O verbo se fez carne...

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A mãe do Verbo Encarnado

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A consciência histórica do Cristianismo

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Conclusão: porque devemos analisar a narrativa Evangélica com confiança e simpatia?

De tudo isto salta a vista uma certa falta de simpatia ou uma premeditada desconfiança por parte dos incrédulos face aos nossos Santos Evangelhos.

E a questão se põe nos seguintes termos: justifica-se tal postura?

Nós julgamos que não partindo dos registros profanos - judaicos e pagãos - num dos capítulos precedentes.

  • Por influência de um certo Cristo, os judeus ficaram alvoroçados já no tempo de Claúdio. SUETONIUS
  • Sua mãe chamava-se Maria e era uma tecelã ou fiandeira. TOLEDOTH YESHUA. Esta atribuição parece estar de acordo com uma tradição muito antiga segundo a qual a Santa Virgem, tendo ficado orfã e desamparada teria sido mantida numa espécie de orfanato mantido pelos sacerdotes nas proximidades do tempo. Local em que as meninas e moças orfãs, sendo Virgens, dedicavam-se a tecer paramentos e alfaias empregadas no culto judaico.
  • Era considerado adulterino ou filho da fornicação. EVANGELHO DE JOÃO AQUI CONFIRMADO PELO TOLEDOTH YESHUA QUE LHE DÁ POR PAI UM SOLDADO ROMANO CHAMADO BEN PANDIRA OU BEN PANTERA.
  • Inaugurou seu ministério sob Tibério César. JOSEFO VERSÃO MENOR E TÁCITO
  • Pertencia ao círculo de João Batista e Tiago. Id
  • Era homem sábio e prudente. Id e CARTA DE MARA ABA SERAPION
  • Congregou um grupo de pessoas em torno de sí. Id
  • Executou algumas ações inexplicaveis e fora do comum. TOLEDOTH YESHUA, PORFIRIO, HIEROCLES, JAMBLICO E JULIANO
  • Algumas pessoas curadas ou tocadas por ele teriam alcançado grande longevidade (Talvez as filhas virgens de Filipe, mencionadas por Papias) LAMPRIDES, corroborado pelo apologista QUADRATO DE ATENAS.
  • Ensinava por meio de parabolas. NUMENIUS, O PITAGÓRICO.
  • Foi denunciado pelos sacerdotes. JOSEFO
  • Foi condenado e sentenciado por pelo procurador Pontius Pilatos. JOSEFO E TÁCITO
  • Sofreu uma punição extrema. TÁCITO
  • Sendo crucificado. JOSEFO
  • Foi declarado 'rei dos judeus' na inscrição posta sobre a Cruz. MARA ABA SERAPION
  • Houve uma eclipse por ocasião de sua morte. THALO E FLEGONTE
  • Parece ter exercido juízo sobre Jerusalem. MARA ABA SERAPION E TITO CESAR apud JOSEFO in 'As guerras dos judeus'
  • Era adorado como uma espécie de pessoa divina por seus seguidores. PLÍNIO


Conclusão: sob dezoito aspectos diferentes as fontes e registros não Cristãos confirmam aquilo que esta consignado em nossos Evangelhos, constituindo já este núcleo uma espécie de esboço, não sagrado e por assim dizer Histórico, da vida de Jesus. Esboço apenas ampliado por nossas fontes...

As únicas excessões dizem respeito a natividade milagrosa e a ressurreição pelo simples fato de que os infiéis não podem admitir estes dois mistérios (do contrário seriam o que nós somos). Mesmo os prodigios executados por ele e que bem poderiam ser negados pelo Toledoth e pelos pensadores pagãos dos primeiros séculos, são assinalados como dignos de aceitação inda que atribuidos ao poder da feitiçaria...

Penso que este conjunto de testemunhos seja bastante forte para inclinar-nos a encarar com simpatia as partes dos nossos Evangelhos postas sob questão, e para receber como satisfatórias as explicações por nós fornecidas até aqui, as quais nada teem de forçadas como as respostas com que os fanáticos procuram justificar as partes menos nobres do testamento velho e abolido apelando a toda sorte de estratagemas incompatíveis com o Espírito de Jesus Cristo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Jesus, o mito...

Não é este tratado uma apologia de primeiro nível, mas mero ensaio em vista de obra maior, mais densa, ampla e profunda destinada a demolir os preconceitos de nossos adversários.

Antes de dissertarmos sobre a Igreja e os padres antigos no entanto, convem mostrar a solidez de nossos fundamentos.

Cremos ter demonstrado já e honestamente, a existência humana de Jesus, o nazareno. Sem precisar recorrer as fábulas de Publius Lentullus, das cartas de Pilatos ou do volume Arkhno...

Examinemos agora, ao menos de passagem a credibilidade de nossos Evangelhos para ver se mais além logramos adquirir algum conhecimento adicional sobre a figura de Jesus Cristo.

Durante séculos os cristãos mal informados acreditaram que a sucessão dos Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João, continham uma indicação cronológica. Assim sendo cuidavam que Mateus havia sido o primeiro a ser escrito, Marcos o segundo... e João o quarto.

Ainda conforme certas tradições Mateus teria escrito seu relato cerca de 45 ou 48 d C, Marcos, por volta de 60/65. Lucas cerca de 67/69 e João pelos arredores do ano 100.

Hoje já sabemos que o relato de S Marcos parece ser anterior ao original aramaico de S Mateus inclusive.

Isto porém não afeta a credibilidade dos registros.

Hoje, ao que tudo indica Marcos teria sido composto cerca do ano 50 ou mais tardar 55 desta Era ou seja cercas de quinze ou vinte anos após a consumação dos fatos. Mateus e Lucas cerca de 70 ou pouco depois e João cerca do ano 90 ou mesmo do ano 100, em hipotese alguma não muito depois disto. Tampouco esta o quarto Evangelho separado do tempo em que se deram os fatos por mais de 70 anos...

Aqui ao menos uma coisa salta a vista: a tradição não estava tão equivocada quanto se pensava há algumas décadas!!!


Isto é o que se sabe hoje...

Há século e meio no entanto postulavam os céticos que provavelmente nenhum dos nossos Evangelhos era anterior ao ano 100 desta era, pertencendo todos ao século II e João, o mais enfático a respeito da origem divina de Jesus, a última quadra (180). Isto davam os sábios alemães da Tubinga por indubitavelmente certo!!!

Vejamos no entanto como isto começou...

Pricipiavam os 800, Napoleão, com Vivant Denon e outros sábios que compunham seu séquito combatia a sombra das pirâmides: Soldados do alto destas pirâmides quarenta séculos vos contemplam...

Aqui Bouchart descobre a famosa pedra de Rozeta, chave para a decifração dos hieróglifos egipcios... mais além um tal de Ch Fr Dupuis explora as ruinas do templo de Denderá, onde dá com um belíssimo calendário solar...

Dupuis era incrédulo, materialistas e talvez ateu, formado na escola de La Metrie, De Holbach, Anacharsis Clothes, etc e aspirava provar que a instituição Cristã não passava duma superstição grosseira produto das trevas medievais e própria apenas da plebe ignara...

E eis que em Dederá, no Egito, ele cuidou ter encontrado a sua "Pankaia" ou melhor a mítica Pankaia de Evemeros...

Então publicou um estudo - 'A origem de todos os cultos ou a religião universal' 1795 - segundo o qual Jesus não passava dum mito solar. Ele era Hélios, o deus sol, os doze apóstolos as doze constelações do zodíaco e por ai afora... Ainda segundo ele datava o supradito templo de Dendera de seis ou mesmo de onze mil anos antes desta Era!!! Quando na verdade, sabemos hoje, não passa dum monumento erguido pelos Ptolomeus.

Afortunadamente o bibliotecário Jean-Baptiste Peres escreveu uma refutação satírica de trabalho Dupuis, sob o título de Grande Errata (1827) Comme quoi Napoléon n'a jamais existé UO Grande Erratum, fonte d'un nombre infini d'errata Noter à dans l'histoire du XIX siècle   , na qual mantém, em paralelo à tese de Dupuis - de que Jesus Cristo não passa dum mito solar - que Napoleão, seus generais e sua tragetória não passava doutro mito solar.

A leitura deste livro deveria servir de exemplo a tantos quantos acreditam ser possivel demolir o Cristianismo através de analogias e comparações de teor puramente subjetivo com este ou aquele mito pagão. Tais energûmenos bem fariam em le-la antes de mergulharem na fantasia e no ridículo para a própria vergonha.

O fato é que mesmo ridicularizada da forma mais mordaz, a tése central de Dupuis não só sobreviveu como ganhou adeptos.

Jesus não passava dum mito. Jesus jamais existira...

Strauss, Brandés, Du jardin, Couchoud, Havet, Bossi, Lentzmann e alguns outros apostaram nesta idéia.

No entanto é sempre bom lembrar que o Padre Senna Freitas opos uma alentada réplica a obra de Bossi, a qual, no tempo oportuno, ampliaremos ainda mais, buscando atingir os outros oponentes acima citados e pulverizar um a um de seus argumentos.

No tempo de Strauss já se intuia ou se percebia intuitivamente que para que Jesus pudesse ser apresentado como uma fantasia ou mito segregado pela fértil imaginação da Igreja primitiva era necessário que as fontes ou registros - noutras palavras epistolas e Evangelhos - referentes a sua pessoa estivessem separados do tempo em que ocorreram os fatos por certo lapso mais ou menos longo de tempo. De preferência por mais de um século.

Foi este ete palpite aprioristico ou pré concebido, apresentado como cientifico por diversos charlatães do passado século e as epistolas e evangelhos atirados para o limbo do século segundo desta era ou seja separados por mais de século do tempo em que os acontecimentos haviam se sucedido. Destarte a idéia de um Jesus mítico pode penetrar em algumas mentes desavisadas...

Por mais de século o logro foi mantido, até o momento em que novos fragmentos foram encontrados e analisados... ora em Oxyrhinca, ora em Nag Hammadi, ora em Khunram... Desde então a crítica interna e externa, material e positiva como costumam dizer nossos inimigos... voltou-se contra suas teorias, opiniões, palpites, suposições, hipóteses, etc cheias de bolor e podridão...

Pois se é certo que as pastorais de Paulo continuam sendo classificadas como expurias e situadas em meados do segundo século, sete de suas epistolas foram dadas como autênticas e as mais recente delas situada no ano 60 desta era ou seja cerca de vinte e cinco anos após o tempo em que os fatos concernentes a pessoa de Jesus haviam ocorrido.

No que diz respeito aos Evangelhos tanto pior. Pois como já vimos Marcos foi situado em 50, Mateus e Lucas em 70 e João em 90 ou no mais tardar em 100 desta Era. Ficando todos situados no primeiro século.

Por outro lado a gênese dos mitos ainda não havia sido suficiente e minuciosamente estudada pelos alemães da Tubinga durante o século XIX. Estudou-a com escrupulos verdadeiramente científicos o sábio Mircea Eliade no decorrer do século XX, logrando constatar que os mitos não se formam assim tão rapidamente como em uma ou duas gerações, mas que sua gênese formativa implica no mínimo quatro gerações ou quase um século...

Esta pois cortado e muito bem cortado o górdio...

Mitos não saem da vida como Atenas da cabeça de Zeus com escudo e espada em punho!

Mitos levam certo tempo para gestar-se como que desevolvendo-se e tomando corpo.

Mitos não se formam da noite para o dia...

Aqui a conclusão é muito simples: o tempo que separa os eventos em questão dos documentos ou registros é demasiado curto para que possa ter sido formado qualquer tipo de mito.

Epistolas e Evangelhos foram escritos quando parte das pessoas envolvidas e citadas nos relatos ainda estavam vivas, podendo denunciar a patranha. Caso tudo tivesse sido criado duma fornada só denuncias surgiriam quer entre romanos ou entre judeus e certamente algum éco ou fragmento delas teria chegado até nós.

E no entanto como vimos sacerdotes, rabinos, filósofos, historiadores e apóstolos tratam Jesus Cristo como uma figura real, existente, de carne e osso.

Eis porque os pesquisadores mais bem informados a respeito do assunto, Jesus Cristo, como Jeza Vermes e Crossan, em que pese não comungarem de nossa fé no sobrenatural, tampouco comungam dos preconceitos embolorados e soterrados do século XIX, repetidos em forma de ladainha pelos jovens preguiçosos e ineptos desta nossa geração e por toda gente manhosa que não gosta de estudar. Pois se a um lado eles desdenham da ressurreição e do nascimento virginal por outro não hesitam em afirmar o nascimento e a morte do mesmo homem, 'o crucificado'...

Dos fundamentos históricos do Cristianismo - Paulo e os apóstolos

Enunciadas as fontes judaicas e pagãs a respeito de Jesus Cristo, convem examinar as principais fontes Cristãs pernitentes a sua pessoa.

Naturalmente que dentre todas avulta a figura de Saulo ou Paulo de Tarso.

Filho de um rico tapeceiro ou fabricante de tendas da tribo de Benjamim, assentou-se este personagem aos pés do grande rabino Gamaliel, neto de Hilel.

Duas são as fontes pertinentes a sua pessoa: A biografia oferecida pelo médico grego Lucas no livro dos Atos dos Santos apostolos (Praxeis agia Apostoliké) e suas próprias cartas, no mínimo sete admitidas como autênticas até mesmo pela crítica incrédula, materialista e atéia, tal o peso das evidências internas e externas.

Tal o caso das duas cartas escritas a Igreja de Corinto, a que foi endereçada a igreja de roma, as que foram endereçadas as igrejas da Galácia, de Tessalinica e de Filipos e a que foi endereçada a Filemon.

Segundo a mesma crítica a mais antiga delas (ano 49/50) precede, muito provalvelmente a autoria dos dois primeiros evangelhos: Marcos e o texto aramaico de S Mateus, para não falarmos em Lucas, em João e no Evangelho não canônico dos hebreus. Todas estas peças biográficas parecem ter sido escritas após as primeiras epistolas de S Paulo; e as últimas após a conclusão do 'Corpus paulinum'.

Portanto o primeiro testemunho referente a pessoa histórica de Jesus Cristo ou ao Jesus Histórico encontra-se nas primeiras Epistolas de Paulo e não nos nossos Evangelhos.

Os registros a que aludimos no paragrafo acima são a primeira carta aos tessalonicenses, a carta aos filipenses e a carta a Filemon. E no entanto sem que saibam a biografia o centro de tais epistolas é a figura de Jesus Cristo.

Já ali refere-se ele a morte e a ressurreição de Jesus como fatos ou acontecimentos reais; o que implica antes de tudo na existência de Cristo, pois um ser que jamais existiu jamais seria capaz de ressuscitar.

Mais além, em Filipenses faz alusão a sua existência humana sob a forma de servo, declara que ele sempre fora submisso a lei moral e que fora pregado na cruz.

Reflitamos pois um pouco.

Por em dúvida a existência de Paulo é impossivel pois suas epistolas são declaradas autênticas ou reais e as epistolas exigem um autor ou seja um Paulo. Elas mesmas testificam que Paulo foi um homem de carne e osso, uma pessoa de verdade, como eu e o estimado leitor, ou seja, como nós.

Até mesmo o roteiro de suas viagens foi exaustivamente percorrido com paciencia beneditina pelo Dr Willian Ramsay, e dado como absolutamente exato em cada passo, tal e qual as descrições dos Atos e das epistolas.

Outrossim não devemos ignorar que Paulo deixou discípulos, como Clemente, que pastoreou a Igreja de Roma no final do século I e que por diversas vezes rememora a figura e os ensinamentos de seu ilustre mestre. Ora este Clemente também legou uma epístola considerada autêntica por todos os críticos sem excessão. No entanto da mesma forma como um Clemente pede um Paulo, um Paulo exige um Jesus!!!

O qual por isso mesmo é o tema das epistolas escritas por Paulo, nas quais é tratado como um personagem real...

Por outro lado, caso Jesus jamais tenha existido, o fenômeno Paulo fica sem qualquer explicação...

Pois esteva ele a persseguir os Cristãos, trilhando a estrada de Damasco...

Donde se infere que para odia-los e persegui-los devia saber algo sobre ele e suas crenças. E saber que a personagem adorada por eles não passava duma emanação produzida por suas próprias mentes, duma alucinação, dum fantasma, dum mito...

Neste caso a própria perseguição não faz qualquer sentido; pois caso Jesus jamais tivesse existido bastaria a Paulo e aos demais judeus, desmoralizar os alucinados perante o grande público...

Loucos raramente são tomados a sério ou perseguidos mas ridicularizados com a verdade dos fatos.

Bastaria que os sacerdotes e rabinos tivessem gritado como Emilio Bosi: Jamais existiu, para que o Cristianismo perecesse no berço, por falta absoluta de credibilidade.

Sabemos no entanto que já no século I um Dionisio de Atenas, um Tiranos, um Sérgio, um Senador Pudens, um Lino de Volterra; dentre outros; abraçam já a nova fé... e no século seguinte um Justino, um Panteno, um Tertuliano, etc homens de inclinação filosófica e larga instrução...

O fato é que Paulo ao invés de rir ou de chasquear, preferiu perseguir os tais adoradores do homem que jamais existiu...

E que o mesmo Paulo, num dado momento, a crença até então odiada e proscrita e torna-se seu principál divulgador. Sem ter se dado conta de que Jesus só existia nas mentes de seus servidores!!!

Santos céus!!! Isto é fazer de Paulo um perfeito idiota e menos do que um retardado mental.

Pois vivendo em Jerusalem e circulando por toda Judéia e Palestina, fora incapaz de averiguar que todos os fatos relacionados com a figura de Cristo eram inconsistentes e irreais. É no entanto de esperar-se que o mesmo Paulo tenha indagado a respeito do assunto tanto antes quanto depois, inclusive aos escribas e fariseus seus amigos e que estivesse mais ou menos informado...

Sabendo ao menos que se Jesus jamais ressuscitara como alegavam os fanáticos ou que se jamais nascerá de Virgem, morrerá crucificado na cidade santa e fora dado a luz num determinado lugar. Ao menos a respeito do nascimento e da morte de seu desafeto a um tempo, e Mestre a outro, Paulo deve ter efetuado certas pesquisas.

De modo a convencer-nos que o homem existiu...

Nem afirmamos que tal suposição passou pela cabeça de Paulo, como jamais passara pelas cabeças dos sacerdotes, escribas e doutores de israel, e que ele por algum momento duvidou a respeito daquilo que era de conhecimento geral. O que afirmamos é que ao converter-se ele desejou informar-se melhor e saber o assunto mais profundamente e com maiores detalhes. Passando do conhecimento vulgar ou corriqueiro para um conhecimento tanto mais exato.

E o resultado disto é que Paulo perseverou no sistema que havia abraçado até ser decapitado cerca de 67 desta Era, sob Nero, junto a pirâmide de Caio Cestius e a via ostiense.

Já foi dito ser impossivel compreender o caminho de Damasco sem a presença de Jesus.

Nem direi que sua presença era objetiva e externa como querem as escrituras, mas por ad hominem, contentar-me-ei em defini-la como mental, interna e subjetiva. Estava já o pensamento de Paulo impregnado de Cristo? Como poderia estar impregnado de algo que jamais existiu???

Seria um dos alunos de Gamaliel capaz de deixar-se ludibriar por mitos e fábulas assim tão 'fresquinhos' ou de forja tão recente sem dar com a patacoada.

A simples idéia de um Jesus fantasma, inexistente e ficticio produzido pelas mentes dos rudes galileus implica em converter Paulo de Tarso num autêntico truão, num imbecil, num quase anencefalo...

Agora os padres e mártires declaram ter tido contato real com os apóstolos...

Policarpo alegou ter sido instruido por João.

Clemente e Hierotheos Thesmotetes alegaram ter sido instruidos por Paulo.

Papias foi instruido por Filipe.

Grafté, Hermas e Ignatius de Antakia foram iluminados por Pedro.

Para as principais sés e Bispos os apóstolos eram homens reais, afinal eles tinham seus túmulos ou melhor dizendo seus 'Trophaia' troféus diante das vistas.

Por outro lado não faz qualquer sentido que os doze tenham inventado ou imaginado a pessoa de Jesus Cristo e se deixado morrer ou matar por uma invenção ou uma alucinação.

Os apóstolos existiram e por assim dizer 'deixaram-se decapitar' para não desonrar a memória de Cristo, acho prudente acreditar no testemunho deles justamente porque se deixaram decapitar quando poderiam ter se salvado muito facilmente e gozado das recompensas que os imperadores geralmente destinavam aqueles que cumpriam suas determinações.

Dar os apóstolos por inexistentes seria dar dúzias de padres antigos por idiotas... dar Jesus Cristo por inexistente seria dar os apóstolos por loucos ou por charlatães.

Postular que eram loucos não faz sentido porque mostraram acordo e os afetados raramente entram em acordo mesmo em se tratando de dois ou três. Da-los por trambiqueiros é fazer de suas mortes um mistério inexplicável; pois via de regra os trambiqueiros retratam-se diante da morte conforme a debilidade típica do cárater defeituoso.

Eis porque devemos considerar tanto mais seriamente o testemunho de Paulo e dos demais apóstolos adicionando-os aos anteriores.

E concluir que consoante tantos testemunhos Jesus não pode deixar de ter existido.

Ao menos como um judeu que viveu na Palestina, durante a primeira metade do século I, que destacou-se pela nobreza de seu cárater e que acabou sendo crucificado depois de chocar-se com as autoridades religiosas do pais.

Assim já sabemos um tantinho sobre sua pessoa e bem podemos chama-lo de 'o crucificado'.





domingo, 3 de fevereiro de 2013

Da existência histórica de Jesus Cristo

Já vimos que tanto os rabinos quanto os polemistas anti cristãos dos primeiros séculos, encaravam Jesus Cristo como uma personalidade real, embora o lapso de tempo que os separe do divino Mestre seja bem menos do que o lapso de tempo que nos separa deles mesmos.

Tais homens que viveram sob a ordem do Imperio Romano - a mesma sob a qual viveu Jesus Cristo - bem poderiam ter procurado informar-se a respeito dele nas fontes legadas pelo império e dar facilmente com o logro. Foram inclusive convidados a fazer isto, ao menos por um dos nossos Tertuliano.

Nenhum deles no entanto deu com o 'mito' ou a 'fabula' de Jesus Cristo.

E não se imagine que Luciano, Frontão, Celso, Hierocles, Jamblico, Profirio e Juliano fossem pessoas crédulas e insignificantes. Pois o primeiro deles era rematado cético habil em desmascarar as patranhas dos deuses e sacerdotes, enquanto Frontão era hábil retórico e conselheiro imperial, Celso filósofo epicurista, os outros três filósofos de grande renome e o último Imperador, tendo a sua disposição toda a máquina do imperio romano com seus arquivos, registros e bibliotecas ainda intactos. E no entanto todos convem numa coisa: Jesus Cristo existiu no tempo e no espaço enquanto figura História e real.

E como tal, como ser existente e adversário de peso foi tratado por eles.

Disto se segue que deve haver lá alguma fonte profana que diga respeito a personagem Jesus Cristo. Embora pudessemos esperar justamente o contrário em se tratando duma figura provinciana que viveu na periferia do império, como tantas outras milhões de personagens que desapareceram sem deixar quaisquer vestígios, inclusive seus nomes. E no entanto (além do já citado Talmud) - e ao contrário do que poderiamos supor - possuimos algumas referências externas sobre sua pessoa.

Alistemos sem mais delongas tais testemunhos como convem a uma obra de vulgarização:

  • Josefo - Nas antiguidades judaicas. Na verdade rios de tinta já correram com o intuito de anular este testemunho dando-o como simples glosa intriduzida pelos Cristãos na obra do escritor judeu.
          De fato em sua forma atual percebesse claramente que a passagem sofreu retoque de mão Cristã, pelo simples fato de que segundo Origenes "Josefo jamais reconheceu as revindicações de Jesus."

A questão que se coloca no entanto é se a referência a Jesus Cristo foi de todo criada ou apenas ampli-
          ada. Ora o testemunho de Origenes esclarece-nos mais uma vez porque ele faz alusão a dita passagem em que Jesus discorre a respeito do Mestre.

Alegar que a dita passagem não foi citada por Irineu, Justino ou Tertuliano é cair simplesmente no ridículo - argumento do silência (sofistico) - pelos simples fato de que não possuimos todas as obras destes escritores. Por outros lado possuimos os testemunhos de Eusébio, Jerônimo, Ambrósio, Cassiodoro, Sozomeno, Isidoro de Pelusio, Nikephoros, etc Além do já citado testemunho de Origenes.

          A Dra Irina Sventsitskaia, marxista e atéia, assim se expressa: "Hoje encontramos o original em ques-
          tão, bem mais curto, mais verdadeiro, na obra do Bispo Copta Agapius que viveu no século IX desta
          Era e que fez uso não da versão greco/Cristã mas da versão siríaca hoje perdida. Nesta versão Jose-
          fo limita-se a mencionar a figura de Jesus sem - como fariseu que era - reconhecer sua messianidade.

          Então parece que encontramos o nucleo do texto referido por Eusébio e Origenes."

Do contrário teriamos de admitir que todas as cópias de Josefo, em todas as versões e traduções, estava em posse dos Cristãos sendo ele um escritor judeu. O que parece ser patente absurdo.

Eis o texto original segundo a versão árabe de Agapius:

"Sobre esse tempo apareceu Jesus, um homem prudente. Ele chamou a si muitos judeus. E quando Pilatos, por denúncia daqueles que são os principais entre nós, condenou-o à cruz, aqueles que pela primeira vez o amavam não o abandonaram. Assim a tribo dos cristãos não cessou de crescer até hoje."
  •      O texto de Suetônius, na vida dos Césares - Caput pertencem a Claúdio - onde se diz que os judeus foram expulsos da cidade, cerca de 47/48 por terem causado um tumulto devido a ação de um certo 'Chresto':   "Judaeos, impulsore Chresto, assidue tumultuantes (Cláudio) Roma expulit" (Clau., xxv )
          É bastante provavel que nosso homem até pensasse que o próprio Cristo estivesse em Roma    provocando tais sedições, em todo caso não duvidava de que fosse uma pessoa real e tomava seu nome por Chresto que em grego significa bondoso.

 Isto condiz perfeitamente com o tempo em que Pedro chegou a cidade procedente de Antakia, doze anos após a morte do Salvador.

Pouco mais adiante ele louva o imperador Nero por ter mandado supliciar um bando de pessoas supersticiosas e grosseira que le cognomina 'Christiani'.

  •     O texto de Tácito - considerado por Voorst como o maior dentre todos os historiadores romanos - "Christus, o que deu origem ao nome cristão, foi condenado à extrema punição [i.e crucificação] por Pôncio Pilatos, durante o reinado de Tibério; mas, reprimida por algum tempo, a superstição perniciosa irrompeu novamente, não apenas em toda a Judéia, onde o problema teve início, mas também em toda a cidade de Roma."
          Nem é preciso dizer que alguns eruditos desonestos e maliciosos - Romer, Wellesley, Wuilleumier 
repudiam o texto pelo simples fato
          de que faz alusão a Jesus. E como sempre ocorre em tais casos, julgam o documento partindo
          de suas próprias crenças (na inexistência de Jesus) e mergulhando no subjetivismo crasso e desbra-
          gado.

          Isto porque no paragrado em questão há cinco tropos ou elementos alusivos a figura de Cristo e
          que estão de pleno acordo com aquilo que lemos nas epistolas paulinas e nos Evangelhos: 1 - Cristo
          2 - Cristão,  3 - Tibério   4 - Pilatos  5 - E extrema punição que é punição capital ou a morte. E ne-
          nhuma evidência objetiva de que não faça parte do original ou que tenha sido introduzido pelos
          Cristãos.

  • De maior importância é a carta de Plínio, o Jovem, ao imperador Trajano (110 d C), em que o governador da Bitínia consulta sua majestade imperial quanto à forma de lidar com os cristãos que vivem dentro de sua jurisdição.
         "Pela aurora prestam reverências a Cristo como se fosse um deus (QUASI DEO)." diz ele em sua décima epistola, 97 sgs

  • A carta de Mara bar Serapion a seu filho, encontrada na Nitria, pertencente aos Curetonianos e datada por F F Bruce como tendo sido composta cerca de 73 d C,  por ocasião da tomada de Samosata
          Eis seu conteudo: "Que vantagem os habitantes de Samos obtiveram por terem queimado Pitágoras? Acaso a cidade deles não foi engolida pela terra?
Que vantagem os atenieneses obtiveram da condenação de Sócrates? Fome e peste acometeram-lhes após nefando crime.
Que vantagem os judeus obtiveram da execução de seu santo rei? Após tais acontecimentos o reino deles foi destruido.
Com justiça  Deus vinga a morte dos sábios.
Os atenienses pereceram pela fome
Os de samos engolidos pelo mar
E os judeus aniquilados e expulsos de sua terra, passando a viver dispersos...
Nem o rei santo esta morto mas vive nos ensinamentos que deixou."

Que o autor da carta não é judeu, salta a vista.
Que não seja Cristão é igualmente certo, pois do contrário teria dito que o Rei vive porque ressurgiu dos mortos e não que vive apenas através de seus ensinamentos.
Trata-se portanto duma fonte pagã, muito provavelmente monoteista e procedente da Síria como Numenius e Nicolau de Damasco.
O fato de designar Jesus como Rei dos judeus, diz respeito certamente a inscrição que Pilatos mandou por sobre a Cruz.
Que se trate de Jesus Cristo é evidente porque os judeus só foram dispersos duas vezes: Por Nabucodorosor, seis séculos antes de Cristo; e pelos romanos no ano 70 desta nossa Era.
Antes de Nabusodorosor porém não há notícia de qualquer Rei Santo assassinado pelos próprios Judeus. Josafa, que até os dias de hoje constitui o modelo de rei santo para os hebreus, foi Morto pelos exércitos egipcios de Necau e não por seus súditos.
Após darem morte a Jesus no entanto foram eles expulsos de Jerusalem e dos arredores e seu templo destruido; fatos a respeito dos quais alude claramente o autor da Epistola, a qual, caso Bruce esteja correto, foi escrita cerca de quarenta anos após a morte do Salvador. Por outro lado, supondo que tenha sido composta durante a guerra da partiena (165) temos um espaço de cento e trinta anos; neste caso o testemunho seria coêvo ao de Luciano.


  • Thalo (52 d C) citado por Julius, Africanus (sec III) na sua 'Crônica':
"Thalo, no terceiro dos livros que escreveu sobre a história, explica essa escuridão como um eclipse do sol - o que me parece ilógico:

"Na Crucificação de Jesus, o mundo inteiro foi atingido por uma profunda treva... As pedras foram rasgadas por um terremoto, muitos lugares na Judéia e outros distritos foram afetados".

  • Flegon:
"Durante o tempo de Tibério César, ocorreu um eclipse do sol durante a lua cheia".

Filiponos in 'Criação do mundo' II,21, assim se expressa:

"E sobre essas trevas... Flêgão meciona-as em Olimpiadas (o título do livro que escreveu) e declara:

"Flêgão mencionou o eclipse que aconteceu durante a crucificação do Senhor Jesus Cristo e não algum outro eclipse; está claro que ele não tinha conhecimento, a partir de suas fontes, de qualquer eclipse (semelhante) que tivesse anteriormente ocorrido... e isso se vê nos próprios relatos históricos sobre Tibério César".

Naturalmente que este testemunho é indireto.

  •  Numenius, o pitagórico
Origenes refere (Contra Celso IV,51) No terceiro livro sobre o bem "Ele reproduz uma parabola de Jesus, ainda que não mencione seu nome."


Certamente que também se trata de um testemunho indireto. Ademais a referida obra de Numenius encontra-se perdida.

  •  Lampridius. Já nos referimos ao testemunho indireto de Lampridius a respeito dos homens idosos, onde havia registrado ter travado conhecimento com alguns personagens curados ou mesmo ressuscitados por Jesus Cristo.

Então temos - a contar com o Talmud - seis testemunhos diretos a respeito da existência histórica de Jesus Cristo: Josefus, Tácito, Suetônio, Mara e Plínio; sendo o de Tácito de primeira categoria e o de Josefus bastante seguro.

E mais quatro testemunhos indiretos: Thalo, Flegon, Numenius e Lampridius.

Num total de dez testemunhos. Conjunto apreciavel.

Então precisa ser muito desonesto, sem vergonha e cara-de-pau para repudiar um conjunto inteiro de testemunhos.

Não é a existência Histórica, física e humana de Jesus, objeto de FÉ como pretendem alguns ignorantes, mas fato histórico certificado por no mínimo dez fontes de origem extra Cristã.

Não é objeto de fé mas de pesquisa Histórica cientificamente elaborada e exata.

Não é objeto de crença ou de religião mas acontecimento real, seguro e sério.





Da existência Histórica de Jesus Cristo

Nestes nossos tristes tempos tornou-se moda negar a existência deste ou daquele personagem histórico talvez porque o merecimento e a superioridade deles desperte rancores por parte da mediocridade contemporânea.

Assim Homero, assim Buda, assim Sócrates e assim Jesus Cristo... ah e Shakespeare.

De fato a humanidade ou certos setores dela não aprendeu a conviver com a genialidade, o heroismo e o ideal.

Quem já pensou em negar a existência de Nabudorosor, Alexandre, César, Gengis Kan ou Tamerlão???

E porque???

Por que deixaram após si um lastro de morte e de destruição... testemunhos concretos que ninguém ousaria negar.

Quanto a Homero, Buda, Sócrates e Jesus no entanto, que deixaram? Que legaram a humanidade a não ser um lastro de principios e valores assaz elevados que a maioria de nós acredita ser impossivel cumprir???

Então tais figuras nos incomodam. Porque exigiram de nós coisas muito dificeis... porque recomendaram o heroismo... porque conseguiram formular um ideal de perfeição que esta para muito alem de nosso comodismo, de nossa mediocridade.

Daí o égo revoltar-se contra tais preceitos a ponto de decretar a inexistência daqueles que ousaram propo-los, como a exercer uma espécie de vingança. Vinga-se o mundo face aos apóstolos do ideal repudiando suas existências e remetendo-os ao mundo dos mitos...

Nada mais fácil, tendo em vista evitar um confronto direto com o Cristianismo, do que negar pura e simplesmente a existência de seu fundador.

Porque se Jesus jamais existiu as profecias que dizem respeito a sua pessoa jamais foram cumpridas...

Porque se Jesus jamais existiu a ética proposta por ele não precisa ser discutida...

Porque se Jesus jamais existiu o Credo Católico não precisa ser refutado em cada um de seus pontos constituitivos.

Para que perder tempo com profecias, valores e mistérios se o personagem que lhes confere sentido é puramente mítico ou irreal???

E no entanto o Talmud menciona, ao menos uma vez a figura de Jesus Cristo. Conforme admitiu o erudito rabinista polones Sloviev. Sinal de que os rabinos e doutores dos primeiros séculos não encaravam Jesus como uma fábula.

O próprio Toledoth Yeshua ou livro das gerações de Jesus, em que pese sua composição tardia (século IV) refere a tradições ou memórias judaicas que penetram o século II, uma vez que a estória do soldado Ben Pantera é referida por Origenes ( que viveu no século III) em sua polêmica contra Celso. Sinal de que para os sábios e eruditos judeus do século II Jesus Cristo era uma personagem real e não uma personagem ficticia ou inexistente...

Outros testemunhos históricos de origem judaica a respeito da existência histórica de Jesus Cristo:

"Outras sifras dos judeus mostram certa familiaridade com o assassinato dos Santos Inocentes (Wagenseil, "Confut Libr.Toldoth.", 15;. Eisenmenger op cit, I, 116;. Schottgen, op cit, II, 667.)., com a fuga para o Egito (cf. Josephus, "Ant." XIII, xiii), com a ida de Jesus ao templo aos doze anos (Schottgen, op. cit., II, 696), com a convocação dos discípulos ("Sinédrio", 43a; Wagenseil, op cit, 17;.... Schottgen, ibidem, 713), com os seus milagres (Orígenes, "Contra Cels", II, 48; Wagenseil, op cit, 150.. ; Gemara "Sinédrio", fol 17); ". Schabbath", fol. 104b; Wagenseil, op.cit., 6, 7, 17), com a sua pretensão de ser Deus (Orígenes, "Contra Cels.", I, 28;... Cf Eisenmenger, op cit, I, 152; Schottgen, . loc cit, 699) com a sua traição por Judas e sua morte (Orígenes, "Contra cels.", II, 9, 45, 68, 70,... Buxtorf, op cit, 1458;. Lightfoot, "Hor Heb. ", 458, 490, 498; Eisenmenger, ibidem, 185;.. Schottgen, ibidem, 699 700;.. cf." Sinédrio ", VI, VII). Celso (Orígenes, "Contra Cels.", II, 55) tenta lançar dúvidas sobre a Ressurreição, seguindo passo a passo o roteiro do Toledoth (cf. Wagenseil, 19) e repete a ficção judaica de que o corpo de Jesus tinha sido roubado do sepulcro.

O mesmo se pode dizer a respeito dos pagãos que escreveram contra a pessoa de Jesus Cristo nos primeiros séculos a começar por Luciano, seguido por Frontão, Hierócles, Porfirio e Juliano. Nenhum destes escritores alegou que Jesus Cristo jamais tivesse existido embora tivessem acesso as informações contidas nos arquivos do império romano, o qual era excepcionalmente bem organizado neste sentido.

Tertuliano, que era filho de um oficial romano radicado na África e fora jurista de renome antes de abraças nossa religião, cerca de 180 desta Era, ousou recorrer justamente aos documentos oficiais do império romano para certificar que Jesus Cristo fora rescenceado no tempo de Augusto César, conforme declara o Evangelho. Interessante é que ele não obteve réplica por parte dos judeus e pagãos, os quais bem podiam te-lo acusado de mistificação.

Justino, que era nativo de Flavia Neapolis (a Sebasta dos samaritanos) cidade bastante próxima da terra de Jesus, afirmou em seus escritos que havia ele mesmo visto os objetos de maderia, mesas e cadeiras, fabricados por Jesus e seu pai adotivo, S José, durante o tempo de suas vidas mortais, e não consta ter recebido réplica ou ter sido citado como mentiroso por seu rival Crescêncius.

Quadrato de Jerusalem em sua apologia disse ter visto ele mesmo algumas das pessoas que haviam sido curadas e ressuscitadas por Jesus Cristo asseverando que ainda viviam no tempo em que ele escrevia, cerca do ano 110 desta Era. Ao que parece tais pessoas foram citadas pelo historiador grego e pagão Lamprides no volume a respeito das pessoas que viveram muito tempo.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Fundamentos do Cristianismo > A quem foram entregues as profecias

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É hoje um 'quase dogma' a ideia segundo a qual apenas os judeus receberam comunicações ou advertências sobre a futura Encarnação do Verbo.

E que os demais povos e nações da terra foram arbitrariamente excluídos pela divindade, a qual não teria empenhado qualquer esforço no sentido de prepara-los para tão significativo evento.

Teriam assim permanecido no escuro ou na mais completa ignorância a respeito da aparição do Senhor Jesus Cristo e não teriam sido previamente convocados para a recepção do Evangelho.

Tal a concepção tosca prevalecente nestes dias de decadência e obscuridade.

Amplamente divulgada tanto pela moderna literatura protestante quanto pela moderna literatura romanista, em que pese não corresponder a crença dos antigos padres segundo a qual o gênero humano como um todo - Isto é cada nação - havia sido previamente convocado pela divindade com o objetivo de abraçar a instrução divina e entrar na sociedade da Igreja.

Tal a opinião de Justino Mártir para quem Heráclito, Platão e outros homens ilustres da Grécia haviam sido divinamente nimbados pela luz da profecia e informados sobre a vinda do divino Mestre. Tal o parecer de S Clemente de Alexandria o qual em sua trilogia: Stromateis, Pedagogo e Protréptikos apresenta não apenas Sócrates e Platão mas inclusive Homero e Hesíodo como profetas da gentilidade. Tal a compreensão do grande Eusébio de Cesarea exposta na 'Preparação Evangélica'. Lactâncio Firmo admitiu ter Sócrates anunciado o Cristianismo antes de Cristo... Tal a fé de Justino, Atenágoras, Orígenes, Teófilo, Tertuliano, Cipriano, Hipólito, Clemente, Comodiano, Maternus, Arnóbio, Eusébio, Ambrósio, Agostinho, Cirilo de Alexandria, Eustatius de Saloniki, Suiudas, etc Os quais amiúde citavam os oráculos sibilinos a par dos oráculos judaicos, ou seja, em pé de igualdade com eles.

Dando continuidade a esta tradição imemorial Cellano assim se expressa no 'Dies irae': Teste David cum sibila querendo significar que tanto as Sibila quanto os Salmos continham advertências proféticas.

Dante também faz alusão a tais oráculos e mais ainda recentemente o Padre Caldéron de La barca numa de suas peças. Giotto e Michelangelo inclusive não hesitaram em representar as tais profetizas pagãs nas igrejas papistas da Itália.

O já citado Lactâncio também encontrou alusões a Jesus Cristo no antigo Corpus Hermeticum... Ele foi seguido em sua opinião por Ficcino, Pico de La Mirandolla, Campanella e mesmo Giordano Bruno. 

Um após o outro os padres referem sucessivamente e a opinião de Platão a respeito da necessidade de que "Um instrutor divino." se manifestasse entre os mortais para informa-los com exatidão sobre as coisas santas e divinas.

Virgilio, em nome da Sibila assim se expressa:

"Chega por fim a idade prometida
Nos versos de cumea; novos erros
vão descerrar-se em magestosa série
Astrea volta, voltam de Saturno
Os tempos venturosos; raça nova
D homem nos manda agora o céu supremo
Concede teu favor, casta Lucina
Ao menino que nasce; ele no mundo
Extinguindo primeiro os férreos dias
Fará surgir os séculos dourados

Deixando suficientemente claro que nem todos estes oráculos eram falsificações elaboradas 'a posteriori' por Cristãos. Afinal o mantuense florescerá sob Augusto César e falecerá antes do nascimento de Cristo e do advento do Cristianismo. 

Tacito e Suetonius referem que a esperança do Messias era comum a todos os povos do Oriente e não apenas aos judeus.



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Temos aqui mais alguns testemunhos da Sibila:

Europa: "Sob um pequeno alpendre, aberto, inabitado
O Rei dos reis nasce pobremente."

Helespôntica: "Uma santa jovem, sendo mãe e Virgem
Conceberá um filho de poder imortal
Ele será deus da paz e o mundo, perdido
Será salvo por ele."

Egipcia: "O Verbo se fez carne, sem poluição
Duma Virgem ele toma seu corpo."

Amalthea: "Deus para nos resgatar, toma humana vestidura."

Cumes: "Virão adora-lo humildes prosternados
lhe oferecerão ouro, incenso e mirra."

Eritrea: "Vejo o filho de Deus vindo do Olimpo
Entre os braços de hebréia Virgem."

Cassandra: "Nos campos de Belem, em lugar agreste
Eis que uma Virgem se torna mãe de Deus."

Samiense: "De espinhos se cobre sua fronte e é entregue a morte."

Ancira: "Ele sofre rude golpe e morto esta
Sem sua morte morrerriamos presos ao pecado."

Libica: "Um rei do povo hebreu sera o redentor
Bom, justo e inocente. Pelo pecador mortal muito sofrerá."

Pérsica: "Com grande modéstia
Conquanto rei, montado sobre um asno
Fará sua entrada em sion e injuriado
Condenado pelos maus, sofrera a morte."

Delfica: "Ele sofrera a morte para da morte
Resgatar os povos todos."



Profecias ou fantasias???


Tais referências, a Jesus Cristo no corpo do antigo paganismo, são tão abundantes que os neo pagãos chegaram a formular a tese segundo a qual o Jesus histórico jamais teria existido, mas apenas imaginado pelos antigos pagãos.

Como haveremos de certificar mais adiante esta solução comporta dois erros capitais:

1 - A negação arbitrária da existência histórica de Jesus. Quando sabemos que sua existência histórica é assinalada por diversas fontes judaicas e pagãs, assim o Talmud, Josefo (No original citado por Agapius), Tácito, Plínio e Suetonius bem como por evidências circunstanciais (A existência histórica de Paulo, Pilatos, etc) e mesmo arqueológicas, como a existência do túmulo de Pedro e de outros apóstolos. 


Teoria ultrapassada por sinal e digna apenas de homens mal informados dos séculos XVIII e XIX como Dupuis e Bossi.

Os homens bem informados e sintonizados com as descobertas arqueológicas mais recentes optam preferencialmente por pesquisadores como Vermes e Crossan...

2 - Não ter sido adotada pelos críticos pagãos que se achavam bem mais próximos das origens do Cristianismo do que nós. Assim Fronton, Porfírio, Jamblico, Hierócles, Celso, etc Os quais compuseram obras 'monumentais' com o objetivo de demonstrar não que Jesus Cristo inexistisse, mas que não passará de um homem grosseiro e vulgar ou de um bárbaro judeu sem mérito algum.

Agora caso Jesus Cristo jamais tivesse existido como tais homens, imperadores, governadores, administradores, filósofos, etc poderiam ignora-lo a ponto de se darem ao trabalho de 'pugnar contra moinhos de vento' ou gigantes imaginários a semelhança do Quixote... Nada mais humilhante para os defensores do paganismo antigo do que a solução proposta pelos neo pagãos, de cuja validade resultaria terem sido eles perfeitos idiotas! Afinal tinham acesso aos arquivos ainda não destruídos pelas invasões árabes e germânicas, bastando-lhes recorrer a tais registros e levantar material e documentalmente o processo de Jesus Cristo, demonstrando não ter passado ele de um mito ou invenção e pondo fim a questão, ficando o Cristianismo desmoralizado!

Mormente quando homens classificados como rudes, a exemplo de Justino e Tertuliano terem registrado em suas obras que os documentos a respeito da existência de Jesus achavam-se arquivados nos arquivos do Estado romano, o que é absolutamente plausível uma vez que tais arquivos não eram apenas muito bem organizados mas repositório de toda sorte de informações concernentes a administração pública e assim dos censos imperiais, relatos de sedições, sentenças, decretos, execuções, etc O que, ao tempo de Jesus, era igualmente observado entre os judeus. Apesar disto quem ousou dizer que Justino ou Tertuliano haviam mentido ou mistificado??? E estamos em plena Era das perseguições???

Uma vez que bem podiam ter executado tão grandioso plano sem maiores problemas por que raios não o fizeram, dando-se ao trabalho nada glorioso de tomar a sério uma fantasia produzida pela imaginação exaltada de um grupinho de judeus ignorantes??? Quando poderiam - desmoralizando por completo o Cristianismo - ter poupado tanta efusão de sangue, e armas, e soldados, recursos, dinheiro, etc Por que o Império não tomou esta via, tão menos custosa, ao invés de encetar uma perseguição inútil e contraproducente??? Acaso não sabiam os líderes do Império - gente estudada nos Líceus e Acadêmias - que estavam a combater um fantasma???

Digam-me agora se tomar semelhante patranha - Da existência histórica de Jesus - por verdadeira não é sinônimo da mais crassa estupidez??? E no entanto esses homens 'estúpidos', esses idiotas, esses otários são Jamblico, Hierócles, Juliano, Celso, Porfírio, Fronton... A nata ou a fina flor da cultura romana! Dar Jesus por inexistente é dar a intelectualidade clássica, greco romana e fiel ao paganismo antigo por inepta!

Nada mais mortificante para a antiga crítica pagã anti Cristã do que a crítica neo pagã. Pois significa que todos esses homens ilustres, imperadores, governadores, filósofos... Fizeram foi tempestade em copo dágua e meteram os pés pelas mãos quando poderiam ter destruído o inimigo ainda no berço demonstrando a inexistência de seu fundador.

E os escribas, fariseus e rabinos por que não fizeram o mesmo ao invés de terem se dado ao trabalho de compor o Toledoth Yeshu??? Por que cargas dágua infamar ou denegrir um mito ou alguém que jamais existiu??? Por que os antigos judeus não declararam desde o princípio - Sob a proteção do Império pagão - que Jesus de Nazaré jamais havia existido mas sido inventado pelos apóstolos ou imaginado por eles? Por que optaram por fazer o jogo de seus odiados inimigos apresentando o mito Jesus como um apóstata, sedutor e feiticeiro ao invés de terem gritado aos quatro ventos que Jesus jamais existira? Será que também eram tão estúpidos quanto os líderes do paganismo?

Neste caso quem escaparia a pecha de idiota nos primeiros séculos??? NINGUÉM... E agora vejam só o resultado: Uma dúzia de judeus analfabetos, iletrados, rudes, grosseiros e estúpidos executaram a façanha de enganar o universo ou o mundo como um todo, fazendo com que acreditasse num ser que jamais existira! E não houve uma alma sequer, judia ou pagã, que atreveu-se a revirar os arquivos imperiais e dar com o logro!!! É dar o mundo antigo, como um todo, por trouxa!

A questão se torna bem mais complexa e indesejável caso admitamos não apenas que Jesus Cristo tenha existido historicamente - O que chega a ser uma obviedade - mas que há motivos suficientes para acreditarmos nos relatos contidos nos Evangelhos. Pois neste caso teríamos de explicar justamente porque parte dos eventos relativos a existência dele teriam sido previamente anunciados por judeus e pagãos, o que de modo algum se explica por via natural, colocando os dogmas do naturalismo, do materialismo e do ateísmo em cheque! Eis o que se quer evitar recorrendo-se ao expediente desonesto e vergonhoso de negar a existência histórica de Jesus Cristo, sem atinar que esta solução é demasiado recente. E que jamais ocorrera a qualquer adversário seu nos primeiros séculos desta Era, quando justamente deveria ter ocorrido!


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