impecabilidade - "Aquele que tem o amor dentro de si está distante do pecado." III,03
A vivificante cruz - "Quem não aceita o testemunho da cruz é do maligno." VII,01
Ortodoxia - " Guardando a fé imutável." XI,01
Imortalidade
consciente - "E o beato Paulo, pois nenhum deles correu em vão, mas
conduzidos pela fé e pela justiça tomaram posse do lugar que lhes estava
reservado junto do Senhor porque padeceram." IX,01
Ressurreição da carne - "O que afirma que os mortos não ressuscitam esse é o primogênito do maligno." VII,01
Imitar Jesus - "Fiquei feliz por vós, porque recebestes os imitadores do Amor verdadeiro." I,01
Amor
ao próximo - "Ela, a fé, é a mãe de todos nós, seguida pela esperança e
precedida pelo amor a Deus, a Jesus Cristo e ao próximo." III,03
Avareza - "É a avareza um tipo de idolatria." XI,01
Evitar o pecado - "Vos exorto para que eviteis a avareza... e vos guardeis de todo mal." XI,01
Da Carta sobre o martírio de Policarpo, enviada pela Igreja de Esmirna a Igreja de Filomélio em 156:
Trindade
excelsa - "Pelo eterno e celestial sacerdote Jesus Cristo, teu amado
Filho, pelo qual glória seja dada a ti, com ele e o Espírito Santo,
agora, sempre e pelos séculos dos séculos, amém." XIV,03Igreja Católica - "Ele lembrou-se da S Igreja Católica espalhada por toda terra." VIII,01
Imortalidade consciente - "Com eles (os mártires) possa eu ser admitido HOJE na tua presença, como um sacrifício deleitoso." XIV,02
Reverência aos Santos - "Mesmo durante o tempo de sua vida era já reverenciado devido a santidade de sua vida." XIII,02
As
relíquias dos Santos - "Mais tarde pudemos nós recolher seus ossos,
mais preciosos do que pedrarias e mais valiosos do que ouro, para
coloca-los em conveniente lugar e quando possível ali nos reunir
jubilosos para comemorar a data de seu martírio." XVIII,02
Adoração dominical - "Era o dia do Sábado maior." VIII,01
II - S Pápias de Hierapolis
Segundo G Bardy é S Pápias 'Uma
das figuras mais misteriosas da antiguidade Cristã... e as poucas
notícias que temos sobre ele, tem dado lugar, por parte dos
pesquisadores, a intermináveis controvérsias.' in D T C XI sec part,
1944/47.
A respeito dele testifica Irineu ter sido ouvinte de S João e amigo de Policarpo Adv Haeres V,33,04. Eusébio,
corrigindo, declara que fora discípulo, não do Apóstolo João, mas de
João, o antigo ou ancião, ou ainda Presbítero. Floresceu entre 70 e 140 e
é dado por mártir.
Interessante, misterioso e controverso é
Pápias avaliado por Eusébio como sendo uma mentalidade medíocre, talvez
porque ouvinte, não ao apóstolo, mas de um discípulo chamado João, muito
provavelmente autor do livro da Revelação, admirador da literatura
apocalíptica judaica, assim judaizante. Teria este discípulo longevo do
Senhor, amiúde confundido com o apóstolo homônimo, se instalado - tal e
qual o apóstolo - na Ásia menor e conquistado um bom número de adeptos.
Como derradeiro ouvinte do Mestre deve ter atraído a sua localidade
certo número de peregrinos e idoso pode ter confundido as coisas e
atribuído ao Senhor o quanto lerá nos tais apocalipses dando origem a
corrente milenarista ou quiliasta, de que Pápias se fez porta voz e que
tanto exasperou os padres gregos...
Penso num ancião esclerosado,
que ao fim da vida, agregando resíduos judaicos a fé - como apostasia,
milênio, conflagração universal, anti Cristo, Besta, demonismo, inferno,
etc - prestou um imenso deserviço a igreja, obscurecendo a simplicidade
da autêntica escatologia Cristã e lançando as sementes de futuras
dissenções intermináveis, e o fim de tudo isto é uma seita chamada
'apocalíptica' presente em todos os setores da Cristandade,
particularmente nas seitas bíblicas ou carismáticas onde a leitura do
livro da Revelação ultrapassou a leitura dos Santos e divinos
Evangelhos. Tudo isto é a um tempo trágico e patético...
Bem
Pápias pertence a esta corrente, assim Irineu, Tertuliano e os elderes
que o seguiram devido a antiguidade de seu testemunho, adiciona Eusébio.
Podemos dizer assim que Pápias fez, e faz escola e compreender ao mesmo
tempo a exasperação de Eusébio.
Como não sabia discernir muito
bem entre as fontes autenticamente Cristãs e as fontes hebraicas e fosse
filho da cultura, inserido numa cultura de oralidade, compilou ele uma
espécie de 'Puranas' do Cristianismo nascente, adicionando narrativas
apócrifas já escritas, visões, etc inclinando-se para o miraculoso até o
fantástico. Tinha porém boa vontade, pelo que convém ouvi-lo:
"Para
ti não hesitarei, adicionar as minhas explicações, o que outrora ouvi
eu dos antigos, e cuja lembrança bem guardei, estando seguro de sua
veracidade. De fato eu não me comprazia, como a maioria das pessoas, no
muito dizer, porém buscava a verdade, não me satisfazia com boatos, mas
com aqueles que narravam os mandamentos do Senhor, frutos da verdade. E
se sucedia, conhecer eu algum dos que tinham ouvido os antigos, eu me
informava a respeito do quanto haviam dito eles, o que havia anunciado
André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus ou qualquer outro dos
discípulos do Senhor, assim Aristion e João, o antigo, discípulos do
Senhor. Eu não julgava que as coisas conhecidas através do relato
escrito, não fossem tão úteis quanto as que ouvimos, por meio da palavra
viva e permanente." Eusébio H E III, 39, 1-4Caso prestemos
máxima atenção a estas palavras constataremos que há nelas certo vigor e
solenidade. Pápias era apenas crente, não tolo e se foi enganado,
enganado foi pelo velho presbítero judaizante. Ousarei dizer que apesar
de sua crença tosca no milenarismo, era este Pápias homem genial por
ocorrer-lhe por a tradição oral no acesso de todos, dando-lhe forma
escrita, o que a seu tempo deveria ser um tabu! O fruto de suas
pesquisas foi uma obra composta de cinco tomos intitulada 'Exegese ou
explicação das palavras do Senhor', pelo fato de acompanhar Mateus e
Marcos quanto a opção preferencial por Logias, assim o dito Evangelho de
Tomé que temos por apócrifo.
Salvo falta de memória minha foi
Pápias repetidamente citado por diversos autores, assim Cláudio
Apolinário, Ecumênio, Victor de Cápua, André de Cesaréria e aproveitado
por outros tantos - inclusive por Eusébio - até o século XVI, quando
cessando de ser copiada, provavelmente devido aos defeitos citados por
Eusébio, desapareceu, e com grave dano para a consciência Cristã.
Não vou reproduzir aqui o testemunho favorável a crença
milenarista, pois ainda que não constitua uma Heresia, choca-se com a
piedade. O milênio consiste numa intuição a respeito do futuro ou da Era
Cristã, mal compreendida ou assimilada pelos hebreus. A Igreja, Reino
de Cristo ou cidade de Deus é que concretizará esta era ou período no
mundo presente na medida em que nele encarnar-se inspirando uma vida -
alias social e política - pautada na Lei de Jesus Cristo ou no
Evangelho. Este triunfo, ao menos ético, senão credal, da Instituição
Cristã é que corresponde ao milênio, correspondendo os mil anos a uma
cifra simbólica que não deve ser matematicamente considerada i é ao pé
da letra. Será o derradeiro estádio da História humana, iluminado pela
graça de Cristo.
Portanto não devemos esperar nenhum tipo de
cataclismo, de evento cósmico ou de mudança radical, mas a expansão
paulatina de Pentecostes ou do cenáculo por meio dos Santos Sacramentos
fixados por Jesus Cristo.
Tampouco mencionarei ipsa verba os
estranhos relatos sobre a morte de Judas, o traidor. Tomou ainda alguns
relatos as filhas de Filipe, virgens e profetizas que se haviam
instalado em Hierapolis e ali morrido. Segundo tais relatos, Justo
Bársabas, teria ingerido veneno mortal e permanecido incólume por antes
ter invocado o nome do Senhor. Também a mãe de Manaim teria sido trazida
novamente a vida.
Importa conhecer o que ele disse sobre a Escritura canônica, particularmente a respeito de nossos Evangelhos.
A respeito de S Mateus, registrou:
"Ele reuniu ordenadamente, na lingua hebraica, as palavras de Jesus e cada qual interpretou-as conforme sua capacidade." apud Eusébio H EPor
hebraico devemos compreender o aramaico, assim o original de S Mateus. A
expressão 'logoi' ou palavras parece excluir a parte narrativa deste
Evangelho, que muitos, como Jerônimo de Stridon, julgam derivar do
Evangelho dos Hebreus. Interpretar aqui, suporta traduzir, indicando que
já circulavam versões gregas deste Evangelho.
Já sobre Marcos, declara:
"Marcos,
tendo sido amanuense de S Pedro escreveu fiel, porém desordenadamente,
tudo quanto recordava das palavras e ações do Senhor. Ele não tinha
ouvido o Senhor nem o seguido, mas tomou as lições de Pedro, o qual
costumava relata-las conforme a necessidade, não segundo a ordem exata.
Assim Marcos não se equivocou, mas registrou segundo havia ouvido e
recordava, e sua preocupação era apenas uma - Não omitir nada nem
inventar coisa alguma." Junta
Eusébio que ele também se referiu a Primeira Carta de S João e a uma
das Cartas de Pedro e que conhecia a narrativa da Pecadora perdoada
(João VIII), cuja fonte seria o Evangelho dos Hebreus.
Resta
explicar porque ele não testemunhou a respeito do quarto Evangelho. Uma
vez que parte dos racionalistas como Baur, foram levados a situa-lo na
segunda metade do século II, justamente, devido a esta omissão. Uma vez
que alguns insistiam indevidamente que S João e João, o antigo eram a
mesma pessoa. A prova de que não eram é que Pápias - apud Irineu -
conheceu o livro da Revelação. Agora a respeito de que tenha conhecido o
Evangelho de João, não temos evidência alguma. Como podia ter
conhecimento de uma obra e não da outra, dado que tenham saído da mesma
pena? A hipótese mais plausível, como já dissemos, é que ele não
conheceu o Apóstolo autor do núcleo daquele Evangelho - morto entre 70 e
80 - mas um discípulo de nome João, autor do Apocalipse. O que confirma
do mesmo modo a Tradição, segundo a qual a I Carta de S João, fora
escrita antes do quarto Evangelho e para servir-lhe de prólogo, o que
explica que sua circulação fosse anterior e mais ampla já que a redação
definitiva do quarto Evangelho foi elaborada pela comunidade joanina
cerca do ano 90 desta Era.
Aos
que quiserem saber mais sobre esta grande controvérsia, em torno da
autoria e valor do Livro da Revelação, recomendamos nossa obra - "Foi o
livro da Revelação escrito por S João, o apóstolo?"
Eis tudo quanto temos a dizer sobre Pápias de Hierapólis e sua obra.
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terça-feira, 6 de novembro de 2018
CIX - S Inácio de Antioquia - Cartas

Inácio, o 'Teóforo', foi o terceiro Bispo de Antioquia, após o santíssimo Pedro e o abençoado Evódio. (Orígenes e Eusébio) Segundo a legenda pia teria sido ele o menino levado ao Senhor quando disse: Deixai que a mim venham os pequeninos...
Segundo alguns - Constituições Apostólicas 'Inácio de Paulo' - fora discípulo de S Paulo. Segundo outros fora discípulo de S João e companheiro de Papias e Policarpo, ao qual consta ter enviado uma de suas cartas. Teodoreto de Cirro esclarece que S Pedro, antes de prosseguir sua jornada em demanda de Roma, havia determinado expressamente que Inácio sucedesse a Evódio.
"A tradição refere que foi enviado da Síria a Roma para ser lançado as feras, por causa do testemunho pelo Cristo. E enquanto seguia a carreira da Ásia, sob a atenta vigilância dos guardas, ia exortando as Igrejas porque passava com suas cartas." é o que diz Eusébio na 'História'.
O mesmo Eusébio na Crônica, declara que isto acontecerá no décimo ano de Trajano ou seja cerca do ano 107 ou 108 desta Era, o que é repetido por Jerônimo de Stridon nos 'Homens ilustres da igreja' sessão décima sexta. Jerônimo afirma igualmente ter sido ele lançado aos leões e S Crisóstomo alude ao Coliseu ou ao anfiteatro Flavio como ao lugar em que sua sentença foi cumprida. O synaxiarum da Igreja Copta Ortodoxa de Alexandria declara que ele foi lançado as feras e que estas o fizeram em pedaços...
O Codex Colbertinus de Paris (Sec X) contém as supostas atas de seu Martírio, consideradas genuínas por James Usherius, mas certamente interpoladas e inexatas. A cena mais famosa é a de seu interrogatório pelo próprio Trajano, um Loci common, quanto a este tipo de literatura.
Muito provavelmente, esta circunstância, de ter sido deportado, significa que Inácio estava envolvido em algum tido de conflito com outras comunidades Cristãs. Tendo sido condenado como um perturbador da paz pública. Allen Brent
Segundo o já citado 'Heródoto' Cristão, o 'Teóforo' ou portador de Deus "Estando em Esmirna escreveu uma carta a Igreja de Éfeso; onde nomeia seu pastor Onésimo; outra a Igreja de Magnésia sobre o meandro e a seu Bispo Damas; outra a Igreja de Trales e a seu líder Políbios, além destas escreveu a Igreja dos romanos... dirigiu por fim, longe de Esmirna, de trôade, escreveu aos Cristãos de Filadélfia, a Igreja de Esmirna e a seu presidente Policarpo, que ele reconhecia como homem apostólico...."
Tal o cânon de Inácio transmitido por Eusébio: Carta aos efésinos, aos de Magnésia, aos de Trales, aos romanos, aos de Filadélfia, aos esmirniotas e a Policarpo. Num total de sete cartas. "As quais tem uma importância incalculável para a História do Dogma." diz o patrólogo J Quasten
Ressentem, as cartas de Inácio, dupla influência, paulina, preponderantemente; e joanina (F Bleek - 1862). Osterzee (1866) alega que Inácio emprega expressões que existem apenas no quarto Evangelho. Holtzmann que era terminante quando a Hermas e Barnabé, silenciou a respeito de Inácio. Plummer em 1887 insistiu a respeito das cartas de Inácio conterem alusões a João, ausentes nos demais padres apostólicos. Em 1889 Ligthfoot declarou que Inácio conhecia o Evangelho de S João, embora sua dinâmica fosse paulina. Westcott admitiu que sem dúvida estava a par do pensamento joânico. No mesmo ano o biblista T Zahn apontou a familiaridade existente entre o epistolário inaciano e a primeira carta de S João. Em 1895 H Boese e C Pesch chegam por meios diversos a conclusão de que Inácio conhecia o quarto Evangelho. Em 1897 Harnack pronunciando-se a contragosto declara ser improvável mas de modo algum impossível que Inácio conhece a literatura joanina. Respondeu-lhe Loofs no ano seguinte declarando que Inácio não só conhecia o quarto Evangelho como estava bastante familiarizado com a teologia joanina, o que já havia sido exaustivamente demonstrado por Van der Goetz alguns anos antes. Por fim em 1899 Cammerlynch conclui pela plausibilidade de Inácio ter tido conhecimento do quarto Evangelho recebendo o apoio de H R Reinolds.
É o primeiro autor Cristão e insistir a respeito da dignidade episcopal e o primeiro a mencionar os presbíteros, dignidade recém criada, como estamento clerical separado do episcopado e subordinado a ele. Para Clemente de Roma, dez anos antes haviam apenas diáconos e presbíteros, os quais eram, na verdade, os Bispos. Como os primeiros Bispos haviam convivido com o Senhor ou com os apóstolos tomaram o nome de presbíteros ou antigos, ou anciões, a exemplo da Sinagoga. Quando a maior parte destes já havia falecido, os diádocos criaram uma outra dignidade, inferior ou restrita, outorgando-lhe o nome de presbiterato e atribuindo o termo episcopado, com exclusividade, a autoridade suprema estabelecida por Jesus Cristo e conferida pela sucessão apostólica.
Em 1886 o sectário presbiteriano W D Killen - seguindo a tradição de seu mestre João Calvino (Institutas I,13,29) e da maior parte dos assim chamados reformadores - alegou que nenhuma das cartas de Inácio era autêntica, mas que todos haviam sido falsificados, e adivinhem por quem??? Pelo Bispo de Roma Calixto, o qual sequer era papa... Para este autor Calixto passou-se pelo mártir Inácio com o objetivo de justificar, sua invenção, o episcopado monárquico. Isto teria acontecido cerca de 220 d C e portanto até aquela data vigorado o sistema presbiteral.
No entanto, como veremos, todos os doutores posteriores a Inácio, assim Hegesipo, Irineu e Tertuliano, etc seguirão a mesma linha que ele. Insistindo a respeito da sucessão apostólica dos Bispos como fundamento pétreo da verdadeira Igreja. Todos os autores citados escreveram antes de 220... tendo Irineu falecido cerca de 205 ou 215, Hegesipo escrito em 170 ou 180 e Tertuliano desde 195...
No mais, basta dizer que duas das cartas de Inácio foram textualmente citadas por Orígenes - In Luc VI,04 - pelos idos de 220 e antes dele por Irineu no Livro contra as Heresias V,28,04, o qual remonta a 180. O próprio Policarpo na Carta aos de Filipos - 130 - prontifica-se a enviar-lhes, segundo haviam solicitado, a coleção das cartas de Inácio enviadas das Igrejas. Foram ainda empregadas, posteriormente, por Atanásio, Crisóstomo, Teodoreto e Severo, bons conhecedores da lingua grega e das tradições, com absoluta segurança.
Diante disto os críticos, movidos por preconceitos religiosos, tiveram de questionar não apenas a autenticidade de Orígenes, mas mesmo de Policarpo, e pasmem, de Eusébio i é da História Eclesiástica. Segundo eles, esta corresponderia a uma falsificação e aquelas a interpolações... Dado que - em 107 - o episcopado 'NÃO PODERIA existir.', ou seja, porque não esta de acordo com suas teorias prediletas...
A respeito das Cartas de Inácio há três versões. Uma ampliada, constando de dez cartas. A versão intermediária, encarada como autêntica - Um dos principais defensores da autenticidade foi o Bispo J B Ligthfoot - pela maior parte dos estudiosos e uma versão resumida editada pelo Dr Cureton em 1845.
Feitas estas observações passo a resenha doutrinal da obra:
- Trindade excelsa - "Assim portadores sois de Deus, do Cristo e do Espírito Santo." Efésios IX "Na fé, no amor, no Filho, no Pai, no Espírito Santo..." Magn XIII,01
- Encarnação do Verbo - "Assim nosso Deus Jesus Cristo, segundo a economia do Pai, habitou o seio de Maria, procedendo de Davi e do Espírito Santo." Efésios XVIII "Fora do tempo, atemporal, invisível, mas que se tornou visível para nós, sendo impalpável e impassível se tornou palpável e passível a ponto de poder sofrer por nós." Policarpo III,02 "Caso blasfeme contra seu Senhor, declarando que não se encarnou. Aquele que ousa faze-lo o arrenega de todo e faz-se portador da morte." Ismirn V,02
- Natureza divina do Cristo - "Segundo a fé e a caridade em Nosso Senhor Jesus Cristo imitadores sois de Deus." Efésios I,01 "Constatei assim que sois imitadores de Deus." Tral I,02 "Jesus Cristo estava com o Pai antes dos séculos e por fim se manifestou." Magn VI,01
- Natureza humana de Cristo - "Sede surdos quando não vos anunciarem a Jesus Cristo filho de Davi, nascido de Maria, o qual nasceu, comeu, bebeu, foi condenado sob Pôncio Pilatos, que verdadeiramente foi crucificado e morreu a vista do céu, da terra e dos abismos..." Tral IX,01 "Os incrédulos e ímpios declaram que ele sofreu apenas aparentemente." Tral X,01 "Ele sofreu verdadeiramente e verdadeiramente ressuscitou, não apenas na aparência como dizem os incrédulos." Ismirn II,01 "Sei e creio que mesmo após a ressurreição conservou a carne... Assim após a ressurreição comeu e bebeu junto com eles como ser de carne embora já na unidade do Pai." Ismir III,01 sgs "Instruo as igrejas na Unidade na carne e no espírito de Jesus." Magn I,02
- A unidade das duas naturezas - "Há um só médico carnal e espiritual, gerado e não gerado, Deus feito carne, Filho de Maria e Filho de Deus, antes passível e agora impassível." Efésios VII,01 "Filho do homem e Filho de Deus." Efésios XX,02
- Comunicação de Bens - "SANGUE DE DEUS." Efésios I,01
- Nascimento do Senhor - "Ao poder deste mundo ficou oculta a Virgindade de Maria e seu parto." Éfesios XIX,01
- Batismo do Senhor - "O Senhor foi batizado para santificar o elemento da água." Efésios XVIII
- O Evangelho - "Convém seguir os profetas, mas acima de tudo o Evangelho no qual a paixão é mostrada e a ressurreição testificada." Ismirniotas VII,02
- A Sucessão apostólica - "Assim aquele que é o dono da casa administradores envia para chefia-la e é necessário que nos recebamos a eles como se fossem a pessoa que os enviou." Efésios VI,01
- Hierarquia eclesiástica - "Sem eles, diáconos, presbíteros e bispos não há Igreja." Tral III,01 "Não pode haver cabeça sem membros ou membros sem cabeça e Deus mesmo é o fiador desta Unidade." id XI,01
- O Bispo - "A fim de que congregados na mesma obediência e submissos ao Bispo e ao presbítero santificados sejais em todas as coisas." Efésios II,02 "Jesus Cristo vida nossa é inseparável do pensamento do Pai, tal e qual os Bispos, estabelecidos por toda terra são inseparáveis do pensamento de Cristo." Id III.02
- Igreja eterna - "A Igreja que foi grandemente abençoada com a plenitude de Deus Pai predestinada foi antes dos séculos para subsistir para sempre e reter uma glória que jamais passa." Efésios I,01
- Igreja Incorruptível - "Como sinal de incorruptibilidade de sua Igreja." Efésios XVII,01
- Igreja Católica - "Onde esta o Bispo esta a Igreja Católica." Ismirniotas VIII,02
- Unidade da Igreja - "Indispensável é a unidade sem fragmento a fim de que em Deus estejais." Efésios IV,02 "Nada que seja feito isoladamente pode ser digno de louvor. Pelo contrário congregai-vos em comum." Magn VII,01 "Tudo quanto fiz pude pela causa da Unidade uma vez que não pode Deus habitar onde haja divisão e cólera." Filadelf VIII,01 "Fugi as divisões que são raiz de todo mal." Ismirn VII,02 "Preocupa-te com a unidade, pois nada há de mais excelente." Policarpo I,02
- Livre arbítrio - "Orai por todos os homes pois a possibilidade de conversão." Efésios X,01
- A graça do Senhor - "Fora dele nada tem valor." Efésios XI,02 "Todo laço de iniquidade quebrado foi quando nosso Deus apareceu em forma de homem." Id XIX,03 "Ele tudo suportou por nossa salvação." Ismirn II,01 "Na graça dispostos estais para fazer qualquer boa ação diante de Deus." Policarp VII
- Sinergia - "São ambas de Deus e nossas e sucedidas pela santidade e pela perfeição." Efésios XIV,01"Caso vocês desejem fazer o bem Deus sempre estará disposto a vos ajudar." Ismirn XI,02 "É obra de Deus e vossa." Policap VII "Reabilitados pelo sangue de Deus realizais até o fim a obra que convém a vossa natureza." Efésios I,01
- Necessidade de obras (ao menos 'a posteriori') - "Que sejais reconhecidos por vossas obras." Efésios IV,02 "Pessoas há que falsamente portam o 'nome' mas procedem de modo diferente e indigno de Deus..." Id VII,01 "Que por vossas obras eles se tornem discípulos nossos." Id X,01 "Melhor calar e ser do que falar e não ser bom..." Id XV,01 "Tudo façamos como se ele habitasse dentro de nós, como em templos seus." Id XV,03 "Não basta portar o nome Cristão, é necessário se-lo de fato." Magn IV,01 "Que vosso depósito sejam as obras e que possais retirar as somas a que fazeis jus." Policarp VI,02
- A perseverança como impulso que parte do homem - "Caso nele perseverarmos e evitando as ameaças do mal." Magn I,02
- O mérito - "Caso ameis apenas os bons discípulos mérito algum tereis." Policarp II,03 "Mesmo as coisas que no dia a dia realizais são espirituais se as realizais em Cristo Jesus." Efésios VIII,01
- Acessibilidade a perfeição: "Quem professa a fé não peca, quem esta no amor não odeia e assim pelos frutos se conhece a árvore. Os que alegam em Cristo estar são reconhecidos por suas boas obras." Efésios XIV,02 "Não podeis realizar as coisas da infidelidade nem os da infidelidade as coisas da fé." Efésios VIII,01
- O solifideismo (falsa doutrina) - "Aqueles que tem opiniões estranhas sobre a graça de Cristo, não cultivam o amor, não se preocupam com o órfão, o estrangeiro e a viúva e desprezam o prisioneiro, o liberto, o faminto e o sedento." Ismirn VI,02
- Sacramento do Batismo - "Sem o Bispo não é permitido Batizar ou celebrar o ágape." Ismirn VIII,02 "Vosso Batismo vos sirva de escudo." Policarp VI,02
- Sacramento da Eucaristia - "Anseio apenas pelo pão de Deus que é a carne de Cristo e quero beber apenas de seu sangue, prova de amor inexaurível, pelo que não sinto prazer nos alimentos comuns." Rom VII,03 "Há na Eucaristia uma só carne de Cristo e um só cálice do elemento de seu sangue." Filadelf IV,01 "Eles repudiam a Eucaristia porque não podem crer que a Eucaristia seja a carne de nosso Redentor Jesus Cristo..." Ismirn VII,01
- Sacrifício eucarístico - "Achegai-vos do único templo de Deus e do único ALTAR e do único Senhor Jesus Cristo." Magn VII,01 "Um único ALTAR assim como um só Bispo." Filadelf IV "Quem não esta junto ao ALTAR privado esta do Pão de Deus." Efésios V,01 "Quem esta dentro do santuário puro é, mas aquele que permanece do lado de fora é imundo i é aquele que procede sem Bispo, presbitério ou diácono." Tral VII.02
- Sacramento do Matrimônio: "Convém que aqueles homens e mulheres que se casem, efetuem sua união com assentimento do Bispo de modo que sua união seja feita no Senhor e não na carne apenas." Policarp V,01
- A Santa e vivificante Cruz - "Somos guindados pela alavanca da Cruz." Efésios IX,01 "(As ervas daninhas) não são ramos de sua cruz." Tral XI,01 "Pela Cruz, Cristo vos chama a sua paixão, como membros dela que sois." Id, id "Como pregados em carne e espírito a Cruz de Cristo." Ismirn I,01
- A imortalidade da alma - "Meu espírito imola-se por vós, não apenas agora, mas quando a Deus chegar." Tral XIII,03 "Não me impeçais de viver, não queirais que morra eu, não me prendais a este mundo, não tenteis seduzir com a matéria quem tem sede de Deus. Deixai que eu receba a luz pura, pois quando lá tiver chegado serei pleno... corre dentro de mim uma água viva que murmura: Vem para teu Pai." Rom VI,02 sgs
- Ressurreição da carne - "Antes exercessem o amor ao invés de disputar e talvez assim obtivessem acesso a boa ressurreição." Ismirn VII,01
- O celibato - "Se alguém pode permanecer na castidade, para a glória da carne do Senhor, permaneça também humilde." Policarp V,02 Alude ainda as 'Virgens que são viúvas.' em Smirn XIII.01
- Adoração Dominical - "Aqueles que viviam na antiga ordem das coisas, tendo chegado a uma nova esperança, não observam mais o sábado mais o dia do Senhor, no qual nossa vida levantou-se por meio dele, da morte." Magn IX,01
- As heresias - "Aqueles que para granjear fama, misturam Jesus Cristo, consigo mesmos são como aqueles que misturam vinho licoroso com veneno mortal." Tral VI,01 "Os lobos tem afastado muitos da unidade. Apartai-vos destas ervas daninhas que Jesus Cristo não plantou porque elas não pertencem a seu Pai... E aquele que caminha em ensinamentos estranhos, não tem parte na paixão do Senhor." Filadelf II,02/III,01 e sgs
- Os judaizantes: "Tolice ter Cristo na boca e judaizar. Não foi o Cristianismo que acreditou no Judaismo mas o Judaismo que acreditou no Cristianismo." Magn X,03 "Se alguém vos interpreta judaismo, não creiais pois é melhor ouvir o Evangelho de um circunciso do que a Torá de um incircunciso." Filadelf VI,01
- Ética, o amor - "O começo é a fé, o fim é o amor." Efésios XIV,01
- Ética, a paz - "Coisa valiosa é a paz." Efésios XIII,01
- Ética, a mansidão - "Diante da ira sede mansos... e da ferocidade pacíficos." Efésios X,02
- Ética, a humildade - "Face ao orgulho permanecei humildes." Id,id
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terça-feira, 26 de março de 2013
XC - Ministério da iniquidade - a multiplicação das seitas
Entre os primeiros movimentos heréticos de alguma forma vinculados ao Cristianismo nascente Hegesipo menciona explicitamente os Docetas; esclarecendo que esta vertente havia sido fundada por um certo 'Dociteo'; outros escritores antigos alegam da mesma maneira que a seita dos Ebionitas fora fundada por um certo Ebion.
Tais acepções estão erradas, pois o termo 'doceta' é derivado do termo primitivo 'Dokeo' que significa aparência. Não é nome de homem, mas designativo da tendência prevalecente no grupo; assim Ebion significa simplesmente pobre, designando uma outra tendência. Nós no entanto, conjecturamos que a seita dos ebionitas tenha sido formada pelo 'Tebutis' mencionado nas já citadas 'Memórias' de Hegesipo.
Quanto ao grupo dos docetas não temos acesso ao nome de seu fundador.
Sabemos no entanto, que durante os anos subsequentes a 70, passou a formar uma verdadeira seita com ampla disseminação. Tanto que vieram a constituir grave preocupação para João, o presbítero e para Inácio Mártir; os quais não cessam de anatematiza-lo em suas epístolas.
Legítimos herdeiros do ódio tributado pelos platônicos e gregos em geral; a matéria e ao corpo, sustentavam ele a impossibilidade da Encarnação.
Sendo a matéria má e o corpo igualmente mau; não podia Deus ter assumido semelhante complemento sem contaminar-se.
Destarte o mistério central de nossa fé não passava duma farsa ou duma espécie de possessão transitória.
E como não havia acordo entre eles uns ensinavam que o corpo de Jesus era aparente ou feito de matéria fluídica; outros que não passava duma imagem ou ilusão e outros enfim que o Cristo cósmico se havia apoderado do corpo do homem Jesus, filho de Maria e feito uso dele até ser pregado na cruz; momento em que veio a abandona-lo a sua própria sorte.
Aqueles que pertenciam ao primeiro grupo advertiam que quando Jesus era apresentado comendo ou bebendo; tratava-se apenas de atos aparentes ou imaginários... a semelhança do corpo físico... Eis porque quando o 'fantasma' desapareceu no calvário ou ascendeu aos céus, o Cirineu foi crucificado e morto em seu lugar.
Segundo o Evangelho de Barnabé Judas, o traidor, é que "Pelo Deus grandioso foi mudado na figura e fala de Jesus e supliciado."
Enquanto o Evangelho de Pedro sustenta que ele esvaneceu-se diante deles assim que a cruz fora suspensa. (Os maometanos sustentam até hoje este erro.)
De qualquer modo Jesus jamais experimentara a dor ou morrera verdadeiramente. O mesmo Evangelho petrino assevera que ele permaneceu 'calado' - e impassível - até sem recolhido.
Sendo sua paixão; como sua Encarnação e nascimento pura ilusão...
E sua ressurreição outro erro ou equívoco grotesco. Afinal como poderia recobrar a vida do corpo aquele que jamais viera a assumi-la em verdade.
Eis porque a ressurreição da carne não fazia qualquer sentido. E os sinais sensíveis dos mistérios, e o culto das ícones, e a comunhão dos santos, e a própria igreja visível e hierárquica. A tudo estes heréticos repudiavam em nome da transcendência absoluta e do maniqueísmo.
Ao contrário dos nossos protestantes que repudiam as consequências ou efeitos: A igreja visível, os sinais sensíveis dos sacramentos, a iconofilia, a comunhão dos Santos, etc & mantem as premissas: ou seja a veracidade da Encarnação do Verbo.
Os docetas eram mais coerentes pois demoliam tudo e buscavam aniquilar formalmente o mistério da Encarnação.
Toda a vida e obra de Jesus fôra uma questão de aparências e engano, uma encenação ou farsa enfim. A grande e antiga Igreja por sua vez não passava dum lamentável equívoco, provocado pela ignorância de alguns apóstolos demasiado 'carnais'.
Esta teoria foi retomada parcialmente pelo ímpio Juliano de Halicarnaso e seus asseclas aftardocetas nos séculos VI e VII.
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quarta-feira, 20 de março de 2013
LXV - 'Apropriação' > Como compreender a atuação do Espírito Santo sem cair no Triteísmo
Uma das grandes tentações teológicas que tem assombrado a divina Revelação é o Triteísmo.
E podemos dizer que parte do pensamento Cristão ocidental chegou a orbitar e ainda orbita em torno dele.
Consiste o Triteísmo em separar as pessoas da Trindade Santa e em conferir-lhes vontades e operações já distintas já opostas.
Até que já não temos mais três pessoas unidas pela mesma essência divina e vontade Una. Mas três deuses em estado de oposição.
Mais a frente teremos ocasião de ver como a teoria soteriológica da expiação, predominante entre os cismáticos ocidentais, esta inquinada de triteísmo.
Por ora limitar-nos-e-mos a apreciar a teologia da apropriação, a qual não poucas vezes tem servido de base a afirmações triteísticas.
Em que sentido podemos dizer que a apropriação seja verdadeira sem profanar a Ortodoxia?
E em que sentido não nos é lícito professa-la.
Todavia antes de iniciarmos nossa breve analise, convém explicitar ao amigo leitor o que é 'apropriação'.
Em 'teologuês' apropriação significa atribuir a cada pessoa da Santa e indivisível Trindade uma operação externa particular ou específica.
Assim ao Pai atribuem os teólogos a produção do Universo, ou a detonação do Big Bang; ao Filho a Encarnação e a reconciliação, e ao Espírito Santo o governo e a santificação da Igreja fundada por Jesus Cristo.
O grande perigo aqui é compreendermos que cada pessoa realiza sua obra, separada ou isoladamente e sem a participação das outras duas. Assim a criação teria sido executada pelo Pai somente, a Encarnação pelo Filho somente e o aperfeiçoamento dos fiéis pelo Espírito Santo somente.
Aqui o veneno do politeísmo ou melhor do Triteísmo.
Pois as pessoas da Santa Trindade inda que perfeitamente distintas são inseparáveis.
Não pode a essência, natureza e Unidade divina conhecer separação.
Segundo as operações internas distinguimos uma pessoa do outra. Quanto as operações externas no entanto, correspondem a vontade e atuação conjunta das três pessoas ou seja da natureza Una e divina.
Daí Jesus Cristo ensinar: "Meu Pai trabalha e eu com ele."
E noutra parte "O Filho nada pode fazer que o Pai não faça também com ele."
Eis porque estava ele com o Pai na obra da criação deste Universo: "Todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada foi feito do quanto foi feito."
E pois a Criação uma obra comum ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo ou seja uma obra de Deus, da Santa e indivisível Trindade.
Portanto quando alguém declara que o período da Criação deste universo a Encarnação do Verbo corresponde ao 'tempo' ou a 'ação' do Pai; devemos compreender uma medida de comunhão inferior ou menos intensa concedida pela Santa Trindade ou ainda como um nível mais primário de relações entre o Deus e o homem e não como um tempo em que o Pai se revelava separada ou isoladamente aos seres humanos.
O mesmo se sucede quanto aos mistério da Encarnação.
Do mesmo modo e maneria como estavam o Pai, o Filho e o Espírito Santo atuando juntos na criação do universo e na comunicação profética; atuaram juntamente no mistério da Encarnação.
Diante disto afirmar, como fazem inúmeros manuais de teologia, que apenas o Filho encarnou-se; separando-se portanto do Pai e do Espírito Santo é apresentar deuses separados: um deus em e com Jesus e outros dois deuses mais distantes ou afastados. Toda esta linguagem que exclui o Pai e o Espírito Santo da Encarnação e da natureza humana de Cristo é blasfema.
Devemos pois compreender que - tendo em vista a inseparabilidade as pessoas divinas - também o Pai e o Espírito Santo encarnaram-se com o Filho e que estão presentes no Cristo, inda que jamais se manifestem.
O máximo que podemos admitir é que apenas a pessoa do Filho de manifeste. Porque a vontade do Filho é una com a do Pai e a do Espírito Santo.
Todavia quem contempla a imagem visível do Salvador não pode duvidar de que esta contemplando a 'forma' da Santa e indivisível Trindade.
Assim a fase posterior ao ministério terrestre ou a sua ascensão aos céus, que muitos ousam atribuir apenas e tão somente ao Espírito Santo.
De fado quando as Escrituras aludem ao Espírito Santo e sua ação específica querem dizer um novo padrão ou tipo de relação entre Deus e o homem ou a uma comunhão muito mais ampla e profunda a qual a humanidade foi chamada.
O que muda aqui não é a pessoa divina; pois uma jamais substitui a outra, o que muda aqui é a comunicação de Deus ou do sagrado feita aos mortais. No caso a ação ou atuação do Espírito Santo corresponde a última e a mais intensa fase do processo de aproximação entre nós e o numinoso... ao supremo grau de evolução religiosa dos seres humanos.
Estamos diante duma ministração especifica ou duma efusão de graça mais abundante pela qual, nestes últimos tempos, somos chamados a uma amizade ainda mais íntima com nosso Criador e Médico...
No entanto toda esta comunicação é, como a criação e a encarnação, envolve as três pessoas da Santa e indivisível Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; as quais atuam e operam conjuntamente.
Então quando aludimos a ação e obra do Espírito Santo na vida da Igreja e do povo de Jesus Cristo estamos nos referindo a uma ação e obra maximizada pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo ou na suprema manifestação executada pelo Deus único.
Cessemos pois de blasfemar postulando que o Pai, o Filho ou o Espírito Santo fazem qualquer coisa separadamente. O Pai jamais agiu sem o Filho e o Filho jamais fez qualquer coisa sem o Pai e o Espírito Santo, tampouco o Espírito Santo executou qualquer ação sozinho ou seja sem a comunhão e unidade do Pai e do Filho...
As eras, períodos ou tempos atribuídos ao predomínio de cada pessoa devem ser sempre compreendidos como fases ou estádios evolutivos da relação que envolve Deus com os homens e as medidas com que Deus comunicou-se a eles. O Espírito Santo corresponde a fase mais elevada ou profunda da relação ou da comunhão estabelecida entre o sagrado e o humano.
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terça-feira, 19 de março de 2013
LXXI - As outras encarnações de Jesus
Primeiramente encarnou-se Jesus no seio da Virgem Maria e assumiu uma natureza em tudo semelhante a nossa, exceto no pecado.
Desejando todavia potencializar o mistério, encarnou-se outras tantas vezes:
- Nos sofredores
- Na Eucaristia &
- Na Igreja
Assim podemos e devemos discerni-lo:
- Naqueles que passam por algum tipo de problema ou dificuldade qual seja a fome, a sede, o frio, o desamparo, a solidão...
- No pão e no vinho santificados e consagrados pelo sacerdote.
- No ensino incorruptível da Igreja
Ao aflito devemos servir
A Eucaristia devemos receber &
a Igreja devemos ouvir, crendo em tudo quanto ensina.
Caso procedamos assim sempre nos depararemos frequentemente com o Senhor: pelas ruas, sobre o altar e no púlpito.
E identificando sua presença teremos certeza de que executou sua promessa: "Eis que permaneço convosco até a consumação dos séculos."
Mas como permanece se sua natureza humana e visível; subindo aos céus, ocultou-se a nossas vistas???
Permanece como irmão no pobre e no excluido
Como pão na Hierúrgia &
Como verdade na doutrina revelada.
Até parece que ele se afasta fisicamente de nós para ficar ainda mais presente e mais próximo.
Pois antes se antes só estava na carne que dá Virgem recebera.
Hoje esta no outro, no alimento e em sua esposa a Igreja nossa Mãe.
Oxalá possamos discernir com exatidão as extensões de sua natureza humana; para nos tornarmos cada vez mais íntimos da natureza divina.
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domingo, 17 de março de 2013
LXI - Eucaristia, a segunda Encarnação do Verbo
Não satisfeito em ter assumido a humana natureza deliberou o Eterno Deus fazer-se pão.
Para feito pão ser consumido pelos homens mortais e diviniza-los através de sua carne divina.
Como os terapeutas imunizam os homens mortais introduzindo neles matérias e células doutros corpos optou o Salvador por imunizar seus adoradores e servos, introduzindo em seus corpos e almas sua carne transmutada e sua divindade eterna.
O mistério da Eucaristia corresponde a este antidoto ou soro divino idealizado por Jesus.
Assim ele se encarna na Virgem para encarnar-se no pão e encarna-se no pão para encarnar-se em cada um de seus seguidores ampliando o mistério.
Da Virgem ao pão e do pão a cada ser humano; para que todos sejam atingidos e transformados...
De certo modo adiantou-se a mente carnal a este mistério de amor por meio do canibalismo e da antropofagia, e estabeleceu um ministério de horror.
Destarte conhecendo bem o Senhor o tipo de ser que havia produzido aceitou converte-se em única vítima deste festim e ser devorado por ele.
Eis porque reunido com os seus no cenáculo, tomou o elemento do vinho em suas mãos e disse:
"Este é o meu sangue, bebei dele todos; porque é o sangue no Novo Pacto que será derramado por todos os homens para a contemplação do pecado; fazei isto sempre em memória de mim. Pois do fruto da vide já não hei de provar até que convosco venha a bebe-lo no meu Reino."
E assim tomou do pão, abençoou, santificou e partiu dizendo:
Tomai dele e comei todos porque é o meu corpo partido por vós e por todos os homens para a contemplação do pecado; assim fazei em memória minha.
A explicação procede dele mesmo:
"Eu sou o pão vivedor que desceu dos céus; quem dese pão come não terá mais fome nem morrerá
Eu sou o pão vivedor que desceu dos céus; quem deste pão comer viverá perpetuamente
O pão que dou é minha própria carne para a vivificação do mundo...
Se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue não sereis vivificados
Quem como minha carne e bebe do meu sangue tem em si o dom da vida eterna e eu o levantarei de novo no último dia.
Assim é minha carne verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida.
Quem come da minha carne e bebe do meu sangue permanece em mim e eu nele.
Assim como o Pai vivo vive de si mesmo e eu vivo por aquele que me gerou; assim quem me devora, vivera também por mim.
Este pão é infinitamente superior ao maná que os antepassados comeram no deserto; pois comeram e pereceram; quem como deste pão vivera para todo sempre." Jo 6
Aqui temos o evento e a explicação dada em termos bastante claros pelo próprio Senhor e Mestre; explicação que dispensa não só a dos apóstolos, mártires e padres; mas também a de Zwinglio.
De fato nós não precisamos que venham Paulo, Tarcísio, Justino, Cirilo, Damasceno e Zwinglio; dar-nos um sentido que é fornecido pelo próprio Deus Nosso Senhor e Mestre.
Podem os homens malvados torcer as palavras de Paulo ou discordar orgulhosamente das de Tarcísio, Justino, Cirilo, Eutimio, etc
Agora que ousem discordar abertamente das palavras do Verbo e a tripudiar do Evangelho é coisa que faz até mesmo um sectário fanático parar e pensar...
Somente as testemunhas de Jeová e os Mormons tem ousado manipular descaradamente as palavras sagradas.
Os demais heréticos no entanto ainda não dominados pelo pudor...
E no entanto desde Zwinglio - porque já certificamos em diversos tratados que o latino Berengarius não repudiava a presença real do Senhor no Sacramento mas apenas a interpretação materialista dada pela igreja romana - deram os mesmos sectários a negar a presença real do Senhor e a postular uma interpretação simbólica que faz da Eucaristia mero lanche ou simples pão abençoado.
Já escrevemos muito a respeito das fontes pagãs e protestantes de Zwinglio, da opinião de Lutero, das teorias de Bucer e Calvino, do alegado sonho tido pelo mesmo Zwinglio, das intermináveis disputas entre os protestantes, etc
E no entanto em oposição a símbolo ou a figura, no capítulo sexto de João, o Senhor assevera que a comida e a bebida oferecidas por ele são VERDADEIRAS.
Tentando encontrar algum tipo de explicação possivel com que obscurecer o mistério, caem os protestantes num erro fatal.
Pois aplicam-lhe as palavras do verso 64: "O Espírito é que vivifica, a carne para nada serve."
Com que Jesus Cristo havia aludido a mentalidade carnal de seus ouvintes judeus.
Sem se darem conta de que a carne em questão aqui é a carne do próprio Jesus.
Como se o Mestre tivesse ensinado que sua própria carne não prestasse para nada.
A carne gerada pelo Espírito Santo, a carne ligada a divindade, a carne que haveria de sofrer e padecer no alto da cruz para nos salvar...
Como não serve para nada a carne que suspensa no alto do calvário redimiu a humanidade???
Como não presta a carne que após a ressurreição gloriosa foi recebida nos tabernáculos celestiais???
Como não serve a carne que esmagou a morte com a morte e concedeu-nos a vida eterna???
Então porque o Senhor teria assumido um corpo de carne???
Seria ele tão idiota a ponto de ligar-se a um veículo que 'para nada presta'???
Só mesmo a mente carnal dos protestantes, em tudo semelhante a dos judeus ouvintes de Jesus, para conceber uma explicação assim tão ímpia, tão sacrílega e tão blasfematória.
Então já sabemos que o que não presta nem serve para nada é a teoria protestante, fruto de cogitações grosseiras que chegam ao abismo do docetismo...
Nós no entanto honramos a natureza humana e corpo físico de Nosso Deus; crendo que tendo sido gerada pelo Espírito Santo e exaltada no Reinos dos céus; serviu e prestou para elaborar nossa redenção e santificação.
Eis porque afirmamos a presença real dessa carne divina e sagrada no sacramento da Eucaristia.
Porque se se trata de comer e beber pela fé; isto se faz a todo instante e momento sem qualquer necessidade de pão e vinho. Tanto sabem isto os protestantes de matriz zwingliano que foram paulatinamente abandonando o uso deste sacramento; mesmo sabendo que Jesus dissera: repeti isto em memória de mim!!!
No que seria mais excelente que o batismo um simples ato de fé??? Em nada pois o batismo é ato de fé tanto mais solene, embora a tradição constante da Igreja sempre tenha encarado a eucaristia como mistério muito mais nobre... porque contem em si um tipo de dom superior a fé. Um dom divino que é a presença de Deus, a presença real de nosso Senhor Jesus Cristo.
É isto que a faz e torna superior ao Batismo, que quanto a fé é o ato primacial e mais importante; raiz e fonte de todas as graças e dons.
Eis porque repete ele, o Senhor (em João 6), as expressões: comer e beber...
Aqui dizem os protestantes que comer e beber é sinônimo de crer.
Explicação que por parte alguma dos evangelhos, do Novo e mesmo do Antigo Testamento, se confirma.
Jesus jamais empregou os termos 'comer e beber' para com eles aludir explicitamente a fé.
Não há base histórica ou contextual alguma para semelhante hipótese ventilada pelos protestantes.
Então porque eles insistem tanto sobre a fé e alegoria; descartando a presença real do Salvador no Sacramento???
Eles alegam que por diversas vezes o Senhor recorreu a tipos e figuras com que apresentar a si mesmo.
Dizendo ora ser a 'porta das ovelhas' sem se transformar em porta, ora ser a 'videira original' sem se transformar em videira, ora sendo fonte e água sem se converter em fonte, ora sendo cordeiro sem se converter em cordeiro... eis porque bem poderia ter se apresentado como pão e vinho sem se converter em pão e vinho.
Daí insistirem eles no sentido alegórico ou mistico, supondo que a instituição da eucaristia deve ser encarada como uma espécie de parábola.
Mas também é verdade que tais comparações foram feitas dentro de sermões ou de discursos, e que Jesus não estava diante de quaisquer elementos materiais. Do contexto saltava a vista que não passavam de comparações cujo sentido era meramente simbólico.
Nada ali induzia a crer que Jesus estivesse assumindo materialmente a forma de porta, videira ou cordeiro; embora assumir tais formas não fosse impossível para ele.
Segundo esta escrito: "Nada há para Deus que seja impossível."
O contexto da Eucaristia no entanto é totalmente diverso.
Porque não se trata de discurso ou de sermão; mas de um ritual de alguma maneira relacionado com a ceia pascal dos antigos judeus; uma instituição material e real.
Assim sendo tem Jesus os elementos diante de si, os elementos materiais do pão e do vinho; dos quais a alegoria e a fé, grosso modo, prescindem.
Imaginemos então que Zwingilio, Lutero, Calvino, Malafaia ou qualquer outra peça de carne e sangue toma o elemento do vinho e declara: é meu sangue; toma o elemento do pão e diz: é minha carne...
Das duas umas: ou o homem ensandeceu; devendo ser conduzido a Juquiri ou Itapira; ou esta falando alegórica ou simbolicamente querendo significar alguma coisa.
E porque???
Porque a homem mortal ou criatura alguma seria possível converter vinho em sangue ou pão em carne.
Estaríamos diante do impossível e só nos restaria a hipótese da simbologia. Aqui Zwinglio mereceria ser coroado!!!
E no entanto este Jesus que temos diante de nós não é mero homem.
Mas o mesmo criador do Universo.
Segundo esta escrito: "Por meio dele tudo foi feito e sem ele nada do que foi feito, feito foi."
Daquele que violando as leis da natureza nasceu de Virgem sem concorrência de varão...
Daquele que ressuscitou três mortos antes de ressuscitar a si mesmo.
Daquele que dez serenar uma tempestade.
Daquele que caminhava sobre as ondas do mar.
Daquele que fez enxergar cegos de nascença.
Daquele que purificada leprosos.
Daquele que endireitava e fazia andar os aleijados.
Daquele que multiplicava pães e peixes; produzindo pão a partir do nada...
Daquele que transformou a substância da água em vinho...
Portanto aqui a coisa muda totalmente de figura e as cogitações de Zwinglio e seus seguidores caem por terra.
Pois aquele que tinha pão e vinho diante de sí bem poderia transforma-los no que bem entendesse caso fosse sua vontade faze-lo.
Aqui a transformação, o milagre, o prodígio, etc não conhecem impossibilidade alguma.
Pois aquele que declara: é meu sangue & é meu corpo não é apenas homem como Zwinglio ou RRSoares; mas Deus vivo, verdadeiro e todo poderoso.
Portanto, se era perfeitamente possível a ele realizar nos elementos o que com os lábios declarava, deveria; em se tratando duma alegoria, informar seus ouvintes, os quais por reverência para consigo não ousariam duvidar da realidade caso não fossem conscientizados e ensinados por ele mesmo a respeito do simbolismo.
Não tendo Jesus ensinado aos seus ou a igreja o sentido alegórico; quando nada obrigava seus seguidores a deduzi-lo infalivelmente, podemos dizer que ele mesmo induziu a igreja no erro.
Acrescentar a palavra símbolo ou figura, como fazem já algumas versões protestantes, só lhe teria custado um pouco mais de clareza, prudência, seriedade, etc e muito menos trabalho a Zwinglio e seus filhos; os quais não conseguem provar a superioridade ou a necessidade do sentido alegórico pelo simples fato de Jesus ser divino e todo poderoso; logo capaz e executar o que dizia.
Que culpa tem os Católicos se tais palavras procedem da boca de seu Deus que é todo poderoso? Sendo assim como poderiam encontrar motivos para duvidar da realidade delas???
Os Católicos apenas são coerentes; os protestantes incoerentes, pois para que a alegoria fosse óbvia ou necessária deveria proceder de elemento meramente humano. Pois aqui somente estaríamos diante de impossibilidade física.
Então a fé da Igreja Ortodoxa esta de pleno acordo com a natureza divina do Mestre; para a qual não havia barreira alguma.
Aqui dizer que a 'Realização da eucaristia nos termos Católicos' seria impossivel; é pura e simples reprodução do argumento emitido pelos judeus e maometanos contra o mistério da Encarnação. Então respondemos aos protestantes como respondemos a eles: Para Deus não existe a palavra impossivel.
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