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A consciência histórica do Cristianismo

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sábado, 16 de fevereiro de 2013

No labirinto da incredulidade...

Embora os positivistas zombem do argumento profético e tudo façam com o objetivo de apresentar as profecias como documentos elaborados 'a posteriori', a força dos testemunhos em seu conjunto levou-os a argumentar que tudo quanto na narrativa evangélica corresponda a tais vaticinios tenha sido pura e simplesmente inventado...

Destarte as profecias seriam originais e antiquissimas, mas o cumprimento das mesmas na pessoa e obra de Jesus Cristo é que teria sido forçado...

Então percebam como a argumentação mudou...

Antes as profecias haviam sido indubitavelmente escritas a posteriori...

Havendo quem supuzesse inclusive que certas partes da pena profética tivessem sido compostas por mão Cristã ou forjadas en Alexandria...

Os manuscritos do Mar Morto no entanto...

Evidenciaram que três séculos antes desta Era já estava lá, na profecia de Isaias, o fragmento do Servo sofredor... e que nos registros de alguns outros videntes a sorte de algumas cidades então florescentes já estava descrito...

Era mister fazer com as profecias o que Marx fizera com a dialética de Hegel: inverter todo esquema...

E assim foi feito...

Segundo propõe que os hagiografos construiram uma espécie de Frankstein com retalhos de profecias antigas. Seria pois o Cristo da profecia ou o Cristo profético um Cristo artificial produzido pelos apóstolos...

Agora tomemos os quatro Evangelhos em seu conjunto.

Se o cumprimento das profecias pelo Verbo não partiu delas ou do Verbo mas dos apóstolos, porque não discordaram a respeito do significado desta ou daquela profecia produzindo Cristos mais ou menos diferenciados???

Afinal se o cumprimento dos oráculos não é dado pela História, fica a mêrce das veleidades subjetivas daquele que lê... do que resulta interpretações opostas e discordantes e narrativas diferentes...

O Evangelho, inda que subsistindo em quatro ou cinco (de considerarmos o Evangelho dos Hebreus) registros independentes, possui uma espinha dorsal comum.

Por outro lado se alguém disser que os quatro ou cinco foram escritos pelo mesmo autor...

Isto significaria ignorar por completo a problemática das fontes, a qual por trás dos quatro Evangelhos, parece antever uma dezena de fontes...

Outra evidência poderosa e forte que reverte a nosso favor, certificando que nossas fontes foram compostas por pessoas diferentes e sem prévio acordo ou combinação, são as já admitidas 'discrepâncias' acidentais, apontadas pela crítica materialista. A respeito de tais discrepâncias podemos dizer que se a um lado não atingem a essencialidade do relato, por outro evidenciam que não podem ter sido construidos de comum acordo.

Do contrário mesmo tais 'arestas' haveriam de ser 'polidas' em buscas daquela perfeição artificiosa que surge dos acordos e da ação e atuação comum.

A existência de cenários e discursos diferentes, a variação de alguns minutos, a troca dum nome, etc neste caso; evidencia a autonomia das narrativas. Enquanto a inexistência de contradições essenciais, evidencia a veracidade do que é narrado ou seja do conteúdo... do contrário teriamos quatro cristos bem distintos, mas não temos.

Por outro lado, a admitir-se esta teoria disparatada de uma autoria única dos Evangelhos, esperariamos que nos fornecessem ao menos o nome do autor oculto, ao qual certamente mereceria o título de gênio.

Quanto a tese da combinação também parece carecer de fundamento mais sério.

Pois ao que indicam as pesquisas Marcos teria composto seu relato cerca de 55 em Roma, Mateus cerca de 55 (as logia em aramaico) ou 75 (nossa verssão), Lucas cerca de 65 na Síria e João, cerca de 75 ou 95 na Ásia Menor. Temos diante de nós quatro décadas e quatro lugares diferentes... o que dificulta bastante a possibilidade de uma combinação ou de uma obra comum.

Dir-se-a que as quatro ou cinco fontes escritas derivam da mesma tradição que é a tradição da Igreja, destarte a Igreja teria forjado a Estória de Jesus...

Aqui surge logo a tentação de imaginar-mos uma 'igreja' nos moldes do Vaticano - com papa e tudo KKKK - pelos idos do ano 55 ou 75.

Para aqueles que foram educados na Escola do papismo e que beberam seus preconceitos desde o berço, facil é imaginar Simão Pedro ou Cefas, o pescador galileu, a maneira de um Pio IX, com triplice coroa, sede gestatória e caligas... e no entanto tudo isto não passa de imaginação ou fantasia.

O papado no entanto é fruto dum processo histórico (processo puramente natural) cujas raizes mais profundas remontam a Nicolas e as falsificações que mancham seu nome e cujo 'acabamento final' remonta ao ambicioso Hidelbrando (século XI).

Já para aqueles que foram educados no Catolicismo Ortodoxo, seria tentador imaginar a figura de dois ou três Patriarcas... já dissemos no entanto que o primeiro a receber este título - Batrak (que foi tomado ao lider dos judeus) foi Heraclios de Skandaria em meados do século III, segundo foi registrado por Girgis abdl Hamid dito Elmacin.

Grosso modo, quando dizemos 'A Igreja' no seculo I, estamos dizendo 'Os apóstolos' e sendo redundantes.

Ademais supondo que a Igreja, aperecendo pouco tempo após a existência do 'Jesus Histórico', poz-se a confeccionar logo um Jesus fantástico, enquanto os adversários do mesmo Jesus ainda estavam vivos e na posse do poder é pura e simplesmente absurdo. Pois compondo o 'romance' e ludibriando as massas, enquanto a maior parte dos personagens ainda vivia, como poderia a Igreja escapar a denuncias de falsificação e manipulação da História que fariam éco até as sifras medieviais e os criticos pagãos dos séculos subsequentes...

Como toda esta manipulação praticamente coeva aos fatos passaria em silêncio, desapercebidamente... face aos inumeros adversários da instituição Cristã??? Porque teriam eles apelado a ferro e a fogo, convulsionando o Império, se poderiam ter trazido toda esta 'história' a tona e confundido a consciência Cristã.

Porque Celso, Porfirio ou Juliano não disseram logo que o Jesus dos Evangelhos foi forjado pela Igreja com fins apologéticos???

Aqui mais uma vez a cruz ou a caldeirinha.

Pois se os Evangelhos não foram compostos assim tão tardiamente (século II) a ponto de possibilitar a formação expontanea de um mito na consciência das massas, nem tão cedo a ponto de anular - como querem os heréticos - a mediação da Igreja e da tradição, é sempre bom lembrar que a Igreja e a tradição eram ativamente fiscalizadas pela sinagoga e pelo Império. E que a confecção dos Evangelhos não podia deixar de levar este fator em consideração.

De fato a Igreja não poderia ter agido deste modo e maneria durante o tempo em que fora perseguida já pela Igreja, já pela sinagoga e atacada já pelos mestres e rabinos nas sifras; já pelos neoplatonicos e epicureus em seus ensaios.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Conclusão: porque devemos analisar a narrativa Evangélica com confiança e simpatia?

De tudo isto salta a vista uma certa falta de simpatia ou uma premeditada desconfiança por parte dos incrédulos face aos nossos Santos Evangelhos.

E a questão se põe nos seguintes termos: justifica-se tal postura?

Nós julgamos que não partindo dos registros profanos - judaicos e pagãos - num dos capítulos precedentes.

  • Por influência de um certo Cristo, os judeus ficaram alvoroçados já no tempo de Claúdio. SUETONIUS
  • Sua mãe chamava-se Maria e era uma tecelã ou fiandeira. TOLEDOTH YESHUA. Esta atribuição parece estar de acordo com uma tradição muito antiga segundo a qual a Santa Virgem, tendo ficado orfã e desamparada teria sido mantida numa espécie de orfanato mantido pelos sacerdotes nas proximidades do tempo. Local em que as meninas e moças orfãs, sendo Virgens, dedicavam-se a tecer paramentos e alfaias empregadas no culto judaico.
  • Era considerado adulterino ou filho da fornicação. EVANGELHO DE JOÃO AQUI CONFIRMADO PELO TOLEDOTH YESHUA QUE LHE DÁ POR PAI UM SOLDADO ROMANO CHAMADO BEN PANDIRA OU BEN PANTERA.
  • Inaugurou seu ministério sob Tibério César. JOSEFO VERSÃO MENOR E TÁCITO
  • Pertencia ao círculo de João Batista e Tiago. Id
  • Era homem sábio e prudente. Id e CARTA DE MARA ABA SERAPION
  • Congregou um grupo de pessoas em torno de sí. Id
  • Executou algumas ações inexplicaveis e fora do comum. TOLEDOTH YESHUA, PORFIRIO, HIEROCLES, JAMBLICO E JULIANO
  • Algumas pessoas curadas ou tocadas por ele teriam alcançado grande longevidade (Talvez as filhas virgens de Filipe, mencionadas por Papias) LAMPRIDES, corroborado pelo apologista QUADRATO DE ATENAS.
  • Ensinava por meio de parabolas. NUMENIUS, O PITAGÓRICO.
  • Foi denunciado pelos sacerdotes. JOSEFO
  • Foi condenado e sentenciado por pelo procurador Pontius Pilatos. JOSEFO E TÁCITO
  • Sofreu uma punição extrema. TÁCITO
  • Sendo crucificado. JOSEFO
  • Foi declarado 'rei dos judeus' na inscrição posta sobre a Cruz. MARA ABA SERAPION
  • Houve uma eclipse por ocasião de sua morte. THALO E FLEGONTE
  • Parece ter exercido juízo sobre Jerusalem. MARA ABA SERAPION E TITO CESAR apud JOSEFO in 'As guerras dos judeus'
  • Era adorado como uma espécie de pessoa divina por seus seguidores. PLÍNIO


Conclusão: sob dezoito aspectos diferentes as fontes e registros não Cristãos confirmam aquilo que esta consignado em nossos Evangelhos, constituindo já este núcleo uma espécie de esboço, não sagrado e por assim dizer Histórico, da vida de Jesus. Esboço apenas ampliado por nossas fontes...

As únicas excessões dizem respeito a natividade milagrosa e a ressurreição pelo simples fato de que os infiéis não podem admitir estes dois mistérios (do contrário seriam o que nós somos). Mesmo os prodigios executados por ele e que bem poderiam ser negados pelo Toledoth e pelos pensadores pagãos dos primeiros séculos, são assinalados como dignos de aceitação inda que atribuidos ao poder da feitiçaria...

Penso que este conjunto de testemunhos seja bastante forte para inclinar-nos a encarar com simpatia as partes dos nossos Evangelhos postas sob questão, e para receber como satisfatórias as explicações por nós fornecidas até aqui, as quais nada teem de forçadas como as respostas com que os fanáticos procuram justificar as partes menos nobres do testamento velho e abolido apelando a toda sorte de estratagemas incompatíveis com o Espírito de Jesus Cristo.

Contradições evangélicas: a que conclusão chegar...

De tudo quanto tem sido lançado contra nossos Evangelhos, resta um pouquinho de chumbo e sal...

A citação equivocada do 'nome' de um profeta, o emprego livre dos termos 'todos' e 'muitos' pelos evangelistas, uma divergência de meia hora, outra disputa em torno do tempo que o Sol leva para sair e para espancar as trevas, uma frase truncada que dá a entender que 'parte' das mulheres silenciou a respeito da ressurreição do Senhor, a impressão de que a ascessão ocorreu logo após a ressurreição...

E no entanto a profecia do profeta não foi inventada... e no entanto dos distintos discursos de Jesus não são invertidos... e no entanto evangelista algum registrou ter sido o Senhor cruficiado as 18 ou as 23 horas... e no entanto nenhum deles declarou que o Salvador ressucitou pela tarde ou pela noite... e no entanto nenhum homem foi inserido no grupo das Santas mulheres... e no entanto esta registrado que o Senhor permaneceu com os seus por quarenta dias...

Mas que contradições, se é que assim podemos chama-las, que equivocos superficiais, debeis, acidentais e miseráveis... que jamais tocam a essencialidade mesma do relato, a qual subjaz intocada... Tribunal humano algum daria por inventados os traços gerais duma narrativa com base em evidências tão frágeis...

Por outro lado ninguém sai a luta com espinguarda de sal ou chumbo estando em posse duma bomba nuclear...

A nosso intelecto tal argumentação não satisfaz, pois tendo sido o Evangelho, escrito por rústicos; esperavamos dar com erros e contradições verdadeiramente escandalosos e forma algum contornáveis.

A semelhança daqueles com que nós mesmos, pesquisando nos deparamos a rôdo no antigo testamento e que nos obrigaram a rever, por de lado e repudiar a falsa doutrina da inspiração plenária.

Contradições em torno do relato da ressurreição......

Resta solver o derradeiro obstáculo alardeado pelos incrédulos e que diz respeito ao número e ao cenário das aparições de Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo.

Antes de tudo convem explicitar que o problema das aparições do Senhor, esta de alguma forma relacionado com o cenário mesmo de sua atuação ou ministério.

Estes dois problemas são como que duas faces da mesma moeda.

De modo que reservamos este espaço com o objetivo de examina-los conjuntamente, matando dois coelhos com uma só paulada.

Um questionamento bastante comum diz respeito a quantas Páscoas Jesus teria comido ou sobre quantas vezes teria subido a cidade santa dos judeus.

Pois além de mencionarem apenas uma Páscoa, a última, os sinóticos a primeira vista dão a entender que Jesus subiu a Jerusalém uma única vez, a saber nesta ocasião.

Para quem lê o Evangelho ao 'toque do tempo presente' ou seja como quem lê um jornal ou uma revista, as coisas assumem este cárater.

Por outro lado S João é explicito ao referir-se no mínimo a quatro idas a Jerusalem e a três Páscoas comidas pelo Senhor.

Contradição???

Num primeiro momento devemos sempre ter em mente que os Evangelhos não apresentam a si mesmos como narrativas completas... fosse o caso composto o primeiro ninguém mais se atreveria a compor o segundo, o terceiro e o quarto.

Pois aqueles que compuzeram o segundo, o terceiro e o quarto, sucessivamente, pretenderam certamente adicionar alguma informação omitida pelos registros anteriores...

O simples fato de coexistirem quatro narrativas supõe esta incompletude.

Então devemos já saber que os sinóticos não pretederam esgotar o tema. João, a seu tempo é explicito: Nem todos os livros do mundo poderiam abarcar os registros de tudo quanto Jesus de Nazaré realizou...

O que supõe uma seleção de fatos com objetivos apologéticos tendo em vista a necessidade dos leitores.

Caso tenhamos este fato diante das vistas ficará muito mais fácil compreender o 'Pôrque' das supostas contradições...

Num segundo momento devemos compreender - Com S Clemente de Alexandria, Agostinho e outros padres antigos - que Lucas, escrevendo após Mateus e Marcos, buscou enriquecer a tradição sinótica com material próprio, e que João, escrevendo em algum momento depois de Lucas, buscou completar ainda mais a narrativa ou como se diz amplia-la, fornecendo outros tantos fatos omitidos pelos três primeiros evangelhos ou invés de pura e simplesmente repetir como um papagaio o que ja havia sido registrado.

Que João tenha tido conhecimento dos relatos de Marcos e Lucas parece fora de questão até mesmo para os críticos materialistas.

Num terceiro momento devemos explicitar que tais preconceitos são, como não poderiam deixar de ser, frutos duma leitura leviana e superficial dos nossos Evangelhos.

Dizemos isto porque caso analisemos cada narrativa tanto mais a fundo percebemos logo que S Lucas tinha conhecimento do ministério do Senhor em Jerusalem enquanto que S João estava bastante a par das andanças do Salvador pela Galiléia. Eis porque o terceiro Evangelista descreve algumas aparições do Senhor no círcuito de Jerusalem enquanto o quarto situa seu primeiro milagre em Caná da Galiléia...

Diante disto o quadro mais provável é o de um Jesus pregrino que exercia sua atividade na Galiléia, mas que durante as peregrinações e festas subia a Jerusalem com o premeditado intuito de alcançar as multidões que acorriam de todas as partes.

Segundo o modo descuidado e despreocupado de escrever dos antigos hebreus, os sinóticos parecem mesmo dar a entender que o ministério do Senhor durou apenas um ano... João supõe três... a tradição chega a indicar sete; o que não comporta impossibilidade alguma. Efetivamente Jesus deve ter comido diversas Páscoas e subido a Jerusalém em inumeras festas e comemorações a ponto de se ter tornado bastante conhecido das elites religiosas do pais... assim amiude ele atravessava Samaria e chegava aos confins do Carmel, indo em seguida repousar na Betânia...

Isento de quaisquer compromissos familiares e/ou temporais ele consagrava todo seu tempo ao ministério divino e assim cortava a Palestina de lado a lado tantas quantas vezes fosse necessário...

Deste cenário tão rico e quadro tão amplo retiraram os evangelistas aquilo que desejaram seguindo suas motivações específicas.

Eis porque não há sentido algum em supor contradições a respeito das Páscoas, das festas ou das regiões em que o divino Mestre atuou.

Resta ao crítico alegar, como de fato alega, que o teor dos dicursos de Jesus proferidos no círcuito da Judéia é bem diverso do teor dos discursos proferidos por ele na Galiléia.

De fato estranho seria caso os discursos joânicos fossem situados na Galiléia como perorações dirigidas aos camponeses enquanto as parabolas fossem dirigidas aos fariseus de Jerusalem... neste caso a partida estaria ganha e a incredulidade coroada.

Tal no entanto não se dá.

Basta dizer que o mesmo professor, lecionando a mesma disciplina e os mesmos tópicos para uma turma universitária e para uma turma do primeiro gráu, emprega termos e palavras bastante diferenciados, adequando-se a capacidade dos alunos... Tosco seria ele caso pretendesse ministrar o mesmo tipo de aula as duas turmas, pessoas inteligentes sabem adaptar-se as circunstâncias externas.

O mesmo podemos dizer sobre um político que aborda o mesmo tema perante o populacho de qualquer vilarejo do sertão e perante o senado nacional... Empregará ele as mesmas expressões e frases??? Certamente que não!

Assim já sabemos que os discursos ministrados a gente simples da Galiléia - estigmatizados pelos rabinos de Jerusalem sob a alcunha de 'cananeus imbecis' - deveriam primar pela singeleza e por figuras reitaradas do próprio contexto rural; enquanto que as disputas travadas com os escribas e doutores de Jerusalem deveriam beirar a escolástica... Jesus adequou-se a cada círculo, que há de fantástico nisto???

E para tanto espelhou-se na própria mikra: Ao louco daras resposta segundo a sua loucura e ao sábio conforme sua sabedoria.

Pois quem se dirigisse ao louco nos termos do sábio e ao sábio nos termos do louco mereceria muito pouco crédito mesmo entre nós.

Importa dizer que essa lenga lenga em torno de regiões diferentes e de discursos contraditórios contem muito pouco de positivo.

Resta agora abordarmos a questão das aparições ou manifestações do Senhor.

Porque as três fontes (Mt, Lc e Jo) referem-se, via de regra, a manifestações especificas ignoradas pelos demais Evangelistas.

Aqui, mais uma vez devemos advertir a tropa de choque positivista, que jamais passou pela cabeça de qualquer um deles fornecer um elenco completo destas aparições.

Destarte teriam todos consignado a primeira delas dedicada a Santíssima Virgem Maria sua mãe. Só um desmiolado ousaria crer que o divino Mestre ao elevar-se do Reino dos Mortos deixou de aparecer primeiramente aquela que o concebeu e gerou...

A simples obviedade desta manifestação fez com que evangelista algum se desse ao trabalho de reproduzi-la. Mas também é possivel que a Virgem guardasse tal evento em seu coração...

A segunda aparição encontra-se registrada no antiquíssimo Evangelho dos hebreus e foi dedicada a seu meio irmão Tiago, o qual, mesmo não tendo acompanhado o Mestre até o Calvário como S João, havia jurado não partir pão nem beber vinho até que o Senhor se levantasse dentre os mortos.

Pela madrugada de Domingo, o Senhor manifestou-se a ele e disse: "Agora Justo, parte teu pão e bebe do vinho porque o Filho do homem rompeu as cadeias da morte." (Esta manifestação é citada fora do lugar por S Paulo em I Cor 15,7)

Depois apareceu as Santas mulheres pelo romper da alva. Depois a Madalena somente a qual retornara ao jardim... Isto durante a manhã do Domingo.

Sucedeu-se no entanto que a situação do túmulo e os múrmurios do populacho acabaram chamando a atenção dos sacerdotes e produzindo grande alvoroço em toda cidade. Diante de tamanho alvoroço os apóstolo temeram por suas vidas e encerraram-se no cenáculo, onde Jesus foi ter com eles estando as portas fechadas. Depois apareceu a Simão (Lc 24,34) Pedro (I Cor 15,4)

Oito dias depois manifestou-se mais uma vez aos apóstolos no cenáculo estando presente Tomé. (I Cor 15,4 e Jo 20,24)

A véspera desta manifestação havia a Cleofas e um seu companheiro na paragem de Emaus.

Disto decorre que ainda não haviam cumprido a ordem do Senhor e passado a Galiléia...

E porque???

Por recearam alguma violência da parte dos judeus enfurecidos.

Então devem ter esperado mais alguns dias, até os espíritos serenarem e partiram para a Galiléia... chegando ao Kinereth foram contemplados com a derradeira aparição consignada pelo quarto evangelista. Na mesma ocasião manifestou-se ele a uma multidão composta por 500 irmãos.

Dali passaram a região montanhosa do pais (Mt 28,16) nos confins da Batanéia (Lc 24,50 e I Cor 15,8) onde o Sr apartou-se deles após proclamar a grande comissão.

Aqui rebate o crítico: os sinóticos dão e entender que tudo sucedeu-se no mesmo dia...

A esta objeção se responde dizendo e declarando que o próprio S Lucas, no primeiro Capitulo dos Atos dos Santos Apóstolos, corrige esta má impressão de continuidade declarando que tais aparições sucederam-se durante quarenta dias.




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Contradições em torno do relato da ressurreição... III -

Então já conhecemos a trela positivista: nasce o Sol e todas as sombras, e toda escuridão desaparece... confundem a aurora com o zênite e o 'cristão' leva a fama...

Discordar deles e supor que deram com a vista no sepulcro quando ainda estava escuro que alguns minutos depois, quando lá chegaram, já estava o Sol a nascer é heresia...

E no entanto estamos diante de um fato que ocupa alguns minutos segundos antes do sol nascer e minutos depois...

Nosso adversário no entanto cuida que os antigos valorizavam a precisão exata do tempo tanto quanto nós... Fazer o que???

Quanto ao momento exato da ressurreição porém nada é dito.

Eles satisfaziam-se com o saber que Jesus ressuscitará em algum momento da madrugada de Domingo, isto é antes da alva. Aqui há acordo, pois não há registros de que tenha ressuscitado pela tarde...

Preparem-se agora para o argumento 02... que mais uma vez nos supreende por sua banalidade e pobreza.

Supondo estar diante duma narrativa positivista ou dum depoimento judiciário, declara nosso homem que S Marcos menciona apenas um emissário, enquanto que Lucas e João mencionam dois emissários, os quais encontravam-se dentro do sepulcro de nosso abençoado Mestre quando as santas mulheres lá chegaram e que mandaram-nas informar os apóstolos a respeito do mistério; logo temos diante de nós mais uma contradição...

Teriamos uma contradição de fato caso em alguma parte do registro que lhe é atribuido Marcos tivesse esboçado intenção de absoluta completude... todavia em parte alguma de tais relatos nos deparamos com qualquer advertência a respeito duma precisão ou exatidão numérica nos moldes da cultura ocidental contemporânea...

É até possivel que diante de um único emissário as mulheres tomadas pelo pânico vissem dois...

Como é possivel que houvessem muitos emissários e que elas tivessem notado apenas um...

Pessoas que estavam juntas durante o mesmo evento em situação de choque nem sempre concordam a respeito das minudências numéricas, na medida em que suas mentes concentram a atenção sobre este ou aqueles objetos... sem que isto no entanto comprometa o essencial a respeito dos fatos e invalide o depoimento das mesmas.

Todo bom positivista, por mais que deteste a psicologia, deveria estar informado a respeito disto.

Naturalmente que a ressurreição de Cristo foi um evento inesperado, singular, significativo e impactante para aquelas mulheres a ponto de deixa-las mentalmente atordoadas...

Nós reconhecemos honestamente esta possibilidade mas não percebemos como de fato importe na implausibilidade do evento como um todo.


Agora passemos ao argumento 03 que diz respeito a pedra...

Em que pese nosso adversário admitir que não se trata duma contradição propriamente dita...

Então o que?

Vejamos...

Todos os relatos estão de pleno acordo ao admitir que as mulheres deram já com a pedra do sepulcro rolada e com ele aberto...

Relato algum declara que o sepulcro estava fechado, que elas mesmas abriram-no ou que foi aberto por algum apóstolo...

Então cadê a solidez do argumento???

Também concordam os textos quando explicam que a pedra fora removida por um dos emissários...


Outro argumento falacioso diz respeito a quantas mulheres vizitaram o túmulo.

Pois enquanto S João menciona apenas a Madalena, Mateus faz alusão a Madalena e Maria de Cleofas e Marcos a Madalena, Maria de Cleofas e Salomé.

Naturalmente que nenhum deles jamais pretendeu fornecer uma lista completa das mulheres que vizitaram o túmulo. Dar a lista de Marcos por completa não passa de suposição...

E nada nos impede de cogitar que se tratasse de quatro ou mesmo cinco mulheres.

Eis porque Lucas, bem ao espírito do registro limitasse a registrar: Mulheres, sem declarar quantas eram.

Posto esta que cada evangelista mencionou esta ou aquela personagem por considerações de ordem pessoal ou pastoral.

Como Madalena é expressamente citada nas três narrativas é de se supor que fosse encarada como a personagem mais representativa ou mesmo a lider deste grupo feminino.

Por outro lado João pode ter omitido as demais mulheres pelo simples fato de terem sido mencionadas nos registros que ele já conhecia.

Lamentavelmente nenhum dos quatro insere ao menos um representante do sexo masculino na vizita matutina ao túmulo do Senhor. Isto é mesmo para se lamentar do ponto de vista dos incrédulos, pois então eles estariam na posse dum argumento incontroversso com que atacar a narrativa...

Uma vez que segundo dizem os positivistas tais fatos foram produzidos pela imaginação ou pela criatividade dos hagiografos, porque raios a dita imaginação não foi capaz de imaginar um homem e de introduzi-lo no grupo das santas mulheres???


Há ainda uma outra objeção pertinente a ordem dos anjos reproduzida em Marcos 16 e o mesmo fato consoante os Mt, Lc e Jo.

Consiste esta suposta contradição em que após a ordem ter sido dada as mulheres, Marcos ter registrado:
"E NADA CONTARAM A NINGUÉM, POIS TINHAM MEDO..." palavras que por sinal constituem o final do segundo Evangelho...

Os demais relatos no entanto declaram: "Elas sairam do túmulo e contaram tudo a Pedro e aos apóstolos."

Ora Marcos declara que por temor elas nada contaram enquanto os demais registros declaram que elas contaram ao colégio apostólico, estariamos aqui diante doutra irrefragavel contradição???

Para postular contradição deveriamos estar em posse do final perdido do segundo Evangelho e dar com a informação de que elas nada comunicaram a Pedro e aos apóstolos; tal porém não se sucede porque nenhum de nós conhece o dito final...

Fora isto só a mente dum perfeito palerma poderia conceber que as santas mulheres estavam com medo dos apóstolos ou temendo a reação deles.

No caso elas não poderiam ter deixado de obedecer a ordem dada pelo anjo (Neste caso são seriam santas mulheres mas mulheres rebeldes!!!) e de ir contar tudo tintin por tintin aos apóstolos.

Então porque raios Marcos registrou: Nada contaram a ninguém???

Porque durante o regresso a cidade - e as cidades antigas possuiam pouquíssimas portas - depararam-se com diversas pessoas (Soldados, fariseus, curiosos, gente que saia para o trabalho, parentes seus, etc) as quais por medo nada contaram a respeito do ocorrido até chegarem ao cenáculo, em que pese, muito provavelmente o desejo de partilharem a boa nova; o medo no entanto não só prevalesceu como foi o conselheiro prudente das mesmas.

Outra possibilidade é que, Salomé, Maria de Cleofas e parte do grupo (porque Lucas registra 'E outras mulhares que estavam com elas) tenham ficado com medo e silenciado de modo absoluto, enquanto que Madalena e algumas outras mulheres (outra parte do grupo) tenha ido ao cenáculo e advertido os apóstolos. Então não há qualquer motivo para alarmar-nos a respeito desta fantasiosa contradição...

Contradições em torno do relato da ressurreição... II - A hora

Aquilatemos pois o calibre da critica anti Cristã direcionada a ressurreição para ver se de fato é persuasiva.

Inumeras são as críticas tecidas por Strauss, Renan e outros as quais respoderemos uma a uma detalhadamente em nossa 'Apologia', aqui contentarnos - e - mos em replicar o que os próprios inimigos encaram como sendo o 'filé' ou o tutano da crítica e que consequentemente costumam apresentar como absolutamente irrefutável e irrespondível, alardeando vitória.

A primeira inconsistência apontada por tão denodados críticos é com relação a hora exata em que as santas mulheres chegaram ao sepulcro...

Eles certamente gostariam que Madalena ou alguma de suas companheiras portasse um cronometro para assinalar se possivel até o segundo ou o milésimo de segundo que chegaram ao sepulcro.

Como positivistas de carteirinha no entanto devem saber e muito bem que mesmo o sistema de dividir as horas é contraditório e defeituoso...

Seja como for o argumento deles consiste em insinuar que há alguma discrepância séria entre os sinóticos - o que como veremos logo abaixo denota desonetidade - para enfim alardear que a discrepância subsiste entre os sinóticos e João de modo irrefragavel...

Reza são Marcos "No primeiro dia da semana, ao elevar-se o Sol".

Naturalmente que isto implica minutos ou segundos antes ou depois de levantar-se o sol e não no instante exato, pois sabemos que o momento exato em que o sol se levanta - o que de certo modo é um processo - implica segundos e milésimos de segundos... Devemos pois compreender enquanto o Sol se levantava...

"Estava ficando claro." registra S Mateus, o que de forma alguma contradiz o relato de S Marcos já porque certa claridade precede o despontar do Sol, já porque a mesma claridade acompanha o processo e já porque mesmo após o despontar subsistem sombras...

Já S Lucas declara que "Era muito cedo." o que de modo algum se choca com os relatos anteriores.

Então, apesar de todo o alarde viperino não há contradição real entre os sinóticos a respeito do tempo. Os três convem que as mulheres chegaram ao túmulo durante o processo através do qual o Sol se levanta.

Acontece que o Evangelho de S João, segundo os críticos, diz lá outra coisa bem diferente:

"Veio até o memorial enquanto estava escuro."

Logo, antes do processo chamado alvorecer.

Destarte ou estão corretos os sinoticos, que declaram: durante o processo chamado alvorecer ou antes. Porque o mesmo fato não pode se suceder antes e simultaneamente face a outro evento, ao menos que seja prolongado e continuo; o que não se aplica a uma chegada.

Então é muito simples: "Estamos diante duma contradição insoluvel."

Será mesmo assim???

Comecemos por desmarcarar a safadeza positivista ou materialista, ou ateística ou sei eu lá mais o que; porque a 'ralé' dos 'cristãos' estúpidos tem sido demasiado condescendente para com eles.

Primeiramente eles declaram que existem contradições insoluveis aqui e ali, entra este texto e outro... e quando sugerimos alguma outra possibilidade ou apontamos outra solução que não corresponda aos intereses ou ao modo de pensar deles, somos desleais e embusteiros!!! Nem mais nem menos...

Para a ralé positivista, buscar imprecisões em sua argumentação é inadmissivel!!!

E no entanto tais imprecisões são bem mais do que aparentes:

Num primeiro momento convem assinalar que os sinóticos citam expressamente as demais mulheres enquanto que João menciona apenas Madalena.

Que loucura ou pecado há em supor que de fato Madalena saiu para vizitar o sepulcro antes da aurora, enquanto ainda estava escuro, que passou pelas casas das amigas e que chegaram juntas enquanto o Sol acabava de despontar???

De fato é preciso ser muito desonesto para ver qualquer anormalidade nisto. Então nós não precisamos dizer com o Dr Geisler que Maria foi duas vezes ao sepulcro, uma sozinha e outra com as companheiras mas que juntou as companheiras no trageto - feito as escuras - até que atingiram sua meta enquanto o Sol nascia.

Esta simples tentativa de conciliação basta para enfurecer os críticos de nossa santa e imaculada fé, uma vez que eles mesmos admitem antecipadamente a fraqueza de suas cogitações, confessando abertamente: "Pior seria que um assinalasse a manhã, outro a tarde e outro a noite como sendo o momento da vizita, O QUE TODAVIA NÃO SE SUCEDE."

E porque não se sudece, havendo harmônia no contexto geral (Até onde permite a contagem do tempo segundo a cultura daquela epoca, que neste sentido era precária)??? Porque tais fatos podem ter sido reais e não imaginários ou inventados...

Enfim os positivistas se lamentam porque os cristãos malvados "Que é dizer que o que está escrito tem outro sentido do que o sentido costumeiro e lógico."

Mas que sentido costumeiro é lógico se o sentido e a lógica dos positivistas do século XIX, predominante até nossos dias, sequer corresponde ao sentido costumeiro é lógico dos antigos gregos e romanos, cujas obras eles fingida ou abertamente deploram???

De modo algum pretendemos repudiar qualquer sentido lógico; o que repudiamos e muito bem embasados é s simples suposição ou hipóteses de que os hagiógrafos pretenderam escrever biografias completas de Jesus Cristo nos moldes do positivismo cientificista...

O que por sinal é expressamente declarado por S João: "Caso pretendessemos escrever uma narrativa completa de tudo quanto Jesus realizou, não haveria papel e tinta suficientes."

De modo que como todos os antigos eles selecionaram o material que empregaram, DONDE SE CONCLUI QUE SEUS RELATOS TOMADOS A PARTE SÃO INCOMPLETOS E QUE NO CONJUNTO COMPLETAM-SE E HARMONISAM-SE ESSENCIALMENTE UM AO OUTRO.

Isto esta perfeitamente conforme a mentalidade do tempo e ao fim a que os ditos evangelistas se propuzeram: traçar um esboço da vida de nosso abençoado Salvador CORRESPONDENDO AS NECESSIDADES E EXIGÊNCIAS DAS COMUNIDADES EM QUE VIVIAM.

E como tais necessidades e exigências eram distintas por decorrência da cultura evidentemente que o material selecionado ou empregado era em parte distinto, distinto sim mas não contraditório; incompleto sim mas não incoerente!!!

Contradições em torno do relato da ressurreição... I

Aqui estamos diante dum fato reproduzido pelos quatro Evangelistas de modo bastante detalhado e contundente.

Basta lembrarmos a seguinte passagem do 'Corpus Paulinum': "Se Cristo não ressuscitou dos mortos é vã e ilusória nossa fé."

Como o dogma da ressurreição contempla em máximo gráu aqueles que como os antigos judeus e romanos, supervalorizavam o elemento prodigioso, não devemos nos admirar que a Ortodoxia apresente-se a si mesma como sendo a "Igreja da ressurreição" ou da Páscoa, a qual de fato constitui o supremo referencial do calendário.

Sem querer entrar no mérito da questão, neste passo inclino-me ao sentir dos latinos como Pierre Abelardo e Simone Weil. Efetivamente meu coração pende muito mais para paixão do que para a glorificação...

Admitido que as profecias foram executadas e que Jesus Cristo é um Ser de natureza divina, não percebo qualquer dificuldade en torno da ressurreição. Fácil para Deus deve ter sido romper as cadeias da morte e nascer duma Virgem intacta, então, sem querer menosprezar mistérios tão elevados, penso que o mistério do sofrimento de Deus seja tanto mais amplo, misterioso e profundo; na medida que toca mais de perto o amor.

Pois se a um lado o Senhor, tendo em vista as exigências da mente carnal, acomodou-se a elas por meio do nascimento miraculoso e da ressurreição e acomodou-se sem nada sofrer; a outro não era externamente necessário que se acomoda-se a nossas exigência afetivas até o sangue.

Então, se assumiu o ônus do sangue, do suor e das lágrimas; o fez unicamente impulsionado por seu infinito amor...

E tanto mais descobrimos que este nosso universo material é complexo, é extenso e assombroso, caso admitamos - e o simples exercício da racionalidade nos constrange a admiti-lo - a existência duma 'mente' (Nous), alma ou principio imaterial (espiritual) que atravessando todos os limites e esferas, tudo unifica como lei suprema, tanto mais nos extasiamos perante a simples possibilidade deste Ser eterno, ilimitado e infinitamente perfeito, ter se manifestado neste nosso mundo através dum complemento carnal.

Assim aqueles que se esforçam por reforçar a complexidade dum universo material, julgando que não haja nem ordem, nem mente, nem qualquer elemento unificador, caso admitamos a existência de tal elemento - basta lembrar que Karl Sagan, na esteria de Einstein admitiu a existência de um Deus exatamente nesses termos duma lei universal - tanto mais precioso se torna o Dogma central do Cristianismo, o qual significa e quer dizer, que apesar de toda esta complexidade, este Ser não pôde deixar de ocupar-se dos vermes, atomos ou quarks... e esta dimenssão ética ou axiológica, ignorada por Sagan é simplesmente encantadora.

Pois na mesma medida em que o divino tornando-se mais complexo vai se afastando cada vez mais de nós por sua complexidade entrinseca, aproxima-se de nós por seu amor até fazer-se um de nós e por nós sofrer e padecer numa Cruz. Então é a cruz vivicante que expressa em supremo gráu o amor divino até a abnegação, a filantropia, a benemerência, o heroismo e o sacrificio... Em função de seu Ser este universo grandioso e repleto de mundos não devia sequer considerar-nos...

Eis porque este Deus lógico de Aristóteles e Spinosa, de Einstein e Sagan é incapaz de produzir qualquer tipo de afeto, até na prática o homem esquecer-se dele... Porque é um Deus que ignora nossas vicissitudes éticas e espirituais... Um Deus insencivel ao drama porque passamos neste báratro assombroso... um deus indiferente a tenssão que neste nosso mundo opõe o real ao ideal... o que desejamos e o que há... o como deveria se e o como é...

Reconhecemos nós a complexidade infinita do mistério divino... pois não percebemos de que forma a negação do divino nos auxiliria a apreender o 'sentido' que buscamos, quando pelo contrário retira todo sentido ou finalidade e destrói pela base mesma a dimenssão ética da vida.

Como tu eu também não considero o valor do sangue vertido sobre a cruz em termos mágico/fetichistas. Eu também não acredito num Salvador que apaga os pecados cometidos com seu sangue, como não creio em falsas salvações de vicissitudes materiais, de diabos ou de penalidades eternas em termos de fogo; tudo isto reflete certamente um mentalidade ou muito infantil e primitiva ou muito irreverente.

Como os antigos padres dos primeiros séculos penso que mesmo antes de falarmos num Salvador ético - que salva o homem do pecado e num cordeiro que tira os pecados do mundo convencendo seus adoradores a cessaremn de pecar e a viverem reta e virtuosamente - devemos apresentar o divino Mestre como médico que cura os espíritos pela correção da vontade, como pedagogo que guia nossas almas ao bem e a verdade e como pastor supremo que nos alimenta pela comunhão e unidade que obtemos de seu Ser.

Nem por isto deixo eu de crer na ressurreição do Senhor, até constrangido sou a admiti-la após examinar quatro relatos bastante extensos e detalhados e - como querem os não Cristão - totalmente inventados e produzidos pela imaginação humana em busca das inumeras contradições alegadas - as quais de fato deveriam sobejar - as quais jamais pude localizar...

Perdem tempo aqueles que se escoram como sempre no argumento do silêncio, na omissão ou numa inexatidão que de modo algum toca a essencialidade da narrativa. Antes o emprego de tais muletas evidencia que não possuem melhores argumentos e evidências mais sólidas; em suma que a crítica aprioristica dos materialistas é capenga... ou claudicante...

Então eles precisam aplicar aos registros e fontes Cristãs os canônes do positivismo forjados durante o décimo nono século, sem perceber que caem num enacronismo de todo injustificável...

Basta considerar que o mesmo positivismo a que fazem continua petição, foi o grande responsável pela criação aprioristica do termo 'pré história' com as terriveis consequências que chegaram inclusive a alimentar e fortalecer a 'crítica' fundamentalista em termos de organização social ou de evolução biológica...

E no entanto o modo como os antigos escreviam e registravam os eventos não corresponde as exigências do positivismo... ignoramos pois porque os prositivistas deixaram de assinalar o surgimento da História a partir de 'Langlois e Soignobos' ou do divino Comte... quando eles ou seus rivais aplicam tais canônes a qualquer relato clássico legado pelos antigos gregos e romanos ressoam altissonantes da acadêmia a mencionada partícula: Anacronismo... a o anacronismo em seu bojo trás o risso ou a mofa...

No entanto nos meios porkutianos e virtuais, assomam multidões de leigos ineptos com o propósito - idiota como já assinalamos - de sujeitar os Evangelhos e primitivos registros Cristãos a mais rigorosa crítica em termos 'positivistas'... após o que costumam proclamar que Jesus jamais existiu nos termos vergonhosos de um Dupuis, dum Strauss ou de quaisquer outros 'sábios' consumados do século XIX...

E pau no Vermes, e pau no Crossan, cujas obras por sinal não se deram ao trabalho de ler porque a ciência esgotou-se já no tempo de Emilio Bossi, há cerca de cem anos.

Replicam e respondem nossos adversários, que assim procedem porque a Igreja tem revindicado para tais documentos uma inspiração total e absoluta de cárater mágico/fetichista.

Aqui só nos resta certificar que a doutrina ou teoria da inspiração absoluta, plenária, linear e verbal - apesar do sucesso que tem feito nas igrejas ortodoxa, anglicana e romana - predominante entre as massas incultas, não constitui dogma ou artigo de fé para as supraditas comunhões mas apenas e tão somente para os fanáticos protestantes ou fundamentalistas. Canonizaram-na Lutero e Calvino ao indigitarem o Biblismo como fundamento da fé e não as igrejas apostólicas, as quais desde os primeiros séculos executaram certo trabalho crítico.

Então quando os srs apontam certos equivocos de natureza acidental, que não atingem a essencialidade da narrativa ou as palavras proferidas por Jesus Cristo, acertam tiros que fulminam o protestantismo/biblicismo mas de modo algum as Igrejas Apostólicas que revindicam o nome de Católicas. Pois estas jamais foram assim tão longe...

E se recorrem a argumentos que jamais ultrapassam a acidentalidade da mensagem - como indicação de horas, nomes de localidades obscuras ou troca de versículos - é porque não possuem argumentos de talhe superior que destruam a essencilidade da mesma. Pois ninguém vai a guerra ou sai a batalha com munição de segunda categoria quando possui munição melhor...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A paixão de Cristo> Sinóticos X João

Uma das narrativas mais complexas de todo Novo Testamento diz respeito a última semana de vida de Nosso abençoado Mestre: a ceia da Páscoa, a traição, apressamento, julgamento e a morte de que veio a padecer.

Grosso modo os fatos são os mesmo e a sequência também. A raiz do problema aqui é cronológica.

Os quatro Evangelistas concordam plenamente entre si ao assinalarem uma quinta-feira como dia da última ceia de Jesus e uma sexta-feira como data de sua morte. A dificuldade, porém, está na indicação do dia do mês: conforme os sinóticos (Mt, Mc e Lc), a quinta-feira era o dia 14 de Nisã (março/abril); a sexta-feira, por conseguinte, era o dia 15. Ao contrário, segundo São João, Jesus se despediu dos discípulos no Cenáculo na quinta-feira dia 13 e foi crucificado na sexta-feira dia 14.


Acompanhe o esquema abaixo.



Mês de Nizan                                          Sinóticos                               S João

13                                                                                                         Quinta f - Última ceia
14                                                           Quinta f - Última ceia              Sexta f   - Morte do Senhor
15                                                           Sexta f - Morte do Senhor     Diante disto há séculos os incrédulos teêm alardeado estarem diante duma contradição insoluvel.   Jamais ocorreu a eles algo tão simples como estarem os sinóticos e João servindo-se de Calendários distintos.   A própria igreja e a instituição Cristã não deixa de ser em parte responsável por um tal estado de coisas na medida em que tem romantizado ou idealizado a História dos antigos judeus, em termos duma uniformidade que eles jamais possuiram.   Estavam os judeus, desde muitos séculos antes do nascimento de Cristo, cindidos em seitas rivais com doutrinas diversas a respeito da imortalidade da alma; como já salientamos em nosso estudo a respeito da mortalidade da alma no Velho Testamento; do Canon de suas escrituras e de alguns outros pontos doutrinários... Rematada tolice supor que aqueles que estavam separados em seitas a respeito do essencial ou seja da doutrina, estivessem de pleno acordo no que diz respeito as festas e o Calendário; mormente quando o testamento antigo é vago e contraditório...   Josefo, o Talmud e os escritos do Mar morto dão a entender que cada seita: Saduceus, Fariseus, Essênios e Samaritanos (no mínimo) possuia calendário próprio, marcando as festas e solenidades de modo diverso.   Recomendamos aos positivistas cegos, que pesquisem a literatura judaica dos primeiros séculos a respeito das verdadeiras batalhas travadas entre os saduceus da casa de Boetus e os fariseus sobre a data da imolação da Pascoa quando caia no sábado ou sobre como imolar tantos milhões de cordeiros num só dia...   Naturalmente que tais disputas entre os saduceus e fariseus> conforme davam mais importância a esta ou a aquela festa ou aos sábado < também diziam respeito ao poder e ao prestigio do grupo que lograsse impor sua tradição ou seu modo de contar aos demais.   Destarte era o calendárismo um grave problema no tempo de Cristo e um problema a luz do qual devemos procurar compreender a aparente contradição existente entre os sinóticos e João.   Que nem todos ali estivessem oficiando a Páscoa no mesmo dia até os Sinóticos dão-no a entender.
Leve-se em conta, por exemplo, que, conforme Mt, Mc e Lc, as diversas peripécias do processo de Jesus se devem ter efetuado em plena solenidade de Páscoa (dia 15 de Nisã); ora tais ocupações eram incompatíveis com a lei de repouso sabático que marcava a grande data (cf. Êx 12,16; Lev 23,7). Era, sim, proibido em tal ocasião carregar armas e encarcerar um réu (cf. Mt 26,47); acender fogo como o acenderam em casa do Sumo Sacerdote (cf. Lc 22,55); caminhar do campo para a cidade, como fez Simão o Cireneu provavelmente após a sua jornada de trabalho agrícola (cf. Mc 15,21); carregar a cruz, como Jesus teve que fazer; executar uma sentença capital, como fizeram os seus carrascos; comprar uma mortalha, como a comprou José de Arimatéia (cf. Mc 15,46); preparar aromas e bálsamos para ungir o corpo morto, como o empreenderam as santas mulheres (Lc 23,56). Dificilmente, portanto, se admitirá que se tenha realizado no dia 15 de Nisã tudo que os sinóticos referem imediatamente em torno da condenação e execução de Jesus. — Destas considerações conclui-se que, segundo Mt, Mc e Lc, ao menos um grupo de judeus (os que realizaram os atos acima descritos) não havia comido o cordeiro pascoal na noite de quinta-feira, como Jesus fez, nem estava celebrando a solenidade de Páscoa na sexta-feira. Ora é justamente esta a perspectiva que se depreende do Evangelho de São João.
Ainda outra observação se reveste de importância: Jesus morreu na tarde de sexta-feira que, segundo os sinóticos, deveria ser o dia de Páscoa (15 de Nisã). Logo após o falecimento do Mestre, José de Arimatéia se aprestou por sepultar o cadáver, pois, quando baixasse o sol, entraria em vigor a lei do rigoroso repouso sabático (cf. Mc 15, 42-46); sabemos que os judeus contavam os dias de ocaso a ocaso do sol, não de meia-noite a meia-noite). Do seu lado, as piedosas mulheres prepararam os bálsamos para ungir o corpo de Jesus morto, mas, tendo caído a noitinha, interromperam o trabalho, aguardando que passasse o sábado (cf. Lc 23,56). Ora estes dizeres não teriam cabimento se a sexta-feira em que Jesus morreu era o dia de Páscoa, dia de repouso tão rigoroso como o do próprio sábado; porque se terá apressado José de Arimatéia na tarde de sexta-feira se nesta já se prescrevia a abstenção de todo trabalho? — Destes traços deduz-se com razão que José de Arimatéia e as santas mulheres não estavam celebrando Páscoa na sexta-feira em que Jesus morreu; esta sexta-feira, para eles, não era o dia 15 de Nisã.

Tais evidência parecem depor a favor da cronôlogia Joânica ou melhor a cisão existente entre os judeus do tempo de Jesus a respeito do assunto.

Parece que Jesus tinha diante de sí dois ou três calendário possiveis...

Acontece que os sinóticos descrevem o fato tomando por base determinado calendário enquanto João descreve o mesmo fato tomando por base um outro calendário. Naturalmente que isto produz alguma confusão...

Aqui mais uma vez tradições eclesiásticas de origem dúbia vieram a obscurecer o assunto. Tal a idéia predominante entre todas as seitas dos latinos de que Jesus cerebrou sua ceia no dia de quinta feira...

Os vaidosos latinos - o próprio papa Bento XVI enfatiza esta tradição defeituosa em sua Vida de Jesus - no entanto parece que não estão dispostos a questiona-la.

Sabemos no entanto, pela Didascália e por Epifânio, Bispo de Salamina, que tais coisas - ao contrário do que parece (Tendo em vista o modo defeituoso com que os antigos costumavam abreviar e resumir dando a entender continuidade temporal) - não se sucederam em um só dia ou em poucas horas mas no decorrer duma semana inteira. Basta dizer que tais registros afirmam explicitamente ter o Senhor oficiado a ceia Pascal não numa quinta mas numa terça feira...

Até meio século o apelo a tais textos ou tradições, bem poderia ser encarado com um sorrizo de desdem...

Pois nosso conhecimento a respeito da História antiga, ao invés de ser completo é precário e lacunoso; por mais exato ou seguro que seja.

Isto devido ao imenso número de fontes e de resgistros estraviados ou destruidos...

Basta dizer que Livio ao compor sua afamada História 'Ab urbe condita' deparou-se com pouquissimos documentos anteriores a 390 a C, ponderando que naquele ano os registros oficiais da cidade haviam sido destruidos pelos celtas... Dois séculos depois foram os romanos que destruiram os registros da rival Cartago impedindo-nos de conhecer tanto mais detalhadamente sua história.

Não possuimos mais a narrativa das guerras de Cesar em Alexandria, Africa e Hispânia ao que parece escrita por Hírcio e tampouco a 'História dos Etruscos' composta pelo Imperador Claudio... não possuimos sequer a carta em que Pedro Alvares Cabral notificava a D Manuel o descobrimento do Brasil!!!

Acontece no entanto que vez por outra aparece lá alguma coisa... como a carta de Pero Vaz de Caminha, os códices de Nag Hammadi, os papiros de Herculano ou os manuscristo do Mar Morto...

No caso, após a analise de tais documentos, nossos preconceitos devem ser revistos... e já não podemos simplesmente esboçar um sorrizo.

Digo isto porque dentre os manuscritos dos essênios encontrou-se um calendário religioso ante Cristão segundo o qual a Pascoa poderia muito bem ter sido comida na terça feira. Teria Jesus adotado este Calendário??? Não nos parece impossivel.

Destarte estão os sinóticos corretos quando asseveram que Jesus oficiou verdadeira Páscoa (dos essênios) e que sem embargo disto foi imolado no Paresceve duma outra Pascoa - quando os cordeiros estavam já sendo imolados (como quer João) - a dos fariseus e/ou saduceus.

Em nossa Apologia do Cristianismo Ortodoxo, analisaremos a questão tanto mais de perto, formulando respostas a todas as objeções lançadas pelos contrários e reproduzindo literalmente toda a documentação existente sobre o assunto. Como no entanto esta obra não pertence a apologética julgamos ter abordado a questão naquilo que possui de essencial e oferecido uma resposta plausível.



Resta-nos tratar da hora em que o divino Mestre foi crucificado:

A questão é posta nos seguintes termos:

Conforme S Marcos: «Era a hora terceira, quando crucificaram Jesus» (15,25), ao passo que, conforme S João, a condenação de Cristo ocorreu «por volta da sexta hora» (19,14).


Será de fato insolúvel (como já se tem dito) essa aparente divergência?

Seria de fato insolúvel caso estivesse provado que o Império romano imposto a uniformidade de pesos e medidas. Acontece que durante a antiguidade e a idade média rivalizaram diversos modelos de pesos e medidas em diferentes culturas.

Divergência que o Império romano, ao contrário da Revolução Francesa e do modelo globalizador, jamais pensou em eliminar.

Da mesma forma e modo como Dario e Alexandre evitaram suscitar choques no plano da cultura, assim procederam os imperadores romanos.

Desde que os impostos fossem pagos os povos conquistados podiam dividir e contar o tempo como desejassem...

Então devemos compreender que na Judéia do tempo de Cristo haviam no mínimo dois modos de se dividir o dia: o modo dos conquistadores romanos e o modo dos antigos judeus.


Parece que no texto acima, S joão empregou a maneira como os romanos contavam as horas. Estes as numeravam como nós, a partir da meia-noite, enquanto os orientais procediam do nascer do sol. — Nesta hipótese, conforme o quarto Evangelho, Jesus teria sido condenado cerca do meio dia e crucificado cerca de 12:30. Já segundo são Marcos ele teria sido crucificado entre as 9 e as 12 horas. Então caso consideremos que Jesus foi condenado por volta do meio dia teremos cerca de meia hora de diferença entre um relato e outro...

Devemos ficar abalados porque Marcos e João não estão de acordo a respeito de minutos ou segundos numa época em que sequer existiam relógios mecânicos de relativa precisão???

Basta sabermos que mesmo hoje com relógios que marcam milésimos de segundo e o uso generalizado de relógios de pulso, depara-mo-nos com imprecisões e incertezas do gênero em milhões de autos judiciais sem que isto chega a implicar contradição.

Devido a nosso modo e maneira de encarar a vida tomando por base o relógio e marcar o tempo segundo nossa jornada de trabalho e/ou de estudo, as quais costumam ser fixadas com exatidão inflexivel, costumamos exijir um tipo de exatidão que mesmo no tempo presente não logramos atingir. Ora semelhante tipo de contagem e exatidão típicos da mentalidade moderna nem sequer passavam pela cabeça daqueles que viveram na Judéia nos primeiros séculos desta Era.

Via de regras eles se davam por satisfeitos com a proximidade do tempo, ignorando o critério da exatidão absoluta.

Contudo a esta explicação se objeta o seguinte: É de todo inverossímil admitir tenham os romanos realizado processos judiciários de madrugada; há mesmo documentos a atestar que não o faziam por princípio (cf. Macróbio, Saturnalia 1,3; Sêneca, De ira 2,7).

A isto se responde muito facilmente.

Pois se Jesus foi pregado na Cruz cerca do meio dia deve ter sido torturado a partir das onze, quando terminou o segundo interrogatório feio por Pilatos.

Cerca das dez horas foi repudiado pelo povo, que optou por libertar Barrabas.

Donde se infere que o pretório de Pilatos deve ter sido aberto pela oito ou nove como e costume.

Quanto a João, que via de regra adota a contagem judaica do tempo ter adotado, excepecionalmente neste passo, a contagem dos romanos devemos compreender que ao contrário dos demais apóstolos, que a excessão de Tiago, fugiram e abandonaram o Salvador, João acompanhou-o até a casa do Sumo Sacerdote e em seguida até o calvário.

Como a execução foi realizada por soldados romanos é bastante provavel que João tenha ouvido algum deles mencionar a hora fatídica, expressando-se conforme sua cultura. É perfeitamente aceitável que durante aquela hora traumática as palavras do romano tivessem ficado indelevelmente gravadas na memória do apóstolo sendo por fim registradas em sua narrativa.

Milagres: Mateus e o caso das 'duplicações'...

Tantos quantos tiveram a oportunidade de ler as obras de Strauss, Renan e outros próceres do liberalismo teológico ou da crítica naturalista; devem lembrar-se duma acusação mais ou menos convincente a respeito do primeiro evangelista. S Mateus, ter duplicado os personagens de ao menos duas narrativas que envolvem milagres.

Seguem os textos:


a) Marcos 5:1-4 ... E, logo que Jesus saíra do barco, lhe veio ao encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, o qual tinha a sua morada nos sepulcros; e nem ainda com cadeias podia alguém prendê-lo;

Mateus 8:28-29 ... saíram-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulcros; tão ferozes eram que ninguém podia passar por aquele caminho. ...


b)Marcos 10:46-47 .... E, ao sair ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, estava sentado junto do caminho um mendigo cego, Bartimeu filho de Timeu. Este, quando ouviu que era Jesus, o nazareno, começou a clamar, dizendo: Jesus, Filho de David, tem compaixão de mim!

Mateus 20:29-30 Saindo eles de Jericó, seguiu-o uma grande multidão; e eis que dois cegos, sentados junto do caminho, ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de David, tem compaixão de nós.

    E no entanto existem duas soluções possíveis para o problema:  
  • A primeira é que Mateus de fato teria duplicado os cegos e os endemoninhados.
  • A segunda é que Marcos e Lucas teriam procurado fornecer uma narrativa tanto mais simples, suscinta e essencial. No caso levaram em consideração apenas o fato em si e não o número de contemplados.

De nossa parte optamos pela segunda hipótese ou solução: Marcos e Lucas, sem estarem preocupados com maiores detalhes, concentram-se no 'fato em si': apresentam uma pessoa contemplada pelo prodígio e omitem qualquer alusão ao outros possiveis contemplados, o que sem embargo, não negam. Aqui não há negação explicita, apenas omissão.

E no entanto a omissão ou a tendência a resumir, abreviar, encurtar, etc não implica defeito ou falsidade.

Aqui a praxe do Evangelho esta de pleno acordo com a praxe gentílica ou pagã assente nos registros históricos que mereceram o título de clássicos.

Destarte, caso apresentemos Mateus como duplicador e embusteiro deveremos estender semelhante acusação a inumeros autores clássicos e modernos:

Começemos por Sócrates: Segundo lemos na 'Apologia' composta por Platão; três foram seus acusadores e por assim dizermos 'algozes': Meleto, representante dos poetas, categoria de pessoas atacadas por Sócrates em diversas ocasiões; Anito, representante dos políticos e afortunados, igualmente vítimados pela crítica do Filósofo e Lícon, representante dos oradores, categoria dominada pelos sofistas, como já sabemos, seus mais ferozes adversários...

Acontece que a historiografia posterior, nem sempre menciona os três personagens como responsáveis pelo crime em questão - a morte de Sócrates - pois há quem mencione apenas Anito (por ter sido o 'mentor' do processo) e quem mencione apenas Anito e Meleto (excluindo Licon).

Os relatos clássicos mais antigos e completos a respeito do assassinato de Júlio César - como o de Lívio - deveriam mencionar explicitamente Cimber, Casca, Cassio, Brutus e outros tantos senadores envolvidos; afinal, Lívio, que era adversário declarado dos resumos e abreviações, dividiu sua "Ab urbe condita' em 142 volumes (!!!) Nós ainda possuimos cerca de 42 volumes ou seja 1/3 do original, os quais ocupam oito tomos bastante volumosos (!!!).

Eis porque Suetonius menciona apenas 'um dos Cassius ' e Brutus & Plutarco apenas Casca e Brutus e porque muitos dos que escreveram depois contentaram-se em citar apenas Brutus, sabendo que este desferira o golpe de misericórdia ou que Cesar desistira de lutar contra seus atacantes ao dar com as vistas nele...

Outro exemplo não menos elucidativo diz respeito as derradeiras palavras proferidas pelo ditador romano:

Pois enquanto alguns autores reproduzem: 'Até tu meu filho Brutus' outros registraram apenas: 'Meu filho'...

Contradição???

De modo algum.

Pois enquanto alguns autores optaram por apresentar a totalidade da frase, outros optaram por reduzi-la ao essencial, eliminando o que julgavam ser mero detalhe ou o que podia muito bem ser subentendido pelo leitor inteligente.

Então não faz sentido algum dizer que alguém duplicou, aumentou ou acrescentou qualquer coisa. Porque os autores antigos ignoravam supinamente os canônes do positivismo.

Destarte uns completavam o que havia sido suscintamente narrado a princípio enquanto outros resumiam ou abreviavam eliminando de suas versões o que julgavam ser desnecessário.

Como Marcos escreveu sua narrativa em Roma, para pessoas que viviam muito longe do local em que os fatos haviam ocorrido é natural que não se preocupasse com minudências numéricas, as quais muito provavelmente tinha em conta de supérfluas... Lucas escrevendo a Gregos e sírios deve ter partilhado o mesmo ponto de vista.

Mateus no entanto deveria ser exato até mesmo quanto as minudências pelo simples fato de dedicar sua narrativa aos judeus da Palestina; isto é as testemunhas oculares de tudo quanto havia acontecido. Ademais sabemos já o quanto o espírito farisaico, por ser tacanho, valorizava os detalhes e tudo quanto os Cristãos consideravam supérfluo; evidentemente que S Mateus, até onde era possível, procurou adaptar-se a mentalidade deles e ofecer uma relato tanto mais exato...

Então ele não duplicou o que Marcos registrou mas ofereceu uma narrativa completa e detalhada a respeito do que Marcos havia omitido, abreviado ou resumido. No frigir dos ovos Marcos e Lucas selecionaram e mencionaram apenas um prodigio, Mateus buscou esgotar o assunto citando todos os prodigios do mesmo gênero, no caso dois.



Outro evento similiar que tem produzido celeuma entre os incrédulos diz respeito a quantas vezes Jesus teria produzido tumulto no templo dos judeus.

Isto porque os sinóticos dão a entender que ele teria expulsado os cambistas logo após a entrada triunfal na cidade santa, quando estava já prestes a ser imiolado, enquanto S João descreve outro conflito, similar, e ocorrido no começo de sua carreira.

Teriam ocorrido duas ou mais 'purificações' ou uma das tradições em questão estaria cronologicamente fora do lugar???

Neste passo, ao que tudo indica, João leva a palma; enquanto os sinóticos situam o evento fora do contexto em que teria ocorrido.

É o que Papias, de Hierapólis, autor das 'Logion Kuriakon Ecsegeseis' da a entender quando registra:

"Marcos, amuense de Pedro, escreveu com fidelidade mas de MODO DESORDENADO..."

E explica: "Pois como ele mesmo não havia sido testemunha ocular, acompanhava a catequese de Pedro a qual não segui a ordem em que os fatos haviam se sucedido.".

Seguiu o Evangelho de Marcos o kerigma de Pedro e este as necessidades de seus ouvintes num tempo em que as bases de nosso Calendário eclesiástico estavam apenas esboçadas em torno da natividade e da crucificação.

Queremos dizer com isto que Pedro, em seus sermões e homilias não tinha a pretenssão de compor uma narrativa cronologicamente exata daquilo que havia presenciado mas satisfazer a demanda espiritual de suas ovelhas. Destarte o fatos vinham embaralhados...

Como o relato de Marcos serviu de base ao relato de Mateus e Lucas, estes reproduziram os mesmos erros... eis porque a narrativa da expulsão dos vendilhões encontrasse no fim dos sinóticos embora tenha ocorrido durante os primeiros anos do ministério de Nosso Salvador.

Acontece, replica o critico, que o mesmo Papias, na mesma fonte; assevera que S Mateus compos sua narrativa de MANEIRA ORDENADA. E ENTÃO???

É verdade que Papias declara ter S Mateus composto de maneira ordenada. No entanto ele não se refere a totalidade da versão grega de S Mateus tal e qual a conhecemos atualmente; como salta de suas mesmas palavras: "EM ARAMAICO, AS PALAVRAS DO SENHOR."

Nós porém ignoramos o conteúdo exato e mesmo a ordem adotada pela versão aramaica de Mt. Outros supõe com certa lógica que por 'palavras' devemos entender apenas os discursos/parabolas do divino Mestre, a exemplo da 'Logia de Tomé' recuperada em Nag Hamaddi; a qual outra mão teria adicionado a parte narrativa com base em S Marcos.

Neste caso as parabolas e discursos do primeiro Evangelho estariam em ordem, enquanto a narrativa, fundamentada em Marcos, seria igualmente desordenada, como a de Lc e a dos sinóticos como um todo... Eis porque João teria restabelecido a ordem das coisas compondo um relato cronologicamente real ou ao menos satisfatório.

De fato quase não há discrepância quanto a parte narrativa, o que confirma nossa tése de que mão posterior tomou-a de Marcos e envolveu os discursos do Senhor vertidos para o grego.

A pergunta é?

Foi a ordem das palavras do Senhor, registradas no original aramaico e perdido de S Mateus e dada como exata por Papias conservada???

É exatamente aqui que Mt e Mc separam-se: pois enquanto Mt situa o sermão do monte antes das parabolas, Mc inclui um trecho deste sermão na narrativa das parabolas; enquanto Mt a discussão com os escribas a respeito do puro e do impuro antes do sermão apostólico Mc faz o sermão preceder a dita discussão...

A narrativa de Lc parece ser igualmente desordenada..

Devemos pois concluir e saber que a querela do Senhor com os cambistas do Templo ocorreu durante os primeiros anos e não no fim de seu ministério.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Examinado a natividade.

Insinuam ou afirmam alguns que há contradição 'liquida e certa' entre os dois relatos de Natividade existentes em Mateus e Lucas.

Na verdade o que temos pura e simplesmente é uma narrativa tanto mais abreviada ou suscinta, elaborada por S Mateus e uma bem mais larga elaborada por S Lucas a partir de suas pesquisas.

Supor contradição entre as narrativas só porque uma é mais curta e a outra mais longa e detalhada beira a sandice. Desde quando é vedado a um autor completar um autor mais antigo fornecendo mais detalhes a respeito de um determinado evento???

Passemos sem mais delongas aos textos:

Onde nasceu o Salvador??? Em Belém declara S Lucas... Em Belém declara S Mateus???

Onde esta pois a contradição???

Inventou Lucas a 'estória' da ida em Belem???

Não. Lucas limitou-se a narra-la tanto mais circunstancialmente...

Nega Mateus que a anunciação tenha ocorrido em Nazaré???

Apenas omite para chegar mais rapidamente ao ponto que deseja: o nascimento em Belém...

Lucas adverte que a anunciação havia ocorrido em Nazaré e especifica o pôrque do casal ter se dirigido a Belém.

Segundo declara foi por ocasião de um ressenceamento determinado por Cesar Augusto.

Que os Imperadores romanos e os proconsules tivessem o costume de ressencear seus súditos tendo em vista a tributação dos mesmos nada tem de insólito. Organizados como eram os antigos romanos, estranho seria que não tivessem pensado em faze-lo.

Felizmente temos notícia de diversos fatos analogos... quer nos historiadores do período, com Dionisio de Halicarnasso (IV, 15) ou mesmo em fragmentos de papiro encontrados no Egito e cujo titulo reza "ressenceamento de famílias"

Aqui ocorre ao crítico maldizente, alegar que em tais ressenceamentos não obrigavam os súditos a deslocarem-se para seus locais de origem da família.

Que noutros lugares e regiões as pessoas não fossem convidadas a irem até a cidade ancestral, é fato.

Que tal medida fosse impossível de ser tomada ou aplicada na Judéia não.

Muito pelo contrário um conhecimento elementar a respeito da sociedade judaica daqueles tempos justifica plenamente a 'inusitada' regra...

Sabido é de todos que os israelitas estavam divididos em tribos, casas e famílias e que entre tais clãs o matrimônio era endogâmico. Eis porque desde os tempos mais remotos eles conservavam ciosamente seus registros de família ou árvores genealógicas, as quais funcionavam como espécies de cartórios, facilitando o trabalho dos ressenceadores romanos. Muito provavelmente o cidadão judeu limitava-se a ir ao lugar em que estavam seus 'registro' para mostrar que estava vivo...

É possível inclusive que muitos não fossem e que preferissem passar por mortos a contribuir com o fisco.

José no entanto era 'justo' e por isso foi...

Mais adiante, quando tratar-mos de passagem a respeito da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, tentaremos identificar o recensseamento apontado por S Lucas e a data aproximada do nascimento do Salvador.

De acordo com S Mateus em Belem sucedem-se os seguintes eventos:

  • Jesus nasce.
  • É presenteado pelos magos do oriente (omitida por Lucas)
  • Jesus é conduzido por seu 'pai' a terra do Egito após o massacre dos inocentes.
Segundo S Lucas os eventos em questão seriam estes:

  • O nascimento de Jesus
  • A adoração por parte dos pastores (omitida por Mateus)
  • A circuncisão
  • A apresentação do Senhor no templo (omitida por S Mateus)
É justamente aqui que os críticos vem a público com ar de triunfo.

Porque nem Lucas menciona os reis de Mateus nem Mateus menciona os pastores de Lucas. Conclusão: as figuras dos reis e dos pastores teriam sido 'inventadas' pelos Evangelistas...

E no entanto estamos diante do velho e capicioso argumento do silêncio e exigindo de cada hagiografo uma biografia completa...

No entanto o caso é bem outro...

Pois nem Mateus declara que Jesus não havia recebido as homenagens dos pastores nem Lucas sustenta não ter o Senhor recebido a adoração por parte dos reis.

Demasiado fácil para nós é explicar ambas as omissões:

Mateus escreveu para os hebreus valorizando seus costumes e o testemunho profético.

Ora para os judeus letrados o testemunho de pastores de ovelha ou rústicos não signifcaria grande coisa. Pois se tratava duma classe de gente desprezada pelos citadinos da capital... É possível que Mateus até aproveitasse o evento caso correspondesse a algum testemunho profético, tal porém não era o caso.

Outro porém é o escopo do Evangelho de Lucas, grego entre gregos e naturalmente inclinado a apontar Nosso Senhor como Redentor dos pobres e humildes. Talvez por isto mesmo ele tenha omitido o ato de vassalagem tributado ao Senhor pelos homens do oriente, ou pelo simples fato de encontra-lo e te-lo lido no registro de Mateus, do qual muito provavelmente fez uso.

Cada um selecionou os fatos segundo o público que tinha em vista persuadir.

Outra questão, que para muitos parece ser assaz espinhosa é a menção feita por Lucas da circuncisão do Senhor e de sua apresentação do templo logo após seu nascimento e destarte 'posterior' a visita dos magos e a fuga para o Egito, narradas por S Mateus. Pois como o menino teria sido trazido do Egito para ser circuncidado e apresentado no Templo se S Mateus declara explicitamente que só retornou do Egito após a Morte de Herodes com mais de um ano???

Aqui a confusão ou o erro são devidos a uma leitura apressada de S Mateus; leitura segundo a qual todos os eventos citados naquela passagem teriam ocorrido no dia mesmo em que Cristo nasceu.

As próprias tradições natalinas parecem impor semelhante confusão dando por certo que os magos vizitaram e presentearam  Nosso Senhor a 25/12 ou a 06/01...

Do texto de S Lucas depreende-se que quando o menino completou um mês aproximadamente, subiu a Jerusalem por ocasião da purificação de sua Santa Mãe (Lev 12,2).

Somos portanto levados a situar a purificação e portanto a visita dos magos e a fuga para o Egito após o tempo em que o Salvador completou um mês de Idade e não no dia mesmo de seu nascimento ou alguns dias depois.

Vejamos agora se o texto de S Mateus concede espaço para tanto.

"Tendo nascido Jesus em Belém da Judéia sob Heródes, chegaram uns magos do Oriente a cidade Santa." 2,1 Eis o que declara o primeiro evangelista.

E apenas num golpe de vista percebemos que neste passo o hagiografo não faz qualquer definição de tempo. Quem conclui que todas as coisas sucederam-se num só dia, conclui por si mesmo e assim erradamente, por não levar em consideração o contexto.

Pouco mais abaixo os magos referem-se ao Salvador como recém nascido. A ascepção no entanto continua vaga pois nós mesmos costumamos aplica-la tanto a uma criança de alguns dias quanto a uma criança de alguns meses...

Mais além esta registrado que eles encontraram o menino com a mãe, mas não em seu colo ou num bercinho; talvez o menino já estivesse engatinhando ou mesmo dando os primeiros passos...

Eis porque Herodes mandou matar todos os meninos menores de dois anos.

O que nos dá a entender que quando o Salvador foi vizirado pelos magos contava já com mais de um dia ou de um mês. Talvez tivesse completado já seis meses ou mesmo um ano. Daí Herodes por uma questão de segurança ter mandado matar todos os meninos com menos de dois anos; ele teria duplicado a idade aproximada do Senhor para eliminar qualquer risco de 'falha' na execução de seus planos...

Destarte o menino teria sido circuncidado em Belém e a Virgem subido a cidade Santa antes da chegada dos magos e da fuga para o Egito.

Isto não é apenas perfeitamente possivel é necessário, pois em sua purificação a Virgem Bendita oferece apenas duas rolas ou dois pombinhos, o sacrifício dos pobres. Caso eles tivessem acabado de receber ouro, incenso e mirra, teriam de oferecer um cordeirinho.

Lamentavelmente a tradição popular uniu os dois eventos num só, o que foi reproduzido pela mídia sem consciência... aumentando ainda mais o 'imbroglio'

Resta-nos esclarecer porque a sagrada família teria permanecido tanto tempo em Belém.

Provavelmente para não expor a Santa Virgem aos transtornos duma viagem demasiado longa. Pois Jerusalem fica próximo a Belém enquanto Nazaré fica nos confins da Galiléia, isto é, bem mais longe; sendo a viagem bem mais dificil e demorada. É perfeitamente possível que tendo em vista a distância S José desejasse poupar a SSma Virgem.

Quanto ao depois de "executar ou cumprir a lei do Senhor" regressaram a Nazaré (Lc 2,39) nada nos obriga a conectar tais palavras ao verso precedente (2,38). Destarte tais palavras não excluem a possibilidade de uma alusão implicita a vinda do Egito, onde a sagrada família teria permanecido sempre fiel a lei dos judeus ou a lei do Senhor cumprido todas as suas normas e preceitos.

Portanto Lucas omite, sem repudiar, a fuga do Senhor para a terra do Egito, registrando que ele tornou a Nazaré, passando a ser conhecido como Nazareno.

Resta-nos esclarecer o pôrque de sua omissão.

Mateus, que escreve para judeus, faz questão de registrar a fuga para o Egito tendo em vista traçar uma espécie de paralelo entre Moisés e Jesus, apresentando o Senhor como um outro Moisés...

Lucas, que é grego de origem Síria escrevendo na capital da Síria, Antióquia, omite a fuga para o Egito por uma questão perfeitamente compreenssivel; diante desta narrativa qualquer sírio teria suas suceptibilidades feridas e questionaria o pôrque de Jesus não ter se refugiado em sua terra; a qual, por sinal, tinha muito mais em comum com a judéia do que o Egito... O próprio Elias não havia honrado as terras do Líbano com sua presença? Porque então Jesus não quizera proceder da mesma forma???

É sempre bom lembrar que os egipcios e sírios sempre cultivaram certa emulação durante o período helenístico e que chegaram mesmo a conflitar sob Antioco epifanes... daí a sobrevivência de certos rancores patrióticos...

Daí Lucas, escrevendo na Síria, por uma questão de prudência omitir ou excluir o Egito de sua narrativa.

Outros raciocinam de modo diverso do nosso supondo que a narrativa de Lucas é de fato continua (2,38 > 2,39) e que a santa família após ter seguido para Nazaré, regressou novamente a Belém por ocasião em que foi vizitada pelos magos e fugido para o Egito. Que S José tivesse uma pequena herdade junto ao clã ancestral de Bélem é perfeitamente possível, uma vez que o Evangelista, referindo-se ao local em que o Salvador nasceu registra 'Katalyma' ou seja cômodo e não pandocheion, ou estalagem. Aqui mais uma vez a escritura se choca com as tradições populares. Já em Mt 2,11 a Virgem e o menino ocupam uma 'oikia' ou seja uma casa... Daí terem feito uma segundo vizita a vila quando o Salvador tinha cerca de seis meses ou mesmo um ano...

O fato desta seguda visita não ser mencionada de modo algum torna-a impossível.

Em tais situações só se poderia falar honestamente em contradição se algum dos hagiógrafos tivesse negado explicitamente o que um afirmou e vice versa, o que até onde me é dado saber jamais ocorreu; outra possibilidade é que algum deles tenha tido a pretenssão de elaborar uma narrativa completa. O próprio S João no entanto declara que Jesus realizou tantas coisas que ter a pretenssão de compor uma narrativa completa seria loucura... donde só nos resta admitir que deacordo com a praxe comum a toda antiguidade, selecionaram e priorizaram fatos deacordo com as características dos ouvintes que pretendiam atingir.

Que haja contradições entre a percepção comum ou popular destes Evangelhos e sobre os fatos em questão somos constrangidos a admitir e a deplorar. Que haja contradição entre entre os dois relatos evangélicos, é o que carece ser cabalmente demonstrado sem o emprego de recursos anacrônicos pautados numa visão positivista e contemporânea de biografia.

Os apóstolos jamais intentaram traçar ou fornecer uma biografia científica do Cristo nos moldes positivistas do décimo nono séculos. Portanto avalia-los ou julga-los tomando por referência este padrão é pura e simplesmente ridículo.

Por fim os adversários costumam questionar a existência de uma cidade chamada Nazaré, existente no tempo do nascimento de Jesus. Alegando que ela jamais fora mencionada no Antigo testamento, em Josefo ou no Talmud...

Aqui mais uma vez o estucioso argumento do silência, o qual juridicamente nada prova...

Aos que negam peremptoriamente a existência de Nazaré aconselhamos que se dirijam a Palestina para contar e calcular o imenso número de Tells ou de cômoros existentes, cada qual assinalando o local em que se encontrava uma vila ou cidade atualmente destruida... certamente que nem mesmo a metade deles foi expressamente citada pelos registros escritos!!! E disto não podemos inferir que jamais tenham existido...

Do mesmo modo e maneira porque vilas ou cidades inteiras desapareceram sem deixar seus nomes escritos no Velho Testamento ou no Talmud (os quais não correspondem aos modernos elencos ou catalogos do IBGE) Nazaré poderia muito bem ter existido em tempos antigos sem que seu nome fosse explicitamente citado por qualquer registro escrito. Um simples golpe de vista sobre as ruinas até hoje inexploradas bastaria para corroborar nossa argumentação e para ressaltar a puerilidade daqueles que insistem em aplicar o capicioso argumento da omissão ou do silêncio a matéria em questão.




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Examinando contradições...

Cinco são os tropos ou assuntos a respeito dos quais os adversários da narrativa evangélica concentram suas baterias asseverando que implicam em contradição; e destarte em impossibilidade:

  • As duas genealogias de Jesus apresentadas em S Mt (1,1 sgs) e S Lc (3,23sgs)
  • O ciclo da natividade e infância (Evs de Mt e Lc)
  • Certas narrativas de milagres. (Evs de Mt e Mc)
  • A semana da paixão do Senhor (entre sinóticos e S Jo)
  • & a narrativa da ressurreição e exaltação do Sr (entre sinóticos e S Jo principalmente)
Uma polêmica adicional diz respeito aos discursos de Jesus feitos na Galiléia (sinóticos) e os discursos feitos em Jerusálem.

Examinemos atentamente cada tropo para ver se conseguimos oferecer alguma resposta a tão refinados críticos:

As duas genealogias


Duas como dissemos são as listas genealogicas do Salvador apresentadas, uma por S Mateus, no primeiro capítulo de seu Evangelho e outra por S Lucas no terceiro capitulo do seu.

E uma bem distinta da outra.

Pois uma informa que o nome de seu avô era Jacó enquanto outra informa que o nome de seu avô era Eli.

A primeira vista bem poderia ser que o avô parterno do Salvador tivesse dois nomes, o que entre os judeua era até comum.

O problema é que os demais membros das duas listagens são bem distintos pertencentes a famílias e casas diferentes...

Donde só resta aos que pretendem serem as ambas as genealogias de José, recorrer a válvula do levirato - o que efetivamente se sucede - ou admitir que alguma delas foi inventada...

Pois mesmo que se tratassem de construções puramente simbólicas e artificiais, em se tratando da mesma pessoa, alguns elementos haveriam de 'bater', o que não se sucede...

Então só nos resta aderir a explicação fornecida por Fr Annius de Viterbo no décimo quinto século desta nossa era, e admitir que uma das genealogias: a de Lucas certamente, não diz repeito a José, mas a sua consorte a Virgem Maria.

Que os críticos Católicos de hoje tenham repudiado esta explicação denota apenas o quanto são idiotas.

Efetivamente os críticos Católicos de hoje, sempre guiados pela máquina protestante; recorrem já a diversos argumentos sacados a praxis judaica com o objetivo de infirmar nossa assertativa.

Primeiramente dizem que as geneologias femininas eram pura e simplesmente desconsideradas pelos antigos judeus.

Acontece que uma genealogia masculina de qualquer mulher poderia ser facilmente composta partindo da linhagem masculina de seus tios paternos.

Neste caso era perfeitamente possível faze-la.

En seguida dizem e declaram que os antigos judeus não costumavam a valorizar o elementos feminino.

Aqui um erro capital.

Pois o autor do terceiro Evangelho não é judeu, mas grego de Antioquia, grande metrópole da Síria.

Por outro lado seu Evangelho é dedicado aos gregos ou a igreja Paulina, que é a mesma Igreja Católica e não aos judeus ou a qualquer Cristandade judaizante.

E já sabemos que durante o período helenístico a mulher gozou de certo prestígio no mundo grego, especialmente na Síria, onde as divindades femininas predonimavam, plasmando uma cultura até certo ponto igualitária. Lucas é tributário desta cultura e não da cultura judaica e assim seu público e a a mensagem Cristã.

Tampouco a postura de Jesus face ao elemento feminino estava de acordo com os preconceitos nutridos por seu povo. Coube a Lucas capta-lo e apresentar o divino Mestre praticamente como um feminista; na medida em que vivia cercado por mulheres e respeitando a dignidade das mesmas...

Basta-nos recordar o episódio do encontro com a mulher de Samaria, registrado em no capítulo quarto do quarto Evangelho (S João) onde é relato que o Mestre permaneceu durante algum tempo sozinho com ela junto ao legendário poço de Jacó, o que era terminantemente proibido pela lei mosaíca.

Outo aspecto que salta a vista do erudito é a liberalidade com que o Salvador trata a mesma mulher de Samaria. Enquanto os rabinos de sua geração - e não o sínodo Cristão Ortodoxo de Macon!!! - discutiam se a mulher possuia uma alma imortal e anatematizavam aquele que ousasse ensinar a lei a uma mulher...

Jesus no entanto permite que a prostituta israelita discorra abertamente a respeito das profecias e oráculos sagrados, tal e qual permitia a Marta e a Maria com as quais confabulava a respeito dos mistérios divinos em Betânia... e a dar-mos ouvido a certas tradições apócrifas de origem duvidosa, permitia que Madalena ouvisse certas instruções suas dadas apenas aos apóstolos...

Destarte podemos já compreender que predisposto pela cultura ancestral, Lucas foi perfeitamente capaz de captar o exemplo dado por Jesus Cristo...

Enquanto os demais se escandalizavam e blasfemavam (como Lutero) imaginando que o Senhor procurava fornicar com elas, percebeu Lucas o alcançe da atitude assumida por ele face a questão da mulher, numa perspectiva de redenção e liberdade.

Jesus valorizava as mulheres.

Lucas também e foi esta inclinação sua, que segundo nossa tradição, levou-o a visitar, entrevistar e quiçá pintar um retrato da Virgem Mãe de Cristo Nosso Deus.

Eis porque não há nada demais em admtir que após te-la entrevistado, optou por compor sua genealogia e anexa-la ao seu Evangelho.

Outro motivo para tanto era o de oferecer a igreja a única genealogia física, carnal ou real do divino Mestre, uma vez que seu predecessor Mateus havia composto sua genealogia Legal, partindo do pai adotivo José.

Naturalmente que a genealogia legal satisfazia plenamente as exigências dos leitores judeus aos quais eram dedicado o primeiro relato. As consciências pagã e Cristã no entanto haveriam de suspirar por algo mais concreto como pela genealogia carnal do Senhor... Sendo Lucas de origem pagã, estava mais do que todos apto para captar esta necessidade e exaltar o principio da Encarnação do Mestre indo até as 'fontes' de sua carne...

O simples destaque dado a mulher por Lucas em seu retado autoriza-nos a cogitar na genealogia de Maria Santíssima. Todo o contexto marial em que a lista esta inserida sugere fortemente esta nossa interpretação.

A postura vanguardista do Mestre face ao problema das relações entre os dois sexos e da dignidade feminina só faz reforça-la.

Nem Jesus nem Lucas estavam presos aos decantados preconceitos judeus que porventura obscureciam as mentes de alguns discípulos.

Destarte fica o problema solucionado de maneira bastante fácil: Mateus, que era um judeu escrevendo para judeus, fornece-nos a genealogia legal de Cristo, transmitida por seu pai putativo e Lucas que era (no plano da cultura) pagão, escrevendo para fiéis procedentes do paganismo fornece-nos a genealogia carnal do Senhor partindo do pai de sua santa mãe.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ainda a credibilidade do Evangelho

Diversas são as passagens e trechos apontados como defeituosos pelos opositores.

Há, dentre os incrédulos, quem encontre erros em cada palavra.

Alguns começam alegando que as copias inteiras ou completas mais antigas datam dos séculos III e IV, tendo sido copiadas 200 ou mesmo 250 anos após o original...

A isto se responde muito facilmente lembrando que a distância que separa nossos clássicos: Heródoto, Platão, Aristótoteles, etc ou seja, seus originais, das cópias mais antigas por nós possuidas é muitas vezes maior, chegando a mais de mil anos como no caso dos Annales ou das Histórias de Córnelio Tácito por exemplo... E nem por isso questionamos a veracidade dum Platão, dum Xenofonte ou dum Lívio...

Outros alegam que existiam centenas de Evangelhos como os nossos e que a Igreja escolheu aqueles que melhor convinham a seus interesses.

Que tenham sido compostos diversos Evangelhos, ninguém põe em dúvido, ocorrem-me de relance, o proto Evangelho de Tiago, o evangelho da infância por Tomé, o outro Evangelho da infância, o dos hebreus ( que deve ser equivalente ao dos nazarenos ), o dos egipcios ( também chamado da Verdade), o da Virgem, o de Madalena, o de Judas, o de Pilatos, o de Nicodemos, o de Pedro, o de Bartolomeu, o de Filipe, o de André, o outro de Mateus, o de Tomé, o outro de João, e por ai afora... Muitos deles podem ser lidos na coletânea de Frabricius.

Naturalmente que o mérito de uns e outros é desigual.

Alguns são pura e simplesmente ridículos até o absurdo como as narrativas da infância e o ciclo de Pilatos...

Outros por demais metafísicos ou abstratos como o dos egipcios...

Outros manifestadamente ficticios e de origem bastante tardia como o da Virgem, o de Madalena, o de Judas.

E outros bastante antigos, os quais provavelmente contem algumas informações fidedignas de cárater extra canonico. Assim o vetusto Evangelho dos hebreus - quiçá contemporâneo dos Evangelhos inspirados, mas composto pela seita dos ebionitas - o proto Evangelho de Tiago (100???) e as Logias de Tomé (120??). O Evangelho de Pedro também parece bastante antigo e talvez remonte ao ano 130. Eis porque suscitou discusões a respeito de sua autenticidade mesmo entre os fiéis.

A excessão destes muito pouca coisa se salva. Discusões como as que dizem respeito ao Evangelho de Pedro ou aos atos de Pedro foram bastante raras na Igreja, pois como declara Agostinho, cada Sé buscava guardar os originais que continham os autógrafos dos hagiografos ou ao menos a memória do escrito; destarte cada igreja apostólica sabia com relativa exatidão que obras seu fundador havia escrito ou no caso, que obras lhe haviam sido endereçadas por algum apóstolo. Apenas a respeito das obras de Pedro houve certa confusão e hesitação devido a suas peregrinações...

Quanto aos Evangelhos porém jamais houve duvida ou hesitação. Mesmo com relação ao dos Hebreus.

É verdade que diversos padres como Taciano e Jerônimo faziam largo uso dele extraindo lições.

Pois sabiam que se tratava dum escrito muito antigo e em parte fiel.

Nenhum deles no entanto, recebeu-o em sua totalidade por ter sido composto pela facção judaizante dos ebionitas e abrigar passagens contrárias ao depósito da fé.

Por outro lado não é menos certo e exato que os registros de Mateus, Marcos e Lucas jamais haviam suscitado repudio ou rejeição por parte de qualquer igreja. O único dentre os Evangelhos que suscitou certas prevenções, logo desfeitas, foi o quarto, ou seja o de João. Isto devido a peculiaridade de sua composição.

Porque foi o único dos quatro que não foi completamente escrito por seu autor. (O capitulo 16 de Mc sob qualquer versão não é canônico) sendo revisto e completado pela congregação joânica.

Já Irineu, discipulo de Policarpo referia categoricamente - cerca de 160 d C - a mãe Igreja como conhecendo somente quatro Evangelhos idênticos aos nossos.

Destarte já naquele tempo as falsificações dos gnósticos eram publicamente desmascaradas pelos homens base. A respeito de tais embates há alguma noticia no Panarion de S Epifânio.

Como de praxe eles costumavam dizer: a Igreja de Corinto só possui estas duas cartas de Paulo cuja memória conservou, a Igreja de Filipos conserva apenas esta carta de Paulo e não duas ou três, a Igreja de Roma guarda apenas uma carta de Paulo e não duas ou quatro, a Igreja de Jerusalem testifica que seu lider Tiago compos apenas uma única missiva e não três ou cinco...

E a controvérsia ficava dirimida. Pois os gnósticos não podiam responder ao desafio deles e dizer onde haviam encontrado ou de quem haviam recebido o tal Evangelho de Madalena ou os tais Atos de João.

As vezes ate sucedia que o autor do logro era decoberto, como aconteceu ao autor dos Atos de Paulo e Tecla que interrogado por seu Bispo, respondeu que havia escrito tal romance 'Por amor de Paulo'. Foi excomungado e a leitura de tal obra proibida...

Os Bispos ortodoxos detinham a sucessão e o legitimo governo das igrejas fundadas pelos apóstolos e por isso sabiam muito bem, por meio da tradição ou se quizerdes dos arquivos das igrejas, o que seus predecessores haviam escrito.

Aos gnósticos só restava o expediente de crismar suas obras com o nome de algum patrono poderoso... eis porque batizavam seus Evangelhos e atos com os nomes de Judas, Nicodemos, Pedro, Paulo, João, André, etc e ninguém pode negar que tivessem certa intuição de Marketing...

No entanto tal propaganda era falsa e enganosa porque as igrejas não possuiam memórias a respeito de tais escritos... elas não haviam testificado nem a saida nem a entrada dos mesmos e não havia fragmento ou pedaço de papiro que pudesse justifica-los. Dai terem sido ferreteados com o título de apócrifos, o qual desde então passou a ser sinônimo de falsos.

Outros, aos quais ainda restava algum pudor, alardeavam que a dita obra fora composta não por pedro ou Paulo mas por Silvano ou Glaucias, ouvintes seus. Ou mesmo ditada a eles... No entanto quem eram os tais Silvano, Glaucias, etc??? A respeito dos quais a igreja nada sabia...

Por todas estas razões assiste-nos o direito e o dever de acusar de improbidade aqueles todos que esforçam-se por confundir os genuinos monumentos apostólicos, compostos no século I; com as falsificações dos gnósticos compostas nos séculos II, III e IV. Entre a legitimidade de umas e outras há um verdadeiro abismo que se chama crítica documental.