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A consciência histórica do Cristianismo

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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Fundamentos do Cristianismo - a quem foram entregues as profecias?





Exposto o problema resta-nos perguntar: Neste caso o que é a Bíblia?

Digamos que a Bíblia é uma coletânea de livros dividida basicamente em duas partes: O Velho ou antigo testamento, o qual pertence propriamente a sinagoga ou ao povo judeu e o Novo Testamento que é a parte concernente ao povo de Jesus Cristo e, consequentemente o livro dos Cristãos no qual topamos com a doutrina Cristã.

Mas a que vem ao caso semelhante coletânea, qual seu vínculo, que tem ela de comum???

Deus?

Neste caso por que ainda não canonizamos o Corão?

Milagres?

Mas qual o proposito dos milagres?

A Revelação divina?

Mas qual o foco da Revelação divina?

Cristãos devemos responder sem hesitar que o elemento comum, responsável por dar sentido aos diversos registros e unificar a narrativa é Jesus Cristo Nosso Senhor.

Eis o alfa e o omega das escrituras, seu fundamento mais remoto e sua consumação.

Perceba no entanto que enquanto alguns desses registros são posteriores a Encarnação do Verbo, reportando-se a este mistério como evento de natureza histórica, outros são anteriores a ela, reportando-se ao mistério de modo profético ou como algo concernente ao futuro.

O que nos leva a concluir que o valor de ambas as partes deste livro - Antigo e Novo testamentos - é bastante desigual.

Mas por que desigual?

Por que no primeiro caso temos registrados os ensinamentos comunicados pelo Verbo Encarnado Jesus Cristo e portanto verdadeira revelação divina e afirmação da Verdade, já no caso do antigo testamento não temos acesso a doutrina comunicada pelo Senhor Jesus Cristo pelo simples fato de que ainda não se havia manifestado.

A menos que tenhamos Jesus em conta de mero repetidor!

E no entanto este Jesus é acusado de apostasia pelo Sinédrio da casa de Israel e martirizado?

Por ter se limitado a repetir as doutrinas e opiniões que os rabinos atribuíam a Moisés ou por limitar-se a recitar a Torá como qualquer rabino embiocado de seu tempo???

De modo que não nos trouxe ele, Jesus Cristo, nada de novo ou de diferente???

Por mais que nos pareça incrível amado leitor, há quem considere assim! Em que pese a advertência: Tudo quanto ouviu estando no seio do Pai, isto ele revelou!

E há no Cristianismo quem cuide que outro ou outros já haviam ouvido tudo...

Mas como poderiam ter ouvido tudo se não estavam no seio do Pai?

Afinal quantos filhos naturais tem Deus??? Uma carrada??? A ponto de não sabermos se é já uma septidade ou nonidade???

Preserve-nos a razão de tantos e tão assombrosos desvarios: Um é o Filho encarnado Jesus Cristo e uma apenas e única, a plena comunicação de sua vontade!

Nem chocou Jesus aos judeus por ter se limitado a repetir trivialidades e tudo quanto estavam habituados a ouvir mas por ter ousado apontar as limitações da lei deles, e ter se atrevido a apresentar-se como Deus feito carne - coisa que não podiam eles admitir - e sobretudo por ter anunciado a doutrina da tri personalidade divina, a qual tiveram em conta de politeísta e pagã.

Foi por isto que Jesus Cristo foi cravado e suspenso no madeiro da Cruz, por ter ousado se opôr a Lei de seus compatriotas e substituído o padrão do ódio pelo padrão do amor, o padrão da vingança e do rancos pelo padrão do amor, o padrão da violência pelo padrão da paz...

Quem não vê aqui que o lado da moeda é outro???

Pois ali temos um deus pintando pelo homem ou uma concepção humana a respeito do sagrado; e aqui apenas, no Evangelho, a auto manifestação e comunicação do Deus eterno e imutável, Senhor da Verdade!

E no Novo Testamento, temos registrada esta verdade!

Segue-se daí que todas as partes deste excelso registro sejam absolutamente iguais?

Tampouco.

Pois damos ali com duas penas: A pena Evangélica e a pena Apostólica.

A respeito da primeira parte apenas, por conter os quatro Evangelhos, podemos dizer que contem verdadeiras palavras de Deus comunicadas e codificadas com máximo grau de exatidão.

A respeito do Evangelho podemos dizer que corresponde, sem sombra de dúvida, a autêntica, pura e imaculada palavra do Deus encarnado Jesus Cristo e manifestação da verdade eterna, infalível e incorruptível.

Por Moisés veio a lei, POR JESUS CRISTO A GRAÇA E A VERDADE decreta o evangelista S João. Equivocam-se gravemente portanto tantos quantos buscam por graça e verdade onde não há, ou seja, em Moisés e nos registros dos judeus.

Quanto ao restante do Novo Testamento é necessário crer que quando os apóstolos ensinam algo que tenham ouvido de Jesus Cristo, repetindo suas instruções, proferem verdadeiras palavras de Deus, sagradas e incorruptíveis. 

O próprio Jesus Cristo é quem o diz: Quem vos escuta a mim mesmo escuta e quem vos despreza é a mim mesmo que despreza.

A distinção faz-se absolutamente necessária porquanto os apóstolos eram judeus e como tais tributários da cultura judaica.

É portanto natural e até plausível que tenham regulado diversas questões por suas tradições e costumes, os quais certamente não constituem palavras de Deus.

Mormente quando o assunto ou problema em questão não havia sido levantado e solvido pelo próprio Jesus.

Assim diante de determinada questão, a honestidade obrigará Paulo a declarar que a decisão era sua, 'Não do Senhor'. Dá mesma maneira é ele que julga a questão das carnes sacrificadas e não o Senhor...

Queremos dizer com isto que o Novo Testamento não foi nem podia ter sido completamente impermeável a cultura em que veio a luz, incorporando parte dela em seus registros.

Paulo mesmo apresenta-se como fariseu filho de fariseus e pupilo de Gamaliel, além de recorrer não poucas vezes a soluções que sabemos serem rabínicas e não evangélicas. Assim quando a solução para determinado problema não era fornecida pelo Evangelho não podia deixar de recorrer a tais instâncias, reportando-se a tradição dos fariseus ou aos ensinamentos de seu venerando Mestre, os quais no entanto são de origem puramente humana e não de origem divina. Afinal nem Hilel, nem Shamai, nem Gamaliel eram Jesus.

Logo o que temos de mais sólido e seguro em termos de Cristianismo - E isto deveria ser evidente até! - continuam sendo as palavras de Jesus consignadas nos quatro Evangelhos ou as tradições 'Cristãs' que os apóstolos vinculavam expressamente a sua pessoa, falando 'in persona Christi'.

Tal nosso livro, formado pelas penas evangélica e apostólica, hierarquicamente compreendidas.

Já no que diz respeito a primeira parte das Escrituras canônicas, o Antigo testamento, o máximo que podemos dizer é que contem verdadeiras 'palavras de Deus' embora exaradas por elemento puramente humano. Na medida em que não procedem do Verbo encarnado Jesus Cristo, mas de comunicações proféticas recebidas por elemento puramente humano com sua personalidade sempre precária e jamais normal em termos de perfeição.

Nem podia Deus recorrer a veículos de mediação humana que fossem absolutamente perfeitos, pelo simples fato de inexistirem. Ficando a comunicação sempre limitada, senão comprometida.

Seja como for estas palavras que precedem e anunciam a Encarnação do Verbo são cognominadas vaticínios ou profecias.

Não poucas vezes os protestantes fundamentalistas nos tem questionado a respeito do critério que empregamos com o objetivo de saber o que é e o que não é divino no antigo Testamento, dando por suposto que estejamos privados de qualquer critério objetivo e que na ausência de semelhante critério é melhor recebe-lo como divino em sua totalidade ou engolir tudo... inclusive o sanduíche de merda e o pênis dos egípcios, dentre muitas outras coisas!

Tal no entanto não se dá uma vez que nosso critério é o centro e fundamento da divina Revelação Cristã: Jesus Cristo, não podendo haver critério mais seguro.

Nosso critério para julgar todas as coisas, inclusive o antigo testamento, aquilatando seu devido valor é o Cristo; o Cristo, sua encarnação, sua pessoa, sua missão.

Certamente é divino tudo quanto no Testamento antigo diz respeito a Jesus Cristo, seu advento, sua pessoa e missão. São divinas as profecias, os oráculos e os vaticínios que indicavam aos antigos Judeus o futuro médico, pedagogo e pastor do gênero humano.

Sabemos então que o Antigo Testamento é essencialmente profético e que a  profecia é seu fundamento crístico e sobrenatural.

É pois sagrado ali tudo quanto concerne ao Senhor Jesus Cristo e puramente humano tudo quanto não diga respeito a ele ou a seus mistérios.

Distinguir as palavras do Verbo Jesus de todos os outros discursos presentes no livro sagrado reconhecer-lhes a singularidade e a excelência é prestar tributo de adoração racional a sua pessoa.

O próprio temor reverente abriga-nos a fazer semelhante distinção, alias antevista pelo hagiógrafo: No passado falou Deus de diversas maneiras aos antepassados MAS NA PLENITUDE DOS TEMPOS MANIFESTOU-SE NA PESSOA DO SEU FILHO.

Nem podemos deixar de inferir que a manifestação seja tanto mais nobre quanto a pessoa manifestada.

Seja qual for a autoridade conferida ao Testamento antigo nos tempos passados, o mesmo autor ( de Hebreus) é categórico: Não podem vigorar dois testamentos, é necessário que um seja revogado. Eis porque chama ao velho se sombra ou símbolo e ao Novo de Luz e realidade.

Refleti e considerai agora: Quem vivendo na plenitude e brilho da luz volta seus olhos para as sombras ou que tendo diante de si a realidade opta pela imagem refletida no espelho?

Podemos comparar enfim o testamento antigo e suas profecias a uma placa de sinalização cuja função é orientar-nos e conduzir-nos a um determinado local, no caso o Evangelho. No instante mesmo em que atingimos nossa meta chegando ao lugar indicado mapas, roteiros e placas tornam-se totalmente inúteis.

Assim as profecias e vaticínios não foram comunicados para aqueles que já atingiram o Mestre Jesus Cristo e nele estão, mas aqueles que ainda não chegaram e que buscam por ele...

No momento mesmo em que o homem abraça a lei de Jesus Cristo e se torna Cristão a profecia cede lugar a visão e a posse, tornando-se desnecessária. Pois Cristo já não é promessa a nos ser dada num tempo futuro qualquer mas realidade.

Assim os que vivem após a manifestação do Verbo na carne não se nutrem mais de leite ou de símbolos, sombras e figuras; mas das palavras desse Verbo consignadas no Evangelho, enfim da Verdade divina, de alimento sólido e salutífero.

Estando situados os Cristãos após o evento da encarnação e não antes dele, estão postos para o Cristo legislador, para o Cristo Mestre, para o Cristo que nasceu, morreu e ressuscitou e não para o Cristo profético dos antigos hebreus... Nosso Cristo foi profetizado em verdade mas não é profético. Tendo já assumido nossa mísera condição nosso Cristo é um Cristo histórico, inserido no tempo e no espaço. É Cristo tangível, concreto e presente - na vida sacramental da igreja, na eucaristia, no Evangelho, nas representações plásticas, etc

Caso fixem suas mentes e concentrem suas atenções no Testamento Antigo - Inclusive em suas partes não proféticas - dissipam os Cristãos seu tempo com coisas inúteis cessando de avançar em Jesus Cristo, no conhecimento das coisas divinas e dos santos mistérios. Podeis conceber castigo pior???

Fundamentos do Cristianismo - A quem foram entregues as profecias?




Do que lemos no capítulo interior infere-se que ideia alguma causou mais dano ao Cristianismo do que a teoria de uma Bíblia uniforme ou de um Corão 'cristão' contido entre Gênesis e Apocalipse... registro absolutamente inerrante, inquestionável e o que é pior de igual autoridade em cada uma de suas partes.

Tal elaboração histórica foi o germe de todos os sofrimentos e dissabores porque a Igreja de Cristo haveria de passar até o tempo presente.

Pelo simples fato de ter repudiado a doutrina Ortodoxa da especificidade, superioridade e suficiência doutrinal do Novo Testamento e possibilitado que o Evangelho por assim dizer fosse absorvido pela 'Bíblia' a ponto de DILUIR-SE no Antigo Testamento e tornar-se algo comum...

Na medida em que o Evangelho passou a ser encarado como 'parte' e parte igual e não como elemento soberano ou coordenador, destinado a julgar e dirimir todas as controvérsias, escancaram-se as portas da igreja para o elemento farisaico ou rabínico ou para uma reação 'contra revolucionária' destinada a descristianizar o Cristianismo tendo em vista a eliminação do quanto havia de específico nele, apresentando tal conteúdo como pagão...

Afinal prevaleceu a ideia judaizante segundo a qual os elementos mais 'jovens' ou recentes, como o Evangelho e o novo testamento é que deveriam conformar-se com o elemento mais antigo; logo de concordar com a Torá... DESTARTE ERA O EVANGELHO QUE DEVIA ADAPTAR-SE A LEI MOSAICA!!! Compreensão que ora prevalece entre as Testemunhas de Jeová, Adventistas e Pentecostais de vária lavra, embora já se encontre embutida no calvinismo!

Quem não percebe que admitido este princípio fica o Cristianismo condenado a morte e o próprio Evangelho aniquilado???

Pois trata-se justamente de colocar o VINHO NOVO nos ODRES VELHOS...

No entanto o protestantismo assumiu e canonizou esta opinião. Aventou-a em princípio ou dogma basilar seu e assim arrematar o 'deus' de papel foi apenas como subir um degrau a mais...

A ideia popular duma Bíblia que seja toda ela 'de capa a capa' palavra de Deus com o mesmo valor e autoridade foi (e é) é ideia essencialmente maligna pelo simples fato de que, pondo as palavras dos sacerdotes judeus - Com suas lendas, mitos e fábulas -  em pé de igualdade com as palavras do Verbo Encarnado Jesus Cristo, forneceu aos maus Cristãos expediente eficaz com que podiam doravante obscurecer ou desvirtuar o sentido das palavras de Jesus, alterando-lhe os ensinamentos.

Aqui Jesus tornou-se como que apenas mais um... Era de fato convencionalmente tratado como divino. Suas palavras no entanto eram encaradas como as de simples profeta, misturadas com as de um sem número de criaturas. Pois os protestantes nem mantiveram o piedoso costume de separar as palavras do divino Mestre em EVANGELIÁRIOS, a exemplo da mãe igreja, de honorifica-las com um ritual simbólico ou mesmo de recita-las como algo diferenciado em seus cultos.

Os protestantes perderam quase que por completo o sentido Cristão de Evangelho tão caro aos primeiros Cristãos, aos antigos padres e mesmo a espiritualidade franciscana, já em termos de Idade Média e substituíra o conceito Evangelho pelo conceito Bíblia. Desde então o Evangelho perdeu sua peculiaridade e significância, desaparecendo dentro do enorme calhamaço deificado pela reforma... E isto é imensamente trágico!


Pois desde então a divina Revelação - ou seja o dogma Cristã - foi ficando mais e mais permeável aos mitos, lendas e fábulas do judaísmo antigo, as quais como que hipostasiaram-se a seus mistérios, convertendo-se em outros tantos artigos de fé alienígenas ou espúrios. E dia raiou em que já não se podia distinguir uma coisa da outra... Neste dia infeliz perdeu-se por assim dizer a especificidade do Credo Cristão tornando-se o Cristianismo a diluir-se no judaísmo e isto a ponto de tornar a ser passar a ser encarado como uma mísera seita judaica, tal a perspectiva dos unitários, sabatistas e sobretudo dos pentecostais, ora convertidos em paladinos do sionismo!!!

Percebam como em diversos setores do protestantismo o Criacionismo, chegou a substituir a divindade de Cristo e a Santíssima Trindade como dogma basilar. O foco deles não é de modo algum o ENCARNACIONISMO e tampouco o TRINITARISMO - Dos quais por sinal desconfiam enquanto elementos próprios do Catolicismo - mas Criacionismo, não Cristianismo, mas judaismo! Não Evangelho, mas Torá ou Moisés.

Ora todas estas doutrinas - Mais o iconoclasmo, o anti sacramentalismo, etc - são sintomas de judaização e portanto de perda de consciência por parte dos Cristãos nominais.

Caso eu acreditasse na existência pessoal do Diabo, acreditaria piamente que foi ele quem concebeu e trabalhou ativamente pela canonização da doutrina da Bíblia uniforme e da inspiração plenária e linear. Não é o caso. Foi no entanto uma opção desastrosa feita pelos reformadores a partir de Calvino.

Pois foi através dela que a economia Cristã como um todo reverteu mais uma vez ao judaísmo por obra e graça das seitas fundamentalistas, cujo padrão é o dispensacionalismo.

Coisa incrível é que atilado Calvino não tenha percebido as implicações contidas em tal doutrina.

Afinal se as palavras de Cristo absolutamente iguais a de todos os outros homens, sejam eles videntes ou profetas, como sua pessoa pode ser superior a deles???

E se a pessoa é superior ou divina como as palavras dela podem deixar de ser ao menos em certo aspecto superiores as de todos os demais emissários?

Como podem deixar, ao menos, de serem mais precisas, exatas, claras e objetivas?

E portanto de servirem como padrão ou critério decisivo em matéria de doutrina?

Nem nos devemos admirar de que a medida em que o tempo ia passando, uma parcela cada vez maior de sectários tenha passado a encarar o Senhor Jesus Cristo cada vez mais como simples profeta ou emissário, até precipitarem-se nos abismos do unitarismo, do judaísmo e do islã...

Por outro lado se Jesus é o Verbo encarnado ou um ser de categoria divina - como sempre acreditou a Igreja Ortodoxa, Católica, atanasiana ou nicena (Firmada em suas próprias palavras e na pena apostólica do Novo Testamento) - é impossível deixar de concluir que o peso de suas palavras é superior a tudo quanto já fora escrito e que só ele e apenas ele, sendo Deus verdadeiro, proferiu palavras de vida eterna.

Da simples ideia ou conceito de divindade de Cristo brota naturalmente o conceito ou ideia segundo a qual o grau de inspiração desfrutado pelo Evangelho seja necessariamente maior e mais intenso do que o grau de inspiração e exatidão desfrutado por todas as outras partes da Escritura neo testamentária. Que diremos então a respeito das profecias vetero testamentárias? E das partes puramente humanas??? E do conteúdo cultural que não reporta a Jesus Cristo???

Eis algo sobre o que todo Cristão deveria repetir demoradamente.


SÓ TU SENHOR TENS PALAVRAS DE VIDA ETERNA!!!

Fundamentos do Cristianismo - a quem foram entregues as profecias?



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Num certo momento da História Cristã, os padres e escritores do ocidente ou seja de lingua latina, atribuindo a Igreja visível uma origem mais antiga do que de fato possui cunharam a infeliz expressão: 'igreja do antigo testamento', da qual mais tarde vieram a servir-se os 'reformadores' com o intuito de estabelecer a doutrina da 'inspiração linear das Escrituras' e abater assim o próprio santuário da Verdade.

Identificar a primeira fase da igreja de Cristo com o judaísmo antigo foi um tiro que saiu pela culatra, ou como se diz hoje um tiro dado no próprio pé.

É bastante possível e até provável que tenham cunhado tal expressão a partir das palavras de Hermas, o vidente; consignadas no livro 'Pastor', registro que alguns de nossos elderes mais antigos costumavam citar como inspirado pelo simples fato de ter sido escrito no comecinho do século II, quando se supunha que ainda viviam alguns apóstolos ou discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De fato neste livro Hermas refere-se a Igreja como Senhora idosa ou anciã, subsistindo antes mesmo da criação do mundo.

Nada indica no entanto que Hermas se estivesse referindo a uma visibilidade ou materialidade da Igreja anteriores a Encarnação do Verbo Jesus Cristo ou a organização deste nosso Universo material.

Muito provavelmente a citada passagem do Pastor diz respeito a igreja enquanto projeto ou plano existente na mente de Deus desde toda eternidade. Querendo dizer que não surgiu de improviso ou foi feita por acaso (acidentalmente).

No entanto, a partir daí, os latinos e particularmente os protestantes desenvolveram a funesta ideia segundo a qual o antigo Israel ou melhor, a forma religiosa do antigo israel (E posteriormente o judaísmo antigo seu sucessor) equivaleria a uma espécie de 'pré' ou 'ante' (Não anti) igreja Cristã anterior a entrada do Verbo tempo no tempo ou seja ao mistério da Encarnação. De modo que a 'igreja' material e visível dos judeus, escribas, fariseus e rabinos teria sucedido a igreja material e visível dos Cristãos. Teríamos assim uma igreja antes da igreja ou uma igreja antes do Cristianismo...

O problema esta posto e devemos acrescentar o agravante segundo o qual não poucos Ortodoxos partilham deste ponto de vista equivocado, jamais assumido ou ventilado pelos padres gregos ou orientais da igreja.

Restando-nos aprecia-lo...

Antes de tudo não parece verossímil, mas absurdo, que a Igreja tenha assumido forma material e visível ou se encarnado antes de seu próprio fundador: Deus. Eis uma ordem de coisas que não me parece normal.

Dai supormos que a 'Encarnação' da Igreja visível suceda a Encarnação de Deus, enquanto instrumental seu ou ampliação sua.

Antes subsistia apenas a Igreja eterna e invisível, a qual do mesmo modo que a alma da Igreja Católica, congregava todos os homens que aspiravam pela cura, educação e redenção fossem eles israelitas ou gentios, sem que houvesse qualquer tipo de privilégio.

Afinal o Deus a que servimos nem 'Faz acepção de pessoas' nem é mutável, mas antes 'Imutável e sem sombra de variação.'

Eis porque não podemos admitir qualquer tipo de relação compreendida em termos de etnia e revelação como se um povo em especial tivesse sido escolhido para ter acesso exclusivo a verdade eterna.

Tal a doutrina de 'povo eleito' ensinada pelos líderes religiosos judeus e por grande parte dos Cristãos mal orientados, uma doutrina péssima.

Péssima porque equivale a um ponto de vista muito mesquinho, sectário e praticamente xenófobo, logo incompatível com a noção Católica e humanista de salvação, revelada por nosso Senhor Jesus Cristo e repudiada pelos escribas e fariseus, para os quais a verdade e a salvação eram privilégios concedidos ao povo judeu.

Admitir que antes da fundação da Igreja Católica tenha Deus escolhido ou eleito um povo  apenas - E consequentemente repudiado ou desprezado todos os demais povos e seres humanos - para associar-se eternamente a ele e conceder-lhe diversos privilégios implica repudiar a noção Ortodoxa de Salvação, que é Universal (Concretizando-se em termos de gênero humano ou da humanidade) ou supor que Deus alterado sua maneira de agir. Deus no entanto não pode ser sujeito a alterações ou mudanças em seus planos, os quais devem seguir um ordenamento coerente e linear.

Portanto se Jesus - como lemos nos Evangelhos - apresentou a Revelação como algo oferecido a todas as culturas e nações do planeta não podemos admitir ou aceitar que antes a tenha restringido a um só povo concedendo-lhe o monopólio da verdade e a posse exclusiva das coisas santas e boas que dele procedem.

Diante disto só nos resta a nós Cristãos, afastar-nos das tradições mortas e tradições rabínicas e admitir que a fábula 'nacionalista' foi urdida pelos sacerdotes hebreus nada tendo de divina ou sagrada como pressupõem todos os judaizantes, escravos da letra morta do antigo testamento e atidos a falsa doutrina do 'Corão' cristão ou da inspiração linear e plenária. Doutrina sobre a qual assenta-se o entendimento segundo o qual o Cristianismo sucedeu ao judaísmo enquanto Revelação e de que nada mais é do que um ramo ou seita do mesmo judaísmo e não de uma Rebelião aberta contra ele, dum confronto, duma negação ou de uma 'apostasia' - Tal a definição fornecida pelo próprio Talmud.

Assim enquanto os Cristãos ingênuos tendem a encarar o judaísmo - inclusive o atual - como algo divino ou sagrado, os judeus - Numa linha de coerência digna de aplausos - jamais deixaram de encarar o Cristianismo como uma manobra essencialmente apóstata, como um sistema corrupto, como uma infecção politeísta e como verdadeira idolatria. E bem se vê que não há reciprocidade alguma em tais relações...

De nossa parte só nos resta encarar a religião do antigo Israel e da antiga judeia como um fenômeno puramente natural, - Como alias todas as demais religiões - e não como produto de Revelação divina ou como uma antecipação da Igreja de Cristo (pré igreja).

Haja visto que Marcion de Sinope pode reunir em sua obra inúmeros testemunhos sobre a oposição existente entre o Novo Testamento - em especial os Evangelhos - e os registros que os judeus apresentam como receptáculos da Revelação divina, como sua Lei, a Torá.

E como não pode Deus contradizer-se, variar ou mudar, é necessário concluir que apenas um destes veículos é produto de Revelação divina. Assim raciocinam os judeus com absoluta razão. Ou a Torá é divina ou o Evangelho, ambos não podem ser divinos porquanto o Evangelho é a negação da Torá. Observem como o Verbo Jesus procede criticamente face a Torá...

A menos que vocês confundam o termo 'LEI'  - Alusivo ao Decálogo - com o termo Torá (E façam de Jesus um louco ou um mentiroso) e repudiem 'in totum' ao Sermão do Monte, temos aqui um Jesus que procede muito liberalmente quanto a dita lei 'sagrada' dos judeus. Admitida a divindade da lei dos judeus, esta liberdade só pode ser encarada como irreverência ou sacrilégio uma vez que as coisas divinas devam ser recebidas com absoluta submissão e jamais questionadas!

Então se Jesus questiona a 'lei' (Compreendida como totalidade da Torá)...

Dirá o Cristão ingênuo e alienado que Jesus sendo Deus poderia reformar sua lei ou a lei dada aos judeus por ele mesmo.

Fixemos nosso pensamento nisto e talvez deparemos com os fundamentos mais remotos da reforma protestante.

Na medida em que parte dos Cristãos são e haviam sido ensinados a crer que o Cristianismo ou o Catolicismo não passa de um 'Judaísmo reformado' ou consertado e Jesus de uma reformador do Judaísmo ou de um Lutero hebraico. 

Afinal se as 'instituições divinas' foram reformadas já uma vez pelo próprio Deus, que impede que sejam reformadas novamente e sucessivamente???

Evidentemente que os protestantes não percebem ou fingem não perceber que em tese esta primeira reformação teria sido levada a cabo não por qualquer um ou por um simples homem, mas pelo Verbo encarnado Jesus Cristo. O que os obrigaria a concluir que uma segunda reformação ou uma reformação do Cristianismo deveria dar-se nos mesmos termos, ou por uma reencarnação do Verbo Jesus ( rsrsrsrsrs ) ou pela Encarnação do Espírito Santo...

Eles jamais consideraram seriamente o absurdo que é admitir que qualquer criatura, homem ou individuo - a exemplo de Lutero, Calvino ou Zwinglio - tenha o direito de reformar ou de restabelecer um padrão originalmente estabelecido pela ENCARNAÇÃO ou manifestação de Deus na carne.

Eis o que temos a dizer a respeito da ideia absurda de Jesus como um reformador do judaísmo na perspectiva protestante.

Examinemos agora a perspectiva 'católica' ou a ideia em si mesma, de modo geral.

Apresentar Jesus, enquanto Deus encarnado, como reformador do judaísmo, equivale, em última analise, a apresentar Deus reformando sua própria doutrina, corrigindo a si mesmo e portanto mudando e contradizendo-se. O que é absurdo. Dado o judaísmo por Revelado e divino, deveríamos da-lo igualmente por irreformável, exatamente como os escribas, fariseus e rabinos! O pecado original dos judaizantes e dos neo cristãos consiste exatamente em dar o judaísmo por divino e ao mesmo tempo por reformável, resultando das premissas a conclusão segundo a qual Deus é mutável e pode alterar o conteúdo de seus ensinamentos, afirmando amanhã o que negou hoje e vice versa.

Aqui a questão de um Jesus divino e ao mesmo tempo reformador do judaísmo, toca a essencialidade mesma da natureza divina corrompendo-a e profanando-a na medida em que apresenta-nos um deus psicologicamente instável ou inseguro, enfim um deus que muda de opinião e essa ideia abominável de Deus esta na base mesma do relativismo ético contemporâneo.

Agora vos pergunto, qual a única forma de escaparmos a este terrível dilema?

Repudiar a falsa doutrina segundo a qual o judaísmo antigo tenha sido revelado por Deus nos mesmo termos que o Cristianismo, bem como a imagem de um Jesus reformador do judaísmo e consequentemente a ideia de um Corão Cristão segundo a qual o antigo testamento 'in totum' seja palavra de Deus. Outra saída para este dilema não há. Embalde a procurareis e querendo preservar o judaísmo demolireis o Catolicismo por completo e o aniquilareis segundo a operação já em andamento na reforma protestante e na igreja romana.

Afinal que é essa reforma protestante e que é essa RCC e que é tudo isto que ora vemos no Ocidente senão uma inversão sinistra ou uma reforma humana do Cristianismo pelo judaísmo de modo a reduzi-lo nos moldes ideais de uma seita judaica despojada dos elementos espúrios ou pagãos que lhe haviam sido adicionados pelo Catolicismo??? Que é tudo isto senão uma tentativa muito bem urdida de 'descatolicizar' (os protestantes dizem 'purificar') a igreja a partir da Tanak ou da Torá obscurecendo a Ortodoxia Cristã? E qual o fim de tudo isto senão a negação da Trindade Santíssima e da Encarnação de Deus??? Compreenda-se que esta nova via conduz diretamente ao judaísmo, ao islamismo e ao neo platonismo, eliminando todos os mistérios caracteristicamente Cristãos e tornando o Cristianismo absolutamente irrelevante... Perde sua especificidade e converte-se apenas num monoteísmo a mais.

Diante disto temos de ser resolutos e afirmar em alto e bom som que jamais houve igreja antes da igreja, Cristianismo antes do Cristianismo, Revelação antes da Encarnação, Verdade antes do Evangelho ou religião divina entregue a um povo apenas.

Mas a Encarnação do Senhor não teve de ser preparada?

Evidentemente que a Encarnação e a própria Revelação tiveram de ser preparadas e muito bem preparadas uma vez que como já dissemos, Deus nada faz de improviso.

E preparada foi por meio da oráculos, profecias e advertências sobrenaturais concedidos a todos os povos e nações da terra, inclusive a nação dos judeus.

Alias tais advertências sobrenaturais alusivas a futura manifestação do Verbo sobre a terra é que constituem a 'palavra de Deus' ou as palavras de Deus nos escritos dos antigos judeus. Porquanto seus videntes também anunciaram este mistério.

Por isso os Cristãos sinceros e fiéis não se atrevem a negar que o antigo testamento contenha palavras de Deus ou profecias sobre a Encarnação do Senhor. O que negamos e devemos negar é que o antigo testamento seja palavra de Deus em sua totalidade, a semelhança de um Corão. Pois também há ali um conteúdo cultural ou profano - assim a lei dos judeus ou a Torá - sem qualquer relação ou vínculo com a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Logo, como pode algo ser divino ou sagrado para os Cristãos se não reporta a Nosso Senhor Jesus Cristo???

Que temos nós Ortodoxos a ver com mitos, fábulas e lendas que os antigos judeus tomaram aos sumérios, assírios, babilônicos, fenícios ou egípcios? Em que isto nos toca se não remete ao Verbo Jesus? De que nos serve saber que os antigos egípcios ejaculavam como jumentos ou quantas pessoas perecessem em tais e tais batalhas??? Em que nos edifica e eleva o registro de tantas genealogias inúteis??? Para que conhecer o número as amantes de Salomão ou os crimes de seu pai???

Aqueles que se atrevem a colocar os registros judaicos em pé de igualdade com o Novo Testamento ou com o Evangelho, resta a tarefa impossível de conciliar ambas as partes. O que geralmente fazem com sacrifício da própria consciência, apelando a 'truques' e poluindo-a... Apenas com o objetivo de conciliar o que é inconciliável. Não recuando mesmo diante da mentira e da manipulação... Quando deveriam, por fidelidade ao Evangelho, admitir a verdade.

Compreendeis agora porque a 'moral' Cristã carrega em si esta espécie de bolor fariseu, este resíduo de matreirice, este travo de hipocrisia... Afinal se as pessoas são desonestas quanto a argumentação religiosa, como haverão de ser honestas no domínio da imanência ou da vida??? Se aprendem a falsificar argumentos com o objetivo de sustentar as doutrinas que lhe são mais caras - como os dogmas da inspiração linear e da inerrância - como deixarão de falsear nos domínios da Ética.

Assim o veneno da falsidade é injetado nas veias do Cristianismo justamente por meio da apologética 'ortodoxa' desenvolvida em torno da bíblia com o objetivo de defender - A todo custo - o antigo testamento ou o judaísmo antigo.

Pastores e padres, em seus seminários, são ensinados a defender, a qualquer preço, eventos e ensinamentos que percebem e sabem ser falsos e o princípio de tudo é que começam a duvidar a respeito da razão e da capacidade humana... ou a fingir. Como podem deixar de transformar-se em criaturas tolas ou degeneradas??? Tal a elite corrompida que formamos na medida em que obriga-mo-la a defender o que é indefensável, a divindade do judaísmo e do antigo testamento. Em detrimento da própria consciência!

Encarada por este ângulo é a bibliolatria essencialmente corruptora!

Resta-nos arrematar esclarecendo o leitor benevolente que a doutrina da inspiração verbal e linear das escrituras que é um construto histórico ocidental elaborado no decorrer da Idade média - A partir de Agostinho em especial - e canonizado por João Calvino, alias sem o assentimento de Martinho Lutero, cujo posicionamento tanto mais liberal deitava raízes na mais remota tradição da Igreja.


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