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A consciência histórica do Cristianismo

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terça-feira, 6 de novembro de 2018

CX - S Policarpo de Esmirna e S Pápias de Hierapolis

Policarpo é nome de origem grega que significa 'muitos frutos'.

Segundo Irineu, na carta a Florino, citada por Eusébio, ele - Irineu - jamais havia esquecido as narrativas a respeito de como Policarpo se assentara aos pés de João, o teólogo e fora nomeado pelos apóstolos Bispo de Esmirna ( Tertuliano Praescr XXXII assevera ter sido ele sagrado por S João) Sendo portanto o 'anjo' daquela Igreja, citado no livro da Revelação, muito provavelmente composto por este João, não o apóstolo, mas o ancião, ou presbítero. Teria portanto sido companheiro de Pápias...

Já no livro 'Contra as heresias' assim se expressa Irineu: "Posso recordar eu, Policarpo, o qual foi ouvinte dos apóstolos e conviveu familiarmente com muitos dos que tinham visto o Senhor, o qual foi estabelecido Bispo da Ásia, na Igreja de Esmirna, pelos próprios apóstolos. Nos o conhecemos em nossa infância porque teve uma vida longa e era já muito idoso quando obteve a palma do martírio. Ora ele sempre ensinou o que aprendido tinha com os apóstolos." Adv Haeres III 02-04. Considerando que este Irineu faleceu cerca de 200/210, deve ter convivido com Policarpo entre 140/150.

Já pelos idos de 107 Inácio, outro ouvinte dos apóstolos, enviara-lhe uma elogiosa carta de despedida.

Sabemos ainda, diretamente por Irineu e Indiretamente por Hegesipo, que Policarpo veio a Roma pelos idos de 155, apaziguar os ânimos, devido a questão da data da Páscoa, que os asiáticos, com Polícrates, oficiavam ao 14 de Nisan, fosse qual fosse o dia da semana. E que sendo recebido pelo primaz Aniceto. Consta que nenhuma das partes cedeu em seu costume, mas que por deferência Aniceto entregou a presidência da Eucaristia ao 'Doutor da Ásia e Pai dos Cristãos'. É o que conta Eusébio na História.

Consta ter perecido pelo fogo, no estádio de Esmirna, em meados de 156, com pouco mais de cem anos - Admitido que servia a Cristo por 86 anos e se convertera aos 15 ou 16. Tendo nascido em 56 bem pode ter conhecido o apóstolo João - falecido pouco depois de 70 ou entre 70 e 80 - e certo número de discípulos do Senhor, como o já citado João, o antigo, provável autor do livro da Revelação.

Segundo Irineu Policarpo havia escrito certo número de cartas a diversas congregações e líderes, mas apenas uma chegou até nós, a que fora dirigida aos Filipenses. Segundo P N Harrison temos na verdade duas cartas fundidas numa só. (Primeira carta = Últimos caps e segunda carta = Cap Doze primeiros caps mas pode ser até IX 02 esta última suposição é minha!)

Assim, no que tange a carta maior (aos nove ou doze primeiros caps) a datação corresponderia ao ano 130, o que é absolutamente plausível.

Segue a resenha doutrinal do documento -

A Encarnação do Senhor: "Quem não confessa que Jesus Cristo veio na carne é o anti Cristo." VII,01
O pecado - "Somos todos devedores do pecado."  VI,02
A graça - "Sabeis já que pela graça justificados fostes, não por obras, mas pela graça de Deus comunicada por Jesus Cristo." III
Necessidade do Cristão fazer boas obras - "Caso nossa conduta seja digna dele, com ele reinaremos por mercê da fé." V,02 "Até pelos pagãos deveis ser aplaudidos por vossa conduta irrepreensível e obras santas, para que o nome do Senhor não fique exposto a zombarias." XI,02
A esmola - "Quando façais o bem não o deixeis para depois uma vez que: 'A esmola preserva da morte'" XI,01
Acesso a perfeição ou impecabilidade - "Aquele que tem o amor dentro de si está distante do pecado." III,03
A vivificante cruz - "Quem não aceita o testemunho da cruz é do maligno." VII,01
Ortodoxia - " Guardando a fé imutável."
XI,01

Imortalidade consciente - "E o beato Paulo, pois nenhum deles correu em vão, mas conduzidos pela fé e pela justiça tomaram posse do lugar que lhes estava reservado junto do Senhor porque padeceram." IX,01
Ressurreição da carne - "O que afirma que os mortos não ressuscitam esse é o primogênito do maligno." VII,01

Imitar Jesus - "Fiquei feliz por vós, porque recebestes os imitadores do Amor verdadeiro." I,01
Amor ao próximo - "Ela, a fé, é a mãe de todos nós, seguida pela esperança e precedida pelo amor a Deus, a Jesus Cristo e ao próximo." III,03
Avareza - "É a avareza um tipo de idolatria."
XI,01
Evitar o pecado - "Vos exorto para que eviteis a avareza... e vos guardeis de todo mal."
XI,01





Da Carta sobre o martírio de Policarpo, enviada pela Igreja de Esmirna a Igreja de Filomélio em 156:


Trindade excelsa - "Pelo eterno e celestial sacerdote Jesus Cristo, teu amado Filho, pelo qual glória seja dada a ti, com ele e o Espírito Santo, agora, sempre e pelos séculos dos séculos, amém."
XIV,03Igreja Católica - "Ele lembrou-se da S Igreja Católica espalhada por toda terra." VIII,01
Imortalidade consciente - "Com eles
(os mártires) possa eu ser admitido HOJE na tua presença, como um sacrifício deleitoso." XIV,02
Reverência aos Santos - "Mesmo durante o tempo de sua vida era já reverenciado devido a santidade de sua vida." XIII,02
As relíquias dos Santos - "Mais tarde pudemos nós recolher seus ossos, mais preciosos do que pedrarias e mais valiosos do que ouro, para coloca-los em conveniente lugar e quando possível ali nos reunir jubilosos para comemorar a data de seu martírio."
XVIII,02
Adoração dominical - "Era o dia do Sábado maior."
VIII,01


 

II - S Pápias de Hierapolis


Segundo G Bardy é S Pápias 'Uma das figuras mais misteriosas da antiguidade Cristã... e as poucas notícias que temos sobre ele, tem dado lugar, por parte dos pesquisadores, a intermináveis controvérsias.' in D T C XI sec part, 1944/47.


A respeito dele testifica Irineu ter sido ouvinte de S João e amigo de Policarpo Adv Haeres V,33,04. Eusébio, corrigindo, declara que fora discípulo, não do Apóstolo João, mas de João, o antigo ou ancião, ou ainda Presbítero. Floresceu entre 70 e 140 e é dado por mártir.

Interessante, misterioso e controverso é Pápias avaliado por Eusébio como sendo uma mentalidade medíocre, talvez porque ouvinte, não ao apóstolo, mas de um discípulo chamado João, muito provavelmente autor do livro da Revelação, admirador da literatura apocalíptica judaica, assim judaizante. Teria este discípulo longevo do Senhor, amiúde confundido com o apóstolo homônimo, se instalado - tal e qual o apóstolo - na Ásia menor e conquistado um bom número de adeptos. Como derradeiro ouvinte do Mestre deve ter atraído a sua localidade certo número de peregrinos e idoso pode ter confundido as coisas e atribuído ao Senhor o quanto lerá nos tais apocalipses dando origem a corrente milenarista ou quiliasta, de que Pápias se fez porta voz e que tanto exasperou os padres gregos...

Penso num ancião esclerosado, que ao fim da vida, agregando resíduos judaicos a fé - como apostasia, milênio, conflagração universal, anti Cristo, Besta, demonismo, inferno, etc - prestou um imenso deserviço a igreja, obscurecendo a simplicidade da autêntica escatologia Cristã e lançando as sementes de futuras dissenções intermináveis, e o fim de tudo isto é uma seita chamada 'apocalíptica' presente em todos os setores da Cristandade, particularmente nas seitas bíblicas ou carismáticas onde a leitura do livro da Revelação ultrapassou a leitura dos Santos e divinos Evangelhos. Tudo isto é a um tempo trágico e patético...

Bem Pápias pertence a esta corrente, assim Irineu, Tertuliano e os elderes que o seguiram devido a antiguidade de seu testemunho, adiciona Eusébio. Podemos dizer assim que Pápias fez, e faz escola e compreender ao mesmo tempo a exasperação de Eusébio.

Como não sabia discernir muito bem entre as fontes autenticamente Cristãs e as fontes hebraicas e fosse filho da cultura, inserido numa cultura de oralidade, compilou ele uma espécie de 'Puranas' do Cristianismo nascente, adicionando narrativas apócrifas já escritas, visões, etc inclinando-se para o miraculoso até o fantástico. Tinha porém boa vontade, pelo que convém ouvi-lo:

"Para ti não hesitarei, adicionar as minhas explicações, o que outrora ouvi eu dos antigos, e cuja lembrança bem guardei, estando seguro de sua veracidade. De fato eu não me comprazia, como a maioria das pessoas, no muito dizer, porém buscava a verdade, não me satisfazia com boatos, mas com aqueles que narravam os mandamentos do Senhor, frutos da verdade. E se sucedia, conhecer eu algum dos que tinham ouvido os antigos, eu me informava a respeito do quanto haviam dito eles, o que havia anunciado André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus ou qualquer outro dos discípulos do Senhor, assim Aristion e João, o antigo, discípulos do Senhor. Eu não julgava que as coisas conhecidas através do relato escrito, não fossem tão úteis quanto as que ouvimos, por meio da palavra viva e permanente." Eusébio H E III, 39, 1-4Caso prestemos máxima atenção a estas palavras constataremos que há nelas certo vigor e solenidade. Pápias era apenas crente, não tolo e se foi enganado, enganado foi pelo velho presbítero judaizante. Ousarei dizer que apesar de sua crença tosca no milenarismo, era este Pápias homem genial por ocorrer-lhe por a tradição oral no acesso de todos, dando-lhe forma escrita, o que a seu tempo deveria ser um tabu! O fruto de suas pesquisas foi uma obra composta de cinco tomos intitulada 'Exegese ou explicação das palavras do Senhor', pelo fato de acompanhar Mateus e Marcos quanto a opção preferencial por Logias, assim o dito Evangelho de Tomé que temos por apócrifo.

Salvo falta de memória minha foi Pápias repetidamente citado por diversos autores, assim Cláudio Apolinário, Ecumênio, Victor de Cápua, André de Cesaréria e aproveitado por outros tantos - inclusive por Eusébio - até o século XVI, quando cessando de ser copiada, provavelmente devido aos defeitos citados por Eusébio, desapareceu, e com grave dano para a consciência Cristã.

Não vou reproduzir aqui o testemunho favorável a crença
milenarista, pois ainda que não constitua uma Heresia, choca-se com a piedade. O milênio consiste numa intuição a respeito do futuro ou da Era Cristã, mal compreendida ou assimilada pelos hebreus. A Igreja, Reino de Cristo ou cidade de Deus é que concretizará esta era ou período no mundo presente na medida em que nele encarnar-se inspirando uma vida - alias social e política - pautada na Lei de Jesus Cristo ou no Evangelho. Este triunfo, ao menos ético, senão credal, da Instituição Cristã é que corresponde ao milênio, correspondendo os mil anos a uma cifra simbólica que não deve ser matematicamente considerada i é ao pé da letra. Será o derradeiro estádio da História humana, iluminado pela graça de Cristo.

Portanto não devemos esperar nenhum tipo de cataclismo, de evento cósmico ou de mudança radical, mas a expansão paulatina de Pentecostes ou do cenáculo por meio dos Santos Sacramentos fixados por Jesus Cristo.

Tampouco mencionarei ipsa verba os estranhos relatos sobre a morte de Judas, o traidor. Tomou ainda alguns relatos as filhas de Filipe, virgens e profetizas que se haviam instalado em Hierapolis e ali morrido. Segundo tais relatos, Justo Bársabas, teria ingerido veneno mortal e permanecido incólume por antes ter invocado o nome do Senhor. Também a mãe de Manaim teria sido trazida novamente a vida.

Importa conhecer o que ele disse sobre a Escritura canônica, particularmente a respeito de nossos Evangelhos.

A respeito de S Mateus, registrou:

"Ele reuniu ordenadamente, na lingua hebraica, as palavras de Jesus e cada qual interpretou-as conforme sua capacidade." apud Eusébio H EPor hebraico devemos compreender o aramaico, assim o original de S Mateus. A expressão 'logoi' ou palavras parece excluir a parte narrativa deste Evangelho, que muitos, como Jerônimo de Stridon, julgam derivar do Evangelho dos Hebreus. Interpretar aqui, suporta traduzir, indicando que já circulavam versões gregas deste Evangelho.

Já sobre Marcos, declara:

"Marcos, tendo sido amanuense de S Pedro escreveu fiel, porém desordenadamente, tudo quanto recordava das palavras e ações do Senhor. Ele não tinha ouvido o Senhor nem o seguido, mas tomou as lições de Pedro, o qual costumava relata-las conforme a necessidade, não segundo a ordem exata. Assim Marcos não se equivocou, mas registrou segundo havia ouvido e recordava, e sua preocupação era apenas uma - Não omitir nada nem inventar coisa alguma." Junta Eusébio que ele também se referiu a Primeira Carta de S João e a uma das Cartas de Pedro e que conhecia a narrativa da Pecadora perdoada (João VIII), cuja fonte seria o Evangelho dos Hebreus.


Resta explicar porque ele não testemunhou a respeito do quarto Evangelho. Uma vez que parte dos racionalistas como Baur, foram levados a situa-lo na segunda metade do século II, justamente, devido a esta omissão. Uma vez que alguns insistiam indevidamente que S João e João, o antigo eram a mesma pessoa. A prova de que não eram é que Pápias - apud Irineu - conheceu o livro da Revelação. Agora a respeito de que tenha conhecido o Evangelho de João, não temos evidência alguma. Como podia ter conhecimento de uma obra e não da outra, dado que tenham saído da mesma pena? A hipótese mais plausível, como já dissemos, é que ele não conheceu o Apóstolo autor do núcleo daquele Evangelho - morto entre 70 e 80 - mas um discípulo de nome João, autor do Apocalipse. O que confirma do mesmo modo a Tradição, segundo a qual a I Carta de S João, fora escrita antes do quarto Evangelho e para servir-lhe de prólogo, o que explica que sua circulação fosse anterior e mais ampla já que a redação definitiva do quarto Evangelho foi elaborada pela comunidade joanina cerca do ano 90 desta Era.

Aos que quiserem saber mais sobre esta grande controvérsia, em torno da autoria e valor do Livro da Revelação, recomendamos nossa obra - "Foi o livro da Revelação escrito por S João, o apóstolo?"

Eis tudo quanto temos a dizer sobre Pápias de Hierapólis e sua obra.

CVII - Primórdios da literatura Cristã: O didaqué

  Didache kyriou dia ton dodeka apostolon ethesin ou 'Ensino do Senhor ministrado pelos doze apóstolos as nações' é seu título.

Conforme Rodorf, segundo alguns estudiosos a Didaké seria uma coleção de escritos anteriores a destruição do tempo de Jerusalém e portanto registrada entre os anos 60 e 70. J A T Robinson situa-a entre 70 e 80 e alguns outros entre 80 e 90. Assim de modo geral sua data de sua composição dicaria situada entre 60 e 90 desta Era, correspondendo o termo médio a 75. A imensa maioria dos autores concordam que pertence ao século I, ficando excluída a datação tardia, situada para além do ano 100 ou seja no século II.

Segundo a maior parte dos críticos ele teria sido composto pelos Cristãos estabelecidos no Norte da Síria ou da Judeia. Além disto teria sido composto por mais de uma pessoa. Embora não se possa demonstrar que tenha sido elaborado por qualquer apóstolo é certo que as tradições nele contidas remontam ao tempo dos apóstolos, tendo sido preservadas pelos comunidades.

S Eusébio - que menciona-o expressamente na 'História eclesiástica' associa-o ao Apocalipse de João, ao Apocalipse de Pedro, ao Pastor de Hermas e a Epistola de Barnabé que são obras legadas pela mais remota antiguidade e compostas entre os anos 90 e 130 desta Era. S João Damasceno afirma sua canonicidade.

A igreja no entanto recebendo a opinião de S Atanásio e de Rufino de Aquileia - que o declararam pseudo epigráfico -  julgou por bem não incorpora-lo as Escrituras. Recomendava no entanto sua leitura, a exemplo de Damasceno.
No entanto após ter sido referenciado por Niceforo Calixto 'Xanthopoulos' (1320) o mais remoto testemunho da literatura Cristã acabou 'desaparecendo'.

E por meio milênio foi seu conteúdo ignorado, até que em 1873 foi redescoberto por Philotheos Bryennios, metropolita de Nicomédia, no Codex Hierosolymitanus (1056).
Cerca de trinta anos depois parte da versão latina foi localizada por J Schlecht.

Hitchcock e Brown traduziram-no para o Inglês em 1884. No mesmo ano foi produzida a versão alemã por Adolph Harnack e no ano seguinte Sabatier publicou a versão francesa.

Desde então passou a fazer parte da coleção conhecida sob a alcunha de 'padres apostólicos'; porque segundo se crê, e já dissemos, seus redatores teriam sido ouvintes ou discípulos dos Santos Apóstolos.

Quanto aos primeiros capítulos parece uma reelaboração de escritos judaicos e ensinamentos rabínicos de teor moralizante.

Tudo segundo o esquema bastante conhecido dos dois caminhos.

Esquema comum a tradição judaica testemunhada pelos essênios (manuscrito zadoquita ou de Damasco) e a tradição evangélica, adotado igualmente por Hermas e pelo redator da Carta de Barnabé. 

Os demais capítulos dizem respeito a vida sacramental da Igreja.

Segue a súmula do livro enfatizando os elementos credais ou os artigos de nossa imaculada fé:


  • A primazia do amor: "Antes de tudo cabe amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos." I, 2. O amor não nos deve impedir de corrigir quando necessário for. II,7
  • Condena o assassinato, o adultério, o roubo, a inveja, a mentira, a hipocrisia, o ciúme, a cólera, a agressão, a avareza e a busca pela vingança. Caps II e III. "Não seja ávido pelo dinheiro oh filho meu." III,5 "Nem seja como aquele que estende a mão na hora de receber e retira na hora de doar." IV,5, "Não repudie o necessitado. DIVIDA TUDO COM SEU SEMELHANTE E JAMAIS DIGA QUE AS COISAS LHE PERTENCEM. Se vocês estão unidos nas coisas que jamais morrem, quanto mais nas perecíveis. IV.8 Acusa severamente os 'Que defendem os ricos.' V,2
  • Recomenda cultivar: A mansidão, a paciência, a misericórdia, a serenidade (Cap III) e sobretudo a justiça: "Julgue sempre de modo justo." IV,3 SEM FAZER ACEPÇÃO DE PESSOAS. Id, V,2
  • 'Não se deve sequer planejar o mal contra o próximo.' II, 6 ou ainda 'Odiar a quem quer que seja.' II,7
  • A necessidade das obras: "Dá a quem te pede e jamais peça para devolver..." I,5 "Que sua palavra não seja falsa ou vazia mas comprovada pela prática." II,5
  • A doutrina da graça capacitante: "Não te deixes levar pelos teus impulsos." I, 4 ; "Evite até mesmo a aparência do mal." III,1 e por fim: "Assim deveis ser encontrados perfeitos..."
  • A necessidade de observar a Lei moral: "Não matar, não roubar, não trair, não mentir, etc...".  II,2 Cumpre observar a condenação do aborto: "Não matarás a criança no ventre de sua mãe." "Jamais viole os mandamentos do Senhor." IV,13 "SE PUDER CARREGAR TODO JUGO DO SENHOR VOCÊ SERÁ PERFEITO. Se não for possível, faça o que puder." VI,2
  • A condenação ao acumulo excessivo de bens: "Não sejas soberbo ou insolente, não te associes aos poderosos mas aos pobres que são justos." III,9
  • Inculca respeito para com os ministros da palavra: "Recorda noite e dia o predicante da palavra e honra-o como se fosse aquele Senhor que o enviou; pois onde a boa nova é ensinada ali esta o Senhor." IV,1
  • Condena o sectários e enfatiza a Unidade: "Que ninguém ouse provocar divisões mas que se promova a concórdia." IV,3
  • Salienta o vínculo social ou comunitário existente entre os Cristãos: Busque estar diariamente na companhia dos irmãos para encontrar apoio nas palavras deles. IV,2
  • Reconhece a Penitência: "Aquilo que ganhas com o suor do teu rosto FAZ OFERENDA DE REPARAÇÃO PELOS PECADOS." IV,6
  • Refere ao Batismo em nome da Santa Trindade: "Batizai em água corrente em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." VII,1
  • Atribui personalidade ao 'Espírito' declarando que ele prepara os santos. IV,10
  • Mas admite o Batismo por efusão quando não houver água suficiente para mergulhar: "Se não houver água corrente seja a água derramada três vezes sobre a cabeça do neófito." VII,3
  • Da testemunho da Penitência Batismal especificando que antes do Batismo Batizador e Batizando devem exercer jejum.
  • Aprova as orações repetidas recomendando que o Pai Nosso seja recitado três vezes ao dia, ou seja, pela manhã, pela tarde e pela noite. Prática que remonta ao livro de Daniel.
  • Testifica que a congregação Cristã exercia jejuns pela quarta e pela sexta feira em memória dos sofrimentos de Nosso amado Mestre.
  • Descreve a Eucaristia como 'Comida e bebida espirituais.' e adverte que apenas os batizados deveriam recebe-la.
  • Afirma a Ortodoxia da Igreja: "Se alguém anunciar tudo o que foi anunciado antes podeis recebe-lo.". "Assim nada acrescente e nada retire." IV,13
  • Ensina que o supremo critério de Ortodoxia é a vida (Ortopraxia): "Aquele que diz ser predicante e profeta QUE VIVA COMO O SENHOR. Assim sabereis discernir..." e "Todo o que declara estar na verdade mas não põe em prática é sedutor e falso profeta." XI,8
  • Alerta contra o simonismo ou teologia da prosperidade: "SE PEDIR DINHEIRO É FALSO PROFETA." XI,6  e completa "Se quiser viver convosco que exerça algum trabalho digno."
  • Testifica que os Santos congregavam no 'Dia do Senhor' ou seja no Domingo da ressurreição. XIV,1
  • Refere-se a confissão pública dos pecados como veículo de purificação. Id
  • Refere-se ao ofício Cristão como a um sacrifício. Id
  • Refere-se aos predicantes como nossos 'Sacerdotes'. XIII,3
  • Especifica que os predicantes e profetas são os Bispos e diáconos. XV,1 e especifica que 'Não devem ser apegados ao dinheiro.'
  • Testifica quanto a ressurreição dos mortos, o derradeiro julgamento e uma espécie de purificação pelo fogo.

Tais os elementos da fé com que nos deparamos neste escrito antiquíssimo que parte dos antigos não exitou atribuir aos S Apóstolos do Senhor e que com toda certeza foi composto por aqueles que tiveram o privilégio de escutar a instrução de seus abençoados lábios.

Instrução pura, imaculada, correta e isenta de erros.










sábado, 18 de abril de 2009

Todo poderoso - Hierarquia de atributos

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Os hebreus - por serem uma gente carnal - acreditavam que o poder fosse o mais nobre e eminente dentre os predicados divinos e por isso costumavam referir-se a Deus como o Todo Poderoso. Gn 17,1 Assim os maometanos, para os quais a divindade é ante de tudo onipotente, a maior parte do paganismo antigo e a religião de modo geral.

Alias a ideia de onipotência esta frequentemente relacionada com a ideia perniciosa de milagres, de modo que para a gente rude e iletrada o poder de Deus é medido pelo número de milagres que executa em favor de seus adoradores. Raramente eles consideram a Divindade em si mesma sob outros aspectos como o amor, a bondade, a benignidade, a verdade, a justiça, etc E serviriam de bom grado a ala ou a jave ou mesmo a trimurti hindu caso tais deuses se mostrassem mais milagreiros do que os santos de nossa religião, aos quais amiúde dirigem-se com o objetivo de obterem graças ou favores de caráter imediatista.

É exatamente desta mentalidade 'irreligiosa' ou melhor supersticiosa, que os leva a encarar o Sumo Bem como um milagreiro ou taumaturgo e a querer utilizar-se dele como um 'meio' para obterem coisas que os pentecostais, os heréticos, os embusteiros e os charlatães tiram farto proveito, adquirindo farta clientela entre os nossos e convertendo a Instituição Cristã numa espécie de tenda de milagres. Cristianismo para eles é sinônimo de pajelança.

Nós no entanto é que somos culpados e responsável por tão triste estado de coisas uma vez que não ensinamos os nossos a considerar Deus no conjunto de seus atributos, insistindo doentiamente a respeito de sua onipotência. E no entanto a concepção teológica do Evangelho é muito mais rica, ampla e profunda.

Por que então os antigos padres optaram por apresentar a divindade como Toda Poderosa?

De fato os padres estavam afastados por apenas dois séculos e meio da Era apostólica com seus portentosos prodígios. Afastados em menos de um século da Era dos Mártires cuja resistência a dor - Ora compreendida em termos puramente psicológicos - era encarada igualmente como divina e coevos face ao triunfo da igreja sobre o paganismo antigo. Roma sequer havia caído e do islã não havia sequer sinal... Viviam portanto os padres niceno constantinopolitanos um momento triunfalesco e só podiam atribuí-lo a santa divindade.

Não estava em poder deles adivinhar ou conhecer o futuro e considerar que tal apreciação não seria sempre adequada ou conveniente. E que em outras conjunturas, épocas, Idades e Eras, teria a mãe Igreja de explorar outros atributos divinos. Tal o sentir de nossa Idade, que é mais madura, além de passar por uma grande crise.

Na própria medida em que a igreja vai se educando a luz do Evangelho e se tornando mais civilizada tende a aprofundar a consideração de Deus, de amplia-la, de aperfeiçoa-la enfim. Desprendendo-se dos conceitos limitados que recebera do judaísmo e que mantivera face ao declínio do paganismo antigo.

Consideremos portanto os atributos da divindade em seu conjunto antes de examinarmos o tema da onipotência divina.

Sabemos assim que acima do poder divino está a Sabedoria ou inteligência divina a qual cognominamos Onisciência. Por isso já o Salmista dizia: "FIZESTES TODAS AS COISAS COM SABEDORIA." SL 104,24

Da mesma maneira como os homens mais eminentes destacaram-se mais pelo brilho do intelecto ou pela compreensão do que pela simples força física, Deus é tanto mais glorioso e apreciável pela sabedoria com que concebeu as leis que regulam o universo, do que pelo poder que as sustenta.

Por outro lado também sabemos que acima da sabedoria de Deus está sua justiça, segundo esta escrito: "JUSTO ÉS EM TODOS OS TEUS CAMINHOS E SANTO NA TUAS VEREDAS TODAS." Sl 139,137

Afinal se não basta a um homem qualquer ser inteligente se não é justo ou Ético, como teríamos um Deus Ético caso não dispusesse sua sabedoria para a cominação da justiça?

A justiça no entanto é apenas uma categoria enquanto Bem.

A natureza divina, além dela, possui uma gama muito mais larga de Bens; enfim todos os bens imagináveis e possíveis.

Por isso é nosso Deus a Bondade Plena ou o Sumo Bem.

Eis porque declarou o Senhor Jesus Cristo: "UM SÓ É BOM: DEUS." Mt 19,18

Afinal é o Pai das luzes e todos os bens existentes, ainda que remotamente falando, dele procedem.

Dentre tantos elementos positivos e excelentes, destaca-se no Ser divino a misericórdia, conforme está escrito: "SOU EU O DEUS CLEMENTE E MISERICORDIOSO." Ex 34,6

Assim a Liturgia refere-se a ele como: Generoso, Magnânimo, Excelente, Filantropo, Benevolente, Amável e Amigo dos homens.

Por fim acima de todos os atributos acime está a Caridade que de todos os bens é o mais nobre porquanto: "DEUS É AMOR." I Jo 4,8

Amor porque como já fizemos observar reflete a relação entre Pai e Filho, relação marcada sobretudo pelo sentimento do Amor.

Dai um dos papas romanos mais recentes ter dito com plena razão: É Deus nosso Pai e nossa mãe. Assim o é.

Por isso os Cristãos de hoje são convidados a recitar: Creio em um só Deus Pai que é Todo amor.

Assim num Deus que perdoa bem mais do que setenta vezes sete vezes e que, a exemplo daquele Pai extremoso da parábola, esta sempre disposto a perdoar o Filho Pródigo, que a ele se volta contrito e arrependido.

É Deus amor e por isso não faz acepção de pessoas e para ele já não existe judeu, grego ou romano. Chines, indiano, árabe, russo, etíope ou peruano. Negro, indígena, caucasiano ou nipônico. Ele não se guia por critério de raça ou etnia e não considera as separações e distinções arbitrárias criadas pelos homens: Operários, mendigos, párias e sudras são todos igualmente acolhidos e amados por ele. Pois ele deseja que todos os homens sejam salvos e pela comunicação da verdade plena. Não alguns, poucos ou uma ínfima minoria, mas todos, o gênero humano, a espécie humana!


A soberania divina


Temos no entanto de considerar a Onipotência ou o poder de Deus.

Pelo simples fato de que, a partir do conceito de onipotência, desvinculado dos demais atributos divinos e considerado isoladamente, tem os homens sacado conclusões irreverentes e blasfemas.

Assim para os maometanos e para os sectários cristãos legatários de Calvino devemos compreender a onipotência divina como uma permissão para fazer o mal ou para pecar sem pecar. 

Os protestantes, como os juristas absolutistas (Estes pautados no Digesto), costumam declarar que Deus por ser onipotente ou soberano esta acima de suas próprias leis podendo fazer o que bem quer, inclusive o que a Lei dada aos homens, classifica como pecaminoso. Destarte embora a lei dada aos mortais estipule: Não matarás, a ele Deus é permitido não só matar a quem quiser (por meio de supostos castigos temporais ou catástrofes como imaginavam os estúpidos hebreus - Assim epidemias) como autorizar outros homens a matarem em seu nome! Tal os judeus, tal os calvinistas que os seguem em seus raciocínios carnais. O Evangelho no entanto declara que o Maligno, este sim, e não o Deus Bom, é assassino desde o princípio. Logo, como Deus haveria de ser imitador seu, e carniceiro e matador???

Todavia como o antigo testamento, numa perspectiva totalmente errada, apresenta deus como matador, mentiroso, etc Os bibliólatras assinam embaixo e apresentam da mesma forma o Deus do Evangelho, corrompendo-o.

Aqui porém a perspectiva é totalmente outra, sendo impossível que Deus faça o mal.

Não porque lhe falte forças para tanto.

Sendo Deus Onipotente não lhe falta força para fazer o mal, pecar ou prevaricar. Certamente Deus pode fazer o mal, mas não faz.

Agora por que não o faz?

Por que além de ser um poder, no caso cego; é Deus uma sabedoria, uma vontade, uma consciência que dispõem de um poder.

Assim não faz Deus o mal porque não pode querer fazer o mal?

Isto é que Deus não pode!

Agora porque não pode Deus querer fazer o mal?

Simples: Porque é Bom. Porque é o Sumo Bem. Porque esta imutavelmente fixo no Bem. Porque é perfeito...

Assim a perfeição leva-o a decidir-se pelo Bem e a imutabilidade a fixar-se no bem sem oscilação.

E amando o Bem apenas e amando-o imutavelmente desde toda eternidade odeia Deus o mal.

Logo como poderia praticar o que odeia?

E como poderia passar de um oposto ao outro sem mudar?

E como mudando e sendo mutável poderia ser divino?

Afinal não é o Deus dos apóstolos Imutável e sem sombra de variação?
Pode Deus mudar?

Certamente não pode porque deixaria de ser imutável.

Logo não pode pecar.

A menos que esteja fixado imutavelmente no mal e seja mau.

Assim Deus só pode ser Bom e fazer o que é Bom.

Sendo imutável constitui lei ou regra para si mesmo.

E a Lei que regula os homens só é boa porque regula a essência divina.

Não existe uma Lei para os homens e outra Lei para a divindade.

Impondo Deus as criaturas a mesma norma que regula a si mesmo.

Por isso a lei natural pode ser cognominada Lei divina. Não apenas porque procede de Deus mas porque esta em Deus.

Resulta de tudo isto não ser Deus livre.

Afinal liberdade implica alteração, e Deus...

Deus não se move porque sendo perfeito nada busca. Achando-se imutavelmente fixo no Bem.

Escolher equivale sempre, a no mínimo, poder realizar uma ação inferior ou menos perfeita. Nem isto pode fazer Deus. Não porque lhe faltem forças, mas como já dissemos porque lhe falte vontade.

Sendo absolutamente perfeito, Deus só pode realizar atos perfeitos no mais alto grau e jamais uma operação inferior ou imperfeita.

Assim o que corresponde uma virtude nas criaturas, na divindade corresponderia a uma aberração.

Gozam as criaturas racionais de liberdade para que após terem conhecido o mal por experiência, possam abandona-lo voluntariamente após terem tomado conhecimento do bem e da virtude, adquirindo méritos.

Foram criadas em estado temporário de imperfeição para que livremente possam tornar-se perfeitas por meio da correção da vontade.

Em Deus, que é absolutamente perfeito, a liberdade e a mutabilidade não fazem sentido algum.

Por isso declaramos que Deus não é livre para querer e menos ainda para fazer qualquer coisa e que nele não ha sombra de vontade caprichosa.

Deus poderia fazer o mal apenar se pudesse querer o mal. Agora como poderia querer o mal se é Santo e Bom? E como poderia pecar ou prevaricar sem atuar contra sua boa vontade? Como poderia atuar contra si mesmo sem mudar? Por isso declaramos que a perfeição, a imutabilidade e a bondade precedem o poder divino e regulam-no. Não sendo o Deus dos Cristãos, o Deus do Evangelho, o Deus de Jesus Cristo um poder cego e arbitrário. Mas consciência virtuosa e santíssima!

Não Deus jamais age de improviso, por capricho ou arbitrariamente como os homens. Todas as suas ações e operações são manifestações sapiíssimas de uma vontade eterna.
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Os ídolos 'Cristãos'



Os Cristãos, e mais particularmente os judaizantes e sectários, amiúde relacionam o termo ídolo com uma estátua, simulacro ou representação, querendo significar qualquer divindade pagã ou politeísta.

Evidentemente que as representações cultuadas no lugar do verdadeiro Deus são ídolos.

Divindades pagãs a exemplo de Astarte, Kemosh, Sobec, Zalmoxis, Atargatis, Cibele, Priapo, Pan, Unias, Tinias, Latona, Jano, Rovigo, Endovelico... São verdadeiros ídolos.

E no entanto o conceito de ídolo é bem mais amplo do que o simples conceito de estátuas ou de deuses convencionais.

E assim o conceito de idolatria.

A qual pode assumir diversas formas, algumas das quais bastante sutis.

Aos cristãos civilizados e nominais é sumamente agradável imaginar como 'vis idólatras' aos bosquímanos ou pigmeus curvados diante de seus postes, totens ou árvores sagradas.

A imagem de uma aborígene prostrado diante de uma tosca imagem talhada na rocha é convencional e bastante popular até.

Fácil é enxergar o veneno da idolatria em outras culturas e imaginar que somos puros porque vamos a liturgia todos os Domingos prestar culto ao Deus verdadeiro.

Damos um dia ou melhor algumas horas a Deus, vamos a Missa ou ao culto, rezamos, entoamos hinos de louvor, cantamos, salmodiamos, buscamos lisonjea-lo por meio de expressões pomposas e palavras bonitas, depositamos alguns cobres na caixinha e por fim retornamos a casa para viver como pagãos durante os outros seis dias da semana. Ouvimos o Evangelho no Domingo para esquecer-se dele de segunda a sábado e viver como de Cristo não existisse ou nada fosse.

Não, nós não temos buscado - ao menos a maioria de nós - viver o Evangelho, a Liturgia, a Missa sete dias durante a semana, trinta dias por mês e trezentos e sessenta e cinco dias ao cabo de um ano. Não temos buscado ser palavras vivas de Deus, prece continua ou louvor verdadeiro e nossa religião não tem passado de puro vanilóquio, de flatu vocis, de palavras vazias, de discurso sem conteúdo. Buscamos honorificar a Deus com nossos lábios, abrimos a boa para enaltece-lo, mas nossos corações... Não esta não é a religião de Cristo mas dos escribas e fariseus.

Mesmo quando adentramos nas belas catedrais e contemplamos o Redentor pregado na Cruz e sua abençoada mãe e seus apóstolos, o espírito venenoso do comodismo nos acompanha e contamina tudo.

Temos uma religião com hora marcada. Temos hora certa para ir a igreja e adorar a Deus. Não isto não é nada mal, a menos que não nos demos por satisfeitos e busquemos ir além.

Do contrário nós não somos melhores que os idólatras.

E por que?

Porque temos acesso ao Deus verdadeiro e não o tomamos a sério.

Mas como?

Deus não é nosso Legislador e não exerce seu domínio sobre nós.

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Sim caríssimo leitor, afinal não buscamos viver o Evangelho, mas cada qual, de segunda a sábado busca viver a sua maneira ou conforme seu critério, sem jamais reportar a consciência a Jesus Cristo.

Duvidas?

Quantas vezes ao lidar com o próximo, numa situação difícil perguntou a si mesmo: Neste caso que Jesus faria ou que orientação poderia tomar ao Evangelho???

Somos ouvintes e não praticantes da palavra e ser ouvinte não basta.

Afinal quem ouve as palavras sagradas do Verbo Jesus e não busca coloca-las em prática é como quem construiu uma habitação sobre a areia e não uma casa para a eternidade.

E no entanto ali mesmo nesta Lei que ouvimos ser recitada ou cantada a cada Domingo esta a vida eterna!

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Mas que o leva, professor, a tecer acusações tão séria e tão graves?

Observai leitor amigo: Temos não apenas pobres em quantidade mas miseráveis e muitos miseráveis.

E???

Os Sagrados Atos dos Apóstolos referem que na primitiva comunidade ou no embrião da Igreja Católica não haviam necessitados, e que os fiéis tudo tinham em comum.

Há portanto significativa diferença entre a igreja dos apóstolos e a igreja apostólica do tempo presente, os ideais entraram em declínio.

Antes não existia miséria entre os santos, depois foi apenas tolerada a contragosto, hoje é encarada como algo absolutamente comum - que hajam fiéis, servos de Jesus Cristo, adoradores verdadeiros, cristãos batizados, filhos de Deus, nossos irmãos passando fome, sede, frio, necessidade!

E no entanto somos todos filhos de Deus, membros da igreja, membros de Jesus Cristo e membros uns dos outros. Logo como permitimos que um membro nosso passe fome ou experimente necessidade? Como podemos deixar de nos sentir incomodados com isto? Como não sentir nojo da opressão que nos rodeia? Como deixar de reconhece-la como um fenômeno não Cristo ou melhor anti Cristão, tão anti Cristão quanto a heresia, tão anti Cristão quanto o arianismo, tão anti Cristão quanto a ateísmo, tão anti Cristão quanto o politeísmo! TAL O ESCÂNDALO DA MISÉRIA ENTRE OS CATÓLICOS!

E no, dirás tu, homem mau, que Jesus Cristo nosso Bem, disse aos apóstolos que sempre haveriam pobre no mundo.

Se sabes que o termo sempre é relativo aos apóstolos e a duração de suas vidas, saber alguma coisa.

Agora se sabes que eles, os apóstolos, sempre haveriam de encontrar pobre e oprimidos - como ainda hoje os encontramos - nos domínios da gentilidade, então desfizestes a xarada!

Nem disse que aqueles pobre seriam Cristãos, nem disse que tal estado de coisas (A miséria entre os Cristãos) haveria de perdurar eternamente; mas que ao percorrem as nações pagãs em busca de prosélitos os apóstolos jamais deixariam de encontrar pobres; e nós também.

Pois a tarefa de estabelecer a justiça eliminando a miséria é precipuamente Cristã e imposta pelo Santo Evangelho.

E no entanto esperas que a Igreja de Cristo tolere a miséria em seu próprio seio e que semelhante estado de coisas prolongue-se para sempre. Então que espécie de Cristão és tu?

Quem foi que te disse que podes ou deves encarar o teu irmão, filho de Deus e servo de Jesus Cristo como uma ameaça, como um concorrente ou como um rival? Quem te disse ou ensinou que a livre concorrência deva substituir ou suplantar a fraternidade? Quem te instruiu a não se preocupar com o teu semelhante? Quem te autorizou a desprezar o tem próximo? Quem te constituiu para que julgues ou condenes o outro? Quem te concedeu o direito de classifica-lo como inapto, frustrado, moleirão ou vagabundo???

Certamente que os gentios podem fazer tudo isto, e podem ser excelentes individualistas, darwinistas sociais ou egoístas! Mas tu oh Cristão??? Tu Ortodoxo para quem egoísmo e avareza constituem pecados diante de Jesus Cristo! Tu Católico que és chamado ao amor, ao perdão, a compreensão, a benignidade??? Quem és tu para viver a moda dos ateus, materialistas, pagãos e publicanos??? Tua insensibilidade reprovada pelo Evangelho te torna pior e mil vezes pior do que um politeísta!

Principia portanto, oh homem mau, elencando quais são as idolatrias que dispensam representações!

Sabendo que todas as vezes que no teu coração colocas qualquer coisa no lugar de Cristo ou acima de Jesus Cristo, és vil idólatra!

Quem ama mais a sua mãe, o seu pai, ou seu cônjuge, ou mesmo seus filhos ACIMA DE MIM, NÃO É DIGNO DE MIM!!!

Coisa nobre e excelente são os laços de amor, coisa nobre e excelente é a família, seja qual for sua forma; coisa nobre e excelente é o lar; no entanto se ousas colocar os teus entes queridos, os teus parentes, os teus amigos, qualquer ser humano, qualquer afeição como dia a 'Imitação de Cristo' acima do Mestre e Senhor Jesus Cristo não passas de vil idólatra com todas as tuas missas, rezas, orações, louvores, cânticos, e tudo mais!

Que dizer então daquele que colocas os 'bens' materiais, as coisas, os objetos acima da família, ou o que é ainda pior acima de Nosso Senhor Jesus Cristo???

Pois aquele tem um automóvel entronizado em seu coração, aquele um imóvel, aquela algumas jóias de brilhante, esta outra seus vestidos e este ainda sua moto!

Se qualquer coisa que não Jesus de Nazaré ocupa o centro do teu coração ou da tua vida permita chamar-te de facínora ou de fanfarrão!

Se o principal objetivo da tua vida consiste em obter bens e coisas materiais e não em obedecer e honrar o Senhor Jesus Cristo tua alma é pagã!

Certamente deves te esforçar por conquistar tua realização pessoal, teu espaço, teu conforto; mas sempre em absoluta conformidade com a Lei de Jesus Cristo, sempre de modo honesto, correto, decente, ético; e não 'custe o que custar' ou a qualquer preço.

Se pisas nos teus semelhantes e encara-os como meros objetos de modo algum és Cristão. Se acreditas que os fins sempre justificam os meios não és Cristão. Se julgas que podes enganar, trapacear, empregar a calúnia, denegrir, intrigar... certamente não pertences a Jesus Cristo!

Mas fulano de tal...

Mas fulano de tal ou não é Cristão ou é mau Cristão...

Não chegamos ainda ao fundo do poço, nem pusemos o dedo no fundo desta ferida ou melhor desta chaga purulenta que infecciona o corpo de Jesus Cristo fazendo alastrar a corrupção! Ainda não relevamos a gangrena a olhos nus! Ainda não expusemos o horror da putrefação! Ah membros cadavéricos e mortos do Senhor! Ah ramos cortados, secos e postos ao fogo! Oh partes necrosadas da igreja, que ja se acham em estado de decomposição!

Eis o que são aqueles que substituíram oficialmente e publicamente a Lei do Evangelho por esta nova Lei blasfema do mercado financeiro que justifica todas as ações e operações do Capital! Se vosso Evangelho é Mises, apartai-vos de Jesus Cristo e retirai-vos da Igreja a que poluis, ide para as trevas exteriores que é vosso lugar! Se vossos apóstolos são Menger, Haiek, Fridmann, Rotbarth, Rand, Molinari, Bastiat ou Stirner as únicas palavras com que voz posso brindar são estas: VÁ DE RETRO SATANÁS!!!

Se o lucro, o capital, o dinheiro, as necessidades financeiras, o espírito da avareza enfim; ocupam tem coração chegastes ao abismo mais profundo da vil idolatria! Idolatria em comparação com a qual a idolatria do Bosquímano, do Dieguito ou do Alacalufe é mera palha ou ponta de Iceberg. Se regulas tua vida pelos princípios da ideologia capitalista e não pelos sagrados princípios do Evangelho, és idólatra. Pois tua Lei é o interesse financeiro e não o serviço fraterno impulsionado pelo amor.

Mas Jesus Cristo jamais falou sobre economia...

Certamente. E no entanto a economia é atividade humana. E no entanto toda atividade humana deve ser regulada pela Ética. E no entanto a fonte de ética para os Católicos é o Evangelho, seguido pela tradição apostólica.

Mas, mas, mas... Cessa com este palavrório vão e abre o Evangelho:

"NÃO ACUMULEIS TESOUROS NESTE MUNDO... ANTES JUNTAI TESOUROS NOS CÉUS."

"NÃO PODEIS SERVIR A DOIS SENHORES - NÃO PODEIS SERVIA A DEUS E A MAMON (RIQUEZAS)"

"É mais fácil uma corda passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus."

Agora dizei-me qual seja o objetivo do sistema capitalista e calai a boca!

Pois se achar que a busca pelo 'lucro máximo' ou o acumulo ilimitado de bens materiais é perfeitamente compatível com as sentenças acima, bem... Então já é caso de psiquiatria - Charenton, Salpetriére e Bicetré estão esperando!

Poderia citar ainda a Pedro, Paulo, Tiago, João... com o objetivo de condenar a nova idolatria materialista ou o império do deus milhão!

E no entanto é coisa que facilmente se acha, como os oráculos dos antigos padres!

Mas por que raios não posso ser Bom Católico e Capitalista???

És teimoso!

E a ponto de querer conciliar Catolicismo ou a Lei de Jesus Cristo com materialismo!

Mas desde quando o Capitalismo é materialista?

Desde seus primórdios, desde sempre, desde que é irredutível a um controle ético ou humano, desde que não aceita ser regulado pela igreja.

Alias como não seria materialista se define o principal objetivo da existência humana em termos de acúmulo de bens materiais ou de dinheiro???

Como se alguém, sendo espiritualizado, pudesse consagrar sua vida a fim tão vulgar, tão baixo, tão rasteiro quanto juntar dinheiro ou fazer fortuna!

Bela espiritualidade essa!

Se você pensa mesmo que o homem foi feito para o Mercado e não o Mercado para o homem ou seja para a satisfação das necessidades humanas em geral, como pode ser contado entre os seguidores de Jesus Cristo???

Nosso coração esta inquieto oh Deus Santo até que em ti repouse!

Portanto se teu coração repousa na dinâmica do Mercado, sabemos qual seja o teu deus! Aquele a quem cultuas e obedeces!

Aos Cristãos a Lei do Evangelho, enquanto fonte mais pura e cristalina da vida Ética. Aos Católicos a LEI do amor e da justiça. Aos ortodoxos a LEI suprema da alteridade e da empatia!

Do contrário, colocando qualquer outra coisa no lugar de Jesus Cristo, tereis ídolos mesmo quando afetais tributar-lhe um culto espiritualizado, neo platônico e isento de representações.

Tal o mal do século - Uma idolatria dissimulada e sutil, isenta de formas, desprovida de representações, sem ídolos, estátuas ou imagens, afetando espiritualidade.

Há ídolos ai, ídolos que não percebemos, que não enxergamos, que não vemos! Ídolos invisíveis, enfiados nos corações!

Guardai-vos portanto de hostilizar os idólatras sinceros, de julga-los, de condena-los... Pois com a mesma medida que medirdes sereis medidos por Deus!

Olhai antes para dentro de vós mesmos e depois para esta sociedade que ainda ousa apresentar-se como Cristã... Refleti e fazei exame de consciência. Depois, apenas depois, com a consciência limpa e as mãos puras erguidas em direção dos céus, fazei galas de vossa Ortodoxia e recitai nossa profissão de fé imaculadamente! Não profaneis o símbolo santíssimo com vosso comodismo!