O verbo se fez carne...

O verbo se fez carne...

A mãe do Verbo Encarnado

A mãe do Verbo Encarnado

A consciência histórica do Cristianismo

A consciência histórica do Cristianismo
Mostrando postagens com marcador S Paulo Apóstolo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador S Paulo Apóstolo. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de março de 2013

LXXXIV - O significado de Paulo e o 'paulinismo'






Rios de tinta tem sido gastos na composição de obras alusivas ao Apóstolo Paulo.

O qual indubitavelmente, após Jesus Cristo e a Virgem Santa parece ter sido o maior personagem Cristã de todos os tempos e o santo de maior grandeza; caso excluamos o S José e o Batista.

Excetuando a família de Jesus, Paulo parece ser o elemento mais destacado do Cristianismo...

Juntamente com Pedro ele foi uns dos responsáveis pela ruptura definitiva entre a igreja e a sinagoga. Pedro no entanto parece ter hesitado ou mesmo voltado atrás.

Pelo que foi repreendido em face por S Paulo em Antakia; pois andava já afastando-se dos gentios conversos para agradar alguns cristãos provenientes de Jerusalém.

"Eu lhe resisti em face." registra Paulo, sem maiores ressalvas no segundo capítulo de sua epístola aos Gálatas.

Paulo parece ter sido sempre coerente e permanecido impávido diante das ameaças dos fanáticos de Jerusalém.

E a coerência e a franqueza via de regra são merecedoras do ódio.

Missionário mais destacado do que ele parece não ter havido; talvez apenas porque suas Cristandades tenham vingado e chegado até nossos dias, enquanto as demais...

Afinal não possuímos relatos acerca das atividades missionárias dos demais apóstolos, os quais destarte ficam em desvantagem.

Mas também é possível e até provável que Paulo soubesse administrar melhor as coisas; o que é uma capacidade ou habilidade digna de apreço.

Talvez Pedro apenas tenha peregrinado tanto quanto ele; a ponto de fazer-lhe sombra...

Pedro no entanto parece-nos, a diversos títulos, bem menos atraente do que Paulo; exceto para aqueles que por puro preconceito dogmático ou ideia fixa encaram-no como monarca absoluto da igreja nascente.

Não fosse Paulo e sua presença de espírito no primeiro Concílio; não teria a igreja dado seu segundo passo crucial para longe do mosaísmo; mas permanecido nos limites e moldes duma facção ou seita judaica posta para a destruição.

Paulo no entanto vibra mais um golpe decisivo no cordão umbilical e afasta a placenta.

Ele representa uma fase ou período vital antes da destruição do templo por Tito.

De modo que jamais poderemos ser-lhes completamente gratos.

Líder cuidadoso Paulo sabe alimentar e nutrir suas ovelhas com instruções comunicadas por meio de cartas; as quais por isso mesmo, veem a constituir a base temporal do NT e fonte de informação primária a respeito de Jesus, da fé e da igreja recém fundada; quais fossem sua certidão de batismo.

Homem corajoso Paulo não receia de enfrentar judeus e partidários da circuncisão; benévolo e generoso diz estar sempre pronto para virar as costas a seu povo, mas esta sempre contemporizando e procurando ganha-los para Cristo; prudente diz preferir a mansidão a vara, célibe; consagra-se por inteiro a mensagem divina, disciplinado ao extremo sustenta-se com o trabalho de suas mãos!

De suas fraquezas e limitações tira ele forças e jamais recua; e assim avança, diante de Aretas, dos da circuncisão, de Pedro, dos judeus, de Galião, do sumo sacerdote, de Festo, de Félix, de Agripa, de Sêneca, de Nero, etc Arrostando uns após outros...

Por fim, verte generosamente seu sangue e chama Pedro mais uma vez a razão!

E no entanto este Paulo colossal não é Deus, não é Jesus...

Deve-lhe o Catolicismo sua expansão e certa medida de seu espírito; mas não sua fé e doutrina. Pois esta, sendo divina, procede de Cristo.

Não é Paulo tenha ousado igualar-se a Jesus Cristo. Pelo contrário, escrevendo ele, declara honestamente: 'Aqui eu não o Senhor'.

Quem no entanto lê 'não Paulo, mas o Senhor ou Jesus' são os cristãos... Eles é que tem buscado igualar Paulo a Cristo ou melhor seus escritos as palavras de Cristo; apresentando-o como um segundo Jesus.

Tal corolário da doutrina chamada 'inspiração plenária ou linear'.

No entanto Jesus é um só e suas palavras únicas e singulares.

Grande é Paulo se comparado com qualquer um de nós... mas comparado a Jesus Cristo é verdadeiramente um anão ou pigmeu.

Devem pois as palavras de Paulo serem sempre corroboradas pelas de Jesus. Deve Paulo ser sempre julgado por Jesus e a luz dos Evangelhos; e não o contrário como querem os hereges.

Pois como declara Pedro "Assim o amado irmão Paulo escreveu com a sabedoria que lhe foi dada; COMO EM TODAS AS SUAS CARTAS HÁ COISAS DIFÍCEIS DE COMPREENDER QUE OS IGNORANTES E FRÍVOLOS ADULTERAM PARA SUA PRÓPRIA DESTRUIÇÃO." II Pe 3,15

O próprio Pedro pode constatar como os heréticos preferem aquilo que é tanto mais díficil ou obscuro com o objetivo de interpretar e de introduzir um sentido novo e diverso do original. Eles abominam a clareza; característica marcante dos ensinamentos ministrados por Jesus...

Daí irem de Jesus a Paulo, buscando explicações; quando não permitimos que apelem ao antigo Testamento; o qual é de longe o escrito preferido deles.

Nós no entanto, ao invés de ir de Jesus a Paulo para buscar sentido; fazemos o caminho oposto e vamos de Paulo a Jesus buscar confirmação.

Porque nosso tribunal de última instância em qualquer controvérsia é a palavra do Verbo Jesus. O qual como Deus julga infalivelmente e expressa-se com inigualável clareza.

Portanto quando Paulo fala em Jesus; nós no subordinamos a ele como ao próprio Jesus; mas quando Paulo fala de si mesmo; como judeu, como ex fariseu, como ex pupilo de Gamaliel, como homem pertencente a determinada cultura; então exercemos julgamento e se necessário for repudiamos.

Assim somos Cristãos; jamais paulinos ou paulinistas; nós não conhecemos este nome; nem do de petrino ou o de joanino...

Somos de Cristo nosso único Mestre; o qual com exclusividade pronuncia palavras de vida eterna.

Alguém talvez replique e diga: Mas Paulo não esta sempre de acordo com Jesus e com o Evangelho?

Honestamente falando aquele que responde sim a esta pergunta merece ser classificado como prevaricador; a menos que se trate dum ignorante e iletrado.

Vimos já a grandeza de Paulo; agora suma miséria...

Face a mentalidade do Mestre único.

Pois nem sempre Paulo se reporta a Jesus ou esta de acordo com seus ensinamentos.

Observem antes de tudo que se ele opõem-se a dieta e a circuncisão, ainda se submete aos rituais do Templo. E não podemos admitir que agisse hipocritamente; pondo em prática algo que interiormente abominava... ou pregando uma boa mentira em nome da verdadeira religião (Lutero)

Jesus no entanto dissera: "Se executardes qualquer coisa que interiormente detestais sereis condenados."

Não Paulo não pertencia ao time dos escribas e fariseus.

Acreditando de algum modo nas instituições judaicas. O que não está nem um pouco de acordo com o espírito de Jesus Cristo; expresso com propriedade pelo autor de Hebreus.

Anotemos agora os pontos em que há discordância:


  • Paulo, como qualquer rabino de seu tempo, era machista.
Daí decretar a total submissão da mulher ao marido e proibir a mulher até mesmo de falar na Igreja ou seja de ministrar qualquer ensinamento. Então ele não considerava a mulher como um ser igual ao homem.

Jesus no entanto trata da mesmíssima forma a homens e mulheres; sendo servido por um grupo feminino e manifestando-se a meretriz de Samaria. Ele jamais falou contra a mulher ou apregoou a submissão.

  • Paulo é marcadamente homofóbico; como qualquer judeu de seu tempo
Jesus, como já observamos assede em curar o servo do oficial romano mesmo sabendo que formavam um 'casal'. E não os repreende, admoesta ou amaldiçoa; pois jamais falou contra os homossexuais ou proferiu discursos homofóbicos.

Então a fonte de Malafaia e Feliciano não é Nosso Senhor Jesus Cristo, mas Paulo; e a fonte de Paulo a Taurat dos judeus...

Aqui nada de sagrado mas tudo muito humano, demasiado humano.

  • Paulo é complacente face a abominação escravista
Como podeis ler na Epistola a Filemon. Embora antes - em Corintios - fosse bem mais radical...

Parece que Paulo optou por acomodar-se o que significa afastar-se de Jesus; o qual dissera:

'TODOS VÓS SOIS IRMÃOS.'


  • Paulo confunde as esferas religiosa e secular; segundo as limitações do tempo.
A ponto de apresentar toda autoridade constituída como uma espécie de ministro de Deus, e logo, como divina.

Dando vezo ao absolutismo, a tirania, ao despotismo, a opressão, ao totalitarismo...

Assim sendo ja sabeis donde Lutero tira sua inspiração ultra reacionária com que anatematizou e mandou assassinar os camponeses revoltados; e porque a Alemanha, majoritariamente Luterana, encarou primeiramente o Kaiser e em seguida Hitler como ministros de deus.

Belos ministros de deus!!!

Jesus no entanto adiantando-se aos iluministas e libertinos dissera:

"A Deus o que é de Deus e a César o que é de César." separando perfeitamente as duas esferas que Paulo - como judeu - teimava misturar


  • Paulo, ao que parece; era favorável a punições capitais.
Pois refere-se a autoridade como 'portadora da Espada' a qual não servia certamente como mero enfeite ou simples adorno.

Ainda aqui toma Paulo a Moisés ou melhor as leis dos antigos israelitas por guia.

E afasta-se mais uma vez dos ensinamentos daquele que disse:

"Guarda Pedro a tua espada pois quem por esta vive por ela perecera."

E cujas palavras assim foram compreendidas por Tertuliano:

"Ao mandar Pedro guardar sua Espada manda cada Cristão fazer o mesmo."



Tais antinomias existentes entre Paulo e Jesus são as que nos ocorrem agora, apenas de passagem.

Obstinam-se em concilia-las aqueles que sacrificam perante o altar da 'inspiração planária e linear' e que agem por puro e simples fanatismo ou preconceito recorrendo a estratégias desonestas com o intuito de ofuscar o sentido de ao menos um dos lados... todo este exercício de buscar conciliar o que é inconciliável por natureza implica em profanar o santuário da consciência; o qual Jesus ordenou que mantívessemos sempre puro e imaculado.

Quanto a doutrina da fé todavia não partilhamos da opinião daqueles que julgam ter sido Paulo avoengo de Lutero e ensinado as teorias da redenção vicária e do solifideismo; em franca oposição ao ensino de Jesus e dos demais apóstolos. Assim não empregamos a expressão 'paulinismo' nesta acepção; convencidos de que Lutero jamais pode compreender perfeitamente o pensamento do apóstolo; já por serem suas palavras difíceis como refere Pedro na passagem acima citada por nós.

O 'paulinismo' segundo julgamos restringe-se a esfera dos princípios e valores ou seja da ética ou do pensamento de Cristo.








quinta-feira, 21 de março de 2013

LXX - O caminho de Damasco





Saulo, filho de um tecelão da Tribo de Benjamim, radicado na cidade de Tarso, na Cilícia; parece ter estudado primeiramente na Escola do gramático Apolodoro.

Donde passou a cidade Santa tomando assento entre os alunos de Gamaliel.

Homem fervoroso e ligado a facção dos fariseus; consta não só ter aprovado o suplício de Estevão; como ter ido por-se a serviço do Sumo Sacerdote com o objetivo de extirpar o que acreditava ser uma pestilenciosa heresia, a saber, a instituição Cristã.

No entanto, como parte da Igreja havia passado a Damasco; solicitou e obteve do Sinédrio, cartas de recomendação ao etnarca judeu de Damasco; tendo em vista a captura de tais pessoas, de modo a serem trazidas a Jerusalem e castigadas.

E assim constituiu uma patrulha de zelotes e seguiu com eles em demanda da antiga capital da Síria.

E eis que já estava próximo de seu objetivo. At 9,2/22,6 e 26,13

Cerca do meio dia. 22,6 e 26,13

Quando repentinamente foi cercado - juntamente com seus companheiros (At 22,8 e 26,13) -  por uma luz vinda do céu. At 9,3/22,6

E sentindo-se estremecer caiu por terra. At 9,4 e 22,7 bem como aqueles que o acompanhavam. At 26,13

Após o que ouviu uma voz em aramaico At 26,14/22,7 e 9,4:

"Saulo, Saulo porque me persegues? At 9,4 e 22,7 Pois difícil é resistir a mão do Senhor. (At 26,14)

'Quem és tu Senhor?' perguntou ele. At 9,5/ 22,8 e 26,15

"Sou Jesus de Nazaré, a quem tu persegues." replicou a voz do céu. At 9,6/22,8 e 26,15

Alguns dos homens que ali estavam ouviram a voz mas não viram a quem quer que fosse. At 9,7

Outros nada ouviram. At 22,9

Saulo no entanto continua: "Senhor, que devo eu fazer?" At 9,6 e 22,10

Respondeu-lhe Jesus e disse: "Ergue-te, fica em pé e vai a cidade, pois lá te será dito a respeito de como deves proceder... At 9,7 e 22,10 Eis que me manifestei a ti para te transformar em testemunha ocular da minha glória; assim te livrei dos hebreus e dos gentios para te enviar a eles e abrir-lhes os olhos, de modo que passem das trevas a luz e do mal ao Bem; recebendo o perdão dos pecados e a herança dos Santos pela graça que há em mim." At 26,10

E como tivesse ficado completamente cego foi levado de mão em mão até Damasco. E lá chegando por três dias esteve sem ver, sem comer e sem beber; desolado.

Ora em Damasco havia um discípulo chamado Ananias.

Apareceu-lhe Jesus numa visão e lhe disse: Vai já a rua que se chama direita, e procura; em casa de Judas, um certo Paulo de Tarso; porque suplica minha graça.

Ananias após hesitar obteve esta resposta: Vai porque este homem foi escolhido e disposto por mim mesmo para levar meu nome a povos e reis da terra; bem como aos filhos de Israel. E eu lhe revelarei o quanto deve suportar pelo meu nome.

Ananias foi, entrou na casa, e impondo as mãos sobre Saulo, disse: Caríssimo Saulo, a ti enviou-me aquele que te apareceu no caminho, para que recobres não só a visão do corpo; mas também a visão do espírito; por obra e graça do Espírito Santo.

De seus olhos sairam umas escamas e ele recobrou a visão.

Diante disto Ananias tomou a palavra e disse: "Assim por que te demoras? Ergue-te e recebe o batismo; assim sejam lavados os teus pecados após invocares aquele nome." At 22,16

Após isto permaneceu por alguns dias com os discípulos da Igreja local para ser instruido. At 9,28

Tomando sem seguida - com os fâmulos de Aretas - o caminho da Arabia pétrea.

Em seguida tornou a Damasco e poz-se logo a anunciar nas sinagogas, asseverando que Jesus era o Cristo.

E por três anos (35, 36 e parte de 37) disputou com os gregos e os palestinenses...

E como persuadisse a muitos os zelotes entraram em conjuração para mata-lo; e assim guardavam as portas da cidade. Paulo no entanto foi metido dentro de um cesto e descido pelos muralhas da cidade durante a noite.

Assim passou ele a cidade Santa.

E lá, introduzido na Igreja por Barnabé teve acesso aos apóstolos Pedro e Tiago e com eles permaneceu durante quinze dias completando sua instrução.

Entrementes polemizava com os gentios, os gregos e os do lugar buscando convence-los.

E como mais uma vez tramassem para mata-lo, foi alertado pelo próprio Senhor nestes termos:

"Dá pressa e abandona esta cidade, porque não recebem o testemunho que das de mim... Assim te disponho a terras longínquas."

Destarte a irmandade enviou-o a Cesareia, e pela costa da Síria, a Tarso.

E por lá permaneceu por cerca de cinco anos no mínimo. Até ser encontrado pelo amigo Barnabé, cerca de 42, e conduzido a igreja de Antakia, onde permaneceram até 43.

Neste ano ou no seguinte, subiram a Jerusalem para levar socorros a igreja assolada pela fome.

Grassava entrementes a perseguição que vitimou Tiago Zebedeu e pôs em perigo a vida de Pedro.

No entanto esta perseguição cessou no mesmo ano (44) pois tendo desenvolvido a mesma moléstia de seu avô; sucumbiu Herodes Agripa, ficando livre a Igreja.

De modo que Barnabé e Saulo puderam tornar em segurança a Antakia.

Pouco tempo depois (45/46) sairam Barnabé e Saulo na primeira viagem missionária, a qual principiando por Selêucia e Salamina atingiu Listra e Derbe, quatro ou cinco anos depois (49/50). Assim tornaram a Antakia.

As vésperas do primeiro concilio geral congregado pelos apóstolos em Jerusalem.










segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Dos fundamentos históricos do Cristianismo - Paulo e os apóstolos

Enunciadas as fontes judaicas e pagãs a respeito de Jesus Cristo, convem examinar as principais fontes Cristãs pernitentes a sua pessoa.

Naturalmente que dentre todas avulta a figura de Saulo ou Paulo de Tarso.

Filho de um rico tapeceiro ou fabricante de tendas da tribo de Benjamim, assentou-se este personagem aos pés do grande rabino Gamaliel, neto de Hilel.

Duas são as fontes pertinentes a sua pessoa: A biografia oferecida pelo médico grego Lucas no livro dos Atos dos Santos apostolos (Praxeis agia Apostoliké) e suas próprias cartas, no mínimo sete admitidas como autênticas até mesmo pela crítica incrédula, materialista e atéia, tal o peso das evidências internas e externas.

Tal o caso das duas cartas escritas a Igreja de Corinto, a que foi endereçada a igreja de roma, as que foram endereçadas as igrejas da Galácia, de Tessalinica e de Filipos e a que foi endereçada a Filemon.

Segundo a mesma crítica a mais antiga delas (ano 49/50) precede, muito provalvelmente a autoria dos dois primeiros evangelhos: Marcos e o texto aramaico de S Mateus, para não falarmos em Lucas, em João e no Evangelho não canônico dos hebreus. Todas estas peças biográficas parecem ter sido escritas após as primeiras epistolas de S Paulo; e as últimas após a conclusão do 'Corpus paulinum'.

Portanto o primeiro testemunho referente a pessoa histórica de Jesus Cristo ou ao Jesus Histórico encontra-se nas primeiras Epistolas de Paulo e não nos nossos Evangelhos.

Os registros a que aludimos no paragrafo acima são a primeira carta aos tessalonicenses, a carta aos filipenses e a carta a Filemon. E no entanto sem que saibam a biografia o centro de tais epistolas é a figura de Jesus Cristo.

Já ali refere-se ele a morte e a ressurreição de Jesus como fatos ou acontecimentos reais; o que implica antes de tudo na existência de Cristo, pois um ser que jamais existiu jamais seria capaz de ressuscitar.

Mais além, em Filipenses faz alusão a sua existência humana sob a forma de servo, declara que ele sempre fora submisso a lei moral e que fora pregado na cruz.

Reflitamos pois um pouco.

Por em dúvida a existência de Paulo é impossivel pois suas epistolas são declaradas autênticas ou reais e as epistolas exigem um autor ou seja um Paulo. Elas mesmas testificam que Paulo foi um homem de carne e osso, uma pessoa de verdade, como eu e o estimado leitor, ou seja, como nós.

Até mesmo o roteiro de suas viagens foi exaustivamente percorrido com paciencia beneditina pelo Dr Willian Ramsay, e dado como absolutamente exato em cada passo, tal e qual as descrições dos Atos e das epistolas.

Outrossim não devemos ignorar que Paulo deixou discípulos, como Clemente, que pastoreou a Igreja de Roma no final do século I e que por diversas vezes rememora a figura e os ensinamentos de seu ilustre mestre. Ora este Clemente também legou uma epístola considerada autêntica por todos os críticos sem excessão. No entanto da mesma forma como um Clemente pede um Paulo, um Paulo exige um Jesus!!!

O qual por isso mesmo é o tema das epistolas escritas por Paulo, nas quais é tratado como um personagem real...

Por outro lado, caso Jesus jamais tenha existido, o fenômeno Paulo fica sem qualquer explicação...

Pois esteva ele a persseguir os Cristãos, trilhando a estrada de Damasco...

Donde se infere que para odia-los e persegui-los devia saber algo sobre ele e suas crenças. E saber que a personagem adorada por eles não passava duma emanação produzida por suas próprias mentes, duma alucinação, dum fantasma, dum mito...

Neste caso a própria perseguição não faz qualquer sentido; pois caso Jesus jamais tivesse existido bastaria a Paulo e aos demais judeus, desmoralizar os alucinados perante o grande público...

Loucos raramente são tomados a sério ou perseguidos mas ridicularizados com a verdade dos fatos.

Bastaria que os sacerdotes e rabinos tivessem gritado como Emilio Bosi: Jamais existiu, para que o Cristianismo perecesse no berço, por falta absoluta de credibilidade.

Sabemos no entanto que já no século I um Dionisio de Atenas, um Tiranos, um Sérgio, um Senador Pudens, um Lino de Volterra; dentre outros; abraçam já a nova fé... e no século seguinte um Justino, um Panteno, um Tertuliano, etc homens de inclinação filosófica e larga instrução...

O fato é que Paulo ao invés de rir ou de chasquear, preferiu perseguir os tais adoradores do homem que jamais existiu...

E que o mesmo Paulo, num dado momento, a crença até então odiada e proscrita e torna-se seu principál divulgador. Sem ter se dado conta de que Jesus só existia nas mentes de seus servidores!!!

Santos céus!!! Isto é fazer de Paulo um perfeito idiota e menos do que um retardado mental.

Pois vivendo em Jerusalem e circulando por toda Judéia e Palestina, fora incapaz de averiguar que todos os fatos relacionados com a figura de Cristo eram inconsistentes e irreais. É no entanto de esperar-se que o mesmo Paulo tenha indagado a respeito do assunto tanto antes quanto depois, inclusive aos escribas e fariseus seus amigos e que estivesse mais ou menos informado...

Sabendo ao menos que se Jesus jamais ressuscitara como alegavam os fanáticos ou que se jamais nascerá de Virgem, morrerá crucificado na cidade santa e fora dado a luz num determinado lugar. Ao menos a respeito do nascimento e da morte de seu desafeto a um tempo, e Mestre a outro, Paulo deve ter efetuado certas pesquisas.

De modo a convencer-nos que o homem existiu...

Nem afirmamos que tal suposição passou pela cabeça de Paulo, como jamais passara pelas cabeças dos sacerdotes, escribas e doutores de israel, e que ele por algum momento duvidou a respeito daquilo que era de conhecimento geral. O que afirmamos é que ao converter-se ele desejou informar-se melhor e saber o assunto mais profundamente e com maiores detalhes. Passando do conhecimento vulgar ou corriqueiro para um conhecimento tanto mais exato.

E o resultado disto é que Paulo perseverou no sistema que havia abraçado até ser decapitado cerca de 67 desta Era, sob Nero, junto a pirâmide de Caio Cestius e a via ostiense.

Já foi dito ser impossivel compreender o caminho de Damasco sem a presença de Jesus.

Nem direi que sua presença era objetiva e externa como querem as escrituras, mas por ad hominem, contentar-me-ei em defini-la como mental, interna e subjetiva. Estava já o pensamento de Paulo impregnado de Cristo? Como poderia estar impregnado de algo que jamais existiu???

Seria um dos alunos de Gamaliel capaz de deixar-se ludibriar por mitos e fábulas assim tão 'fresquinhos' ou de forja tão recente sem dar com a patacoada.

A simples idéia de um Jesus fantasma, inexistente e ficticio produzido pelas mentes dos rudes galileus implica em converter Paulo de Tarso num autêntico truão, num imbecil, num quase anencefalo...

Agora os padres e mártires declaram ter tido contato real com os apóstolos...

Policarpo alegou ter sido instruido por João.

Clemente e Hierotheos Thesmotetes alegaram ter sido instruidos por Paulo.

Papias foi instruido por Filipe.

Grafté, Hermas e Ignatius de Antakia foram iluminados por Pedro.

Para as principais sés e Bispos os apóstolos eram homens reais, afinal eles tinham seus túmulos ou melhor dizendo seus 'Trophaia' troféus diante das vistas.

Por outro lado não faz qualquer sentido que os doze tenham inventado ou imaginado a pessoa de Jesus Cristo e se deixado morrer ou matar por uma invenção ou uma alucinação.

Os apóstolos existiram e por assim dizer 'deixaram-se decapitar' para não desonrar a memória de Cristo, acho prudente acreditar no testemunho deles justamente porque se deixaram decapitar quando poderiam ter se salvado muito facilmente e gozado das recompensas que os imperadores geralmente destinavam aqueles que cumpriam suas determinações.

Dar os apóstolos por inexistentes seria dar dúzias de padres antigos por idiotas... dar Jesus Cristo por inexistente seria dar os apóstolos por loucos ou por charlatães.

Postular que eram loucos não faz sentido porque mostraram acordo e os afetados raramente entram em acordo mesmo em se tratando de dois ou três. Da-los por trambiqueiros é fazer de suas mortes um mistério inexplicável; pois via de regra os trambiqueiros retratam-se diante da morte conforme a debilidade típica do cárater defeituoso.

Eis porque devemos considerar tanto mais seriamente o testemunho de Paulo e dos demais apóstolos adicionando-os aos anteriores.

E concluir que consoante tantos testemunhos Jesus não pode deixar de ter existido.

Ao menos como um judeu que viveu na Palestina, durante a primeira metade do século I, que destacou-se pela nobreza de seu cárater e que acabou sendo crucificado depois de chocar-se com as autoridades religiosas do pais.

Assim já sabemos um tantinho sobre sua pessoa e bem podemos chama-lo de 'o crucificado'.