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A consciência histórica do Cristianismo

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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Prefácio




A HISTÓRIA É A MESTRA DA VIDA - Cícero




É a palavra História de origem grega e significa 'investigação' ou 'pesquisa'. 

História é a ciência que investiga o passado do gênero humano.

Por passado do gênero humano queremos dizer ações mais importantes executadas pelos homens numa determinada sociedade, as quais em certo sentido sobrevivendo a seus próprios autores repercutiram até o tempo presente.

Tais ações causaram maior ou menor impacto na medida em que alteraram as condições de vida de certo número de pessoas influenciado a conduta delas.

A História sagrada é um recorte que diz respeito a vida e a obra de Jesus Cristo e de seus apóstolos.

Já a História eclesiástica diz respeito as situações porque passou a Igreja desde os tempos apostólicos até o tempo presente ou seja a Idade Contemporânea.

Em sentido mais largo abarca não apenas a História das Igrejas apostólicas - Isto é, que foram fundadas pelos próprios apóstolos - mas até mesmo a História das Heresias, do cisma romano, do surgimento e desenvolvimento do protestantismo e do espiritismo, da afirmação do capitalismo e do comunismo, do advento e ascensão das diversas culturas de morte. Tudo isto diz respeito a História da Igreja uma vez que a heresia - Seja ela qual for - consiste numa relação de negação face a determinado mistério da fé, e não se pode negar qualquer 'fato' sem antes questiona-lo. Enquanto crítica aos elementos essenciais da fé, a História da heresia constitui um departamento da História da Igreja e do Cristianismo.



Cristianismo - a religião histórica por excelência


March Bloch em sua 'Apologia a História' aludiu ao Cristianismo como sendo a religião histórica por excelência ou como uma religião de historiadores.

E a razão disto é bastante simples.

Para o povo Cristão, a Encarnação do Verbo equivale a entrada de Deus no domínio finito do tempo e do espaço.

Na medida em que "O Verbo se fez carne e habitou entre nós." tornou-se Deus Emanuel, ou seja companheiro, parceiro, alguém que esta próximo e caminha junto conosco e não uma entidade distante e afastada.

Passa o Deus transcendente a partilhar com os mortais das unidades finitas do tempo e do espaço pelo simples fato de tornar-se também Imanente ou 'verdadeiro homem' em tudo semelhante a nós menos na maldade.

Desde então, para os Cristãos o mistério da Encarnação, e consequentemente o mistério do tempo converte-se no eixo, centro, foco e chave da História humana.

Foi justamente por isto que a História Ocidental foi cindida em duas grandes Eras, a que precede e a que sucede a manifestação do Deus encarnado.

Na encarnação cruzam-se dois mistérios: O mistério de Deus e o mistério do tempo. Ambos entrelaçam-se na pessoa de Cristo e formam um grande todo.

Daí o fascínio exercido pela História sobre a mentalidade Cristã desde os tempos mais remotos, o qual levou Hegesipo a escrever suas 'Ypomnémata' ou memórias, cerca de 180 desta Era. Sexto Julio Africano a compor sua Chronographiai - A primeira História Universal elaborada por um Cristão, alias dedicada mais a história profana ou gentílica do que a História da Igreja, a qual dá muito pouca atenção -  cerca de 220, Hipólito a editar seu Chrosnicon vinte anos depois (240), e Mar Eusébio de Cesarea a elaborar sua 'Pantadope História' ou História universal, traduzida para o Latim e ampliada por Jerônimo de Stridon. 

Todas estas Histórias universais tiveram escopo salientar por quais modos teria Deus preparado as diversas culturas - Egipcia, Babilônica, Persa, Grega, Romana, Fenícia e Hebraica - para sua futura vinda, já por meio de comunicações sobrenaturais, oráculos e profecias; já por meio do cultivo da via racional ou da Filosofia.

Só para constar foi Eusébio a quem pela primeira vez ocorreu a feliz ideia de estabelecer um quadro sincrônico dos fatos históricos acontecidos em diversas culturas distintas. Assim em seus 'canones' dispôs em colunas paralelas os principais eventos ocorridos na Mesopotâmia, no Egito, na Palestina, Fenícia, Grécia e Roma, conforme o critério da simultaneidade. 


A produção Histórica Cristã -


Cento e trinta anos após Hegesipo ter dado o primeiro passo em direção da historiografia Cristã e composto seu ensaio, o já citado Eusébio Pânfilo, Bispo de Cesareia, compôs sua obra máxima a assim chamada 'História Eclesiástica', propondo-se a narrar circunstanciosamente tudo quanto ocorrera da ascensão do Salvador até o Édito de Milão (313) sob a governação de Constantino César.

Eusébio soube dispor de dupla vantagem: Ter pleno acesso a biblioteca organizada por Orígenes e Pânfilo em Cesareia marítima setenta anos antes e ser uma espécie de 'ministro de cultos' ou mesmo secretário do Monarca para assuntos da natureza religiosa. De maneira que acabou tendo acesso a todos os arquivos existentes - Eclesiásticos e profanos - coletando documentos de natureza antiquissima tombados por seus predecessores e mandando trazer outros tantos de todas partes do Império. Estava portanto muito bem qualificado e preparado.

Nem nos devemos admirar de que a maior parte dos documentos que ele pode consultar - como o 'Logion Kuriakon Ecsegéseis', de Pápias, Bispo de Hierapolis e ouvinte de S João; as já citadas memórias de Hegesipo, as Hypotposeis de S Clemente, o Elenchos de S Justino, as obras de Ariston, Milciades, Apolinário, Melitão, etc - estejam atualmente perdidos. De modo que só temos acesso a tais fragmentos graças a ele, Eusébio.

Eusébio também mostrou-se bastante capaz de compreender o valor das cartas ou das correspondências para a História, antecipando-se a muitos de seus coetâneos. Daí ter compulsado as cartas de Irineu, Clemente, Orígenes, etc as quais tampouco temos acesso.

Eis porque sua História eclesiástica é fonte única para nós e consequentemente o registro Cristão mais importante após o Novo Testamento e os escritos dos Padres Apostólicos - Didaké, Clemente Romano, Inácio, etc

Não fossem os esforços de Eusébio tudo quanto diz respeito aos três primeiros séculos desta Era seria absolutamente misterioso para nós em termos de Cristianismo, achando-se os Cristãos na mais completa penumbra e obscuridade a respeito de suas origens. Outros atribuem a invenção das estruturas sincrônicas a Sexto Julius.



Bibliografia historiográfica do Cristianismo - (Oriente)


A partir de Eusébio a moda ou 'mania' de compor obras sobre a História da Igreja - A qual comportava por assim dizer a História duma sociedade que era eminentemente religiosa - pegou e o número delas acabou multiplicando-se-se ao infinito. Tanto que os alemães reuniram uma autêntica biblioteca intitulada 'Cronistas' Bizantinos na qual o principal assunto é obviamente a igreja de Bizâncio, então capital da parte remanescente do antigo Império romano.

Gelásio de Cesaréia sucessor de Eusébio compôs a biografia de seu ilustre predecessor e a continuação de sua História eclesiástica. Sua obra foi continuada por homens ainda mais habilidosos assim Sócrates e Sozomeno, dois intelectuais bizantinos - O primeiro jurista - que teriam vivido na primeira metade do século V, e que parecem ter baseado suas obras, nas obras de Tucidides, Éforo, Teopompo e Políbio. 

Teodoreto - Bispo de Cirro e amigo de Leão, o grande de Roma - continuou as obras de ambos até cerca de 475.

Entrementes Filipe de Sides (Ortodoxo) publicou sua alentada Christianiké em 36 volumes - A maior História eclesiástica de que se tem notícia - resumidos pelo patriarca S Fócio na "Biblioteca" e o ariano Filostorgo sua História em 12 volumes, resumida pelo mesmo S Fócio.

A primeira tentativa de legar a posteridade uma série de biografias dos 'homens base' do Cristianismo ou seja dos Bispos, mártires e doutores dos primeiros séculos foi composta por Jerônimo de Stridon em 392.

Ele tomou por base a obra homônima (Viribus illustris) de Suetônius - Sendo influenciado também pelas 'Vidas de Cornélio Nepos e pelas 'Vidas paralelas' de Plutarco de Queronea - e alistou 135 personagens.

Outros tantos personagens foram acrescentados pelo monge Genádio de Marselha (século V), por Isidor de Sevilha e por Idelfonso de Toledo (Estes dois últimos salientando em especial os escritores da Espanha). 

A História de Gelásio de Císico, acrescenta alguns registros a de seu homônimo Gelásio de Cesaréia. João Diacrinômenes completa Teodoreto até cerca de 510 e Basílio da Cilicia até 540 embora as Histórias de ambos principiem em 440. A Chronographia de João Malalas atinge 563. Zacarias Bispo de Metilene adiantou sua Historia até 570, partindo de 450.

Mais tarde no século VI - cerca de 530 - Teodoro, o leitor - Uniu as três Histórias eclesiásticas de Sócrates, Sozomeno e Teodoreto numa só; ele acrescentou quatro livros de sua própria autoria os quais mais tarde foram resumidos pelos cronistas bizantinos.

A tripartida foi traduzida para o latim por Epifânio dito, o monge e - mais tarde - associada a História de Eusébio (Traduzida e reformulada por S Rufino de Aquiléia) constando a tripartida dos latinos de quatro volumes: Eusébio traduzido por S Rufino mais a tripartida de Teodoro traduzida por Epifânio. Posteriormente alguns copista acrescentaram um quinto volume, o já citado Chronicon de Jerônimo. Total: Quatro volumes > Eusébio + Sócrates + Sozomeno + Teodoreto; avançando a 475.

A outra Tripartida, mais recente, foi elaborada por Anastácio, o bibliotecário com base nas Histórias de Sinkellos, Teophanes e Nicéforo. 

A 'Crônica de Arbela' foi composta em 530 por Massihhazek com base em registros muito mais antigos que chegam ao século II e é quase tão importante para a História do Cristianismo quanto a obra de Eusébio. A 'Crônica de Edessa' também é vital para o conhecimento de nossas raízes pois suas fontes chegam até o ano 130 d C. A 'Crônica de Alexandria' talvez composta por Aniano ou por Panodoros também apresenta documentos que remontam ao século II.

João de Éfeso leva sua História até 585 ultrapassando em quinze anos a de Zacarias, e suprindo exatamente o que falta para este período. Evágrio o escolástico narra os eventos sucedidos até 594. Outro autor de importância foi João Malalas i é o retórico, cuja História se estende até o reinado de Justiniano. 

A partir daí seguem os historiadores da Diaspora: Joshua de Zuqnin ou Amid, que levou sua narrativa até 755, João de Nikiu, Mar Iacobus de Edessa, Agapios, Dinisius de Tal Mahre, Cirilo de Edessa, Mikail, Yahya de Antakia, Denis Bar Saliba, Bar Hebraeus (Abu Faraj), Abduisho Soba, Giorgios abd el Amin (Elmacin), etc que descreveram a vida das comunidades Ortodoxas sob o jugo do Islã e dos califas dos infiéis.

Moshe de Khorene escreveu na História dos armênios. Samuel Anetsi foi quem pela primeira vez elaborou uma Cronologia da Armênia. Sebeos de Bragatunis escreveu uma narrativa valiosa sobre os impérios romano e sassânida bem como sobre o aparecimento do Islã.

S Fócio foi o primeiro dentre os Cristãos a quem ocorreu a feliz ideia de transmitir uma resenha de cada livro lido por si juntamente com a biografia do autor e apreciações críticas em seu 'Myriobiblion' ou Biblioteca, que consta de 280 sessões. Então ele merece ser considerado como o legítimo pai ou pioneiro dos estudos patrísticos.

Os autores da Suidas seguindo os passos de S Fócio preservaram o essencial da cultura greco romana, reduzindo a Biblioteca de Bizâncio a uma imensa Enciclopédia literária, cujos elementos cristãos não são nada desprezíveis. Segundo alguns especialistas a Suidas seria uma epítome do grande Dicionário bio bibliográfico escrito por Hesíquio de Mileto. 

Os de Bizâncio seguiram sua tradição de modo que, Imperador após Imperador, ano após ano, século após século sucederam-se os Bispos e monges cronistas até a queda da capital em 1453. Estevão o Cronógrafo, Constantino Porfiriogenetes, Giorgios Sinkellos, Giorgios Hamartolos, Nikephóro; Batrak, Teófanes; o confessor, Simeão; o logotheta, Girgis Cedrenus, Teodor Balsamon, Nikephóros Calixtino, Mikail Pselles, Anna Comeno, Glyka, Pakimeros, Teophylactus de Simocatta, Nikitas Akominatus, Dimitri Kidones, Gregórios Akindines, Nikephoros Gregoras, Zonaras, Genádios Escolástico, Leon Khalkondiles,... Foram alguns dos que deixaram relatos. Os três primeiros levaram adiante a tarefa de compor Histórias universais e Sinkellos adotou o modelo de Eusébio, dispondo sua narrativa em tabelas sincrônicas. Já os monges alexandrinos Aniano e Panodorus haviam vulgarizado o uso de tais tabelas no século V.

Nestor, o cronista compôs a primeira História dos russos e Helmond de Plun a Crônica dos eslavos onde refere a conversão dos eslavos polabios. Mar illa de Nisibis compôs o Kitab al azmina ou Chronographiae, valiosa quanto ao novo império persa. 


Bibliografia historiográfica do Cristianismo - (Ocidente, até 625)



Os ocidentais principiaram a escrever suas Histórias com Aulus Orosio, amigo pessoal de Agostinho de Hipona. Compôs ele uma alentada 'História contra os pagãos' objetivando corroborar e ampliar a 'Cidade de Deus' de Agostinho. Este havia se limitado a focalizar a História do Império romano, Orosio aventura-se a focalizar as Histórias dos Babilônicos, Cartagineses e Gregos antes de chegar aos romanos.

A quem interessar-se mais por estes dois autores recomendamos este outro artigo de nossa autoria:

http://diariodeumbobodacorte.blogspot.com.br/2017/05/o-sentido-da-cidade-de-deus-em.html

Sulpicio Severo escreveu uma História universal até o ano 400. Próspero de Aquitânia levou sua crônica até 455. O espanhol Idácio estendeu sua narrativa até 468, Marcelim Comes continuou até 534, Vitório de Tununes, o confessor, chegou a 566 e João Biclaro completou a série, levando sua História até 590. Essas narrativas dizem respeito ao tempo em que os reinos dos bárbaros entretinham relações diplomáticas com Bizâncio e ao tempo em que os bizantinos ainda dominavam a Palestina. A partir daí a fonte de informação passa a ser a Tripartite de Anastas.

Apenas os gregos continuam a manter cronistas e a elaborar Crônicas periódicas.

A própria Cidade de Deus de Agostinho (415) representa já um monumento historiográfico pelo simples fato de referir os acontecimentos de seu próprio tempo buscando compreende-los em conexão com fatos do passado longevo e reportando-se a fontes tão antigas quanto Terentius Varro.

A narrativa de Isidor de Sevilha chega a 615.

O escritor carolingio Aymon de Halberstadt compôs a última universal da Igreja - dos quatro primeiros séculos - em 853. Adão de Vienne registrou a história de Carlos Magno e seus sucessores em sua Crônica. Assim os 'Annales' de Flodoardus de Reims. Assim a famosa Vita Carolus de Eignhart, as 'Histórias' de Freculfo e a Crônica de Regino abade de Prum, bastante importante quanto aos sucessores de Carlos Magno e mesmo quanto a História da Bulgária, o que não deixa de ser surpreendente.

A História dos visigodos composta pelo já citado Isidor chega a 625. Jordanes e o abade Cassiodoro de Vivarium escreveram as Histórias dos Godos e invasões bárbaras. Gregório de Tuors escreveu a História das Gálias (Hist Francorum) em dez volumes, Gildasius e Beda de Jarrow escreveram a História dos reinos da Inglaterra desde quando a fé lá teria sido introduzida por S Jose de Arimateia. Paulo, o diácono compôs a História dos Lombardos, Kosmas decanus de Praha, escreveu a Chronica Boemorum, a primeira História dos tchecos.

Após este tempo (século X) a historiografia latina reverteu ao regionalismo. Desde então, por mais de meio milênio os ocidentais (Até cerca de 1350) escreveram apenas as histórias de seus mosteiros, igrejas, vilas ou cidades (Assim a Chronica de Evesham de Dominic de Evesham, Chronica de Farfa por Gragório da Cataniae, a "História da Igreja de York de Hugo o Chantre, a "História da abadia de Vézelay" de Hugo de Poitiers, A "História da diocese de Hamburg" por Adão de Bremen, A "História dos Bispos de Liége" por Heriger de Lobb, A 'Historia mediolanensis' de Landolfo, a Crônica Salernitana de Romualdo Guarna, o "Exordius" de Simeão de Durham, etc) raramente de seus países e ignoraram por completo as 'Histórias universais' que pretendiam partir da criação do mundo ou de um passado remoto envolvido pelas brumas da mitologia, substituindo tais narrativas pela reprodução dos primeiros capítulos do livro do Gênesis e desembocando já na Era Cristã, a partir de Augusto. 

De modo que a Introdução ou proêmio seguia quase sempre este plano: Primeiros Capítulos do Gênesis + Breve referência ao Augusto e ao nascimento de Cristo seguindo pelos Atos dos Apóstolos + O relato da conversão do pais em questão e da fundação da cidade ou mosteiro

Outra solução possível era resumir a Tripartida de Epifânio até chegar onde queriam.

A bem da verdade buscavam conservar o título (História do mundo) e até revelavam certa abrangência ou amplitude - Copiada - quanto ao Império romano. Como se pode inferir a partir de sua leitura, eram 'universais' apenas em sentido Histórico, quanto ao passado anterior a queda do Império romano. Após a queda do Império o foco geográfico de tais históricas se ia restringindo cada vez mais até que - no que se refere a época dos autores ou aos séculos imediatamente anteriores - assumia proporções bastante modestas, fossem diocesanas, citadinas, regionais e mais raramente nacionais; predominando sensivelmente as narrativas feudais sobre determinado mosteiro ou igreja. Exemplo clássico neste sentido é a 'Chronica' de Richard Pictaensis conhecido também como Richard de Poitiers, a qual a partir do século VII concentra-se quase que exclusivamente nas Gálias i é na atual França.

A mais ampla das Histórias do século XI abarca apenas o Norte da França, Alemanha, Bélgica e Holanda. Tal a "De diversitate temporum" de Alpert de Metz.

Nem é preciso dizer que esta reversão da História universal  - Cujas raízes chegavam a Homero e Hesíodo - a uma história regional e isolada em seu próprio tempo, indica por si só uma crise cultural bastante grave, assim a destruição das grandes Escolas e Bibliotecas pelas invasores germânicos e árabes (Não nos esqueçamos dos Persas em 610) a partir dos séculos IV e VII. De que resultou a destruição das Bibliotecas de Cesarea, Atenas, Alexandria, Antioquia, Roma e Cartago.

A própria inexistência de uma Unidade mais ampla já política, já religiosa (desde 1054) e consequentemente de meios de transporte e comunicações transcontinentais, tornavam impossível uma ideia em termos de conjunto ou de mundo, o qual por sinal, desde 640 estava cindido em três regiões estanques: Cristã, islâmica e gentílica, cada qual com sua lingua e cultura predominante. Dificilmente algum Cristão daquele tempo leria - mesmo se conhecesse árabe - Ibn Fadlan, Ibn Battuta, Makrisi, Al Masudi, Al Biruni ou qualquer outro Cronista muçulmano. Como muito dificilmente um muçulmano devoto leria Sigeberto de Gembloux, Chronicon de Scottus Mariano ou a Crônica de Hermann Contractus. Que pensar então sobre a China de Sema Kuan???

Seja como for Anastácio, o bibliotecario, seguindo o modelo de Jerônimo pode compor o 'liber pontificalis' ou livro dos Bispos de Roma até seu tempo.

O modelo de História nacional mais acabada de que dispomos corresponde a 'Gesta Friderici imperatoris' de Otto de Freising, o qual escreveu também as 'Duas cidades' continuando as obras de Agostinho e Orósio; ele floresceu no tempo de Mar Hugh Bispo de Jhalaba e ainda esta cheio de espírito Ortodoxo.

Glaberus escreveu sobre a França, a Escócia e o Sul da Itália em 1040. Ditmar de Merseburgo escreveu a Gesta dos imperadores alemães e Lamberto de Heresfeld as controvérsias entre o Império e o papado ao tempo de Henrique IV

William de Malmesbury que floresceu pelos idos do século XII compôs os "Atos dos reis de Inglaterra." Foi seguido por Geoffrey de Monmouth, autor da "Historia regum Britanniae", Willian de Newbury autor da "Historia rerum anglicanorum", João de Worcester com a "Crônica das crônicas", Henrique de Huntingdon autor da "Historia anglorum" e Simeão de Durham com sua "Historia regum anglorum et dacorum". Os monges ingleses obtiveram destaque nesta área porque foram herdeiros de uma tradição irlandesa cujas raízes penetram na antiguidade clássica. cf Th Cahill

Eadmerus
foi quem transplantou esta tradição a Albion no século X. Compondo ele mesmo uma narrativa bastante procurada durante a Idade Média.

Orderico Vitalis, monge inglês, foi o único que ensaiou, pelos idos do século XII, uma verdadeira História supra nacional, englobando as histórias da Inglaterra, França, Itália e Palestina e procurando estabelecer relações. 

Guilherme, Bispo latino de Tyr, consagrou seus esforços a escrever a Historia das Cruzadas, que é de grande valor. Já antes dele Fulcher de Chartres, testemunha ocular da primeira Cruzada havia composto um relato em três livros sobre ela.

Martinho de Opava, dito Troppaus, foi quem, quase mil anos depois de Eusébio introduziu o modelo das tábuas sincrônicas entre os latinos. Numa coluna referia as ações dos Bispos de Roma e noutra as ações correspondentes dos Imperadores realizadas no mesmo ano.

Hemming Decanus, monge de Worcester parece ter sido um dos primeiros a arquivar e restaurar documentos, isto pelos idos de 1100.

Sampiro, monge lionês, tomou sob seu encargo registrar a História dos cristãos hispânicos que viviam sob o domínio muçulmano (mozarabes). Henrique de Latvia foi quem pela primeira vez compendiou a História da Estônica. Thomas, o diácono, de Split compôs a primeira História dos croatas. Saxo gramático, arcediago e secretário de Absalão de Lund foi o primeiro a compôr uma História da Dinamarca. Pero López de Ayala foi o primeiro cronista Castelhano. João de Fordun parece ter sido o primeiro a escrever uma Crônica sobre a Escócia. 

O presbítero Froyssart de Valenciennes (sec XIV) parece ter sido o primeiro a ultrapassar com sucesso o limites da História local e regional em suas 'Crônicas'. Foi talvez o primeiro a relacionar o que  estava acontecendo nos principados alemães, França, Inglaterra, Itália, e fazer esboço de uma História continental ou européia.

Giovanni Villani foi quem pela primeira vez introduziu a estatística nos escritos históricos. Jean Le Bel parece ter sido pioneiro na 'História oral' recorrendo sistematicamente a entrevista.

A História universal da Igreja foi retomada somente em 1469 por Antoninus, Bispo de Florença. Sua narrativa vai da criação de Adão até sua própria época.

Vinte anos depois Hartmann Schedell de Nuremberga publicou sua "Crônica da História do mundo" (1493).

As antigas culturas do Novo Mundo e sua conquista pelos europeus foram compendiadas por: Pedro Mártir de Anghiera, Sepulveda, Juan Diaz, Francisco de Aguilar, B Las Casas, B de Sahagun, Toribio de Benavente, Francisco Lopez de Gomara, Motolinia, Juan de Torquemada, Gaspar de Carvajal, Pedro de Los Rios, Garcilaso; el inca, Murúa, Juan de Castellanos, Gregorio García, Pedro Aguado, Francisco Cervantes de Salazar, Salazar y Mendoza, Chimalpahin, Blas Valera, Pedro de Valencia, Jeronimo de Zamora, Mendieta, Diego de Landa, Diego Duran, Ovalle, Gonzalo F Oviedo, Tamayo de Vargas, Rivadaneyra, Piedrahita, Oviedo Y Baños, Pero Fernández del Pulgar, J Guevara, Pedro Lozano, Acosta, Fernão Cardim, Simão de Vasconcelos, Vicente do Salvador, Antonil, etc 

Como cronistas reais de Portugal obtiveram destaque os cistercienses Bernardo de Brito e Antonio Brandão. Na Espanha Zurita, Ocampo, Morales, Padilla, Bernáldez, Lobera, Pedro de Vallés Juan de Mariana SJ, Na Suíça destacou-se Aegidius Tschudi. Na França Mézeray autor da "História da França desde Faramundo". Na Inglaterra John Dryden.

Entrementes Marmol Carvajal compôs as relações sobre a África, Pedro Chirino a relação das Filipinas, Mateo Ricci a primeira relação sobre a China - Sucedida pela do Pe Alexandre Rhodes - João Rodrigues ("História da Igreja no Japão"), Vallignano Fróis forneceram ao Ocidente as primeiras informações sobre o Japão e Bouillevaux o primeiro a revelar-nos o esplendor da divilização Kmer. Baltazar Telles compôs a "História geral da Etiópia".

Sayce foi quem pela primeira vez investigou as relíquias da civilização Hitita. Dempster inaugurou as pesquisas no campo da estruscologia sendo sucedido pelos padres Lampredi e Lanzi. O Pe V Scheill, G Contenau e L Wooley destacaram-se como assiriólogos. F Lennormant investigou as civilizações asiáticas. J F Champollion, E Brugsh, Chabas, Weygall, Drioton, Montet, etc destacaram-se no campo da egiptologia. Winckelmann iniciou as escavações em Pompeia. Brasseur de Bourbourg revigorou as investigações sobre o antigo Império Azteca.

Os estudos no campo da paleontologia e História primitiva foram iniciados pelo católico Boucher de Perthes e posteriormente, cultivados com sucesso por dois sacerdotes, o Pe Henri Breuil e o Pe Teilhard Chardin. Este foi responsável pela exumação dos restos do sinantropus em Chu ku tien e aquele responsável pelo mais completo estudo já elaborado sobre as pinturas parietais de Altamira, Lascaux, etc

Richard Simon pode ser apontado como pai da Crítica Bíblica. Desenvolvida no século seguinte por Jean de Astruc e pelo Pe Geddes. No século XX o Pe Rolland de Vaux obteve destaque decifrando e classificando os 'rolos do Mar morto'.

Frederic Le Play foi pioneiro do campo da Sociologia.

Já então vivia Maquiavel e operava o principio da separação de poderes e da secularização de modo que aos poucos a História cindiu-se em duas partes: História política ou profana das nações e História religiosa ou eclesiástica.

Durante este período foram compostos diversos catalogos de escritores eclesiásticos por Sigebert de Gembloux, Honorato de Autun, Adelso de Melk e mais esmeradamente pelo abade Thritemius já no século XV.

O primeiro historiador protestante foi o médico Otto Von Brunfels. Sua obra 'Virorum Illustrium'  foi editada em 1527. É obra importante mas incipiente.

A primeira obra moderna que por assim dizer aprofundou o sentido universal da História eclesiástica, foi as 'Centurias de Magdburgo' cujo principal objetivo era apontar as inovações doutrinais introduzidas na Igreja pelo pontificado romano no decorrer dos séculos precedentes.

Procurando dar a Flacius - O organizador das 'Centúrias' - competente resposta o Cardeal Cesar Baronius, da ordem do oratório, editou sua monumental obra, intitulada "Annales eclesiástici", em 1588, compondo doze Tomos in folio sem chegar ao fim (Foi continuado por Theophylus Raynald)

A exemplo de Mar Eusébio ele pode consultar os arquivos e Biblioteca do Vaticano e apesar de seus erros, demonstrou que os reformadores protestantes estavam equivocados a respeito dos princípios fundamentais do Cristianismo, além de estabelecer as sucessões dos Arcebispos e Patriarcas das Igrejas apostólicas.

Após Baronius ter confrontado com bastante sucesso os centuriadores e apontado a deficiência da argumentação deles os protestantes perderam por assim dizer o 'sentido' geral ou universal da História Cristã passando a compor preferencialmente a gênese de sua própria fé, tais as inúmeras Histórias da Reforma protestante, que amiúde partem de M Lutero ou do século anterior. Assim as relações de Melanchton, Peucer, Hospinian, Chytraeus... 

Mosheim já no século XVIII foi o primeiro autor protestante a retomar o plano dos centuriadores e produzir uma História universal do Cristianismo sob a ótica do protestantismo, sempre com o intuito de atacar a igreja romana. No entanto ele parece ter sido o primeiro a ultrapassar a ideia absurda segundo a qual as doutrinas Católicas haviam sido inventadas pelo Papa romano, levando suas críticas até a Igreja Católica Ortodoxa propriamente disto e salientando o papel de Constantino como corruptor da fé, e consequentemente fazendo escola até hoje.

Da mesma maneira como os centuriadores do século XVI haviam arremetido contra o papa, apresentando-o como fabricante 'in totum' da fé Católica, ficando por explicar como havia uma fé Católica Ortodoxa, antes da criação do papado; Mosheim arremeteu contra Constantino acusando-o de ter paganizado a Igreja e portanto de ser o legítimo pai do Catolicismo Ortodoxo. É a partir de Mosheim que a historiografia protestante se torna oficialmente ao menos, anti patrística, ousando increpar os padres do século IV ou da idade de ouro da igreja, apresentando-os como cúmplices de Constantino e seus sucessores.

Harnack foi quem, século e meio depois, teve honestidade suficiente para corrigir o erro de seu colega e reconhecer que todos os elementos da fé Ortodoxa e Católica poderiam ser detectados nos escritos dos padres apostólicos, reportando a fé da igreja inimiga no mínimo ao ano 100 desta era, como sempre haviam argumentado os polemistas da igreja romana. O que nos remete há duzentos anos antes de Constantino e trás novamente a toma o equivoco dos centuriadores: Se o papado - criado no século XI - não podia ter inventado a fé Católica, como Constantino, sendo posterior a ela em duzentos anos, poderia te-la inventado.

Conveniente observar que a Apologética protestante 'ortodoxa' continua obstinadamente atrelada ao modelo traçado por Mosheim e portanto em oposição marcada face aos estudos religiosos no domínio da antiguidade Cristã.

Quanto a História universal ficou nas mãos dos romanistas que a ela dedicaram-se com autêntica voracidade a começar por Alexandre Noel ou como se diz Natalis Alexandre de Paris (30 volumes), De Launnoy, Orsi, Saccarelli, Maimbourg (15 volumes), Fleury (20 volumes), e inumeros outros.

Os estudos sobre os padres da Igreja foram ativamente retomados por Margarin de la Bigne (que editou a primeira patrologia), Petrus Canisius, Roberto Belarminus, Louis Ellie Du Pin, Antonius Possevinus SJ, Aloisius Lippomanus, De Combefis, Bossuet, Richard Simon, D Remy Ceillier, Le Nain de Tillemont, etc Este movimento foi seguido de perto na Inglaterra pelos teólogos padrão do anglicanismo defensores do Episcopado como Wotton e Grabe, dentre outros.

As atas dos Sínodos latinos e de seus concílios, bem como as versões latinas dos Concílios Antigos ou Ortodoxos, foram reunidas e elencadas por Ruynart, Baluze, Hardouin, Daniel Huetius e outros polígrafos. Os quais forneceram materiais para que Hefele o material necessário para escrever a monumental História dos Concílios. Quanto aos Concílios latinos Sarpi e Pallavicini compuseram a História do Concílio de Trento. O protestante M Chemnitz também produziu uma em quatro volumes.

Mosheim teve por continuador a Pfaff. 

Antoine Arnaud foi o primeiro Ocidental a reconhecer a herança grega ou oriental da Igreja. Na sua 'Perpetuidade da fé da igreja Católica na eucarista' ele procurou recolher todos os testemunhos das igrejas orientais que estavam a seu alcance para lança-los contra um protestantismo já completamente dominado pelas concepções platônicas de Zwinglio. Um colega seu, Eusebius Renaudot publicou a primeira coletânea de Liturgias Orientais, ainda hoje empregadas por nossas igrejas Ortodoxas.

Ebed Yeshu o jovem, Abraão de Achel (Achelensis) e Jose Assemani foram os primeiros ocidentais a editar os textos dos padres sírios, siríacos e assírios criticamente. 

Levados pela mesma maré os eruditos protestantes retomaram a faina de reunir e elencar duas próprias fontes, daí os trabalhos de Saligius, Buddeus, Walchius, Tittmann, Niemayer e sobretudo Bretscheneider organizador do monumental 'Corpus reformatorum'. 

Entrementes os papistas - como Panvinus e Muratori - continuavam a desenterrar monumentos e a editar histórias eclesiásticas críticas cada vez mais gigantescas.

Ducreux (Os séculos do Cristianismo) e Rohrbacher compuseram suas narrativas com 30 volumes cada qual. Berault Barcastel escreveu mais uma dúzia de volumes sobre o tema; Stolberg (continuado por Kerz e Brischar) no entanto levou a palma, pois sua História eclesiástica assoma a 53 tomos (Até hoje a mais extensa)!!! Hemner e Kraus também editaram suas 'Histórias'. Hortig foi continuado por Doellinger. Danielou e Marrou - já no século passado - compuseram uma excelente História Crítica ou 'Nova História da Igreja'. Já próximo de nós Flichet Martin editou a sua em dezoito tomos. Entre as epítomes ou resumos destacam-se Alzog e Rivaux.

Convém citar como obra de excepcional valor a 'História dos dogmas' composta pelo ex sacerdote papista Joseph Turmel nos últimos anos do século XIX. Turmel passa por criador da corrente 'patrística', muito próxima a do convertido (Ao Catolicismo Ortodoxo) D Guetté cuja História eclesiástica, na perspectiva da Ortodoxia não deixa no mínimo de ser interessante. 

O Talmud e as sifras dos infiéis principiaram a ser estudadas por Lirano (De Lyra) tendo por pbjetivo esclarecer certos pontos obscuros e idiotismos contidos no Sagrado Evangelho. Tais estudos foram continuados pelo príncipe dos exegetas Xantos Pagnini, por seu legatário F Vatablius, por Sixtus Senensis, pelo anglicano Ligthfoot e pelo Dr Drach no século décimo nono. Dentre os protestantes destacaram-se nesta área: os dois Buxtorfius, Surenheim, Vitringa e Schoetthenius.

Os Bolandistas iniciaram a crítica científica a respeito da hagiografia ou das vidas dos santos, partindo das orientações de De Launnoy. Daniel van Papenbroeck é contado como um dos pais da diplomática, ramo da História que aquilata a autenticidade interna e externa de um documento. Também os beneditinos de S Maur Montfaucon, Mabillon, Poetavius, Calmet, etc dedicaram-se a copiar, analisar e publicar documentos antigos, mormente sobre a História da França. Mabillon destacou-se na área da paleografia que é a leitura de documentos antigos e Poetavius foi pioneiro na área da Cronologia. Calmet, a exemplo de Ambrósio Calepino foi Dicionarista.

Alias a primeira Enciclopédia propriamente dita foi elaborada por um eclesiástico medieval Vicente de Beuvais. 

Pe Duchesne estudou as origens do culto Cristão. Os Padres Batiffol Amman a vida cotidiana dos primeiros cristãos. Festugière as relações entre a Filosofia antiga e o Catolicismo nascente, via igualmente explorada por Wener Jaeger em "Paidea grega e paidea Cristã". John Lingard escreveu detalhadamente sobre a Igreja antiga da Inglaterra, Abraão de Achel ou Achelense dedicou-se a historiar a Igreja do Líbano, Síria e Palestina (Sendo continuado pelo prolifico José Assemani), Monceux a Antiga Igreja do Norte da África e Graff a da Peninsula Arábica e Yemen. Noris escreveu a história do pelagianismo, Newmann a do arianismo e Marcelino Menendez y Pelayo a dos Heterodoxos espanhóis. A Historia dos monges do ocidente foi escrita por Montalembert. A História da Eutáxia (litúrgia ou culto de adoração) por Prospero Gueranger. A História da ação social da Igreja ou da caridade por Baudrillart.

As Catacumbas de Roma foram meticulosamente analisadas e estudadas por Antonio Bosio, Ugonio, Boldetti, Marangoni, Aringhi, D Agincourt e De Rossi, dentre outros. Tais descobertas e estudos foram tão fecundos que Marucchi pode publicar uma obra intitulada: 'A igreja protestante perante a Igreja das catacumbas.' Ludwig Von Pastor compôs sua monumental 'História dos papas' romanos em 30 volumes e Jaffé editou as Bulas e enciclicas dos mesmos papas.

A personalidade de Lutero foi cientificamente deslindada pelos padres Hartmann Grisar e Hienrich Denifle, e um aluvião de documentos inéditos publicados. Os símbolos protestantes haviam sido publicados por Schaff (protestante) juntamente com os símbolos antigos e sido criticamente analisados por A Mohler na 'Simbólica'. O impacto da reforma protestante sobre a sociedade alemã foi exaustivamente analisado por Doellinger e sobretudo pelo padre Janshens na "História do povo alemão" primeira obra consagrada a História cultura e que acabou servindo de modelo a História de Lamprecht. 

Jean Paul Migne montou uma gráfica em que editou todos os padres da Igreja em centenas de volumes. Funk, Tixeront, Permanender, Bardewaver, Quasten, Nautin, Altaner, Trevijano, Frayssinous, etc editaram epítomes dos padres.

Entre os protestantes a Historia eclesiástica foi cultivada com sucesso por Gieseler, Neander, Tholuck, Préssense, etc

Do lado romano, o convertido Hurter, alistou todos estes escritores citados e outros tantos milhares em seu Nomenclator theologicus, que é uma espécie de enciclopédia de escritores ortodoxos, romanos e anglicanos principiando pelos padres da Igreja. (294 Psss)

Mesmo após o predomínio do positivismo e, em seguida do marxismo nos domínios da Historiografia, os Católicos não deixaram de fazer escola com Capefigue, Barande, F de Coulanges, Hanotaux, Georges Duby e outros na França; com  Crhistopher Dawson, Hilaire Belloc, Bede Jarreth, Lewis Whydhan, Will Durant e Paul Johnson na Inglaterra. O Norte americano Th Woods autor da monumental obra "De como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental". O irlandes Th Cahill autor de outra obra não menos interessante, intitulada: "A Irlanda salvou a civilização Ocidental".

Dentre os liberais ou incrédulos que faziam parte da comunhão dos luteranos, escreveram sobre tais assuntos: Paulus, Chr Baur e sobretudo Strauss. Todas estas obras compostas pelos alemães foram sistematizadas pelo incrédulo Francês Ernesto Renan em suas "Origens do Cristianismo".

Percebendo os liberais ou incrédulos que a quase totalidade dos argumentos favoráveis a instituição Cristã eram tomados da História, optaram por invadir este campo e declarar guerra ao Cristianismo, suas fontes e credenciais, produzindo uma História anti Cristã e portanto sectária. 

Nem erraram eles, nem errou Marc Bloch.

Religião essencialmente histórica ou de historiadores resolve-se o Cristianismo no campo ou terreno da crítica histórica adquirindo pujança e solidez sem iguais. 

Um Cristianismo tradicional passado de pai para filho legado familiar (A maneira de um imóvel, de um automóvel, de um sofá ou de uma mesa...)... Um Cristianismo pautado no sentimentalismo difuso, no emocionalismo desbragado, no subjetivismo crasso ou no fetichismo ingênuo... Um Cristianismo místico pautado em delírios de natureza patológica...Um Cristianismo imediatista interessado em milagres ou supostas 'graças'... Um Cristianismo popular ou festeiro ou um Cristianismo puramente exterior ou ritualista e formal... Não será capaz de resistir as críticas que contra ele se levantam a maneira de um dilúvio...

Nossa fé ou será pujante, ampla, profunda, consciente, esclarecida; ou não será.

A incredulidade, o materialismo e mesmo o ateísmo aumentam dia após dia porque os fundamentos postos ao nosso Cristianismo, ao Cristianismo contemporâneo são aqueles mesmos designados pelo apóstolo quando disse que haveriam de ser queimados e destruídos: palha, papel, madeira, estopa, etc

E é verdadeiramente impossível que tais bases não sejam pulverizadas com o passar do tempo vindo a desabar fragosamente tudo quanto esteja edificado sobre elas.

Disse Jesus: "O homem prudente constrói sua casa sobre a rocha."

Posta sobre a areia a casa vem abaixo e posta sobre a lama ou o barro afunda-se. Em termos de solidez tudo depende dos fundamentos. 

A rocha sobre a qual esta edificada nossa santa fé, a fé Ortodoxa e Católica é a rocha da História; logo é a demonstração histórica que devemos recorrer, certos e convencidos de que nem o judaísmo nem o islamismo se lhe podem equiparar neste terreno.

Portanto se a igreja é de fato fundamental a História da humanidade; a História também é fundamental para a subsistência da Igreja no mundo.

A Filosofia fornece-nos apenas um preâmbulo de natureza genérica, concernente a veracidade do conhecimento humano e a existência de Deus. O qual também pode ser aproveitado pelo judaísmo e pelo islã.

Por sua própria natureza ela é incapaz de ultrapassar o pórtico.

Por limitação de objeto ela mesma recusa-se a os umbrais e conduzir-nos ao santuário da Verdade que é o Verbo Encarnado Jesus Cristo.

A Filosofia se dá por satisfeita com aquilo que a razão nos oferece: Deus e a imortalidade (Dada por verdadeira, quanto a este último item a demonstração Ética). Não sente necessidade daquilo que definimos como fé.

Caso estejamos dispostos a prosseguir e a fazer a grande aposta de Pascal temos de escolher outro guia.

A partir daqui o guia ou pedagogo que nos acompanha é a 'mestra da vida' ou seja a História.

Eis porque principiaremos, a partir de hoje, a escrever a História da Instituição Cristã partindo de seus mais remotos primórdios que são as profecias, até o tempo presente ou seja o ano 2013.

Rogamos ao amigo leitor, que seja compreensivo, benevolente e tolerante quanto a forma, por vezes descuidada, tendo em vista nossas múltiplas ocupações e trabalhos. Fixe pois a mente nas informações comunicadas ou no conteúdo. Na noz e não na casca!

Que pelas intercessões da Sempre Virgem Maria e de todos os Santos Vitoriosos amigos seus, o Senhor e Deus Jesus Cristo nos abençoe e guarde em sua divina graça para toda a eternidade.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, Trindade Sante e Único Deus verdadeiro: como era no principio, agora, sempre e pelos séculos, dos séculos e séculos. Amin!!!






Santo Deus, Deus Forte, Forte Imortal tem piedade de nós e salva-nos com a tua graça!





Ps: As perguntas podem e devem se feitas nos comentários. Sintam-se a vontade e sem qualquer tipo de constrangimento.














sábado, 18 de abril de 2009

Criador dos céus e da terra




Do fato de terem os antigos padres apresentado Deus como criador, não de deve o Cristão, de modo algum, deduzir que a Ortodoxia seja criacionista, a exemplo do protestantismo e suas seitas bíblicas.

Afinal os padres não explicitaram como Deus teria criado o mundo e de modo algum referendaram
a narrativa hebraica contida no livro do Gênesis.

Não, a letra do símbolo não impõe aos filhos da igreja qualquer doutrina de caráter fetichista como o mito de Adão e Eva, alias tomado a mitologia sumeriana e a religião pagã.

Podemos pois admitir que o Deus do Evangelho cria por meio da evolução ou através das leis sábias e inteligentes que estabeleceu e por meio de um processo. Processo por meio do qual os organismos, a princípio simples, vão avançando sucessivamente em complexidade.

Da primeira célula vida ao homo sapiens sapiens com suas bilhões de células cerebrais, medula e glândulas de secreção interna.

Todas estas sucessivas transformações ocorreram sem que o Deus sábio e perfeito precisasse interferir 'a posteriori' a guiza de corrigir qualquer coisa. Isto pelo fato de Deus, sendo onisciente, não proceder como os homens por meio de acerto e erro. Estabeleceu as leis segundo os fins que desejava colimar, e... Segundo tais leis, a cabo de um bilhão de anos, apareceu o homo sapiens, não como algo a parte da natureza, mas como algo na natureza ou como parte dela.

Criou portanto, o nosso Deus concebendo e dirigindo um processo evolutivo. Não improvisando ou ensaiando, não buscando ostentar vaidosamente o seu poder mas manifestando a luz de seu Intelecto.

De modo algum produziu os céus e a terra num passe de mágica, duma única vez, mas organizou os elementos, fazendo cessar o caos e prevalecer a ordem.

Eis porque a contemplação da ordem e do grau de complexidade existentes neste universo, basta para reportar-nos a uma mente ou consciência (Nous) nos mesmo termos que um Anaxágoras. 

Nem poderíamos admitir que o caos ou a desordem tenha produzido a ordem uma vez que é suma negação. Como do turbilhão caótico e evolver confuso dos elementos poderia surgir este Universo estável e mais, as leis que regularam a evolução dos seres que nele habitam?

Como poderia manter-se este universo numa direção e até avançar nela e evoluir sem tornar aos Caos e a desordem senão por meio de uma força ativa e inteligente?

Por mais sofisticado que seja um automóvel que acontece a ele caso o condutor desmaie ou o abandone em pleno movimento? Logo como poderia este nosso universo, algo bem mais complexo do que um simples automóvel, subsistir sem o 'piloto automático' fixado por uma mente e mantido por seu poder???

Por Criador compreendem os Cristãos aquele que organizou a matéria - Dispondo-a como um Cosmos - e mantém o Universo. O organizador e mantenedor, esse é Deus.

Do fato da criação da matéria ou de sua existência em Deus deduzimos que seja algo Bom,e consequentemente, que todas as criaturas materiais sejam boas - "Deus chamou ao elemento árido TERRA, e ao ajuntamento das águas MAR. E Deus viu que isso era bom." (alias afirmação repetida cinco vezes) - que nossos corpos sejam bons, que os órgãos sexuais sejam bons e que a própria sexualidade humana seja boa.

Daí nos opormos decididamente ao maniqueísmo e postularmos ao menos a possibilidade da Encarnação. Daí questionarmos a falsa moralidade judaico 'cristã' que afirma a indignidade do corpo, nega a sexualidade e reprime impulsos e desejos que são absolutamente naturais.

Logo tanto a nudez, quanto a sexualidade humana devem ser encaradas como naturalidade. Nem divinizadas nem demonizadas mas encaradas como partes dignas da existência humana.

Deduzimos ainda, a partir dos mesmos princípios, que o mal inexista enquanto entidade real, não passando de mera privação do Bem conforme ou de desconformidade com relação ao Bem (A Lei divina) tal e qual sustenta o Santíssimo Orígenes no Livro dos Principios e o Bispo de Hipona no Livro Contra Marcion sobre a lei e os profetas.

Por isso o mal precisa da consciência para existir no homem apenas enquanto desvio da vontade. Em si mesmo, enquanto entidade positiva inexiste.

E quando o homem reconciliando-se com o Sumo Legislador e conformando-se com a Lei eterna da consciência cessa de prevaricar, o mal cessa de existir.

Assim quando todos os mortais ou a humanidade como um todo aderir a Lei de Jesus Cristo, o mal será completamente aniquilado deste universo, cessando de existir para sempre. Neste grandioso dia Deus será tudo em todos. 

Pai





"Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome." Mt 6,9



Não a maior revolução no que diz respeito a natureza divina não foi a afirmação e triunfo do monoteísmo, como acredita a maior parte dos homens, mas certamente a afirmação da Paternidade de Deus feita por Jesus de Nazaré há cerca de mil novecentos e poucos anos.

Ali menos uma mutação em termos de quantidade, o que é relativamente importante.

Importante é reconhecer que Deus seja um só, uma vez que esteja perfeitamente cônscio a respeito do caráter do Uno.

Afinal de bem pouca valia seria ficar com um Assur, com um Javé, com um Zeus ou com um Quetzalcoatle. E teríamos ai um Uno muito, mas muito desagradável.

Logo mais importante do que apresentar a divindade como Unidade é apresenta-la como correspondendo ao Sumo Bem.

Um deus malvado será sempre uma diabo ou demônio, jamais Deus.

Um deus rancoroso, colérico, vingativo, repressor, policial, etc jamais passará de imagem equivocada construída pelos homens, será sempre ficção, não Deus.

Ademais, se há algo que os homens adoram, a atribuir a divindade seus mais baixos instintos - Como o desejo de vingar-se - e de projetar nela os crimes que aspiram cometer. Concebendo assim deuses assassinos, impudicos, mentirosos, etc Claro que não há Deus algum em tudo isto.

Percebei agora como o altivo senhor javé devia ser suplantado ou morto para que o Deus verdadeiro triunfasse!

E o coveiro de javé outro não senão o Senhor Jesus Cristo.

E já declarei em diversas ocasiões que o mero 'homem' Jesus - Dado que não fosse igualmente divino - é certamente muito mais elevado que javé e ala em termos de moralidade ou ética.

Que pensar sobre um deus rancoroso que jamais perdoa ou limita sua misericórdia e sobre um Homem que manda-nos perdoar setenta vezes sete vezes???

Percebem como o dogma da paternidade de Deus comporta um elemento totalmente novo e revolucionário???

Busquemos então explora-la e compreende-la o quanto seja possível.

Antes de tudo devemos considerar que o vínculo entre Pai e Filho é vínculo natural concretizado por meio da geração. Por meio da geração o Pai comunica ao Filho sua própria essência. Eis porque a caninidade é transmitida somente por um cão e a felinidade comunicada apenas por um gato. Gatos não geram cães, cães não produzem gatos e ratos não engendram leões! Pois o laço existente entre pais e filhos é a comunicação da essência. Gerar é fazer existir dentro duma condição dada.

Assim a divindade excelsa só poderia gerar algo divino e não algo humano. Afinal somos criaturas e não entidades divinas!

Neste caso que geração há em Deus e de que modo somos ou nos tornamos filhos seus?

Calma lá, vamos por partes para ver se compreendemos.

Claro que Deus sendo Pai deve ter um Filho divino, eternamente gerado por si e da mesma essencial sua o co existencial. Agora quem será este tal Deus Filho que não o conhecemos por meio da razão?

Homem houve, uma apenas, que ousou apresentar-se como Filho Único de Deus o Pai, viver como um Deus sobre a terra e morrer segundo viveu. Tal Jesus de Nazaré para o Dr Binet Sanglé um doido varrido para bilhões de seres humanos exatamente aquilo que afirmava ou dizia ser. O Deus encarnado, a pessoa do Filho eternamente gerado.

Eis o candidato.

Examinem-no, pois não teme ser examinado.

Apontai seus crimes, pecados, maldades...

Direi apenas que os divinos Sócrates e Aristóteles com as mais excelentes doutrinas que amente humana jamais conceberá e após terem envidado um esforço colossal não puderam salvar o mundo antigo da catástrofe e da destruição.

O Cristianismo antigo é que retomou os ideais afirmados por estes dois grandes homens e levou-os adiante realizando-lhe ao menos em parte o plano traçado por eles. Tal a República bizantina dos séculos IV a X com uma plêiade de instituições destinadas a promover e resgatar a dignidade da pessoa humana em todos os sentidos: Orfanatos, Jardins de infância, Escolas, Universidade, Dispensários, Ambulatórios, Hospitais, Hospedarias, Asilos, Museus, Bibliotecas, etc Magnífica esta civilização bizantina em sua época de ouro ou desabrochar (século IV) e não penso que ficasse a dever qualquer coisa a Atenas, exceto quanto a forma ou estrutura democrática.

Além disto indicou ele como fundamentos da nova cidade ou da nova república, o amor ao próximo e a capacidade de identificar-se com o outro.

Entre o desequilibrado e o divino, aposto no último conceito.

Localizamos o Filho do Pai, eternamente por ele gerado.

Deus de Deus, pessoa ou Realidade divina com seu Pai e o Espírito Santo.

Eis o Filho Natural do Pai. Eis seu Filho único.

Neste caso por que teria ele o Cristo ensinado os Cristãos a evocar deste Deus como Pai?

Sendo Filho natural, partilha seu dote com os mortais e pela fé, esperança e caridade nos faz participar de sua natureza. Pelo Santo Sacramento do Batismo, aqueles que acreditam no Legislador e Mestre Jesus Cristo tornam-se filhos adotivos assumidos pelo Pai. Tornam-se filhos nele e por ele Jesus Cristo enquanto membros seus, cuja natureza e condição quis assumir ao Encarnar-se!

Somos filhos adotivos do Pai e por ele assumidos por intermédio do único Filho natural. Tal a dignidade dos Cristãos batizados!

Que implica isto?

Não somos meros homens apenas mas participantes doutra geração e duma geração ou princípio superior e incorruptível. Somos filhos do céu e não apenas da terra.

Por natureza filhos dos homens, dos ancestrais, dos antigos; designados simbolicamente pelo termo 'Adão'  fomos misticamente reformados por outro princípio comunicado por Jesus Cristo, por sua amizade, por sua comunhão, por sua unidade. Aproximou-se Jesus Cristo tal modo de nós ao fazer-se homem a ponto de poder viver naqueles que creem nele e de implanta-los com ainda mais intensidade em si mesmo.

Aparelhos que éramos, desligados da tomada e incapazes de trabalhar, podemos agora, após termos sido religados, trabalhar inalteradamente, pois ele Jesus, é nossa fonte inesgotável de energia.

Se antes, sem ele, como ramos separados da videira, nada podíamos fazer, como ele tudo podemos fazer e assim viver como ele viveu na observância da Lei moral.

Pela adoção filiar fomos como que reativados para o bem e para a virtude, podendo florescer em santidade e perfeição. Tal e qual deveria ser um filho de deus!

Refeitos, restaurados, recriados, reformados e revitalizados internamente pelo Cristo nos tornamos outros tantos Cristos cópias suas. Dai o nome Cristão, o qual para nós latinos sabe a aumentativo...

Doravante, enquanto filhos não somos servos porque são categorias diferentes. O servo teme seu senhor. O Pai ama o Filho e o Filho ama o Pai, é outra relação, totalmente distinta. Por isso o apóstolo proclama: O amor lança fora o temor.

A quem no entanto devemos temer por ser capaz de remeter o homem ao juízo e a punição? Ao pecado e a maldade, isto é o que Jesus Cristo nos ensina a temer em verdade.

E quanto a Deus, que diz ele?

"Que pai humano ao ouvir o filho pedindo um ovo lhe dará uma pedra? Ou que ouvindo-o pedir um peixe lhe dará uma serpente? Que direis então do Pai e Deus celestial?"
Eis o que diz Jesus Cristo, querendo significar que de Deus procedem apenas as coisas boas e excelentes. Daí ser cognominado Pai das luzes.

Do homem é que procedem os males e pecados pelos quais a morte da mente entrou no mundo já dizia o livro greco judaico da Sabedoria.
Diante disto temer o que?

Certamente só nos resta pagar com amor aquele que nos ama e obedecer-lhe, e observar-lhe os mandamentos, os quais 'não são pesados'. 
E para poder observa-los regularmente e honorificar nossa condição adotiva, enquanto filhos de Deus, clamemos cheios de fé e esperança:

"PAI, PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS, SANTIFICADO SEJA O VOSSO EXCELSO NOME."


Os ídolos 'Cristãos'



Os Cristãos, e mais particularmente os judaizantes e sectários, amiúde relacionam o termo ídolo com uma estátua, simulacro ou representação, querendo significar qualquer divindade pagã ou politeísta.

Evidentemente que as representações cultuadas no lugar do verdadeiro Deus são ídolos.

Divindades pagãs a exemplo de Astarte, Kemosh, Sobec, Zalmoxis, Atargatis, Cibele, Priapo, Pan, Unias, Tinias, Latona, Jano, Rovigo, Endovelico... São verdadeiros ídolos.

E no entanto o conceito de ídolo é bem mais amplo do que o simples conceito de estátuas ou de deuses convencionais.

E assim o conceito de idolatria.

A qual pode assumir diversas formas, algumas das quais bastante sutis.

Aos cristãos civilizados e nominais é sumamente agradável imaginar como 'vis idólatras' aos bosquímanos ou pigmeus curvados diante de seus postes, totens ou árvores sagradas.

A imagem de uma aborígene prostrado diante de uma tosca imagem talhada na rocha é convencional e bastante popular até.

Fácil é enxergar o veneno da idolatria em outras culturas e imaginar que somos puros porque vamos a liturgia todos os Domingos prestar culto ao Deus verdadeiro.

Damos um dia ou melhor algumas horas a Deus, vamos a Missa ou ao culto, rezamos, entoamos hinos de louvor, cantamos, salmodiamos, buscamos lisonjea-lo por meio de expressões pomposas e palavras bonitas, depositamos alguns cobres na caixinha e por fim retornamos a casa para viver como pagãos durante os outros seis dias da semana. Ouvimos o Evangelho no Domingo para esquecer-se dele de segunda a sábado e viver como de Cristo não existisse ou nada fosse.

Não, nós não temos buscado - ao menos a maioria de nós - viver o Evangelho, a Liturgia, a Missa sete dias durante a semana, trinta dias por mês e trezentos e sessenta e cinco dias ao cabo de um ano. Não temos buscado ser palavras vivas de Deus, prece continua ou louvor verdadeiro e nossa religião não tem passado de puro vanilóquio, de flatu vocis, de palavras vazias, de discurso sem conteúdo. Buscamos honorificar a Deus com nossos lábios, abrimos a boa para enaltece-lo, mas nossos corações... Não esta não é a religião de Cristo mas dos escribas e fariseus.

Mesmo quando adentramos nas belas catedrais e contemplamos o Redentor pregado na Cruz e sua abençoada mãe e seus apóstolos, o espírito venenoso do comodismo nos acompanha e contamina tudo.

Temos uma religião com hora marcada. Temos hora certa para ir a igreja e adorar a Deus. Não isto não é nada mal, a menos que não nos demos por satisfeitos e busquemos ir além.

Do contrário nós não somos melhores que os idólatras.

E por que?

Porque temos acesso ao Deus verdadeiro e não o tomamos a sério.

Mas como?

Deus não é nosso Legislador e não exerce seu domínio sobre nós.

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Sim caríssimo leitor, afinal não buscamos viver o Evangelho, mas cada qual, de segunda a sábado busca viver a sua maneira ou conforme seu critério, sem jamais reportar a consciência a Jesus Cristo.

Duvidas?

Quantas vezes ao lidar com o próximo, numa situação difícil perguntou a si mesmo: Neste caso que Jesus faria ou que orientação poderia tomar ao Evangelho???

Somos ouvintes e não praticantes da palavra e ser ouvinte não basta.

Afinal quem ouve as palavras sagradas do Verbo Jesus e não busca coloca-las em prática é como quem construiu uma habitação sobre a areia e não uma casa para a eternidade.

E no entanto ali mesmo nesta Lei que ouvimos ser recitada ou cantada a cada Domingo esta a vida eterna!

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Mas que o leva, professor, a tecer acusações tão séria e tão graves?

Observai leitor amigo: Temos não apenas pobres em quantidade mas miseráveis e muitos miseráveis.

E???

Os Sagrados Atos dos Apóstolos referem que na primitiva comunidade ou no embrião da Igreja Católica não haviam necessitados, e que os fiéis tudo tinham em comum.

Há portanto significativa diferença entre a igreja dos apóstolos e a igreja apostólica do tempo presente, os ideais entraram em declínio.

Antes não existia miséria entre os santos, depois foi apenas tolerada a contragosto, hoje é encarada como algo absolutamente comum - que hajam fiéis, servos de Jesus Cristo, adoradores verdadeiros, cristãos batizados, filhos de Deus, nossos irmãos passando fome, sede, frio, necessidade!

E no entanto somos todos filhos de Deus, membros da igreja, membros de Jesus Cristo e membros uns dos outros. Logo como permitimos que um membro nosso passe fome ou experimente necessidade? Como podemos deixar de nos sentir incomodados com isto? Como não sentir nojo da opressão que nos rodeia? Como deixar de reconhece-la como um fenômeno não Cristo ou melhor anti Cristão, tão anti Cristão quanto a heresia, tão anti Cristão quanto o arianismo, tão anti Cristão quanto a ateísmo, tão anti Cristão quanto o politeísmo! TAL O ESCÂNDALO DA MISÉRIA ENTRE OS CATÓLICOS!

E no, dirás tu, homem mau, que Jesus Cristo nosso Bem, disse aos apóstolos que sempre haveriam pobre no mundo.

Se sabes que o termo sempre é relativo aos apóstolos e a duração de suas vidas, saber alguma coisa.

Agora se sabes que eles, os apóstolos, sempre haveriam de encontrar pobre e oprimidos - como ainda hoje os encontramos - nos domínios da gentilidade, então desfizestes a xarada!

Nem disse que aqueles pobre seriam Cristãos, nem disse que tal estado de coisas (A miséria entre os Cristãos) haveria de perdurar eternamente; mas que ao percorrem as nações pagãs em busca de prosélitos os apóstolos jamais deixariam de encontrar pobres; e nós também.

Pois a tarefa de estabelecer a justiça eliminando a miséria é precipuamente Cristã e imposta pelo Santo Evangelho.

E no entanto esperas que a Igreja de Cristo tolere a miséria em seu próprio seio e que semelhante estado de coisas prolongue-se para sempre. Então que espécie de Cristão és tu?

Quem foi que te disse que podes ou deves encarar o teu irmão, filho de Deus e servo de Jesus Cristo como uma ameaça, como um concorrente ou como um rival? Quem te disse ou ensinou que a livre concorrência deva substituir ou suplantar a fraternidade? Quem te instruiu a não se preocupar com o teu semelhante? Quem te autorizou a desprezar o tem próximo? Quem te constituiu para que julgues ou condenes o outro? Quem te concedeu o direito de classifica-lo como inapto, frustrado, moleirão ou vagabundo???

Certamente que os gentios podem fazer tudo isto, e podem ser excelentes individualistas, darwinistas sociais ou egoístas! Mas tu oh Cristão??? Tu Ortodoxo para quem egoísmo e avareza constituem pecados diante de Jesus Cristo! Tu Católico que és chamado ao amor, ao perdão, a compreensão, a benignidade??? Quem és tu para viver a moda dos ateus, materialistas, pagãos e publicanos??? Tua insensibilidade reprovada pelo Evangelho te torna pior e mil vezes pior do que um politeísta!

Principia portanto, oh homem mau, elencando quais são as idolatrias que dispensam representações!

Sabendo que todas as vezes que no teu coração colocas qualquer coisa no lugar de Cristo ou acima de Jesus Cristo, és vil idólatra!

Quem ama mais a sua mãe, o seu pai, ou seu cônjuge, ou mesmo seus filhos ACIMA DE MIM, NÃO É DIGNO DE MIM!!!

Coisa nobre e excelente são os laços de amor, coisa nobre e excelente é a família, seja qual for sua forma; coisa nobre e excelente é o lar; no entanto se ousas colocar os teus entes queridos, os teus parentes, os teus amigos, qualquer ser humano, qualquer afeição como dia a 'Imitação de Cristo' acima do Mestre e Senhor Jesus Cristo não passas de vil idólatra com todas as tuas missas, rezas, orações, louvores, cânticos, e tudo mais!

Que dizer então daquele que colocas os 'bens' materiais, as coisas, os objetos acima da família, ou o que é ainda pior acima de Nosso Senhor Jesus Cristo???

Pois aquele tem um automóvel entronizado em seu coração, aquele um imóvel, aquela algumas jóias de brilhante, esta outra seus vestidos e este ainda sua moto!

Se qualquer coisa que não Jesus de Nazaré ocupa o centro do teu coração ou da tua vida permita chamar-te de facínora ou de fanfarrão!

Se o principal objetivo da tua vida consiste em obter bens e coisas materiais e não em obedecer e honrar o Senhor Jesus Cristo tua alma é pagã!

Certamente deves te esforçar por conquistar tua realização pessoal, teu espaço, teu conforto; mas sempre em absoluta conformidade com a Lei de Jesus Cristo, sempre de modo honesto, correto, decente, ético; e não 'custe o que custar' ou a qualquer preço.

Se pisas nos teus semelhantes e encara-os como meros objetos de modo algum és Cristão. Se acreditas que os fins sempre justificam os meios não és Cristão. Se julgas que podes enganar, trapacear, empregar a calúnia, denegrir, intrigar... certamente não pertences a Jesus Cristo!

Mas fulano de tal...

Mas fulano de tal ou não é Cristão ou é mau Cristão...

Não chegamos ainda ao fundo do poço, nem pusemos o dedo no fundo desta ferida ou melhor desta chaga purulenta que infecciona o corpo de Jesus Cristo fazendo alastrar a corrupção! Ainda não relevamos a gangrena a olhos nus! Ainda não expusemos o horror da putrefação! Ah membros cadavéricos e mortos do Senhor! Ah ramos cortados, secos e postos ao fogo! Oh partes necrosadas da igreja, que ja se acham em estado de decomposição!

Eis o que são aqueles que substituíram oficialmente e publicamente a Lei do Evangelho por esta nova Lei blasfema do mercado financeiro que justifica todas as ações e operações do Capital! Se vosso Evangelho é Mises, apartai-vos de Jesus Cristo e retirai-vos da Igreja a que poluis, ide para as trevas exteriores que é vosso lugar! Se vossos apóstolos são Menger, Haiek, Fridmann, Rotbarth, Rand, Molinari, Bastiat ou Stirner as únicas palavras com que voz posso brindar são estas: VÁ DE RETRO SATANÁS!!!

Se o lucro, o capital, o dinheiro, as necessidades financeiras, o espírito da avareza enfim; ocupam tem coração chegastes ao abismo mais profundo da vil idolatria! Idolatria em comparação com a qual a idolatria do Bosquímano, do Dieguito ou do Alacalufe é mera palha ou ponta de Iceberg. Se regulas tua vida pelos princípios da ideologia capitalista e não pelos sagrados princípios do Evangelho, és idólatra. Pois tua Lei é o interesse financeiro e não o serviço fraterno impulsionado pelo amor.

Mas Jesus Cristo jamais falou sobre economia...

Certamente. E no entanto a economia é atividade humana. E no entanto toda atividade humana deve ser regulada pela Ética. E no entanto a fonte de ética para os Católicos é o Evangelho, seguido pela tradição apostólica.

Mas, mas, mas... Cessa com este palavrório vão e abre o Evangelho:

"NÃO ACUMULEIS TESOUROS NESTE MUNDO... ANTES JUNTAI TESOUROS NOS CÉUS."

"NÃO PODEIS SERVIR A DOIS SENHORES - NÃO PODEIS SERVIA A DEUS E A MAMON (RIQUEZAS)"

"É mais fácil uma corda passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus."

Agora dizei-me qual seja o objetivo do sistema capitalista e calai a boca!

Pois se achar que a busca pelo 'lucro máximo' ou o acumulo ilimitado de bens materiais é perfeitamente compatível com as sentenças acima, bem... Então já é caso de psiquiatria - Charenton, Salpetriére e Bicetré estão esperando!

Poderia citar ainda a Pedro, Paulo, Tiago, João... com o objetivo de condenar a nova idolatria materialista ou o império do deus milhão!

E no entanto é coisa que facilmente se acha, como os oráculos dos antigos padres!

Mas por que raios não posso ser Bom Católico e Capitalista???

És teimoso!

E a ponto de querer conciliar Catolicismo ou a Lei de Jesus Cristo com materialismo!

Mas desde quando o Capitalismo é materialista?

Desde seus primórdios, desde sempre, desde que é irredutível a um controle ético ou humano, desde que não aceita ser regulado pela igreja.

Alias como não seria materialista se define o principal objetivo da existência humana em termos de acúmulo de bens materiais ou de dinheiro???

Como se alguém, sendo espiritualizado, pudesse consagrar sua vida a fim tão vulgar, tão baixo, tão rasteiro quanto juntar dinheiro ou fazer fortuna!

Bela espiritualidade essa!

Se você pensa mesmo que o homem foi feito para o Mercado e não o Mercado para o homem ou seja para a satisfação das necessidades humanas em geral, como pode ser contado entre os seguidores de Jesus Cristo???

Nosso coração esta inquieto oh Deus Santo até que em ti repouse!

Portanto se teu coração repousa na dinâmica do Mercado, sabemos qual seja o teu deus! Aquele a quem cultuas e obedeces!

Aos Cristãos a Lei do Evangelho, enquanto fonte mais pura e cristalina da vida Ética. Aos Católicos a LEI do amor e da justiça. Aos ortodoxos a LEI suprema da alteridade e da empatia!

Do contrário, colocando qualquer outra coisa no lugar de Jesus Cristo, tereis ídolos mesmo quando afetais tributar-lhe um culto espiritualizado, neo platônico e isento de representações.

Tal o mal do século - Uma idolatria dissimulada e sutil, isenta de formas, desprovida de representações, sem ídolos, estátuas ou imagens, afetando espiritualidade.

Há ídolos ai, ídolos que não percebemos, que não enxergamos, que não vemos! Ídolos invisíveis, enfiados nos corações!

Guardai-vos portanto de hostilizar os idólatras sinceros, de julga-los, de condena-los... Pois com a mesma medida que medirdes sereis medidos por Deus!

Olhai antes para dentro de vós mesmos e depois para esta sociedade que ainda ousa apresentar-se como Cristã... Refleti e fazei exame de consciência. Depois, apenas depois, com a consciência limpa e as mãos puras erguidas em direção dos céus, fazei galas de vossa Ortodoxia e recitai nossa profissão de fé imaculadamente! Não profaneis o símbolo santíssimo com vosso comodismo!

Os delírios da mitologia

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Faz parte do discurso atual ridicularizar ao máximo a 'mitologia' Cristã ou Católica enquanto se 'passa ao largo' da mitologia hebraica (Assumida pelos judaizantes alias) e mais ainda da mitologia grega. Quanto a esta última por sinal há inclusive quem chegue as vias da Apologia... Como na série Percy Jackson.

Longe de nós negar ou mesmo menosprezar a Filosofia grega não apenas enquanto monumento literário, mas enquanto construto social, repositório de figuras simbólicas, fonte de temas psicológicos, etc Nós mesmos somos professores de Mitologia Clássica e admiradores confessos seus enquanto expressão literária, social e psicológica.

Coisa completamente diversa é encara-la sob o prisma religioso ou como entidade real. A exemplo dos neo pagãos.

Curiosa a atitude da neo modernidade face ao 'problema', o Cristianismo é ferozmente atacado e reduzido ao absurdo por apresentar Um só Deus feito homem e nascido miraculosamente duma Virgem, enquanto todos os devaneios da mitologia grega são poupados!!!

A questão até pode parecer irrelevante mas não é.

Afinal quem haveria de levar a Mitologia grega a sério?

Aqueles que sem terem abraçado a fé ateística ou materialista, desencantaram-se com a Mitologia hebraica, levianamente associada a fé Cristã.

Especialmente as crianças, os jovens e as pessoas mais imaginativas.

Eu mesmo, enquanto educador e conferencista, após ter abordado determinada narrativa mitológica, tal como a Medusa, o Pegassus, a origem de Afrodite, os repastos do croniana, a origem de Ops, etc, tenho ouvido regularmente a seguinte pergunta: Mas professor, isto aconteceu mesmo? Ou ainda: Mas isto é real professor?

E eu havia acabado de descrever como após a castração de Urano por seu filho Cronos - cujas partes foram lançadas ao mar - de seu esperma mais a espuma do mar, brotou uma deusa, Afrodite. Alias a narrativa não seria menos absurda caso disséssemos que das partes de Cromos mais a espuma do mar saíra uma mulher comum??? Desde quando de sangue ou esperma mais espuma sai uma criatura viva em estado de maturidade??? Quanto mais um ser racional????

E no entanto após haver relatado exatamente isto, ou como um deus engoliu seus próprios filhos ao cabo de anos a fio para num determinado dia, ao ser golpeado no estomago, vomita-los todos vivos, um após o outro. Seguindo-se a aterradora pergunta: Mas aconteceu mesmo? Foi real? Cronos existe? Pégassus existe? Cila existe? A Hidra existe? A quimera existiu? Existiu a Medusa???

É o que costumeiramente ouvimos da parte dos mais jovens. Inclusive quando aludimos a passagens das mitologias nórdica, maia, indiana, japonesa... as quais são ainda mais absurdas com seus homens/milho, deuses cegos, deuses esquartejados, deuses saídos do mar, das montanhas ou do Sol, etc Após cada narrativa segue-se a invariável pergunta: Mas é real? Formulada não por crianças pequenas ou por adultos a guiza de pilhéria, mas seriamente, tanto por jovens quanto por gente madura!

Admitamos que a Mitologia hebraica - A qual nada tem a ver com os mistérios do Cristianismo - tenha servido de introdução as demais mitologias (Pelo simples fato dos pastores e de alguns padres desmiolados terem ensinado os fiéis a acreditarem em mais narrativas). Em que ficam sendo menos ridículas ou absurdas? E por que não podemos viver sem elas, digo sem mitologias? (Apenas enquanto forma religiosa ou 'real').

Admitamos que a Mitologia hebraica seja absurda.

Em que isto torna as demais narrativas mitológicas excelentes ou dignas de crédito.

Mas o Cristianismo!

Pera lá, partamos do princípio, onde é que o Cristianismo nos ensina a crer em deuses, em deuses com vontades diferenciadas, em deuses que não apenas conflitam, mas que positivamente chegam as vias de fato, brigando, combatendo e lutando entre si???

Como poderiam ser 'infinitos' uma ver que a infinitude supõem exclusividade? E como sendo limitados e finitos podem ser propriamente divinos? Deuses é coisa que não pode existir, um conteria o outro, e nenhum deles seria Deus...

Por outro lado se é Deus, por meio das leis naturais que estabeleceu, Conservador do kosmos (I é da ordem que regula o universo 'relações constantes entre causa e efeito') como o triunfo de outro 'deus' e outra sucessão, e a introdução de outra mente e de outra vontade, poderia deixar de introduzir mudança nas leis naturais tornando-se o universo completamente caótico??? Não seria justa admitir que o triunfo de um novo deus acarretasse a substituição de um modelo de universo por outro e assim sua destruição???

Suponhamos ainda que o organizador e conservador deste universo seja um dentre vários e que tenha seu poder ameaçado. Neste caso, sendo atacado por outro ou por outros e tendo de despender tanta força em sua própria defesa como conseguiria manter este nosso universo inalterado e fixo? Enfim como essa luta ou disputa entre deuses beligerantes poderia deixar de acarretar a destruição do nosso mundo introduzindo sucessivas catástrofes???

E no entanto há bilhões de anos temos um Kósmos e mesmo um processo evolutivo que avança em determinada direção. Temos estabilidade e constância, temos regularidade, ritmo e sincronia, temos ordem; o que não nos parece indicar uma disputa pelo poder nos termos da Mitologia, a qual como já dissemos acarretaria a confusão geral e a dissolução dos elementos.

O Cristianismo a principio já se mostra superior a Mitologia - no terreno religioso - por postular o monoteísmo ou a existência de um só Deus, embora não sob a forma da transcendência absoluta, pois como os deuses do paganismo antigo, o Deus dos Cristãos é Deus presente e em contato com a imanência. É Deus envolvido com suas criaturas e não uma entidade totalmente separada e localizável.

Mas o Deus Cristo se Encarna ou se faz homem, dirás tu! Neste caso que diferença há entre Cristianismo e Mitologia?

A diferença já a apontamos - O Cristianismo como a Filosofia grega, não admite princípios paralelos ou conflitantes, não trabalha com o falso conceito (Absurdo) de deuses, não é politeísta, mas monoteísta.

Logo o que afirmamos é a encarnação de Deus e não a manifestação, a encarnação ou a reencarnação de diferentes deuses.

No entanto, replicarás, vocês Cristãos adotam o princípio Mitológico da Encarnação, o qual não se achava presente no judaísmo.

Coisa curiosa. Você censura o Cristianismo por adotar um elemento ou aspecto do paganismo e você mesmo adota-o 'in totum', admitindo inclusive deuses que não possuem existência real.

E no entanto você, admite, segundo a mitologia, que seus deuses ou celícolas assumam formas bem menos refinadas!

Assim o pai Zeus é sátiro, é pavão, é águia, é touro, é ganso, é cisne e é serpente, além de chuva de ouro e raio. Hera, sua esposa converte-se numa velha desgrenhada com o objetivo de enganar a rival Semele, Rea ou Cibele numa árvore, Atena em coruja, Leto em codorniz, Heracles num dragão, as irmãs de Faetonte em choupos, Ino numa vaca (depois virou deusa!), Aretousa em fonte, Narciso em flor, Alcione em golfinho, etc

Neste caso se você considera a Mitologia, com todos os seus absurdos clamorosos, como digna de crédito, por que raios censura os Cristãos por terem tomado um único princípio seu por verdadeiro?

Agora por que tomam o princípio da Encarnação por verdadeiro?

Poderia o amigo demonstrar que, admitida a existência de um Deus Bom e Todo Poderoso, fica sendo sua encarnação, impossível ou irracional???

Eis algo que os esforçados judeus e maometanos, adeptos da transcendência absoluta, ainda não conseguiram demonstrar sem cair na mais absurda e monstruosa das contradições.

Pois fazendo ostentação em torno da onipotência divina, asseveram que deus 'NÃO PODE' se fazer homem ou encarnar-se. Veja bem - DEUS NÃO PODE...

Agora para que Deus não possa fazer alguma coisa temos de provar que esta coisa ou ação seja ou pecaminosa. Pois quanto a isto estamos de acordo, não pode Deus fazer o mal (embora o deus dos judeus e maometanos possa pecar e fazer o mal!!!).

Todavia por que e em que assumir a matéria organizada por ele mesmo e na qual já esta presente seria mal ou pecaminoso???

É a matéria pecaminosa ou indigna? Neste caso por que teria o Deus sábio e perfeito produzido algo mal ou indigno?

Por outro lado, se enquanto obra divina é a matéria digna e boa, por que não poderia o Deus todos poderoso assumi-la?

Reflita, com isenção de preconceitos, e concluíra que nada, absolutamente nada de irracional existe no conceito de Encarnação.

Em certo sentido podemos dizer que o Catolicismo é genial justamente por ter reunido em si mesmo os dois aspectos mais nobres e elevados do judaísmo antigo (Bem como da Filosofia antiga) e do paganismo antigo - O monoteísmo e a Encarnação. Síntese brilhante por meio da qual o monoteísmo desprendendo-se do veneno da transcendência absoluta vincula-se mais ainda a Imanência, conciliando-se com ela. 

Abandonou assim o grande erro do paganismo que era o politeísmo, bem como o grande erro dos hebreus, muçulmanos (semitas em geral) e neo platônicos, a saber, a transcendência absoluta, a qual como vimos implica, necessariamente, separação e localização.

Portanto não fica sendo absurdo ou estúpido o Cristianismo por afirmar que o Uno se fez carne, assumindo a condição dos mortais com o nobre objetivo de beneficia-los?

Particularmente quando formulada por um neo pagão a acusação tem sabor de incoerência.

Na medida em que extasia-se com a ideia de deuses assumindo formas humanas (Assim Zeus tomando a forma de Anfiction com o objetivo de seduzir Alcmena , Atena assumindo a fora de Deífobos, Apolo manifestando-se como o pastor Adureto - 'Eis que descendo a terra apascentei os bois de meu hospedeiro e salvei sua casa da destruição.') e baixando a este mundo com o objetivo bem menos nobre de flertar... Por que sorris diante do Cristo, mas não diante de Apolo ou Hermes??? Que há de ridículo em Jesus que não fique ridículo, ou antes, que fique bonito neles??? E no entanto eles se manifestam como homens para namorar enquanto o Deus Único e verdadeiro manifestou-se entre os homens para mostra-se solidário e mostrar seu amor para com eles!

Assim tanto amou Deus o mundo que dignou-se vir a seu encontro para educa-lo, cura-lo e beneficia-lo espiritual, ética e socialmente.

E no entanto você continua a rir-se quando alegamos que pelo poder Supremo uma Virgem pode conceber e dar luz a seu Criador, de modo a fornecer aos mortais um sinal segundo de sua presença.

Considere porém que a Mitologia assim apresenta a concepção de Áries: A despeito de Zeus ter gerado por si mesmo uma filha, a saber a Virgem Atenas, pensamento seu; a senhora Hera desejando também conceber um filho sem a participação do esposo, engalanou-se e foi consultar o oráculo - Observem que a deusa vem a terra, pedir conselho a um oráculo! - o qual orienta-a do seguinte modo: Após teres adentrado no bosque encontrarás uma linda flor, dourada e desabrochada, assim que a encontrares, sem perda de tempo, senta sobre ela. Tendo feito tudo quanto o oráculo determinará, assim que Hera pôs-se de pé, deu com o menino - Áries - vagindo sobre a flor.

Acreditais além disto ou ao menos não considerais estranho, que Dionísio tenha sido gerado por três meses na panturrilha ou batata da perna de Zeus, seu pai; a qual por isso mesmo passou a chamar-se 'barriga' da perna.

Eis outra narrativa bastante esquisita, não a do Evangelho, afinal nosso Jesus não foi gerado numa panturrilha...

Pois caso Deus existe e seja Onipotente, que desatino há em fazer com que uma Virgem conceba e dê a luz a si mesmo??? Do contrário, não sendo Onipotente, não é Deus.

Tornemos no entanto a esses deuses, os imortais do Olimpo, aos quais inclina-se parte da humanidade atual. E perguntemos aos neo pagãos e simpatizantes como podem ser eternos e ter corpos materiais iguais aos nossos uma vez que nossos corpos materiais são resultados de um lento processo evolutivo peculiar a este planeta??? Teriam todos eles se encarnado??? Não é o que diz a mitologia? Então o que? Teriam corpos materiais e humanos desde toda eternidade??? Veja só ao absurdo que chegamos!

Absurdo dos absurdos pois sequer podemos afirmar que fossem dotados de corpos perfeitos uma vez que Deméter é descrita como sendo provida de quatro olhos, dois no lugar ordinário e mais outros dois acima deles, junto a fronte, além de dois chifres. E narra a mesma mitografia que Rea, sua mãe, assustou-se de tal modo que não queria amamenta-la. Já Árion, filho incestuoso de Deméter e Poseidon não passava de um cavalo, isto mesmo de um cavalo - Assim homens ao menos geram homens, mas os deuses pagãos geravam cavalos! Enfim o neto de Deméter, Zagreus; também é dado a luz em posse de um par de chifres.

Agora contemplem este Hefaistos, filho de Zeus e Hera o qual teria nascido coxo e com os olhos saltados, a ponto de ser lançado por sua própria genitora, Olimpo abaixo - Aos gritos de: Eis um monstro! - vindo a quebrar as costelas e ficar corcunda! Um deus coxo, corcunda e com os olhos saltados; mas onde esta a beleza disto???

Ousaras dizer-me que este ser disforme ao menos era dotado de uma alma - Se é que deuses tenham alma... - nobre, excelente, impassível e perfeita? Mas que! Vede como lamenta-se o 'deus': Por ser coxo, Afrodite, filha de Zeus, sempre me despreza e ama o horroroso Áries. 

Diante de tais narrativas quem não percebe que Evemeros estava coberto de razão quando declarou que os celícolas do paganismo antigo não passavam de homens e mulheres, reis e rainhas, príncipes e princesas deificados após suas mortes??? Os quais por isso mesmo eram dotados de corpos como os nossos, e não seres de natureza espirituais como os gênios e anjos imaginados pelos persas e semitas...

Acaso nosso Clemente não foi capaz de indicar onde se encontravam as zoanas ou sepulturas dos principais deuses? Indicando que não haviam passado de mortais poderosos?

Não se encarnaram no tempo e no espaço a semelhança de nosso Jesus, e tinham corpos materiais! Ou eram corpos... Acaso tinham alma ou espírito vivo como nós? Ainda aqui a mitologia não nos esclarece. Além de múltiplos limitados pela condição física ou material e portanto mais limitados ainda! Tais os deuses do paganismo antigo! Os quais com pouca habilidade podiam atuar fora do corpo, pelo simples fato de aparentemente não possuírem uma dimensão espiritual ou uma simples alma???

Eis porque, mesmo sendo 'deuses' temeram a investida dos Titãs! Tiveram medo porque tinham corpos que podiam ser torturados! Mas eram imortais, e sempre jovens, e sempre saudáveis, e poderosos não??? Então por que raios temiam a seus tios e primos os deuses antigos, os ctonianos? Porque sabiam - e é a mitologia mesma quem o diz - que o patriarca Uranos após ter sido deposto por seu filho Cronos havia sido castrado e supliciado por ele... Porque sabiam que o próprio Cronos antes de ter sido destronado e enviado a Itália - segundo S Aristides de Atenas teria sido remetido ao Tártaro ou inferno dos gregos - por seu filho mais jovem, Zeus; havia recebido uns bons golpes e levado uma boa sova da parte dele!

Observai a guerra de Troia e vede os magníficos deuses - assim Atenas, a Virgem; assim Afrodite, assim Hera, assim Apolo, assim Áries; o deus da guerra! - no campo de batalha sendo golpeados e atingidos pelos heróis! Pelo simples fato de terem corpos vulneráveis, do que resulta o temor!

Acaso não exclamou a deusa do amor: "Eis-me ferida pelo filho de Tideu, Diomedes; o soberbo!"??? E o senhor da guerra: "Eis-me a pele marcada por Diomedes... pois lá ia eu, o furioso, quando Diomedes ergueu sua lança... e fica o destruidor dos mortais tingido de rubro sangue..." Enquanto Apolo teme Aquiles e dele foge...

Agora dizei-me e respondei-me como pode um temer se é todo poderoso e perfeito??? Não, não eram ou não são TODO poderosos - porque existem outros tantos rivais poderosos! - e perfeitos... Neste caso como podem ser divinos??? Acaso não deve ser a divindade excelsa Toda poderosa e absolutamente perfeita???

Em tudo não passam de homens, apenas de homens que em tese - controversa! - não adoecem, envelhecem ou morrem; além de possuírem certos poderes. E controversa porque Asclépios o deus salutífero é dado como tendo sido morto, alias fulminado, pelo próprio avô, Zeus; isto por ter ousado desobedece-lo e curado um de seus desafetos, a saber o filho de Tíndaro.

"O Pai dos deuses e homens SE IRRITOU, e acertando-o do Olimpo com o raio fuliginoso, matou o letoida."

"Assim tendo sucumbido a avareza foi pilhado pelo filho de Cronos, o qual disparando com as mãos suas, arrebatou-lhe do peio o alento e com o ardente raio feriu o insensato."

E este avarento e insensato fulminado pelo próprio avô, é deus!

Temos além disto Apolo 'seu pai, exercendo o ofício de adivinho - Mas como precisava adivinhas se sendo Deus deveria saber todas as coisas? - e Dionísio, o bêbado; sendo obrigado a refugiar-se nos confins das Índias...

O próprio Dionísio por sinal, teria sido morto e devorado pelos Titãs após ter assumido a forma de um touro e buscado fugir. Pois antes de ter sido Dionísio fora Zagreus.

Hermes busca ajudar o espião Dólon evidenciando que não era onisciente e que nada sabia a respeito do próprio presente ou do que se passava entre os troianos.  

Diante de tais narrativas como deixar de exclamar - Quanta miséria!

Digo-o porque além de apresentarem os habitantes do Olimpo como temerosos face aos titãs e heróis, mortais, abjetos e limitados, os mitógrafos no-los apresentam como sujeitos ao destino, tendo suas próprias ações traçadas por ele. Do que resulta ser o destino um poder superior aos deuses e os deuses inferiores ao destino, e o destino ser o verdadeiro deus dos antigos...

Assim o pobre Zeus tem de contentar-se com transformar este desgraçado em estrela, aquela em fonte, este em golfinho e assim por diante por não ser capaz de interferir e mudar-lhes o trágico destino!

Claro que nosso Bom Deus também não interfere. Não porém porque lhe falte poder para tanto e sim porque declinou de interferir por ter submetido este universo ao rígido controle das leis que ele mesmo concebeu. Nosso Deus é 'escravo' da perfeição que contém em si enquanto norma e regra de si mesmo e não submisso a um poder externo e superior a si!

Zeus no entanto assim se expressa após a morte de Sarpedon: "Ai de mim! Pois quanto a Sarpedon, o mais querido dos homens, foi decretado PELO DESTINO que seja ferido por Pátroclo, filho de Menéceu." E o poeta: Eis que perece Sarpedon, filho do grande Zeus e nem mesmo este é capaz de socorre-lo - Limitando-se a homenagea-lo com uma chuva de sangue!

Afinal que onipotência é esta meus senhores? Se aquele que brande o raio e fulmina não é senhor de si! Tendo sua existência traçada por instância superior - O destino! Quanta miséria!

Eis um simulacro de divindade subordinado a um processo impessoal de caráter fatalista!

Que dizer então sobre a Afordite a qual face a sorte de Heitor limitou-se a murmurar: "Quanta dor. Eis que com meus olhos contemplo meu querido correndo em torno das sagradas muralhas de Ílion e meu coração se enche de angústia."???

Outra que andava como louca, chorando e vagando pelos campos em busca da filha Perséfone (Logo ignorando supinamente onde a mesma se encontrava!) era Demeter. Quanto a Persefone, mesmo sendo deusa não fora capaz de defender a si mesma, sendo raptada pelo primo Hades, com quem a contragosto teve de se casar.

Já o 'divino' Febo Apolo lamenta ter servido a mesa de Admeto - Oh palácios de Admeto, em que tive de aceitar e suportar o ofício de copeiro sendo deus!

Tais os deuses da Mitologia.

São dignos de existência?

São verdadeiramente divinos?

Nem infinitos, nem ilimitados, nem incorpóreos (ao menos em parte), nem eternos, nem onipotentes, nem sábios, nem absolutamente perfeitos, etc

Tudo literariamente majestoso mas indigno de Deus.

Tudo muito limitado, finito, material, temporal, imperfeito; logo humano demasiado humano.

Que acontece agora caso arrastemos os mesmos olímpicos ao tribunal da Ética!

Possuem os deuses gregos perfeição moral???

Ainda aqui são primos de javé e alla, podendo fazer o mal, pecar e cometer quaisquer crimes.

São entidades que enganam, dissimulam, prestam falso juramento, cometem injustiça, traem, roubam, assassinam, praticam crueldade - até o sadismo! - fazem-se caprichosas e despóticas, corrompem e são corrompidas, etc

Tais os deuses magníficos e não há dispositivo da lei da consciência que eles não violem descaradamente!

Santidade e pureza é coisa que não há nesta família!

Vemos assim que Afrodite, Áries e Zeus adulteram, que Zeus além de ter cometido incesto com Hera também cometeu incesto com Deméter, que Hefaistos exerce pedofilia ou digamos o ofício 'sedução', que Poseidon tornou-se incestuoso com a tia Afrodite e com a irmã Deméter, que Apolo mente, que Hermes e Áries roubam - o primeiro tornou-se padroeiro dos ladrões - que Hera 'Cuja cólera enchia o peito' vinga-se, que Atena encoleriza-se e irrita-se contra Zeus seu pai e assassina empregando o sangue da Gorgona. 

Alias só as amantes do 'pai e rei' dos deuses foram um cortejo: Ino, Europa, Danae, Alcmena, Maia, Semele, Leda, Leto, Lâmia, Dione, Antíope, Pasifae, Ganimedes, etc gerando uma hoste de bastardos - Perseu, Heracles, Hermes, Dionísio, Helena, Clientemnestra, Zeto, Anfion, Apolo, Artemis, Castor, Minos, Radamante, Sarpedon...
O mais assombroso no entanto é que Zeus - o pai dos deuses e homens - tenha estuprado sua própria filha Persefone, isto ainda quanto as relações entre pais e filhos constituiam tabu inviolável em praticamente todas as culturas!!! O que não deixa de ser surpreendente!

Dar crédito a mitologia e a 'bela' religião pagã é o universo regido por um incestuoso que violentou a própria filha! Precisa dizer mais alguma coisa?

Não querendo ficar atrás do irmão caçula também Poseidon entregou-se ao desfrute, seduzindo: Ascras, Iphimedeia, Medusa, Chione, Pelope...

Já o harém do valente Áries era composto por: Aglaura, Cirene, Herpina, Otreras, Pirene, Astioque, Betonis e Erétria... Dentre outras.

Mesmo o abjeto Hefaistos não teve menos do que sete companheiras: Aglaia, Etna, Cabiro, Gaia, Anticléia e Cinia.

Afrodite além de ter flertado com Áries e Poseidon ainda teve por amante a Hermes - de quem gerou Hermafrodito - e a Anquises do qual gerou Enéas amante da bela Dido e fundador de Alba, a grande. 

Artemis ou Diana, após ter sido flagrada ao tomar banho, transformou o pobre Actéion num veado mesmo sabendo que haveria de ser devorado por seus próprios cães. Mesmo sendo deuses e imortal ela não soube compadecer-se do pobre homem mostrando-se sádica e cruel.

Mas o que esperar duma 'deusa' que enviou um javali contra Adonis para mata-lo pelo simples fato de Afrodite - outra divindade não menos cruel - ter matado seu querido Hipolito? E como matou-o? Fazendo com que Fedra ardesse em amores por ele, tirasse a própria vida e incriminasse o justo! Impetrando seu pai, Teseu, ao senhor do Mar, que provocasse um sinistro capaz de mata-lo! Assim assustados por um monstro correm seus cavalos, conduzindo o belo carro, em direção dos penhascos e adeus Hipólito! Tudo porque recusar-se a massagear o ego da deusa do amor.

Assim Afrodite faz perecer o nobre Hipólito e para vingar-se Artemis aniquila Adonis!

Calisto parece ter tido um pouco mais de sorte e ser transformado um urso, após ter emprenhado a celicola enquanto dormia. O fim de tudo foi quase um parricídio por parte do neto divino, Arcas. Zeus no entanto interferiu como pode colocando o pobre urso no céu.  

Chione, amada por Poseidon, Hermes Apolo ocorreu a infeliz ideia de que era mais bela do que Artemis posto que cobiçada por diversos habitantes do Olimpo. Foi o quanto bastou para ter a lingua arrancada e ser morta a flechada pela filha de Leto.

Outra não foi a sorte de Níobe, esposa de Anfião; a qual gabou-se de ser superior a Leto por ter gerado sete filhos e sete filhas. Os quais foram exterminados a frechadas pelos divinos gêmeos... E Níobe convertida em fonte pelo 'poderoso' Zeus...

Apolo com o intuito de preservar a virgindade da irmã, envia um escorpião para acabar com o infeliz Orion. 

Quanto a já citada Afrodite não narram os mitógrafos ter levado Hipômenes e Atalanta a copularem no templo de Cibele? Com o objetivo de indispor a deusa contra ambos e castiga-los???

Donde se infere que nem mesmo respeito os deuses tinham pelos templos uns dos outros!

Áries teve por filho a Cícino matador de viajantes, o qual fica sendo neto de 'deus'. Mais infeliz do que este foi seu tio, Poseidon o qual teve de enterrar vivos (!!!) os filhos que havia tido de Halia os quais porfiavam  superar uns aos outros em malignidade. Isto para não falarmos em Polifemo, Crisaor, Oto e Efialtes igualmente filhos do senhor dos mares, e problemáticos!

Dionísios faz Licurgo ficar louco e assassinar a família a machadadas e as filhas de Penteu trucidarem o próprio pai.

Segundo Ésquilo é Hermes que por meio de truques e estratagemas auxilia Orestes a matar Clientemnestra e consumar o matricídio. É até aqui o que temos de mais ameno...

Contemplemos agora a respeitável matrona Hera, senhora do lar, prestes a assassinar uma criança em seu próprio berço e esta criança é o futuro Herácles. Eis uma 'deusa' infanticida, estranguladora de bebês!

Colérica e vingativa não transformou ela a infeliz Lâmia, rainha da Líbianum monstro espantoso e incapaz de fechar os olhos após ter dado cabo de seus filhos?

Tais os dotes da matrona 'celestial' pintada pela mitologia!

Tomemos agora a Virgem Palas ou Atenas. Será ela distinta de seus familiares, e, consequentemente mesmo vingativa e cruel?

Pudera! Pois também ela transforma a Medusa num monstro apenas por ter alegado ser mais bela do que ela. Mérope é transformada em coruja por ter ridicularizado os olhos glaucos da 'mente de Xeus'.
Ilus é feito cego por ter ousado contemplar o Paládio. E o infeliz Laocoonte mais seus dois filhos estrangulados por suas gigantescas serpentes enviadas por ela... Isto sem falarmos na primeira aranha Aracne, punida por sua ingratidão. Ainda aqui não temos nada semelhante ao mortal que proferiu esta memoráveis palavras: Perdoai setenta vezes sete vezes. 

O próprio Zeus, e é vexatório dize-lo, vez por outra, espancava a mulher Hera. Temos assim um deus machista e espancador de mulheres, simplesmente infame. Já o nosso Jesus desafia as leis de seu povo tratando as mulheres com amabilidade e delicadeza assim a Marta, a Maria, a mulher da fonte, a Joana, e a tantas outras. Considerável diferença!

Hefaistos arrenegou a própria mãe - Pagando-lhe mal com mal, enquanto nosso Jesus disse aos homens para pagarem o mal com o bem - e prendeu-a num trono dourado. E somente após ter sido embriagado por Dionísio é que concordou em liberta-la.

Hermes foi quem concedeu a Pandora o dom da mentira e do fingimento.

Eis a sagrada família do politeísmo: Insensíveis, caprichosos, coléricos, vingativos, agressivos, assassinos, cruéis, adúlteros, incestuosos, mentirosos, intemperantes; enfim repositórios de todos os vícios e defeitos que toram os homens desagradáveis.

Neste caso como admitir que tais narrativas sejam dignas de crédito ou que tais seres existam de fato?

Acaso não bastariam tais entidades para converter nossos sonhos em pesadelos?

Logo, em que sua inexistência prejudica a realidade?

E eu sequer mencionei os monstros - os filhos de Forco - em última análise descendentes de Gaia, a terra, logo divinos! Assim a Hidra, a Quimera, o Cérbero, a Cila... Mas que deuses são estes notáveis pela feiura de alma e de corpo e absolutamente asquerosos???

Encerro esta exposição considerando que nem mesmo como criaturas tais entidades mereceriam existir. Quanto mais como 'deuses' em lugar do verdadeiro Deus, magnânimo, filantropo, benfeitor, generoso, amigo e amante dos homens.

Se isto é tudo quanto o neo paganismo tem a opôr ao Cristianismo tudo quanto tenho a dizer a tais pessoas é que tornem a Xenófanes, Parmenides, Anaxágoras, Apolônio, Sócrates, Platão, Aristóteles, Crisipo, Cleantes, etc considerando tudo quanto estes homens excelentes disseram a respeito da mitologia considerada como religião ou realidade.

Certamente há muita coisa de bela e edificante, de tocante e elevado, de majestoso e de divino na mitologia grega. Assim a narrativa de Castor e Pólux, a de Alcione, a de Antiope... Como há muita coisa poética no mais alto grau, assim o ciclo edipiano, o ciclo orestiano, etc Percebam no entanto que quase tudo quanto torna a mitologia fascinante provém dos mortais oprimidos pelos deuses olímpicos e não dos deuses, e que a parte menos nobre da mitologia grega diz respeito a justamente a 'teologia'. Reflitam sobre isto e considerem se substituir as fábulas imbecis dos antigos judeus pela teologia pagã não equivale a trocar seis por meia dúzia...