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terça-feira, 6 de novembro de 2018

CIX - S Inácio de Antioquia - Cartas

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Inácio, o 'Teóforo', foi o terceiro Bispo de Antioquia, após o santíssimo Pedro e o abençoado Evódio. (Orígenes e Eusébio) Segundo a legenda pia teria sido ele o menino levado ao Senhor quando disse: Deixai que a mim venham os pequeninos...

Segundo alguns - Constituições Apostólicas 'Inácio de Paulo' - fora discípulo de S Paulo. Segundo outros fora discípulo de S João e companheiro de Papias e Policarpo, ao qual consta ter enviado uma de suas cartas. Teodoreto de Cirro esclarece que S Pedro, antes de prosseguir sua jornada em demanda de Roma, havia determinado expressamente que Inácio sucedesse a Evódio.

"A tradição refere que foi enviado da Síria a Roma para ser lançado as feras, por causa do testemunho pelo Cristo. E enquanto seguia a carreira da Ásia, sob a atenta vigilância dos guardas, ia exortando as Igrejas porque passava com suas cartas." é o que diz Eusébio na 'História'.

O mesmo Eusébio na Crônica, declara que isto acontecerá no décimo ano de Trajano ou seja cerca do ano 107 ou 108 desta Era, o que é repetido por Jerônimo de Stridon nos 'Homens ilustres da igreja' sessão décima sexta. Jerônimo afirma igualmente ter sido ele lançado aos leões e S Crisóstomo alude ao Coliseu ou ao anfiteatro Flavio como ao lugar em que sua sentença foi cumprida. O synaxiarum da Igreja Copta Ortodoxa de Alexandria declara que ele foi lançado as feras e que estas o fizeram em pedaços...

O Codex Colbertinus de Paris (Sec X) contém as supostas atas de seu Martírio, consideradas genuínas por James Usherius, mas certamente interpoladas e inexatas. A cena mais famosa é a de seu interrogatório pelo próprio Trajano, um Loci common, quanto a este tipo de literatura.

Muito provavelmente, esta circunstância, de ter sido deportado, significa que Inácio estava envolvido em algum tido de conflito com outras comunidades Cristãs. Tendo sido condenado como um perturbador da paz pública. Allen Brent

Segundo o já citado 'Heródoto' Cristão, o 'Teóforo' ou portador de Deus "Estando em Esmirna escreveu uma carta a Igreja de Éfeso; onde nomeia seu pastor Onésimo; outra a Igreja de Magnésia sobre o meandro e a seu Bispo Damas; outra a Igreja de Trales e a seu líder Políbios, além destas escreveu a Igreja dos romanos... dirigiu por fim, longe de Esmirna, de trôade, escreveu aos Cristãos de Filadélfia, a Igreja de Esmirna e a seu presidente Policarpo, que ele reconhecia como homem apostólico...."

Tal o cânon de Inácio transmitido por Eusébio: Carta aos efésinos, aos de Magnésia, aos de Trales, aos romanos, aos de Filadélfia, aos esmirniotas e a Policarpo. Num total de sete cartas. "As quais tem uma importância incalculável para a História do Dogma." diz o patrólogo J Quasten

Ressentem, as cartas de Inácio, dupla influência, paulina, preponderantemente; e joanina (F Bleek - 1862). Osterzee (1866) alega que Inácio emprega expressões que existem apenas no quarto Evangelho. Holtzmann que era terminante quando a Hermas e Barnabé, silenciou a respeito de Inácio. Plummer em 1887 insistiu a respeito das cartas de Inácio conterem alusões a João, ausentes nos demais padres apostólicos. Em 1889 Ligthfoot declarou que Inácio conhecia o Evangelho de S João, embora sua dinâmica fosse paulina. Westcott admitiu que sem dúvida estava a par do pensamento joânico. No mesmo ano o biblista T Zahn apontou a familiaridade existente entre o epistolário inaciano e a primeira carta de S João. Em 1895 H Boese e C Pesch chegam por meios diversos a conclusão de que Inácio conhecia o quarto Evangelho. Em 1897 Harnack pronunciando-se a contragosto declara ser improvável mas de modo algum impossível que Inácio conhece a literatura joanina. Respondeu-lhe Loofs no ano seguinte declarando que Inácio não só conhecia o quarto Evangelho como estava bastante familiarizado com a teologia joanina, o que já havia sido exaustivamente demonstrado por Van der Goetz alguns anos antes. Por fim em 1899 Cammerlynch conclui pela plausibilidade de Inácio ter tido conhecimento do quarto Evangelho recebendo o apoio de H R Reinolds.

É o primeiro autor Cristão e insistir a respeito da dignidade episcopal e o primeiro a mencionar os presbíteros, dignidade recém criada, como estamento clerical separado do episcopado e subordinado a ele. Para Clemente de Roma, dez anos antes haviam apenas diáconos e presbíteros, os quais eram, na verdade, os Bispos. Como os primeiros Bispos haviam convivido com o Senhor ou com os apóstolos tomaram o nome de presbíteros ou antigos, ou anciões, a exemplo da Sinagoga. Quando a maior parte destes já havia falecido, os diádocos criaram uma outra dignidade, inferior ou restrita, outorgando-lhe o nome de presbiterato e atribuindo o termo episcopado, com exclusividade, a autoridade suprema estabelecida por Jesus Cristo e conferida pela sucessão apostólica.

Em 1886 o sectário presbiteriano W D Killen - seguindo a tradição de seu mestre João Calvino (Institutas I,13,29) e da maior parte dos assim chamados reformadores - alegou que nenhuma das cartas de Inácio era autêntica, mas que todos haviam sido falsificados, e adivinhem por quem??? Pelo Bispo de Roma Calixto, o qual sequer era papa... Para este autor Calixto passou-se pelo mártir Inácio com o objetivo de justificar, sua invenção, o episcopado monárquico. Isto teria acontecido cerca de 220 d C e portanto até aquela data vigorado o sistema presbiteral.

No entanto, como veremos, todos os doutores posteriores a Inácio, assim Hegesipo, Irineu e Tertuliano, etc seguirão a mesma linha que ele. Insistindo a respeito da sucessão apostólica dos Bispos como fundamento pétreo da verdadeira Igreja. Todos os autores citados escreveram antes de 220... tendo Irineu falecido cerca de 205 ou 215, Hegesipo escrito em 170 ou 180 e Tertuliano desde 195...

No mais, basta dizer que duas das cartas de Inácio foram textualmente citadas por Orígenes - In Luc VI,04 - pelos idos de 220 e antes dele por Irineu no Livro contra as Heresias V,28,04, o qual remonta a 180. O próprio Policarpo na Carta aos de Filipos - 130 - prontifica-se a enviar-lhes, segundo haviam solicitado, a coleção das cartas de Inácio enviadas das Igrejas. Foram ainda empregadas, posteriormente, por Atanásio, Crisóstomo, Teodoreto e Severo, bons conhecedores da lingua grega e das tradições, com absoluta segurança.

Diante disto os críticos, movidos por preconceitos religiosos, tiveram de questionar não apenas a autenticidade de Orígenes, mas mesmo de Policarpo, e pasmem, de Eusébio i é da História Eclesiástica. Segundo eles, esta corresponderia a uma falsificação e aquelas a interpolações... Dado que - em 107 - o episcopado 'NÃO PODERIA existir.', ou seja, porque não esta de acordo com suas teorias prediletas...

A respeito das Cartas de Inácio há três versões. Uma ampliada, constando de dez cartas. A versão intermediária, encarada como autêntica - Um dos principais defensores da autenticidade foi o Bispo J B Ligthfoot -  pela maior parte dos estudiosos e uma versão resumida editada pelo Dr Cureton em 1845.

Feitas estas observações passo a resenha doutrinal da obra:


  • Trindade excelsa - "Assim portadores sois de Deus, do Cristo e do Espírito Santo." Efésios IX "Na fé, no amor, no Filho, no Pai, no Espírito Santo..." Magn XIII,01
  • Encarnação do Verbo - "Assim nosso Deus Jesus Cristo, segundo a economia do Pai, habitou o seio de Maria, procedendo de Davi e do Espírito Santo." Efésios XVIII "Fora do tempo, atemporal, invisível, mas que se tornou visível para nós, sendo impalpável e impassível se tornou palpável e passível a ponto de poder sofrer por nós." Policarpo III,02 "Caso blasfeme contra seu Senhor, declarando que não se encarnou. Aquele que ousa faze-lo o arrenega de todo e faz-se portador da morte." Ismirn V,02
  • Natureza divina do Cristo - "Segundo a fé e a caridade em Nosso Senhor Jesus Cristo imitadores sois de Deus." Efésios I,01 "Constatei assim que sois imitadores de Deus." Tral I,02 "Jesus Cristo estava com o Pai antes dos séculos e por fim se manifestou."  Magn VI,01
  • Natureza humana de Cristo - "Sede surdos quando não vos anunciarem a Jesus Cristo filho de Davi, nascido de Maria, o qual nasceu, comeu, bebeu, foi condenado sob Pôncio Pilatos, que verdadeiramente foi crucificado e morreu a vista do céu, da terra e dos abismos..."  Tral IX,01 "Os incrédulos e ímpios declaram que ele sofreu apenas aparentemente." Tral X,01 "Ele sofreu verdadeiramente e verdadeiramente ressuscitou, não apenas na aparência como dizem os incrédulos." Ismirn II,01 "Sei e creio que mesmo após a ressurreição conservou a carne... Assim após a ressurreição comeu e bebeu junto com eles como ser de carne embora já na unidade do Pai." Ismir III,01 sgs "Instruo as igrejas na Unidade na carne e no espírito de Jesus." Magn I,02
  • A unidade das duas naturezas - "Há um só médico carnal e espiritual, gerado e não gerado, Deus feito carne, Filho de Maria e Filho de Deus, antes passível e agora impassível." Efésios VII,01 "Filho do homem e Filho de Deus." Efésios XX,02
  • Comunicação de Bens - "SANGUE DE DEUS." Efésios I,01
  • Nascimento do Senhor - "Ao poder deste mundo ficou oculta a Virgindade de Maria e seu parto." Éfesios XIX,01
  • Batismo do Senhor - "O Senhor foi batizado para santificar o elemento da água." Efésios XVIII
  • O Evangelho - "Convém seguir os profetas, mas acima de tudo o Evangelho no qual a paixão é mostrada e a ressurreição testificada." Ismirniotas VII,02
  • A Sucessão apostólica - "Assim aquele que é o dono da casa administradores envia para chefia-la e é necessário que nos recebamos a eles como se fossem a pessoa que os enviou." Efésios VI,01
  • Hierarquia eclesiástica - "Sem eles, diáconos, presbíteros e bispos não há Igreja." Tral III,01 "Não pode haver cabeça sem membros ou membros sem cabeça e Deus mesmo é o fiador desta Unidade."  id XI,01
  • O Bispo - "A fim de que congregados na mesma obediência e submissos ao Bispo e ao presbítero santificados sejais em todas as coisas." Efésios II,02 "Jesus Cristo vida nossa é inseparável do pensamento do Pai, tal e qual os Bispos, estabelecidos por toda terra são inseparáveis do pensamento de Cristo." Id III.02
  • Igreja eterna - "A Igreja que foi grandemente abençoada com a plenitude de Deus Pai predestinada foi antes dos séculos para subsistir para sempre e reter uma glória que jamais passa." Efésios I,01
  • Igreja Incorruptível - "Como sinal de incorruptibilidade de sua Igreja." Efésios XVII,01
  • Igreja Católica - "Onde esta o Bispo esta a Igreja Católica." Ismirniotas VIII,02
  • Unidade da Igreja - "Indispensável é a unidade sem fragmento a fim de que em Deus estejais." Efésios IV,02 "Nada que seja feito isoladamente pode ser digno de louvor. Pelo contrário congregai-vos em comum." Magn VII,01 "Tudo quanto fiz pude pela causa da Unidade uma vez que não pode Deus habitar onde haja divisão e cólera." Filadelf VIII,01 "Fugi as divisões que são raiz de todo mal." Ismirn VII,02 "Preocupa-te com a unidade, pois nada há de mais excelente." Policarpo I,02
  • Livre arbítrio - "Orai por todos os homes pois a possibilidade de conversão." Efésios X,01
  • A graça do Senhor - "Fora dele nada tem valor." Efésios XI,02 "Todo laço de iniquidade quebrado foi quando nosso Deus apareceu em forma de homem." Id XIX,03 "Ele tudo suportou por nossa salvação." Ismirn II,01 "Na graça dispostos estais para fazer qualquer boa ação diante de Deus." Policarp VII
  • Sinergia - "São ambas de Deus e nossas e sucedidas pela santidade e pela perfeição." Efésios XIV,01"Caso vocês desejem fazer o bem Deus sempre estará disposto a vos ajudar." Ismirn XI,02 "É obra de Deus e vossa." Policap VII "Reabilitados pelo sangue de Deus realizais até o fim a obra que convém a vossa natureza." Efésios I,01
  • Necessidade de obras (ao menos 'a posteriori') - "Que sejais reconhecidos por vossas obras." Efésios IV,02 "Pessoas há que falsamente portam o 'nome' mas procedem de modo diferente e indigno de Deus..." Id VII,01 "Que por vossas obras eles se tornem discípulos nossos." Id X,01 "Melhor calar e ser do que falar e não ser bom..." Id XV,01 "Tudo façamos como se ele habitasse dentro de nós, como em templos seus." Id XV,03 "Não basta portar o nome Cristão, é necessário se-lo de fato." Magn IV,01 "Que vosso depósito sejam as obras e que possais retirar as somas a que fazeis jus." Policarp VI,02
  • A perseverança como impulso que parte do homem - "Caso nele perseverarmos e evitando as ameaças do mal." Magn I,02
  • O mérito - "Caso ameis apenas os bons discípulos mérito algum tereis." Policarp II,03 "Mesmo as coisas que no dia a dia realizais são espirituais se as realizais em Cristo Jesus." Efésios VIII,01
  • Acessibilidade a perfeição: "Quem professa a fé não peca, quem esta no amor não odeia e assim pelos frutos se conhece a árvore. Os que alegam em Cristo estar são reconhecidos por suas boas obras." Efésios XIV,02 "Não podeis realizar as coisas da infidelidade nem os da infidelidade as coisas da fé." Efésios VIII,01
  • O solifideismo (falsa doutrina) - "Aqueles que tem opiniões estranhas sobre a graça de Cristo, não cultivam o amor, não se preocupam com o órfão, o estrangeiro e a viúva e desprezam o prisioneiro, o liberto, o faminto e o sedento." Ismirn VI,02
  • Sacramento do Batismo - "Sem o Bispo não é permitido Batizar ou celebrar o ágape." Ismirn VIII,02 "Vosso Batismo vos sirva de escudo." Policarp VI,02
  • Sacramento da Eucaristia - "Anseio apenas pelo pão de Deus que é a carne de Cristo e quero beber apenas de seu sangue, prova de amor inexaurível, pelo que não sinto prazer nos alimentos comuns." Rom VII,03 "Há na Eucaristia uma só carne de Cristo e um só cálice do elemento de seu sangue." Filadelf IV,01 "Eles repudiam a Eucaristia porque não podem crer que a Eucaristia seja a carne de nosso Redentor Jesus Cristo..." Ismirn VII,01
  • Sacrifício eucarístico - "Achegai-vos do único templo de Deus e do único ALTAR e do único Senhor Jesus Cristo." Magn VII,01 "Um único ALTAR assim como um só Bispo." Filadelf IV "Quem não esta junto ao ALTAR privado esta do Pão de Deus." Efésios V,01 "Quem esta dentro do santuário puro é, mas aquele que permanece do lado de fora é imundo i é aquele que procede sem Bispo, presbitério ou diácono." Tral VII.02
  • Sacramento do Matrimônio: "Convém que aqueles homens e mulheres que se casem, efetuem sua união com assentimento do Bispo de modo que sua união seja feita no Senhor e não na carne apenas." Policarp V,01
  • A Santa e vivificante Cruz - "Somos guindados pela alavanca da Cruz." Efésios IX,01 "(As ervas daninhas) não são ramos de sua cruz." Tral XI,01 "Pela Cruz, Cristo vos chama a sua paixão, como membros dela que sois." Id, id "Como pregados em carne e espírito a Cruz de Cristo." Ismirn I,01
  •  A imortalidade da alma - "Meu espírito imola-se por vós, não apenas agora, mas quando a Deus chegar." Tral XIII,03 "Não me impeçais de viver, não queirais que morra eu, não me prendais a este mundo, não tenteis seduzir com a matéria quem tem sede de Deus. Deixai que eu receba a luz pura, pois quando lá tiver chegado serei pleno... corre dentro de mim uma água viva que murmura: Vem para teu Pai." Rom VI,02 sgs
  • Ressurreição da carne - "Antes exercessem o amor ao invés de disputar e talvez assim obtivessem acesso a boa ressurreição." Ismirn VII,01
  • O celibato - "Se alguém pode permanecer na castidade, para a glória da carne do Senhor, permaneça também humilde." Policarp V,02 Alude ainda as 'Virgens que são viúvas.' em Smirn XIII.01
  • Adoração Dominical - "Aqueles que viviam na antiga ordem das coisas, tendo chegado a uma nova esperança, não observam mais o sábado mais o dia do Senhor, no qual nossa vida levantou-se por meio dele, da morte." Magn IX,01
  • As heresias - "Aqueles que para granjear fama, misturam Jesus Cristo, consigo mesmos são como aqueles que misturam vinho licoroso com veneno mortal." Tral VI,01 "Os lobos tem afastado muitos da unidade. Apartai-vos destas ervas daninhas que Jesus Cristo não plantou porque elas não pertencem a seu Pai... E aquele que caminha em ensinamentos estranhos, não tem parte na paixão do Senhor." Filadelf II,02/III,01 e sgs
  • Os judaizantes: "Tolice ter Cristo na boca e judaizar. Não foi o Cristianismo que acreditou no Judaismo mas o Judaismo que acreditou no Cristianismo." Magn X,03 "Se alguém vos interpreta judaismo, não creiais pois é melhor ouvir o Evangelho de um circunciso do que a Torá de um incircunciso." Filadelf VI,01
  • Ética, o amor - "O começo é a fé, o fim é o amor." Efésios XIV,01
  • Ética, a paz - "Coisa valiosa é a paz." Efésios XIII,01
  • Ética, a mansidão - "Diante da ira sede mansos... e da ferocidade pacíficos." Efésios X,02
  • Ética, a humildade - "Face ao orgulho permanecei humildes." Id,id     


terça-feira, 19 de março de 2013

LXXI - As outras encarnações de Jesus





Primeiramente encarnou-se Jesus no seio da Virgem Maria e assumiu uma natureza em tudo semelhante a nossa, exceto no pecado.

Desejando todavia potencializar o mistério, encarnou-se outras tantas vezes:


  1. Nos sofredores 
  2. Na Eucaristia &
  3. Na Igreja

Assim podemos e devemos discerni-lo:

  • Naqueles que passam por algum tipo de problema ou dificuldade qual seja a fome, a sede, o frio, o desamparo, a solidão...
  • No pão e no vinho santificados e consagrados pelo sacerdote.
  • No ensino incorruptível da Igreja

Ao aflito devemos servir
A Eucaristia devemos receber &
a Igreja devemos ouvir, crendo em tudo quanto ensina.

Caso procedamos assim sempre nos depararemos frequentemente com o Senhor: pelas ruas, sobre o altar e no púlpito.

E identificando sua presença teremos certeza de que executou sua promessa: "Eis que permaneço convosco até a consumação dos séculos."

Mas como permanece se sua natureza humana e visível; subindo aos céus, ocultou-se a nossas vistas???

Permanece como irmão no pobre e no excluido
Como pão na Hierúrgia &
Como verdade na doutrina revelada.

Até parece que ele se afasta fisicamente de nós para ficar ainda mais presente e mais próximo.

Pois antes se antes só estava na carne que dá Virgem recebera.

Hoje esta no outro, no alimento e em sua esposa a Igreja nossa Mãe.

Oxalá possamos discernir com exatidão as extensões de sua natureza humana; para nos tornarmos cada vez mais íntimos da natureza divina.




domingo, 17 de março de 2013

LXI - Eucaristia, a segunda Encarnação do Verbo





Não satisfeito em ter assumido a humana natureza deliberou o Eterno Deus fazer-se pão.

Para feito pão ser consumido pelos homens mortais e diviniza-los através de sua carne divina.

Como os terapeutas imunizam os homens mortais introduzindo neles matérias e células doutros corpos optou o Salvador por imunizar seus adoradores e servos, introduzindo em seus corpos e almas sua carne transmutada e sua divindade eterna.

O mistério da Eucaristia corresponde a este antidoto ou soro divino idealizado por Jesus.

Assim ele se encarna na Virgem para encarnar-se no pão e encarna-se no pão para encarnar-se em cada um de seus seguidores ampliando o mistério.

Da Virgem ao pão e do pão a cada ser humano; para que todos sejam atingidos e transformados...

De certo modo adiantou-se a mente carnal a este mistério de amor por meio do canibalismo e da antropofagia, e estabeleceu um ministério de horror.

Destarte conhecendo bem o Senhor o tipo de ser que havia produzido aceitou converte-se em única vítima deste festim e ser devorado por ele.

Eis porque reunido com os seus no cenáculo, tomou o elemento do vinho em suas mãos e disse:

"Este é o meu sangue, bebei dele todos; porque é o sangue no Novo Pacto que será derramado por todos os homens para a contemplação do pecado; fazei isto sempre em memória de mim. Pois do fruto da vide já não hei de provar até que convosco venha a bebe-lo no meu Reino."

E assim tomou do pão, abençoou, santificou e partiu dizendo:

Tomai dele e comei todos porque é o meu corpo partido por vós e por todos os homens para a contemplação do pecado; assim fazei em memória minha.

A explicação procede dele mesmo:

"Eu sou o pão vivedor que desceu dos céus; quem dese pão come não terá mais fome nem morrerá
Eu sou o pão vivedor que desceu dos céus; quem deste pão comer viverá perpetuamente
O pão que dou é minha própria carne para a vivificação do mundo...

Se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue não sereis vivificados
Quem como minha carne e bebe do meu sangue tem em si o dom da vida eterna e eu o levantarei de novo no último dia.
Assim é minha carne verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida.
Quem come da minha carne e bebe do meu sangue permanece em mim e eu nele.

Assim como o Pai vivo vive de si mesmo e eu vivo por aquele que me gerou; assim quem me devora, vivera também por mim.

Este pão é infinitamente superior ao maná que os antepassados comeram no deserto; pois comeram e pereceram; quem como deste pão vivera para todo sempre." Jo 6


Aqui temos o evento e a explicação dada em termos bastante claros pelo próprio Senhor e Mestre; explicação que dispensa não só a dos apóstolos, mártires e padres; mas também a de Zwinglio.

De fato nós não precisamos que venham Paulo, Tarcísio, Justino, Cirilo, Damasceno e Zwinglio; dar-nos um sentido que é fornecido pelo próprio Deus Nosso Senhor e Mestre.

Podem os homens malvados torcer as palavras de Paulo ou discordar orgulhosamente das de Tarcísio, Justino, Cirilo, Eutimio, etc

Agora que ousem discordar abertamente das palavras do Verbo e a tripudiar do Evangelho é coisa que faz até mesmo um sectário fanático parar e pensar...

Somente as testemunhas de Jeová e os Mormons tem ousado manipular descaradamente as palavras sagradas.

Os demais heréticos no entanto ainda não dominados pelo pudor...

E no entanto desde Zwinglio - porque já certificamos em diversos tratados que o latino Berengarius não repudiava a presença real do Senhor no Sacramento mas apenas a interpretação materialista dada pela igreja romana - deram os mesmos sectários a negar a presença real do Senhor e a postular uma interpretação simbólica que faz da Eucaristia mero lanche ou simples pão abençoado.

Já escrevemos muito a respeito das fontes pagãs e protestantes de Zwinglio, da opinião de Lutero, das teorias de Bucer e Calvino, do alegado sonho tido pelo mesmo Zwinglio, das intermináveis disputas entre os protestantes, etc

E no entanto em oposição a símbolo ou a figura, no capítulo sexto de João, o Senhor assevera que a comida e a bebida oferecidas por ele são VERDADEIRAS.

Tentando encontrar algum tipo de explicação possivel com que obscurecer o mistério, caem os protestantes num erro fatal.

Pois aplicam-lhe as palavras do verso 64: "O Espírito é que vivifica, a carne para nada serve."

Com que Jesus Cristo havia aludido a mentalidade carnal de seus ouvintes judeus.

Sem se darem conta de que a carne em questão aqui é a carne do próprio Jesus.

Como se o Mestre tivesse ensinado que sua própria carne não prestasse para nada.

A carne gerada pelo Espírito Santo, a carne ligada a divindade, a carne que haveria de sofrer e padecer no alto da cruz para nos salvar...

Como não serve para nada a carne que suspensa no alto do calvário redimiu a humanidade???

Como não presta a carne que após a ressurreição gloriosa foi recebida nos tabernáculos celestiais???

Como não serve a carne que esmagou a morte com a morte e concedeu-nos a vida eterna???

Então porque o Senhor teria assumido um corpo de carne???

Seria ele tão idiota a ponto de ligar-se a um veículo que 'para nada presta'???

Só mesmo a mente carnal dos protestantes, em tudo semelhante a dos judeus ouvintes de Jesus, para conceber uma explicação assim tão ímpia, tão sacrílega e tão blasfematória.

Então já sabemos que o que não presta nem serve para nada é a teoria protestante, fruto de cogitações grosseiras que chegam ao abismo do docetismo...

Nós no entanto honramos a natureza humana e corpo físico de Nosso Deus; crendo que tendo sido gerada pelo Espírito Santo e exaltada no Reinos dos céus; serviu e prestou para elaborar nossa redenção e santificação.

Eis porque afirmamos a presença real dessa carne divina e sagrada no sacramento da Eucaristia.

Porque se se trata de comer e beber pela fé; isto se faz a todo instante e momento sem qualquer necessidade de pão e vinho. Tanto sabem isto os protestantes de matriz zwingliano que foram paulatinamente abandonando o uso deste sacramento; mesmo sabendo que Jesus dissera: repeti isto em memória de mim!!!

No que seria mais excelente que o batismo um simples ato de fé??? Em nada pois o batismo é ato de fé tanto mais solene, embora a tradição constante da Igreja sempre tenha encarado a eucaristia como mistério muito mais nobre... porque contem em si um tipo de dom superior a fé. Um dom divino que é a presença de Deus, a presença real de nosso Senhor Jesus Cristo.

É isto que a faz e torna superior ao Batismo, que quanto a fé é o ato primacial e mais importante; raiz e fonte de todas as graças e dons.

Eis porque repete ele, o Senhor (em João 6), as expressões: comer e beber...

Aqui dizem os protestantes que comer e beber é sinônimo de crer.

Explicação que por parte alguma dos evangelhos, do Novo e mesmo do Antigo Testamento, se confirma.

Jesus jamais empregou os termos 'comer e beber' para com eles aludir explicitamente a fé.

Não há base histórica ou contextual alguma para semelhante hipótese ventilada pelos protestantes.

Então porque eles insistem tanto sobre a fé e alegoria; descartando a presença real do Salvador no Sacramento???

Eles alegam que por diversas vezes o Senhor recorreu a tipos e figuras com que apresentar a si mesmo.

Dizendo ora ser a 'porta das ovelhas' sem se transformar em porta, ora ser a 'videira original' sem se transformar em videira, ora sendo fonte e água sem se converter em fonte, ora sendo cordeiro sem se converter em cordeiro... eis porque bem poderia ter se apresentado como pão e vinho sem se converter em pão e vinho.

Daí insistirem eles no sentido alegórico ou mistico, supondo que a instituição da eucaristia deve ser encarada como uma espécie de parábola.

Mas também é verdade que tais comparações foram feitas dentro de sermões ou de discursos, e que Jesus não estava diante de quaisquer elementos materiais. Do contexto saltava a vista que não passavam de comparações cujo sentido era meramente simbólico.

Nada ali induzia a crer que Jesus estivesse assumindo materialmente a forma de porta, videira ou cordeiro; embora assumir tais formas não fosse impossível para ele.

Segundo esta escrito: "Nada há para Deus que seja impossível."

O contexto da Eucaristia no entanto é totalmente diverso.

Porque não se trata de discurso ou de sermão; mas de um ritual de alguma maneira relacionado com a ceia pascal dos antigos judeus; uma instituição material e real.

Assim sendo tem Jesus os elementos diante de si, os elementos materiais do pão e do vinho; dos quais a alegoria e a fé, grosso modo, prescindem.

Imaginemos então que Zwingilio, Lutero, Calvino, Malafaia ou qualquer outra peça de carne e sangue toma o elemento do vinho e declara: é meu sangue; toma o elemento do pão e diz: é minha carne...

Das duas umas: ou o homem ensandeceu; devendo ser conduzido a Juquiri ou Itapira; ou esta falando alegórica ou simbolicamente querendo significar alguma coisa.

E porque???

Porque a homem mortal ou criatura alguma seria possível converter vinho em sangue ou pão em carne.

Estaríamos diante do impossível e só nos restaria a hipótese da simbologia. Aqui Zwinglio mereceria ser coroado!!!

E no entanto este Jesus que temos diante de nós não é mero homem.

Mas o mesmo criador do Universo.

Segundo esta escrito: "Por meio dele tudo foi feito e sem ele nada do que foi feito, feito foi."

Daquele que violando as leis da natureza nasceu de Virgem sem concorrência de varão...

Daquele que ressuscitou três mortos antes de ressuscitar a si mesmo.

Daquele que dez serenar uma tempestade.

Daquele que caminhava sobre as ondas do mar.

Daquele que fez enxergar cegos de nascença.

Daquele que purificada leprosos.

Daquele que endireitava e fazia andar os aleijados.

Daquele que multiplicava pães e peixes; produzindo pão a partir do nada...

Daquele que transformou a substância da água em vinho...

Portanto aqui a coisa muda totalmente de figura e as cogitações de Zwinglio e seus seguidores caem por terra.

Pois aquele que tinha pão e vinho diante de sí bem poderia transforma-los no que bem entendesse caso fosse sua vontade faze-lo.

Aqui a transformação, o milagre, o prodígio, etc não conhecem impossibilidade alguma.

Pois aquele que declara: é meu sangue & é meu corpo não é apenas homem como Zwinglio ou RRSoares; mas Deus vivo, verdadeiro e todo poderoso.

Portanto, se era perfeitamente possível a ele realizar nos elementos o que com os lábios declarava, deveria; em se tratando duma alegoria, informar seus ouvintes, os quais por reverência para consigo não ousariam duvidar da realidade caso não fossem conscientizados e ensinados por ele mesmo a respeito do simbolismo.

Não tendo Jesus ensinado aos seus ou a igreja o sentido alegórico; quando nada obrigava seus seguidores a deduzi-lo infalivelmente, podemos dizer que ele mesmo induziu a igreja no erro.

Acrescentar a palavra símbolo ou figura, como fazem já algumas versões protestantes, só lhe teria custado um pouco mais de clareza, prudência, seriedade, etc e muito menos trabalho a Zwinglio e seus filhos; os quais não conseguem provar a superioridade ou a necessidade do sentido alegórico pelo simples fato de Jesus ser divino e todo poderoso; logo capaz e executar o que dizia.

Que culpa tem os Católicos se tais palavras procedem da boca de seu Deus que é todo poderoso? Sendo assim como poderiam encontrar motivos para duvidar da realidade delas???

Os Católicos apenas são coerentes; os protestantes incoerentes, pois para que a alegoria fosse óbvia ou necessária deveria proceder de elemento meramente humano. Pois aqui somente estaríamos diante de impossibilidade física.

Então a fé da Igreja Ortodoxa esta de pleno acordo com a natureza divina do Mestre; para a qual não havia barreira alguma.

Aqui dizer que a 'Realização da eucaristia nos termos Católicos' seria impossivel; é pura e simples reprodução do argumento emitido pelos judeus e maometanos contra o mistério da Encarnação. Então respondemos aos protestantes como respondemos a eles: Para Deus não existe a palavra impossivel.