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A consciência histórica do Cristianismo

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terça-feira, 6 de novembro de 2018

CIX - S Inácio de Antioquia - Cartas

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Inácio, o 'Teóforo', foi o terceiro Bispo de Antioquia, após o santíssimo Pedro e o abençoado Evódio. (Orígenes e Eusébio) Segundo a legenda pia teria sido ele o menino levado ao Senhor quando disse: Deixai que a mim venham os pequeninos...

Segundo alguns - Constituições Apostólicas 'Inácio de Paulo' - fora discípulo de S Paulo. Segundo outros fora discípulo de S João e companheiro de Papias e Policarpo, ao qual consta ter enviado uma de suas cartas. Teodoreto de Cirro esclarece que S Pedro, antes de prosseguir sua jornada em demanda de Roma, havia determinado expressamente que Inácio sucedesse a Evódio.

"A tradição refere que foi enviado da Síria a Roma para ser lançado as feras, por causa do testemunho pelo Cristo. E enquanto seguia a carreira da Ásia, sob a atenta vigilância dos guardas, ia exortando as Igrejas porque passava com suas cartas." é o que diz Eusébio na 'História'.

O mesmo Eusébio na Crônica, declara que isto acontecerá no décimo ano de Trajano ou seja cerca do ano 107 ou 108 desta Era, o que é repetido por Jerônimo de Stridon nos 'Homens ilustres da igreja' sessão décima sexta. Jerônimo afirma igualmente ter sido ele lançado aos leões e S Crisóstomo alude ao Coliseu ou ao anfiteatro Flavio como ao lugar em que sua sentença foi cumprida. O synaxiarum da Igreja Copta Ortodoxa de Alexandria declara que ele foi lançado as feras e que estas o fizeram em pedaços...

O Codex Colbertinus de Paris (Sec X) contém as supostas atas de seu Martírio, consideradas genuínas por James Usherius, mas certamente interpoladas e inexatas. A cena mais famosa é a de seu interrogatório pelo próprio Trajano, um Loci common, quanto a este tipo de literatura.

Muito provavelmente, esta circunstância, de ter sido deportado, significa que Inácio estava envolvido em algum tido de conflito com outras comunidades Cristãs. Tendo sido condenado como um perturbador da paz pública. Allen Brent

Segundo o já citado 'Heródoto' Cristão, o 'Teóforo' ou portador de Deus "Estando em Esmirna escreveu uma carta a Igreja de Éfeso; onde nomeia seu pastor Onésimo; outra a Igreja de Magnésia sobre o meandro e a seu Bispo Damas; outra a Igreja de Trales e a seu líder Políbios, além destas escreveu a Igreja dos romanos... dirigiu por fim, longe de Esmirna, de trôade, escreveu aos Cristãos de Filadélfia, a Igreja de Esmirna e a seu presidente Policarpo, que ele reconhecia como homem apostólico...."

Tal o cânon de Inácio transmitido por Eusébio: Carta aos efésinos, aos de Magnésia, aos de Trales, aos romanos, aos de Filadélfia, aos esmirniotas e a Policarpo. Num total de sete cartas. "As quais tem uma importância incalculável para a História do Dogma." diz o patrólogo J Quasten

Ressentem, as cartas de Inácio, dupla influência, paulina, preponderantemente; e joanina (F Bleek - 1862). Osterzee (1866) alega que Inácio emprega expressões que existem apenas no quarto Evangelho. Holtzmann que era terminante quando a Hermas e Barnabé, silenciou a respeito de Inácio. Plummer em 1887 insistiu a respeito das cartas de Inácio conterem alusões a João, ausentes nos demais padres apostólicos. Em 1889 Ligthfoot declarou que Inácio conhecia o Evangelho de S João, embora sua dinâmica fosse paulina. Westcott admitiu que sem dúvida estava a par do pensamento joânico. No mesmo ano o biblista T Zahn apontou a familiaridade existente entre o epistolário inaciano e a primeira carta de S João. Em 1895 H Boese e C Pesch chegam por meios diversos a conclusão de que Inácio conhecia o quarto Evangelho. Em 1897 Harnack pronunciando-se a contragosto declara ser improvável mas de modo algum impossível que Inácio conhece a literatura joanina. Respondeu-lhe Loofs no ano seguinte declarando que Inácio não só conhecia o quarto Evangelho como estava bastante familiarizado com a teologia joanina, o que já havia sido exaustivamente demonstrado por Van der Goetz alguns anos antes. Por fim em 1899 Cammerlynch conclui pela plausibilidade de Inácio ter tido conhecimento do quarto Evangelho recebendo o apoio de H R Reinolds.

É o primeiro autor Cristão e insistir a respeito da dignidade episcopal e o primeiro a mencionar os presbíteros, dignidade recém criada, como estamento clerical separado do episcopado e subordinado a ele. Para Clemente de Roma, dez anos antes haviam apenas diáconos e presbíteros, os quais eram, na verdade, os Bispos. Como os primeiros Bispos haviam convivido com o Senhor ou com os apóstolos tomaram o nome de presbíteros ou antigos, ou anciões, a exemplo da Sinagoga. Quando a maior parte destes já havia falecido, os diádocos criaram uma outra dignidade, inferior ou restrita, outorgando-lhe o nome de presbiterato e atribuindo o termo episcopado, com exclusividade, a autoridade suprema estabelecida por Jesus Cristo e conferida pela sucessão apostólica.

Em 1886 o sectário presbiteriano W D Killen - seguindo a tradição de seu mestre João Calvino (Institutas I,13,29) e da maior parte dos assim chamados reformadores - alegou que nenhuma das cartas de Inácio era autêntica, mas que todos haviam sido falsificados, e adivinhem por quem??? Pelo Bispo de Roma Calixto, o qual sequer era papa... Para este autor Calixto passou-se pelo mártir Inácio com o objetivo de justificar, sua invenção, o episcopado monárquico. Isto teria acontecido cerca de 220 d C e portanto até aquela data vigorado o sistema presbiteral.

No entanto, como veremos, todos os doutores posteriores a Inácio, assim Hegesipo, Irineu e Tertuliano, etc seguirão a mesma linha que ele. Insistindo a respeito da sucessão apostólica dos Bispos como fundamento pétreo da verdadeira Igreja. Todos os autores citados escreveram antes de 220... tendo Irineu falecido cerca de 205 ou 215, Hegesipo escrito em 170 ou 180 e Tertuliano desde 195...

No mais, basta dizer que duas das cartas de Inácio foram textualmente citadas por Orígenes - In Luc VI,04 - pelos idos de 220 e antes dele por Irineu no Livro contra as Heresias V,28,04, o qual remonta a 180. O próprio Policarpo na Carta aos de Filipos - 130 - prontifica-se a enviar-lhes, segundo haviam solicitado, a coleção das cartas de Inácio enviadas das Igrejas. Foram ainda empregadas, posteriormente, por Atanásio, Crisóstomo, Teodoreto e Severo, bons conhecedores da lingua grega e das tradições, com absoluta segurança.

Diante disto os críticos, movidos por preconceitos religiosos, tiveram de questionar não apenas a autenticidade de Orígenes, mas mesmo de Policarpo, e pasmem, de Eusébio i é da História Eclesiástica. Segundo eles, esta corresponderia a uma falsificação e aquelas a interpolações... Dado que - em 107 - o episcopado 'NÃO PODERIA existir.', ou seja, porque não esta de acordo com suas teorias prediletas...

A respeito das Cartas de Inácio há três versões. Uma ampliada, constando de dez cartas. A versão intermediária, encarada como autêntica - Um dos principais defensores da autenticidade foi o Bispo J B Ligthfoot -  pela maior parte dos estudiosos e uma versão resumida editada pelo Dr Cureton em 1845.

Feitas estas observações passo a resenha doutrinal da obra:


  • Trindade excelsa - "Assim portadores sois de Deus, do Cristo e do Espírito Santo." Efésios IX "Na fé, no amor, no Filho, no Pai, no Espírito Santo..." Magn XIII,01
  • Encarnação do Verbo - "Assim nosso Deus Jesus Cristo, segundo a economia do Pai, habitou o seio de Maria, procedendo de Davi e do Espírito Santo." Efésios XVIII "Fora do tempo, atemporal, invisível, mas que se tornou visível para nós, sendo impalpável e impassível se tornou palpável e passível a ponto de poder sofrer por nós." Policarpo III,02 "Caso blasfeme contra seu Senhor, declarando que não se encarnou. Aquele que ousa faze-lo o arrenega de todo e faz-se portador da morte." Ismirn V,02
  • Natureza divina do Cristo - "Segundo a fé e a caridade em Nosso Senhor Jesus Cristo imitadores sois de Deus." Efésios I,01 "Constatei assim que sois imitadores de Deus." Tral I,02 "Jesus Cristo estava com o Pai antes dos séculos e por fim se manifestou."  Magn VI,01
  • Natureza humana de Cristo - "Sede surdos quando não vos anunciarem a Jesus Cristo filho de Davi, nascido de Maria, o qual nasceu, comeu, bebeu, foi condenado sob Pôncio Pilatos, que verdadeiramente foi crucificado e morreu a vista do céu, da terra e dos abismos..."  Tral IX,01 "Os incrédulos e ímpios declaram que ele sofreu apenas aparentemente." Tral X,01 "Ele sofreu verdadeiramente e verdadeiramente ressuscitou, não apenas na aparência como dizem os incrédulos." Ismirn II,01 "Sei e creio que mesmo após a ressurreição conservou a carne... Assim após a ressurreição comeu e bebeu junto com eles como ser de carne embora já na unidade do Pai." Ismir III,01 sgs "Instruo as igrejas na Unidade na carne e no espírito de Jesus." Magn I,02
  • A unidade das duas naturezas - "Há um só médico carnal e espiritual, gerado e não gerado, Deus feito carne, Filho de Maria e Filho de Deus, antes passível e agora impassível." Efésios VII,01 "Filho do homem e Filho de Deus." Efésios XX,02
  • Comunicação de Bens - "SANGUE DE DEUS." Efésios I,01
  • Nascimento do Senhor - "Ao poder deste mundo ficou oculta a Virgindade de Maria e seu parto." Éfesios XIX,01
  • Batismo do Senhor - "O Senhor foi batizado para santificar o elemento da água." Efésios XVIII
  • O Evangelho - "Convém seguir os profetas, mas acima de tudo o Evangelho no qual a paixão é mostrada e a ressurreição testificada." Ismirniotas VII,02
  • A Sucessão apostólica - "Assim aquele que é o dono da casa administradores envia para chefia-la e é necessário que nos recebamos a eles como se fossem a pessoa que os enviou." Efésios VI,01
  • Hierarquia eclesiástica - "Sem eles, diáconos, presbíteros e bispos não há Igreja." Tral III,01 "Não pode haver cabeça sem membros ou membros sem cabeça e Deus mesmo é o fiador desta Unidade."  id XI,01
  • O Bispo - "A fim de que congregados na mesma obediência e submissos ao Bispo e ao presbítero santificados sejais em todas as coisas." Efésios II,02 "Jesus Cristo vida nossa é inseparável do pensamento do Pai, tal e qual os Bispos, estabelecidos por toda terra são inseparáveis do pensamento de Cristo." Id III.02
  • Igreja eterna - "A Igreja que foi grandemente abençoada com a plenitude de Deus Pai predestinada foi antes dos séculos para subsistir para sempre e reter uma glória que jamais passa." Efésios I,01
  • Igreja Incorruptível - "Como sinal de incorruptibilidade de sua Igreja." Efésios XVII,01
  • Igreja Católica - "Onde esta o Bispo esta a Igreja Católica." Ismirniotas VIII,02
  • Unidade da Igreja - "Indispensável é a unidade sem fragmento a fim de que em Deus estejais." Efésios IV,02 "Nada que seja feito isoladamente pode ser digno de louvor. Pelo contrário congregai-vos em comum." Magn VII,01 "Tudo quanto fiz pude pela causa da Unidade uma vez que não pode Deus habitar onde haja divisão e cólera." Filadelf VIII,01 "Fugi as divisões que são raiz de todo mal." Ismirn VII,02 "Preocupa-te com a unidade, pois nada há de mais excelente." Policarpo I,02
  • Livre arbítrio - "Orai por todos os homes pois a possibilidade de conversão." Efésios X,01
  • A graça do Senhor - "Fora dele nada tem valor." Efésios XI,02 "Todo laço de iniquidade quebrado foi quando nosso Deus apareceu em forma de homem." Id XIX,03 "Ele tudo suportou por nossa salvação." Ismirn II,01 "Na graça dispostos estais para fazer qualquer boa ação diante de Deus." Policarp VII
  • Sinergia - "São ambas de Deus e nossas e sucedidas pela santidade e pela perfeição." Efésios XIV,01"Caso vocês desejem fazer o bem Deus sempre estará disposto a vos ajudar." Ismirn XI,02 "É obra de Deus e vossa." Policap VII "Reabilitados pelo sangue de Deus realizais até o fim a obra que convém a vossa natureza." Efésios I,01
  • Necessidade de obras (ao menos 'a posteriori') - "Que sejais reconhecidos por vossas obras." Efésios IV,02 "Pessoas há que falsamente portam o 'nome' mas procedem de modo diferente e indigno de Deus..." Id VII,01 "Que por vossas obras eles se tornem discípulos nossos." Id X,01 "Melhor calar e ser do que falar e não ser bom..." Id XV,01 "Tudo façamos como se ele habitasse dentro de nós, como em templos seus." Id XV,03 "Não basta portar o nome Cristão, é necessário se-lo de fato." Magn IV,01 "Que vosso depósito sejam as obras e que possais retirar as somas a que fazeis jus." Policarp VI,02
  • A perseverança como impulso que parte do homem - "Caso nele perseverarmos e evitando as ameaças do mal." Magn I,02
  • O mérito - "Caso ameis apenas os bons discípulos mérito algum tereis." Policarp II,03 "Mesmo as coisas que no dia a dia realizais são espirituais se as realizais em Cristo Jesus." Efésios VIII,01
  • Acessibilidade a perfeição: "Quem professa a fé não peca, quem esta no amor não odeia e assim pelos frutos se conhece a árvore. Os que alegam em Cristo estar são reconhecidos por suas boas obras." Efésios XIV,02 "Não podeis realizar as coisas da infidelidade nem os da infidelidade as coisas da fé." Efésios VIII,01
  • O solifideismo (falsa doutrina) - "Aqueles que tem opiniões estranhas sobre a graça de Cristo, não cultivam o amor, não se preocupam com o órfão, o estrangeiro e a viúva e desprezam o prisioneiro, o liberto, o faminto e o sedento." Ismirn VI,02
  • Sacramento do Batismo - "Sem o Bispo não é permitido Batizar ou celebrar o ágape." Ismirn VIII,02 "Vosso Batismo vos sirva de escudo." Policarp VI,02
  • Sacramento da Eucaristia - "Anseio apenas pelo pão de Deus que é a carne de Cristo e quero beber apenas de seu sangue, prova de amor inexaurível, pelo que não sinto prazer nos alimentos comuns." Rom VII,03 "Há na Eucaristia uma só carne de Cristo e um só cálice do elemento de seu sangue." Filadelf IV,01 "Eles repudiam a Eucaristia porque não podem crer que a Eucaristia seja a carne de nosso Redentor Jesus Cristo..." Ismirn VII,01
  • Sacrifício eucarístico - "Achegai-vos do único templo de Deus e do único ALTAR e do único Senhor Jesus Cristo." Magn VII,01 "Um único ALTAR assim como um só Bispo." Filadelf IV "Quem não esta junto ao ALTAR privado esta do Pão de Deus." Efésios V,01 "Quem esta dentro do santuário puro é, mas aquele que permanece do lado de fora é imundo i é aquele que procede sem Bispo, presbitério ou diácono." Tral VII.02
  • Sacramento do Matrimônio: "Convém que aqueles homens e mulheres que se casem, efetuem sua união com assentimento do Bispo de modo que sua união seja feita no Senhor e não na carne apenas." Policarp V,01
  • A Santa e vivificante Cruz - "Somos guindados pela alavanca da Cruz." Efésios IX,01 "(As ervas daninhas) não são ramos de sua cruz." Tral XI,01 "Pela Cruz, Cristo vos chama a sua paixão, como membros dela que sois." Id, id "Como pregados em carne e espírito a Cruz de Cristo." Ismirn I,01
  •  A imortalidade da alma - "Meu espírito imola-se por vós, não apenas agora, mas quando a Deus chegar." Tral XIII,03 "Não me impeçais de viver, não queirais que morra eu, não me prendais a este mundo, não tenteis seduzir com a matéria quem tem sede de Deus. Deixai que eu receba a luz pura, pois quando lá tiver chegado serei pleno... corre dentro de mim uma água viva que murmura: Vem para teu Pai." Rom VI,02 sgs
  • Ressurreição da carne - "Antes exercessem o amor ao invés de disputar e talvez assim obtivessem acesso a boa ressurreição." Ismirn VII,01
  • O celibato - "Se alguém pode permanecer na castidade, para a glória da carne do Senhor, permaneça também humilde." Policarp V,02 Alude ainda as 'Virgens que são viúvas.' em Smirn XIII.01
  • Adoração Dominical - "Aqueles que viviam na antiga ordem das coisas, tendo chegado a uma nova esperança, não observam mais o sábado mais o dia do Senhor, no qual nossa vida levantou-se por meio dele, da morte." Magn IX,01
  • As heresias - "Aqueles que para granjear fama, misturam Jesus Cristo, consigo mesmos são como aqueles que misturam vinho licoroso com veneno mortal." Tral VI,01 "Os lobos tem afastado muitos da unidade. Apartai-vos destas ervas daninhas que Jesus Cristo não plantou porque elas não pertencem a seu Pai... E aquele que caminha em ensinamentos estranhos, não tem parte na paixão do Senhor." Filadelf II,02/III,01 e sgs
  • Os judaizantes: "Tolice ter Cristo na boca e judaizar. Não foi o Cristianismo que acreditou no Judaismo mas o Judaismo que acreditou no Cristianismo." Magn X,03 "Se alguém vos interpreta judaismo, não creiais pois é melhor ouvir o Evangelho de um circunciso do que a Torá de um incircunciso." Filadelf VI,01
  • Ética, o amor - "O começo é a fé, o fim é o amor." Efésios XIV,01
  • Ética, a paz - "Coisa valiosa é a paz." Efésios XIII,01
  • Ética, a mansidão - "Diante da ira sede mansos... e da ferocidade pacíficos." Efésios X,02
  • Ética, a humildade - "Face ao orgulho permanecei humildes." Id,id     


CVIII - S Clemente de Roma - Carta aos coríntios











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Klemandros, Klimet ou Clemente é identificado por Orígenes com o Clemente citado por Paulo em Fil 4,3 - Onde um certo Clemente é citado como colaborador seu - o que é corroborado por Eusébio.

S Irineu assevera que Clemente de Roma havia sido ouvinte dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Tertuliano na Praescr XXXII opina que Clemente fora sagrado Bispo de Roma por S Pedro e S Epifânio esclarece que Clemente, abriu mão da liderança em favor de Lino. 

Segundo se crê era parente dos Imperadores Vespasiano, Tito e Domiciano e membro da família Flavia. Dión Casio 'Hist Rom' LXVII,14 Batizado por S Pedro foi acusado de iniciar-se na religião dos judeus, o que produziu escândalo na Sociedade de seu tempo.

Foi ele que, graças a seu prestígio, unificou as comunidades rivais, petrina e paulina da cidade de Roma. Pois Pedro constituira por sucessor a Lino de Volterra e Paulo a Anakletos, os quais, segundo S Epifânio e S Rufino foram simultaneamente Bispos dos romanos.

Além disto Clemente teria convertido os nobres Sisino e Teodora, e cerca de quatrocentos cidadãos romanos. Foi o quanto bastou para Trajano bani-lo para as minas de cobre de Galipoli na Crimeia. No entanto como continuasse a exercer proselitismo e a converter os mineiros, a ponto de criar uma Igreja subterrânea. Diante disto o procônsul mandou atira-lo ao Mar Negro com uma âncora ou pedra de moinho atada ao pescoço. Isto deve ter ocorrido por volta do ano 100.

Clemente de Alexandria e Orígenes atribuem-lhe explicitamente a carta aos Coríntios. A qual tendo sido escrita por volta do ano 96 constitui o mais antigo testemunho escrito a respeito da fé Cristã escrito após as obras canônicas e a Didaké, se bem que esta fosse obra anônima e conjunta. A primeira carta de Clemente aos Coríntios é a primeira obra assinada e unitária composta após os escritos que formam o corpo do Novo Testamento. Curiosamente a Revelação e quiçá a forma definitiva do quarto Evangelho são posteriores a obra de Clemente, a qual seria contemporânea aos Escritos inspirados, o que lhe confere um valor excepcional.

Em torno da figura de Clemente romano foi elaborada imensa massa de material, em grande parte fabuloso, chamada 'literatura clementina' - assim os 'Reconhecimentos' (recognitiones) e as Homilias. São ambas recensões de uma obra bem maior cujo núcleo corresponde talvez ao 'Kerygmata Petrou' e se foi avolumando e sendo reelaborado até o começo do século IV. O original deve ter sido elaborado na Palestina ou na Síria por volta da secunda parte do século II. Os ebionitas achavam-se em posse de uma versão pelos idos do século IV segundo foi constatado por Epifânio, Jerônimo e outros. A versão que possuímos foi elaborada por um ariano pelos idos do século IV. Outros supõem que houve um original ortodoxo sucessivamente interpolado pelos heréticos.

Reconhecimentos é uma espécie de novela mexicana em que pai, mãe e filhos; separados desde que estes eram crianças tornam a encontrar-se devido a mediação de S Pedro. São Pedro, a seu tempo, é apresentado como antagonista de Simão, o Mago; o qual passa a seguir de cidade em cidade, de Jerusalém a Antioquia. Muito provavelmente o curso da obra fazia Pedro seguir Simão até Roma, terminando com a famosa cena em que é elevado aos céus por obra de magia e derrubado, diante de Nero, pelas orações de Pedro e dos cristãos...

As Homílias concentram-se na exposição da doutrina.

Não é possível dizer se há ou o que há de autêntico nessa massa de literatura, embora nos pareça exagerado classifica-la como fictícia por inteiro. A única coisa de certa é que sob a forma atual não pode ter sido elaborada por Clemente romano.

Feitas as devidas apreciações bio bibliográficas passo a resenha da obra:



  • I,02 - Obras: "Vossa fé era firme e cheia de todas as virtudes... Vocês procediam sem fazer acepção de pessoas, conforme as ordenações divinas... II,01: "Vocês guardavam zelosamente as palavras dele em vossos corações e os sofrimentos dele estavam sempre diante de vossos olhos... II,03 Repletos de santa resolução e ânimo para todo bem."...II,07 "Jamais vos arrependestes de ter feito o bem 08 ...os preceitos e estatutos do Senhor estavam gravados em vossos corações." XIII,03 "Firme-mo-nos em tais mandamentos e preceitos; e com humildade nos submetamos a suas palavras."
    XXI,01 - XXI,08 - XXXII,01 - XXXIV,01 - XXXVII,02
  • Amor - "Quem diz ter o amor de Cristo observe os mandamentos de Cristo." XLIX,01 "Sem amor nada pode agradar a Deus." 05 "O amor é coisa divina e divina e seu valor transcende as nossas palavras." L,01
  • Justificados para as obras: "Assim os que pela fé justificados foram sejam adornados com boas obras a exemplo do Senhor." XXXIII,07
  • Virtudes - Benevolência, mansidão e humildade. XXX,08 Justiça, verdade, paciência, concórdia e paz. LXII,02
  • Solidariedade: "Sejamos bons uns para com os outros conforme a piedade e a ternura daquele que nos fez." XIV,03 "O que possui algo assista o pobre e o pobre a Deus agradeça por este se servir de alguém para aliviar suas necessidades." XXXVIII,01 "Associe-mo-nos aos santos porquanto os que deles se aproximam tornam-se santos." XLVI,02
  • A Perfeição: "Aproxime-mo-nos dele pela santidade da alma e lhe estendamos as mãos puras e sem mancha." XXIX,01
  • Fideísmo: "... A vossa fé se obscureceu. Porque não anda mais segundo as diretrizes de seus preceitos, SEM SE COMPORTAR DE MANEIRA DIGNA." III,04
  • I,03 - Hierarquia: "Submissos aos líderes e prestando aos presbíteros que estavam convosco as honras devidas." "Os grandes não existem sem os pequenos nem os pequenos sem os grandes, em tudo há uma mistura, e isto procede da necessidade. Tomemos o nosso corpo - A cabeça não se pode locomover sem os pés e os menores membros são necessários a saúde do corpo inteiro. Todos convivem em mútua submissão para consolidar a saúde de todo corpo." XXXVII,04 e sg "Coisa horrenda e indigna da conduta Cristã saber que a sólida e veneranda Igreja de Corinto por causa de um ou dois elementos ousou levantar-se contra seus presbíteros. Tais rumores não chegaram apenas até nós mas até mesmo aos contrários e assim graças a vossa tolice é injuriado o nome do Senhor com grande perigo para vós!" XLVII,06 "Vós que lançastes os fundamentos da rebelião, submetei-vos aos presbíteros e deixai-vos corrigir com o arrependimento dobrando vossos corações." LVII,01
  • II,06 - Cismas e divisões: "Toda briga e divisão eram abomináveis para vós." "Brigas, ódios, disputas, divisões e intrigas, nada disto é necessário." XLVI,02 "Assim por que rasgamos e esquartejamos o corpo de Cristo. Por que nos rebelamos contra o corpo de que fazemos parte? oh loucura! Esquecemos que somos membros uns dos outros e olvidamos as palavras de Jesus! A divisão perverte a muitos. Enfraquece uns, escandaliza outros, levando-os a dúvida e entristece a todos." XLVI 07-09
  • Tradição: "Abandonemos as preocupações inúteis e vãs para seguir a norma imaculada da nossa tradição." VII,02
  • Livre arbítrio: "O Senhor concedeu a faculdade da conversão aos que desejarem se converter a ele." VII,05 "Na sua vontade soberana ele decidiu que todos os amados se possam arrepender." VIII,05 "Lutemos para sermos contados no número dos que herdarão as santas promessas." XXXV,04
  • Cânon do Antigo Testamento - Em XVI,16 parece citar o livro da Sabedoria: Esperou no Senhor... que o liberte e o salve se o ama. Menciona Judite juntamente com Ester. LV,04
  • Estabilidade de Deus (Deus não se encoleriza): "Na paciência de sua vontade coloquemos os nossos olhares e consideremos como permanece isento de cólera para com os seres criados." XIX,01
  • Ressurreição dos corpos: "Que haverá de fantástico ou de extraordinário em que o Senhor do universo ressuscite aqueles que o serviram santamente na esperança e sinceridade da fé?" XXVI,01
  • Justificação universal: "Pela fé Deus justificou TODOS os homens desde o princípio." XXXII,04
  • Pecado: "Quem são os inimigos do Senhor: Aqueles que se opõem a sua vontade." XXXVI,06
  • Ritual/calendário: "Devemos fazer tudo quanto o Senhor mando fazer no determinado tempo. Ele mesmo determinou que as ofertas e funções litúrgicas fossem oficiadas não ao acaso ou aleatoriamente mas em circunstâncias e mesmo horas determinadas. E por sua soberana vontade designou onde e por quem deseja que tais cerimônias sejam oficiadas, a fim de que cada coisa seja feita santamente e deleitosa seja a sua vontade." XL,01-03
  • Sucessão apostólica: "Os apóstolos receberam do próprio Senhor Jesus Cristo o Evangelho que nos comunicaram. Jesus foi enviado pelo Pai. Cristo procede do Pai e os apóstolos de Cristo. As duas coisas, na mesma ordem, procedem do Pai. Eles receberam instruções infalíveis, segundo a evidência da ressurreição e foram brindados com a graça do Espírito Santoe assim comunicaram o Reino. Nos campos e nas cidades anunciaram a boa nova e assentaram as primícias, e pelo poder do Espírito Santo constituíram Bispos e diáconos para os futuros crentes." XLII,01-04 "Julgais inusitado que os pregoeiros de Jesus Cristo tenha estabelecido tais ministros? Já Moisés tendo limitada ciência, não teria tomado todas as providências para que não houvesse desordem no antigo Israel?" XLIII,01 e 06 "O Senhor mesmo informará aos apóstolos a respeito das disputas que ocorreriam por causa da liderança. Destarte, tendo em vista o futuro, eles estabeleceram os ofícios de que falamos e quando estes morreram, outros homens qualificados os sucederam. Os que estabelecidos foram por eles ou por outros homens, sempre com a vênia da Igreja, tem servido o rebanho de Jesus Cristo dignamente e são estimados por todos. Por isto julgamos que não seja lícito dedigna-los. Para nós não seria justo exonerar aqueles que exercem o episcopado de modo santo e irrepreensível." XLIV,01-04
  • Inspiração da Escritura: "Vos curvastes sobre as santas Escrituras, essas verdadeiras Escrituras doadas pelo Espírito Santo. Sabei que nada de injusto ou falso nelas esta escrito." XLV,02
  • Trindade Excelsa: "Temos um só Pai, um só Cristo e um só Espírito de graça, que sobre nós foi derramado." XLVI,06 "Pela vida do Pai, pela vida do Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo que são a fé e a esperança dos bem aventurados." LVIII,02
  • Imortalidade da alma: "Aqueles que pela graça do Senhor se tornaram perfeitos no amor FORAM RECEBIDOS NOS LUGARES DOS PIEDOSOS." L,03
  • Igreja: "Melhor é para vós ser mantidos no rebanho de Jesus Cristo inda que sendo pequeninos do que grande ser e estar fora deste rebanho." LVII,02

CVII - Primórdios da literatura Cristã: O didaqué

  Didache kyriou dia ton dodeka apostolon ethesin ou 'Ensino do Senhor ministrado pelos doze apóstolos as nações' é seu título.

Conforme Rodorf, segundo alguns estudiosos a Didaké seria uma coleção de escritos anteriores a destruição do tempo de Jerusalém e portanto registrada entre os anos 60 e 70. J A T Robinson situa-a entre 70 e 80 e alguns outros entre 80 e 90. Assim de modo geral sua data de sua composição dicaria situada entre 60 e 90 desta Era, correspondendo o termo médio a 75. A imensa maioria dos autores concordam que pertence ao século I, ficando excluída a datação tardia, situada para além do ano 100 ou seja no século II.

Segundo a maior parte dos críticos ele teria sido composto pelos Cristãos estabelecidos no Norte da Síria ou da Judeia. Além disto teria sido composto por mais de uma pessoa. Embora não se possa demonstrar que tenha sido elaborado por qualquer apóstolo é certo que as tradições nele contidas remontam ao tempo dos apóstolos, tendo sido preservadas pelos comunidades.

S Eusébio - que menciona-o expressamente na 'História eclesiástica' associa-o ao Apocalipse de João, ao Apocalipse de Pedro, ao Pastor de Hermas e a Epistola de Barnabé que são obras legadas pela mais remota antiguidade e compostas entre os anos 90 e 130 desta Era. S João Damasceno afirma sua canonicidade.

A igreja no entanto recebendo a opinião de S Atanásio e de Rufino de Aquileia - que o declararam pseudo epigráfico -  julgou por bem não incorpora-lo as Escrituras. Recomendava no entanto sua leitura, a exemplo de Damasceno.
No entanto após ter sido referenciado por Niceforo Calixto 'Xanthopoulos' (1320) o mais remoto testemunho da literatura Cristã acabou 'desaparecendo'.

E por meio milênio foi seu conteúdo ignorado, até que em 1873 foi redescoberto por Philotheos Bryennios, metropolita de Nicomédia, no Codex Hierosolymitanus (1056).
Cerca de trinta anos depois parte da versão latina foi localizada por J Schlecht.

Hitchcock e Brown traduziram-no para o Inglês em 1884. No mesmo ano foi produzida a versão alemã por Adolph Harnack e no ano seguinte Sabatier publicou a versão francesa.

Desde então passou a fazer parte da coleção conhecida sob a alcunha de 'padres apostólicos'; porque segundo se crê, e já dissemos, seus redatores teriam sido ouvintes ou discípulos dos Santos Apóstolos.

Quanto aos primeiros capítulos parece uma reelaboração de escritos judaicos e ensinamentos rabínicos de teor moralizante.

Tudo segundo o esquema bastante conhecido dos dois caminhos.

Esquema comum a tradição judaica testemunhada pelos essênios (manuscrito zadoquita ou de Damasco) e a tradição evangélica, adotado igualmente por Hermas e pelo redator da Carta de Barnabé. 

Os demais capítulos dizem respeito a vida sacramental da Igreja.

Segue a súmula do livro enfatizando os elementos credais ou os artigos de nossa imaculada fé:


  • A primazia do amor: "Antes de tudo cabe amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos." I, 2. O amor não nos deve impedir de corrigir quando necessário for. II,7
  • Condena o assassinato, o adultério, o roubo, a inveja, a mentira, a hipocrisia, o ciúme, a cólera, a agressão, a avareza e a busca pela vingança. Caps II e III. "Não seja ávido pelo dinheiro oh filho meu." III,5 "Nem seja como aquele que estende a mão na hora de receber e retira na hora de doar." IV,5, "Não repudie o necessitado. DIVIDA TUDO COM SEU SEMELHANTE E JAMAIS DIGA QUE AS COISAS LHE PERTENCEM. Se vocês estão unidos nas coisas que jamais morrem, quanto mais nas perecíveis. IV.8 Acusa severamente os 'Que defendem os ricos.' V,2
  • Recomenda cultivar: A mansidão, a paciência, a misericórdia, a serenidade (Cap III) e sobretudo a justiça: "Julgue sempre de modo justo." IV,3 SEM FAZER ACEPÇÃO DE PESSOAS. Id, V,2
  • 'Não se deve sequer planejar o mal contra o próximo.' II, 6 ou ainda 'Odiar a quem quer que seja.' II,7
  • A necessidade das obras: "Dá a quem te pede e jamais peça para devolver..." I,5 "Que sua palavra não seja falsa ou vazia mas comprovada pela prática." II,5
  • A doutrina da graça capacitante: "Não te deixes levar pelos teus impulsos." I, 4 ; "Evite até mesmo a aparência do mal." III,1 e por fim: "Assim deveis ser encontrados perfeitos..."
  • A necessidade de observar a Lei moral: "Não matar, não roubar, não trair, não mentir, etc...".  II,2 Cumpre observar a condenação do aborto: "Não matarás a criança no ventre de sua mãe." "Jamais viole os mandamentos do Senhor." IV,13 "SE PUDER CARREGAR TODO JUGO DO SENHOR VOCÊ SERÁ PERFEITO. Se não for possível, faça o que puder." VI,2
  • A condenação ao acumulo excessivo de bens: "Não sejas soberbo ou insolente, não te associes aos poderosos mas aos pobres que são justos." III,9
  • Inculca respeito para com os ministros da palavra: "Recorda noite e dia o predicante da palavra e honra-o como se fosse aquele Senhor que o enviou; pois onde a boa nova é ensinada ali esta o Senhor." IV,1
  • Condena o sectários e enfatiza a Unidade: "Que ninguém ouse provocar divisões mas que se promova a concórdia." IV,3
  • Salienta o vínculo social ou comunitário existente entre os Cristãos: Busque estar diariamente na companhia dos irmãos para encontrar apoio nas palavras deles. IV,2
  • Reconhece a Penitência: "Aquilo que ganhas com o suor do teu rosto FAZ OFERENDA DE REPARAÇÃO PELOS PECADOS." IV,6
  • Refere ao Batismo em nome da Santa Trindade: "Batizai em água corrente em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." VII,1
  • Atribui personalidade ao 'Espírito' declarando que ele prepara os santos. IV,10
  • Mas admite o Batismo por efusão quando não houver água suficiente para mergulhar: "Se não houver água corrente seja a água derramada três vezes sobre a cabeça do neófito." VII,3
  • Da testemunho da Penitência Batismal especificando que antes do Batismo Batizador e Batizando devem exercer jejum.
  • Aprova as orações repetidas recomendando que o Pai Nosso seja recitado três vezes ao dia, ou seja, pela manhã, pela tarde e pela noite. Prática que remonta ao livro de Daniel.
  • Testifica que a congregação Cristã exercia jejuns pela quarta e pela sexta feira em memória dos sofrimentos de Nosso amado Mestre.
  • Descreve a Eucaristia como 'Comida e bebida espirituais.' e adverte que apenas os batizados deveriam recebe-la.
  • Afirma a Ortodoxia da Igreja: "Se alguém anunciar tudo o que foi anunciado antes podeis recebe-lo.". "Assim nada acrescente e nada retire." IV,13
  • Ensina que o supremo critério de Ortodoxia é a vida (Ortopraxia): "Aquele que diz ser predicante e profeta QUE VIVA COMO O SENHOR. Assim sabereis discernir..." e "Todo o que declara estar na verdade mas não põe em prática é sedutor e falso profeta." XI,8
  • Alerta contra o simonismo ou teologia da prosperidade: "SE PEDIR DINHEIRO É FALSO PROFETA." XI,6  e completa "Se quiser viver convosco que exerça algum trabalho digno."
  • Testifica que os Santos congregavam no 'Dia do Senhor' ou seja no Domingo da ressurreição. XIV,1
  • Refere-se a confissão pública dos pecados como veículo de purificação. Id
  • Refere-se ao ofício Cristão como a um sacrifício. Id
  • Refere-se aos predicantes como nossos 'Sacerdotes'. XIII,3
  • Especifica que os predicantes e profetas são os Bispos e diáconos. XV,1 e especifica que 'Não devem ser apegados ao dinheiro.'
  • Testifica quanto a ressurreição dos mortos, o derradeiro julgamento e uma espécie de purificação pelo fogo.

Tais os elementos da fé com que nos deparamos neste escrito antiquíssimo que parte dos antigos não exitou atribuir aos S Apóstolos do Senhor e que com toda certeza foi composto por aqueles que tiveram o privilégio de escutar a instrução de seus abençoados lábios.

Instrução pura, imaculada, correta e isenta de erros.










domingo, 21 de abril de 2013

CVI - Padres apostólicos. Que são e quem são???







De acordo com a Enciclopédia Católica o termo "Padres Apostólicos" foi criado em 1672 por Jean Baptiste Cotelier (Cotelerius) tendo em vista a publicação da obra intitulada: 'SS. Patrum qui temporibus apostolicis floruerunt ópera' ou "Obras dos Santos Padres que floresceram nos tempos apostólicos." Em 1699 o título foi abreviado para Bibliotheca Patrum Apostolicorum ou Biblioteca dos Padres Apostólicos.

Por padres apostólicos devemos compreender um seleto grupo de escritores e obras cujo florescimento se situa entre a segunda metade do primeiro século e a primeira metade do segundo século desta nossa Era.

Queremos dizer com isto que tais homens foram ouvintes, colaboradores e sucessores imediatos dos Apóstolos i é das testemunhas oculares da palavra. E que suas obras conservam a tradição legada pelos emissários, vigários e arautos do abençoado Salvador as primeiras gerações; assim a doutrina pura, imaculada e perfeita.

Face aos apóstolos eles seriam Diádocos, enquanto os Padres propriamente ditos, discípulos seus seriam Epígonos.


Seriam eles o 'elo de ligação' - perdoem a redundância - entre os primeiros padres propriamente ditos, que floresceram a partir da segunda metade do segundo século e aqueles que o Verbo escolheu, dignificou, santificou e enviou para que iluminassem as nações, i é os Apóstolos. Quanto ao Isnad ou testemunho ocupam o primeiro lugar ou posto. Assim a autoridade de um padre subsequente deve estar vinculada a um padres apostólico enquanto via de acesso aqueles que foram chamados por Jesus Cristo.

Cronologicamente falando, os escritos deles sucedem imediatamente aos escritos que temos em conta de canônicos. Sendo assim fica fácil compreender porque alguns dentre eles - Como o Didaqué por S João Damasceno, a Carta de Barnabé e o Pastor de Hermas no Codex Sinaiticus e as Cartas de Clemente romano no Codex Alexandrinus e no Cânone dos Apóstolos LXXXV - não foram apenas apontados como canônicos mas efetivamente anexados ao corpo da Escritura.

Este testemunho é mais do que suficiente para demonstrar o apreço e a consideração de que tais escritos eram objeto nos primeiros séculos. A ponto de terem sido associados aos escritos canônicos...

A Igreja no entanto alijou-os do Canôn, que fechou-se com o livro da Revelação.

Sem que no entanto, ao menos no Oriente, o prestígio de tais obras sofresse qualquer tipo de dano.

Pois para a consciência genuinamente Cristã constituem eles o que há de mais precioso após o Novo Testamento. Na medida em que correspondem a compreensão que os ouvintes e colaboradores dos apóstolos faziam a respeito de suas obras, inspiradas e canônicas.

Eis porque a importância dos mesmos é insubstituível, caso tenhamos em vista um padrão de compreensão histórico/objetivo dos escritos cuja inspiração postulamos. Eles são os portadores do sentido...

Para nós Ortodoxos eles constituem a parte mais nobre e excelente daquela tradição que denominamos 'apostólica'.

Devendo ser examinados com toda reverência e atentamente estudados.

Eis porque julgamos vantajoso oferecer ao estudante Católico uma listagem de tais escritos:



  • A Didaqué ou 'Doutrina do Senhor ministrada pelos apóstolos as nações'; escrito de origem Síria composto entre os anos 90 - 110 ou mesmo entre os anos 70 - 80 desta Era.
  • A Carta escrita por S Clemente de Roma a Igreja apostólica de Corinto na Grécia. Cerca de 96/97 desta nossa Era.
  • A Carta atribuída ao apóstolo Barnabé. Composta entre os anos 90 e 120 desta nossa Era.
  • A coleção de sete cartas escritas por S Inácio Mártir, Bispo de Antakia, cerca do ano 110 desta Era.
  • A carta de S Policarpo aos Filipenses, composta cerca de 120 desta nossa Era.
  • Os fragmentos das 'Exegeses das palavras do Senhor' composto entre 120 a 140 por S Papias, Bispo de Hierápolis.
  • O livro intitulado 'O pastor' composto por Hermas irmão de Pio I, cerca de 130 - 140 desta nossa Era.

As obras intituladas: "Apologia de Aristides, o filósofo a Adriano" composta cerca de 125, "A Apologia de Quadrato de Atenas" ou Digneto (P Andriessen), "O Dialogo entre Jasão e Papisco" composta cerca de 120 - 130 por S Aristion de Pela, amanuense de Marcos de Jerusalém e as obras de S Justino Mártir 120 - 160 e de S Melito de Sardes apesar da vetusta antiguidade, não são contadas entre os 'padres apostólicos' por uma razão bastante simples e compreensível: Foram escritas por conversos do paganismo e do judaísmo num momento qualquer posterior ao ano 100 desta Era e, consequentemente, após as mortes dos apóstolos, com os quais não tiveram contato direto. Assim Aristides parece ter recebido a fé após a morte de S Clemente, Ariston parece ter aderido ao caminho no tempo de segunda rebelião judaica e Justino enfim abraçado a verdade cerca de 120 ou mesmo 130 desta era. Portanto embora tivessem sido, talvez, contemporâneos das derradeiras testemunhas não entraram em contato com elas porque não pertenciam a igreja de Cristo.





Segue o site onde V ilma pode adquirir esta preciosa obra:

CV - As origens da Patrística e da Patrologia

Da-se o nome de Patrologia ao estudo das vidas dos assim chamados Padres da Igreja e o nome de Patrística ao estudo de suas obras e ensinamentos. Por padres da Igreja compreende-se, em sentido estrito, todos os escritores cristãos Ortodoxos que floresceram, no Ocidente até o ano 1000 e no Oriente até Eutymio Zigadeno. Grosso modo são divididos estes padres em duas categorias, os ante ou pré nicenos, anteriores ao Concílio geral de Niceia, congregado em 325 e os pós nicenos, compreendendo todos os escritores que floresceram daí até o ano 1000. Podemos ainda, cindir a Era patrística em três idades: Ascensão, apogeu e declínio, considerando a ascensão o período anterior a Niceia, o apogeu o século IV como um todo, dita 'Idade de ouro' dos padres da Igreja, e por fim o declínio do século V ou VI ao ano 1000.

Constituem portanto, domínios da patrística todas as produções literárias destes grandes homens: Poesia, hinologia, exposições exegéticas, exposições teológicas, tratados de controvérsia, decretos conciliares e sinodais, etc Num sentido mais lato ou geral deve-se incluir neste nicho até mesmo as inscrições encontradas nos templos, cemitérios, etc bem como as produções dos escritores heréticos e as produções pseudo epigráficas, chegando a patrística a confundir-se com o estudo da antiga Literatura Cristã em sua totalidade.

Para nós ortodoxos a Patrística e a Patrologia identificam-se com a Tradição, fonte primária da Revelação divina e da Sagrada Teologia. Daí sua importância capital. 

Quando iniciaram-se tais estudos?

É a Eusébio de Cesaréia, na célebre História Eclesiástica, que se deve atribuir a primeira tentativa no sentido de se fazer um levantamento geral de toda literatura Cristã elaborada até seu tempo (330). Todavia, em certo sentido esta tentativa remontaria a S Clemente de Alexandria (+215), o qual, cerca do ano 200, transferiu-se para a Palestina, fixando-se em Cesareia Marítima. Os livros que para lá levou ao deixar Alexandria, foi que formaram, muito provavelmente o núcleo daquela Biblioteca, paulatinamente aumentado por S Orígenes - que nela depositou sua prodigiosa Hexapla - e pelo Mártir Pânfilo, predecessor de Eusébio. Tanto Eusébio quanto Jerônimo, dentre outros, passaram parte considerável de suas vidas ali estudando. Destarte é a H E informe importantíssimo a respeito de certo número de obras para nós completamente perdidas, assim as de Pápias, Miltiades, Claudio Apolinário, Aristion de Pela, Rodon, Apolônio, Filipe de Gortina, Melito de Sardes, Candido, Sexto, Apion, Musano, etc

A primeira obra por assim dizer específica em termos de Patrologia foi o 'De viris illustribus', um catálogo com cerca de 135 escritores eclesiásticos, elaborado em 392 desta Era por Jerônimo de Stridon. Ele tomou por modelo a obra homônima de Suetonius, e por fonte principal Eusébio. Jerônimo teve quatro continuadores: Genádio de Marselha, um século depois, pelos idos de 490, legou-nos pouco menos de 100 monografias. Predestinato, que escreveu no Norte da África. Isidoro de Sevilha e por fim Idelfonso de Toledo, o qual pelos idos de 660, aditou as vidas e obras de oito escritores eclesiásticos oriundos da Hispania.

No Oriente, já em parte conquistado pelos infiéis, o Patriarca S Fócio, elaborou sua 'Biblioteca' onde além de nos fornecer notícias preciosas sobre os autores resenhou cerca de 280 códices - em parte Cristãos - que havia lido, a maior parte dos quais, acabou perdendo-se. A parte, foi ele quem compôs uma preciosa Epítome de Filostorgio. Cerca do ano 1000 desta Era uma equipe de monges eruditos elaborou a Enciclopédia a que chamamos 'Suídas', a qual por si só contém em si uma patrologia inteira.

Quanto aos assim chamados Florilégios ou coletâneas de referências patrísticas temos: O Mendigo de Teodoreto, o 'Contra ímpio gramático' de Severo de Antioquia, a 'Vie dux' de Anastácio sinaita, a 'Doctrina Patrum' de Anastácio o apocriśario e a 'Sacra parallela' (com cerca de 6000 citações dos antigos Padres, 4.500 ainda não identificadas!) de S João Damasceno.

Durante a Idade média novos catálogos de escritores eclesiásticos ocidentais foram elaborados pelos latinos Sigeberto de Gembloux e Honorato de Autun. Outro ensaio de Patrologia, pertence a pena do erudito abade Thrithemyus. Antecipando o Nomenclator de Hurter, entram eles pela Idade Média, daí o valor reduzido de cada um deles.

Entre os siríacos o primeiro catálogo de literatura aramaica/árabe Cristã foi confeccionado por Mar Ebed Jesus Bar Bikra - paz com ele! - metropolita de Sanjar, Soba e Nishevan, no ano de 1298, um precioso elenco, adicionado a Marganitha.

Como era de se esperar foi o interesse pela Patrologia e pela Patrística reativado pela Reforma protestante, sendo Guilherme Postel, um dos primeiros a dedicar-se a ele. Foi seguido por Aloysius Lippomanus (1551) com sua 'Sanctorum priscorum patrum vitae, Antonio Possevino (1593) com sua Biblioteca Selecta, Le Naim du Tillemont com suas eruditas monografias (Memoires...), D Remy Cellier (Histoire generale...), Natalis Alexandre (Selecta historiae...), Theophile Renaudot et Antoine Arnaud (la perpetuité de la foi...), Louis Ellie Du Pin (Nouvelle bibliothéque de auteurs ecclesiastiques), W Cave (Scriptorum ecclesiasticorum...), Roberto Bellarmino Card (De scriptoribus eccles.)... E posteriormente por Tricalet, Fessler/Jungmann, Xaver Funk, Bardenhewer, Rauschen, J Tixeront, F Cayré, B Altaner, J Quasten, Drobner e Trevijano, dentre outros.


Quanto as publicações patrísticas propriamente ditas, principiaram em larga escala com Margarin de La Bigne, um cônego de Bayeux. Cerca de 1575 iniciou ele a edição da Bibliotheca sanctorum patrum, na qual constam mais de duzentas obras. Posteriormente outras coleções foram preparadas por J de  Combéfis, J B Cotellier (Cotellerius), Fabricius (luterano, 1705, Bibliotheca graeca...), Iusuf ibn Siman; Assemani (1719 - Bibliotheca Orientalis), Bernard de Montfaucon e Andr Galandi, dentre outros. Por fim, financiado pelos anglo Católicos e enfrentando imensa objeção por parte da Igreja Romana, Jean Paul Migne - estimulado por Pitra - publicou sua monumental Patrologia entre 1844 e 1866. M Lat consta de 217 vols e vai até 1216. M Grega consta de 162 vols e vai até 1439. Quanto a Patrologia aramaica/árabe a mais completa foi editada em Paris por F Nau e A Graffin.

Atualmente temos diversas publicações em andamento, assim a coleção 'Sources Chrétiennes, da eds Du cerf, iniciada por Jean Daniélou em 1942. A B A C dos salmanticenses espanhóis e assim o editorial Ciudad nueva. Em inglês é famosa a Ethereal Library. Em Português contamos apenas com a coleção Patrística da ed Paulus, ainda deveras incipiente.


Lista com os nomes dos principais padres da Igreja
  1. Século I - S Clemente de Roma
  2. Século II - S Pápias, Aristion de Pela, S Policarpo, S Justino, S Irineu, S Clemente de Alex., S Quadrato, S Aristides, Claúdio Apolinário, Hegesipo, Taciano, Rodon, Filipe de Gortina, S Atenagoras de Atenas, S Teófilo de Antioquia, Serapião de Antioquia, Dionísio de Corinto, Melitão de Sardes, Apolônio, Miltiades, Sexto, Apion, Cândido, Musano, Agripa Castor, S Polícrates de Éfeso, etc
    Esc heréticos - Bardesanes, Harmônius, Herácleon, Apeles, Themision, etc
  3. Século III - Caio ou Gaio, Hipólito, Orígenes, Arquelao, Malkion, Cipriano, Metódio, Novaciano, Vitorino de Poetabio, Gregório Taumaturgo, Júlio Africano, Pânfilo; o mártir, Dionísio de Alexandria, Theognostus, Pierius, Pedro de Alexandria, Arnóbio; o antigo e Lactâncio Firmo.
  4. Século IV - S Alexandre de Alexandria, S Atanásio de Alex., S Dídimo; o cego, S Eusébio de Cesareia, Marcelo de Ancira, Basílio de Ancira, S Epifânio de Salamina, Jerônimo de Stridon, Rufino de Aquileia, S Basílio; o grande, S Gregório de Nissa, S Gregório de Nazianzo, S Diodoro de Tarso, S Cirilo de Jerusalém, S Teodoro de Mopsuéstia, S Policrômio de Apamea, S Eusébio de Vercelli, S Hilário de Poitiers, S Anfilóquio de Icônio, S Ambrósio de Milão, S Optato de Milevi, Teófilo de Alexandria, Lucifer de Cagliari, Astério de Amasea, Filastrio de Brescia, Afraates; o Sírio, Efraim; o sírio, Apolinário de Laodicéia; o velho, S Máximo de Torino, S Severiano de Gábala, S Makarios de Magnésia, Eustátio de Antioquia, Tito de Bostra, etc
  5. Século V - Cirilo de Alexandria, Nestório de Constantinopla, S Vicente de Lerins, S Leão de Roma, S Juliano de Aeclanum, S Eusébio de Dorileia, S Flaviano de Constantinopla, S Teodoreto de Cirro; o abençoado, S Adriano; o exegeta, Evágrio; o presbítero, S Pedro Crisólogo, Arnóbio; o jovem, S Fausto de Riez, S Genadio de Marselha, S Virgílio de Tapso, Hesíquio de Jerusalém, Genádio; o grande - de Constantinopla, S Proclo de Constantinopla, Eutério de Tiana, Ibas; o grande - de Edessa, Sócrates; o escolástico, Sozomeno, S Isidoro de Pelúsio, Estevão Bar Sudhaile, Ticonius, etc
    Esc eclesiástico - Agostinho de Hipona
  6. Sec VI - S Severo de Antioquia, Estevão Gobar, João Filiponos, João de Citópolis, João de Cesaréia, Leôncio de bizâncio, Hipacio de Éfeso,  Teodoro de Raitheou, Anastácio de Antioquia, Eulógio de Alexandria, Timóteo de Constantinopla, Gregório Dialogos,  Eneas de Gaza, Sofrônio; o grande - de Al Kudush, S Facundo de Herminoas, S Victor de Toununa, Zacarias; o rector, S Filoxeno de Mabbug; 'Xenaias', Cassiodoro de Vivarium, etc
    Escritor ecles - Fulgêncio de Ruspa.
  7. Sec VII - S Máximo; o confessor; S Anastácio; o sinaíta, Hormisdas de Roma, S Isidoro Hispalense, Ildefonso de Toledo, Anastácio apocrisário, etc 
  8. Sec VIII - S João Damasceno, S André de Creta, S Beda, o venerável, S Teofanes; o confessor, S Germano de Constantinopla, Alcuíno de York, Beatus de Liebana, etc
  9. Sec IX - S Teodoro do Studion, S Fócio; o grande, Hincmar de Reims, Pardalus de Laon, Scottus Eurigena, Ratramnus, Florus de Lyon, Jonas de Orleãns, Lupus Servatus, Rabano Maur, Alcuino de York, Enéas de Paris, Paulo, Anastácio; o Bibliotecário, Amulário de Lyon, Agobardo de Lyon, Pascal Radberto, Ishak al Kinda, Thimoteos de Al Kudush, Teodoro de Abu Haran, etc
    Esc eclesiástico - Prudêncio de Troyes.
  10. Sec X - Agapius de Hierápolis, Eutíquio de Alexandria, Aretas de Cesarea,
  11. Sec XI - Valsamon, Kedrenus, S Theophilacto de Ochrid, Yaya; o cronista e S Eutimio Zigadeno.
  12. Post - Dionisius Bar Salibi, Gigis abd Hamid; Elmakin, Mihail; o Sírio, Grigori Bar Hebraeus, Girgis de Nissibe, Suleiman de Basra, Ishodad Merwan, Ebed Jesus; Bar Bikra...
Aqui citados cerca de 175 homens base.