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A consciência histórica do Cristianismo

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terça-feira, 6 de novembro de 2018

CX - S Policarpo de Esmirna e S Pápias de Hierapolis

Policarpo é nome de origem grega que significa 'muitos frutos'.

Segundo Irineu, na carta a Florino, citada por Eusébio, ele - Irineu - jamais havia esquecido as narrativas a respeito de como Policarpo se assentara aos pés de João, o teólogo e fora nomeado pelos apóstolos Bispo de Esmirna ( Tertuliano Praescr XXXII assevera ter sido ele sagrado por S João) Sendo portanto o 'anjo' daquela Igreja, citado no livro da Revelação, muito provavelmente composto por este João, não o apóstolo, mas o ancião, ou presbítero. Teria portanto sido companheiro de Pápias...

Já no livro 'Contra as heresias' assim se expressa Irineu: "Posso recordar eu, Policarpo, o qual foi ouvinte dos apóstolos e conviveu familiarmente com muitos dos que tinham visto o Senhor, o qual foi estabelecido Bispo da Ásia, na Igreja de Esmirna, pelos próprios apóstolos. Nos o conhecemos em nossa infância porque teve uma vida longa e era já muito idoso quando obteve a palma do martírio. Ora ele sempre ensinou o que aprendido tinha com os apóstolos." Adv Haeres III 02-04. Considerando que este Irineu faleceu cerca de 200/210, deve ter convivido com Policarpo entre 140/150.

Já pelos idos de 107 Inácio, outro ouvinte dos apóstolos, enviara-lhe uma elogiosa carta de despedida.

Sabemos ainda, diretamente por Irineu e Indiretamente por Hegesipo, que Policarpo veio a Roma pelos idos de 155, apaziguar os ânimos, devido a questão da data da Páscoa, que os asiáticos, com Polícrates, oficiavam ao 14 de Nisan, fosse qual fosse o dia da semana. E que sendo recebido pelo primaz Aniceto. Consta que nenhuma das partes cedeu em seu costume, mas que por deferência Aniceto entregou a presidência da Eucaristia ao 'Doutor da Ásia e Pai dos Cristãos'. É o que conta Eusébio na História.

Consta ter perecido pelo fogo, no estádio de Esmirna, em meados de 156, com pouco mais de cem anos - Admitido que servia a Cristo por 86 anos e se convertera aos 15 ou 16. Tendo nascido em 56 bem pode ter conhecido o apóstolo João - falecido pouco depois de 70 ou entre 70 e 80 - e certo número de discípulos do Senhor, como o já citado João, o antigo, provável autor do livro da Revelação.

Segundo Irineu Policarpo havia escrito certo número de cartas a diversas congregações e líderes, mas apenas uma chegou até nós, a que fora dirigida aos Filipenses. Segundo P N Harrison temos na verdade duas cartas fundidas numa só. (Primeira carta = Últimos caps e segunda carta = Cap Doze primeiros caps mas pode ser até IX 02 esta última suposição é minha!)

Assim, no que tange a carta maior (aos nove ou doze primeiros caps) a datação corresponderia ao ano 130, o que é absolutamente plausível.

Segue a resenha doutrinal do documento -

A Encarnação do Senhor: "Quem não confessa que Jesus Cristo veio na carne é o anti Cristo." VII,01
O pecado - "Somos todos devedores do pecado."  VI,02
A graça - "Sabeis já que pela graça justificados fostes, não por obras, mas pela graça de Deus comunicada por Jesus Cristo." III
Necessidade do Cristão fazer boas obras - "Caso nossa conduta seja digna dele, com ele reinaremos por mercê da fé." V,02 "Até pelos pagãos deveis ser aplaudidos por vossa conduta irrepreensível e obras santas, para que o nome do Senhor não fique exposto a zombarias." XI,02
A esmola - "Quando façais o bem não o deixeis para depois uma vez que: 'A esmola preserva da morte'" XI,01
Acesso a perfeição ou impecabilidade - "Aquele que tem o amor dentro de si está distante do pecado." III,03
A vivificante cruz - "Quem não aceita o testemunho da cruz é do maligno." VII,01
Ortodoxia - " Guardando a fé imutável."
XI,01

Imortalidade consciente - "E o beato Paulo, pois nenhum deles correu em vão, mas conduzidos pela fé e pela justiça tomaram posse do lugar que lhes estava reservado junto do Senhor porque padeceram." IX,01
Ressurreição da carne - "O que afirma que os mortos não ressuscitam esse é o primogênito do maligno." VII,01

Imitar Jesus - "Fiquei feliz por vós, porque recebestes os imitadores do Amor verdadeiro." I,01
Amor ao próximo - "Ela, a fé, é a mãe de todos nós, seguida pela esperança e precedida pelo amor a Deus, a Jesus Cristo e ao próximo." III,03
Avareza - "É a avareza um tipo de idolatria."
XI,01
Evitar o pecado - "Vos exorto para que eviteis a avareza... e vos guardeis de todo mal."
XI,01





Da Carta sobre o martírio de Policarpo, enviada pela Igreja de Esmirna a Igreja de Filomélio em 156:


Trindade excelsa - "Pelo eterno e celestial sacerdote Jesus Cristo, teu amado Filho, pelo qual glória seja dada a ti, com ele e o Espírito Santo, agora, sempre e pelos séculos dos séculos, amém."
XIV,03Igreja Católica - "Ele lembrou-se da S Igreja Católica espalhada por toda terra." VIII,01
Imortalidade consciente - "Com eles
(os mártires) possa eu ser admitido HOJE na tua presença, como um sacrifício deleitoso." XIV,02
Reverência aos Santos - "Mesmo durante o tempo de sua vida era já reverenciado devido a santidade de sua vida." XIII,02
As relíquias dos Santos - "Mais tarde pudemos nós recolher seus ossos, mais preciosos do que pedrarias e mais valiosos do que ouro, para coloca-los em conveniente lugar e quando possível ali nos reunir jubilosos para comemorar a data de seu martírio."
XVIII,02
Adoração dominical - "Era o dia do Sábado maior."
VIII,01


 

II - S Pápias de Hierapolis


Segundo G Bardy é S Pápias 'Uma das figuras mais misteriosas da antiguidade Cristã... e as poucas notícias que temos sobre ele, tem dado lugar, por parte dos pesquisadores, a intermináveis controvérsias.' in D T C XI sec part, 1944/47.


A respeito dele testifica Irineu ter sido ouvinte de S João e amigo de Policarpo Adv Haeres V,33,04. Eusébio, corrigindo, declara que fora discípulo, não do Apóstolo João, mas de João, o antigo ou ancião, ou ainda Presbítero. Floresceu entre 70 e 140 e é dado por mártir.

Interessante, misterioso e controverso é Pápias avaliado por Eusébio como sendo uma mentalidade medíocre, talvez porque ouvinte, não ao apóstolo, mas de um discípulo chamado João, muito provavelmente autor do livro da Revelação, admirador da literatura apocalíptica judaica, assim judaizante. Teria este discípulo longevo do Senhor, amiúde confundido com o apóstolo homônimo, se instalado - tal e qual o apóstolo - na Ásia menor e conquistado um bom número de adeptos. Como derradeiro ouvinte do Mestre deve ter atraído a sua localidade certo número de peregrinos e idoso pode ter confundido as coisas e atribuído ao Senhor o quanto lerá nos tais apocalipses dando origem a corrente milenarista ou quiliasta, de que Pápias se fez porta voz e que tanto exasperou os padres gregos...

Penso num ancião esclerosado, que ao fim da vida, agregando resíduos judaicos a fé - como apostasia, milênio, conflagração universal, anti Cristo, Besta, demonismo, inferno, etc - prestou um imenso deserviço a igreja, obscurecendo a simplicidade da autêntica escatologia Cristã e lançando as sementes de futuras dissenções intermináveis, e o fim de tudo isto é uma seita chamada 'apocalíptica' presente em todos os setores da Cristandade, particularmente nas seitas bíblicas ou carismáticas onde a leitura do livro da Revelação ultrapassou a leitura dos Santos e divinos Evangelhos. Tudo isto é a um tempo trágico e patético...

Bem Pápias pertence a esta corrente, assim Irineu, Tertuliano e os elderes que o seguiram devido a antiguidade de seu testemunho, adiciona Eusébio. Podemos dizer assim que Pápias fez, e faz escola e compreender ao mesmo tempo a exasperação de Eusébio.

Como não sabia discernir muito bem entre as fontes autenticamente Cristãs e as fontes hebraicas e fosse filho da cultura, inserido numa cultura de oralidade, compilou ele uma espécie de 'Puranas' do Cristianismo nascente, adicionando narrativas apócrifas já escritas, visões, etc inclinando-se para o miraculoso até o fantástico. Tinha porém boa vontade, pelo que convém ouvi-lo:

"Para ti não hesitarei, adicionar as minhas explicações, o que outrora ouvi eu dos antigos, e cuja lembrança bem guardei, estando seguro de sua veracidade. De fato eu não me comprazia, como a maioria das pessoas, no muito dizer, porém buscava a verdade, não me satisfazia com boatos, mas com aqueles que narravam os mandamentos do Senhor, frutos da verdade. E se sucedia, conhecer eu algum dos que tinham ouvido os antigos, eu me informava a respeito do quanto haviam dito eles, o que havia anunciado André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus ou qualquer outro dos discípulos do Senhor, assim Aristion e João, o antigo, discípulos do Senhor. Eu não julgava que as coisas conhecidas através do relato escrito, não fossem tão úteis quanto as que ouvimos, por meio da palavra viva e permanente." Eusébio H E III, 39, 1-4Caso prestemos máxima atenção a estas palavras constataremos que há nelas certo vigor e solenidade. Pápias era apenas crente, não tolo e se foi enganado, enganado foi pelo velho presbítero judaizante. Ousarei dizer que apesar de sua crença tosca no milenarismo, era este Pápias homem genial por ocorrer-lhe por a tradição oral no acesso de todos, dando-lhe forma escrita, o que a seu tempo deveria ser um tabu! O fruto de suas pesquisas foi uma obra composta de cinco tomos intitulada 'Exegese ou explicação das palavras do Senhor', pelo fato de acompanhar Mateus e Marcos quanto a opção preferencial por Logias, assim o dito Evangelho de Tomé que temos por apócrifo.

Salvo falta de memória minha foi Pápias repetidamente citado por diversos autores, assim Cláudio Apolinário, Ecumênio, Victor de Cápua, André de Cesaréria e aproveitado por outros tantos - inclusive por Eusébio - até o século XVI, quando cessando de ser copiada, provavelmente devido aos defeitos citados por Eusébio, desapareceu, e com grave dano para a consciência Cristã.

Não vou reproduzir aqui o testemunho favorável a crença
milenarista, pois ainda que não constitua uma Heresia, choca-se com a piedade. O milênio consiste numa intuição a respeito do futuro ou da Era Cristã, mal compreendida ou assimilada pelos hebreus. A Igreja, Reino de Cristo ou cidade de Deus é que concretizará esta era ou período no mundo presente na medida em que nele encarnar-se inspirando uma vida - alias social e política - pautada na Lei de Jesus Cristo ou no Evangelho. Este triunfo, ao menos ético, senão credal, da Instituição Cristã é que corresponde ao milênio, correspondendo os mil anos a uma cifra simbólica que não deve ser matematicamente considerada i é ao pé da letra. Será o derradeiro estádio da História humana, iluminado pela graça de Cristo.

Portanto não devemos esperar nenhum tipo de cataclismo, de evento cósmico ou de mudança radical, mas a expansão paulatina de Pentecostes ou do cenáculo por meio dos Santos Sacramentos fixados por Jesus Cristo.

Tampouco mencionarei ipsa verba os estranhos relatos sobre a morte de Judas, o traidor. Tomou ainda alguns relatos as filhas de Filipe, virgens e profetizas que se haviam instalado em Hierapolis e ali morrido. Segundo tais relatos, Justo Bársabas, teria ingerido veneno mortal e permanecido incólume por antes ter invocado o nome do Senhor. Também a mãe de Manaim teria sido trazida novamente a vida.

Importa conhecer o que ele disse sobre a Escritura canônica, particularmente a respeito de nossos Evangelhos.

A respeito de S Mateus, registrou:

"Ele reuniu ordenadamente, na lingua hebraica, as palavras de Jesus e cada qual interpretou-as conforme sua capacidade." apud Eusébio H EPor hebraico devemos compreender o aramaico, assim o original de S Mateus. A expressão 'logoi' ou palavras parece excluir a parte narrativa deste Evangelho, que muitos, como Jerônimo de Stridon, julgam derivar do Evangelho dos Hebreus. Interpretar aqui, suporta traduzir, indicando que já circulavam versões gregas deste Evangelho.

Já sobre Marcos, declara:

"Marcos, tendo sido amanuense de S Pedro escreveu fiel, porém desordenadamente, tudo quanto recordava das palavras e ações do Senhor. Ele não tinha ouvido o Senhor nem o seguido, mas tomou as lições de Pedro, o qual costumava relata-las conforme a necessidade, não segundo a ordem exata. Assim Marcos não se equivocou, mas registrou segundo havia ouvido e recordava, e sua preocupação era apenas uma - Não omitir nada nem inventar coisa alguma." Junta Eusébio que ele também se referiu a Primeira Carta de S João e a uma das Cartas de Pedro e que conhecia a narrativa da Pecadora perdoada (João VIII), cuja fonte seria o Evangelho dos Hebreus.


Resta explicar porque ele não testemunhou a respeito do quarto Evangelho. Uma vez que parte dos racionalistas como Baur, foram levados a situa-lo na segunda metade do século II, justamente, devido a esta omissão. Uma vez que alguns insistiam indevidamente que S João e João, o antigo eram a mesma pessoa. A prova de que não eram é que Pápias - apud Irineu - conheceu o livro da Revelação. Agora a respeito de que tenha conhecido o Evangelho de João, não temos evidência alguma. Como podia ter conhecimento de uma obra e não da outra, dado que tenham saído da mesma pena? A hipótese mais plausível, como já dissemos, é que ele não conheceu o Apóstolo autor do núcleo daquele Evangelho - morto entre 70 e 80 - mas um discípulo de nome João, autor do Apocalipse. O que confirma do mesmo modo a Tradição, segundo a qual a I Carta de S João, fora escrita antes do quarto Evangelho e para servir-lhe de prólogo, o que explica que sua circulação fosse anterior e mais ampla já que a redação definitiva do quarto Evangelho foi elaborada pela comunidade joanina cerca do ano 90 desta Era.

Aos que quiserem saber mais sobre esta grande controvérsia, em torno da autoria e valor do Livro da Revelação, recomendamos nossa obra - "Foi o livro da Revelação escrito por S João, o apóstolo?"

Eis tudo quanto temos a dizer sobre Pápias de Hierapólis e sua obra.

domingo, 21 de abril de 2013

CIV - Das designações, nomes ou títulos da Igreja de Cristo




  • Em Antakia recebemos pela primeira vez o nome de 'Cristãos' e assim fomos designados por cerca de um século.
  • É possível, no entanto, que antes disto os seguidores de Jesus tivessem sido designados pela alcunha de 'Nazarenos' como ainda hoje são chamados pelos seguidores de Maomé.
  • Como no entanto a partir do ano 70 surgissem diversas seitas que disputavam o nome Cristão; a comunidade original, fundada pelos apóstolos recebeu o nome de 'Católica' ou universal, sendo assim designada por Inácio Mártir, o teóforo em suas cartas.
  • O povo no entanto designava-a sob a alcunha de 'grande e antiga igreja'.
  • S Clemente de Alexandria julgou por bem acrescentar o termo "Ortodoxa' que significa 'aquela que não se desvia ou que não se altera' ou seja imutável. Este termo foi adotado em oposição ao termo 'latino' ou romano porque também os membros da comunhão papal revindicam para si o título de Católicos.
  • Os termos Una, Santa e Apostólica foram associados pelos padres de Nikaia congregados em 325.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

XCIX - Da apostasia da igreja





Conforme asseveram os protestantes, tal e qual a 'igreja da velha lei' deveria a 'Igreja da nova lei' fundada por Cristo apostatar.

Precisam os lideres e pastores afirmar insistentemente o DOGMA da apostasia do antigo sistema sob pena  do novo sistema ser inutil e desnecessário; então compreenda o amigo leitor: para que Lutero, Calvino e Zwinglio sejam verazes Jesus tera de ser abatido e declarado mentiroso.

Para que haja a necessidade de reformadores religiosos deve a perfeição divina ser atingida...

Tendo Deus produzido uma igreja reformável e, logo imperfeita para o que foi constituída; como deixar de concluir que Deus mesmo é imperfeito???

Protestante algum tem resposta para semelhante pergunta e a prova disto é que em todos os lugares em que o protestantismo tornou-se antigo e foi posto ao lume da razão; declinou e cedeu lugar primeiramente a incredulidade - já no século XVIII - e posteriormente ao materialismo e ao ateísmo... assim na Escandinávia, na Holanda, na Alemanha, na Suíça e na França...

E já sabemos que a raiz do mal é a crença na apostasia da Igreja Apostólica; foi ela que abriu brecha ao ceticismo e a incredulidade nas nações ocidentais. Primeiro os filhos questionaram a fidelidade da Igreja e logo em seguida os netos e bisnetos puzeram-se - com toda razão -a duvidar daquele que prometera: As portas do inferno não prevalecerão contra ela.

De fato a teoria protestante da apostasia faz de Cristo um charlatão; que promete e não cumpre, empenha sua palavra e...

No entanto os protestantes jamais entraram em acordo a respeito de quando a tal apostasia concretizou-se; e cada um deles emitiu uma opinião diferente: uns disseram que a igreja havia apostatado há menos de um século, outros diziam que a apostasia iniciara-se nos tempos de Hidelbrando ou de Nicolas, outros ainda que havia principiado no tempo de Focas (século VII); e outros - avançando mais - aventaram que havia sido promovida por Constantino César; até que François Lambert, cerca de 1525, assim se expressou:

"Imediatamente após a morte dos últimos apóstolos, apartou-se a Igreja da verdade e por influência da Filosofia forjaram-se novos dogmas..."

E como os últimos apóstolos faleceram cerca de 80 desta somos levados a concluir que a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo não chegará a completar meio século de existência!!! Por apenas 50 anos resistiu a 'palhoça' ou 'tugúrio' erguido por Nosso Senhor Jesus Cristo...

E no entanto os mesmos protestantes, admitindo que Moisés floresceu cerca de 1580, 1450 ou 1270 a C, e que o saduceísmo - segundo eles, protestantes, dizem em suas brochuras - fez sua aparição cerca do século III ou IV a C; acreditam que a 'casa' edificada por Moisés ( o qual não passava de um homem!!! ) permaneceu de pé; em fidelidade, por quase mil anos ou até mais; sendo vinte ou trinta vezes mais resistente do que a 'casa' edificada por Cristo Deus sob o fundamento apostólico.

Então ou essa gente não sabe o que crê; ou peca conscientemente contra a verdade pondo Nosso Deus Jesus Cristo muito abaixo de Moisés... pois atribuem a este obra mais resistente e fiel.

Eis porque os infiéis da sinagoga fortalecem-se a cada dia; enquanto por obra e graça dos reformadores o Cristianismo é amplamente ridicularizado do Oriente ao Ocidente...

E os protestantes até folgam com isto; pois creem que a verdade foi revelada para extinguir-se e desaparecer do mundo; e para que a maior parte da humanidade seja condenada e destruída por uma catástrofe. Para eles desde que meia dúzia de sectários escapem tudo fica muito bem e eles acham absolutamente normal que o gênero humano - em quase que sua totalidade - tenha sido criado e disposto a castigos eternos.

Eles não acreditam num Pai amoroso que dispôs o gênero humano para a felicidade eterna aspirando beneficia-lo; mas num déspota ou tirano cruel que dispôs os mortais a infelicidade tendo em vista exercer sua fúria vingativa sobre eles... embora em comparação com ele não passem de partículas ou de poeira.

De fato eles acreditam que se a religião dos hebreus teve fim; assim aquela que foi estabelecida pelo Verbo deverá ter fim...

Ele são incapazes de concluir que o sistema judaico era puramente humano ou natural enquanto que o sistema Cristão ou Católico foi estabelecido pelo Deus encarnado Jesus Cristo; então eles minimizam o fator da Encarnação e cuidam que a manifestação de Deus neste mundo pouco ou nada mudou.

Porque se considerassem a entrada de Deus na História humana, considerariam com mais prudência a doutrina duma Igreja que não foi fundada por mero homem ou profeta mas por Emanuel.

E que a obra ou edificação divina pouco tem em comum com as obras e edificações planejadas e encetadas pelo homem imperfeito e falível.

Como poderia ter o Verbo tomado para si uma rameira ou esposa infiel se por assim dizer ele mesmo a constituiu? Como podem os protestantes esquecerem-se ou ignorarem que a Mãe de Cristo foi escolhida por Cristo e que a Igreja de Cristo foi constituída por Cristo? Defeituosa a mãe ou a esposa cai a culpa sobre o filho ou esposo que a as elegeu...

Assim como Cristo sendo perfeito não pode ter escolhido para ser sua mãe senão a mais santa e nobre de todas as mulheres de todos os tempos; também não pode ter tomado por esposa senão a mais perfeita das instituições...

Falhou a igreja? Neste caso Cristo deve ter permitido que a mesma falhasse.

No entanto como haveria de consentir que a Igreja falhasse uma vez que desejou e quis constitui-la como depositária e guardiã da Verdade Revelada que comunicou aos apóstolos tendo em vista o aperfeiçoamento e redenção completa de todos os mortais? Porque teria ele desejado a contaminação, destruição e aniquilação de Verdade que ele mesmo manifestou e revelou aos discípulos com o objetivo de que fosse comunicada ao gênero humano???

Por que o autor e ministro da verdade permitiria o obscurecimento da verdade que é dele? Da verdade que deveria beneficiar todos os povos e nações da terra??

Por que haveria, sendo ele bom e verdadeiro, de acalentar e beneficiar a operação do erro??? Por que haveria dele de furtar as gerações futuras - pelo espaço de 1200 ou mesmo de 1400 anos - da graça da Verdade e da pureza da fé??? Por que haveria de privar os seres humanos da luz que fez brilhar para precipita-los mais uma vez no abismo das trevas e do erro???

Só por que a sinagoga viera abaixo???

No entanto para a reprovação dos protestantes e infiéis esta registrado:

"Moisés era fiel com sua casa na qualidade de servidor tendo em vista profetizar as coisas que se sucederiam depois; CRISTO MANDA COMO FILHO EM SUA PRÓPRIA CASA..." Hb 3,6
"E goza de dignidade superior a Moisés e maior glória; PORQUANTO A QUALIDADE DA CASA QUE ERGUEU É MAIS EXCELENTE." 3,3

Então que veem ao caso judeus, Moisés, templo e sinagoga???

Em absolutamente nada.

Porque a Igreja Católica apenas foi constituída pelo Verbo Encarnado e perfeito; o qual assim se manifestou a respeito dela: "Quem não ouvir a igreja seja tido em conta de pagão ou publicano." 

Protestantes de boa fé e vontade; esta é a sentença, veredito e decreto emitido por Nosso Senhor Jesus Cristo contra vocês.

Porque se seus antepassados, pais e reformadores conheceram apenas a Igreja cismática de Roma; nós vos anunciamos a verdadeira Igreja Católica e Ortodoxa; que subsiste no Oriente até os dias de hoje tendo sido plantada pelos próprios apóstolos. Então se resistis ao testemunho desta congregação e dizeis ser apóstata como dizeis sobre Roma; já não há desculpa alguma para vós.

Pois dizendo que apostatou apresentais aquele que disse: "As portas do Hades jamais triunfarão dela." como mentiroso e digno de condenação.

Uma vez que admitis que as portas do inferno deram cabo dela na medida em que não soube ou não pode resistir a operação do erro sendo ineficaz e incompetente para o que foi constituída.

Como poderia não ter sido esmagada pelas hostes do inferno uma instituição incapaz de manter a integralidade da verdade comunicada pelo Mestre???

Então de onde tiraram os protestantes tão exótica doutrina?

Já dissemos que os protestantes precisavam justificar a rebelião de Lutero e seus pares.

Porque se admitem que a Igreja permaneceu ilesa como Jesus Cristo prometeu não há necessidade de reforma ou de novidade alguma.

No entanto eles não se serviram da pela Evangélica e palavra de Cristo, toda imaculada, pura e plena de luz; porque ali não há lição alguma sobre este novo e falso dogma da apostasia.

Então já sabemos que ele não se sustenta no terreno do Evangelho e das palavras de Cristo; constituindo um ensinamento falso.

Eis porque apelam a teoria da analogia do antigo testamento, a qual tudo justifica...

Todavia como se trata de argumento muito fraco e miserável; que faz da casa de Cristo mera imagem ou sombra da casa de Moisés... (quando na verdade o testamento velho é que não passa de Sombra ou Imagem do Testamento Novo e Eterno!)

Os protestantes foram lá obrigados a catar migalhas no Novo Testamento recorrendo a pena apostólica.

E como não poderia deixar de ser recorrem as Epístola de S Paulo; pois como asseverou S Pedro em sua segunda carta, há nelas algumas coisas difíceis de se compreender que os ímpios e tolos deturpam para sua própria vergonha.

É exatamente o que os protestantes fazem desde o princípio: torcer as epístolas de S Paulo, ou seja, as passagens mais obscuras; com o premeditado objetivo de fustigar a igreja e de promover novidades profanas... Neste sentido é o protestantismo um paulinismo... na medida em que se serve preferencialmente das palavras do apóstolos dos gentios tendo em vista deturpa-las; o que fazem sem maiores cerimônias.

Apesar da advertência de S Pedro feita aos Ortodoxos.

De fato os protestantes encontram nas Epístolas do apóstolo certas passagens que se referem a 'apostasia'; assim: "Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia..." II Tes 2,3

Então os protestantes concluem que se trate da apostasia da Igreja; EMBORA A IGREJA SEQUER SEJA CITADA MESMO INDIRETAMENTE NESTA PASSAGEM!!!

Hora apostasia significa afastamento ou distância; o que por si só não indica a Igreja de Cristo.

Os protestantes é que imaginam e ensinam que o apóstolo esta se referindo ao afastamento da Igreja com relação a Verdade; ISTO PORÉM NÃO ESTA ESCRITO.

É apenas a opinião ou teoria dos protestantes pelo simples fato de que aspiram viver separados da Igreja e porque a odeiam.

É perfeitamente natural que os protestantes pensem assim. 

Desonesto é que atribuam seus pensamentos carnais ao apóstolo lendo nas entrelinhas... o que não existe no texto sagrado.

Isto se chama estratégia ou truque. Isto é o protestantismo: uma manobra que faz o texto sagrado dizer o que não diz ou até mesmo o contrário do que diz.

É a mágica do exame bastante livre... livre da técnica, livre da ética, livre do amor a verdade...

Destarte recorrem eles a esta outra passagem:

"O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas." I Tm 4,1

No entanto que declara esta passagem??? Que a Igreja de Cristo ou a Igreja Ortodoxa viria a apostatar???

De modo algum.

O que esta escrito na verdade é que 'ALGUNS HOMENS IRIAM APOSTATAR' ou seja afastar-se da fé professada pela legítima Igreja de Cristo; rompendo com a Igreja Católica, abandonando-a e dando origem a facções, seitas e heresias condenadas pela palavra do apóstolo.

Tal a seita dos ebionitas que separava os alimentos entre puros e impuros, a seita dos encratitas que condenavam o consumo de vinho e o matrimônio, a seita dos maniqueus que condenava alguns tipos de alimentos e o matrimônio,  a seita dos cátaros ou albigenses; que Flacius mencionou como predecessora espiritual da Reforma protestante... as seitas protestantes que condenam o emprego do vinho... as quais tem sido desde o princípio combatidas pelos Bispos e Padres que sucederam os Santos apóstolos em seu ministério divino.

No entanto tais homens e seitas não constituem a Igreja, uma vez que desprezaram seu ministério...

Em seguida recorrem a este testemunho:

"Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si; apartarão os ouvidos da verdade e se dedicarão a fábulas." II Tm 4,3

Mais uma vez temos um texto que parece mencionar uma apostasia mas que não faz alusão alguma a Igreja de Cristo ou ao padrão apostólico; referindo-se genericamente a homens ou seja aos homens que abandonam a Igreja de Cristo e o padrão apostólico passando a ensinar ou a professar novidades ou seja novas doutrinas.

Como as doutrinas do politeísmo gnóstico, do unitarismo, do solifideismo, do predestinacionismo, do simbolismo eucarístico, do iconoclasmo, do anabatismo, do sabatismo, etc As quais não tendo sido conhecidas ou aprovadas pelos apóstolos, mártires e padres constituem as novidades profanas anatematizadas pelo apóstolo.

A Igreja Ortodoxa no entanto conserva e mantem fielmente o que fora comunicado pelo divino Mestre aos apóstolos, pelos apóstolos aos mártires e padres, e pelos padres antigos aos Bispos e as Igrejas apostólicas deste nosso tempo; jamais acrescentando, jamais diminuindo; apenas conservando imaculadamente.

A pérola no entanto é extraída de Atos 20,28:

"28 Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.

Então os protestantes aplicam todas estas palavras a Igreja Ortodoxa e Católica jurando de pés juntos que diz respeito a sua apostasia.
E não há brochura adventista, batista ou jeovista que não reproduza esta passagem dúzias de vezes...
Depois os protestantes reclamam; quando dizemos que são limítrofes, levianos, ineptos ou desonestos.
Pois um simples e comezinho princípio de exegese que aprendi na escola dominical obriga-nos e indagar do próprio texto sobre quem se refere ou diz respeito.
E no caso deste temos acesso a informação:
Ou seja: Trata-se de um texto concernente a Igreja local de Éfeso e não a totalidade do Cristianismo Apostólico ou da Igreja de Cristo.
Com que direito os comentaristas protestantes estendem um texto pertinente a Igreja local de Éfeso a toda Cristandade???
Referia Paulo que após sua ida para ser julgado em Roma, os lobos cruéis, ou seja os judaizantes seus inimigos, haveriam de vir a igreja local de Éfeso com o intuito de anunciar o evangelho da lei e da circuncisão. E que mesmo entre os Bispos e líderes da Igreja de Éfeso - mas não declara que seriam todos - seriam atingidos pela pregação deles formando seitas e partidos.
Afinal o próprio Pedro não fora cooptado por eles em Antakia a ponto de ser repreendido por S Paulo?
Então que há de extraordinário nisto; que após o afastamento de Paulo os judaizantes atacassem suas igrejas - como a de Éfeso - com o intuito de confundir os Santos e formar partidos e seitas???
Tal o sentido do contexto...
Que nada tem a ver com a totalidade das Igrejas apostólicas, com a Igreja Ortodoxa ou com a Cristandade primitiva.
Fica pois evidenciado que os protestantes transtornam o sentido das palavras sem atinar com aquilo que é indicado pelo próprio contexto.
E como designamos semelhante atitude???
Como patifaria.
Pode corresponder a teoria da apostasia a uma necessidade vital do protestantismo. Mas nem por isto corresponde ela a um ensino corroborado pela pena apostólica e menos ainda pela pena evangélica nas quais nos deparamos a cada passo com a doutrina da soberania e excelência da Igreja de Cristo.
Quanto aos ensinamentos de Paulo a respeito da apostasia, vimos já que se trata duma apostasia 'externa' ou dos homens que se afastam da Verdade ensinada pela Igreja de Cristo e não duma apostasia interna, da igreja com relação a Verdade, esta existe apenas na mente maléfica dos protestante.
Os quais por amor dos novos mestres Lutero e Calvino, tornam o único Mestre divino mentiroso; além de desonrarem o padrão apostólico.

sábado, 30 de março de 2013

XCVIII - Doutrina comunicada pelos apóstolos a seus sucessores






No artigo precedente procuramos demonstrar, sem recorrer a fontes espúrias mas ao Evangelho somente, a perfeita conformidade existente entre os ensinamentos de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e os ensinamentos ministrados pela Santa Igreja Ortodoxa e Católica; nossa Mãe, Mestra e Senhora.

Agora reforçaremos tal demonstração recorrendo ao testemunho da pena apostólica e certificando que a mesma doutrina que recebida do Verbo pelos apóstolos foi comunicada pelos apóstolos a Igreja Apostólica.

E que os protestantes como os gnósticos, opondo-se a Igreja opõem-se aos apóstolos e opondo-se aos apóstolos opõem-se aquele que os constituiu e enviou.



  1. De Deus ou seja da Trindade: "A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, amor do Pai e a operação do Espírito Santo, estejam convosco." II Cor 13,13 
  2. Da Divindade de Cristo: "O qual possuindo a natureza divina por direito e não por usurpação assumiu a natureza de servo." Fl 2,6
  3. Da Divindade do Espírito Santo: "Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus." I Cor 2,10
  4. Da Natureza humana de Cristo: "Fez-se semelhante aos homens na condição de homem." Fl 2,7 "Mandou o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado." Rm 8,3 "Ele foi constituído em tudo a nossa semelhança exceto no pecado." Hb 4,15 "Assim de certo modo e por um tempo, menos que os anjos foi feito."
  5. Da vontade humana de Cristo: "Aprendeu a obediência pelas agruras que veio a sofrer." Hb 5,8
  6. Da vontade divina de Cristo: "Ele sempre foi fiel aquele que o estabeleceu." Hb 3,2
  7. Da livre vontade: "Sendo livre por ocasião do chamado se fez escravo de Jesus Cristo." I Cor 7,22 "Se não forem chamados e não ouvirem o anuncio como haverão de vir a crer?" "Realizai a vossa salvação com temor e tremor." 
  8. Da possibilidade da queda: "Aquele que esta de pé tome precaução para não cair." "Não seja neofito para que a vaidade não o leve a cair e a ser condenado como o Demônio." I Tm 3,6 "Estavam conosco mas não eram dos nossos." 
  9. Graça e comunhão divina: "Onde no passado super abundou o pecado hoje prevalece as graça."
  10. Pecado ancestral: "Por Adão todos os filhos vieram a pecar e o padrão do pecado entrou no mundo." obs: Pela imitação do pecado de Adão e não por contaminação metafísica.
  11. Libertação integral: "Todo o que permanece nele não pode mais pecar; aquele que peca nem o viu nem o conhece." I Jo 3,6 "Aquele que é nascido de Deus vence o mundo." I Jo 5,4
  12. Perfeição a que fomos chamados: "Tudo posso naquele que me fortalece."
  13. Diferenciação dos pecados: "Se o irmão cometeu pecado que não é de morte, suplique por ele; agora se cometeu pecado que é para a morte não digo que supliqueis por ele." I Jo 5,16
  14. Do mérito: "Que mérito teria alguém se suportasse pacientemente os açoites por ter praticado o mal? Ao contrário, se é por ter feito o bem que sois maltratados, e se o suportardes pacientemente, isto é coisa meritória aos olhos de Deus." I Pe 2,20
  15. Da Suprema virtude: "Agora subsistem estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade; PORÉM A MAIS EXCELENTE É A CARIDADE." I Cor 13,13 "A CARIDADE aniquila a multidão dos pecados." 
  16. Das boas obras: "Abençoados aqueles que morrem no Senhor porque suas obras acompanham-nos." Apoc 14,13 "Estar circuncidado ou incircunciso de nada vale MAS A FÉ QUE OPERA PELA CARIDADE APENAS." Gl 5,6 "A fé sem obras sendo morte em si mesma para nada serve." Tg 2,17
  17. Da Igreja: "Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade." I Tm 3,15
  18. Da Unidade da Igreja: "Mantende entre vós a unidade que é o vínculo da paz." Ef 4,3 "Assim chegamos a UNIDADE DA FÉ, pela comunicação de Deus em Cristo Jesus..." Ef 4,13 "Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento." I Cor 1,10 "Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da doutrina que recebestes. Evitai-os!" Rm 16,17
  19. Santidade da Igreja: "Esposos amai as vossas esposas como Cristo amou a Igreja e se imolou por ela com o objetivo de purifica-la... para te-la perfeita, imaculada, sem ruga, defeito; mas Santa e Irrepreensível." Ef 5,25 
  20. Catolicidade da Igreja: "Não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus." Gl 3,28
  21. Ortodoxia da Igreja: "Deus é imutável e sem sombra de variação." Tg 1,17 "Deveis permanecer firmes naquela fé que uma única vez foi comunicada aos Santos." Jd 3 "Então eles não haverão de suportar mais a doutrina da salvação; mas tomando mestres ímpios para si aderirão as novidades profanas." II Tm 4,3 
  22. Infalibilidade da Igreja: "Assim pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais..." At 15,28
  23. Da autoridade apostólica: "Que assim os homens nos vejam como MINISTROS DE CRISTO E DISPENSEIROS DOS MISTÉRIOS DIVINOS." I Cor 4,1 "Assim hei de ai estar convosco e de examinar não só as palavras mas as ações dos homens vaidosos... desejais o que que vos visite com a vara ou com espírito de amor e mansidão?" I Cor 4,19 sgs
  24. Da sucessão apostólica: "O que de mim recebeste  diante das testemunhas oculares, confia-o a varões idôneos para que estes, a seu tempo, instruam a outros." II Tm 2,2 
  25. Do Batismo: "Unicamente em virtude de sua misericórdia, ele nos salvou mediante o batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo." Tt 3,5
  26. Da Eucaristia: "Perseveravam na doutrina dos apóstolos, na prece e na fração do pão." At 2,42
  27. Da presença real: "Assim todo aquele que tomar deste pão e beber deste vinho indignamente RÉU SERÁ DO CORPO E DO SANGUE DO SENHOR. EXAMINE POIS A CONSCIÊNCIA ANTES DE VIR A MESA E AO CÁLICE. COMO E BEBE PARA SUA CONDENAÇÃO, INDIGNAMENTE, TODO AQUELE QUE NÃO DISCERNE (DIAKRINOS) O CORPO DO SENHOR." I Cor 11,27 sgs
  28. Penitência: "Não imponhas as mãos apressadamente sobre quem quer quer seja para que não te tornes participantes de seus pecados." I Tm 5,22
  29. Da ordenação: "Após terem jejuado tomaram Paulo e Barnabé e tendo-lhes imposto as mãos e enviaram-nos." At 13,3 "Reaviva pois a chama do dom de Deus que de mim obtiveste pela imposição das mãos." II Tm 1,6
  30. Da Evkelaion"Se houver alguém enfermo no meio de vós, chamai os presbíteros da Igreja; estes rezarão sobre ele e ungirão com óleo em nome do Senhor, esta prece salvará o enfermo pois o Senhor o confortará com o perdão dos pecados." Tg 5,14
  31. Da Crisma: "Quando a congregação de Jerusalém soube que a Samaria acolhera a palavra de Deus, remeteu-lhes Pedro e João, para que rezassem sobre eles e pudessem receber o Espírito Santo... Eles impunham as mãos sobre eles e recebiam o Espírito Santo." At 8,14 sgs "Assim após terem sido batizados em nome de Jesus, Paulo lhes impôs as mãos e comunicou-lhes o Espírito Santo." At 19,6
  32. Da Coroação: "Por isso homem e mulher passarão a ser uma só carne e grande é este Mistério porque toca a Cristo e a Igreja." Ef 5,31
  33. Da intercessão pelos mortos: "Que Deus se compadeça da casa de Onesiforos, porque muitas vezes confortou-me e não envergonhou-se dos meus grilhões; antes tendo vindo a Roma procurou por mime encontrou-me; QUE O SENHOR TENHA COMPAIXÃO DELE NO GRANDE DIA." II Tm 1,16 sgs
  34. Dos votos monásticos: "Não admitas nem recebas viúvas demasiado jovens porque desejarão casar-se novamente, tornando-se culpadas por terem faltado ao compromisso assumido." I Tm 5,11 sgs
  35. Da Kourbana: "Os que oficiam o culto dele participam, os que servem ao altar dele vivem." I Cor 9,13
  36. Da Cruz vivificante: "Assim a Cruz e loucura para aqueles que se perdem; mas para aqueles que se salvam é uma virtude de Deus." I Cor 1,18
  37. Dos três grandes sacramentos: "Assim é impossível que aqueles que já foram ILUMINADOS, que SABOREARAM O DOM CELESTIAL, e que receberam o Espírito Santo..." (Batismo, Eucaristia e Crisma) Hb 6,3 "Assim a doutrina DOS BATISMOS E DA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS." (Batismo, Batismo no Espírito Santo que é a Crisma, e a Exomologese que é a Penitência) Hb 6,2
  38. Do celibato: "O casado cuida das coisas do mundo, de como agradar o conjuge; o solteiro cuida das coisas do Senhor e de como servir o Senhor." I Cor 7,33
  39. Da comunhão dos Santos: "Então eu vi junto ao altar celestial as almas daqueles que haviam sido martirizados pela palavra de Deus; e elas clamavam em alta voz: Até quando Senhor Santo e verídico...." Apoc 6,9 "Assim secundados por esta nuvem de testemunhas, deixamos o peso que nos retem e obtemos a vitória sobre o pecado." Hb 12,1
  40. Da imortalidade consciente: "Assim em espírito ele foi pregar aos espíritos que estavam no cárcere, os que haviam sido impenitentes nos tempos de Noé..." I Pe 3,19
  41. Da ressurreição: "Uma vez que Cristo ressuscitou dos mortos como há gente dizendo que não haverá ressurreição dos mortos?" I Cor 15,12
  42. Da restauração final: "A vontade de Deus é esta: que todos se salvem pelo pleno conhecimento da verdade." 
  43. Do Jejum: Os membros da congregação de Antakia jejuaram antes de ordenarem a Paulo e a Barnabé. At 13,3
  44. Da inferioridade do Antigo Testamento: "Caso a primeira aliança tivesse sido eficiente não haveria lugar para uma segunda." Hb 8,7 "Assim a nova faz antiquada a primeira, e o que esta antiquado e velho esta para perecer." Id 8,13
  45. Da formação do Novo Testamento: "Assim nosso irmão Paulo vos escreveu com a sabedoria que lhe foi dada..." II Pe 3,15
  46. Da tradição apostólica: "Intima-mo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que eviteis a convivência de todo irmão que leve vida ociosa e contrária à tradição que de nós tendes recebido." II Tes 3,6 "Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa." II Tes 2,15 "Toma por modelo os ensinamentos salutares que recebeste de mim sobre a fé e o amor a Jesus Cristo. Guarda o precioso depósito; pelo poder e virtude do Espírito Santo." II Tm 1,13
  47. Da ressurreição de Cristo: "Se Cristo não se levantou dos mortos vã é vossa fé e vossa esperança."
  48. Da ascensão de Cristo: "Aquele que desceu é também o que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas." Ef 4,10
  49. Da segunda vinda ou advento de Cristo: "Não vos altereis como se o dia do Senhor estivesse já próximo." II Tes 2,2
  50. Do juízo final: "Ao som da trombeta final os mortos ressurgirão incorruptíveis." I Cor 15,52 
  51. Da eternidade bendita: "Quando da manifestação do Senhor céus e terra dissolver-se-ão no ardor do fogo. Nós no entanto aspiramos segundo sua promessa; POR NOVOS CÉUS E NOVA TERRA NOS QUAIS IMPERARÃO A JUSTIÇA." II Pe 3,12 "Surgiram então novos céus e nova terra. Porque o primeiro céu e a primeira terra já passaram; eu contemplei a cidade santa, nova Jerusalém, que ataviada como uma noiva descia dos céus..." Apoc 21,1 
  52. Símbolos e ritos (incenso, luzes, etc): Todo livro do Apocalipse esta repleto de alusões a lâmpadas/luzes, incenso, instrumentos musicais, etc os quais se podem ser empregados pelo hagiógrafos com o intuito de elucidar a santa doutrina também podem ser da mesma forma empregados pela Igreja na adoração com idêntica finalidade.
  53. Do dia do Santo Domingo da Anastasis do Senhor: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o pão." At 20,7 "No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que tiver podido poupar, para que não esperem a minha chegada para fazer as coletas." I Cor 16,2 
Conclusão: apesar dos dois mil anos que separam esta nossa geração do convívio carnal do Salvador e dos abençoados apóstolos é para pasmar e maravilhar que praticamente toda doutrina Ortodoxa seja confirmada pelas penas Evangélica e Apostólica com profusão de testemunhos.


XCVII - Da doutrina que havia sido comunicada por Jesus Cristo aos apóstolos






Via de regra os 'ortodoxos' e 'papistas' creem que os protestantes foram os primeiros a supor que as doutrinas comunicadas pelo Salvador a seus abençoados apóstolos diferiam essencialmente das doutrinas professadas por nossa veneranda mãe a Santa Igreja Católica.

Vimos no entanto que os primeiros a levantarem-se contra a esposa de Cristo, pela qual sofreu e verteu seu sangue precioso, e a classificarem a Igreja apostólica como infiel foram os gnósticos.

Os quais em seus escritos mencionam a grande e antiga igreja como correspondendo a uma instituição grosseira e carnal.

Como desejavam Omegna e Flacius, tiveram os protestantes antecessores espirituais e de certo modo uma 'sucessão', sucessão anti apostólica.

E sucessão bastante antiga pois remonta a Tebutis, Menandro e Simão, o mago; que foram os primeiros a resistir aos apóstolos e a romper com o padrão fixado pelo Senhor Jesus.

De fato os gnósticos corresponderam a anti igreja ou a congregação da maldade durante a Era dos apóstolos, mártires e padres... assim os pentecostais e sectários continuam o trabalho deles, correspondendo a anti igreja e congregação da maldade nestes tristes tempos.

Para certificar que gnósticos e protestantes estão espiritualmente ligados e aparentados uns com os outros, demonstraremos que não há diferença alguma entre a doutrina professada atualmente pela Santa Igreja Ortodoxa e Católica e a doutrina comunicada pelo Verbo aos apóstolos seus vigários e arautos.





  1. De Deus ou seja da Trindade: "Ide pois e batizai as gentes todas da terra EM NOME DO PAI, E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO." Mt 28,19
  2. Da divindade do Filho: "O pai não cessa de agir e eu com ele." Jo 5,17
  3. Da divindade do Espírito Santo: "O pecado contra O pai do céu será perdoado, o pecado contra o Filho do homem será perdoado, mas o pecado contra o Espírito Santo não será perdoado nem nesta Era nem na futura."
  4. A natureza humana de Cristo: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós." Jo 1,13
  5. A vontade humana de Cristo: "Meu Deus, meu Deus porque me desamparaste." Mc 15,34 "Jesus chorou."
  6. A vontade divina de Cristo: "Que eles sejam um conosco como Eu e tu, meu Pai somos um." Jo 17,21
  7. Da livre vontade: "Jerusalém, Jerusalém eu quis acolher teus filhos como a galinha acolhe os filhotes debaixo das asas mas tu não o quiseste." Mt 23,38
  8. Da graça e comunhão divina: "Sem mim nada podeis fazer." Jo 15,5
  9. Do pecado ancestral: "Todo o que comete pecado é escravo do pecado." Jo 8,34
  10. Da libertação integral: "Se o Filho vos libertar sois de fato libertos." Jo 8,36
  11. Da perfeição a que fomos chamados: "SEDE PERFEITOS COMO VOSSO PAI CELESTIAL É PERFEITO." Mt 5,48 
  12. Da diferenciação entre os pecados: "Maior pecado tem aquele que me entregou a ti." Jo 19,11
  13. Do mérito: "Assim deverias multiplicar a quantia que te entreguei para que eu obtivesse rendimentos do que é meu." Mt 25,27 "Assim a semente caindo na terra boa dá FRUTOS cem, sessenta ou trinta por um." Mt 13,23
  14. Da suprema virtude: "Assim saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." 
  15. Das boas obras: "Brilhe a vossa luz diante dos homens para que observando vossas obras exaltem vosso Pai que esta nos céus." Mt 5,16 "Não pode a árvore má produzir bons frutos e nem a árvore boa produzir maus frutos; pelos frutos sereis conhecidos." "Se sois meus discípulos farei o que vos mando." "O que fizestes a estes meus irmãos mais pequeninos foi a mim mesmo que fizestes... o que deixastes de fazer a um destes meus irmãos mais pequeninos foi a mim que deixastes de fazer." "Eu vos constitui para que possais ir e produzir fruto e assim este vosso fruto permaneça."
  16. Da Igreja: "Sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno jamais prevalecerão sobre ela." Mt 16,18 "Se não ouvir a igreja seja tido em conta de infiel." Mt 18,17
  17. Da Unidade da Igreja: "Que eles sejam um como eu e tu meu Pai somos um." Jo 17,21
  18. Da Catolicidade: "Ide e fazei discípulos entre todas as nações para que observem tudo quanto eu determinei, e convosco estarei até a consumação dos séculos." Mt 28,20
  19. Da autoridade dos apóstolos: "Quem vos ouve é a mim que ouve e quem vos despreza a mim é que despreza." "Aquele que recebe um profeta como profeta será recompensado; aquele que recebe um enviado recebe aquele que o enviou."
  20. Do Batismo: "Aquele que não nascer da água e do Espírito não entrará no Reino dos céus." Jo 3,5 "Ide pois e batizai as gentes todas da terra EM NOME DO PAI, E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO." Mt 28,19
  21. Da Eucaristia: "Fazei isto em memória minha." Lc 22,19
  22. Da presença real: "Minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida." Jo 6,56
  23. Penitência: "Aqueles aos quais perdoardes os pecados serão perdoados e aos que retiverdes serão retidos." Jo 20,23
  24. Ordenação: "Assim soprou sobre eles e disse - Recebei o Espírito Santo." Jo 20,22
  25. Evkelaion: "Eles - os apóstolos - ungiam os dementes e enfermos com óleo e eles ficavam sãos." Mc 6,13
  26. Da Crisma: "Ele estabelecerá um Batismo do Espírito Santo e do fogo."
  27. Da coroação: "O que DEUS mesmo juntou não separe o homem."
  28. Do lava pés: "Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros." Jo 13,14
  29. O celibato: "E há eunucos que se fazem eunucos por amor do Reino dos céus." Mt 19,12 ALÉM DO EXEMPLO DO PRÓPRIO SENHOR QUE JAMAIS CONTRAIU MATRIMÔNIO.
  30. Da maternidade divina de Maria: "Que se me dá que a MÃE DO MEU SENHOR venha até mim." Lc 1,43
  31. Da Virgindade perpétua de S Maria: "Como se fará isto se não conheço varão?" Lc 1,35 "E seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a Páscoa; e quando fez doze anos foi com eles a cidade." Lc 2,41 "Disse a sua mãe: Eis teu filho; e ao discípulo amado: eis tua mãe; A PARTIR DAQUELE MOMENTO RECEBEU-A O DISCÍPULO EM SUA CASA." Jo 19,26
  32. Que os 'irmãos de Jesus' são mais velhos, logo filhos de um primeiro casamento de S José: "Disseram-lhe seus irmãos: parte daqui para a Judéia, assim teus discípulos vejam as obras que realizas; pois ninguém age ocultamente se pretende revelar-se ao mundo!" Jo 7,3
  33. Da comunhão dos Santos: "Fazei amigos com as riquezas iníquas, e assim faltando estas POSSAM ELES RECEBER-VOS NOS TABERNÁCULOS ETERNOS."
  34. Da imortalidade consciente: "Deus não é Deus de mortos, por isso nele todos estão vivos." "Eis que junto a ele falavam dois varões Moisés e Elias, ambos cheios de majestade." Lc 9,30 "E quando o viram caminhar sobre as ondas perturbaram-se e disseram: É UM FANTASMA." Mt 14,26
  35. Da condição dos mortos: "Morreu o mendigo e foi conduzido pelos seres ao seio de Abraão... morreu o rico e foi precipitado nas regiões inferiores." Lc 16,22
  36. Da temporalidade as penas ou castigos extra tumba: "Não digo para perdoar sete vezes mas setenta vezes sete." 
  37. Da ressurreição final: "Aquele que come minha carne e bebe meu sangue ressuscitarei no último dia para a vida eterna." Jo 6,55
  38. Da oração: "Assim deveis rezar: Pai nosso que estais nos céus..." Mt 6,9 "E ainda outra vez repetiu a mesma súplica ." Mc 14,39
  39. Do Jejum: "Quando o noivo for recolhido haverão de exercer Jejum." 
  40. Do Evangelho: "Por Moisés foi dada a lei, por Jesus  A GRAÇA E A VERDADE." Jo 1,17 "Assim Pedro disse: Só tu Senhor tens palavras de vida eterna."
  41. Da ressurreição: "Daqui a pouco já não me haveis de ver; mas passado algum tempo me vereis de novo." Jo 16,17
  42. Da ascensão: "Eis que a ti retorno Senhor Pai Santo." Jo 17,11 "Não me toques porque a meu Pai ainda não fui ter." Jo 20, 17
  43. Da segunda vinda: "Como um relâmpago que vai do Oriente ao Ocidente assim haverá de ser o retorno o Filho do homem." Mt 24,27
  44. Do juízo final: Mateus 25,31sgs
  45. Do dia do Santo Domingo da anastasis: "oye de sabbatwn th epifwskoush eiV mian sabbatwn..." > "No fim do sábado (sabado judeu do sétimo dia) como já principiasse o sábado (sábado Cristão do primeiro dia i é o Domingo da ressurreição)" Mt 28,1; Mc 16,9; Lc 24,1 e Jo 20,1





sábado, 18 de abril de 2009

Tratado I - Exposição ao Símbolo - Pelo Profo Dr Domingos Pardal Braz, lente de filosofia.





Exposição ao Símbolo de Fé - Pelo Profo Domingos Pardal Braz, Lente de Filosofia, História e Sociologia.

Parte I - Introdução: Que é crer?



Como instituição divina que é, a Igreja Ortodoxa, Santa e Católica revindica para si mesma não apenas o direito, mas o dever de expor a sua clientela qual seja a autêntica fé comunicada 'Uma única vez aos Santos pelo Verbo encarnado Jesus Cristo.'
Ao contrário das seitas produzidas pela ação do homem ela não estimula seus fiéis a catar as verdades que sejam capazes de encontrar num livro ou a buscar migalhas. Por meio do raciocínio ou da técnica exegética o homem jamais conseguiria 'extrair' por assim dizer, a Revelação divina. Por meio da especulação ou da hermenêutica não lograriam obter qualquer luz sobrenatural. Por via natural não teriam como substituir a auto comunicação de Deus. Enfim, jamais ultrapassariam 'interpretação' individual, subjetiva e contraditória.
 
Daí Tertuliano assim exprimir-se: "Jesus não diz: Teu conhecimento bíblico ou tua perícia escriturística te salvou, mas TUA FÉ TE SALVOU." 

Tampouco ela, a Igreja, procura, busca ou investiga qualquer coisa, mas oferece aquilo que recebeu do Verbo. Pois o Verbo que tudo ouviu no seio do Pai tudo comunicou a Igreja, e por isso disse: Ide e ensinai a toda criatura... Tal a autoridade da Igreja que aquele que recusar-se a ouvi-la, deve ser tido em conta de pagão ou publicado. "A fé vem pelo ouvir." declara S Paulo.
Pelo ouvir a mensagem transmitida pela Igreja: Quem vos ouve a mim ouve e quem vos despreza a mim despreza, diz o Senhor! Não pelo examinar ou ler.
Comissionada pelo Verbo divino a igreja comunica a seus filhos tudo quanto lhe foi entregue por ele e instrue-os em toda verdade. Fiel a seu ofício, antes de batizar os povos, em nome da Excelsa Trindade, a mãe igreja ensina-os a respeito do quanto devemos crer e nos faz conhecer os elementos da fé.


E foi justamente para que melhor pudéssemos conhecer tais elementos que acabou dispondo-os sob a forma de artigos sequenciados num AMANA ou símbolo, o qual principiou a ser redigido pelos Mestres e Doutores congregados no primeiro Concílio Geral. Reunido em Niceia no ano 325 desta Era.

Sua forma no entanto só foi completada no segundo Concílio Geral, congregado em Constantinopla, sob Teodósio em 381. Ocasião em que os Santos padres exclamaram: 'Tal a fé de Teodoro, tal nossa fé.' referindo-se ao redator da fórmula definitiva: S Teodoro de Mopsuéstia, o expositor por excelência.
Este segundo Concílio fora presidido por Gregório, o teólogo; Melécio, Timóteo, Emanuel e Nectários tendo por objeto a condenação de Macedônio e de tantos quantos negavam a personalidade e divindade do Espírito Santo, professando o diteísmo.

O primeiro Concílio, presidido por Mar Eusébio, Skander e Oséias de Córdoba, sob Constantino César, teve por objeto a condenação do presbítero alexandrino Ario e de tantos quantos negavam a divindade de Jesus, professando o unitarismo ou arianismo, como passou a ser chamado.


A propósito, é sempre bom insistir que Constantino, apresentando-se como ignorante em matéria de fé, nada propôs ou decretou, protestou respeitar a autonomia dos Bispos e solicitou que eles expusessem clara e publicamente qual era a fé sempre professada pela Igreja, desde os tempos apostólicos.

O concílio não produziu um novo dogma ou tomou posse de uma nova verdade até então ignorada. Sua função foi externa, exprimir publicamente qual fosse a fé Cristã e Católica face ao Império, e expressa-la de modo claro e inquívoco uma vez que os arianos usavam-se da imprecisão ou da variedade linguística e cultural com que a fé era expressa para sabota-la. Diante disto os Padres, de 325 a 787 i é do primeiro ao sexto Concílio geral, debruçam-se sobre a Filosofia Grega com o objetivo de produzir um vocabulário técnico ou teológico capaz de conferir a profissão da fé uma exatidão o quanto possível absoluta,eliminando as controvérsias.

Conjuntamente foi esta fórmula ou Credo aprovado por quatrocentos e sessenta e oito padres; os trezentos e dezoito de Nicéia mais os cento e cinquenta de Constantinopla.
CREIO


Crer implica admitir a existência de algo que não se conhece por experiência, que não se toca, que não se ouve, que não se vê, que não pode ser apreendido ou captado pelos sentidos e tampouco ser deduzido por via racional.

Logo de algo que esta para além de nossa percepção e do próprio raciocínio, não por ser irracional ou formalmente contraditório mas simplesmente por não ser acessível. Jamais poderíamos saber que há uma Trindade caso sua existência não nos fosse revelada. Neste sentido cada elemento do Credo Cristão é, ao menos em, parte supra racional.

Podemos assim especular sobre a necessidade da ressurreição dos corpos, mas de modo algum assegurar sua necessidade absoluta do ponto de vista da natureza. Segundo alguns - Aristóteles inclusive - mesmo a doutrina da imortalidade da alma, demanda ser imposta por uma autoridade divina e transcendente para ser tida em conta de absolutamente certa. Já Platão acredita ser possível demonstra-la ou deduzi-la a partir da natureza e nós nos inclinamos por Platão. Seja como for a Revelação tende a lança uma luz mais profunda sobre ela e sobre seu fim último.

Com efeito, a certeza absoluta a respeito da realidade dos elementos da fé não procede da razão, embora esta possa propô-los e discuti-los a seu modo, mas da fé ou de Deus Revelador. É um tipo de saber comunicado pela autoridade externa e divina.

Assim embora não as conheçamos com certeza absoluta por parte da natureza, professamos tais verdades enquanto comunicadas por aquele que não pode enganar-se nem enganar-nos: O verbo encarnado Jesus Cristo. Tal a fonte de nossa fé.

Descrita pelo grande catequista alexandrino (Apolo) nos seguintes termos: "Certeza a respeito daquilo que não se vê." Hb 11,1 Do que não se vê por ser invisível. Do que não se vê por ter acontecido. Do que não se vê por ainda não se ter sucedido.

Crer é de alguma forma apostar na existência de algo que não podemos conhecer ou saber por via natural.

Não se trata de opinar ou de assentir parcialmente como quem duvida. Pois a fé não admite hesitação ou reserva. Cremos ou não cremos e não há meia fé.

Cremos porque existem evidências de justificam nossa adesão, mas não podemos demonstra-lo em termos empírico racionais. Pois essa evidências são de caráter histórico/profético e não de caráter metafísico.

Embora não seja demonstrável a fé não deixa de ser uma certeza. Certeza a que chegamos primeiramente por via da História, da profecia e subsequentemente da autoridade.

Podemos portanto defini-la como uma resposta dada pelo homem ao chamado do Deus que se revela. Aquele crê assente ou crê dá uma resposta positiva e aquele que não vê motivos para crer dá uma resposta negativa.

E como a matéria desta comunicação é formada por afirmações concernentes a Deus, do passado e do mundo futuro não podemos deixar de defini-la fé como um assentimento intelectual.

Na medida em que implica juízos formulados pelo intelecto. Seja quanto os fundamentos histórico/proféticos da fé ou quanto ao conteúdo da própria fé, pelo simples fato da fé corresponder a uma demanda pelo conhecimento ou por um tipo de conhecimento, que se exprime sempre de modo racional e inteligível.

Assim a credibilidade do Revelador Jesus Cristo.

Não é o conteúdo da fé Católica que examinamos e julgamos mas a autoridade de seu 'fiador' Jesus Cristo.

Crer é admitir ou acolher aquilo que Deus, o Deus Encarnado, certifica a respeito de si mesmo, da destinação final dos seres humanos e da vida espiritual. Crer é recebe o testemunho que Deus nos dá a respeito de si mesmo, de nossa condição mortal e do além túmulo.

Assim aquele que crê não crê porque crê, mas porque julga ter motivos plausíveis para faze-lo.

Aceita a fé da Igreja porque chegou a conclusão de que a personalidade de Jesus Cristo é real, relevante e enigmática. Crê compelido pela figura de Jesus Cristo, por ter concluído que ele é bem mais que um mero homem. Por admitir que quando Jesus Cristo fala sobre Deus fala com propriedade ou por experiência. Por ser compelido por vaticínios, profecias ou oráculos inexplicáveis do ponto de vista da natureza, mesmo em termos parapsicológicos.

Agora qual é o objeto desta fé?

Aquilo que não se vê. 

Assim o que é oculto, invisível, imaterial, espiritual e não o que é terreno, físico, material, visível, manifesto, natural, PRESENTE...

Assim Física, Química, Biologia, História, Geografia, Psicologia, Sociologia, Filosofia e tudo quanto possa ser apreendido pela natureza em termos de percepção ou demonstração racional não faz parte do conteúdo da fé. A fé Ortodoxa não diretamente totalitária e sufocante como o fundamentalismo, seja ele Bíblico ou corânico; assume seus limites e não invade os terrenos da Ciência e da Filosofia.
Assim a existência de Deus, sendo racionalmente demonstrável ou dedutível pertence a Filosofia e não a religião Cristã. A metafísica e não a fé. A teodicéia e não a teologia.

Eis porque é absolutamente impossível que a fé Cristã - ao contrário da fé judaica - conflite com a ciência. DIGO E REPITO ISTO PORQUE DEVEMOS FIXA-LO MUITO BEM, sob pena de sermos enganados pelos sectários e pelos falsos profetas.

Agora por que a nossa fé Ortodoxa não conflita com a Ciência???


Não pode com ela conflitar porque seu terreno não é o da natureza física e porque não diz respeito a criação do mundo, a forma da terra, a origem dos seres humanos, a organização social, etc Os fariseus, escribas e rabinos dogmatizaram a respeito de tudo isto, fundamentando-se em mitos e fábulas tomados aos pagãos antigos pagãos; não o Cristo, o qual jamais apresentou-se como professor de Filosofia, Sociologia, Psicologia, Física, Química, Biologia, etc e que jamais abordou tais temas e sua pregação, tendo concentrando seus discursos em torno das coisas que não podiam nem podem ser vistas ou apreendidas pelos sentidos.

Assim sendo não pode o Criacionismo fazer parte de nossa fé Santa e Católica. Após o surgimento do padrão científico de pensamento não se justifica que qualquer religião pretenda explicar como a terra veio a existir. É algo inútil, excusado... Fiquem com ele os sectários e judaizantes. Satisfaçam-se os filhos da Igreja com as lições do Evangelho e assim com os mistérios legitimamente Cristãos e invisíveis da Trindade, das Naturezas do Cristo, dos Sacramentos, da Eucarística, da Ressurreição dos mortos, da vida eterna...

Afinal apenas o que não pode ser conhecido ou o que não é acessível pode ser propriamente revelado, suprindo a divina Revelação nossa ignorância invencível.

Revelar ou tornar manifesto aquilo que esta no acesso dos sentidos ou da razão seria trabalho ocioso da parte de Deus.

Resta-nos insistir sobre a aquisição da certeza a respeito do quanto não vemos ou do quanto não pode ser naturalmente demonstrável, no sentido de não dever ser compreendida em termos de irracionalidade. Inacesecibilidade sim, até que nos submetamos a autoridade de Jesus Cristo. Contradição de termos não.

De modo que cada um dos artigos de fé ou dogmas divinamente relevados faz sentido, podendo ser racionalmente compreendido e em certo sentido esgotado. A única ressalva a ser feita diz respeito ao Mistério inefável da Santíssima e Excelsa Trindade quanto a seu aspecto dinâmico/operatório. Não sabemos como três pessoas possam fruir da mesma essência sem que seja por critério de partição, isto porque a existência divina é tanto mais complexa que a nossa e não temos condições para abarcar um tal tipo de conhecimento. Caso pudéssemos esgotar a compreensão da Trindade seríamos divinos, na medida em que isto implica ilimitação e somos limitados.

Devemos no entanto compreender este Mistério como uma exceção a regra e não como regra geral. Embora outros adicionem o Mistério da Encarnação e o mistério da Trindade como os três grandes mistérios do Cristianismo. Claro que nenhum deles implica contradição ou impossibilidade embora levantem sérios questionamentos no plano da dinâmica/operatória. Como pode Deus concentrar-se num homem situado num local? Como pode a divindade concentrar-se nos elementos do pão e do vinho situados sobre o altar???

Certamente não sabemos como viabilizar ou executar tais mistérios porque não somos deuses ou divinos. Apenas Deus e Deus somente sabe como são exequíveis. O que não significa que haja qualquer contradição interna na formulação do conceito.

Quanto aos demais dogmas podemos e devemos afirmar que podem ser esgotados pela reflexão teológica e explicados a luz da razão.

Do contrário o apóstolo não teria declarado: "FORNECEI AQUELES QUE O SOLICITAREM AS RAZÕES DA VOSSA BOA ESPERANÇA."

Assim a fé que professamos ou exercemos, já por estar fundamentada em evidências, como as profecias, já por poder ser racionalmente explicitada, não é cega como as outras 'fés' mas acessível a exposição racional até a mais completa sistematização em termos de organicidade. Um dos aspectos mais refinados da fé Católica Ortodoxa consiste em que seus elementos ou dogmas estão ligados uns aos outros a ponto de formarem uma estrutura orgânica, em que um termo parte do outro, e se não completando. Essa concordância ou coerência interna é certamente uma das evidências mais fortes apresentadas pela instituição Cristã.

Caso alguém ousasse questionar nossa opção poderíamos responder-lhe de cabeça erguida e sem constrangimento algum alegando que os mistérios da vida do Senhor foram antecipadamente descritos com riqueza de detalhes pela pena profética: "QUEM PODERIA CRER NISTO QUE OUVIMOS, A QUEM FOI REVELADO O BRAÇO DO SENHOR, ETC, ETC, ETC" Is 53,1 sg

Bem como pela pena poética: "a grande série de séculos recomeça.
Já também retorna a Virgem, voltam os reinos de Saturno;
do alto céu já é enviada uma nova geração.
Tu somente, casta Lucina, favorece ao menino que nasce,
sob o qual primeiramente desaparecerá a raça de ferro
e surgirá no mundo inteiro a raça de ouro,"


Vive o justo desta fé ou melhor dizendo esta fé porque abraçando a doutrina da Encarnação do Verbo, não pode deixar de querer viver ele mesmo como viveu o Verbo Jesus Cristo,  e assim de adotar o mesmo regime de vida que seu Mestre adotou, de imitar sua conduta, de assimilar seus exemplos, de reproduzir seu comportamento até converter-se numa cópia sua ou num outro Jesus.

Acaso não decretou ele: "Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito."???

Portanto criatura alguma ouse declarar que tal meta é impossível, pois equivaleria apresentar Jesus Cristo como mentiroso ou embusteiro.
Será o Cristão uma extensão viva de seu Mestre e Senhor Jesus Cristo - seu proto tipo e modelo - ou não será! Não será Cristão! Viverá como Filho de Deus ou será filho da maldade, e não Cristão. Distinguir-se-a pelos frutos ou pelas obras; ou não será Cristão. Será Cristão por seus atos e por sua vivência, ou não o será. Pois o Cristianismo não é uma simples teoria que se professa com os lábios... enquanto o coração vai por outros caminhos e as obras permanecem sendo as mesmas.

Metanoia ou conversão significa mudança ou ruptura; assim a adoção de um novo padrão de vida.

E onde está nosso padrão de vida ou nosso critério ético???
 
No Evangelho, no Sermão do monte, no código das bem aventuranças, no vigésimo quinto capítulo de S Mateus. Tudo isto constitui uma Lei a ser escrupulosamente observada. E não um chiste ou uma brincadeira. O Evangelho é compromisso ou nada é...
Ser Cristão em termos Ortodoxos é ser antes de tudo um outro cristo, o qual na Unidade de seu Mestre é capacitado para vencer o mal e triunfar do pecado. É um modo de vida divino, pois o Cristo na Unidade do Pai e do Espírito Santo vem viver em nós - Viremos até ele e nele faremos morada. Ora o Deus Santo não pode habitar no homem e promover obras más e pecados, por isso que sua amizade, sua graça e seu dom é capacitante i é apto para manter-nos santos e para tornar-nos vitoriosos e triunfantes face ao pecado e a tentação.

Em todas as coisas é o Cristão, pela graça divina, um ser interiormente reformado, plenamente redimido, verdadeiramente bem sucedido e consolidado na virtude. Tendo em vista viver conforme o plano divino, observando a lei eterna da consciência e frutificando em boas obras.

SEDE SANTOS COMO EU MESMO SOU SANTO  é seu mandamento supremo. Como eu venci o mundo vós assim vencereis... assim para aquele que crê seus mandamentos não são difíceis...

Já quanto aqueles que ignoram a divina revelação esta disposto: "... Creia primeiro que ele - Deus - existe e que recompensa aqueles que o procuram." Hb 11,6 Professando o teísmo e a imortalidade da alma.

O tolo: Diz em seu coração: Não há Deus. Sl 13,1 embora com a boca possa mencionar repetidamente seu nome e afetar religiosidade. Assim, o verdadeiro ateísmo não é o ateísmo externo, teórico ou expresso por meio de fórmulas e palavras mas o ateísmo de interno, prático, de coração e afirmado por meio de obras más!!! Quantos e quantos ateus não se utilizam de um disfarce religioso com o objetivo de massacrar e oprimir a criatura viva???

Por isso esta escrito: "Esse povo vem a mim com palavras apenas e me honra somente com os lábios, enquanto seu coração está distante de mim." Is 29,13

Assim autêntico ateísmo - do coração - e a legítima incredulidade encontram-se amiúde associados a hipocrisia, ao farisaísmo, a falsa religião, ao sectarismo e ao fanatismo, arrogância, a desumanidade... Usa e abusa da religião ou de sua aparência. Porque certamente faz muito pouco caso dela. E dela faz meio com que intimidar, atemorizar e dominar o outro...

Tanto mais o místico exaltado fala em Deus e tanto menos vive de Deus ou como Deus ordenou, exercendo a fraternidade. Tanto mais discursa pomposamente sobre Deus e tanto menos ama concretamente as criaturas ou os filhos de Deus. Tanto mais alega estar unido a Deus de modo mais intenso, e tanto mais se mostra insensível face a injustiça, a miséria, a maldade e os grandes pecados que assolam a pobre humanidade...

Daí ter o evangelista observado: "Como pode aquele que não ama ao irmão a que vê, amar ao Deus que não vê?"

Não, não pode - É tudo aparência, ilusão e vaidade.

Logo seu tão decantado amor a Deus não passa de puro fingimento.

Tal a religião puramente teórica, das aparências, fruto da incredulidade e do ateísmo associado ao interesse.

Outros porém não vivem citando repetidamente o Nome a propósito de qualquer coisa, passando inclusive - Em especial diante das das massas - por ateus, materialistas e incrédulos. Cumprem entretanto seus deveres, não acometem a quem quer que seja, sacrificam-se por um ideal de justiça e até imolam-se pelo bem estar da humanidade. Estes são representados por aquele filho que disse ao Pai: Não eu não vou, e foi. Por meio do discurso negou, mas, por meio das ações ou das obras afirmou a existência de Deus. Acaso não disse o Salvador: SOIS SEGUIDORES MEUS DE FAZEIS O QUE EU DOS MANDO E O QUE EU VOS MANDO É QUE DOS AMEIS UNS AOS OUTROS???
Por este critério concreto, externo, prático, ético... conhecemos o homem verdadeiramente religioso, devoto e ligado espiritualmente a Jesus Cristo por vínculos espirituais e indissolúveis. PELOS FRUTOS OS CONHECEREIS - POIS A ÁRVORE BOA NÃO PODE PRODUZIR MAUS FRUTOS E TAMPOUCO A ÁRVORE MÁ BONS FRUTOS, PELOS FRUTOS OS CONHECEREIS.


Logo se promovem o bem e a virtude é porque há neles um sentido de Deus, ainda que oculto nos recônditos do coração, nos recessos mais profundos a alma ou nos meandros do subconsciente. Se amam o bem e buscam po-lo em prática é porque Deus esta neles, pois adiantou-se Deus aos mortais pelo mistério da Encarnação, assumindo todos os homens de boa vontade. Quando for erguido sobre o madeiro atrairei todos a mim, disse aquele que jamais se engana, o Infalível, o Clarividente!

Nem é necessário que a Deus conheçam para que sejam conhecidos por ele, pois maior é Deus e mais ampla sua graça! Ampla a ponto de ultrapassar as fronteiras de nossa santa mãe a Igreja e de precipitar-se sobre todos os mortais qual fosse um novo dilúvio, um dilúvio de amor e bondade!

Assim se não estão na posse da fé, da verdade e do conhecimento teórico foram incorporados previamente pela graça divina cujas riquezas são infinitas, amplas e profundas, a ponto de mortal algum ser capaz de aquilata-las! Mesmo que não exerçam externamente, como nós, a virtude da religião ou que não vivam discursando teoricamente sobre Deus não deixam de ser servos deste Deus munificente e pleno de misericórdia.


De fato CRER SOMENTE - al Murjya - não serve para nada, segundo a palavra do próprio Redentor: "NÃO É QUEM DIZ SENHOR, SENHOR QUE ENTRARÁ NO REINO DOS CÉUS, MAS QUEM PÕE EM PRÁTICA A VONTADE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS." Mt 7,21

Aquele que afirma crer e não vive conforme a crença que professa lançou fundamentos na areia e seu fundamento será arruinado. Mt 7,27

Concluímos que: "A FÉ SEM OBRAS É MORTA EM SÍ MESMA, TAL E QUAL UM CORPO SEM ALMA." Tg 2,26 e que a ninguém beneficia.

É fé de corpo sem alma, fé cadavérica e de cadáver posto para a corrupção...

Posto que até mesmo os demônios creem e tremem. Tg 2,19. Sem que por isso sejam reconciliados.

Acaso o Beatíssimo Paulo não escreveu: "TRÊS SÃO AS VIRTUDES, PORÉM A MAIOR É A CARIDADE."??? I Cor 13,13 Assim nossa fé é vivificada pela Caridade e sustentada pela Esperança e sem elas, separada ou isolada, não se mantém.

Tal a "Que opera pela caridade."

E porfia frutificar em boas obras. Para que ao contrário da árvore má, que não produz fruto algum, não seja lançada a fornalha ardente.

Mesmo porque o Cristão não recebeu o talento da graça divina para mante-lo enterrado no chão, sem rendimento algum, estéril.  Mas para faze-lo render e multiplica-lo através da boa vontade. Convertendo tais talentos em boas obras ou em atos de virtude. Do contrário o talento lhe será retirado e dado ao que fez a quantia render mais...

Jesus é de fato um Salvador, mas apenas daqueles que o honram e obedecem pois estes são salvos da maldade e dos pecados. Não é nossos Jesus, Salvado de rebeldes, sediciosos, desobedientes e obstinados que permanecem em seus pecados e pecam sucessivamente, pois - TODO AQUELE QUE PECA PERTENCE AO MALIGNO. Manifestou-se o Senhor, como declara S Mateus, para salvar os homens DE seus pecados, tornando-os santos e impecáveis, e não para salva-los EM seus pecados, crimes e maldades. ASSIM MANIFESTOU-SE ELE PARA DESTRUIR AS OBRAS DO MALIGNO não para compactuar com elas.

A redenção Cristã só pode ser concebida em termos éticos enquanto remoção do pecado e extinção do mal pela correção da vontade. 


Pois a fé sincera, o amor filial e o temor reverente exprimem-se necessariamente pela obediência, daí o apóstolo: Quem ama observe seus mandamentos.

Portanto ter fé não basta, não é suficiente...

Portanto ter fé somente e apenas fé não nos fará agradar a Deus.

Portanto crer somente não te salvará nem te beneficiara, oh homem Cristão!!!

E não pela profissão de fé apenas que ganhamos o Cristo e atingimos sua unidade mas pela prática.

É necessário aceitar o Mestre Jesus com o coração ou o fundo da alma, com a integralidade do ser para que sejamos salvos com toda nossa casa. É necessário aceita-lo totalmente e não apenas parcialmente i é, como Salvador. É necessário da mesma forma, ter Jesus Cristo por MESTRE que revela a verdade e acima de tudo como LEGISLADOR que disciplina o comportamento e a vontade.

Mas minha fé é exata, pura, imaculada, Ortodoxa...

Continua sendo apenas uma fé e mera se não há obras, se não há vida, se não há prática. Aqui a fé Católica e Santa não se distingue da Luterana ou da Calvinista, exceto se há vivência!

Aqui qualquer distinção entre heresia e ortodoxia não faz a mínima diferença se faltam as obras. Alias tanto pior para o Ortodoxo de fancaria uma vez que a necessidade das obras é apresentada como dogma de fé pela igreja Ortodoxa. SOMOS SINERGISTAS já dizia São Clemente de Alexandria no século II. Logo, se ele sabe o que deve fazer e não faz, sua condição pior do que a dos heréticos!

Daí a necessidade, categórica ou imperativa de completarmos nossa ORTODOXIA pela ORTOPRAXIA. É isto completar na carne o que falta a paixão do Senhor. Sendo extensão sua e receptáculo seu pela imitação.

Ortodoxia é coisa a ser vivida e não somente professada com a boca.

Assim se sabes o Credo, se sabes a fé, se conheces a doutrina; saiba também e acima de tudo, viver e regular a vida pelo Santo Evangelho.

Imagina teu destino espiritual sob a forma de um barco. Para que qualquer barco possa mover-se são necessários sempre dois remos: O remo da doutrina ou da fé, o remo da caridade ou da virtude, o remo da graça e o remo da boa vontade. Caso falte um destes remos não poderá teu barco sair do lugar.

Do mesmo modo como nosso Deus é Deus Encarnado no mundo material nossa fé deve ser fé encarnada nas obras e presente neste mundo material. Deve fazer a diferença e transforma-lo e algo melhor.

É esta fé viva apenas que aproxima o homem do Senhor Cristo e torna-os amigos um do outro.

Pela caridade torna-se o homem amigo do Deus Todo poderoso.

Pelo amor passa a viver em Deus e Deus nele, adquirindo a vida eterna!

O Símbolo cantado em grego na sínaxe:
http://www.youtube.com/watch?v=jbOJNHrhPbE


SABER NO QUE CRER!!!



Como no entanto saber em que crer?

Como ter acesso a plenitude da verdade?

Como conhecer o conteúdo da fé?


Como estar em posse da exatidão doutrinal?

Como ser um dos bem orientados?


Primeiramente depositando nossa fé sobre aquele que sendo Deus verdadeiro tornou-se verdadeiro homem, tal a pedra angular de nossa doutrina.

SÓ UM DESCEU DOS CÉUS, O FILHO DO HOMEM QUE ESTA NOS CÉUS!!!

O quanto ouviu de seu Pai isto ele no-lo revelou.

Assim a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. 


É por Deus mesmo, sem intermediários ou atravessadores, que devemos ser informados a respeito de Deus. Claro que 'a posteriori' podem existir atravessadores ou representantes de Deus, o princípio ou a iniciativa no entanto deve partir de Deus.

Os judeus tem Moisés o qual não passava de um homem, e assim de um intermediário falível. Os maometanos tem Maomé outro homem não menos falível. Era Moisés servo da casa, Jesus posto acima da casa, arquiteto da casa e Deus. Heb 3,3sg É Deus que fala sobre Deus através de sua humanidade.


Por ele - Moisés - foi dada a Lei, o Decálogo. Não a graça e tampouco a verdade...

Nós Católicos e atanasianos ou nicenos temos a Jesus Cristo o qual além de homem verdadeiro é Deus Perfeito e nosso Criador.

Portanto não recebemos nossa doutrina de um mero homem, de um simples mortal, de uma criatura ordinária, mas de Deus mesmo, o qual auto comunicou-se a nós pelo Mistério da Encarnação.

No entanto, sabendo que este mesmo Jesus regressou corporalmente ao mundo espiritual donde veio - Tomando assento a mão direita do Pai e tornando a ser envolvido pela glória de que havia abdicado - como haveremos de ter acesso a ele?

Lendo seu Evangelho, o Evangelho escrito?

De fato coisa excelente é ler os Santos Evangelhos. Que pensar no entanto a respeito daqueles que desde sua manifestação até estes nossos dias não haviam aprendido a ler ou que não tinham dinheiro para comprar um manuscrito? Que pensar sobre as culturas pré letradas? Deveríamos adotar o gradualismo/etapismo dos marxistas ortodoxos e antes de evangelizar as nações alfabetiza-las??? De fato os sectários protestantes chegaram a conceber semelhante monstruosidade... Não a Igreja antiga.

Dificultaria Jesus de tal modo a salvação deles? Acaso o Evangelho não foi feito para todos???

Certamente. Pois a vontade de Deus É que todos os homens sejam salvos pelo conhecimento da verdade plena.

Neste caso que veículo adotou ou adotaria com o objetivo de facilitar o conhecimento da boa doutrina?

É coisa que por sinal podemos achar - lendo ou ouvindo - no próprio Evangelho.

QUEM RECEBE UM LEGATÁRIO DE DEUS É COMO SE A DEUS TIVESSE RECEBIDO e noutro passo Quem vos escuta a mim escuta, quem vos despreza a mim despreza!

E ainda: Não fostes vós que me elegestes eu vos elegi. 

E por fim: IDE E ENSINAI OS POVOS A CREREM EM TUDO QUANTO EU VOS ENSINEI!!!

Percebeis como optou não por um livro ou por qualquer leitura mas por um elemento vivo, no caso a pregação ou o anúncio oral? Enfim por seres humanos aos quais comissionou e aos quais concedeu autoridade?

Daí ser a igreja cognominada antes de tudo APOSTÓLICA, não bíblica ou literária, ou livresca, mas apostólica.

Segundo lemos no santo Evangelho achegamo-nos do Verbo Encarnado Jesus Cristo aproximando-nos dos apóstolos, ou seja, dos vigários, dos emissários, dos arautos, dos comendadores que ele mesmo escolheu, instruiu, santificou, abençoou e enviou em seu nome. NADA MAIS CRISTÃO, NADA MAIS EVANGÉLICO!!!
Estarás tu certo disto?

Tão certo quando cônscio de que o primeiro Evangelho, o de S Marcos, só veio a ser escrito por volta do ano 45 desta Era, i é, mais de uma década após a fundação da Igreja, a qual passou dez anos sem que houvesse Evangelho ou Novo Testamento escrito. Agora se a existência de um Novo testamento escrito é absolutamente necessária, como dizem os protestantes, e se tudo é Bíblia e apenas Bíblia, como pode ter existido igreja por dez anos sem que houvesse Evangelho Escrito ou Igreja antes do Novo Testamento?

Aqui, meu querido Ortodoxo, nosso amigo protestante cai no ridículo, por observar que já havia antigo testamento escrito... Grande! Grande! Afinal desde quando o antigo testamento é manual ou livro de Doutrina Cristã que dispensa a Revelação e a Manifestação de Jesus Cristo??? Desde quando contém ele todos os elementos da Revelação Cristã??? Desde quando contém todos os nossos Dogmas como a Trindade Excelsa ou a Comunicação de bens??? Onde topamos com a Eucaristia ou o Batismo no antigo testamento??? Onde damos com o Pai Nosso no antigo testamento??? Onde encontramos o Sermão do Monte ou ao menos as Bem aventuranças em suas páginas???

Dirá 'meu' pastor que tudo isto é acessório ou supérfluo... Neste caso não estamos de acordo sobre o que seja Cristianismo...

Claro que a Instituição Cristã em termos de algo Escrito demanda por uma Escritura Cristã, ou pelo Evangelho, pelas palavras de Cristo! E que por dez anos, a falta delas, houve um anúncio oral deste Evangelho, o qual era suficiente, como ainda o é. Mesmo que Diocleciano tivesse logrado queimar e destruir todos os exemplares do Novo Testamento a Igreja ou o Cristianismo não deixariam de existir. Seria um duro golpe, uma desgraça, mas a igreja sobreviveria pela sucessão apostólica e pela pregação. Porque a instituição divina foi firmada sobre ela...
Ide e ensinai as nações...


Eis o caminho - Eis o caminho fixado. O padrão apostólico!

Mas eu não aceito o padrão apostólico, não admito intermediários entre mim e Jesus, quero aproximar-me de Jesus sozinho, quero tomar outro caminho... prefiro examinar as escrituras e extrair 'meus' dogmas ou o que creio ser a verdade.

Caso você esteja mesmo disposto a discutir, a debater ou a altercar com Jesus Cristo não sou eu quem irá impedi-lo. Caso deseje resistir e obstinar-se face a autoridade do Mestre não sou eu quem irá proibi-lo.
Julgo porém que aqueles que teem este Jesus em conta de divino devam conformar-se com o que ele determinou, ensinou, decretou, escolheu; tomando o caminho indicado por ele. Afinal não podemos honorifica-lo discordando dele ou supondo que estivesse equivocado. É nosso dever supor que Jesus sempre procedeu da melhor maneira possível e que tomou decisões absolutamente perfeitas, as quais nos devemos submeter com toda reverência.


É como se nosso Pai ou nossa Mãe recomendassem que tomássemos uma tal direção e tomássemos a oposta. Estaríamos neste caso exercendo a obediência? Claro que não... Assim obedecemos e honramos a Jesus quando nos conformamos de fato com os instrumentais ou veículos que ele escolheu com o objetivo de comunicar a sua santa doutrina e este veiculo,. no caso, é a pregação apostólica ou o anúncio oral (Não escrito) feio pelos apóstolos em seu nome.

Penso que não seríamos corteses ou educados ao repudiar aqueles que ele enviou e demandar por um registro escrito subordinado a nossa apreciação individual e subjetiva. Creio que nada disto é muito reverente... Temos de ser honestos, conformar-se com a simplicidade do Evangelho implica excluir o Biblismo ou o livre exame... Pois durante dez longos anos não houve mensagem Cristã escrita e o Novo Testamento só se completou meio século depois, cerca do ano 85 d C, quando foram feitos os esboços do quarto Evangelho. Por mais de sessenta anos não houve uma Bíblia Cristã completa e tampouco um Cânon Cristão de registros inspirados, imperando relativa confusão.


Acontece, dirás tu, que os apóstolos, sendo mortais, também foram recolhidos e já não se acham mais entre nós!

Todavia, orientados pelo Supremo Ajudador, os apóstolos não deixaram de escolher sucessores para si mesmos e determinaram que fossem reconhecidos como Bispos por cada congregação, após terem sido cuidadosamente instruídos.

Eis porque Simeão, Lúcio e Manaém após terem jejuado e rezado impuseram as mãos sobre Paulo e Barnabé antes de envia-los. É possível que algum insensato questione sobre o porque de Paulo não ter sido ordenado por um grande apóstolo como João ou Tiago ou ainda Pedro. Acaso ele não havia sido enviado a Ananias para ser curado, ao invés de ter sido enviado a um super apóstolo?

Alias o próprio Paulo refere a respeito de Timóteo:

"Não descuides do dom e da graça que em ti existem e que te foram concedidos... pela imposição das mãos do presbítero." I Tm 4,14 


Tais os presbíteros, apresentados por Paulo como guardiães suscitados pelo Espírito Santo. Atos 20,17 e 28.

A seu tempo cada Bispo ao morrer teve outro homem sábio e perito na tradição posto em seu lugar, sucessivamente, até os dias de hoje... Geração após geração perpetuou-se o mistério da fé e foi mantida a santa doutrina, como que por elos de uma mesma cadeia. Que nos leva e conduz até Jesus Cristo Encarnado, Sacramento de nossa reconciliação.

"O que de mim ouvistes diante das testemunhas comunica-o a homens fiéis e idôneos de modo que possam instruir a outros." II Tm 2,2

Fixem o pensamento nisto - Paulo não determinou a seus colaboradores que distribuíssem Bíblias ou folhetos para que fossem lidos, examinados ou interpretados pelos fiéis; mas que fossem constituídos HOMENS idôneos e empossados com o intuito de instruir a todos conforme a pregação oral (o que tinham ouvido) ou a tradição. TAL O MÉTODO FIXADO PELO DIVINO MESTRE!
Afinal o ofício de ensinar as nações e batizar as criaturas não devia prolongar-se por séculos a fio???

Assim o ofício dos mestres e batizadores, ou seja, dos apóstolos; os quais deveriam, necessariamente, constituir sucessores para si, lançando fundamentos ao episcopado.

Destarte é Cristo mesmo que fala por intermédio dos legítimos sucessores dos apóstolos e que continua ensinando as nações e povos da terra, como se aqui estivesse, visivelmente até a consumação dos séculos e sem interrupção. É Cristo mesmo que continua vivo no corpo da Igreja que fundou e que se prolonga através dela, a ponto de apresenta-la como esposa imaculada e sem ruga! Esteio e coluna da verdade. dirá S Paulo a respeito dela.

Dos Bispos aos apóstolos, dos apóstolos ao Cristo e do Cristo ao Pai. Porque os Bispos são sucessores dos apóstolos, os apóstolos legatários do Cristo e o Cristo manifestação do Pai neste mundo. É o que diz Clemente romano.

Quando todos os Bispos Ortodoxos estão de acordo (idjima) a respeito de determinado ponto de doutrina - Como a presença real do Senhor no Sacramento, a Virgindade perpétua de Maria ou a comunhão dos Santos - devemos receber este ponto de doutrina como se procedesse dos lábios do próprio Mestre e aprecia-lo com ternura filial. Quanto ao mais, tome-se a regra de Agostinho: Unidade quanto ao que é essencial, liberdade quanto ao que não é essencial e caridade em todas as coisas. 

Para tornar ainda mais claro este acordo e salientar esta unidade face ao mundo os Santos Bispos, Mestres e doutores, desde o segundo século desta Era, congregaram-se em sínodos regionais e depois em concílios gerais ou ecumênicos onde elaboraram listas ou elencos (AMANAs) contendo parte das doutrinas uniformemente recebidas por todos em todos os lugares (Cf S Vicente de Lerins 'Commonitorium'). Essas listas constituem um dos 'lugares comuns' ou testemunhos a respeito da fé Ortodoxa e Católica que todos os Cristãos devem professar, como penhor daquela unidade solicitada e conquistada pelo Redentor - Que eles sejam um, como eu e tu, oh Pai, somos um... Conserva-os na unidade e torna-os perfeitos nela. Nem poderia o Reino de Cristo ser um Reino dividido em inúmeros reinos e perecível.

Assim as teologumenas ou conclusões teológicas a respeito da fé, por mais antigas e veneráveis que sejam não pertencem ao depósito imutável da fé.

Grande parte dos Ortodoxos aceita a doutrina da assunção da Virgem aos céus ou da dormição. Nem por isso constitui a assunção elemento da fé. Havendo quem ainda hoje a opine com Usuardo que o corpo da Mãe de Deus se ache incorrupto, mas sepultado (Ortodoxo algum admite que o Corpo da Mãe de Deus se tenha corrompido ou convertido em pasto de vermes) e esta opinião é autorizada, e Cristão algum pode ser molestado por professa-la. Assim o uso de ázimos pelos latinos é um costume deles, o qual devemos nós respeitar, tomando por norma e regra a sentença de Ambrósio: Cada um se subordine aos costumes peculiares a igreja em que se encontre. Um costume legítimo também deve remeter a antiguidade, do contrário será tido em conta de novidade profana, como o corte da barba pelos latinos i é pelos clérigos e monges. Mas ainda aqui, com caridade, devemos levar em conta a força da cultura.

Importa saber ainda que - Ao contrário do que dizem os protestantes e os neo católicos - os Concílios Ecumênicos, de modo geral, não produzem ou criam qualquer doutrina. Já o dissemos e agora como bom professor, repeti-mo-lo.

Antes limitam-se a reconhecer solene e publicamente aquilo que sempre foi crido por todos em todos os lugares. É profissão externa e pública de fé, não uma invenção ou alteração. Por isso a Igreja bem pode passar sem Concílios - e sem patriarcas. São úteis, mas não necessários.

O primeiro concílio ecumênico congregou 318 Bispos no ano 325 desta Era e explicitou formalmente - Face as exigências do Império Bizantino - a doutrina da Divindade de Cristo, contestada pelos judaizantes, canonizando o termo Consubstancial ou da mesma substância com o intuído de expressar da melhor maneira possível o estado de igualdade existente entre as pessoas da Trindade Santíssima.

Em 381 cerca de 150 Bispos, congregados em Constantinopla, explicitaram formalmente a fé da Igreja na divindade do Espírito Santo, infirmada pelo patriarca Macedônio.

Cerca de cinquenta anos depois Cirilo congregou cerca de 250 bispos na grande Metrópole de Éfeso, contra alguns inovadores que repudiavam a comunicação de bens entre as categorias. Ele fez prevalecer a doutrina antiga; mas recorrendo a artimanhas e sacrificando a caridade. Seja como for a Ortodoxia não pode negar comunhão de bens como parte essencial da divina Revelação.

Vinte anos depois, sob Marciano César; Anatolio, Juliano e Sabino lideraram o grande Concílio de Calcedônia, cujo objetivo foi condenar publicamente as blasfêmias do monge louco Eutiques (E por extensão do petulante Juliano de Halicarnasso, chefe dos aftardocetas). Este sínodo congregou cerca de 630 doutores os quais confessaram a perfeita humanidade do Senhor Jesus Cristo e a distinção entre as categorias.

Em 681, 174 Bispos presididos por Girgis congregaram-se em Constantinopla para afirmar solenemente, contra os monotelitas, a doutrina das duas vontades de Cristo.

Por fim em 787 Tarasios, o grande, congregou 350 doutores e Mestres uma segunda vez em Niceia que é a Edirna dos turcos. Este Concílio geral explicitou formalmente a fé da Igreja Cristã nos Iquna ou Icones, que são as representações do Senhor Jesus Cristo, de sua mãe e dos apóstolos e que patenteiam a doutrina da Encarnação do Verbo. Esta decisão foi tão importante para a Cristandade antiga que sua data passou a ser comemorada como a festa da Ortodoxia. Todavia os Cristãos já empregavam representações, mosaicos e pinturas nas Catacumbas desde o século I e com toda naturalidade.

Sobre o valor ou merecimento de cada um deles, os participantes poderiam ter empregado as palavras dos próprios apóstolos: "A NÓS NO ESPIRITO SANTO APROUVE DECRETAR." 

De nossa parte empregados as do teóforo Ambrósio: Nem o exílio nem a espada poderão apartar-me do Concílio niceno.
E de nenhum dos supracitados concílios.





Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, Augusta, Excelsa e Santíssima Trindade!