O verbo se fez carne...

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A mãe do Verbo Encarnado

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A consciência histórica do Cristianismo

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segunda-feira, 18 de março de 2013

LXVII - O Testamento de Jesus.






Evangelho de S Mateus capítulo XXV -

"Naquele grande dia dirá o Mestre aos que estão à sua direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,
35. porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes;
36. nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.
37. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
38. Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
39. Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?
40. Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.
41. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
42. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
43. era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes.
44. Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?
45. E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer."




Curiosa esta presença de Cristo no faminto, no sedento, no sem teto, no desnudado, no enfermo e no prisioneiro.


Curiosa mas não misteriosa, senão perfeitamente compreensível.

Pois ao fazer-se homem, e homem humilde, não conheceu o Senhor a fome, a sede, o relento, a nudez, a enfermidade e a prisão???

Identifica-se Nosso Mestre com cada um dos que passam por tais vicissitudes por ter ele mesmo, em determinadas circunstâncias, feito contado com elas.

E como se o contato do Salvador com a fome, a sede, o desabrigo, a nudez, a doença e a prisão; santificasse cada um destes flagelos...

Os quais desde então tornam-se como que veículos de sua presença.

Assim habita Jesus de algum modo, no faminto, no sedento, no desabrigado, no desnudado, no enfermo e no prisioneiro...

De modo que ao aliviar os sofrimentos de cada um deles prestamos um serviço ao próprio Jesus.

Pelo mistério da Encarnação identificasse o filho de Maria com cada miserável, com cada excluído, com cada sofredor...

Homem das dores ele sabe compadecer-se da dor alheia.

Humilde, trabalhador e pobre ele bem compreende a situação de nossos irmãos mais pequeninos.

Tendo sofrido até o paroxismo do abandono da cruz esta ele perfeitamente apto para confortar.

Mas tu dizes: Ele jamais foi preso!

E eu te digo: preso foi nos ergástulos de Anas, Caifas e Pilatos.

Tu dizes: O Mestre jamais experimentou em si qualquer doença.

E eu te digo: Na verdade ele conheceu a dor de perto; por meio das chicotadas, bordoadas, dos espinhos e dos pregos.

Tu dizes: Ele jamais esteve nu?

E eu te digo: Nu foi deitado sobre o madeiro e pregado.

Tu perguntas: Quando que foi peregrino?

E te respondo: Quando com seus pais foi conduzido as pressas a terra do Egito.

Tu afirmas: Ele sempre foi bem acolhido

Eu contesto: Não tinha sequer uma pedra sobre a qual pousar a fronte cansada.

Tu exclamas: Sua mãe jamais deve ter permitido que passasse fome ou sede!

E eu afirmo: Quando esteve por quarenta dias no deserto jejuando conheceu a fome e a sede!

Cada uma destas situações ele conheceu e vivenciou.

E por isto decretou que seus adoradores e servos dessem combate a elas.

Asseverando que os insensíveis e indiferentes face a dor alheia seriam rigorosamente punidos e afastados de sua presença por eras de eras.

Erram pois aqueles insensatos que concebem o juízo divino como uma prova e teologia ortodoxa.

A verdade é certamente dom e dádiva de grande valor; a qual merece ser prezada por aqueles que aspiram a perfeição.

O bem no entanto esta infinitamente acima da verdade; como a caridade esta muito acima da fé.

Então é necessário saber que o homem será levado a juízo tendo em vista suas obras ou seja o bem ou o mal que fez em vida; e que este será o alvo ou fóco principal do último dia.

Acrescentemos pois uma boa doze de ortopraxia a nossa ortodoxia; para que seja uma ortodoxia viva, útil, proveitosa e meritória. Assim não seremos desamparados; mas sustentados de pé no dia da manifestação gloriosa e segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.






domingo, 10 de março de 2013

XXXV - Aspectos da vida de Jesus > Celibato, necessidade ou opção???




Como ex protestante não me surpreendo mais ao ouvir pérolas como estas: O celibato é uma prática de origem pagã. Até Pedro, o primeiro papa, era casado.

Absolutamente inexato.

Pois eram os pagãos, via de regra, infensos ao celibato.

A ponto de Licurgo, Augusto e muitos outros legisladores terem condenado os celibatários a diversas penas infamantes e convertido o matrimônio em lei.

Os hebreus nutriam preconceitos semelhantes aos que eram acalentados pelos pagãos, embora algumas tradições apresentem Elias e Jeremias como eunucos.

Paulo no entanto, o Paulo sempre citado por Lutero e seus filhos, o Paulo que ousam colocar acima do Mestre amado, o Paulo que costumam apresentar como infálivel; assim se exprime: 'Casar é bom mas não casar é melhor... bem faz aquele que casa sua virgem, melhor faz quem não a casa.'

Teria ele aprendido com algum mestre pagão???

Não sei. Os protestantes que o decidam entre si.

Curioso como os protestantes se colocam acima das escrituras que dizem ser inspiradas. Pois tendo Paulo - contrariando o ensinamento do Evangelho -  sustentado que o governante secular é ministro de Deus; é o quanto basta para os protestantes tecerem apologia religiosa da tirania e do despotismo, apresentando-o como dogma sacratíssimo... agora quando o mesmo Paulo escreve: "O casado cuida das coisas do conjuge; o solteiro das coisas do Senhor." saem pela tangente dizendo que é melhor com o preceito divino do 'Crescei e multiplicai-vos' E põe já as fábulas e tonteiras israelitas acima da pena apostólica, malbaratando-a.

São os malabarismos ou ginásticas bíblicas do livre examinismo. Pelo qual cada um torce o sentido das escrituras...

E apesar da xaropada do 'crescei e multiplicai-vos', que põe já em risco a existência da humanidade, curvam-se os protestantes e prestam adoração a um celibatário!!!

Agora vejam só a inconsequência: condenam o celibato como uma heresia importada do paganismo e cultuam um eunuco.

Sim protestantes, fanáticos e sectários que apresentam o matrimônio como dogma sacratíssimo, pois o nosso Jesus jamais contraiu matrimônio, jamais casou, jamais fornicou; mantendo-se virgem.

E chorem protestantes porque não foi o 'capeta' mas Cristo Jesus quem disse: E há eunucos que eunucos se fazem por amor ao Reino!!! Palavras sagradas...

Agora vão lá ao poço salobro de Moisés e ousem opor a Jesus o 'crescei e multiplicai-vos.'

Jesus nos doutrina com palavras e exemplo e os protestantes batem o pé e gritam como papagaios: crescei e multiplicai-vos!!! Mas Jesus não quis dar sua metidinha e multiplicar.

Aqui atalha nosso protestante: Jesus não casou porque não pode pois era divino ou Deus (!!!).




SE JESUS PODERIA TER SE CASADO


Penso que melhor seria para a apologética protestante ter embarcado no reboque do gnosticismo e dos apócrifos e apresentar Jesus como consorte de Madalena ao invés de embrenhar-se pelo labirinto duma teologia putrica e cristologia corrompida.

Pois aqui mais uma vez embarcam os protestantes na canoa furada de Eutiques...

Esquecendo-se que além de verdadeiro Deus, Jesus também era verdadeiro homem.

Alias homem absolutamente perfeito em sua integralidade e não homem aparente, como certificaremos no próximo capítulo.

No entanto Jesus não poderia ter casado devido a união da natureza humana com a natureza divina.

Eh???

No que a união hispostática alterou a natureza humana, física ou biológica do Mestre; tornando-o inapto para o matrimônio.

É possível que alguém alegue que no caso de Jesus casar e gerar filhos, não seria capaz de gerar filhos puramente humano; mas deuses.

Miserável patacoada, pois jamais foi sabido que pessoa divina fosse gerada por via sexual!!!

Gerasse Jesus filhos segundo a natureza humana, tais filhos seriam puramente humanos. Possivel e provavelmente impecáveis; mas certamente humanos.

Portanto a geração de filhos não seria obstáculo plausível para que a categoria humana do Senhor burlasse o mandamento divino.

Caso o matrimônio correspondesse de fato a um mandamento divino nosso Jesus te-lo-ia cumprido como todos os demais...

Ou infrigido a lei divina e pecado...

Pois esta registrado que era 'Em tudo semelhante a nós menos no pecado.'

Portanto a semelhança de todos nós poderia, se quizesse, ter casado; exceto se classificarmos o casamento como um pecado.

Os maniqueus alegavam exatamente isto: que Jesus não contraiu matrimônio porque o matrimônio era mau e a sexualidade diabólica.

Os protestantes no entanto apresentam o matrimônio como uma espécie de qualidade da natureza humana (uma vez que todos devem casar-se)

Destarte não se compreende porque Jesus tenha deixado de proceder conforme uma natureza que nada tem de pecaminosa.

A conclusão é bastante simples: se Jesus não casou-se foi por livre escolha ou opção, isto é, porque não quis.

E porque não quis?

Porque aspirava por um tipo de vida mais elevada, ou seja, pela vida celibatária.

E porque?

Porque como disse Paulo o celibatário dispõe de mais tempo para tratar e cuidar das coisas santas e divinas enquanto que o homem casado dispende tempo com sua família humana.

Sócrates com sua Xântipa que o diga; pois tendo vivido mais que Jesus acabou dispondo de menos tempo do que ele para tratar das coisas santas.

Agora imaginem só o meigo Redentor que sequer tinha onde pousar a fronte cançada, peregrinando com uma costela a tira colo.

É pois o celibato mais funcional tendo em vista o ministério religioso na medida em que propicia mais tempo livre e liberdade ao missionário.

Neste sentido podemos dizer que ele é superior ao matrimônio. Pois aqui a atenção é dividida.

Aqui alguém poderia atalhar: mas acaso o celibato não é uma recusa ao amor?

As vezes em se tratando de um celibato, que por medo ou fragilidade, volta-se egoisticamente para si mesmo; até pode ser.

Tal no entanto não foi o celibato de que o Redentor é exemplo e modelo.

Pois este equivale a ampliar o amor. Amor que o casamento restringe.

Foi para servir a todos do melhor modo possível que o Mestre amado abdicou do direito natural ao casamento.

E tendo em vista a propagação da verdade, fez do celibato uma lei para os apóstolos e seus sucessores os Bispos.

Ordenando que se separassem das esposas e deixassem as famílias. Não para que constituissem novos matrimônios e originassem novas famílias, mas para que servissem apenas a nobre causa da boa nova.

Eis porque exigiu fidelidade exclusiva e o sacrificio dos apetites naturais. O que por sinal redundou em beneficio da disciplina e do martirio por parte das lideranças da congregação.

Daí um dos Santos apóstolo ter exclamado: Tudo deixamos para te seguir, que receberemos pois em troca?

Quanto as mulheres irmãs, citadas por Paulo, as quais acompanhavam os apóstolos em suas lides e serviam-nos; assemelhavam-se as santas mulheres que acompanhavam o Salvador e serviam-no (Maria, sua mãe; Madalena, Suzana, Salome, Maria de Cleofas, etc).

Ao invés de esposas ou concubinas pertenciam elas a ordem das viúvas, descrita pelo mesmo Paulo, e dedicavam-se a cozinhar e lavar para os Santos.

terça-feira, 5 de março de 2013

XIV O sentido da Encarnação

No esquema da transcendência absoluta é deus espectador que assiste do alto do seu trono glórioso os combates, vicissitudes, sofrimentos, aflições, lutas, dores, suspiros e lágrimas porque passam suas criaturas mortais.

Ele até pode se compadecer vivamente delas mas não passa disso... o deus transcendente sente pena ou dó mas não vai além disto...

Ele não desce a arena da vida, não vem até nós, não compartilha de nossos problemas, não sente conosco... não participa de modo algum.

Então somos tentados a pensar que se desejou criar-nos mesmo sabendo que haveriamos de passar por tantos tipos e formar de sofrimento... e para tudo contemplar discretamente; que não passa dum sádico.

Outra é a perspectiva da Encarnação, pela qual Deus mostra-se solidário na medida em que se faz homem entre homens experimentando os mesmos dissabores e contrariedades que suas miseráveis criaturas.

Só aqui Deus deixa de ser observador para ser participante. Só aqui ele sai da platéia e desce a arena da vida para fraternizar-se conosco.

E como percebemos que ele nos acompanha, que sofre conosco, que conosco vive e morre; que leva a sério tudo isto, e que não é sádico e insensivel mas verdadeiramente beneficente, generoso, clemente, compassivo 'amante e amigo do gênero humano'.

Conforta-nos saber que o próprio Deus quiz suar, padecer, suspirar e chorar conosco ao assumir forma humana.

Este contemplar o Deus conosco na angústia, na tristeza, a amargura, na aflição, etc é que nos enche de esperança e que dá sentido a aflição. Pois na medida em que Deus passa pela dor o fenômeno da dor torna-se divino e instrumento de divinização.

Bom é ter Deus lado a lado e percebe-lo não como um assistente demasiado distante, mas como amigo e companheiro fiel; que comunga de nossa mesma condição.

Aqui não temos mais um deus arbitrário que exige paciência aos mortais; mas Deus bendito que dá exemplo de paciência ao gênero humano.

Deus que se fez homem para ensinar os homens a viverem divinamente, como ensina Inácio Mártir.

Deus que se adianta e se faz modelo. Deus que antes de perdir-nos executa...

Deus que mostra até onde chega seu amor.

E que demonstra ser seu amor infinito até a estalagem e a cruz.

Deus que declara e diz: tomai a vossa cruz; somente após ter carregado a dele.

domingo, 3 de março de 2013

XI - O imperador divino e o imperador humano...

Um nasceu em berço de Ouro e tornou-se Senhor do Mundo, Imperador ou dominador.

O outro sendo infinitamente mais rico, Criador do ouro, Senhor da prata e rei do universo, quis nascer numa estalagem e tornar-se súdito do primeiro.

Um obteve diversas vitórias em Filipopolis, Actium, etc Outro morreu crucificado mas venceu a morte e derrotou a iniquidade.

Um casou-se com Lívia e, espelhando-se nas leis Licurgo, proscreveu o celibato; o outro abraçou-o.

Um vangloriava-se por ter convertido 'Uma Roma de barro numa Roma de mármore.', o outro lançou fundamentos a um Reino eterno e indestrutível.

Um estabeleceu a paz romana, outro trouxe paz aos corações dos mortais.

Um habitava num elegante palácio enquanto o outro não tinha sequer uma pedra sobre a qual pousar a fatigada fronte.

Um foi exalçado pelos súditos a condição divina, o outro sendo de condição divina assumiu a condição humana.

Um morreu idoso e coberto de glória, o outro morreu relativamente jovem e ignorado pelo mundo.

Um parecia virtuoso, o outro era a fonte de todas as virtudes.

Um foi Caio Augusto Cesar; o outro Jesus de Nazaré.

Aquele é atualmente conhecido por alguns, reverenciado por poucos e estimado por... Este, o carpinteiro, filho da Virgem, é conhecido por praticamente todos os seres humanos...

Augusto reinou por meio século e morreu...

Jesus tem reinado por dois milênios, após ter ressuscitado dos mortos...

Um foi imperador mortal entre os mortais...

O outro tendo vivido como humilde carpinteiro é reconhecido como imperador espiritual por dois bilhões de seres humanos...

Assim são as grandezas da terra comparadas com as grandezas e mistérios do Reino dos céus...